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(Aviso: Os textos em amarelo pertencem à categoria
Eróticos.)




sexta-feira, 1 de maio de 2009

Nossas Músicas

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Conforme adiantei no comentário deixado em “Nossos Recados” quando do encerramento da enquete referente à postagem de músicas no Duelos, foi realizada análise estatística aprofundada a fim de definir a frequência ideal de postagem de músicas, com base no resultado da votação.
Terminados os estudos avançados, informo que os cálculos definiram a frequência semanal como sendo a que melhor atende ao desejo dos votantes.
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Portanto, a partir desta semana, às sextas-feiras, “Nossas Músicas” volta ao ar.
Quem quiser participar desta categoria, envie suas músicas preferidas para shintoni@terra.com.br.
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Abraços e agradecimentos a todos.
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Humberto Gessinger, “Às Vezes Nunca” - por Kbçapoeta

‘tô sempre escrevendo cartas que nunca vou mandar
pra amores secretos, revistas semanais e deputados federais
às vezes nunca sei se “AS VEZES” leva crase
às vezes nunca sei em que ponto acaba a frase (.,;?!...)
você sempre soube (eu não sabia)
toda frase acaba num riso de auto-ironia
você sempre soube (eu não sabia)
toda tarde acaba com melancolia
e, se eu escrevesse “SEM” com “S”, ou escrevesse “CEM” com “C”?
?por acaso faria alguma diferença?
?que diferença faria?
?o que você faria no meu lugar...
... se tivesse pr’aonde ir e não tivesse que esperar?
?o que você faria se estivesse no meu lugar...
... se tivesse que fugir e não pudesse escapar?
você sempre soube que eu não conseguiria
quando a frase acaba tarde, tudo fica pr’outro dia
você sempre soube, eu não sabia
toda tarde acaba em melancolia
às vezes não entendo minha própria letra
minha própria caneta me trai
às vezes não entendo o que você quer dizer quando fica calada
você sempre soube (eu não sabia)
quando a frase acaba o mundo silencia
às vezes não entendo onde você quer chegar quando fica parada
é como ficar esperando cartas que nunca vão chegar
não vão chegar com “X” nem vão chegar com “CH”
é como ficar esperando horas que custam a passar
enquanto ficamos parados, andando pra lá e pra cá
é como ficar desesperado de tanto esperar
olhando pela janela até onde a vista alcançar
é como ficar esperando cartas que nunca vão chegar
é como ficar relendo velhas cartas até a vista cansar
você sempre soube - eu não sabia
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Para tempos de acordo ortográfico
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O Autor de Abril

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MURILO ANDRADE
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Wordle: 1a Quinzena de Abril
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Clique na imagem para ampliar.
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Imagem: Wordle
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As Nossas Palavras VIII - por Lélia

Querido, você é apenas um rapaz latino-americano, mas estar ao seu lado é um não contentar-me de contente. Para sempre te amarei e serei leal contigo, pois diante de você os outros são os outros.
Mas naquele karakoê você tentou inovar e imitou o comportamento geral, o que me causou muita estranheza. Por isso te digo: nunca mais altere o samba tanto assim, pois quando você faz estas coisas eu não consigo entender sua lógica.
Caetano Veloso, Belchior, Gonzaguinha, Renato Russo, Leoni, Paulinho da Viola, Legião Urbana

Traição: A Busca Equivocada pela Transcendência no Amor - por Alba Vieira

O que nos levaria, num nível mais profundo, a trair, mesmo nos relacionamentos em que há um amor inquestionável?
Porque mesmo em casamentos, com e sem aspas, em que há harmonia, complementariedade, paixão, amizade, companheirismo e outros ingredientes indicadores de profundidade em relacionamento amoroso, ainda assim, o fantasma da traição insiste em rondar?
Ainda que a traição não se concretize, é inegável que alguma vez já se fez presente nas fantasias, mesmo daquele parceiro mais convicto, que tem a certeza de ter encontrado a sua alma gêmea e estar feliz e realizado com ela.
A Astrologia nos explica que buscamos no outro aquilo que nos falta e a vivência de um relacionamento profundo, ao longo do tempo, irá preenchendo nossas lacunas com um aprendizado do outro, de forma que nos transformamos e o interesse só permanecerá se ambos evoluírem, permitindo que possamos sempre encontrar no outro, novas possibilidades de crescer e mudar. A estagnação de um faz o casal alcançar um equilíbrio pernicioso onde o desinteresse mútuo é solo fértil para a traição.
Não falo em motivações menores, nos jogos de sedução, no troca-troca ensejado pelo próprio aprendizado no mister do amor. Desejo sim entender as raízes da traição nos relacionamentos maduros e bem sucedidos. Nem me importo com as traições de fachada, em que na realidade nem relacionamento de fato há. Também não me ocupo aqui das traições fugazes, devidas ao ciúme, às vinganças, à afirmação de personalidade ou outras questões relacionadas à imaturidade. Ou ainda daqueles que, por natureza, precisam de mais de um objeto de amor.
A interrogação e o questionamento aparecem ao ter conhecimento na vida de outras pessoas ou experimentar, na própria vida, um sentimento que domina, que ultrapassa a razão, que clama e que faz tão bem, porque expressa mais que tudo o estar vivo, receptivo, ainda que venha associado ao enorme desconforto de estar magoando alguém tão próximo, tão querido, tão vital para nós, de quem não desejamos nos afastar, embora quase sempre resulte em separação, culminando numa culpa que sufoca e faz surgir baixa estima, exatamente quando experimentamos a felicidade de ceder à espontaneidade.
Como lidar com a liberdade da alma, o êxtase que tanto atrai e faz retornar um estado só experimentado na infância, quando ainda não estamos peritos em nos reprimir?
Tenho a certeza de que esta traição é uma condição arquetípica e, como tal, deve ser compreendida para nos redimir da culpa e sanar a dor de nossas “vítimas” que em outra oportunidade poderão ser os “algozes”.
O entendimento de que nesta vivência, a questão não é pessoal, retira todo o peso e reatividade. Temos que examinar a situação da mesma forma como numa regressão à vivência de uma vida passada, como meros observadores, mesmo que durante o processo de encarar os fatos possamos nos permitir a revivência para esvaziar a dor emocional. Aquele que trai, o faz por motivações próprias que mesmo estando também relacionadas ao parceiro, representam a tentativa de concretização dos anseios de sua alma.
Traímos porque é bom encontrar alguém que encarne o poder de nos tirar da razão (talvez pela sedução do proibido), de nos hipnotizar a ponto de nos largarmos, cedendo aos apelos de nossa alma. Quando traímos, não estamos menosprezando ou desrespeitando quem ainda amamos. Estamos sim, valorizando e dando vez a uma parte nossa que é vida, é ânsia, não se consegue reprimir. E quem o motiva, não é que seja sempre nem tão especial assim, exceto pela capacidade de despertar em nós a vontade de ir além, de transcender, de sermos levados por algo maior que nós, que não ouve nossa mente crítica e politicamente correta, mas somente deseja expressar todo o amor que tem e que em dado momento extravasa a relação primordial, acompanhando a expectativa do novo, do desconhecido, o salto do louco, prenúncio de felicidade. No fundo é só a expressão do amor num sentido mais amplo.
Não nos julguemos pois. Apenas compreendamos nossa força que nos pode permitir fraquezas como esta, ainda que, concretamente, sejam equivocadas.
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Visitem Alba Vieira
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Reflexão - por Passa-Tempo

