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(Aviso: Os textos em amarelo pertencem à categoria
Eróticos.)




domingo, 28 de fevereiro de 2010

Tema do Mês de Fevereiro: Carnaval

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Caríssimos amigos:
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Hoje foram postados os textos referentes ao tema do mês de fevereiro: “Carnaval”,
vencedor da enquete de janeiro.
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Participantes:
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Aaron Caronte Badiz
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Ana
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Dália Negra
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Lélia
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Penélope Charmosa
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Soraya Rocha
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Vera Celms
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Muito obrigado a todos que colaboraram com esta “blogagem coletiva”!
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Um grande abraço!
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Carnaval - por Aaron Caronte Badiz

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Foi um carnaval quando te encontrei.
Ao te ver pela primeira vez, dentro de mim tocaram cornetas, apitos, marchinhas alegres, foram lançadas serpentinas, confetes, pétalas de rosa... Uma felicidade sem fim que cercava a sua aproximação e sua entrada triunfal em minha vida. Sem que você soubesse, sequer desconfiasse, eu a recebi em êxtase, numa satisfação profunda, cantando “Ô abre-alas” a plenos pulmões e num salão repleto de tudo o mais colorido, festeiro, iluminado, sonoro e simpático que há dentro de mim. Meus olhos te seguiram imantados todos os passos que te traziam para perto e nada mais existia além de você naquele lugar. Até que conheci sua voz: “Oi”. E eu: “Oi”.
Mas havia um carnaval dentro de mim.
Que dura até hoje. Com a mesma alegria, os mesmos festejos de felicidade.
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Carnaval - por Alba Vieira

Carnaval é um tempo em que a realidade cotidiana dá lugar ao sonho.
E cada um de nós tem o seu.
As crianças têm a liberdade de escolher quem desejam tornar-se. E cabem, na medida, na fantasia que vestem: fadas, carrascos, pierrôs, super-heróis, colombinas, vampiros, bate-bolas. Não importa. Elas se transmutam naqueles personagens que elegeram.
Para os adultos, fica mais complicado deixar de ser o que pensam que são para manifestar outra personalidade. Geralmente, precisam de algo mais para nublar a consciência e permitir a mudança. É uma pena!
No carnaval tudo fica mais vivo. Os sentidos se aguçam e os talentos se manifestam. A profusão de cores e formas explode em criações inimagináveis que enfeitam os corpos e os lugares com luzes radiantes por toda parte.
O som é inebriante. Os acordes são arranjados magnificamente e a música só não é celestial porque o ritmo cadenciado é humano demais. As baterias descompassam o coração levando a emoção aos píncaros da glória.
Tudo é cor, tudo é luz, tudo é festa e alegria. Ou quase tudo. É inevitável lembrar do arquétipo do palhaço, daquela alegria forjada para suplantar a dor.
E aí vem a dúvida... será que esse povo que faz o carnaval na cidade é, por dentro, o que mostra na avenida nos dias de festa: só nobreza, beleza e força ou acaso tudo isso é o último vestígio de brilho que ainda sobrevive ao massacre de um cotidiano de pobreza, humilhação e medo?
Que importa? Cada pessoa é que sabe de si e nada pode tirar o que vibra dentro de cada um de nós.
E é isso que certamente explica toda a grandeza dessa festa, capaz de unir nessa arte, numa imagem harmônica, num ritmo cadenciado, num só canto, toda a diversidade de um povo que nesta hora sabe comungar num só credo. Está feita a Vossa vontade. Amamos uns aos outros como a nós mesmos. Somos feitos à Vossa imagem e perfeição. O sagrado expresso no profano.
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Visitem Alba Vieira
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Nosso Carnaval - por Ana

Fantasias, todos temos: as para o corpo, as para a alma; as que são mentiras para nós mesmos, as que são necessárias diariamente. E com elas, inventamos as máscaras: as chorosas, as felizes, as zangadas, as poderosas, as sedutoras. Então somos carrascos, colombinas, bailarinas, políticos, coelhinhas, piratas, bebês, zorros, dinossauros... uma multidão de inumeráveis personagens que se encontram todos os dias, em todas as ruas, em todos os locais. Personagens que se mesclam, metamorfoseiam, tornam-se híbridos, indefinidos até.
Se nos pudéssemos ver em nossas fantasias, assistiríamos, diariamente, a um baile de máscaras indescritível e caleidoscópico: mulheres vestidas de empregadas de manhã em casa, saindo à rua de freiras e indo dormir de dominatrix’s; homens acordando de terno, indo trabalhar de palhaços e vendo telejornais como intelectuais; crianças indo pra escola de lobos, em casa presidiários e dormindo como anjos. Isso sem citar as personagens mutantes pelo estímulo dos acontecimentos.
Então se pode concluir que o Carnaval deixa muito a desejar à nossa eterna festa a fantasia cotidiana.
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Um Bloco Brasileiro - por Cacá

De manhã, as manchetes
No rádio, jornal, televisão
“O Brasil agora começa
a funcionar”, eis a previsão
Vamos ver se não tropeça,
O carnaval passou
O ano novo lá atrás ficou.

Condenam o país
Que dizem, não quis
Abrir o ano em janeiro
Foi-se também fevereiro
Mas se engana quem assim pensa.
Quem crê na imprensa
Não vê o Brasil funcionar inteiro.

Para banco, shopping, para loja,
Para escritório, ar-condicionado, oficina,
Para, da pirâmide social,
Somente o andar de cima
Não atrapalha nem desanima
No fim, fica tudo normal.


Quem acha que o leiteiro, o padeiro,
Motorista, metroviário, enfermeiro
Médico, mercadista, açougueiro,
Consegue parar prá pular carnaval
Ou é de Paris, onde se é mais feliz
Com muito glamour e dinheiro
Ou então não sabe o que diz
Não come, não bebe, não cura
Ressaca, joelho, ranhura.

Essa gente que não para, entra noite sai dia
Repõe toda a nossa energia
Perdida em meio ao turbilhão
Depois de tanta folga, tanta folia!


UMA SINGELA HOMENAGEM AOS MILHÕES DE BRASILEIROS QUE SÓ TÊM NOTÍCIAS DO CARNAVAL PELAS CARAS QUE ATENDEM NOS DIAS SEGUINTES DA FOLIA.
*Será editado tantas vezes quantas forem as insistências dos que dizem que ninguém trabalha no carnaval.
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Visitem Cacá
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Carnaval? - por Daisy

Que carnaval é esse?

Antes era folia
Agora é orgia

Antes era malemolência
Agora é violência

Antes era fantasia elaborada
Agora são trapos ou quase nada

Antes era desfile e cortejo
Agora é só remelexo sem pejo

Antes era lança-perfume, serpentina e confete
Agora é bebida, cocaína e pivete

Que carnaval é esse?
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Visitem Daisy
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Carnaval? - por Dália Negra

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Afastem de mim esta alegria,
Afastem de mim o Carnaval.
Máscaras disfarçam agonias,
Os olhares, as intenções, o ilegal.
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Escondem vontades reprimidas
No dia a dia de regras sociais
Que impedem agressões, estupros, mortes...
Ações inconsequentes, irracionais.
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Prefiro despir todas as faces,
Torná-las sóbrias, cotidianas,
A conviver com seus simulacros -
Ou suas verdades assustadoras e insanas.
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É Carnaval! - por Esther Rogessi

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‘Carnavale’... festa da carne, real ou surreal, festa da utopia...
Explosão de alegria, dentro d’alma doces sonhos, desejos e anseios,
em fantasias multicores, em meio aos muitos amores, com eles a alegria...
Vivem sonhos mil, aquarela céu anil, sons frenéticos, meu Brasil!
Brasil de praias belas, mulatas cor-de-canela, ora cravos, dálias, rosas,
cantadas em versos... prosas...
Alegria e encantamento nas passarelas do samba - para muitos tormento -.
Verde-e-rosa as cores dela... Mangueira, que não dá manga,
vencedora tão amada, adentra a madrugada... no pé, no sapatinho...
Vencer e vencer ‘Nobris Causa’.
‘Pierrôs e colombinas’, homem-menino... mulher-menina, desfilam os imortais
personagens e nada mais... Atores agora são, atuando na vida vão,
lança-perfume e serpentinas, palhaços da vida e bailarinas...
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.Visitem Esther Rogessi..............
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Carnaval... - por Lélia

