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segunda-feira, 18 de agosto de 2014

Perdão - por Raquel Aiuendi

Perdão funciona como equalizador de forças convergentes ou divergentes. Através do perdão há o inverso (aparente) de grandeza, onde a vítima é mais forte que o agressor, onde a força é canalizadora e convidativa à equalização, onde efeito surpreende a causa como proponente de um novo efeito, tornando, assim, a causa da nova situação.
Sob a gerência da Lógica (Amor), o perdão é uma das disciplinas que se sujeitam a Ela. As relações são estabelecidas através da Lógica ou se desestabelecem pelo caos (ausência da Lógica), a ordem paralela que submete a desestrutura, a ilógica. O caos pode ser uma ordem paralela, mas jamais terá a grandeza da Lógica, uma vez que caos é perda da Lógica.

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quarta-feira, 16 de julho de 2014

Pollyana - por Fatinha

Querido Brógui:

Há décadas atrás, quando eu ainda era uma criança, li um livro chamado “Pollyanna”. Você já leu? Então vou fazer uma síntese: Pollyana é uma menina pobrinha, órfã, que foi morar com o avô rabugento numa montanha sei lá onde (detalhes assim eu não lembro). O fato é que a menina tinha tudo para que pudéssemos chamá-la de coitadinha, tinha tudo para ser rebelde, menor infratora, mas ela OPTOU POR SER FELIZ.

Pollyana inventou um jogo, o “jogo do contente”. Um Natal, quando ela ainda morava no orfanato, as crianças receberam presentes que vinham num barril. A ela coube uma muleta. Ela não precisava de muletas, então ficou feliz pelo presente exatamente por isso: porque ela podia andar sem usar as tais. Sempre achei isso muito bacana. Ser feliz mesmo quando a vida insiste em nos dar motivos para reclamar da sorte.

Não tenho uma vida como a da Pollyana, tô muitíssimo longe disso, mas há momentos em que me pego reclamando da vida e, cá pra nós, isso não tem sentido algum. De uns tempos pra cá, venho exercitando (com adaptações) o jeito Pollyana de ser. Continuo com minhas ironias (que é uma maneira toda especial de fazer graça com o que não tem a menor graça). Tenho ainda meus momentos de fúria, chuto perna de mesa e coisa e tal. Mas tento sempre encontrar o melhor ângulo de visão para o que me aborrece.

Ontem mesmo eu estava no Fórum, andando pra lá e pra cá, quilômetros e quilômetros naquele labirinto de Creta, pronta para encontrar o Minotauro a qualquer momento. Quando ensaiei um putaquepariu, rapidamente Pollyana incorporou e agradeci por estar ali, andando que nem uma cachorra. Agradeci por ter um trabalho que me garante uma graninha. Agradeci por ter pernas para andar. Isso me deu forças para voltar ao cartório e esperar para obter a informação que queria.
Nada na vida vem só com bônus. Isso é só para as ONG’s. Não sou uma ONG, infelizmente. Não posso ter o melhor de todos os regimes jurídicos (pronto: baixou agora a advogada). Traduzindo: não posso querer ter as benesses sem arcar com os ônus delas decorrentes.

Precisa acordar para ir trabalhar? Agradeça, você tem um emprego. Mas o dinheiro é pouquinho? Agradeça, você tem um emprego.
Seu ex-marido é um merda? Agradeça, graças a ele você teve seus filhos. Seus filhos lhe enlouquecem? Agradeça por eles terem saúde para isso.
Você queria ir à praia e choveu? Agradeça por poder ficar em casa arrumando seu armário. Agradeça por ter coisas para arrumar.

