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quinta-feira, 31 de julho de 2014

Conversando com Deus - Livro I: um diálogo sobre os maiores problemas que afligem a humanidade, de Neale Donald Walsch - por Alexandre

 
 
 
 
Em uma frase:

Este livro me ajudou a encontrar O Deus que nos criou e apontou caminhos para minha autocriação.

P.S.: Se este não é O criador, então Deus é um promotor de justiça sentado em um trono, com um livro de regras na mão a julgar os seres humanos após a morte, enquanto atravessam o inferno para chegar ao céu.
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quarta-feira, 30 de julho de 2014

Orlando, de Virginia Woolf - por Ana

O Orlando que labirinta em todos nós
 
Esta é uma história fantástica.  Densa, intrigante e profunda.  Faz com que repensemos nosso posicionamento no mundo, principalmente em termos de identidade e relações sociais.
Orlando é um nobre do século XVI que repentinamente se vê transformado em mulher.  Além disso, atravessa várias épocas, tendo que se adaptar às novas realidades.
A partir desta temática, Virginia Woolf nos faz mergulhar em questões importantes, como as diferenças entre os sexos, as dificuldades diárias das relações humanas, o valor e a utilização do poder pessoal em suas várias facetas, as características comportamentais em diferentes épocas, a condição bissexual no ser humano.
É um livro que nos guia pelo labirinto mental da escritora, que deixa transparecer suas dúvidas, suas críticas, suas descobertas pessoais, suas certezas, suas vulnerabilidades, suas permissividades; levando-nos aos nossos próprios labirintos, formados pelos mesmos (e outros) tantos limites e aberturas.
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domingo, 27 de julho de 2014

A Cidade do Sol, de Khaled Hosseini - por Alba Vieira


É uma história comovente que expõe a vida no Afeganistão nas últimas décadas com os horrores da guerra, a realidade cruel dos refugiados e a condição da mulher no país, focalizando, de forma brilhante, a emoção humana. É um livro denso, em que as personagens mostram a crueza das relações onde a opressão, a fome e as dificuldades dos conflitos vividos retratam o que existe de pior e de melhor no ser humano.

O autor, nesta teia tão magnificamente elaborada, onde sobressaem as fraquezas e a grandiosidade da alma humana, destaca duas personagens femininas que, de oprimidas pela própria condição conseguem, através da força de seu caráter, salvaguardar seu poder de opção no momento limite de suas vidas. Ao decidir seu próprio destino, a despeito das situações mais adversas que se apresentam no desfecho da trama, a protagonista nos fala da única liberdade verdadeira: a de quem aprendeu, pela força do amor, o desapego.

As duas personagens centrais, unidas pelo sentimento de amor, nos mostram que foi a renúncia de uma delas que possibilitou a realização de seus anseios de uma vida feliz na vida da outra. Excelente livro.
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sexta-feira, 25 de julho de 2014

FIM DA TARDE - Por Kbçapoeta











Fim da tarde torno a rever

Ele estava a esperar

Ver-me retornar

Os segredos que ninguém pode saber

Ao menos imaginar

Por favor, não vá contar

Como tão normal eu posso ser

Sem futuro a me esperar

Você não estava lá

Quando todo mundo já

Partiu

O estrondo já ouviu

Meu mundo desmoronar

Nesse instante tento me mexer

Uma alegria perceber

Mas desabo no sofá

Homem feito em pleno entardecer

Querendo só morrer


Você não vai voltar




Visitem Kbçapoeta







quarta-feira, 23 de julho de 2014

PAX - por Zaira Leite

Eu poderia dar o nome de vida
a esse despenhadeiro para a morte.
Não revolver a terra,
nem lançar a semente,
não burilar o seixo
ao sabor da corrente.
Desprezar meu madeiro,
inventar nova sorte.

