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Eróticos.)




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sexta-feira, 10 de abril de 2015

Narciso


Pobre poeta,
sou a palavra mais preciosa e precisa.
E me ignora, põe terra sobre mim,
cospe na minha cara!
Insulta, espanca.
Muda meu nome.
Esconde-se de mim.
Mas não escapa.

Cansado, humilhado,
me redime.
Brada aos quatro cantos,
me espalha.

Pobre poeta,
não se livrará de minha sombra.
Pois “eu” sou você.
Em “mim”, há de se afogar.

Visite Poesia Incidente

quarta-feira, 9 de setembro de 2009

Alucinação de Você - por Duanny

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Sabe, eu sempre estive aqui, talvez você tenha até notado, mas seja sincero, prestou atenção?! Talvez eu não tenha te visto, mas vou dizer a verdade: não prestei atenção.
Você me parece tão inconveniente e tão perfeito ao mesmo tempo, será que isso é possível? Será que você não passa de mais uma alucinação minha? Criada por um desejo louco de me apaixonar mais uma vez?
Hoje tirei o dia pra pensar na vida e nas coisas que me rodeiam; sabe o que foi o mais engraçado? Só agora lembrei de você. Não que você seja desprezível, ou mais um, mas talvez não seja tudo o que eu sempre quis.
Acho que eu sou uma alucinação, um surto psicótico, aquela fantasia que fez a sua realidade ou talvez eu queira só me enganar. Hoje percebi que você é meu jogo de descobrir e explorar, então vem aqui, fica comigo e me deixa aproveitar essas alucinações, me deixa prestar atenção.
Quer mesmo saber? Devo ter realmente me apaixonado. Mas já faz um tempo e eu me esqueci de como fazer pra te contar.



Visitem Duanny
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quinta-feira, 26 de fevereiro de 2009

O Bloco - por Adir Vieira

Estamos no Carnaval.
Assumo minha raça africana e vejo-me saltitando feliz no bloco de sujos.
Foi o primeiro que passou na rua onde moro, no subúrbio. Devia ter aproximadamente umas quinhentas pessoas. Diferentes umas das outras mas, inexplicavelmente, integradas no sentimento. A atitude geral é única e visa, exclusivamente, jogar para fora emoções reprimidas e alegrias do momento.
Ali não existe médico, professor, estudante ou mendigo. Todos querem cantar e pular e eu me junto aos demais, sem sentir.
Todos se sorriem, se afagam e se cumprimentam como se fossem amigos de outrora.
Reparo, naquele momento, que já percorri duas ou três quadras com o grupo e, extasiada, vejo-me ensaiando passos de porta-bandeira, quando um dos integrantes junta-se a mim para compor o par, usando como estandarte a vassoura do gari.
Graças a minha ingenuidade, minhas roupas são comuns, aquelas usadas para ir à padaria à tardinha e quando meu lado inconsciente avisa-me de onde estou, posso desviar-me do bloco pela lateral e retornar a casa, comportadamente, como se em algumas horas eu não tivesse viajado à lua.
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sexta-feira, 20 de fevereiro de 2009

Alucinação - por eros.ramirez

Por um instante achei que estava tudo bem. O barulho da chuva contra a janela. O cheiro de terra molhada. A alta umidade como um abraço. Gravidade zero.

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sábado, 14 de fevereiro de 2009

Delírios

Crie um texto sobre este tema e deixe aqui, em "comentários", que nós postaremos.
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domingo, 4 de janeiro de 2009

Em Saia de Onça... - por Raquel Aiuendi

Orange tange
A onda da praia
Onde a onça
Nem
Ensaia
Ou sem
Pensa
Deixemos a onça
New wave
I love you
Nosso amor
Ou range, tange.

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domingo, 21 de dezembro de 2008

Há Outras em Mim - por Alba Vieira

Inquieta figura movimenta-se em mim.
Passeia de um canto a outro sem objetivo.

Ou prescrutando a vida, silenciosa,
em passos medidos, caminha com segurança,
talvez sabendo o que encontrará adiante.

Às vezes se solta,
indo decidida, balançando os braços,
olhando em frente, rumo à meta perseguida.

Mas um dia
corre desvairada, sem limites,
rasgando a existência, com desatino e coragem.

Algumas vezes
desafia o mundo, ignorando os obstáculos,
batendo de frente com as adversidades,
anestesiada de impulso.