Então é assim. Agradeça sempre. Agradeça por tudo. Jogue o jogo do contente. Pollyana está certa.
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Eleanor H. Porter

sábado, 28 de junho de 2014

Stig Dagerman e o Acaso - Citado por Penélope Charmosa

É de um sadismo soberbo pensar que deveríamos ser julgados pelas nossas boas e más ações, uma vez que só de um pequeníssimo número das nossas ações podemos decidir. O acaso cego, que se distingue da justiça cega pelo simples fato de ainda não usar venda, introduz e acaba as nossas ações; o que podemos fazer e, bem entendido, o que devemos fazer, em virtude da existência tantas vezes negada da nossa consciência, é deixarmo-nos arrastar numa certa direção e mantermo-nos depois nessa direção enquanto conservamos os olhos abertos e estamos conscientes de que o fim em geral é uma ilusão, pelo que o fundamental é a direção que mantivermos, pois só ela se encontra sob o nosso controle, sob o controle do nosso miserável eu. E a lucidez, sim, a lucidez - os olhos abertos fitando sem medo a nossa terrível situação - deve ser a estrela do eu, a nossa única bússola, uma bússola que cria a direção, porque sem bússola não há direção. Mas se me disponho agora a acreditar na direção, passo a duvidar dos testemunhos relativos à maldade humana, uma vez que no interior de uma mesma direção - em si mesma excelente - podem existir correntes boas e más.



In “A Ilha dos Condenados”.
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terça-feira, 17 de junho de 2014

Alexis Carrel e a Civilização Construída ao Acaso - Citado por Penélope Charmosa

A civilização moderna encontra-se em má posição porque não nos convém. Foi construída sem conhecimento da nossa verdadeira natureza. Deve-se ao capricho das descobertas científicas, do apetite dos homens, das suas ilusões, das suas teorias e dos seus desejos. Apesar de ter sido edificada por nós, não foi feita à nossa medida.
Na verdade, é evidente que a ciência não seguiu nenhum plano. Desenvolveu-se ao acaso, com o nascimento de alguns homens de gênio, a forma do seu espírito e o caminho que tomou a sua curiosidade. Não se inspirou de modo nenhum no desejo de melhorar o estado dos seres humanos. As descobertas produziram-se ao sabor da intuição dos cientistas e das circunstâncias mais ou menos fortuitas das suas carreiras.
Se Galileu, Newton ou Lavoisier tivessem aplicado os poderes do seu espírito ao estudo do corpo e da consciência, talvez o nosso mundo fosse diferente do que é hoje. Os cientistas ignoram para onde vão. São guiados pelo acaso, por raciocínios sutis, por uma espécie de clarividência. Cada um deles é um mundo à parte, governado pelas suas próprias leis. De tempos a tempos, certas coisas, obscuras para os outros, tornam-se claras para eles. Em geral, as descobertas são feitas sem nenhuma revisão das consequências. Mas a forma da nossa civilização resultou dessas consequências.



In “O Homem, Esse Desconhecido”.
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quinta-feira, 5 de junho de 2014

Haruki Murakami, Destino, Acaso ou Coincidência - Citado por Penélope Charmosa

Podemos muito bem, se for esse o nosso desejo, vaguear sem destino pelo vasto mundo do acaso. Que é como quem diz, sem raízes, exatamente da mesma maneira que a semente alada de certas plantas esvoaça ao sabor da brisa primaveril.
E, contudo, não faltará ao mesmo tempo quem negue a existência daquilo a que se convencionou chamar o destino. O que está feito, feito está, o que tem se ser tem muita força e por aí fora. Por outras palavras, quer queiramos quer não, a nossa existência resume-se a uma sucessão de instantes passageiros aprisionados entre o “tudo” que ficou para trás e o “nada” que temos pela frente. Decididamente, neste mundo não há lugar para as coincidências nem para as probabilidades.
Na verdade, porém, não se pode dizer que entre esses dois pontos de vista exista uma grande diferença. O que se passa - como, de resto, em qualquer confronto de opiniões - é o mesmo que sucede com certos pratos culinários: são conhecidos por nomes diferentes mas, na prática, o resultado não varia.



