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(Aviso: Os textos em amarelo pertencem à categoria
Eróticos.)




domingo, 24 de outubro de 2010

O Duelos Voltou! - por Alba Vieira

Dia de sol radiante,
Prenúncio de felicidade.
Acordei cantarolando e
Pedalei pela cidade.

Qual não foi minha surpresa
Ao ver na telinha outra vez
Sim, era o Duelos, com certeza
Voltando a bombar em português.

Que falta que ele fazia!
Como era bom acessar
As notícias dos amigos
Nas composições a expressar.

Rendo homenagens a Shintoni,
Cujo trabalho é magistral.
Que possa estar sempre por aqui
Porque o Duelos pra nós é fundamental.

Obrigada pelo trabalho e dedicação
Que sabemos, é enorme...
Mas vale demais sua devoção,
Pois semente boa nunca morre.
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Visitem Alba Vieira
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Tempo - por Marília Abduani

Provo o mel da tua boca
Orvalho
molha o meu corpo e o teu.
Sou como a onda que bate
nas pedras tantas dos rios.
Sou seu mais novo brinquedo
que o tempo inda não comeu.
O tempo passa voando
e nunca espera por nós.
Quem dormiu não viu o tempo
cruzando a vida veloz.
Acordo a luz dos teus olhos
navalha,
corta o meu corpo do teu.
Eu sou a sereia que canta
os tantos segredos frágeis
que brotam dos sonhos meus.
O tempo passa voando,
bem rente ao meu coração.
Ah, tempo, que tempo sobra
pra dar tempo ao teu perdão?
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Corrida - por Leo Santos

Farei um poema, qual, inda não fiz,
e será um buquê, pra te regalar;
nele, além de linda, te verei feliz
pois meu sonho tu irás sonhar…

Meu anelo será um porto
onde ancorará tua esperança;
o cais, meus braços, teu conforto
o repouso terno do teu sono criança.

O que a vida te negou nos idos
e árida de alma, nem ousas sonhar;
terás, por minhas mãos oferecido,
surpresa ditosa, tardio realizar…

Uma flor mais bela que aparenta
subjaz à ternura que te proponho;
onde a alma repousa, nem sonho acalenta
pois estar, já será viver um sonho…

Na corrida pela raia olímpica do amor,
passaremos o bastão do revezamento;
ao lado passará outro corredor,
enquanto sairemos, vitoriosos do evento…
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Visitem Leo Santos
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É um Pássaro? É um Avião? Não... - por Ninguém Envolvente

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Pense em uma pessoa com 3 graus de miopia, olhando para o céu em um dia ensolarado e vendo um objeto voador não identificado. Este objeto vai baixando e se aproximando, o míope se desespera e começa a gritar “Ai meu Deus, está caindo outro Boeing!”... Então o objeto se aproxima e baixa mais chocando-se contra o prédio vizinho e após perceber que se trata de um corpo estranho pequeno demais para ser um Boeing, o míope pensa que é um baita urubu. E fica penalizado ao ver que a ave morreu de forma tão estúpida.
Bateu no prédio porque cansou de voar? Erro de cálculo? Pegou uma má corrente de ar?
Só Deus sabe...
Após ver a triste cena, o míope fica paralisado na janela, só observando, quando então uma lufada de vento “ressuscita” o urubu e ele voa novamente. Subindo... lentamente, até chegar na janela em que o míope triste se encontra e ele então nota algo escrito na ave “Econ supermercados”. Não sabe se ri por não ter sido um urubu ou se chora pela cena patética que ele propiciou a si mesmo confundindo uma sacola de supermercado com um urubu ou até mesmo um 737.
A míope no caso, sou eu. Mas o pior mesmo, foi quando estive em um parque e me aproximei cautelosamente de um pássaro para fotografá-lo e quando cheguei um metro próximo dele, vi que era mesmo um passarinho, porém de madeira e muito bem chumbado ao chão. Ou então a inesquecível vez que tirei foto de um cara vestido estranhamente e só no visor da câmera notei que era um espantalho!

Vou por a foto do meu amigo espantalho... E também a visão de um olho com 3 graus de miopia comparada ao olho normal!
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Bonitão, né? Pena que não tem nada na cabeça...
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Silêncio Estratégico - por Gio

Durante uma barulhenta aula de Química no ensino médio, aonde a maior parte do barulho vem de conversas paralelas (e não de discussões sobre a matéria, como deveria ser), você está empolgado discutindo sobre o comportamento dos seus colegas de aula, e se envolve de tal maneira no assunto que nem percebe o sinal da professora para todos se calarem. E muito menos a entrada da diretora na sala, motivo pelo pedido de silêncio. Na mesma hora que o “seminário” cessa, a única voz que se escuta é a sua, dizendo que “aquela Janaína é mesmo uma vagabunda”.

