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(Aviso: Os textos em amarelo pertencem à categoria
Eróticos.)




sábado, 5 de setembro de 2009

Eu, Hein, Gio! - por Ana

(Paródia de “Eu, Hein, Rosa!”, de João Nogueira e Paulo César Pinheiro)


Eu, hein, Gio!
Se manca,
Segura essa banca
Inescrupulosa!
Eu, hein, Gio!
O seu jogo é na retranca!
A área é muito perigosa?

Você parece que nem lembra mais
De tempos atrás:
A tua figura era vergonhosa!
E eu atendi,
Parodiando sem ferir,
A quem hoje me
Agride tanto assim...
Mas eu nem me abalo:
Você vai cair do cavalo
Antes de encostar em mim!

Eu, hein, Gio!
Descansa,
Porque a contradança
É mais audaciosa!
Eu, hein, Gio!
Apelar pra ignorância
É uma coisa indecorosa!

Acho que estou é gastando demais
As linhas versais...
Você não merece nem verso nem prosa!
E pra resumir,
Faço questão de conferir
Se se quebra ou não
Um vaso ruim.
Saia no pinote,
Senão vai ser de camarote
Que eu vou assistir seu fim!
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Resposta a Sozinha, de Gio.
Referência a R-Evolução, de Gio.
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As Nossas Palavras XXIII - por Alba Vieira

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A beleza pode abrir portas, somente quando a virtude entra também.



Visitem Alba Vieira
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A Viagem Durante o Sono - por Adir Vieira

Hoje acordei indolente como só.
Não sei o que me deu, talvez a quantidade de doces que eu comi na véspera tenha feito com que acordasse quase de duas em duas horas para ir ao banheiro.
Embora automaticamente voltasse a dormir, acho que o sono não foi reparador. Também, com tantas interrompidas...
Acho que essa noite minha alma não pode viajar sossegada pelos caminhos de flores que, habitualmente, está acostumada a percorrer.
Aliás, essa é uma questão polêmica quando a coloco em discussão com os amigos.
Alguns creem verdadeiramente nessa possibilidade, mas outros, quase na mesma proporção, acham que eu estou surtando quando nisso falo.
Não importa a qualidade cultural do amigo, nem tampouco se é cético ou não, mas percebo que todos abominam o fato de durante a noite nossa alma ter a condição de deixar o corpo e viajar de encontro a vidas já vividas.
Confesso que eu mesma, durante grande parte de minha vida, ficava arrepiada só de ouvir o assunto, mas hoje, com tantas experiências, não vejo outra razão para explicar a calma na manhã seguinte à noite que quase não nos deixou dormir com um problema “cabeludo”.
Como explicar nossa mudança de humor diante de uma situação complicada, logo ao acordarmos?
Como explicar aquela sensação de perfeito bem-estar, sem ter motivo aparente, se quando deitamos a cabeça latejava de tanta preocupação?
Com certeza, não foi só o fato de termos descansado...
Não sei não, mas acredito firmemente nessa viagem e sei que, lá, “alguém” nos auxilia...



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Para Uma Amiga - por Daisy

Teu coração generoso
nos abrigava.
Todas nós.
Teus conselhos pertinentes
nos dirigiam.
Todas nós.
Tuas palavras carinhosas
nos confortavam.
Todas nós.
Tua alegria autêntica
nos contagiava.
Todas nós.
Tua fortaleza constante
nos inspirava.
Todas nós.
Vais fazer muita falta, amiga,
nem imaginas quanta!
Sabemos que estarás enfeitando
tua nova morada,
tão bela flor que és!
Amaryllis.

Adeus,
Daisy




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Cansei-me Daqui - por Leandro M. de Oliveira

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Acontece que estou cansado de inventar coisas que não tenho, de tentar doutrinar em fé que não creio. Quero a espiritualidade do corpo em carne viva, o riso fácil, o ímpeto livre, a comida desregrada. Quero acordar de noite e dormir de dia, andar entre homens apagados como quem caminha em estrelas.

Maldito seja!
Maldito seja!

Quem roubou minhas certezas? Tudo parecia bem enquanto boiava naquele caos, e agora vens a mim como um homem santo. Dê-me cá esse seu deus, vamos enterrar nossos mortos, dê-me todos os seus deuses, messias, arcanjos e demônios. Como quero aniquilá-los! Bem-vindo à época da não inocência. Eu fui aquele que subiu a montanha durante a treva, velei enquanto todos dormiam. No regresso, ofertei meu coração aos homens e aos seus ídolos, tive de vê-lo se partir em mil enquanto as bestas famintas tentavam devorá-lo, intragável, muito acre, mesmo para uma besta. Confiei nos que estavam ao meu redor, não obtive mais que correntes e desenganos. Com uma mão me ofereciam com tantas outras me esvaziavam. É hora de batizar com fogo! Deus, me faça um Deus! Mas eu não sou Deus, eu não sou homem; eu não sou ninguém. Muito embora isso, ainda posso cismar. E é o mínimo que se outorga a um ser desperto em alta noite, ter a própria consciência, ainda que isso o entregue ao abandono. Não tenho pai, mãe, irmãos ou amigos, às vezes ocorre que não tenho a mim mesmo. É essa a última catarse, deixar-se ao abandono.

Não sei!
Não sei!
Mil vezes, Não sei!