In “Em Busca do Carneiro Selvagem”.
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segunda-feira, 26 de maio de 2014

Entendendo Quem Nós Somos e Aplicando este Conhecimento no Dia a Dia - por Alba Vieira

Você acredita que o que pensamos ser a realidade é pura ilusão? Pois é só ilusão. Todas as coisas que enxergamos, tocamos, todos os sons que ouvimos, tudo que tem cheiro, tudo que conseguimos provar, enfim, tudo que apreendemos com os cinco sentidos, isto é: os objetos, a natureza, os seres vivos, tudo isso não passa de ilusão. Eles só existem dessa forma que os concebemos, porque nós estamos observando cada coisa.
Parece difícil compreender este conceito mas, na verdade, não é tão complicado. Existe uma realidade manifesta e outra não manifesta.
A realidade não manifesta é a fonte. É o manancial de onde tudo tem origem. É a partir dela que surge a realidade manifesta. É a verdadeira realidade.
A realidade manifesta - que é o que nós apreendemos com os nossos cinco sentidos - é pura ilusão, porque depende do observador, de quem a concebe.
Assim, nós só conseguimos olhar um gato sabendo que se trata de um gato, depois que já tivermos sido apresentados a ele, isto é, depois que o nosso cérebro já tiver registrado o que é um gato.
Tudo o que se manifesta no mundo vem dessa realidade não manifesta, que é o Todo (o que chamam Deus, campo, fonte, energia, luz ou seja lá o que for). Tudo o que existe tem em si a centelha desse Todo. Então, nós temos nosso espírito que é derivado dessa fonte. Logo, em espírito, estamos ligados ao Todo, a tudo que existe, somos um com a Unidade.
O homem é composto pelo espírito (derivado do Todo, a realidade não manifesta), a mente (o ato de observar) e o corpo (o que é observado).
Dessa forma, nós podemos nos identificar com a realidade não manifesta que é o desconhecido, o invisível ou com a realidade manifesta que é o conhecido, o visível.
Acontece que a realidade não manifesta é a fonte da criação, é a potencialidade pura. Aí, tudo é possível. Se atuamos nesse nível estamos livres da relação espaço-temporal, podemos aplicar a magia, afinal, temos poder, temos um Deus dentro de nós. E esse é verdadeiro poder, aí nós somos a divindade, logo somos belos, perfeitos, temos todo o conhecimento, experimentamos o silêncio, a simplicidade, a invencibilidade, a felicidade. Isso representa a auto-referência, a referência do espírito, o real poder, a identificação com o Eu, com o interior.
Mas podemos nos identificar com o externo, com as coisas, com as pessoas, as circunstâncias. É a objeto-referência. Aí somos frágeis, temos necessidade do falso poder, aquele que deriva da necessidade de controle, portanto, do medo. Quando não nos identificamos com a nossa parte espiritual somos vulneráveis, temos medo e precisamos nos defender surgindo a necessidade de controlar, nos antecipando sempre, gerando estresse para as nossas vidas, buscando o falso poder.
Então, a solução é vivermos de acordo com a verdadeira realidade: que somos seres de luz, que podemos nos identificar com o poder real que reside em nós.
Mas para acessarmos essa porção do nosso ser teremos que penetrar no silêncio, no espaço entre nossos pensamentos, mergulhar aí, onde escapamos da relação espaço-temporal, onde simplesmente somos.
Podemos alcançar esse estado através de insights, auto-hipnose, grandes choques (que por instantes nos tira do estado de ilusão em que comumente vivemos), da ioga, da meditação, do tratamento homeopático, da acupuntura e outras formas, como, por exemplo, com o uso de drogas psicodélicas que levam a estados de êxtase quando nos ligamos à Unidade. Quando experimentamos esse estado de consciência alterada, podemos sair do corpo; criar a própria realidade; experimentar estados de união com tudo que existe, animado ou inanimado; mexer com o tempo, alargando-o ou restringindo-o; fazer auto-curas; ter todo o conhecimento; conhecer todas as vidas passadas etc.
Cabe somente a nós a escolha, em cada momento de nossas vidas: viver de acordo com a verdadeira realidade ou continuarmos iludidos, limitados e infelizes.



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sexta-feira, 23 de maio de 2014

Outro Olhar - por Alba Vieira

Há dias em que sinto grande necessidade de olhar. Olhar para as pessoas, para as suas ações, para a sua passividade, para o que deixam fluir.
Nessas horas eu me alimento do que vejo. As imagens impregnam o meu corpo emocional e os olhos que vêem são olhos de compreensão, que estabelecem a ligação com o amor universal.
Vejo o que está por trás das pessoas, as manifestações do seu inconsciente e elas se fundem com o que também está fluindo de mim.
Preciso tantas vezes me reabastecer desse contato especial com os humanos.
Isso me dá grande alegria. Eu me renovo, a minha energia flui melhor, livre dos bloqueios das relações comumente estabelecidas no dia a dia.



