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segunda-feira, 10 de junho de 2013

quarta-feira, 13 de fevereiro de 2013

Deserto - por InEx TrEe FaLLs


Não há palavras
Nem duelos
Nem segredos
 
O silêncio
Impera
Ordenando
Devaneios
 
Num castelo
distante
Reina um solitário
Louco

 

quinta-feira, 10 de janeiro de 2013

Saudade - por InEx TrEe FaLLs


Fecho a porta secreta
Indecisa
Querendo ficar
 
Instigo contendas
Falo palavrão
Crio personagens
 
Já não me reconheço
 
Escrevo para me encontrar
 
Me escondo por trás das palavras
E vivo querendo um sentido
 
Se a música acabou
Se a Alba viajou
Não sei
Sei que o silêncio
É vento que sopra
Sibilante
Querendo falar
 
Na verdade nunca houve duelo
A ideia do Blog é poética
Nos intiga exercicio e leitura
Tornando pública
Todas as linhas
Que nos direciona
 
Desafiemos vocábulos
Com questionamentos
Arte e senso crítico
 
Que 2013 seja uma ano
De muitas inspirações

 

quarta-feira, 9 de janeiro de 2013

Vista Cansada - por InEx TrEe FaLLs


Devo fechar os olhos
Tenho a vista cansada
O nariz entupido
A cabeça pesada

Não sei falar inglês
Quero ir à....
Meu português
É uma piada

Devo fechar os olhos
Para o silêncio duelante
Afinal ninguém aqui
Me dirige a literária palavra

Não sou poeta
Faço rimas pobres
E as converto em gorgetas

Devo-lhe um real a menos



.
.

terça-feira, 8 de janeiro de 2013

Espelho - por InEx TrEe FaLLs


Reflete na ausência
Aquela imagem
O sim da resposta
O não da exclamação

Para o tempo
Não há medida

Os ponteiros
Indicam

Bússola
RotAção

É o reflexo no espelho
A medida na balança
O relógio e seus ponteiros

Dor rompendo ao recém-nascer
Entre o despedir-se da alma
Que um dia morreu criança

Ou simplesmente envelhece



 
 
 

A Transformação do Anel - por InEx TrEe FaLLs


Por dois anos uma lacuna
À preencher liberdade

Desconheço a arte do ourives
Mas reconheço valores

A paz que é símbolo
É também desejo

Toda ruptura
Toda abstinência
É um rasgar-se
Por inteiro




O ouro daquela aliança
Desgastou-se em desuso

Desde o ínicio
Apertava-me o dedo

Na mão esquerda
Uma jóia é o que há

O ourives transformou o metal
Me pediu a mão
E disse
Exibindo a pérola em sotaque hispânico

- Anular
 
 

sábado, 5 de janeiro de 2013

Hibridismo.com - por InEx TrEe FaLLs


Consoante por consoante
Vogal por vogal
Edificam palavras
Traçam-lhe o sentido
Pontuando-lhes o fim


Mas há final

Quem as extendeu
No varal da lembrança
Em pleno temporal

Devem ter retornado
Cobrando silêncio
Ou um minuto

Até certo ponto
consagrado

 

segunda-feira, 31 de dezembro de 2012

Desconstruindo o Ritmo - por InEx TrEe FaLLs


Há no teto da tua riqueza
Um tatame para pisar
Força o vento sua natureza
Máquina por desligar

Calendas de maio
Cruz na parede
Porta aberta
CorPO tem sede

Há no ritmo uma identidade
Há no espaço os dançarinos
Desafiam autoridades
Evoé peregrinos

Projeções?
Passos por ensaiar?
Cada um no seu ritmo
Balançamos o que convém
No mais?
É melhor dançar

Desafiam os fios
No suor por inteiro
E o corPO sacode

O leve CAbelo

Se atire ao chão
Sangrando sentidos
Que a boa vibração
Esteja sempre contigo
 



 

domingo, 30 de dezembro de 2012

Aquele ponto e Aquela Ponte

Muros erguidos, pontes, continentes, fronteiras... desconhecemos a transitoriedade da alma. Estamos expostos e ao mesmo tempo escondidos. Ou será que apenas um de nós se esconde?