Melhor a Janaína ter faltado hoje.


Você está em um restaurante com música ambiente, o que normalmente seria bom. Acontece que o músico do violão-e-voz é tão ruim, mas tão ruim, que você está quase pedindo couvert para ouvi-lo. O pessoal da sua mesa resolve ignorar a música ambiente por esse motivo, mas nem por isso o violonista deixa de ser o foco das atenções. Uns lincham, outros têm pena, e os últimos se detêm a rir e reclamar da porção de fritas que nunca chega. Quando você resolve dar seu parecer, coincidentemente a música termina. “Se eu fosse esse cara, tinha vergonha de cantar em público”.

Bom, acho que não é só ele que deveria ter vergonha...


Mesa de bar. Mesa de bar é um lugar onde os papos voam de um território a outro em jatos expressos, mas fazendo o maior número de escalas possíveis. Vai de novela das oito a pelos pubianos em segundos, passando pela crise econômica, métodos de parto e quem tem o direito de usar sunga na praia. O maior perigo aqui reside nos assuntos paralelos, quando eles se cruzam. O assunto do grupo A cai em filmes eróticos, enquanto circula um catálogo de cosméticos que alimenta a conversa do grupo B. Quando acontece um pequeno momento de silêncio no grupo A, ouve-se alguém do grupo B dizendo:

- Levei três anos para descobrir que era um tubo de condicionador.


No meio da balada, aquele abafamento característico que te faz gastar a consumação só para não cair por desidratação, o improvável acontece: falta luz. Sem ventilação, tudo fica pior; e, sem música e sem luz, ficar naquela aglomeração melada a suor não faz sentido algum. O burburinho começa, desde pessoas reclamando do incidente até vítimas indignadas de quem se aproveitou da situação. O zum-zum-zum vai aumentando, até que a luz volta de repente, e tudo cessa... Exceto pelo seu amigo semi-alcoolizado, que subiu em uma mesa, e acaba de gritar “Vamos tocar fogo no lugar”.

Espero que os seguranças sejam legais com ele.


Silêncios constrangedores, frases das quais o autor vai se arrepender eternamente de ter proferido. Conclusões memoráveis, frases fora de contexto, comentários desnecessários. Acontecem quando você menos espera, e com mais frequência que você imagina. Se você diz que nunca passou por isso, é melhor se preocupar: ou é um ser fora dos padrões, ou já passou e simplesmente não notou. Alguma dúvida de qual é a mais provável?
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Visitem Gio
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Beija-flor - por Alba Vieira

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Um beija-flor dança no ar suspenso em alegria.
Toca de leve as flores coloridas e perfumadas,
Desenhando caminhos de intensa energia
Para os olhos que veem na alvorada.
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Visitem Alba Vieira...........
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.Pintura “Suavidade”, de Alba Vieira.
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Millôr Fernandes e “O Socorro” - Citado por Penélope Charmosa

Ele foi cavando, foi cavando, cavando, pois sua profissão - coveiro - era cavar. Mas, de repente, na distração do ofício que amava, percebeu que cavara demais. Tentou sair da cova e não conseguiu. Levantou o olhar para cima e viu que, sozinho, não conseguiria sair. Gritou. Ninguém atendeu. Gritou mais forte. Ninguém veio. Enlouqueceu de gritar, cansou de esbravejar, desistiu com a noite. Sentou-se no fundo da cova, desesperado.
A noite chegou, subiu, fez-se o silêncio das horas tardas. Bateu o frio da madrugada e, na noite escura, não se ouvia mais um som humano, embora o cemitério estivesse cheio dos pipilos e coaxares naturais dos matos. Só pouco depois da meia-noite é que lá vieram uns passos. Deitado no fundo da cova o coveiro gritou. Os passos se aproximaram. Uma cabeça ébria apareceu lá em cima, perguntou o que havia:
- “O que é que há?”
O coveiro então gritou, desesperado:
- “Tire-me daqui, por favor. Estou com um frio terrível!”
- “Mas coitado!” - condoeu-se o bêbado. - “Tem toda razão de estar com frio. Alguém tirou a terra toda de cima de você, meu pobre mortinho!”
E, pegando na pá, encheu-a de terra e pôs-se a cobri-lo cuidadosamente.