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sábado, 19 de abril de 2014

Jogo Bruto - por Tércio Sthal

Não confunda, chicote dá íngua,
e a língua é o chicote da besta.

Não confunda, chicote é pra besta,
e besta não sabe usar a língua.

Não confunda, a língua não é besta,
e defende a íngua do chicote.

Não confunda a íngua e a língua,
que a besta lhe toma o chicote.



Visitem Tércio Sthal.

domingo, 6 de abril de 2014

Léon Tolstói e a Arte - Citado por Penélope Charmosa

A atividade da arte consiste em evocar em si próprio certo sentimento que se experimentou e tendo-o evocado, transmiti-lo por meio de movimento, linhas, cores, sons ou formas expressas em palavras, para que outrem experimentem o mesmo sentimento.
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sexta-feira, 21 de março de 2014

Reflexão - por Alba Vieira

Domingo, um dia em que geralmente os pais que trabalham fora podem estar junto de seus filhos, é um dia feliz para aqueles filhos que têm a sorte de possuir pais normais e bons.
Ontem os telejornais mostravam a babá acusada de tentar afogar o menino do qual era encarregada de cuidar e a menina austríaca que morreu vitimada por agressões da tia responsável por ela e por um irmão mais velho.
Estes crimes hediondos se repetem e faço a seguinte reflexão: domingo pode ser um dia de agradecer, pedir bênçãos, proteção, incentivo e sorte para aquelas babás, cuidadores, médicos, professores, funcionários de estabelecimento de ensino, saúde e creches que, na ausência dos pais tomam conta dos seus filhos com responsabilidade, carinho, paciência e, sobretudo, alegria.



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quinta-feira, 20 de março de 2014

Deixei a Vida me Levar - por Alba Vieira

Encontro-me sem energia, sem disposição para estudar, não saio do quarto, a não ser que seja obrigado por alguma tarefa a realizar. Sou um adulto jovem, tenho três filhos e estou desempregado. Refleti demoradamente sobre minha situação atual e percebo que ela é decorrente de anos de escolhas inadequadas. Acho que passei a minha vida me enganando. Sim, porque acreditei que as outras pessoas iriam fazer aquilo que eu esperava delas e isto não aconteceu. Agora eu estou certo de que não nasci para ser um provedor, para dedicar a minha vida a viabilizar a vida de outras pessoas, a possibilitar o desenvolvimento dos filhos. Mas, na verdade, as pessoas não me enganaram, eu é que esperei demais delas. E como eu escolhi fazer o que realmente não queria e não tinha a menor vocação, nada deu certo. Eu me sinto um fracassado. E o pior é que depois de tudo que fiz pelos meus filhos, que hoje já são dois adultos e um adolescente, recebo deles a cobrança por ter deixado de suprir suas necessidades por força das circunstâncias. E tento, desesperadamente, conseguir uma boa colocação no mercado para voltar a corresponder às suas expectativas e de minha esposa, estudando (ou melhor, querendo e não conseguindo estudar) para concursos públicos. Só que não nasci para esta vida, não é o tipo de trabalho que quero fazer, meu sonho está em outro lugar. E, como me empenho por algo que não me motiva, não tenho energia para fazê-lo. Estou em depressão, que se arrasta por muitos meses, depois de muitos anos em que me irritei continuamente e vivi em brigas eternas com minha esposa, que pensa de forma bem diferente de mim. O fato é que tenho agido dentro das expectativas dela. E enquanto ela está realizada com a vida que vem levando, diferente da que me fez acreditar que gostaria de viver ao meu lado, eu sou só frustração. Agora entendo que não posso continuar nesse caminho, porque na verdade, já parei. Preciso fazer mudanças em minha vida, profundas transformações. Estou vivendo, há muitos anos, o que escolheram que eu vivesse, não o que eu próprio escolhi. Estou tão perdido ainda...
Acho que acabei de encontrar um caminho. Sei agora um pouco mais sobre mim mesmo. Falta ainda iniciar a jornada com outro rumo.