E nessa estranha vertigem eu poderia
estrangular a voz do sentimento
ao som dos falsos guizos,
na folia das máscaras
de mentirosos sorrisos.
Toldar a luz do bem,
A transparência da alma e o véu do pensamento.

Eu poderia ignorar a fonte
De infinita doçura e do amor universal
Calando a consciência
Na erosão dos sentidos,
No conteúdo das taças
Do vinho em efervescência
Numa atração incoerente pelo erro fatal.

Mas não teria, porém, no caminho de volta,
Uma só flor sequer da colheita outonal;
Vazios, os meus braços.
E não haveria uma bandeira branca
Desdobrada, ao transpor minha reta final.
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terça-feira, 22 de julho de 2014

Urgência - por Ana

Eu te amo
com a urgência de te olhar por dias seguidos
sem temores, sem iminência de separação;
com a urgência de dormir tranqüila, sem portas trancadas,
sem movimentos perigosos que venham nos arrancar de nós;
com a urgência de quem se debate
para acordar de um pesadelo quase eterno;
com a urgência de um guerreiro
que luta por sua vida para salvar sua alma;
com a urgência dos anjos
que velam pelos seres que, sós e cegos, se perderiam de seu caminho;
com a urgência de ver os dias que,
implacavelmente velozes e ininterruptos,
consomem e restringem o tempo do encontro pleno;
com a urgência que teme a morte
que virá, sempre breve, quando se é feliz;
com a urgência dos lábios adormecidos que sonham beijos doces;
com a urgência de ouvir uma voz única preencher todos os sentidos;
com a urgência de sentir na pele
a textura de seu corpo macio repousando, solto, sobre o meu;
com a urgência de minhas mãos
que aguardam te enlaçar e trazer para junto, definitivamente;
com a urgência de meus carinhos,
que necessitam se expressar e só existem para ti;
com a urgência de um coração que pulsa teu nome, aflito,
pedindo aos olhos tua imagem presente todos os dias;
com a urgência de minha alegria,
que surge quando te vejo.

Eu te amo
com a urgência que tem o rio de chegar ao mar, seu destino;
com a urgência dos amores proibidos em se tornarem vivos;
com a urgência de retomar um lindo sonho interrompido;
com a urgência de libertar minha alma de um feitiço cruel e incessante;
com a urgência da solidão que sabe sua companhia vindo.

Eu te amo
com a urgência deste sentimento que te acompanha ao longe;
inunda-te de carinho, desejo e paixão, se perto;
e que te faz sentir a mesma urgência,
arder no mesmo desejo, transbordar o mesmo carinho,
viver a mesma paixão.

Sempre.
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segunda-feira, 21 de julho de 2014

Rubem Alves e “A Solidão Amiga” - Citado por Adir Vieira

A noite chegou, o trabalho acabou, é hora de voltar para casa. Lar, doce lar? Mas a casa está escura, a televisão apagada e tudo é silêncio. Ninguém para abrir a porta, ninguém à espera. Você está só. Vem a tristeza da solidão... O que mais você deseja é não estar em solidão...

Mas deixa que eu lhe diga: sua tristeza não vem da solidão. Vem das fantasias que surgem na solidão. Lembro-me de um jovem que amava a solidão: ficar sozinho, ler, ouvir, música... Assim, aos sábados, ele se preparava para uma noite de solidão feliz. Mas bastava que ele se assentasse para que as fantasias surgissem. Cenas. De um lado, amigos em festas felizes, em meio ao falatório, os risos, a cervejinha. Aí a cena se alterava: ele, sozinho naquela sala. Com certeza ninguém estava se lembrando dele. Naquela festa feliz, quem se lembraria dele? E aí a tristeza entrava e ele não mais podia curtir a sua amiga solidão. O remédio era sair, encontrar-se com a turma para encontrar a alegria da festa. Vestia-se, saía, ia para a festa... Mas na festa ele percebia que festas reais não são iguais às festas imaginadas. Era um desencontro, uma impossibilidade de compartilhar as coisas da sua solidão... A noite estava perdida.

