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domingo, 31 de maio de 2009

Adelmar Tavares e a “Ciranda” - Citado por Penélope Charmosa

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...e, embora irmãs,..................................................
não se vêem, não se dão, não se parecem..................................................
as doze tecelãs.....................................................
Guilherme de Almeida..................................................



Vejo a ciranda das horas,
moças lindas a cantar...
doze vestidas de branco,
umas de flores na testa,
outras de flores na mão...
E, no balanço da dança,
quando uma vem, outras vão...

Horas do dia e da noite...
Ó vocês!... Lindas que são!...
Qual será mesmo a minha Hora,
minha hora de Redenção?!...
Será das doze de branco,
ou das que de negro estão?!...
Qual virá, vindo o meu dia,
pousar a mão no meu peito,
parando o meu coração?!...
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segunda-feira, 20 de abril de 2009

Brincadeira de Roda - por Ana

À tarde, em lugares calmos e familiares, muitas coisas podem acontecer: as brincadeiras das crianças nas calçadas, os sonos dos cachorros nos portões, as fofocas gerais dos vizinhos nas cadeiras enfileiradas diante das casas, as corridas dos grupos enlouquecidos dos meninos atrás das pipas avoadas, as notícias chegando nas mãos de carteiros cansados arrastando os sapatos gastos, os ônibus escolares despejando bagunças nos braços de mães zelosas, chuvas repentinas que esvaziam as ruas de toda esta vida cotidiana...
Podem acontecer coisas vãs e inexpressivas, além de fúteis ou profundos terrores humanos. As mesmas paredes que protegem dos olhares e ataques externos podem ser prisões quase invioláveis que abrigam o sadismo e suas invisíveis vítimas. Aquelas infantis, idosas, indefesas... que são, repentinamente, imprensadas na roda do destino.
Porque o evidente não reflete o todo, porque a dor se esconde sob várias formas, porque viver é sério, não é brincadeira de roda.



Texto cujos título e início foram utilizados para Brincadeira de Roda - As Nossas Histórias VIII.
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quarta-feira, 15 de abril de 2009

Brincadeira de Roda - As Nossas Histórias VIII

À tarde, em lugares calmos e familiares, muitas coisas podem acontecer: as brincadeiras das crianças nas calçadas, os sonos dos cachorros nos portões, as fofocas gerais dos vizinhos nas cadeiras enfileiradas diante das casas, as corridas dos grupos enlouquecidos dos meninos atrás das pipas avoadas, as notícias chegando nas mãos de carteiros cansados arrastando os sapatos gastos, os ônibus escolares despejando bagunças nos braços de mães zelosas, chuvas repentinas que esvaziam as ruas de toda esta vida cotidiana... E depois das chuvas, de novo as crianças brincando, chapinhando na água que escorre no meio-fio...
Agora há um mar que quase me afoga, qualquer rima, qualquer droga e nenhuma solução... Somente uma doce e feliz recordação onde tudo era bom, hoje nem existem mais brincadeiras de crianças nem gritos de mães zelosas, somente uma luz muito fraca que clareia um quarto ou mesmo uma saleta e uma pequena escrivaninha... onde há tudo: alegria, tristeza, recordações, encontros de pessoas que sem ao menos se conhecer mandam abraços e beijos no fim de cada conversa mesmo sendo virtual, que coisa boa... mas que somente um pessoa no real está ali solitária, às vezes triste, outras alegre, outras curiosa... O mundo virtual é maravilhoso quando estamos em frente a uma telinha... sós, completamente sós...
E no meio desta solidão me domina uma lembrança antiga: as brincadeiras de roda da minha meninice.
“Terezinha de Jesus numa queda foi ao chão acudiram três cavalheiros todos três chapéu na mão”
“A Alba não é capaz de botar o pião no chão, a Alba não é capaz de botar o pião no chão, lá vai, lá vai, lá vai, lá vai o pião no chão”
“Atirei o pau no gato to to mas o gato to to não morreu rreu rreu, dona Chica ca ca admirou-se se do berro, do berro que o gato deu, miau”
Vestidos rodados, laços de fita nos cabelos, mãozinhas dadas na mais pura alegria infantil. Que saudade boa!
Quanta emoção extravasando nos nossos corações! Tantas vivências da infância que estruturaram as vidas de quem hoje conta com esta telinha abençoada para organizar tantos conteúdos até agora represados e que ainda continuam imprimindo as cores dos nossos dias, evidenciando o quanto é terapêutico escrever e se relacionar com as pessoas, mesmo que virtualmente.



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terça-feira, 17 de fevereiro de 2009

sexta-feira, 12 de dezembro de 2008

Brincadeira de Roda - por Adir Vieira

São duas meninas… uma veste rosa com babados, a outra saia comprida com bainha desfeita e botas de cano curto. As duas, fisicamente, em nada se parecem. Até na cor e forma dos cabelos destoam. Parecem ser amigas, tamanho o entendimento dos seus olhares quando se cruzam. Ao seu redor, outras meninas e meninos pulam corda, jogam bola… Fixo-me apenas nas duas meninas que, de mãos dadas e com passos cadenciados, desenham círculos no chão entoando alguma coisa a uma só voz. Fixo ainda mais meu olhar, tento aguçar meus ouvidos e percebo, pelo movimento dos lábios, que cantam a velha canção conhecida “Atirei o pau no gato to… mas o gato to…” Por segundos, energizo meu coração e retorno em pensamento, nessa brincadeira de roda, à minha infância querida.
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