Quero falar e não consigo encontrar o tempo exato, sinto que as palavras soam fragmentadas e divago assustada... a intensidade dos fatos  é a  medida que preenche  o diafragma. Respiro profundamente, como alguém que cava um poço. Por vezes me dói um simples suspiro. Evapora a tua voz na minha pele tingida pelos raios daquele sol acima de qualquer nuvem.

Sobrevivo ao deserto que ecoa a tua presença sob o pretexto da miragem. Há um oásis longe da civilização. É no deserto que habito. Tu és o estrangeiro que invade minha morada. Os camelos estão longe daqui de qualquer modo a batalha está travada.
 Ó estrangeiro, recordai da árvore que finca suas raízes no deserto. Ide com o vento, lançai os grãos para bem longe daqui. Mas se por acaso relutares, direi que tudo não passou de um delírio.
Apesar de toda clareza, vultos se amontoam. Ou a consciência me parece cega, ou nunca percebi o que está além da visão.
20/12/2012

INcertezas


Tens o manto da incerteza
O adorno da ilusão
O sopro de uma vida inteira
O dom da inspiração

 Há sempre uma imagem
Um reflexo no espelho
Uma ideia selvagem
Um segredo corriqueiro

 

SATURNINO DEZEMBRO DE 2012

- Boa noite, gostaria de agendar consultas para o mês de janeiro. Me foge o nome da psicóloga... sei que o sobrenome é dos Anjos.
- Boa noite, senhora, tem em mãos o código de cliente e guia autorizada?
- Sim.
Balbuciou desanimada: só falta a estrela
- Perdão, senhora, não ouvi a ultima frase.
- Que frase?
- A senhora falou que tinha a guia e faltava algo, não compreendi exatamente, mas escutei que faltava alguma coisa. É que a senhora falou de um modo que não deu para ouvir bem.
- Perdão, como se chamas?
- Saturnino senhora
- Saturnino?
Rui sem a menor preocupação diante da formalidade do atendimento que a entediava ainda mais. Estava cansada, passou o dia cuidando dos afazeres domésticos e sobretudo do filho de 4 anos que se recuperava de uma otite.
Era aproximadamente 23h quando sentou para agendar as consultas mensais. Em seguida daria continuidade a rotina de estudos planejado com certa expectativa. Estava tensa, cansada dos incansáveis telefonemas e agendamentos médicos. Cercada por pessoas que viviam suas vidinhas sem poesia, pessoas do outro lado da linha, do outro lado da tela, do outro lado na multidão. Pessoas que iam e viam ao encontro da menina dos olhos que se perdia na solidão.  Finalmente descontraiu, mais uma zombaria do destino... o nome do tal atendente tinha que remeter a um planeta? Logo ela que vivia no mundo da lua... Pelo visto a estrela era mesmo inalcançável...
- Desculpe senhor, Sat, não consigo conter o riso, mas qual é mesmo o seu sobrenome?
- Saturnino senhora.
- Ok e o primeiro nome
- Getúlio
- Getúlio? Um tanto quanto patriótico, Get. Seus pais são mais devotos da era Vargas ou da espacial? Desculpe a brincadeira tenho que descontrair tive um dia cansativo
- Não se preocupe senhora estou aqui para atendê-la, fico feliz que esteja de bom humor.
- Imagino que lidar com o publico exige muita psicologia, se surpreende que eu esteja de bom humor?
- Sim, a maioria das pessoas que entram em contato com a central de agendamentos são breves e em alguns casos estressadas .
- Sinto muito em saber que tens que lidar com tais situações, logo o senhor que é tão educado
- Não se preocupe senhora, na maioria das vezes finalizamos o dialogo com a sensação de termos feito mais um amigo
- Amigo? Consideras o nosso dialogo como sendo o inicio de uma amizade? Amizade descartável o senhor que dizer rsrs.
- Senhora Júlia, qual é mesmo o seu sobrenome?
- Serafim e não me venha com o trocadilho interrogativo, senhor Saturnino.  À propósito o sobrenome da psicóloga é dos anjos, e é tudo que lembro.