Faço-lhe uma sugestão: leia o livro A chama de uma vela, de Bachelard. É um dos livros mais solitários e mais bonitos que jamais li. A chama de uma vela, por oposição às luzes das lâmpadas elétricas, é sempre solitária. A chama de uma vela cria, ao seu redor, um círculo de claridade mansa que se perde nas sombras. Bachelard medita diante da chama solitária de uma vela. Ao seu redor, as sombras e o silêncio. Nenhum falatório bobo ou riso fácil para perturbar a verdade da sua alma. Lendo o livro solitário de Bachelard eu encontrei comunhão. Sempre encontro comunhão quando o leio. As grandes comunhões não acontecem em meio aos risos da festa. Elas acontecem, paradoxalmente, na ausência do outro. Quem ama sabe disso. É precisamente na ausência que a proximidade é maior. Bachelard, ausente: eu o abracei agradecido por ele assim me entender tão bem. Como ele observa, “parece que há em nós cantos sombrios que toleram apenas uma luz bruxuleante. Um coração sensível gosta de valores frágeis”. A vela solitária de Bachelard iluminou meus cantos sombrios, fez-me ver os objetos que se escondem quando há mais gente na cena. E ele faz uma pergunta que julgo fundamental e que proponho a você, como motivo de meditação: “Como se comporta a Sua Solidão?” Minha solidão? Há uma solidão que é minha, diferente das solidões dos outros? A solidão se comporta? Se a minha solidão se comporta, ela não é apenas uma realidade bruta e morta. Ela tem vida.

Entre as muitas coisas profundas que Sartre disse, essa é a que mais amo: “Não importa o que fizeram com você. O que importa é o que você faz com aquilo que fizeram com você.” Pare. Leia de novo. E pense. Você lamenta essa maldade que a vida está fazendo com você, a solidão. Se Sartre está certo, essa maldade pode ser o lugar onde você vai plantar o seu jardim.

Como é que a sua solidão se comporta? Ou, talvez, dando um giro na pergunta: Como você se comporta com a sua solidão? O que é que você está fazendo com a sua solidão? Quando você a lamenta, você está dizendo que gostaria de se livrar dela, que ela é um sofrimento, uma doença, uma inimiga... Aprenda isso: as coisas são os nomes que lhe damos. Se chamo minha solidão de inimiga, ela será minha inimiga. Mas será possível chamá-la de amiga? Drummond acha que sim:

“Por muito tempo achei que a ausência é falta.
E lastimava, ignorante, a falta.
Hoje não a lastimo.
Não há falta na ausência. A ausência é um estar em mim.
E sinto-a, branca, tão pegada, aconchegada nos meus braços,
que rio e danço e invento exclamações alegres,
porque a ausência, essa ausência assimilada,
ninguém a rouba mais de mim!”

Nietzsche também tinha a solidão como sua companheira. Sozinho, doente, tinha enxaquecas terríveis que duravam três dias e o deixavam cego. Ele tirava suas alegrias de longas caminhadas pelas montanhas, da música e de uns poucos livros que ele amava. Eis aí três companheiras maravilhosas! Vejo, frequentemente, pessoas que caminham por razões da saúde. Incapazes de caminhar sozinhas, vão aos pares, aos bandos. E vão falando, falando, sem ver o mundo maravilhoso que as cerca. Falam porque não suportariam caminhar sozinhas. E, por isso mesmo, perdem a maior alegria das caminhadas, que é a alegria de estar em comunhão com a natureza. Elas não vêem as árvores, nem as flores, nem as nuvens e nem sentem o vento. Que troca infeliz! Trocam as vozes do silêncio pelo falatório vulgar. Se estivessem a sós com a natureza, em silêncio, sua solidão tornaria possível que elas ouvissem o que a natureza tem a dizer. O estar juntos não quer dizer comunhão. O estar juntos, frequentemente, é uma forma terrível de solidão, um artifício para evitar o contato conosco mesmos. Sartre chegou ao ponto de dizer que “o inferno é o outro”. Sobre isso, quem sabe, conversaremos outro dia... Mas, voltando a Nietzsche, eis o que ele escreveu sobre a sua solidão:

“Ó solidão! Solidão, meu lar!... Tua voz - ela me fala com ternura e felicidade! Não discutimos, não queixamos e muitas vezes caminhamos juntos através de portas abertas. Pois onde quer que estás, ali as coisas são abertas e luminosas. E até mesmo as horas caminham com pés saltitantes.

Ali as palavras e os tempos
poemas de todo o ser se abrem diante de mim. Ali todo ser deseja transformar-se em palavra, e toda mudança pede para aprender de mim a falar.”

E o Vinicius? Você se lembra do seu poema O operário em construção? Vivia o operário em meio a muita gente, trabalhando, falando. E enquanto ele trabalhava e falava ele nada via, nada compreendia. Mas aconteceu que, “certo dia, à mesa, ao cortar o pão, o operário foi tomado de uma súbita emoção ao constatar assombrado que tudo naquela casa - garrafa, prato, facão - era ele que os fazia, ele, um humilde operário, um operário em construção (...) Ah! Homens de pensamento, não sabereis nunca o quanto aquele humilde operário soube naquele momento! Naquela casa vazia que ele mesmo levantara, um mundo novo nascia de que nem sequer suspeitava. O operário emocionado olhou sua própria mão, sua rude mão de operário, e olhando bem para ela teve um segundo a impressão de que não havia no mundo coisa que fosse mais bela. Foi dentro da compreensão desse instante solitário que, tal sua construção, cresceu também o operário. (...) E o operário adquiriu uma nova dimensão: a dimensão da poesia.”

Rainer Maria Rilke, um dos poetas mais solitários e densos que conheço, disse o seguinte: “As obras de arte são de uma solidão infinita”. É na solidão que elas são geradas. Foi na casa vazia, num momento solitário, que o operário viu o mundo pela primeira vez e se transformou em poeta.

E me lembro também de Cecília Meireles, tão lindamente descrita por Drummond:

“...Não me parecia criatura inquestionavelmente real; e por mais que aferisse os traços positivos de sua presença entre nós, marcada por gestos de cortesia e sociabilidade, restava-me a impressão de que ela não estava onde nós a víamos... Distância, exílio e viagem transpareciam no seu sorriso benevolente? Por onde erraria a verdadeira Cecília...”

Sim, lá estava ela delicadamente entre os outros, participando de um jogo de relações gregárias que a delicadeza a obrigava a jogar. Mas a verdadeira Cecília estava longe, muito longe, num lugar onde ela estava irremediavelmente sozinha.

O primeiro filósofo que li, o dinamarquês Soren Kierkegaard, um solitário que me faz companhia até hoje, observou que o início da infelicidade humana se encontra na comparação. Experimentei isso em minha própria carne. Foi quando eu, menino caipira de uma cidadezinha do interior de Minas, me mudei para o Rio de Janeiro, que conheci a infelicidade. Comparei-me com eles: cariocas, espertos, bem falantes, ricos. Eu diferente, sotaque ridículo, gaguejando de vergonha, pobre: entre eles eu não passava de um patinho feio que os outros se compraziam em bicar. Nunca fui convidado a ir à casa de qualquer um deles. Nunca convidei nenhum deles a ir à minha casa. Eu não me atreveria. Conheci, então, a solidão. A solidão de ser diferente. E sofri muito. E nem sequer me atrevi a compartilhar com meus pais esse meu sofrimento. Seria inútil. Eles não compreenderiam. E mesmo que compreendessem, eles nada podiam fazer. Assim, tive de sofrer a minha solidão duas vezes sozinho. Mas foi nela que se formou aquele que sou hoje. As caminhadas pelo deserto me fizeram forte. Aprendi a cuidar de mim mesmo. E aprendi a buscar as coisas que, para mim, solitário, faziam sentido. Como, por exemplo, a música clássica, a beleza que torna alegre a minha solidão...