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Esquecer o passado, às vezes, é o melhor remédio pra espantar os males.
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Memórias de um Seminarista (Parte III) - por Paulo Chinelate

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O ENXOVAL


Não consigo dormir. Já lá se vai a metade da madrugada. Abraçado ao travesseiro, totalmente coberto pelos edredons, frio intenso, a imagem do jantar, a conversa, as atenções todas dirigidas a mim. Tudo isso me excitou. Confesso ainda estar meio atordoado com toda a novidade. Mamãe deixou transparecer tristeza. Acho que são coisas de mãe mesmo porque papai era só alegria. Trocadas as necessárias informações papai desarrolhou uma velha garrafa de vinho do taberneiro Seu Tonico. Sopas servidas, devoradas. O homem, cruzes, o padre, foi-se embora.
Me lembro agora, é mesmo, tinha me esquecido: viajarei em janeiro. Estamos em final de outubro. Tempo bastante para o enxoval. Nossa, que significa isso? Amanhã cedo vou perguntar pra mamãe.
Não sei como dormi, sei o quanto: quase nadinha. Olhos ainda vermelhos fui, apesar do sono, o primeiro a chegar na cozinha. Mamãe como sempre já ligara o novo fogão a querosene. O cheiro do combustível entra ardoso em minhas narinas. Mamãe se surpreende comigo, sempre o recalcitrante ao se levantar da cama. Vem de lá em minha direção e larga um quente, não costumeiro, beijo em minha testa. Agora noto que não são só meus olhos que estão vermelhos. Os dela, além da cor de carmim, estão inchados. Acho que ela estava chorando, igual quando tinha suas enxaquecas. Me lembrei do seu olhar sizudo durante a conversa no final da noite. Acho que chorava já de saudades do filho mais velho que partiria em breve.
Serve meu café com o pãozinho que o padeiro, de madrugada ainda, deixou na janela.
Pergunto a ela o que era o tal enxoval. Responde-me que eram roupas e objetos necessários no novo colégio, seminário, que eu ia ingressar.
Fiquei calado, sem mais perguntas, só angústia. Roupas e demais objetos… Uniformes? Sapatos? O que mais seria? Puxa vida, logo agora que papai está praticamente sem trabalho! O que fazer?
Hora de ir para o Grupo Escolar.
Uai! Que está havendo? Fiz a inspeção da turma hoje e apesar de muitas unhas sujas e camisas amarrotadas não obtive nenhuma ameaça de me pegarem lá fora. Ao contrário, por onde passei os olhares eram de respeito. Até a minha professorinha peguei-a apontando-me à diretora e cochichando. Acho que já me consideram um cardeal.
Como é sexta-feira, vou passar depois da aula na casa da minha catequista. Vou pegar os jornais para vender na igreja, domingo, à saída da missa.
D.Ana é uma maternal tiazona. Solteira, dedica-se à nobre causa de ensinar religião. Dizem que é hábito antigo. Ela já tem uns sessenta anos. Meiga, mãos tremosas, mas sempre afáveis. Voz também tremeluzente, muito emotiva. Mais uma que demonstrou pungente alegria pela notícia sobre minha ida para o seminário. Mas, nem sei porque, confessei a ela minha preocupação com o tal enxoval. Talvez eu nem pudesse completar o intento de tal aventura.
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Paulo Coelho e o Inevitável - Citado por Therezinha

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Não há tragédia na vida, mas o inevitável. Tudo tem sua razão de ser, só precisamos distinguir o que é passageiro do que é definitivo. Passageiro é o inevitável, definitivo são as lições do inevitável.
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