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sábado, 12 de março de 2011

Renascimento - por Alba Vieira

Renascer pressupõe morte prévia. E morte é experiência transformadora. Morte parece o fim, é aniquilação, é tormento. Mas algo sempre resta, que é semente do novo. Depois do fim há sempre o recomeço, quando se compreende aquilo que já passou. Tudo passa e para que brote a semente, deve-se conhecer o propósito do criador. É tudo um ciclo, não há como escapar: tudo que morre um dia há de renascer. A roda gira e, antes embaixo, agora sobe. E tudo que se eleva, um dia vai descer.
Não há equilíbrio, a vida é eterno giro. Só na morte existe estagnação. E até isso é algo relativo, pois o que parece parado não é inerte. Depende muito de como se observa, já que energia não se visualiza, a não ser com os olhos supra-físicos. Assim só parece e na verdade não está parado.Tudo é um eterno vai e vem, um ciclo.
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Ceifa Global - por Leo Santos

E daí, se eu pintar o desespero de verde,
somar os verbos,
conjugar a matemática?
Se tiver uma dúvida enfática,
bailar uma dança extática,
ou surfar numa raia hípica?

Afinal, vejo violentos, da paz,
defensores ladrões,
governos que são ONGs,
burocratas,em seu ping-pong,
my God! The lie is very strong!!
A razão, só conveniência política…

As alimárias não falam,
mas, mantêm coerentes grunhidos,
do outro lado do “elo perdido”,
nada, nada se perdeu!
Mas, abaixo do Equador,
bem como acima, onde ele for,
Homo Sapiens, sapiência matou
e, na implosão, morreu,

Em palavras anêmicas claudica,
sob um peso, que não é cruz;
feiticeiros coroados canonizam,
a fumaça, que oculta a luz,
Gaia e o libelo ao malfeitor,
ainda gira, mas não igual;
do affair de lucidez e loucura, nasce,
o gelo do amor, e aquecimento global…
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Amo o Duelos!!! - por Davi Rodrigues

Duelos do bem!
Todos vencem!
Não há mais falta, só encontros
Liberdade de expressão
Sopro do conhecer e do aprender
Paciência de quem administra
Proteção dos que participam
Intercâmbio e aprimoramentos
Todos os gêneros
Todas as formas
Sem plágio e sem ‘jabá’
Não temo em dizer que é
Amor aos pedaços
‘Conserva’ em mentes
Sendo deliciosamente degustada
Já não me pergunto mais onde ir
Nem onde estou
Adivinhem?
Olha eu aqui!!!
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João Cabral de Melo Neto e “Os Três Mal-amados” - por Citado por Penélope Charmosa

O amor comeu meu nome, minha identidade, meu retrato. O amor comeu minha certidão de idade, minha genealogia, meu endereço. O amor comeu meus cartões de visita. O amor veio e comeu todos os papéis onde eu escrevera meu nome.
O amor comeu minhas roupas, meus lenços, minhas camisas. O amor comeu metros e metros de gravatas. O amor comeu a medida de meus ternos, o número de meus sapatos, o tamanho de meus chapéus. O amor comeu minha altura, meu peso, a cor de meus olhos e de meus cabelos.
O amor comeu meus remédios, minhas receitas médicas, minhas dietas. Comeu minhas aspirinas, minhas ondas-curtas, meus raios-X. Comeu meus testes mentais, meus exames de urina.
O amor comeu na estante todos os meus livros de poesia. Comeu em meus livros de prosa as citações em verso. Comeu no dicionário as palavras que poderiam se juntar em versos.
Faminto, o amor devorou os utensílios de meu uso: pente, navalha, escovas, tesouras de unhas, canivete. Faminto ainda, o amor devorou o uso de meus utensílios: meus banhos frios, a ópera cantada no banheiro, o aquecedor de água de fogo morto mas que parecia uma usina.
O amor comeu as frutas postas sobre a mesa. Bebeu a água dos copos e das quartinhas. Comeu o pão de propósito escondido. Bebeu as lágrimas dos olhos que, ninguém o sabia, estavam cheios de água.
O amor voltou para comer os papéis onde irrefletidamente eu tornara a escrever meu nome.
O amor roeu minha infância, de dedos sujos de tinta, cabelo caindo nos olhos, botinas nunca engraxadas. O amor roeu o menino esquivo, sempre nos cantos, e que riscava os livros, mordia o lápis, andava na rua chutando pedras. Roeu as conversas, junto à bomba de gasolina do largo, com os primos que tudo sabiam sobre passarinhos, sobre uma mulher, sobre marcas de automóvel.
O amor comeu meu Estado e minha cidade. Drenou a água morta dos mangues, aboliu a maré. Comeu os mangues crespos e de folhas duras, comeu o verde ácido das plantas de cana cobrindo os morros regulares, cortados pelas barreiras vermelhas, pelo trenzinho preto, pelas chaminés. Comeu o cheiro de cana cortada e o cheiro de maresia. Comeu até essas coisas de que eu desesperava por não saber falar delas em verso.
O amor comeu até os dias ainda não anunciados nas folhinhas. Comeu os minutos de adiantamento de meu relógio, os anos que as linhas de minha mão asseguravam. Comeu o futuro grande atleta, o futuro grande poeta. Comeu as futuras viagens em volta da terra, as futuras estantes em volta da sala.
O amor comeu minha paz e minha guerra. Meu dia e minha noite. Meu inverno e meu verão. Comeu meu silêncio, minha dor de cabeça, meu medo da morte.
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Sabedoria - por Marília Abduani