Foi vestida de princesa que te encontrei. Num carnaval há tanto tempo... Você, um robô cintilante.
Meus olhos cintilaram e o encontro virou encontros e namoro.
Mas, em pouco tempo, nada mais deu certo. E eu devia ter desconfiado, logo de início...
Se você se faz de princesa, em algum momento vai ter que engolir sapo...
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Carlos Drummond de Andrade e “O Outro Carnaval” - Citado por Penélope Charmosa

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Fantasia,
que é fantasia, por favor?
Roupa-estardalhaço, maquilagem-loucura?
Ou antes, e principalmente,
brinquedo sigiloso, tão íntimo,
tão do meu sangue e nervos e eu oculto em mim,
que ninguém percebe, e todos os dias
exibo na passarela sem espectadores?
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Um Sentido Nisso Tudo - por S. Ribeiro

longe de governismos e das ânsias
criamos deuses e reis afins de suor e vinho
perdemos anéis e razões
largamos as bocas a quem as queiram
e nada de choro
que corpo grita e solta mitologias de orgias
lonjuras ancientíssimas e profundas
partes de corpo que só o é
invenções de paredes que hoje não as são
e sem nenhuma tristeza colhemos
corpos e revistas e êxtases
como se fôssemos ainda parte dum sacrifício

vem que nem importa mais
de quantos pés precisamos
canta-se como deveriam nossos anos
não espere nem converse
que aqui se ama aqui se paga
cheios de nós mesmos sem esquemas
banhamos num silêncio de olhos
trompetes e guitarras feridas
num mesmo carnaval
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Visitem S. Ribeiro
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No Carnaval - por Soraya Rocha

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No carnaval me pintei de deusa da natureza
Recriei sobre meu corpo um pouco desta beleza
Que nos alimenta, conforta, sacia e, com certeza,
Nos ensina a harmonia e o contrário da avareza.
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Minha alma foi inundada por esta nobreza
Que povoa nosso planeta e reflete a realeza
De uma força criadora (senti isso com clareza).
E brinquei como uma ninfa: eu era só alegria e leveza.
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Apoteose - por Tércio Sthal

Para festejar
esquenta os tamborins,
e bate forte no pandeiro.

Alegria,
alegria,
alegrias, o tempo inteiro.

Relembra os mortos e afins,
nos sambas,
nas alegorias,
indicando à vida, o tempero.

Alinhava os cortes
e alinha os recortes.
A linha pronta,
agulha tonta.

A lépida tesoura
para si entesoura
o prazer de recortar
a dor do amor,
a dor de amar,
seja o que for,
na passarela
a passar ela
e a passar, passar.

Festa carne
em carne e osso.

Carne vale,
o vale tudo.
Vale até sangrar e fazer o mal.

Eis o final cinza do carnaval
tudo insosso
e choro mudo.
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Visitem Tércio Sthal..........
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Carnaval - por Vera Celms

O ano todo entre retalhos e festins
Aprendendo o enredo,
Ensaiando o passo,
Vestindo o personagem,
Treinando a coreografia,
Ingredientes de um sonho
Preparado por todo um ano
E realizado em 60 minutos
Passando na avenida,
Bateria, comissão e passistas,
Mestre-sala, porta-bandeira, sambistas...
De um amor são as pistas,
De uma paixão,
Nas cores da escola,
Nas cores do coração,
Que se fantasia de dourado,
De paetês e lantejoulas...
O samba no pé,
O enredo na voz,
E a escola no coração,
Pulsando, batendo, levando...
Levantando a arquibancada,
Saudando a comissão,
Levantando aos pulos o coração,
Conquistando ponto a ponto,
A vitória de um sonho todo,
O trabalho do ano todo,
Artistas são todos, são tantos,
E tudo vai tomando corpo,
Perfeição,
Uma realidade simulada,
Uma festa toda dourada,
Luzes, bateria, vitória cantada...
E o sonho vira verdade,
Que vira festa...
E por mais um ano começa,
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Visitem Vera Celms...............
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Sem Máscara - por Alba Vieira

Já é chegada a hora tão ansiada
De retirar a máscara de todo dia,
Liberar a repressão malfadada
E esbaldar-se colocando a fantasia.

Certamente não há mais como conter
Aquela eterna luta de polaridades.
O inevitável irá acontecer:
Homem sisudo vai sair de beldade.

Ele acaba revirando o armário do quarto
Da mulher recolhe saia e até o sapato,
Arranja a cabeleira do jeitinho exato
E aí só volta quarta-feira e sem espalhafato.

O carnaval é uma festa de beleza rara.
Mas para quem se reprime o ano inteiro,
A permissão para exibir a verdadeira cara
Pode ser pior que botar a mão em vespeiro.

É festa, é arte, é explosão de criatividade!
Pode ser orgia e bagunça por conta de bebedeira.
Mas nada tira o seu brilho em nossa cidade.
As almas expressam a luz de qualquer maneira!

Quem dera todos nós possamos um dia
Sem nenhum disfarce por menos-valia
Estampar no rosto nosso ser de energia,
Sem as máscaras exibindo a genuína alegria.
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.............................Visitem Alba Vieira
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Máscara Negra - por Esther Rogessi

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Marcha vida afora em sons altissonantes,
alegorias, fantasias...
O certo fica incerto, o prumo faz-se torto,
frevo levanta morto.
Nas passarelas e nas gerais, esfuziante alegria,
asas à fantasia...
Pierrôs e colombinas, meninos ou meninas?
Despem-se de suas máscaras, mascarada é a vida,
tudo fora agora lança...
Lança-perfume e serpentina, mostra o rosto
lava a cara...
Máscaras, que tens por trás?
Tons diversos... dourado e outros tais.
O menino se faz homem, expele o animal:
Veado ou lobisomem!
‘Velhos viagrados’ se animam disfarçados,
som menos agitado...
Zé Kéti, Pereira Matos comandam a marcha de frente
Abram alas... Atrás vem gente: alta, baixa, gorda, magra...
A Máscara Negra assim esconde a potência do VIAGRA!
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Visitem Esther Rogessi...........................
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Carnaval - por Alba Vieira

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Criatividade, cantiga, compasso
Alegoria, avenida, abraço
Reinado, ritmo, remelexo
Negritude, novidade, nau
Alma, abre-alas, amor
Viagem, valor, vaidade
Animação, alegria, aquecimento
Lança-perfume, loucura, liberdade
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Visitem Alba Vieira
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Ser ou Fingir - por Alba Vieira

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Carnaval é a apoteose
..................do delírio
Pra quem só toca de leve
....................a realidade.
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Visitem Alba Vieira.....................
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sexta-feira, 26 de fevereiro de 2010

Nobre Leito - por Kbçapoeta

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Hoje será o dia que as rosas não murcharão.
Minha aparência na foto é linda,
Meu terno impecável como nunca havia vestido.
Meus olhos fechados
Corpo ereto, rijo.
Aguardo ansiosamente aconchegar-me no meu leito,
Cama de terra da qual nunca mais levantarei.
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....................Visitem Kbçapoeta
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Adeus, Calissa - por Alba Vieira

Abriu-se para você um novo tempo
Livre das dores e limitações do corpo.
Traçando agora um novo caminho na luz,
É amparada por espíritos amigos e pelo amor.

Não havia mais como continuar...
Já era pesada demais a sua cruz.
Findaram as experiências aqui na Terra
E o aprendizado por certo continuará no Além.

Você leva tudo o que aprendeu,
O quanto amou e foi amada,
As ideias que brilhantemente defendeu
E até mesmo alguma incompreensão que gerou.

O que importa é o que não passa...
Deixou muito amor para alguns,
Levou lembranças das experiências positivas
E continuará bem viva no coração dos seus amigos.

Que a consciência a leve em paz
Para um novo despertar de liberdade.
Que o amor de Deus a guarde sempre
E que a saudade se transforme em força para os que a amam.
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.Visitem Alba Vieira............................
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Asmodeus - por Leandro M. de Oliveira

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A justa medida de medir todas as coisas, sem conceito pregresso, sem participação no processo. Não se encontra uma boa solução na caixa de achados e perdidos. Salvo o amor-próprio, todo o tipo de paixão é decadência; essa é uma era de homens decadentes. Do olho do furacão todos estão cegados; como criticar as cores do quadro se a vida te fez daltônico? O dia consumido em horas, as horas consumidas em não ser. Viver é tomar parte na antiga tragédia, morrer é figurar nas estatísticas. Solas gastas patinam na lama e é preciso um coturno que amasse a terra com indiferença. Compadecer-se do passo adiante é degradação da pior espécie. Nada se destrói, as coisas vão reformuladas no contínuo de existir. Uma navalha abre carnes, uma navalha decepa membros. Acaso há lâminas nessa terra que abram ideias ou decepem ideologias? Se os cuteleiros tivessem consciência política a vida na polis seria menos hipócrita. O processo é mais sofisticado.