- Verificarei a agenda de janeiro, Julia Serafim. Desculpe perguntar há quanto tempo a senhora é paciente?  Só mais um momento, por favor. Ah, doutora Mara dos Anjos.
- Que diabos, como fui esquecer um nome assim... Mara? Ah, quer saber essa historia de nome e sobrenome me inspirou.  Devo escrever algo sobre a nossa conversa e o fato de não ter mencionado o esforço que faço para ouvir sua voz distante. Deve ser por causa do sistema.
- Sistema?
- Sim, o sistema solar rsrs. Desculpe, perco o amigo, mas não perco a piada.
- Senhora Júlia?
- Pode falar, por acaso o senhor não viu um cometa? Ah me desculpe, de repente me senti tão descontraída. Ok, vou me conter.
- Tudo bem, Júlia. Nesse horário são raros os agendamentos.
- É Saturnino, só os insones resolvem trabalhar ou agendar consultas. E olhe que tenho um plano de estudos para iniciar assim que desligar. Correria essa vida...
- Sei como é, tenho dois empregos.
- Suponho que a energia que lhe sobra é por que lhe falta a mulher da sua vida.
- Mulheres...
- Homens...
- A senhora é casada, tem namorado etc?
- Hahaha que vingativo. Ok, sou divorciada e pode me chamar de irmã. Meu marido agora é a disputa por um bom emprego (agente da polícia federal).
- Nada como um dia após o outro.
- Pois é e por falar nisso teria vaga para janeiro?
- De emprego ?  (em tom irreverente) brincadeira (risos). Pode ser em fevereiro?
- Ok pode agendar, quando é mesmo o carnaval? Por favor marque para depois, por favor.
- Posso agendar para o dia 8?
- Sim e é uma pena ter que desligar depois de finalmente marcarmos. Podemos manter contato? Quero te mostrar o que posteriormente escrever, afinal você me inspirou?
- Pode deixar que eu retorno.
- Ok, fico no aguardo, Batman. Beijos.
Após verificar o cadastro, uma súbitacuriosidade despertara. Tinham quase a mesma idade. Ela era de julho e ele de dezembro. Moravam em bairros distantes. Ambos eram divorciados. Perguntou a si mesmo o que levaria aquela mulher, que ria de tudo, a procurar um psicólogo. Teria sido por causa do divórcio ou será que sofria  algum tipo de distúrbio? Será que também se consultava com psiquiatras? Diante do dilema ético e profissional, a curiosidade foi maior e tocou do outro lado...
- Olá, esta me ouvindo melhor agora?
- Saturnino, você me ligou mesmo?
- Sim e também gosto de escrever. Escrevo reflexões. A ligação está melhor? Te ligo do celular.
O diálogo se deu com naturalidade e é sabido que havia um tom muito agradável entre eles. Quando já estavam prestes a se despedirem, Júlia perguntou:
- Ei, saturnino, mudando de assunto gostas de carnaval?
- Um pouco e você?
- Das fantasias, é uma pena que haja tanta m...lícia.
- Escutei uma interferência e não pude te ouvir bem. Você falou milícia?
- Milícia é o que mais falta, quis dizer malícia mesmo.
 É incrível como uma única vogal muda completamente o sentido da palavra.


 
 
 

quarta-feira, 14 de novembro de 2012

Proposta Nacionalista - por InEx TrEe FaLLs

Atenção poetas Brasileiros
Ou estrangeiros que adotaram a nação
Proponho um duelo cancioneiro
Cantemos vitória a CPI do mensalão

Justiça seja feita
Justiça ao que se faz
Isadora Faber
Sabe mais

Enquanto alguns são incriminados
Outros são julgados e absolvidos

Se as evidências apontam falhas
Se dizemos que políticos são bandidos
Certamente nos falta liderança
Nos candidatemos ao cargo referido

Façamos um pacto em prol da educação
E sobretudo senso crítico
Nem tudo que está na cueca é dolar
Nem todo sistema de saúde é raquítico

O que nos falta é incentivo educacional
O que nos sobra?
Que seja posto em pratos limpos!
.
.