Moral: Nos momentos graves é preciso verificar muito bem para quem se apela.
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In “Pif-Paf”.
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Virose - por Fatinha

Querido Brógui:

Depois de mais de um ano dando olé nas “viroses”, baixei no estaleiro. Por que viroses entre aspas? Porque agora, quando os médicos não sabem o que você tem, classificam a pereba de virose. Essa denominação serve para de um tudo, desde piriri até unha encravada, passando pela dor de cabeça e acabando na sensação de ter sido atropelada por um caminhão desgovernado.
Minha pediatra (pode parar de rir, eu tenho uma pediatra, tá?) diz que os médicos que estão saindo agora das faculdades não sabem nada. Ela diz que escolhe pela idade. Só serve médico velho. Já tem a listinha dela preparada, daqueles conhecidos, mas quando surge uma necessidade de algum profissional diferente, ela liga pro consultório e pergunta quantos anos tem o médico. Menos de cinquenta anos, nem pensar. Com cinquenta anos de idade, ao menos o cara tem uns vinte de profissão. Já é alguma coisa. Eu concordo com ela, trocando apenas o adjetivo “velho” por “antigo na praça” ou “experiente”.
Há alguns milênios atrás, a moda era stress. Eu ia para o médico, com uma baita infecção na garganta e ele perguntava: “Você está estressada?”. Ia mostrar uma irritação na pele e vinha a mesma pergunta. Ia tratar de uma anemia, a mesma coisa. Naquele período, eu já entrava no consultório dizendo que minha vida estava muito bem, obrigada, e que não estava sofrendo de nenhum distúrbio psicossomático.
Depois da moda do stress, veio a moda da alergia. Tudo tinha fundo alérgico. Fiquei preocupadíssima, a ponto de pensar que tinha alergia a mim mesma. Fiz testes alérgicos aos montes e, no último deles, quando peguei o resultado, uma amiga me disse, ainda no elevador, que eu tinha que viver numa bolha de plástico, que nem aquele personagem do John Travolta naquele filme. Lembra? “O rapaz na bolha de plástico”? Um dos micos que esse grande ator pagou antes de ser resgatado das profundezas do ostracismo pelo Tarantino e ir fazer “Pulp Fiction”. Não lembra? Não viu? Nem era nascido? Tudo bem, não perdeu nada mesmo.
Ano passado, depois de duas semanas bombardeada, de cama, achando que não iria sobreviver, fui à emergência de um hospital. Fiquei ho-ras esperando. Acho que eles deixam o cabra esperando na emergência para ter certeza de que é emergência mesmo, porque se não for, ele se levanta e vai pra casa (ou pro cemitério). Menos um pra atender.
Nesse dia, a médica me atendeu, disse que eu tinha tido não apenas uma virose, mas três. Isso mesmo. Emendei uma na outra, apresentando sintomas diferentes. Disse também que eu aparentemente estava com uma crise alérgica. Perguntou ainda se eu estava passando por um momento de muito stress.
Saí de lá com a certeza de que a moça estava atirando pra tudo o que era lado. Não tinha como errar. Ou era virose, ou alergia, ou “pobrema de neuvos”.
De lá pra cá, nunca mais fiquei doente daquele jeito e atribuo isso às doses diárias de Targifor C. Quem receitou? Minha pediatra, lógico.
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Postado, originalmente, em 23/10/2008.
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Visitem Fatinha
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Memórias de um Ex-Seminarista (Parte XX) - por Paulo Chinelate

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FÉRIAS… MAS QUE FÉRIAS!?
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Seis meses me separaram dos familiares desde a última vez que os vi. Muita coisa nova me esperava. Vovô Joanim já não se encontrava mais conosco. Sua morte foi-me participada havia dois meses e só agora o fato teve relevância. Ao visitar vovó Lídia, a viúva, pude observar o vácuo deixado por ele. Homem simples, de fácil se dar, me adotara como seu colega de pescaria. Andávamos longos trechos pelos trilhos da Central do Brasil que margeava o Rio Paraibuna e íamos buscar, em pesqueiros “secretos”, os petiscos do jantar. Agora o vazio.

Meus irmãos cresceram como nunca e exceto por um detalhe interessante, a cada vez que em casa me aportava, tinha a sensação de tudo em casa estar diminuto. A moradia como que se encolhera.

A novidade mais importante foi a inauguração de uma casa bem vizinha à nossa. Era uma construção nova pertencente ao Conjunto JK , no local exato onde antes ficava pequena lagoa, objeto das minhas peraltices infantis.