A sua infelicidade com a solidão: não se deriva ela, em parte, das comparações? Você compara a cena de você, só, na casa vazia, com a cena (fantasiada) dos outros, em celebrações cheias de risos... Essa comparação é destrutiva porque nasce da inveja. Sofra a dor real da solidão porque a solidão dói. Dói uma dor da qual pode nascer a beleza. Mas não sofra a dor da comparação. Ela não é verdadeira.

Mas essa conversa não acabou: vou falar depois sobre os companheiros que fazem minha solidão feliz.


(Correio Popular, 30/06/2002)
Rubem Alves
.Carlos Drummond de Andrade, Friedrich Nietzsche, Gaston Bachelard, Jean-Paul Sartre, Vinicius de Moraes

domingo, 20 de julho de 2014

Lembranças e Saudades de uma Mulher Madura - por Ana Maria Guimarães Ferreira

Eu estava na internet cansada e pensando que nunca mais tinha tido uma pequena inspiração para escrever o que eu chamava de crônicas do dia a dia.
Na verdade, pedaços de mim, que amigos mais queridos chamavam de crônicas e eu acreditava...
Encontrei por acaso... será que por acaso? Como diria Jung, “coincidências não existem”... uma crônica que adorei, o jeito dela estar ali, dizendo coisas tão simples de forma tão poética - numa casa feita de poesias - A CASA DE RUBEM ALVES - esse era o site do cronista.
Será que podemos dizer sem ofender a família, a esposa, filhos e netos, mas como uma adolescente impetuosa, "Amei-o"?
Amei suas crônicas, sorvi cada uma delicadamente e, como um doce pequeno porém precioso, fui colocando pedaços pequenos dentro de minha alma.
Me apaixonei perdidamente por cada uma delas e sem querer parecer vulgar sentia vontade de tê-las e lê-las.
Numa delas, em especial, me perdi e me achei. Quando ele fala do “Velho que acordou menino”.
Me senti assim renascendo, acordando num sonho e como ele fui me lembrando das pessoas especiais e interessantes que apareceram em minha vida e como num passe de mágica acordei menina.
Uma simples lembrança me levou de volta ao passado, à infância, à adolescência e à maturidade. Tudo em instantes, como um furacão que me rodopiava e me levava a lugares distantes da minha mente, das minhas recordações.
Foi assim que no meio de uma nuvem branca eu a vi:


A Professora Emília

Era uma mulher pequenina, talvez com quarenta e oito ou cinqüenta anos, bem morena, quase negra, um pouco curvada ou pelo tempo ou pela fragilidade do corpo magro, de cabelos crespos e mesclados com brancos e de uma doçura angelical.
Nunca soube seu sobrenome.
Naquele tempo professora era professora, não tia. Mantinha uma relação de afeto com respeito, mas com consciência de que estávamos num patamar abaixo dela, sem relações de parentesco mas com relações de amor e carinho.
Com ela aprendi as primeiras letras e a subir cada escada das palavras. Observadora atenta, ela era a grande mestra que, hoje, não existe mais. Cuidava de cada um de nós com o amor e o carinho de uma mãe. Sabia quando estávamos famintos, quando estávamos com problemas em casa. Nada lhe passava despercebido.
Foi assim que minha mãe foi chamada à escola pública pela minha querida mestra para me levar ao oculista, pois ela descobrira que eu era míope. Óculos feitos, eu estava ali radiante de alegria a galgar degraus e degraus do conhecimento.
Foi ali que descobri pela primeira vez a fome devassadora da paixão - foram suas mãos que me guiaram pelos caminhos do amor aos livros. Eu tomava café, almoçava e jantava livros.
Fiquei gulosa e depois de alguns anos, quando me mudei e passei a estudar perto de uma Biblioteca Municipal (hoje nem sei mais se as crianças freqüentam bibliotecas), li todos os livros da Biblioteca Municipal Carlos Alberto, no Méier, e foi assim que me tornei a “devoradora de livros”.
E a professora Emília ainda hoje continua povoando minhas memórias e é revivida por mim através de uma velha foto desbotada (daquelas de antigamente, nos grupos escolares onde as crianças sentavam-se e a professora permanecia perfilada ao lado dos seus pupilos).
Com certeza ela já içou vôo para Colégios no Alto e de lá me viu crescer...
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sexta-feira, 18 de julho de 2014