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René Descartes: Penso, Logo Existo - Citado por Penélope Charmosa

De há muito tinha notado que, pelo que respeita à conduta, é necessário algumas vezes seguir como indubitáveis opiniões que sabemos serem muito incertas (...). Mas, agora que resolvera dedicar-me apenas à descoberta da verdade, pensei que era necessário proceder exatamente ao contrário, e rejeitar, como absolutamente falso, tudo aquilo em que pudesse imaginar a menor dúvida, a fim de ver se, após isso, não ficaria qualquer coisa nas minhas opiniões que fosse inteiramente indubitável.
Assim, porque os nossos sentidos nos enganam algumas vezes, eu quis supor que nada há que seja tal como eles o fazem imaginar. E porque há homens que se enganam ao raciocinar, até nos mais simples temas de geometria, e neles cometem paralogismos, rejeitei como falsas, visto estar sujeito a enganar-me como qualquer outro, todas as razões de que até então me servira nas demonstrações. Finalmente, considerando que os pensamentos que temos quando acordados nos podem ocorrer também quando dormimos, sem que neste caso nenhum seja verdadeiro, resolvi supor que tudo o que até então encontrara acolhimento no meu espírito não era mais verdadeiro que as ilusões dos meus sonhos. Mas, logo em seguida, notei que, enquanto assim queria pensar que tudo era falso, eu, que assim o pensava, necessariamente era alguma coisa. E notando esta verdade: eu penso, logo existo, era tão firme e tão certa que todas as extravagantes suposições dos céticos seriam impotentes para a abalar, julguei que a podia aceitar, sem escrúpulo, para primeiro princípio da filosofia que procurava.



In “Discurso sobre o Método”.
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terça-feira, 4 de março de 2014

Contato com o Sagrado - por Alba Vieira

Como anda a nossa relação com o sagrado? O que consideramos sagrado? Ultimamente tem sido imperioso fazer essa conexão. Porque, na verdade, estamos tão esvaziados daquilo que é transcendente que nem conseguimos alcançar esta dimensão do nosso ser. Quando o homem se rendia à natureza, louvava os deuses e ouvia a sua intuição, contava com recursos muito mais poderosos do que toda esta tecnologia que, hoje, algumas vezes lhe cria mais problemas do que facilita a sua vida. Ouso dizer que precisamos resgatar estes valores, viver o espiritual, o místico, o sagrado. Temos que nos dirigir ao ser de luz que realmente somos. Só assim será possível vencer os medos, derrubar as defesas que tanto nos impedem e desabrochar para viver a tão sonhada paz.



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sábado, 1 de fevereiro de 2014

