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segunda-feira, 31 de agosto de 2009

Talvez - por Gio

Querida L.,

............Já me foi difícil escrever esse “querida” antes de seu nome, porque, mesmo que não pareça, ainda sofro. Talvez seja a minha resistência a perdoar, talvez seja minha dificuldade em esquecer. E talvez nada disso seja justo, pois sou desigual ao perdoar amigos e amores: amigos ficam, a convivência pesa, e o valor da amizade faz a gente se retratar; amores podem sumir de repente, deixando a dor sozinha, se alimentando de cada lembrança ruim, e fazendo de cada lembrança boa mais um motivo na hora de abraçar o travesseiro.

............Talvez nada disso importe para você. Talvez você, ao ler isso, nem saiba o porquê de eu estar escrevendo. Mas talvez você, mais que sabendo, sinta o que está prestes a ler, e esteja com o coração palpitante, na mesma frequência que bate o meu ao escrever estas palavras. Já quis me convencer do contrário – é assim que sempre nos ensinaram a resolver nossas desilusões, forçando-se a acreditar na frieza do outro –, mas tenho meus motivos para acreditar que eu não sou o único que ainda não esqueceu aquela noite. Um fim de noite mais ingênuo do que qualquer coisa que se imagine quando se fala em “fim de noite”, mas certamente um dos fins de noites mais felizes dos quais eu consigo lembrar.

............Pena que essa felicidade durou tão pouco. Dizem que o que vem fácil vai fácil. Não me avisaram que o que se demora a conquistar pode se esvair com a mesma facilidade. Talvez “conquistar” não seja exatamente a palavra mais apropriada, visto que estávamos entregues desde que nos olhamos, desde que conversamos, e desde que passamos a conviver. Mas faltava a oportunidade, faltava estarmos livres, faltava um impulso que, quando finalmente se deu, terminou comigo estatelado no chão. Você me fez pensar que sabia voar, mas me abandonou na hora de aparar a queda.

............Você poderia estar se perguntando porque eu prefiro escrever a falar isso pessoalmente. Seria um erro, pois você sabe como ninguém o quanto é mais fácil escrever do que falar. Ah, se sabe. Eu vou um pouco mais fundo. Escrevo porque palavras podem ser esquecidas, de verdade ou não, e é muito mais pesado rasgar uma carta do que dissimular uma conversa, principalmente quando se sabe que tudo o que está escrito é verdade. Mesmo rasgando a carta, as palavras ecoariam em sua mente... Mas eu sei que você não vai rasgá-la. E é por isso que eu escrevo, para que essa carta seja testemunha de que eu ainda te amo, e talvez você ainda sinta o mesmo.

............Talvez, talvez... Esse é o nosso problema – o “talvez”. Colocamos nossa felicidade de lado, sempre pelo benefício da dúvida. Por querermos segurança, tivemos medo de arriscar, porque talvez não desse certo, e o medo de ficar sozinho era maior. Ficamos sempre nessa gangorra, com excesso de ciúmes e falta de um recomeço, tudo pela insegurança, porque talvez o outro não quisesse. Se deixássemos... E por que não? Se deixarmos essa dúvida de lado, e deixarmos que nossas bocas falem o que nossos olhos já sabem, ficaremos juntos, sem nenhum “talvez” no meio do caminho.

De quem ainda não desistiu,
G.
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Um comentário:

Ana disse...

Gostei de sua carta, Gio!
Desiste mesmo não... pois quem sabe um dia, talvez...
:)