Vis escravos, pra sempre sejam.

A noite passa. Eu a tecer insônias como quem tece uma camisa de força. Qual a justa medida? Se cada homem é um e vários ao apelo das circunstâncias, qual o sentido de verdade? Toda fé é inútil. A vida vai arrombar sua casa, estuprar seus filhos e te fazer beber um café amargo pela manhã. Maldição! Na ditadura é fácil culpar alguém. Então vem você com seu senso democrático e sua mentira, quer comandar o mundo todo, mas falha no papel simplório de soberano da própria pele. Bem-vindo aos tempos do teatro experimental. A selva não permite regras de etiqueta, o que diferencia os homens é o lugar que cada um ocupa na cadeia alimentar. Tragam-me pantomimas; uma vez na vida, deixem que aconteça de dentro pra fora. O preço do pão torna as coisas pouco poéticas, compaixão para com os animais é engenho da mais cínica extravagância. Que Asmodeus dê cabo dos luxuriosos. E aqui estamos e cá continuaremos, por muito tempo até que os guias usem óculos, até que rebente a vergonha naqueles que te fizeram acreditar.

A vida existe na matéria, a matéria existe na aglomeração de átomos. O átomo é cheio de vida, e ao mesmo tempo vazio de matéria. Se não há matéria que preencha o átomo, não há vida na matéria. E se assim é, a vida vem de outra fonte e nada é como se pensa ser ou tudo é representação e nada é sequer coisa alguma. No primeiro caso o discurso é inútil, no segundo, a palavra é, na melhor das hipóteses, alçapão ou embuste. Detesto o cinismo existencial. Em qualquer feita tudo é ausente de sentido além daquele que o condicionamento permite.

Resumidamente, se tudo é vazio e ausente de sentido, talvez tudo seja deveras nada e como nada, inexiste em realidade. Se isso for, eu que pensei estar raciocinando me enganei, você que pensou estar em dívidas com a vida foi absolvido, e as palavras todas tampouco fizeram sentido, elas nem mesmo foram. Foram? Não foram?
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Haikai - por Marília Abduani

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Teu braço
em minha cintura:
Ninguém segura.
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...................................Visitem Marília Abduani
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quinta-feira, 25 de fevereiro de 2010

Classificando... - por Gio

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Baseado em fatos reais... Ou não..
.- Como são diferentes?
- Claro! Ao contrário das mulheres, que preferem dizer que nós somos todos iguais, os homens devem conhecer os tipos diferentes de mulher, e saber lidar com eles...
- Interessante... Prossiga.
- Existem 3 tipos diferentes de m...
- Ah, tá! Classificação de filos, agora?
- Como eu dizia... Existem 3 tipos diferentes de mulheres...
- De uma maneira bem geral, você quer dizer?
- Quer parar de me interromper!?
- Ok, desculpe.
- Sim, de uma maneira bem geral, mas funciona pra maioria. A primeira delas é a SPC.
- SPC?
- Só pra c...
- Tá, tá, já entendi. Mais cuidado, Gustavo, a gente tá em local público!
- E desde quando se tem pudor em bar, Alberto?
- É verdade...
- Então, voltando às SPC. São aquele tipo que, do nada, pergunta se você está sozinho em casa. Aparece, faz o serviço sujo, e some – talvez volte a falar com você dali a 6 meses...
- São aquelas que “se mantém o número do celular, em caso de emergência”. Acho grotesco isso!
- Grotesco, se elas fossem inocentes. Elas fazem de propósito: e é por essas e outras que a gente deve evitar se apegar a uma delas...
- ...porque, assim como elas te procuram, procuram toda a lista de contatos do telefone. Faz sentido.
- Isso. Depois temos o segundo grupo, o dos “rostinhos bonitos”.
- Aquelas que só ligam para a aparência? Só se aproveita o rosto...
- ...ou o corpo, e nada mais.
- E devemos evitar se apegar a essas?
- Bem, se você conseguir se apegar a alguém com quem não consegue manter mais que 2 minutos de conversa racional...
- Hehe. Garçom, traz mais uma! E o terceiro grupo?
- Ah, filho, essas são o sonho de qualquer um: as pra casar.
- E essas seriam...?
- Aquelas que talvez não sejam tão bonitas, mas se cuidam – tanto por dentro, quanto por fora, e isso é o importante. São inteligentes, tem algum plano de vida, e talvez gostos parecidos com os seus. Às vezes dão mais trabalho, mas quando são suas, são de verdade: são carinhosas, estão para o que der e vier, e ligam mais para você do que para a opinião das amigas ou os fundos do seu cartão de crédito.
- Caramba, e onde eu acho uma mulher assim?
- Ah, elas andam sumidas, mas ainda existem. O difícil é achar alguma que encaixe com você.
- Aquela história brega de “química”?
- Brega, mas válida sempre. Não basta ser bom na teoria, tem que acontecer!
- Escuta...
- Diga!
- Esse papo todo... De classificação e tal... Não parece meio machista?
- Pff.. E você acha que elas não nos classificam também?
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.Visitem Gio
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Luz e Trevas - por Alba Vieira

A luz sempre se sobrepõe às trevas.
Uma pequena faísca ilumina desfazendo a escuridão.
Ao identificar o caos que se instalou em todos os lugares
Não podemos ceder simplesmente à desordem, à miséria,
Ao preconceito, à falta de lógica e de coerência,
À insanidade e ao desequilíbrio.

A luz e o amor são mais fortes
E agora eles devem reinar
Ignorando o poder das trevas.

Não podemos nos deprimir e adoecer,
Encolher diante dos absurdos.
Sejamos fortes!
É necessário manter-nos cientes
Da nossa integridade física e mental,
Da nossa ligação com o espírito.

As pessoas que vibram na oitava superior serão
Os pilares de sustentação na transição do planeta.
E deverão ser norteados pela certeza
Daquilo que são e no que crêem.
Não podem esmorecer e se deixar arrastar
Pela corrente dos que vivem inconscientes.

Aqueles que ainda não perceberam seu ser espiritual
Seguem em desequilíbrio e contribuem
Para aumentar o caos e engrossar a legião
Daqueles que só agridem e se defendem.

Mas os que são conscientes vibram luz
E têm infinito poder não manifestado.
São indestrutíveis quando alinhados com o espírito.
Devem ser trabalhadores incansáveis
E contribuir para alterar a vibração da Terra.

Através de suas posturas, atitudes,
Palavras e gestos de amor fraterno
Serão capazes de puxar muitos que ainda estão perdidos.

No momento da dor e do desespero,
Só a calma, a temperança, a segurança de si mesmo
E a atitude amorosa podem ajudar
Àqueles que já possuem essa consciência.

Que possam ser como beija-flores
Espalhando beleza e alegria por onde passam.
Que sejam o farol para os que estão perdidos.
Que sejam o bálsamo para os corações que sofrem.

E que possam ser o refrigério das almas
Que ainda queimam em desespero inútil.
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Visitem Alba Vieira
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Susexo (Poesia Loucura) - por Esther Rogessi

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Fiz do PC meu Hotel

Da poesia minha amante...

Poesia e sucesso

É o que desejo a vocês...

Serguei é meu sobrenome

Hétero com certeza sou!...

Escritora,

Poetisa,

Contista,

Cordelista,

Cantora,

Compositora,

Dinâmica,

Mecânica...

A porca e o parafuso...

Perfeito, nada confuso...