Por que violentar o silêncio em sítios de meditação? Cala-te língua traiçoeira! A noite avança e a lua não veio, cala-te depressa. Quem mo dera uma tumba sem lápide, e eu teria a graça dos animais que passam, mas a memória ambiciona em silêncio. Vocês me entretiveram aqui, agora a lama soterra minhas pernas e tronco, como voltar pra casa? Tenho as mãos livres e a cabeça atada, tenho o sol do dia e a perversão em cada célula. O galo canta, o céu se anuvia. Uma menina perde a virgindade, uma mulher perde a vida, o mundo caminha sem sentido como houvesse harmonia na desordem. E eu me sinto insólito e sinto no existir uma lida tresloucada. Onde está o taberneiro, quero em mim a mãe de todas as carraspanas, contudo ergo a taça, não há vinho. Certa vez ouvi dizer, Dionísio perecera no último inverno. Vamos homem! Avante; se ainda há tempo.



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O “Ragamofe” - por Luiz de Almeida Neto

É, meus amigos, hoje entraremos em um território pouco explorado. Suspeito eu se tratar talvez até da prática de um crime, ou coisa assim. O fato é que de todo jeito o artista, superando seus delírios momentâneos, conseguiu superar seu estado de alucinação e nos trazer uma verdadeira pérola, rica em detalhes sobre seus distúrbios, e que, portanto, faz o texto ser analisado agora.
O fato é que o compositor da música em apreço acabou por ingerir uma “mistura”, que tem bom sabor, mas que faz a pessoa “pirar”, nos termos usados por ele próprio, possivelmente alguém que colocou em sua bebida para alterar seu estado nervoso normal e fazer sabe Deus o quê com a vítima. É um crime comum, mas o que há de raro aqui é que, no momento em que estava em estado de alucinação, inclusive a pensar que era uma “baratinha”, o artista não se rendeu à substância e, ao invés disso, resolveu sentar-se e escrever um relato sobre a droga que lhe vitimara. Vejamos:

“Música: Baratinha.
Artista: Banda Requebra

Sou baratinha e a rapa chegando outra vez
Trazendo o ragamofe e a suinguera também
Mistura gostosa faz você pirar
Sacode a galera faz o povo delirar
Vai
Rebola Bola eu quero ver você dançar
Rebola Bola e vamos todos balançar
Rebola Bola e dá uma paradinha assim
Rebola Bola e vem em câmera lenta para mim
Aperte o botão para a musica andar
Jogando as mãos para frente....”

Como o próprio poeta mostra, a “mistura” faz o povo “delirar”, “pirar”, e ainda não está aí tudo. A substância psicotrópica, infelizmente desconhecida, traz consigo, além de uma “suingueira”, um objeto esquisito, nunca dantes avistado nos anais da História moderna, que o autor denomina “ragamofe”, este objeto vem, vem, e dá ao alucinado a impressão de que as pessoas estão se sacudindo, ele vai, segue, desesperado, num problema disléxico causado pela droga, instando as pessoas a bolar e rebolar, balançar, querendo que as pessoas passem a movimentos mais graciosos, porque do delírio de onde ele as avista elas estão a se sacudir, se debater, é uma visão estarrecedora.
Ele não aguenta em alguns momentos, e em uma fraqueza ele chega a pedir que as pessoas parem, ou que ao menos sigam em slow motion, vejamos, in verbis: “Rebola Bola e dá uma paradinha assim / Rebola Bola e vem em câmera lenta para mim”. O “ragamofe”, que ele infelizmente não conseguiu descrever em detalhes, judia do rapaz, e faz, inclusive, ele querer apertar algum botão imaginário, não consegue perceber a música em seu curso normal, pensa que ela está parada, e pensa que o supramencionado botão teria o condão de dar andamento ao espetáculo, em dados momentos ele quer até jogar suas mãos para a frente. Olhe, é uma tristeza, mas, o pior, é que não se esqueçam que ele acredita ser uma baratinha, e mesmo assim acha que conseguirá fazer uso de membros tipicamente humanos, pensem bem: uma barata jogando braços para frente, ou até tentando apertar um botão. Nossa! Eu não consigo visualizar a crueldade desta substância.
O “ragamofe” depois retorna com força total. E aí é uma tristeza, porque ele começa a vê-lo em todos os lugares, e fica tentando capturá-lo para extirpá-lo de sua vida. Vejamos um outro trecho:

“Olha o ragamofe é
Se liga na parada
Olha o ragamofe é
Eu quero ver a mulherada
Olha o ragamofe é
Se liga na parada
Olha o ragamofe é
Eu quero ver a mulherada”

É claro que o que ele quer ver é a “mulherada”, pois, apesar de se considerar momentaneamente no reino dos animais, ele não abandona seus instintos oficiais, só que o “ragamofe” fica aparecendo, causando distúrbios, e atraindo sua atenção. Quero que constem desta análise literária o sacrifício e a abnegação deste artista, pois, mesmo vitimado por um engodo que lhe fez ingerir tão monstruosa substância, ele consegue, apesar dos delírios, focar na composição de uma obra de arte de valor instrutivo, para que as pessoas venham a perceber seu drama, que, em última análise, qualquer um de nós poderia vir a sofrer, ser enganado e começar a ver um “ragamofe”, é uma coisa triste. Cuidado, pessoal, com as companhias. E ainda piora, vejam só.
O “ragamofe” começa a atirar coisas nele, e ele começa a sentir pancadas, é uma barata sofrendo com agressões de um objeto inimaginável, e em intervalos curtíssimos de apenas dois segundos. O que nos mostra que a droga ingerida tem também uma carga de dor física. Sintam só:

“Um dois jogou bateu
Um dois jogou bateu
Um dois jogou bateu
Um dois jogou bateu”

E assim ele seguirá, até que o efeito deste alucinógeno, que tanto mexe com o inconsciente das pessoas, venha a perder seus efeitos. Lamentável.



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