Mas, tantas vezes,
esta figura se arrasta, sentindo cinza o caminho,
incapaz de levantar a cabeça e perceber fora,
tragada pela escuridão de dentro.
Logo se recupera curiosa, de olhos vivos, abre-se para o novo
e se inunda de imagens que, caleidoscópicas, se sobrepõem,
impressionando uma retina ávida de experiências.

Tenho enorme simpatia por aquela que é cega do mundo
e se orienta tão-somente ao captar o invisível,
traçando o caminho enquanto segue, sem rumo, sem destino,
desfrutando cada passo, vivendo intensamente.

(Ou será que minha avó tinha razão: “Esta menina é esquizofrênica.”?).
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sábado, 20 de dezembro de 2008

Os Livros - por Alba Vieira

A idéia desta história me ocorreu ao saber da existência de uma biblioteca comunitária que, por ora, se localiza em uma casa no subúrbio da Penha, onde um ex-analfabeto aos 18 anos, hoje já um senhor, aguarda a boa vontade de empresários que se habilitem a fornecer os recursos necessários para a construção da sede onde funcionará a biblioteca dos seus sonhos.
Durante o documentário sobre o assunto, uma jovem lembrou a citação do dito senhor, de que livros são feitos para circular (aliás, como já foi falado sobre o dinheiro, a moeda, que, por isto mesmo, era circular) e que não se importava se, ao serem emprestados, os livros não fossem devolvidos, visto que não havia qualquer burocracia para tomá-los emprestados.
Fiz a imagem do livro como um garotinho travesso circulando por aí, ou como uma jovem curiosa e namoradeira correndo mundo atrás de novos contatos. Daí em diante os livros não mais seriam para mim, ao nível da materialidade, a conjunção de papéis, tintas, cola e outros artefatos. Seriam sim, entidades dotadas de vida, de sentimentos, de capacidade de expressar, atuar e interagir.
Assim imaginei a biblioteca dos sonhos deste abençoado leitor doador de livros que seria apinhada desta “gente rica de idéias”.
Haveria áreas em que seriam alegres crianças barulhentas, hiperativas talvez, pulando, correndo, sendo espontâneas e despertando, nos seus possíveis leitores (companheiros de brincadeiras), a revivência da infância.
Outras áreas seriam compostas de gente responsável, ocupadas, sedentas do saber, de óculos, com páginas menos ilustradas, de letra pequena, com assuntos sérios. Este pessoal constituiria o círculo de amizade de muitos homens de negócios, estudantes de áreas tecnológicas ou mesmo eruditos mais taciturnos.
Alas mais abertas com prateleiras leves, seriam ocupadas por pessoas mais livres, de capas-brochura, com suas histórias de aventura, de busca de tesouros, conflitos com piratas e lutas com dragões imaginários. Este povo da terra dos sonhos traria para seus amigos o encantamento.
E me ocorre agora que livros, sendo, portanto, gente, providos de vida, carecem de laços com quem os tome.
Os livros nos mostram as verdades, as dúvidas, conversam conosco, explicam tudo. Livros desatam a chorar, nos molham e fertilizam com a carga de emoções dos sentimentos que mobilizam. Livros precisam de carinho, de espaço e de luz. Necessitam passear conosco e devem ser bem tratados. Não podem ficar confinados em estantes para cumprir apenas a função de compor o ambiente que ostenta pretensa sabedoria. Livros querem ser trocados, conhecer outros donos temporários. Livros se enternecem com aqueles que viram suas páginas com emoção e com aquele aperto no peito dos sedentos de conhecer os que eles lhes trazem.
Às vezes os livros são insondáveis, mesmo para os que se debruçam sobre eles tentando decifrá-los. Talvez, para estes, ainda não tenha chegado o tempo de desfrutá-los completamente.
Muitas vezes são inusitados, contribuindo com o novo, inspirando um mundo de possibilidades para seus leitores.
Algumas vezes estes diabinhos nos fazem sofrer quando nos envolvemos com eles a tal ponto que passamos a viver a sua história.
Livros são instigantes, abrindo, em nossa vida, portas que pareciam nem existir e há, como em todos os mundos, “pessoas” não tão apropriadas, mas que, ainda assim, merecem ser conhecidas, por propiciarem experimentar a polaridade da vida.
Entretanto, o que me fascinou, sobremodo, nesta nova visão que tive dos livros, foi imaginá-los como gnomos. Pensar que nesta nova forma eles não são vistos por todos, apenas por aqueles que sabem de sua existência e têm sensibilidade para percebê-los. Eles fazem parte do mundo invisível, são subjacentes à realidade, enquanto fazem parte dela.
É isso: não só com os livros, como com qualquer outra coisa, perceber o que está por trás da realidade material é fascinante e enriquecedor.
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terça-feira, 16 de dezembro de 2008