É muito lindo de se VER!...
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Haikai - por Marília Abduani

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Teu beijo acorda
a minha poesia:
BOM DIA.
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....................................Visitem Marília Abduani
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Palavras - por Passa-Tempo

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Suas palavras me fazem chorar, quando as minhas te fazem sofrer.
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O Encapotado - por Vera Celms

Céu de chumbo,
Um amanhecer com o peso do mundo...
Cena de terror bravio,
Uns poucos pássaros apressados entrecortavam o espaço,
Como que tomados de surpresa,
Antecipando o regresso...
As folhas das árvores precipitavam a tempestade,
E o céu rugia a fumaça de um dragão,
Quem andava pelas ruas sabia do que fugir,
Quem não tinha urgência optava por não sair,
Passos rápidos, medo, assombro,
O tempo foi avançando e a ventania aumentando,
Papéis saíam do chão como pipas no ar...
A poeira já formava uma máscara no ar,
E as pessoas protegiam os olhos e a boca daquela névoa...
Só que aquela situação estava durando demais...
Se alongava pelo tempo,
O relógio ia deixando o dia pra trás...
Meia hora, uma hora, hora e meia,
Meio dia... e a chuva que não caía...
O povo, já aflito,
Evitava as ruas,
Todos olhavam pela janela,
Aquela loucura da natureza,
Era como se a qualquer momento do céu abrissem as comportas,
E o tempo foi correndo... passando e passando,
E o vento incessante tudo desarrumava,
A natureza já descabelada,
Vazias e sujas as calçadas,
As ruas, as casas ameaçadas,
Todo mundo apavorado,
Menos o encapotado,
Que andava pela rua com cara de turista apaixonado,
Olhando o céu, o alto dos prédios admirado,
Como quem estivesse vendo um monumento,
Sem se preocupar com o vento,
Seu capote negro voava,
E o homem tranquilo caminhava,
Com as mãos nos bolsos, no próprio eixo girava,
Com um sorriso infantil, quase delirante,
Estranho esse ser andante...
De repente, um raio e um trovão...
E o homem que andava solto foi dragado por um tufão,
No instante seguinte, o sol abriu e o pesadelo passou,
De todos que assistiram àquilo, ninguém acreditou...
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.Visitem Vera Celms...................................
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quarta-feira, 24 de fevereiro de 2010

Poema Molhado - por Leo Santos

Quis escrever um poema na chuva,
óbvio, rasgou-se o papel;
Enquanto memorizava escorreguei,
e então, o palavrão, o fel;
Lá estavam inúteis versos no chão,
manchados pela poluição.

Além da intenção tolhida,
por momentos deteve-me a ida;
Poças ilhavam-me, mas uma silhueta esguia
precedeu-me, mostrando a saída…

Uma vez que de veio genuíno,
há quem veja poesia num palavrão;
Prefiro, contudo, o ramo na brisa,
que a fragmentar-se no furacão.

Foi tolice querer escrever na chuva,
é claro que não poderia;
Aliás, nem era necessário,
bastava ler o soneto que ela escrevia…

Disseram que ela traz coisas do ar,
pode ser: É amplo o que encerra.
Molhava sensual, as vestes naturais,
insinuando os seios da terra…
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Visitem Leo Santos
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Outra Que Não Eu - por Alba Vieira

Cai a tarde de calor opressivo.
Não há vento, a realidade para.
Observo tudo que não muda.
Nenhuma folha se mexe,
Não há pássaros, não há canto.
Há silêncio e tristeza.
Minha paisagem interna é cinzenta.
Vejo o mundo, mas não faço parte dele?

Sinto uma dor profunda
E nem sei qual a razão.
Parece que tudo desabou sobre mim
E que as coisas pesam demais.

Minha cabeça se atordoa
E o que me oprime é a vida
Com toda a sua forte presença.
São as alegrias e as dores.

O que me salvaria eu não consigo ter:
Um distanciamento protetor.
E nada a desejar, nada a esperar.
E não ter medo de nada,
Não sofrer pelas dores alheias,
Não sentir minha própria dor.

Mas, será que isso é viver?
Eu que sou passional,
De natureza viva, quente e mutante?
Como ter serenidade, certeza e calma?


Eu não sou calma nem placidez.
Eu sou barulho, gritos, choros, sorrisos.

Eu sou idiotamente humana demais!
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Visitem Alba Vieira
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A Maior Obra Poética - por Esther Rogessi

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O mundo... Perfeita obra poética.
Ínfima partícula dela sou...!
Sendo ele - o mundo – poesia, poeta fez-me o Criador.
Criação do Ser perfeito... Poeta-mor, o Eterno...
Infinita sapiência, justiça e clemência...
O lírico, o realismo... O surreal pra mim real!
A nenhum de nós esquece, estamos Nele e Ele em nós...
Prepara-nos, nos capacita, na faculdade da vida,
Talhador... Escultor d’almas...
Nessa vida tão veloz.
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............................Visitem Esther Rogessi
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Χρόνος (Chronos) - por Leandro M. de Oliveira

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Em vezes é como se o tempo rastejasse mais lento, o ar é denso, quase viscoso. Em vezes essa sensação me acomete, como estar dopado numa camisa de força. Aparte isso, o mundo pulsa a virulência das horas irresgatáveis, por entre animais e homens, cospe a fúria do tempo a recolher seus tributos. Olho a medo as sacadas distantes, onde em tempos remotos havia castelãs virtuosas à minha espera. Constato. A vida corrompe até os mais distantes. Sensação; as mulheres são espectros, a virtude também, todas as coisas são invenções de um recém-chegado a tentar redefinir a dor que se sente na queda.

Tenho medo que meu corpo seja composto da argila dessa terra, que ele tenha se fundido ao chão enquanto os anos passavam sem alarde. A noite passa qual quimera, como passa o desfile de sombras, como passam e se aninham em mim tudo o que há de grave e profundo. Queria buscar na cidade um propósito novo, lá caminhando só encontrei postes e praças. Pelas ruas um silêncio inconsútil reina soberano, às vezes um cão cruza o caminho; silencioso.

O ar é de gelatina, definitivamente baço, mesmo ao sopé das luzes de sódio. Os sinos do campanário anunciam indiferentes, todos têm de prestar contas um dia. Antes, os que devem a si mesmos. Viver pra morrer, morrer pra viver. O pasmo de existir é oscilante em olhos e mãos, postura imobilizada. A única coisa digna de nota parece ser o dilema. Bem-aventurados os que não nasceram...
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Haikai - por Marília Abduani

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Temperatura amena.
Choveu saudades
na tarde serena.
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...............................Visitem Marília Abduani
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Seu Santuário - por Vera Celms (Erótico)

Meu corpo,
Na sua proximidade,
É um santuário,
Que cultua o seu prazer,
Que nutre a sua lascívia,
Que lambe,
A sua libido inflamada,
A sua fantasia avolumada,
A sua imaginação indecente,
rasgada,
Nada, nesse culto é vulgar,
Ou prolixo,
Nada é acaso,
Nem sem querer,
Nada é embuste,
Tudo é milimetricamente sonhado,
Imaginado,
Incrementado,
Mas, acontece naturalmente,
Como a fé,
Como o desejo,
Como o arrepio na pele suada,
Como a promÍscua safadeza,
A que nos permitimos,
Só a nós, entre quatro paredes,
Vigiamos nós, o nosso isolamento,
Cuidamos nós, do nosso deleite,
Vivemos nós, o nosso delírio,
Na sua proximidade,
Meu corpo é um santuário,
Em que te permito qualquer culto,
Onde nada é demais,
Nem além,
Onde o aquém não existe,
Não há fronteiras,
Nem limites,
Sua fantasia é o meu prazer,
E a minha... o seu êxtase,
Deliramos em viagens transcendentais,
Que acabariam além da porta,
Não fosse a eternização da imagem,
A cada baixar de nossas pálpebras,
Em sonhos,
Em outras dimensões,
Onde levitamos de tesão,
Querendo mais,
Sonhando de novo,
Acordados,
Desejando mais um momento,
Um toque,
Um sensor que nunca fora desligado
Ou esquecido em stand by,
Na sua proximidade,
Meu corpo é um santuário,
Onde eu cultuo você...
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Visitem Vera Celms
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terça-feira, 23 de fevereiro de 2010

Tá com Problema? - por Fatinha

Querido Brógui:

Olha só: eu perguntei se era pra parar de requentar e você não respondeu. Como diria o “velho deitado”, quem cala consente. Sendo assim, mais um texto direto do micro-ondas, em “homenagem” à derrota do Candidato Universal…
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.“Querido Diário:

‘Você que tem problemas com SPC, Serasa, títulos protestados, nome sujo na praça, falta de crédito em bancos, problemas com o dízimo, participe da Corrente da Prosperidade na Igreja Universal.’ Assim anunciou o carro de som.
Então, você que está na merda total trate de se organizar, abrir um espaço na sua agenda e dar uma passadinha na Universal hoje ainda, que é o dia da Corrente da Prosperidade.
Mesmo que você seja um safado de carteirinha, tome pirulito da boca da criança, tenha feito compras com o décimo terceiro salário que não saiu, deixou rolar o carnê da Casas Bahia, mandou a Casa & Vídeo pra casa do cacete ou mesmo enfiou o cacete na sua mulher, não tem problema. Vai lá que o pastor resolve.
Se deixou de pagar o dízimo, aí eu não sei como vai ser. É tipicamente um conflito de interesses. Afinal, como o pastor vai intervir a seu favor se você não pagou pelos serviços prestados? Aliás, se você tá tão mal na fita, o serviço não foi prestado e então é caso de apelar para o Código de Defesa do Consumidor. Eu não sei como funcionam as instâncias do tribunal divino, mas creio que você, contratante, pode apelar para a exceptio non adimpleti contractus, ou a exceção do contrato não cumprido. Não sabe o que é isso? Tudo bem. Eu também não sei se escrevi a expressão em latim corretamente. Em síntese, quer dizer que você pode deixar de cumprir sua parte no contrato se a outra parte também descumpriu a dela.
Se não for o suficiente, amanhã é o dia da Sessão do Descarrego. Se sua dureza é devida à macumba, nome na boca do sapo, pomba-gira, mau-olhado, vai lá. Se for preciso, o pastor lhe quebra todo de porrada. Você vai direto pro Souza Aguiar, mas o encosto sai (até porque não tem encosto que aguente uma internação no Souza Aguiar). Com encosto ou sem ele, você ainda pode meter uma ação de indenização no pastor. É dinheiro certo. O STJ garante (obs: na época tinha acabado de ser publicada uma decisão nesse sentido). Daí resolve-se o problema inicial. Tudo não começou com a falta de dinheiro? Pronto. A Universal resolveu de um jeito ou de outro.”
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.Postado, originalmente, em 08/10/2008.
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Visitem Fatinha
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Depressão - por Alba Vieira

Dor que dilacera meu peito
Como algo que se aprofunda
E que desconheço a natureza.
Que me invade e domina!

Ela talha o meu leite,
Desanda a minha massa,
Sola os meus bolos,
Empelota os meus cremes,
Enfeia os meus pratos,
Queima a minha carne

E torna a minha vida insossa.

Que remédio capaz de curá-la?
Que luz ofuscaria seus dentes que brilham,
Enquanto exibem para mim sua agressividade?
Que força poderia espantar os meus fantasmas?
Que realidade teria o poder de me absorver nessa hora?
O que me despertaria interesse nesse momento?

Como consigo acalmar meus dias?
De que forma eu posso paralisar meus pensamentos
E deixar minha mente como um lago tranquilo
De águas claras e cristalinas?

Devo entender e aceitar os riscos de viver
Como a criança que avança no caminho,
Um pé depois do outro, preparada para o tombo,
Com a certeza de que irá se levantar e seguir sempre.
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..........................................Visitem Alba Vieira
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Ser Brilhante - por Esther Rogessi e Autores Diversos

“Nosso medo mais profundo não é que sejamos inadequados.
Nosso medo mais profundo é que sejamos poderosos demais.
É nossa sabedoria, não nossa ignorância, o que mais nos apavora.
Perguntamo-nos: ‘Quem sou eu para ser brilhante, belo, talentoso, fabuloso?
Na verdade, por que você não seria? Você é um filho de Deus. Seu medo não serve ao mundo. Não há nada de iluminado em se diminuir para que outras pessoas não se sintam inseguras perto de você. Nascemos para expressar a glória de Deus que há em nós. Ela não está em apenas alguns de nós; está em todas as pessoas. E quando deixamos que essa nossa luz brilhe, inconscientemente permitimos que outras pessoas façam o mesmo. Quando nos libertamos de nosso medo, nossa presença automaticamente liberta as outras pessoas.”
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(Nelson Mandela)
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Por Silvia Mendonça
---Deves saber que estreou nos cinemas, no final de janeiro, o filme “Invictus”, de Clint Eastwood sobre a chegada de Nelson Mandela à presidência do país (num momento de virada da história da África do Sul). “Invictus” procura mostrar a grandeza de um líder que soube estar acima do ódio e do desejo de vingança, evitando que o fim do apartheid fosse seguido pela vingança dos negros face aos brancos sul-africanos. Em 1994, quando Nelson Mandela assume a presidência, apenas quatro anos depois de ter sido libertado da prisão onde permanecera três décadas, esperava-se que Mandela executasse uma limpeza dos brancos dos lugares chave. Mas o novo presidente surpreendeu, sobretudo, pela estratégia utilizada para promover a união entre brancos e negros. Por isso, foi sempre coerente nas abordagens e na vida, quer como cidadão, quer como chefe do Estado, quer como líder na reforma. Essa atitude perante a vida e perante o povo criou dores de cabeça sem fim aos seguranças ao longo dos últimos 20 anos: quando Mandela caminha não há barreiras que o segurem. Apesar dos recuos, dos persistentes episódios de corrupção e desvios à linha reconciliatória imposta por Mandela e altos dirigentes do ex-movimento de libertação, a África do Sul mantém-se firme no caminho da democracia. O dinamismo das instituições, a liberdade de Imprensa e o relativo bom funcionamento do sistema judicial, não totalmente controlado pelo partido no poder, são garantias de sucesso, 20 anos após a libertação de Mandela. Isso, sim, é Fantástico.


Por EstherRogessi
...O nosso Mural é “Fantástico...” Embora Nelson Mandela tenha estado em ‘Retirada’ após uma longa existência de lutas (pois,conta hoje 92 anos de idade), é um dos grandes exemplos de perseverança e crédito no seu ideal. Sua persistência transformou-lhe a vida, ou seja, a visão que muitos faziam dele... de ‘Rebelde’: a presidência da África do Sul até 1999 (fim do seu mandato); de ‘rebelde’ ao apoio às grandes causas sociais e aos direitos humanos, obtendo o reconhecimento das nações. Ele e Madre Teresa de Calcutá foram as únicas pessoas de origem não-indiana a receber o Bharat Ratna - distinção mais alta da Índia - em 1990. Recebeu, também, várias distinções no exterior, dentre as quais, a Ordem de St. John, da rainha Isabel II e a Medalha presidencial da Liberdade de George W. Bush.
Em 2001 tornou-se cidadão honorário do Canadá e também um dos poucos líderes estrangeiros a receber a Ordem do Canadá...


Por Ana da Cruz
Aquilo que Nelson Mandela repetiu durante todo o tempo em que permaneceu preso, cumprindo pena de trabalhos forçados, sirva-nos de reflexão:

“Do fundo desta noite que persiste
A me envolver em breu - eterno e espesso,
A qualquer deus - se algum acaso existe,
Por mi’alma insubjugável agradeço.

Nas garras do destino e seus estragos,
Sob os golpes que o acaso atira e acerta,
Nunca me lamentei - e ainda trago
Minha cabeça - embora em sangue - ereta.

Além deste oceano de lamúria,
Somente o horror das trevas se divisa;
Porém o tempo, a consumir-se em fúria,
Não me amedronta, nem me martiriza.

Por ser estreita a senda - eu não declino,
Nem por pesada a mão que o mundo espalma;
Eu sou dono e senhor de meu destino;
Eu sou o comandante de minha alma.”
...
A qualquer deus - se algum acaso existe,
Por mi’alma insubjugável agradeço.

Eu sou dono e senhor de meu destino;
Eu sou o comandante de minha alma.
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(Nelson Mandela)
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Por Ana da Cruz
*Ele tem muito a nos ensinar. Eu vejo o que ele pensa bem próximo do que penso. Encontro lógica, enquanto vejo tanta incoerência e “achismos” em toda parte. Como diziam os antigos, “de achar morreu um burro”; quem acha e não tem certeza, deve ficar com o que supõe em seu pensamento, sem ter a deselegância de nos compartilhar, principalmente se o suposto não é de bom tom.