segunda-feira, 12 de novembro de 2012

INterna - por InEx TrEe FaLLs



Somos farpas de matéria

Somos o sentido contrário

O sentido númerico

Aquele que não se conta

Binário em segredo

Espaço entre o centenário



Confesso receio pelas dezenas

Sobrevivi a colisão de um auto

Entre o impacto da emoção

Recorto o cenário - retrato



Laboratório de imagens

Revelação em fatos

Vivemos entre fios

E vasos
 
 

A Prima de Hipócrates - por InEx TrEe FaLLs

A prima de Hipócrates

Psicodelia noctívaga, é domingo e o comércio está fechado. A segunda vindoura anuncia a rotina e mais uma semana que rompe o céu desbotado de um período chuvoso. Pensou nos desabrigados. As águas de um canal invadiram o grande centro comercial afetando a economia. Na sexta-feira do dia seis de maio escutou no recinto que o shopping seria fechado. Pessoas apressadas, receio de alagamento, enchente e aquela maré de gente. Era véspera de segunda...

Amanhecia, com a mesma intensidade que enxergava cores celestes . Pássaros a deslizar por entre nuvens. Apesar de nublado havia luz resplandecente. No céu a distante cor de suco alaranjado e sabor de algodão doce. Nuvens remetiam-lhe ao cheiro pueiril de um tempo remoto. Insone, Sonia, divagava entre a realidade e a fantasia. Foi quando uma folha desbotada caiu tocando-lhe os pés. Sentia-se ridícula, Quando foi a última vez que foi gentil com alguém de verdade? Desprezou a folha com indiferença no olhar. Sonia, já não sonhava. Por mais que tenha se dedicado como pesquisadora, a síndrome de Aycardi era um pesadelo. Culpava-se pelo passado.

Aquela mulher, outrora cientista, cuja epiderme fora tocada por uma folha que da natureza se desprendia, sentia no organismo a reação. A negativa, de um tipo sanguineo, respondia-lhe a experiência. Cobaia de um experimento de risco, tinha nas veias a doença e não o antidoto. Ninguém sabia ao certo o que aquele ser ocultava. Tampouco ela teria respostas. Restavam poucos dias para o derradeiro fim e a folha continuava no chão, até que ao cair uma outra, algo a sensibilizou impulsionando-a a olhar para a leveza daquela matéria desprendida.

Dominada por uma súbita esperança procurou por outras e viu nas anotações um cálculo até então despercebido. Seria a fórmula da cura? Quanto tempo de residência hospitalar e lágrimas abafadas por ter nas mãos o instrumento e não a cura. A imagem daquela criança fragilizada atordoava seus pensamentos. Por mais que estudasse a síndrome de Aycardi não compreendia.... enquanto uns lutavam para sobreviver outros pensavam simplesmente em morrer. Envergonhou-se ao lembrar do passado funesto. Quando jovem, rebelou-se afastando-se de tudo e de todos sobretudo de si mesma. Optou por caminhos que conduziam ao vício, ao suicídio da alma e consequentemente tornou-se alvo de desprezo. Desprezando a si mesma já nem lembrava das violências sofridas ou cometidas.

Sônia desistiu de sonhar quando se entregou à perigosas tentações. Arriscava-se entorpecida sem esperança alguma de mudar. O que a motivou a estudar medicina possivelmente foi o juramento feito a Hipócrates que por ironia viu morrer portador da tal síndrome. Seu primo, cujo nome remetia ao pai da medicina, não tinha forças para andar ou falar, mas enquanto viveu comunicou-se com o olhar e o exemplo de vida que só o amor de uma família pode acalentar. A paciência nem sempre é um dom, constatou Sonia, a paciência é um exercício por mim adiado. E pacientemente segurou a folha levantando-a como se pudesse enxergar naquela desbotada existência a transparência que tanto queria vislumbrar. Enquanto as horas passavam, exercitava a paciência. Guardou dentro de um livro a parte que se desenvolve no caule e nos ramos dos vegetais. Depois de tal episódio, inesplicavelmente caiu. A solitária taciturna tombou, possivelmente enfeitiçada, visto que sonhou plantando oníricas raízes cujo fruto era a resposta e também a cura.
 