A saudade do local de velhas lembranças, no entanto, logo se esvaiu. Uma figura está sendo a responsável por isso. O nome dela é Mercedes. Longos cabelos, negros e lisos. Mal pude ainda observar seus olhos. É moda os cabelos estarem caídos pelo rosto, qual burka natural. É linda. Tem a minha idade. Filha de numerosa prole, sendo uma das caçulas. Já frequenta nossa casa, amiga de minha irmã Conceição. Tão logo aqui cheguei veio se apresentar e conhecer o vizinho “padre”. Desde então me vi perdido em sensações e pensamentos nunca dantes experimentados. Algo como fogo ardente queima-me por inteiro. Sinto-me estranho. Muito diferente do que sinto por meus pais, irmãos e amigos.

Nunca foi tão gostoso ir à missa. Voltar junto com o grupo onde ela estava ela era divinamente agradável.

Minha irmã, como soer deve acontecer com algumas mulheres, alcovitando, facilitava os encontros e reencontros. Meus pais, na santa inocência, tinham tudo como muito normal.

O pior é que o tempo dispara justo quando as coisas são boas e favoráveis. Os vinte dias das férias sumiram como por encanto.

Retornando à lide clausural já não tenho mais outros que não pensamentos a Juiz de Fora. Não me seguram mais razões outras que dantes me fixaram tão longe dos meus.

Tudo me parece estranho. As luzes e os verdes deste lugar já não brilham nem colorem mais como dantes .

Iniciou-se o segundo período escolar do ano letivo com as atividades pertinentes. Como “terapia ocupacional” qualquer esforço pareceu-me inútil. Por muitas vezes estou sendo chamado à atenção às aulas. Estou sempre no mundo da Lua. “Lua com cabelos compridos e olhos escondidos”.

Fui chamado a uma reunião particular com o Irmão Reitor. Não imaginava a que se atinha tal encontro. Os resultados escolares do mês em andamento ainda não tinham sido recolhidos. Seria ainda o assunto do cigarro nos bastidores do teatro?

Dia seguinte e após os afazeres matinais, preces e faxinas, sou convocado à tal reunião. Estou mais ansioso que apreensivo. Adentro o gabinete austero do Reitor. Sou convidado a sentar-me e ficar aguardando alguns instantes enquanto o mestre assina uns papéis.

Finalmente, após ler uma ficha que detivera à parte, inicia a conversa perguntando como estou. Respondo-lhe que “bem”. Dá uma espiadela na ficha que, certamente, agora tinha eu convicção, era minha. Diz querer saber o motivo de minhas preocupações atuais, ao que respondo evasivamente, e com sinceridade: “nenhuma”.

Perguntou-me como foram as férias, como encontrara a família, que locais eu visitara e quem eu conhecera.

Sempre fui muito sincero. A lição que papai mais evidenciou foi a de que nunca mentisse, fosse em que oportunidade fosse. Abri-me, pois, ao caro superior como sempre o fiz com papai.

O mestre me olhou com carinho e compreensão. Fez-me ver que o que sentia não era pecaminoso ou errado. Muitos que ao seminário chegavam, depois de algum tempo acordavam para outros sentimentos que não o do celibato e da reclusão. No entanto, convida-me à oração e reflexão. Que permanecesse ainda o restante do ano em observação. Deixasse o tempo passar. Ao final do período em nova conversa decidiríamos, os dois, o melhor caminho a tomar.

Os dias foram rolando, devagar como carroça ladeira acima.

Agosto chegou e não deixei que terminasse. Pedi nova reunião. E expus minha vontade de partir.

Não houve oposição. Foi como se já se esperasse por este resultado. Só foi pedido tempo para uma troca de correspondência entre a Direção e papai.

Os valores necessários para a viagem chegaram com a resposta de papai.

Não obtive, como praxe, oportunidade para despedidas. Não podia ser o motivo ou estímulo a outras deserções. Muito menos pelos motivos supostamente aventados.

Voltei para o “mundo” no dia 5 de setembro de 1964.

Comigo acompanharam valores imensos. Dos Maristas tive a oportunidade de não só ter crescido como cristão, mas como verdadeiro cidadão, esta última virtude inseparável da primeira.