O que compartilha a bela arte - a escrita -, em suas múltiplas formas, confirma o mesmo espírito... cujo principal objetivo é estruturar vidas através das letras.” (Esther Rogessi)
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O Homem Mais Solitário - por Leandro M. de Oliveira

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Prólogo (buscando justificação);

Que pra ser livre é preciso ser solitário. Absorver a indignidade alheia frente ao que te se é mais sacro. Caminhar até aquela fenda escura donde reside a vida além do mito cotidiano. Abandonar-se, mil vezes um milhão à ida sem volta, resignar e irromper na peregrinação sem ícones. Eis o desafio do novo, o impulso que nasce derradeiro insuspeitado, que faz o homem abandonar a condição de homem e recriar-se no além. Mudado em besta, pedra e esquecimento, segue ele o caminho do qual ninguém retorna. Urge amar como um Jesus ressuscitado e odiar como um nazista convicto. O homem livre não tem padrão. A ele cabe, entre puritanos dançar como um bandido bêbado, e entre malfeitores pregar os códigos da ética mais mosaica. A estrada é erma, no ermo qualquer homem vacila sua crença, é preciso ter fé que toda fé vazia em si. O ponto de chegada não existe, entre paredes e objetos só a aceitação do voo solo é o que o faz conhecer um mundo em além mundos. Ser todas as coisas e ao mesmo tempo não ser nada, estar em todos lugares sem nunca sair de si mesmo.

Tudo é construção. Tudo é um simulacro copioso do nada que os miseráveis inventaram para conceberem sua desgraça em inferior medida. O vazio é a única realidade possível.
Assim, apartado o caos da vida; que é homem, pedra, ou ideia? Que são todas as coisas senão coisa alguma que a mente finge, distorce, direciona ou aborta? É uma estrada sem pavimento, um jogar-se aos lobos, uma rota sem mapa. O regresso ao comando de si exige abandono e um pouco mais daquilo que é impensável à maioria dos homens, impedidos de um passo à frente, inúteis para sempre. A natureza é implacável. Quantos gênios se perderam entre o instante de agir e o pudor à transgressão do que lhes era imposta? Imobilizados pelo medo, descartáveis como lenços de papel. Não se deve consumir de outros homens ideias ou carne (como é comum nesses tempos), canibalizar-se é ordem do dia. Na indigestão dos tecidos mui familiares, no adocicado ferruginoso do sangue a ser metabolizado pelo mesmo sangue, um algo novo há de surgir. Para essa vida pré-fabricada, nauseantemente confortável, é decretado o fim. É tempo de ser selvagem, o último rei sempre esteve enforcado nas entranhas do último papa, entre a visão e a percepção as brumas do inglório Zeitgeist¹ turbaram um pouco o siso. É hora de recobrar-se da letargia. O que existe para o homem que abraça a caminhada? Nada. Tudo!

Capítulo um: Abençoado seja;

Para além de qualquer revolta meramente desnecessária (como todas o são), as impossibilidades são o conjunto de fatores que moldam a vida. A cara na porta, o carro que nunca se pode possuir, o restaurante em que nunca se pode comer, são no mundo em que o verbo ter a tudo conjuga, determinantes que canalizam as buscas do indivíduo. O homem desentranha da privação o fomento da transcendência, a nascente da força e o domínio do gênio que impulsiona para o além, vivem encerrados no não ser. Pegar o que se tem à mão e daí alçar voos maiores, quando não há rebelião, tudo é possível. O homo sapiens é como uma árvore, com raízes cravadas à terra mas, tendo no cume uma copa que se abre ao infinito. A chave do universo dorme nesse chão e nessa abertura, não é preciso buscá-la em outro lugar. O caminho da aceitação é a senda da vida plena, os boicotes do destino não vêm como castigo, com efeito como impulso ao aprimoramento.
O ser humano está nessa terra como síntese do todo, e participando de cada instância da vida deve realizar-se compreendendo então a totalidade de que é forjado. As privações são apenas uma forma de nos manter mais gratos na conquista e menos soberbos no desfrute. Tudo é perfeito. Abençoado seja.

Capítulo dois: Maldito esteja;

A vida é uma mentira. A compaixão é anestesia barata que cheira a decadência. Essa sandice propagada pelos ressentidos não é mais que um plano para o agrilhoar-se daqueles que nascem livres. “Se te baterem em um lado da face ofereça o outro”, eis aí a forma mais tirana de agressão. O homem de bem só deve odiar seus inimigos, é a única forma de digna de honrá-los. A vida é um acidente da matéria, o mundo é fruto das predisposições convulsivas da natureza. Fomos todos abortados! Todos frutos indesejados de uma relação maldita entre o natural e o acaso. O amor só é possível na cabeça de alguns sacerdotes e nos filmes de Hollywood, esse ídolo onisciente tem o mesmo fundamento das divagações de um bêbado.
(à minha frente um homem clama misericórdia divina, é preciso dizer a verdade...)
Vocês esquartejaram Deus, comeram suas carnes, e agora com o dedo na garganta querem vomitar pra fora a graça e a clemência que o tempo jamais permitiu aos que hesitam. Abandonem o cadáver, abrace o vivo, o que anda pela terra. O homem herdou um paraíso e fez dele um esgoto a céu aberto. Maldito seja!

Epílogo;

O tempo passou, a juventude também. As palavras tornaram alheias nos meandros de seu próprio labirinto. O escritor perdeu-se à procura delas...
Morreu por fim, em desencanto, ao descobrir que a emoção é muda, cega e surda. Toda representação é vã. A noite esmoreceu e o sonho também.
Abençoada a vida. Maldita a vida. Incerto o caminho.

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1- Zeitgeist é um termo alemão cuja tradução significa espírito de época, espírito do tempo ou sinal dos tempos. O Zeitgeist significa, em suma, o conjunto do clima intelectual e cultural do mundo, numa certa época, ou as características genéricas de um determinado período de tempo.
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Haikai - por Marília Abduani

.A que o amor me destina?
Saudade
ou rima?
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.....................................Visitem Marília Abduani
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See You Again - por Yuri

Te ver novamente

como podemos decifrar simplesmente o poder ruim de olhar e ver que a plantação do outro é melhor que a nossa?
queremos nos esconder a nos redimir a dizer ‘que lindo!’
mas meus lábios secam mais a cada dia que passa
eu não sei se você vai voltar e gostar do meu mundo como antes
em qualquer dia desses com um sol bem claro
eu quero te ver de novo sem culpa alguma de que te fiz mal e de que ainda há feridas em você
pode ser amanha já? de manhã, bem longe de qualquer pessoa que possa nos atrapalhar
quero sentir frio ao seu lado, para você perceber e me dar seu casaco de novo, me aquecendo com seu cheiro e o calor do teu corpo
quero dormir do seu lado todos os meus dias e ser seu, só seu... namorado
posso te ver amanhã?
naquela noite tentava arrumar uma estratégia para que nos beijássemos
mas você já estava com seu jogo todo pronto e como sempre me surpreendendo a cada segunda, cada dia que passava
quero passar uma madruga louca e quente com você novamente... assim... qualquer dia desses
posso te ver amanhã?
quero ser seu namorado, só seu
quero ser seu calor e você o meu, nos unir em um só corpo
não ser somente um amorzinho de verão
quero ser o fôlego que te faz enlouquecer
quero ser o ar que equilibra você, o oxigênio que te faz viver
já posso te ver amanhã?
serei só seu
está frio agora! cadê você?
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.Visitem Yuri
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segunda-feira, 22 de fevereiro de 2010

Enredo - por Marília Abduani

Eu estou para o teu corpo
como o vinho para o pão.
Feito o velho, feito o novo,
Pelo sim e pelo não.

Eu estou para o teu jogo
como o amor para o perdão.
Feito o fogo, feito a água
provocando inundação.

Eu estou para o teu corpo
como vela pro navio.
Feito orvalho, feito manto
por teu pranto ou por teu frio.

Eu estou para o teu beijo
como o toque, feito cio,
Feito orvalho: doce enredo,
Feito dor: fio após fio.
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Ver Além pra Viver Bem - por Alba Vieira

Garimpar em todo lugar belezas
É tarefa hercúlea e empolgante.
Nunca para mim foi incerteza
Que o melhor se esconde dos amantes.

Viver bem é uma questão de escolha.
Por vezes parece armadilha de Sísifo...
Melhor é sentir-se protegido numa bolha,
Tentar e repetir, sempre com um sorriso.

Porque o que difere nos que têm sucesso,
É a disposição para vencer
Fazendo de cada tropeço ou retrocesso
Um desafio para não esmorecer.

Estar atento aos acontecimentos,
Percebendo onde errou ou acertou,
Sendo capaz de mudar a rota, a qualquer momento,
É a condição para ser um vencedor.