Hermógenes - Citado por Alba Vieira

Depois que o sol aparece, não há por que continuem acesas as lâmpadas que os homens inventaram.
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ESCREVAM À MÃO - por Kbçapoeta





      Hoje consegui postar cartas no correio. Ha tempos não fazia isso.
      A intensidade da vida gerada pelo entorpecimento das massas cria a sensação de um ritmo de vida mais acelerado.
      Vejo literalmente em minhas expansões mentais a engrenagem de Chaplin moendo o povo. Massa leniente como calda de cana. Seres que viraram suco.
      Tendo essa sensação de pouco tempo, nos acostumamos a fazer menos coisas, pensar menos coisas, enfim, em ser menos coisas.
      Escrever cartas a próprio punho em papel torna-se um ato de protesto e ternura necessário.
      Empresas como Google e ICCANN não podem (ainda) violar nossas correspondências tradicionais em envelopes.
      Microsoft ou Apple não possuem software para decodificar nossas letras advinda de uma caneta.

      Semiadormecidos e despertos de todo o mundo, escreveis à mão!





                                                                        Visitem Kbçapoeta 





quarta-feira, 16 de julho de 2014

Pollyana - por Fatinha

Querido Brógui:

Há décadas atrás, quando eu ainda era uma criança, li um livro chamado “Pollyanna”. Você já leu? Então vou fazer uma síntese: Pollyana é uma menina pobrinha, órfã, que foi morar com o avô rabugento numa montanha sei lá onde (detalhes assim eu não lembro). O fato é que a menina tinha tudo para que pudéssemos chamá-la de coitadinha, tinha tudo para ser rebelde, menor infratora, mas ela OPTOU POR SER FELIZ.

Pollyana inventou um jogo, o “jogo do contente”. Um Natal, quando ela ainda morava no orfanato, as crianças receberam presentes que vinham num barril. A ela coube uma muleta. Ela não precisava de muletas, então ficou feliz pelo presente exatamente por isso: porque ela podia andar sem usar as tais. Sempre achei isso muito bacana. Ser feliz mesmo quando a vida insiste em nos dar motivos para reclamar da sorte.

Não tenho uma vida como a da Pollyana, tô muitíssimo longe disso, mas há momentos em que me pego reclamando da vida e, cá pra nós, isso não tem sentido algum. De uns tempos pra cá, venho exercitando (com adaptações) o jeito Pollyana de ser. Continuo com minhas ironias (que é uma maneira toda especial de fazer graça com o que não tem a menor graça). Tenho ainda meus momentos de fúria, chuto perna de mesa e coisa e tal. Mas tento sempre encontrar o melhor ângulo de visão para o que me aborrece.