Não imaginava, no entanto, quanta influência teriam estes pouco menos de cinco anos em toda minha existência.
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Convite - por Maurício Limeira

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Giuseppe Ghiaroni e o “Poema da Máquina de Escrever” - por Adir Vieira

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Mãe, se eu morrer de um repentino mal,
vende meus bens a bem dos meus credores:
a fantasia de festivas cores
que usei no derradeiro Carnaval.
Vende esse rádio que ganhei de prêmio
por um concurso num jornal do povo,
e aquele terno novo, ou quase novo,
com poucas manchas de café boêmio.
Vende também meus óculos antigos
que me davam uns ares inocentes.
Já não precisarei de duas lentes
para enxergar os corações amigos.
Vende, além das gravatas,
do chapéu, meus sapatos rangentes.
Sem ruído é mais provável que eu alcance o Céu
e logre penetrar despercebido.
Vende meu dente de ouro.
O Paraíso requer apenas a expressão do olhar.
Já não precisarei do meu sorriso
para um outro sorriso me enganar.
Vende meus olhos a um brechó qualquer
que os guarde numa loja poeirenta,
reluzindo na sombra pardacenta,
refletindo um semblante de mulher.
Vende tudo, ao findar a minha sorte,
libertando minha alma pensativa
para ninguém chorar a minha morte
sem realmente desejar que eu viva.
Pode vender meu próprio leito
e roupa para pagar àqueles a quem devo.
Sim, vende tudo, minha mãe,
mas poupa esta caduca máquina em que escrevo.
Mas poupa a minha amiga de horas mortas,
de teclas bambas, tique-taque incerto.
De ano em ano, manda-a ao conserto
e unta de azeite as suas peças tortas.
Vende todas as grandes pequenezas
que eram meu humílimo tesouro, mas não!
ainda que ofereçam ouro,
não venda o meu filtro de tristezas!
Quanta vez esta máquina afugenta
meus fantasmas da dúvida e do mal,
ela que é minha rude ferramenta,
o meu doce instrumento musical...
Bate rangendo, numa espécie de asma,
mas cada vez que bate é um grão de trigo.
Quando eu morrer, quem a levar consigo
há de levar consigo o meu fantasma.
Pois será para ela uma tortura sentir
nas bambas teclas solitárias
um bando de dez unhas usurárias
a datilografar uma fatura.
Deixa-a morrer também quando eu morrer;
deixa-a calar numa quietude extrema,
à espera do meu último poema
que as palavras não dão para fazer.
Conserva-a, minha mãe, no velho lar,
conservando os meus íntimos instantes,
e, nas noites de lua, não te espantes
quando as teclas baterem devagar.
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Visitem Adir Vieira
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Poesia Reflete a Alma - por Tércio Sthal

Do poeta e do mundo,
reflete, da vida, a calma,
e o abismo mais profundo,
a amplitude do cosmo
e o nada que o desarma.
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.............................................FotoPoesia
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(Sem Título) - (Anônimo)

Desejar luz imerso em treva
é acalentar o não quando sim
é dor que chega e versa
exigindo muito de mim.

É ter que lembrar de fé
quando derrotado se está
já esquecido de quem é
sem ter mais porque lutar

desejar que tudo se esgote
então enfim descansar
mas dor comigo não pode
desejo é me levantar

E quando erguida estiver
após a enxurrada do mal
recomece algo qualquer
pra ter a luz afinal.
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Sorte - por vestivermelho

Cresci ouvindo falar que chinelos ou sapatos virados com a sola para cima davam azar, tanto que sempre que vejo algum calçado virado tenho que desvirá-lo, mesmo sabendo que isto é pura superstição sem sentido.

Pés de coelho e ferraduras dão sorte?

Mas o que falar então da arruda...
Será o cheiro ou suas folhas meigas?
Azar ou sorte...

Tudo que acontece pode ser sorte ou azar. Depende do que vem depois. O que parece azar num momento, pode ser sorte no futuro.

Melhor nem comentar dos jogos...

Somente sei que tenho muita sorte ou azar... Oh, dúvida cruel!...
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Inspirado em Sortes, de Ana.
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Mutantis - por Ana

Ver uma estrela cadente
Encontrar um grande amor
Perdoar antes da morte
Na mega sena milhões
Sobreviver a acidente
Nascer em família feliz...

São coisas que vêm pra gente
- A cada um uma sorte -
Mudam tudo num repente
De formas tão diferentes...

Esperança, herança, dor,
Fé, sobrevida, grilhões,
Destino, filho, fuzis...
Bisturis que dão o corte.

Fatos que redefinem
A direção da estrada,
Sentimentos que permitem
Uma outra caminhada.

E a vida, tão mutável,
Não nos deixa acomodar
Naquilo que é bom ou ruim,
Está sempre a conclamar
Os homens p’ra novos sentidos
Que temos que acompanhar.
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