E, na verdade, vencer é vivenciar
Cada momento em sua plenitude!
Usufruir do belo e aproveitar...
A vida só melhora com mudança de atitude!
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Visitem Alba Vieira
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Fantástico!... - por Esther Rogessi

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Fantástico é a consciência de sabermos quem somos e o que podemos alcançar;
Fantástico é sermos bailarinos em tablado de espinhos... como que se plumas fôssemos soltas no ar...
esquivando-nos de machucar, machucando-nos...
Fantástico é mostrar-se, não ter medo de se revelar, permitir-se brilhar, para que a sua volta todos brilhem;
Fantástico é acreditar em si, lutar, sem desistir...
Fantástico é simplesmente descobrir que somos fantásticos!!
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(Em resposta a Ana da Cruz, em “Ser Brilhante”, sobre Nelson Mandela: “Acho ele fantástico. Você não?”)
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Amar É - por Poty

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Sempre há lugares para novos amores...
Não sou fechado aos amores...
Amar é sem fronteira...
É ser livre.
... Amar é...
Nada mais o possível do impossível.
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Visitem Poty
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A Pousada dos Sonhadores - por ZzipperR

Na recepção, um sorriso de felicidade ao vê-la chegar. Ela estava deslumbrante e linda se aproximando passo a passo para perto de mim. Em cada passo eu sentia o seu calor e ela se tornava mais bela, temperando o meu olhar com um toque especial de mulher faminta de curiosidade.

- Seu vestido é lindo e combina com o seu batom, que deve ter um sabor especial de morango e esse pingente vermelho entre seus seios deixam-nos mais corados. Um H detalhado e esculpido à mão por algum artesão hábil num trabalho especialmente feito para você, pois formam uma parceria perfeita de beleza se acomodando carinhosamente nos relevos dos seus seios.

Ela atravessou a porta, se aproximou e penetrou no meu coração, me deixando sem ação e eu fiquei sem palavras olhando penetrantemente em seus olhos escutando-a perguntar:

- Como você pode estar aqui, se eu te deixei para trás?

- Eu sou o cavaleiro dos sonhos e te guiei para cá, invadindo seu sonho, te buscando em seu mundo fechado e distante para conhecer o meu. Agora que está aqui em minha frente, ao alcance dos meus braços, não tenho coragem de tocá-la.

- Que lugar é esse?

- Seja bem-vinda à pousada dos sonhadores, onde os amantes dos sonhos caminham livres em seus devaneios, livres em suas ilusões e fantasias sem serem importunados pelo mundo real.

- Você é real ou está apenas no meu sonho?

- Depende de você. Qual é o seu sonho?

- Ainda não sei, estou vagando nele há tempos e não consigo defini-lo, porém toda vez que sonho encontro você. Qual é a chave para entrar nessa pousada, pois estou aqui e não sei como entrei?

- A chave é sonhar e nesse momento você está sonhando. Você foi sequestrada pelo cavaleiro dos sonhos e trazida para cá por sua livre e espontânea vontade, pois inconscientemente seguia aquele cavaleiro galopando com sua camisa aberta em seu cavalo branco e atravessando as barreiras da realidade para alcançá-lo e sonhar com ele.

- Será que você faz parte mesmo do meu sonho?

- Os sentimentos dos sonhos estão nas palavras, no olhar e no desejo envolvente da vida e se eu estou no seu sonho é porque você me deseja, nem que seja apenas para ficar ao seu lado um pouquinho e enquanto você sonhar comigo estarei galopando ao seu lado nos seus sonhos. Porém, se isso deixar de acontecer, estarei impossibilitado e descartado dos seus sonhos, seria impossível encontrá-la na pousada dos sonhadores.

- Então vamos sonhar. Vem comigo!

Tocamos-nos e tudo foi se transformando aos poucos, como se os seus olhos estivessem fechando e penetrando num sono profundo, se entregando e abandonando o mundo real. Onde era pousada, agora é um mundo secreto. Para entrar tem que ter a chave e a chave é o sonho onde poucos conseguem caminhar.

Corremos para o sonho e o mundo real não consegue mais nos enxergar. Como é triste não conseguir sonhar e sem o sonho é impossível abrir a porta da pousada dos sonhadores.

Sonhar é gostoso e faz bem à saúde. Tente!

Paulo
Zip...Zip...Zip...ZzipperR

Beijosss minha rainha linda...
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.Resposta a Uma Viagem Fantástica, de vestivermelho.
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.Visitem ZzipperR
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sexta-feira, 19 de fevereiro de 2010

Face Oculta - por Kbçapoeta


Eu queria ser alguém
Que não sentisse amor ou dor.
Que surgisse do nada,
Do lugar nenhum,
E desaparecesse no tudo.
O mesmo ser que toca as estrelas
Por nunca possuí-las.
O poder de toda dor revela
Um liame de contraste,
Um desamor que desapega
Como seda que virou traste.
Por moinhos vi gigantes
Com rocinante a galope
Ao presenciar um passarinho
Piar poemas, glosa e mote.
Natureza estranha se revela
Ao deitar em sua cama
Imaginando ser a cama dela.
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..............................................Visitem Kbçapoeta
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Meditar - por Alba Vieira

Como pena de pássaro flutuando,
Ao sabor da brisa indo parar
Onde o pensamento for levando.
Soltar-se meditando é salutar.

Relaxar o corpo progressivamente,
Cessar da mente o burburinho,
Ficar tranquilo e ser aquiescente.
Meditar é ser capaz de voltar ao ninho...

Até parece coisa de lunático!
Mas, na verdade, isso é só confusão.
Quem medita, jamais fica à parte,
Já que ela incrementa a atenção.

Mergulhar de cabeça no momento presente.
Ser capaz de integrar-se ao Universo.
Estar ligado a tudo realmente,
Sendo um com o Todo é o processo.

Mas, não se consegue isso só com a vontade.
É necessário aprender a ceder.
Entregar-se de todo e não pela metade.
Depois, é só deixar acontecer...
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.....................................Visitem Alba Vieira
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Bolero de Ravel - por Esther Rogessi

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Enquanto lá fora o mundo ferve,
em meio aos frevos, marchas e ritmos outros...
Deleito-me no silêncio... busco paixões, tais quais a poesia e a música...
Ouço “Bolero de Ravel” (Beethoven, Mozart, Vivaldi)
Fecho os olhos... respiro e aspiro o ar, como que a absorver tão lindos acordes,
tão bela melodia... Ora frenética, ora suave...
Ergo a cabeça, nesse êxtase musical, como que águia preparando-se para alçar voo...
A minh’alma se faz uma com eles... tenho às mãos uma batuta invisível...
Com ela - a música -, e/ou elas - música e poesia.
Bach, Bethoven, Ludwing van, André Rieu, Johann Strauss... Castro Alves,
Adélia Prado, Clarice Lispector... Milhares e milhares... d’almas repletas do invisível,
do dom maior, não importa os seus conflitos existenciais, prevaleceu a essência...
São imortais!
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.Visitem Esther Rogessi
Wolfgang Amadeus Mozart, Antonio Vivaldi, Maurice Ravel, Ludwig van Beethoven, Johann Sebastian Bach.

Amor - por vestivermelho

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O verdadeiro amor é exigente, implacável e, ao mesmo tempo, infinitamente delicado.
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.Comentário em Morfeu, Deus dos Sonhos & Hipnos, Deus do Sono, de Esther Rogessi.
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.Visitem vestivermelho
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quinta-feira, 18 de fevereiro de 2010

Controle Universal - por Gio

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Quero um controle universal! De TV? Não, da vida.

Quero um controle para poder desligar aquela versão forró chata de “Cobertor” que toca nos alto-falantes da praça, quando eu passo por ela de manhã cedo. Quero um controle para trocar o letreiro eletrônico do destino dos ônibus, para não chegar mais atrasado. Quero usar os botões de volume para aumentar aquela conversa em sussurros que me despertou curiosidade – principalmente se estiverem apontando para mim.

Quero, com o aperto de um botão, trocar o narrador do jogo do meu time para alguém mais suportável. Quero um controle que possa trocar somente o apresentador, em vez do programa inteiro. Quero um botão de Menu onde eu possa determinar a programação, e tirar da grade de uma vez por todas certos “testes de DNA”. Oloco, meu!