sexta-feira, 31 de janeiro de 2014

Teorias e Amor - por Raquel Aiuendi

Qualquer visão holística pode preparar para uma construção de inclusão e a inclusão é um conceito que só pode se tornar completo na prática quando ciente de que livre-arbítrio não é voltar-se contra Deus ou a Criação ou a Lógica, esse conceito (inclusão) só pode se realizar de maneira definitiva quando se sabe que livre-arbítrio é, na verdade, a iniciativa de complementação dentro de uma lógica pré-pós-estabelecida (do contrário, livre-arbítrio designaria abertura para o desmanche). O processo de inclusão é sempre um processo que segue a dinâmica da construção e reconstrução constantes, conceitos-questionamentos-reconceitos... assim por aí.
Descobrir-se pequeno num processo de lógica (seja eco, psico etc.) é notar-se imprescindível numa intrincada cadeia cuja base sempre serão os “pequenos”, por isso dadas suas imprescindibilidades. O simples sempre refletirá a verdade do complexo. Voltar-se ao simples sempre é mergulhar na “mágica”, no mistério profundo do “elaborado”, é resultar problemáticas, incógnitas encontrarem soluções. Onde amar é ato simples, também irrevogável; mas é tão complexo o movimento amar, embora simples de ser reconhecido quando presenciado. O mais simples e valioso dos tesouros é o mais intrincado processo de lógica, obviamente por isso Deus veio à Terra, aos humanos, na forma de irmão mostrar-lhes o mistério dos mistérios, a lógica da Lógica, a singeleza da simplicidade: o AMOR.
Por isso, não há inclusão sem lógica.
Pequeno e grande são conceitos de graduação não inerentes à natureza: quando um vírus ataca um organismo sua grandeza se evidencia. Onde coexistência, onde inclusão. Amar equivale a coexistir, a natureza vive seu livre-arbítrio do equilíbrio, vive a lógica na Lógica: o AMOR, mesmo sem saber.
O que diferencia o ser humano é a consciência. Quando humano o livre-arbítrio transforma-se em livre-desequilíbrio e ele pensa arbitrar não somente sobre si mesmo e sim sobre mecanismos que existem, e só existem, para que ele próprio possa ter uma existência sustentável, ao invés de compreendê-los e interagir coerentemente.
O Amor é lógica que vem em fórmulas variadas, lógica que se adapta a DNAs infinitos: não é matemática e nem física, pois estas estão também sujeitas à lógica e o Amor é a lógica da Lógica. Não é disciplina, é disciplinador, é a verdade da origem e do retorno, condição sine qua non de imortalidade e de ressurreição.
Amor pode ser NÃO SER MOR, mas também pode ser PARA SER MOR.
Amor é princípio e fim para o qual fomos criados e através do qual tornados filhos do Criador. Partida e Chegada, o próprio Deus é pelo Amor, é por essa lógica, como ele próprio se apresentou ao humano.
Não há amor sem ser e não se pode ser sem amor. Quem não amor, não é. Quem sim amor, se faz ser. Ser é, portanto, ato constante de fazer-se ser.
Amor é a expressão do infinito, constante, incondicional equilíbrio. Onde Bem e Mal se anulam para serem Amor. Sem despojamento o amor não se faz presente, o amor=equilíbrio é a lógica da impassionalidade do ego humano. Onde passionalidades, não Amor.
Amor não é doutrina, é em si mesmo verdade, onde verdade=equilíbrio, sustentabilidade.
Qualquer lógica (eco, psico, filo etc.) submete-se ao Amor para que exista. Não submissão em conceito de degradação, mas pelo inverso disso (conceito de inclusão e valoração).
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quarta-feira, 22 de janeiro de 2014

Pesadelo e Sonho - por Raquel Aiuendi

Se o horror, o crime e os absurdos cometidos sobre essa terra em cadeia de humanos sobre humanos não têm cor, raça e razão; também o Amor é para todos independente de cor, raça e razão. O Amor é a causa das soluções e suas fórmulas; dignifica e transforma; edifica e amplia; o Amor é em si a Razão da lógica, sem o Amor não há lógica e a Lógica vai sempre se apresentar pela Razão do Amor.
Sobre quantos cadáveres, vítimas de horrores, a humanidade vai continuar a erguer-destruir-erguer nações? Vítimas, populações infinitas de vidas, que em nada contribuíram para a barbaridade contra elas... esse cemitério há de ser, um dia, se já não está acontecendo, a ‘areia movediça’ que irá engolir a podridão.
A dor dos horrores há sempre de ser o empecilho da evolução humana? Avançar em sustentabilidade através da inteligência-amor é mais difícil que a promoção em moto-contínuo de dor e consciência-dor?
Horrores são horrores. Para as vítimas, como todos o sabemos; e, também, para seus patrocinadores e agentes diretos (todos não dormem e, se dormem, têm pesadelos – o peso deles).
A humanidade se arrasta em pesadelos desde séculos a perder de vista; dissemina a doença plantada em sua existência e cultivada por indivíduos ao longo de todos os processos “civilizatórios”.
A pré-história ainda é; com diferença dos rótulos, mas a alma da humanidade se entrega à permanência consciente do estado pré-histórico. A alma da humanidade se aprisiona ao estado latente e se deixa manipular utilizando instintos de ferocidade e medo que distancia de outro estado latente de Paz e usufruto, de Amor e sustentabilidade.
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domingo, 15 de dezembro de 2013