Ontem mesmo eu estava no Fórum, andando pra lá e pra cá, quilômetros e quilômetros naquele labirinto de Creta, pronta para encontrar o Minotauro a qualquer momento. Quando ensaiei um putaquepariu, rapidamente Pollyana incorporou e agradeci por estar ali, andando que nem uma cachorra. Agradeci por ter um trabalho que me garante uma graninha. Agradeci por ter pernas para andar. Isso me deu forças para voltar ao cartório e esperar para obter a informação que queria.
Nada na vida vem só com bônus. Isso é só para as ONG’s. Não sou uma ONG, infelizmente. Não posso ter o melhor de todos os regimes jurídicos (pronto: baixou agora a advogada). Traduzindo: não posso querer ter as benesses sem arcar com os ônus delas decorrentes.

Precisa acordar para ir trabalhar? Agradeça, você tem um emprego. Mas o dinheiro é pouquinho? Agradeça, você tem um emprego.
Seu ex-marido é um merda? Agradeça, graças a ele você teve seus filhos. Seus filhos lhe enlouquecem? Agradeça por eles terem saúde para isso.
Você queria ir à praia e choveu? Agradeça por poder ficar em casa arrumando seu armário. Agradeça por ter coisas para arrumar.

Então é assim. Agradeça sempre. Agradeça por tudo. Jogue o jogo do contente. Pollyana está certa.
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Eleanor H. Porter

terça-feira, 15 de julho de 2014

Vitor Ramil, Fogaça e a “Semeadura” - por Ana

Nós vamos prosseguir, companheiro, medo não há
No rumo certo da estrada, unidos vamos crescer e andar
Nós vamos repartir, companheiro, o campo e o mar
O pão da vida, meu braço, meu peito feito pra amar

Americana pátria, morena, quiero tener
Guitarra y canto libre en tu amanecerNo pampa, meu pala a voar
Esteira de vento e luar, vento e luar

Nós vamos semear, companheiro, no coração
Manhãs e frutos e sonhos pr’um dia acabar com esta escuridão
Nós vamos preparar, companheiro, sem ilusão
Um novo tempo, em que a paz e a fartura brotem das mãos

Minha guitarra, companheiro
Fala o idioma das águas, das pedras
Dos cárceres, do medo, do fogo, do sal
Minha guitarra tem os demônios da ternura e da tempestade
É como um cavalo que rasga o ventre da noite
Beija o relâmpago e desafia os senhores da vida e da morte
Minha guitarra é minha terra, companheiro
É meu arado semeando, na escuridão, um tempo de claridade
Minha guitarra é meu povo, companheiro
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sexta-feira, 11 de julho de 2014

Espremendo o “Homem Cordial” - por Kbçapoeta





     A elite funciona como a máquina da MATRIX. Ela não deseja a morte dos seres humanos pois vivem da energia que eles geram, que, em nosso contexto é a força de trabalho, mão-de-obra essa subaproveitada e execrada pelo baixo salário e baixa educação.
     Educação, inteligência acima da média e pró-atividade são rejeitadas pelas elites e suas grandes corporações.
     O ideal que eles buscam é um ser obediente, mal pago, cordial, treinado e eficaz. Enfim, “O homem que virou suco”.




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O Coração Sempre Tem a Chave - por Tércio Sthal


ABRE A CABEÇA,
ANTES, DURANTE E DEPOIS
QUE TUDO ACONTEÇA.

















GRAÇAS A DEUS


Já não vivemos na Idade da Pedra,
temos sal e açúcar, aonde ir e onde ficar,
além de boas e eficientes armas
que podemos usar para nos defender e atacar.

E se pisamos em falsos mundos
ainda, assim, podemos encontrar
pessoas reais e verdadeiras
nas quais podemos confiar.

Se preferirmos sempre semear a boa semente
e se terra fértil formos plantá-la, poderemos ver,
que se não houver significativo contratempo
belas flores e bons frutos haveremos de colher.

Se soubermos que o comodismo e a preguiça são
os grandes e cruéis inimigos da prosperidade,
e que o dinheiro pode ser a raiz de todos os males,
ou o facilitador de momentos de felicidade,
distinguiremos os momentos para sorrir, e chorar.