Delírios - por Alba Vieira

Chove. É madrugada. Todos na casa dormem. Acordo de um período breve de sono vencida pelo calor excessivo. Ainda sonolenta abro a janela. É abafado dentro de casa. Através da grade observo, do outro lado da rua, a casa de jardim amplo e de repente sou jogada de encontro à minha alma. Olhamo-nos, separadas pelos triângulos de ferro que “protegem” minha casa. Surpreendo-me e me percorre o corpo uma corrente elétrica concomitante ao ruído supersônico que, neste estado ampliado, percebo no mesmo instante em que vislumbro morcegos cruzando o ar entre as árvores copadas. As frestas da grade, com a janela semi-aberta, teriam deixado penetrar um morcego, assim como olhar a noite quieta com a chuva fina caindo e refrescando os corpos do intenso calor não me salvou do contato terrível comigo mesma.
Pensei em como me excitou supor que, entrando no quarto naquela noite, o morcego viria direto ao meu pescoço e sugaria meu sangue, me aliviando do excesso talvez de uma vida, equilibrando meus humores tal qual a chuva que cai agora mais suave e fria e arrefece o calor de tantos que, vermelhos de raiva, destilam seu ódio há tantos dias, numa logorréia também supersônica que agride meus ouvidos, que consegue sujar minha aura.
Terrível encontro porque, na madrugada quieta, sem gente na rua, o vazio das pessoas, a supremacia das forças da natureza com a chuva agora novamente pesada despencando do céu, me faz ansiar por uma catástrofe que, dizimando muitos milhares de humanos, talvez consiga aliviar o sofrimento do mundo.
E o ruído dos morcegos nesta noite também guiará meu caminho quando novamente tentar voltar a dormir. Porque, excitada pelo pensamento de que a tragédia, a morte, é a única solução para o impasse deste atual aprisionamento da minha alma, é provável me chocar com a culpa e acabar num sonho erótico com vampiros em noite de temporal.
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sexta-feira, 12 de dezembro de 2008

Delírio - por Adir Vieira

É uma pequena padaria.
Dessas de bairro pobre, daquelas que, você adivinha, nunca vai se tornar confeitaria.
Foi, propositalmente, ali colocada. Ali, bem ao lado de uma escola de adolescentes, os maiores admiradores e consumidores de confeitos e sanduíches (se bem que daqueles bem frugais, pois os requintados vão, à noitinha, no encontro com o “ficante”, buscá-los em qualquer McDonalds ou Girafa’s).
É a terceira vez que por ali passo, mas hoje, como se houvesse no ar um ímã e me puxasse, fixo-me próxima ao balcão de pães de todos os tipos. Em pequenas quantidades, devido ao espaço para eles reservado, são de várias qualidades e espremem-se entre si para caberem naquele pequenino balcão aquecido. Até as abelhas, em busca do sabor doce do creme, disputam um lugar ali.
Observo que não seguem qualquer regra de marketing e doces com canela e açúcar, misturam-se aos pães salgados cheios de calabresa e queijo ralado, dando um colorido fantástico ao local.
A única regra que parecem seguir é a de higiene. A pele bronzeada da balconista sorridente se contrasta com o avental branco, impecavelmente limpo. Uma toalha, igualmente branca, também faz parte do seu adereço e ameaça e indica, aos menos cuidadosos, onde colocar copos já utilizados e guardanapos sujos.
Estou ali parada e fascinada, já há algum tempo, e só agora percebo a semelhança dessa padaria com aquela da minha infância. Também lá, os grupinhos da turma lanchavam a cada manhã, no intervalo das aulas.
Surpreendentemente, vejo-me, como no passado, isolada em um canto, transportando, só com o olhar, o sabor desejado do pão doce mais bonito para o meu sanduíche caseiro recheado apenas com açúcar.
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