Friedrich Nietzsche e a Moral do Agir - Citado por Penélope Charmosa

Não acusamos a Natureza de imoral, se ela nos manda uma trovoada e nos molha: porque chamamos imoral à pessoa que prejudica? Porque, aqui, admitimos uma vontade livre exercendo-se arbitrariamente; ali, uma necessidade. Mas essa distinção é um erro. E mais: nem em todas as circunstâncias chamamos “imoral” mesmo ao ato de lesar com intenção; por exemplo, mata-se deliberadamente um mosquito, sem hesitação, apenas porque o seu zumbido nos desagrada, castiga-se com intenção o criminoso e inflige-se-lhe sofrimento, para nos protegermos a nós e à sociedade. No primeiro caso, é o indivíduo que, para se manter ou até para não se expor a um desagrado, faz sofrer intencionalmente; no segundo, é o Estado. Toda a moral aceita que se faça mal de propósito, em legítima defesa: ou seja, quando se trata da conservação de si próprio! Mas estes dois pontos de vista bastam para explicar todas as más ações cometidas por seres humanos contra seres humanos: ou se quer prazer para si ou se quer evitar desprazer; em qualquer dos sentidos, trata-se sempre da conservação de si próprio. Sócrates e Platão também têm razão: seja o que for que o homem faça, ele faz sempre o bem, isto é, aquilo que lhe parece bom (útil), consoante o grau da sua inteligência, consoante a respectiva medida da sua racionalidade.



In “Humano, Demasiado Humano”.
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sábado, 7 de dezembro de 2013

Ana Hatherly, Ambiguidade e Ação - Citada por Penélope Charmosa

A Mentira é a recriação de uma Verdade. O mentiroso cria ou recria. Ou recreia. A fronteira entre estas duas palavras é tênue e delicada. Mas as fronteiras entre as palavras são todas tênues e delicadas.
Entre a recriação e o recreio assenta todo o jogo. O que não quer dizer que o jogo resulta sempre. Resulte seja o que for ou do que for.
A Ambiguidade é a Arte do Suspenso. Tudo o que está suspenso suspende ou equilibra. Ou instabiliza. Mas tudo é instável ou está suspenso.
Pelo menos ainda.
Ainda é uma questão de tempo. Tudo depende da noção de tempo ou duração ou extensão. A aceleração do tempo pode traduzir-se pela imobilidade, pois que a imobilidade pode traduzir-se por um máximo de aceleração ou um mínimo de extensão: aceleração tão grande que já não se veja o movimento ou o espaço ou a duração.
Tudo está sempre a destruir tudo. Ou qualquer coisa. Ou alguém. Mas estamos sempre a destruir tudo ou qualquer coisa. Ou alguém.
Os construtores demolem. No lugar onde estava o sopro, pormos pedras ou palavras: sinônimo de construção. Ou destruição. Ou ação.



In “O Mestre”.
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sexta-feira, 29 de novembro de 2013

Alfred Montapert, Pensamento e Ação - Citado por Penélope Charmosa

O movimento não é progresso, assim como a atividade não é realização. O esquilo na sua gaiola rotativa faz movimento e mostra atividade sem chegar a parte alguma. Quem se deixa ir ao sabor das ondas pode ter grande atividade mas mover-se para trás. A sua energia pode dissipar-se, como o vapor de água no espaço vazio, se falar demais sobre os seus planos. Seja um executor, não um falador.
Pense, sim, mas não divague até outra pessoa pensar, resolver e agir. O homem que tem de ser convencido a agir antes de entrar em atividade não é um homem de ação... tem de agir conforme respira. Proceda como se fosse impossível falhar. Só as suas ações determinam e mostram o seu valor. Se ficar recostado e quieto vendo o mundo passar - o mundo passa mesmo. Não há nenhuma força do destino a planejar a vida dos homens. O que nos sucede, de bom ou de mau, é quase sempre o resultado da nossa ação ou da falta dela. A ação é a base de qualquer realização.



In “A Suprema Filosofia do Homem”.
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