Se recebemos um golpe e desistimos de lutar
já nos transformamos em perdedores,
mas se assimilamos e aprendermos a viver
podemos ser os grandes vencedores.

Graças a Deus, viver é saber chorar e sorrir.
Graças a Deus, viver é saber sentir e pensar.
Graças a Deus, viver é saber quando ficar, ou ir.
Graças a Deus, viver é evoluir, e avançar.

Ora como machado que corta a madeira
que depois de moldada serve de assento,
ora como a madeira que depois de cortada
serve bem ao intento de quem a cortou,
ora como a mão que conduz o machado
e a madeira para o fim que se pensou.

Graças a Deus, sabemos sorrir e chorar.
Graças a Deus, sabemos,  pensar e sentir.
Graças a Deus, sabemos quando ir, ou ficar.
Graças a Deus, podemos avançar e evoluir.

Nem tudo haveremos de aprender nas escolas,
mas a vida poderá nos mostrar a hora certa
e ainda que não saibamos descascar cebolas,
choraremos nos instantes em que ela nos desperta.

Graças a Deus, os nossos sentimentos
balizam os nossos comportamentos.



Visitem Tércio Sthal
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terça-feira, 8 de julho de 2014

Agonia - por Ana

Em meu coração de papel,
Desenho origamis sem cor,
Escrevo com tinta invisível,
Aquarelo em triste furor.

Em meu coração de seda,
Alinhavo palavras vazias,
Bordo remotos beijos,
Pesponto antigas carícias.

O meu coração, menestrel,
Serenata o nosso encontro,
Melodia o sentimento,
Dedilha o nosso confronto.

O meu coração, labareda,
Ardeu minha vida inteira,
Aqueceu os nossos dias,
Queimou na sua fogueira.

Meu coração, amassado
Pelas dobras das vestes da vida,
Entoa seu canto de cisne
No calor da despedida.
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sábado, 5 de julho de 2014

Hermógenes - Citado por Alba Vieira

Aqueles que desejam felicidade têm muito que aprender das frutas. Elas alimentam o faminto. Aceitam sejam seus restos desprezados. Deles suscitam novas safras. Às dentadas que as dilaceram respondem com dulçor.
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sexta-feira, 4 de julho de 2014

Carícia leve de um gesto rude - Por Kbçapoeta




Um pedido para propor adiante
É cedido para deixar saudade
Foi pacato, parou, quedou distante
Céu perdido paira sobre a cidade

Um pedido para ser um amante
Cedido é quando muda a realidade
O momento se torna eternidade
Realidade, paraíso de Dante

Um pedido insistente e permanente
É desejo, mistério com virtude
É vontade que jorra de repente

É corpo rijo em viril plenitude
Amantes amando-se simplesmente
Carícia secreta de gesto rude




                                                       Visitem Kbçapoeta 


terça-feira, 1 de julho de 2014

Paixão Espiritual - por Ana

Algumas pessoas, nesta vida,
são presenteadas com o encontro daquela
que é uma paixão espiritual.

Paixão que nada tem em comum com o corporal,
com os detalhes cotidianos, com o viver junto...

É algo que não se descreve,
que é um alimento para todos os dias,
é uma certeza,
uma união que não se desfaz por nenhuma outra,
uma sensação de constante paz,
acima de qualquer outro sentimento possível.

Ela ultrapassa os defeitos do temperamento atual,
as falhas de caráter, as mentiras, as simulações,
os desrespeitos, as omissões,
tudo que é tangível e passível de críticas.

Sabe quando você é o melhor de si junto de alguém
e sabe que o mesmo ocorre com o outro?

Eu sei.
Sei e deixei ir.

Larguei suavemente o que estava em minhas mãos,
frágil e confuso como um animal recém-nascido,
que se foi em silêncio.

Se você um dia receber esse presente,
espero que possa aceitá-lo completamente
e que não existam impossibilidades e dificuldades maiores
do que a força desse encontro.

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