Bem-vindo ao Duelos!
Valeu a visita!
Deixe seu comentário!
Um grande abraço a todos!
(Aviso: Os textos em amarelo pertencem à categoria
Eróticos.)




sexta-feira, 8 de março de 2019

MAIS... MAR...

Foto de Arquivo (Archillect)


Tentei conter a lembrança,
reter na memória o teu olhar...
Mas, sucumbi à tristeza
dessas coisas mais difíceis de lembrar.

A voz silenciada,
contida na mais profunda dor,
afogada numa onda rasa
que levou o teu amor...

Tentei conter a saudade
que faz esse barco se afastar...
Mas, sucumbi à tristeza
dessas coisas mais difíceis de aguentar.

Tentei ressuscitar
os momentos mais felizes que vivi só.
Mas, todos eles afundaram
nessa maré de paixão que foi você...

Agora, içando as velas,
não vejo a hora de zarpar.
Ir para bem longe
outras terras desbravar...

Tentei chorar de novo,
pra subir essa maré que foi você;
e afogar tanto sentimento que 'inda resta,
mas, que eu nem sei aonde colocar...

Vai comigo,
qual bagagem indispensável;
vai me seguir pra sempre,
para onde quer que eu vá...


[Adhemar - São Caetano do Sul, 08/03/2019]

sábado, 16 de fevereiro de 2019

SABEDORIA


Nascer.
Vir do conforto absoluto para o ambiente hostil do mundo.
Hostil, no sentido de contraste.
Ao ar livre, já não depender
do oxigênio em via líquida
que nos chegava pronto.

Chorar.
Chorar para aprender
que a vida não é fácil
e para aprender a respirar,
tirar do ar o mesmo oxigênio
que nos chegava pronto...

Chorar,
porque de repente a fome se manifesta,
um vazio ardente que antes não existia nos invade.
E sugar o leite porque,
se não movimentarmos os lábios
por nossa própria conta,
ele não vem.

Chorar,
quando algo sai de nós e incomoda,
queima a pele e cheira mal,
nas coxas pelo lado interno e nas nádegas...
Chorar até a aparição reconfortante
daquele risonho semblante,
que aparece preocupado em nosso campo de visão
pra nos limpar e acalmar.
O mesmo que nos tinha alimentado...

Chorar,
quando essa visão reconfortante
do nosso porto seguro está distante;
e ansiamos que ela volte pra nos carregar...
E vai nos carregar cada vez menos...
Falar, andar, interagir...
Entender esse mundo hostil fora do lar,
cada vez mais
e mais urgentemente.

Acordar,
um dia e de repente,
já sabendo tantas coisas,
conhecendo tanta gente.

Estudar,
querendo saber mais
do passado e do pra frete...
Observar o mundo ir diminuindo,
progressivamente,
enquanto ficamos maiores,
mais espertos,
presumivelmente...

Amar,
já não mais só o amor geral,
ou familiar,
mas descobrir um outro ser
com quem você quer ficar
alguns momentos ou pra sempre...

Voar, 
achando que já sabemos tudo,
desprezando o passado
como se houvesse só o presente.
Achar que a maturidade pode ser entusiasmante
e, sem perceber,
ir ficando displicente...
Desperdiçar tanta energia importante
em coisas sensacionalmente superficiais;
ou tão irrelevantes
que chegam a ser sensacionais...

Viver
tantas realidades mescladas de ilusão.
Olhar pra trás confiante,
cheio de sabedoria e sensação.
Mas,
um belo dia vai chegar,
encararemos nossas próprias mãos.
Será o dia de pesar prós e contras,
ruins e bons,
respirar imaginando se valeu a pena,
avaliando ações, sentimentos,
luz e sons.

Aspirar
uma tranquilidade de paisagem a contemplar,
sem responsabilidade.
Na verdade
é outra ilusão...
A necessidade de saber e de agir nunca cessa;
vai durar
até o dia desse nosso ciclo se fechar.


[Adhemar - São Paulo, 16/02/2019]

terça-feira, 15 de janeiro de 2019

RECORTES

Silhueta envolta na toalha
passos macios à distância
uma sombra que se espalha
no contorno
através da luz recortada

É uma estranha circunstância
voz que soa entrecortada
penumbra e luz em alternância
no entorno
base lisa da figura esboçada

Névoa fina percebida
vai na luz e vai na sombra com seu brilho
esvoaçando livremente agradecida
no retorno
oculta o aparente andarilho
do espaço, do ar, da vida

Se caminha ou embala o seu filho
na velocidade indevida
embrulhada com pepel colorido
como adorno
amarrada com fitilho...


[Adhemar - São Paulo, 30/07/2018]