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(Aviso: Os textos em amarelo pertencem à categoria
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terça-feira, 7 de julho de 2009

As Nossas Palavras XVII

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Wordle: As Nossas Palavras XVII
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Imagem: Wordle
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Robert Green Ingersoll em As Nossas Palavras XVI - Enviado por Adhemar

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Na vida não há prêmios nem castigos. Somente consequências.


Visitem Adhemar
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Post Inesquecível do Duelos - Indicado por Ana

Bem, o Moita, infelizmente, não aparece mais por aqui. Mas aparecia de vez em quando lá no Terra e nos brindava com versos geniais! Estes são um exemplo de sua enorme habilidade com as palavras e, como está num dos comentários da blogagem original: “sem falar que todos os versos terminam em AZ e EZ. Um espetáculo de uma mente privilegiada.”. Deliciem-se!



AMOR
(MOITA)

Se amor é insensatez
ou doença contumaz
é dívida sem liquidez
que o devedor só refaz.
A vacina é ineficaz
não se cria robustez.
O coração é incapaz
de resistir outra vez.
Se o amor, não sei quem faz;
desamar, não sei quem fez.
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Visitem Moita
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Olha Só... - por Ana

É o olhar que faz o homem
Ou o homem que faz o olhar?
Esta pergunta ficou
Por dias a incomodar...

São as duas coisas juntas?
As duas são uma só?
Fui pro espelho, testei...
A coisa ficou pior...

Fiz olhar de boazinha,
Olhar de muito rancor,
Olhar de corsa abatida,
Olhar de vil matador,

Olhar de indiferença,
Olhar de donzela esnobe,
Olhar de moça pudica,
Olhar que de olhares foge,

Olhar de beata em êxtase,
Olhar de gente inocente,
Olhar de contida inveja,
Olhar de amor clemente,

Olhar de morto de susto,
Olhar de doido varrido,
Olhar de feliz da vida,
Olhar muito deprimido,

Olhar de cansaço infinito,
Olhar de fúria, desejo,
Olhar de paixão, vergonha,
Olhar no olhar de quem vejo.

Nesta hora percebi
A estrada em dois sentidos:
O homem lança o olhar
E vê como é recebido.

A partir do olhar do outro
Repensa o seu próprio olhar,
Verifica a adequação
Do que se atreveu a mostrar.

Desta forma descobri
Determinação milenar:
É o olhar que diz do homem
E outros homens fazem o olhar

Mudar de muitas maneiras,
Se afastar do que sentimos,
Esconder nossas verdades,
Ser vero quando mentimos.

Então se o nosso olhar
É fruto de outros olhares,
Todos os olhares fazem
O homem que faz o olhar.

O próprio olhar não faz o homem,
Nenhum homem faz seu olhar,
Pois ninguém é um único homem
E não existe o próprio olhar.



Inspirado em Trem da Infância, de Alba Vieira......................................
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Minha Querida Mãe - por Adir Vieira

Quando me dei conta, já estava chorando compulsivamente.
Algum dos irmãos falou na retirada dos ossos e aí foi que me dei conta da sua morte real.
A cirurgia de risco do meu marido, uma semana depois da sua morte e tudo o que advém de uma situação como essa, não me deixou viver o doloroso momento de sua partida e durante esses quase três anos amorteci minha saudade, tentando ver o fato como natural.
Não quero dizer que várias vezes não me peguei derramando lágrimas emocionada, lembrando dos fatos mais sutis que compuseram nossa vida, mas ontem foi bem diferente.
Em alguns poucos minutos, revivi sua ida derradeira, numa maca de ambulância, revi seus olhinhos espertos a nos olhar, tentando entender o que ocorria ou tentando nos explicar que não voltava mais?
Como num passe de mágica, relembrei os cuidados, os ensinamentos, os incentivos e até mesmo os puxões de orelha, quando merecíamos.
Observei a minha volta e visualizei o patrimônio que deixou – uma família unida, completamente comprometida com suas diretrizes – como ela sempre desejou. Porque, como mãe, ninguém sentiu ou soube mais do que ela. Não cursou nenhuma faculdade, mas era PhD nesse mister e nas lições de vida.
Desde a sua morte, inconscientemente, a elegi minha santa devota, colocando sua foto no pequeno altar, junto aos demais, mas hoje, especialmente hoje, nesse choro compulsivo, sofrido, atrasado, vindo do âmago, como a pedir socorro para se externar, entendi exatamente o porquê dela ter ocupado o lugar de Deus na minha vida.



Visitem Adir Vieira
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O Energúmeno - por Fatinha

Querido Brógui:

Voltando da Cidade, preparo físico ruim, doida pra chegar em casa e esticar minhas cansadas canelas, toco o sinal para o ônibus parar. O motorista passa direto. Quando percebo o que está acontecendo, grito com aquela doce voz, padrão Clementina de Jesus: “Ei! Não vai parar não?”. O motorista não se digna a me responder e continua acelerando o veículo. Passa o primeiro quarteirão. Engrosso a voz, adoto aquele tom peculiar de professora dando esporro em aluno: “Ei! O ponto já passou!”. O motorista, ainda acelerando, responde: “O ponto não é aí não, minha tia!”
Doeu. Mais do que ter que andar muitos metros excedentes, ser chamada de “minha tia”, foi como tomar um soco na minha recente cicatriz. Ainda tive forças para retrucar: “O ponto é lá em frente ao banco, seu energúmeno!”.
“O quê?”
“Vai procurar no dicionário, sua anta!”.
Desci meio que vingada. Duvido que ele tenha um dicionário em casa. Vai carregar essa dúvida pro resto da vida.



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Jean de La Bruyére e as Melhores Ações - Citado por Penélope Charmosa

As melhores ações se alteram e enfraquecem pela maneira por que são praticadas, e deixam até duvidar das intenções. Aquele que protege ou louva a virtude pela virtude, que corrige e reprova o vício por causa do vício, simplesmente, naturalmente, sem nenhum rodeio, sem nenhuma singularidade, sem ostentação, sem afetação: não usa respostas graves e sentenciosas, ainda menos os detalhes picantes e satíricos; não é nunca uma cena que ele representa para o público, é um bom exemplo que dá e um dever que cumpre; não fornece nada às visitas das mulheres, nem ao pavilhão, nem aos jornalistas; não dá a um homem espirituoso matéria para boa anedota. O bem que acaba de fazer é um pouco menos sabido e conhecido pelos outros, na verdade; mas fez esse bem; que é que ele queria mais?



In “Os Caracteres”.
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