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Eróticos.)




quinta-feira, 14 de janeiro de 2010

Ser Homem Não é Fácil... - por Gio

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Quando falei em “mundo feminista”, recebi muitos contra-argumentos (fico contente de não ter recebido xingamentos, só argumentações) de mulheres que discordavam, sendo que quase todos eles se baseavam em 3 pilares: salto alto, menstruação e arrumação. Em resumo, a mensagem que tentaram me passar foi “Conseguimos esses direitos, porque a vida de mulher é mais difícil. Nós merecemos mais!”. Permitam-me discordar.

Ninguém sabe ao certo a origem do salto alto, mas os primeiros a usar foram homens de baixa estatura, que queriam demonstrar imponência e poder. O salto foi adotado pelas mulheres por vontade própria, para realçar suas formas. Mulher que usa salto, é por vontade própria – ou determinação de uma chefe mulher. Gostamos? Sim, mas isso é consequência, e não causa.

Menstruação, gravidez e derivados são atributos da natureza característicos das mulheres. Elas passam por coisas que não passamos, mas nós também temos desvantagens biológicas (muitas derivadas de vantagens). Mulheres merecem crédito por isso... Mas os homens não? O homem moderno tem que saber lidar com a TPM da mãe, da esposa, da irmã e da filha. O homem moderno faz as vontades da gestante que tem o ritmo de vida diminuído, e acompanha a mãe que está de folga, enquanto ele volta ao batente depois de uma semana – e divide as tarefas de cuidar do bebê.

Quanto à arrumação, faz muito tempo que homem não pode ser desleixado. Homem tem que ter barba feita ou aparada, unhas feitas, ser perfumado, bem arrumado, pontual, inteligente, bom de papo-beijo-cama, sem barriga e de preferência sarado. As exigências aumentaram tanto que o antes tão importante romantismo acabou ficando para escanteio. O homem tem que se arrumar, se preparar, estar perfeito, ser um cavalheiro, e ir buscar a dama – tudo isso em dez minutos. Tudo isso para esperar os 50 minutos restantes da arrumação feminina.


O meu ponto principal – que talvez eu não tenha salientado como deveria – é que as mulheres lutaram não por uma transformação total, mas por uma agregação de direitos. O que se vê em muitos casos não é uma mulher que quis passar da antiga dona-de-casa para a mulher moderna, mas sim uma mulher que quis conquistar direitos novos, evitar os deveres que deveriam vir acompanhando, e ainda manter os direitos que a mulher antiga tinha.

Mulheres lutaram tanto para trabalhar, mais ainda acham irracionalmente que o homem é que tem que pagar as contas; mulheres lutaram pela independência, mas elas mesmas difamam as poucas que tentam tomar a iniciativa nas relações; mulheres lutaram pela igualdade no mercado de trabalho, mas ainda se utilizam de técnicas de sedução para conseguir facilidades; mulheres lutaram tanto para retirar o estigma de “sexo frágil”, mas recorrem a ele sempre que julgam necessário ou oportuno.


Mas o que mais me impressiona é ter que ouvir que, apesar de tudo isso, a vida da mulher não é nada fácil. Ser homem é moleza. Queria ver um homem ficar na pele de uma mulher durante uma semana. Pois bem, eu dou dois... quem sabe três dias para uma mulher ficar na pele de um homem.

Os homens naturalmente têm uma estrutura corporal mais forte, então o trabalho pesado sobra para nós. Trabalho braçal, cansativo, resistência: é nessa hora que o “sexo frágil” é reativado. Nós furamos, carregamos, subimos no telhado, pintamos debaixo do sol. Desculpem o sarcasmo, mas é realmente muito difícil ser uma mulher quando se tem que usar um salto alto para subir na mesa e pular enquanto corremos atrás do rato. E as poucas mulheres que fazem o trabalho pesado não falam que vida de homem é fácil.

O tempo passou, as coisas mudaram, mas ainda temos que ser o suporte emocional da família. A base sólida. A rocha. Devemos ser sensíveis, mas só no sentido de sermos compreensivos e ouvintes. Não podemos sacudir, não podemos estremecer, não podemos chorar. Nosso dever é estar sempre ali, inabaláveis, para que a mulher possa cair e ter onde se apoiar. Instintivamente, é o que toda mulher quer.

Há um concorrente bem forte para a gravidez: o serviço militar. Troque o exame acompanhado do marido pelo exame médico de admissão: digamos que ficar de roupas íntimas no inverno, junto com alguns desconhecidos e na frente de 5 militares e um médico, para falar (e provar o que se falou) sobre doenças pubianas não é uma festa. Troque os 9 meses de cólicas e contrações por 10 meses de reclusão: em vez do apoio da família, tem-se a pressão psicológica e humilhação pelos superiores; em vez do repouso, tem-se trabalho árduo e remuneração baixa; em vez de dores ocasionais, tem-se 12 horas por dia de sacrifício; e nem se pode pedir para o sargento sair no meio da madrugada buscar aquele doce que deu vontade de comer.

A exigência dos homens é virtualmente maior, isso é fato. Mulheres têm mais liberdade para serem, estarem, sentirem e demonstrarem. Homens têm a postura, os atos, o comportamento e todo o resto julgado, tanto por outros homens, quanto pelas mulheres. “Andar na linha” é uma expressão de uso exclusivamente direcionado ao público masculino.


Não somos melhores ou piores – somos apenas diferentes. E temos que respeitar essas diferenças, e parar de forçar a barra para anulá-las (principalmente se for de um lado só). Homens e mulheres são assim: opostos, únicos, mas seres que se necessitam, se completam. E todos nós nascemos dessa união, não é mesmo?
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Visitem Gio
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Estou Lendo... - por Alba Vieira

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O Corpo Onírico, de Arnold Mindell
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E você? Que livro está lendo?
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Augusto dos Anjos e “A Noite” - Citado por Penélope Charmosa

A nebulosidade ameaçadora
Tolda o éter, mancha a gleba, agride os rios
E urde amplas teias de carvões sombrios
No ar que álacre e radiante, há instantes, fora.

A água transubstancia-se. A onda estoura
Na negridão do oceano e entre os navios
Troa bárbara zoada de ais bravios,
Extraordinariamente atordoadora.

À custódia do anímico registro
A planetária escuridão se anexa...
Somente, iguais a espiões que acordam cedo,

Ficam brilhando com fulgor sinistro
Dentro da treva onímoda e complexa
Os olhos fundos dos que estão com medo!
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