Já consigo trocar a faixa de um DVD... Quero fazer isso em um show ao vivo! Ou, no mínimo, acelerar aquela música que não empolga para chegar logo à que eu quero! Falando em acelerar, queria um botão de FF para passar rapidamente pelas discussões, e chegar logo na parte de fazer as pazes. Ah, quero uma função de Rec, para evitar os “Eu nunca disse isso!”, “Não fui avisado” e “Não foi bem assim...”.

Quero usar o mesmo Rec para esfregar na cara dos políticos as promessas não cumpridas, os discursos demagógicos e (quem sabe) alguns exemplos de bons governos. Quero um controle onde eu possa trocar não os canais, mas os políticos nas urnas eletrônicas, pra ver se eu fujo da mesma panelinha de sempre. E, se ainda assim eu me decepcionar, apertar o Eject é bem mais fácil que fazer um impeachment...
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Visitem Gio
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Chegou o Ano Novo! - por Adir Vieira

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Chegou o Ano Novo!
Um 2010, redondo, no qual, com certeza, serei bem feliz!
Pintei nele um sorriso extasiante,
dei um rosa de cores vibrantes
e quis impedir qualquer cinza,em sua entrada.
Cuidei, com cuidado, para que assim fosse,
ele, em cores claras, amplas e brilhantes,
para com os fogos, anunciar sua alegria.
Com pena, constatei que assim só foi em mim,
no coração, pois externamente, o mundo me mostrou
que cores escuras, já não tão brilhantes,
anunciavam tragédias com sua chegada.
Com pena, senti no peito a primeira dor do ano,
quando vi famílias e famílias arrasadas
com tanta dor em perder, já nesse início,
grande parte do clã com tanto pesar.
Tentei tirar de mim esse amargor, quando o telefone tocou
anunciando, uma dor próxima, de uma amiga querida,
que em menos de um mês anunciava a partida
para junto de Deus.
Depois de chorar a sua perda, entendi que a vida é assim,
com cores claras e escuras,
independe do dia, a amargura,
e não podemos cuidar e eliminar
a dor ou o pesar que se apresente,
mas, nesse início de ano, vou insistir, em aglomerar
minhas grandes alegrias, para sobrepujar o mal!
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Aprender - por Alba Vieira

O verdadeiro aprendizado é se saber
Nessa vida um eterno ignorante.
Ter humildade para compreender
Que jamais saberemos o bastante.

Pois que para poder caber
No mesmo lugar algo mais,
É necessário antes poder se desfazer
Daquele mesmo quantum, esvaziar-se ser capaz.

Quando nos consideramos locupletados,
Nada mais teremos do porvir.
Ser um vaso incompleto é o recado
Para aqueles que desejam evoluir.

Evoluir é estar disposto a aprender.
Não apenas se vangloriar pelos sucessos,
Porque é o erro reparado que vai trazer
A verdadeira razão desse processo.

Aprender sempre é recuperar a inocência,
Ser como as crianças, nunca resistir,
Porque é onde menos esperamos a presença
Que está o nosso mestre para evoluir.
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Me Aproveitando - por Duanny

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Só estava esperando um descuido seu, único que fosse, para poder me aproveitar de você. Sei que de ingênuo você não tem nada, mas vou deixar você pensar que está me enganando.

Nunca fui a santa que meu pai criou ou aquela vagabunda falida que minha mãe largou, mas pode ter certeza: sou tudo o que você sempre quis, ah isso eu sou.

Vamos deixar as formalidades de lado, afinal só estou aqui de passagem, então é bom você aproveitar antes que meu coração apodreça, antes que eu exploda e te faça sentir aquela dor insuportável, antes que você se culpe pelo resto da sua vida.

Então espere só mais um minuto, tenho que tirar esse disfarce de camponesa inocente e frágil. Você pode esperar não é mesmo? Até que esteja pronta?

Bom, o resto você sabe: eu perdi meu marido e não sei onde ele está, vou transformar minha grana em bebida e não vou pagar o aluguel dele, hoje só quero mostrar a ele que posso sim continuar, vou começar uma briga, então é melhor me acompanhar.

Okay, você é uma ferramenta então, mas essa noite eu deveria me preocupar, mas fica aqui, ainda estou esperando aquele seu descuido... porque você continua frio como o gelo? É bom começar a se acostumar porque esse gelo vai derreter e a culpa vai ser toda minha, exclusivamente minha.

Quer saber? Acho que você é mais uma desculpa, então é melhor eu me aproveita desse seu descuido antes que você perceba que eu te envenenei, sim, com aquele último beijo, e você vai ver como vai ser fatal, vou sair por aquela porta sem dar explicações, então é melhor ir logo, acho que meu tempo acabou, logo vou começar a apodrecer, porque você já sabe que acabou, afinal já me aproveitei o suficiente de você.
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Morfeu, Deus dos Sonhos & Hipnos, Deus do Sono - por Esther Rogessi

........................................................(prefixo de hipnose, hipnótico)
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Quando o deus do sono te envolvia...

Eras só dele... dormias!

Vendo-te assim... indolente

Hipnos enciumou-se

... em ti, se fez presente!

Arrebatou-te de Morfeu,

encheu-te de doces sonhos,

fez-se dele a tua mente.

E eu... desejando-te, carente

em súplicas frementes...

Clamei a Morfeu – o deus do sonho -,

para vagar na tua mente algo de mim,

mesmo que pequena semente..
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Impedimento - por Ana

Eu me curvo diante da vida
com meus olhos abaixados
que, de forma criativa,
olham pra ambos os lados.

Se não posso ir adiante,
eu procuro uma saída
que me mostre, retumbante,
ser possível a escapulida.

Se é pra frente que se anda,
pelo lado abro caminhos.
Sei que é a vida quem manda,
então finjo que cedo, um pouquinho.

Uso a minha inteligência
para criar condições
de moldar, com paciência,
estupendas soluções.

Vou saindo, de fininho,
procurando outra estrada
que me leve, de mansinho,
à meta tão desejada.

Se, de todo, não consigo
encontrar atalhos, pontes,
confabulando comigo
resolvo voltar à fonte.

Volto ao ponto de partida,
onde a vida me barrou,
inicio a minha lida
ali, no ponto em que estou.

Vou construindo, seguros,
degraus que me possam levar
ao outro lado do muro
que me impede de passar.

Enquanto trabalho, aprendo,
com a espera, algumas lições:
que se consegue, fazendo,
e o quanto importam as ações.

Se eu sentasse e chorasse,
morresse de dar cabeçadas,
esperneasse, chutasse,
tentasse passar a pedradas...

De nada adiantariam
tamanhas encenações,
pois em nada abalariam
a vida e suas razões.

Mas construindo a escada
que me leva ao outro lado
aceito a minha escalada
e o meu esforço suado.

Com isso me sinto forte
capaz, com poder enorme
de não depender da sorte,
pois sonhar é pra quem dorme.

E chegando em cima, enfim,
vislumbro mil horizontes
que se reservam a mim
e aos que bebem destas fontes.

São mil possibilidades
entre as quais posso escolher,
pesando necessidades
e aspirações do meu ser.

Então, olhando para trás,
avaliando de onde vim,
percebo o que a vida faz
quando me nega o sim.

Ela me dá condição
de tentar amadurecer
gerando a situação
que me faz parar p’ra ver

que sou bicho limitado,
que sou alma aprendiz,
que meu mundo equilibrado
está sempre por um triz.

E de uma forma absoluta,
a paisagem então me diz
que, sem ter encarado a luta,
eu nunca seria feliz.

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quarta-feira, 17 de fevereiro de 2010

Prisões - por Leo Santos

Sei que não és perfeita,
mas é bela a missão que te legou Deus;
De dar vida a mim e aos meus,
troféus simples, mas são teus,
que nos vê, a ti espreita…

Mas essa garra que te prende,
ah, se alhures existisse,
algum mestre que instruísse,
pra um frágil vergar o arco de Ulisses,
e traspassar aquele que te ofende.

Quão grande seria tal momento,
júbilo e gozo completo.
De mim e da solidão ganhaste um neto,
um opúsculo com meu afeto,
pra que embales ao colo, esse rebento.

Fizeste de letras tua dita,
quando livremente te dividias,
meio a meio, os teus dias,
entre teus pupilos e tuas crias,
tua faina era bonita.

Por certo herdei de ti,
esse apreço pela escrita,
ocupação venturosa, bendita,
e agora que o dom palpita,
recordo o que aprendi.

E ver-te assim, em grilhões,
nas garras do desatino,
fere meu lado menino,
que roga ao Senhor do destino,
que desfaça essas prisões…
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