Não fale mais que o necessário.
Guarde as palavras doces
para as crianças, para os amargurados,
as palavras serenas,
entregue aos amargurados e infelizes.
As sábias, entregue aos tolos, aos ignorantes.
As francas, use somente em casos especiais.
Elas não são tão essenciais assim.
As palavras mágicas, confortantes,
entregue aos que sofrem
dores da alma e do corpo.
Aos descrentes do amor, entregue palavras
de esperança.
Não fale tudo.
Guarde o teu mar de palavras,
renasça delas,
reescreva a tua história,
quantas vezes preciso for.
Esta ficará.
Palavras passarão
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Ainda Sorumbática! - por Adir Vieira


Creio que essa virose é sinal dos tempos.
Tempos de desarranjos, de desencontros, de muitos “des” que andam por aí.
A gripe parece ter passado, embora com a voz ainda um pouco “fanha”. No entanto, minha boca apresenta sinais de vermelhidão e muitos cortes invisíveis me fazem quase chorar ao tentar comer algum alimento.
O corpo parece, ao acordar, ter sido pisoteado a noite toda. A aparência desmente qualquer desses sintomas e por mais que a gente explique os males, não acreditam de fato.
O pior é que as pessoas todas reclamam de já ter sentido essa “virose”, um único nome para tantas formas diversas de uma doença.
Sinto-me como uma cobaia dos tempos, sem saber até quanto ela vai caminhar dia e noite comigo, me deixando assim tão desanimada e sem vontade de levantar da cama...
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(Sem Título) - por Raquel Aiuendi

caminhos iluminados
são mais, muito mais
que passos contados
mais que a etérea
sombra que faz e desfaz
o caminho...
a luz...
se façam e sempre
sempre à frente
não importa o atrás.
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Inspirado em Juízo, de Leila Dohoczki.
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Breakfast and Lunch - por Yuri

esperava você chegar mais perto, te ver mais de perto
ter você ao meu redor e te saborear como um chá
na lista dos sem rumo eu fui parar
eu ainda espero seu sinal de fogo, ser jogado por um beijo
se você chegar mais de perto, você vai poder ver e me dizer
se é para baixo ou para cima, se é mentira ou verdade
se é perigoso ou apenas escuro
você vai me dizer?
o que vai acontecer eu não sei
só sei que ainda ouço aquela música
e quando chego perto de você as palavras se escondem de mim
as simples palavras que eu tinha em mente, sim eu tinha, elas simplesmente explodiram
pare de chegar perto de mim de mãos dadas com aquele cara
você me faz querer voar, querer ficar longe
essa mentira toda me diz que é escuridão
e essa escuridão me pergunta; porque eu não posso me salvar agora?
e sair daqui? e eu digo que dói tanto
mesmo eu sabendo que não sou um perdedor
e nem um sozinho no mundo
as feridas gritam, brilham sobre o sol
elas têm vida
mas a minha é mais importante.
e você me dá forças para voar com toda essa mentira
mesmo que minhas asas cheguem a desvanecer
eu posso correr!
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