 

domingo, 11 de novembro de 2012

Nossas Almas Pianísticas- por InEx TrEe FaLLs



Façamos um pacto poético

Casemo-nos no imaginário

Tu és o vento eu sou a folha

Amor sacudido no invisível



Celebraremos a inspiração

O nascimento de um poema

Nossa essência fecundada

No ventre da expressão



Nossas almas pianísticas

Sétima letra segregada

Notas musicais em sol maior

Na ponta dos dedos tatuada



No web mundo da fantasia

Despimo-nos da matéria

Somos a etérea aliança

Casemo-nos com a poesia


.
.

sábado, 10 de novembro de 2012

Eco Liebertário - por InEx TrEe FaLLs

 


@@ @..........@@@
@@@@@.......@@@@@
@@@@@@....@@@@@@
Os dias silenciados já se foram
Anuncio o texto que não escrevi
Quem sabe o que está esconso@
Na poesia encontrei e me perdi
@@@@@@@@@@@@@@
@Todo sentimento banido@
@@Retorna libertário @@
@Todo texto e contexto
@@Ecoa literário@
@@@@@@@
@@@@@
@@@@
@@
@
.
.

Mas - por InEx TrEe FaLLs


 

000
00000
00000
000
Desfere logo o golpe
Discarrega sobre mim
Balas, cinzas, pólvoras
Chega de ameaças
Toma o que resta
E a réstia se esvai
Junto com a alma
De meros mortais
Vejo a mortalha
Longinqua vida
Observo animais
Desconhecemos
Somos seres
Somos bons
Somos más
Somos vida
Morte, vento
E o quê mais

Réstar...

As Escadas do Terceiro Andar - por InEx TrEe FaLLs

.

Tenho que descer para sair. Tenho que subir para chegar. Há de.graus em todo pe.r.curso, do térreo ao terceiro andar. Nem sempre me apoio para subí-los ou desce-los. Passo a maior parte do tempo entre as quatro paredes do apart.amento.Deito-me na varanda transpondo o concreto elevo aos céus o pensamento, me falta um telescópio.

As escadas permanecem no abstrato de alguma exposição cultural que desconheço. Subo, deço e desconheço.... ando sem saber em qual andar....

Em qual andar daquele prédio tu habitas, sombra de minha imaginação? Asas voadoras tocaram a tela quando escrevi imaginação. Seria outra mariposa? Sei que seguiu em direção ao corre.dor. Estou no quarto do terceiro andar esperando meu filho acordar. Escrevendo qualquer coisa que possa cogitar enquanto as horas não me cobram a responsabilidade de viver ou deva.near.

A ficção se mistura, o pensamento ficou em algum dos três andares, nas janelas ou outros ares. Já não me despeço, sou a própria sombra do ambiente e de todos os lugares que pre.enchem o mar da minha mente que mergulha no próprio ser na tentava de encontrar a própria alma, afogada em imaginações de algum com.portamento. Fechei a porta, quero me deitar no chão sem me importar com as roupas que não pendurei no cabide ou mosquitos e morcegos que entram pela janela. Quero me deitar, sem permitir que o medo se torne sonoro como os passos que escuto de alguém subindo ou descendo escadas. Fecharei os olhos para o receio que domina veias, mente e artérias.

E quando abrí-los hei de enxergar a realidade sem o telescópio que eu tanto quis e assim sendo que eu possa me conformar. O céu continua suspenso, me perco em tal imensidão e ao mesmo tempo encontro nele uma outra dimensão.


Por Juliane Arruda
InEx TrEd FaLLs

http://100dversos.blogspot.com

Paçocas, Moedas e Estrada - por InEx TrEe FaLLs

Fumaça....

Hoje senti a fumaça se expandir, pairava no ar e ia de encontro a luz. Tinha nos braços o meu filho que não queria pisar no chão, ele queria que eu o levasse nos braços ou talvez quisesse um abraço, não sei. Só sei que refleti acerca do ar e da gravidade enquanto meu filho respirava aquilo. Alguns homens, garotos, crianças na calçada e aquele aroma de cigarro que se espalhava na atmosfera irônica de uma súbita crise de risos que duraram quase todo o percurso até que meu filho, diante do fiteiro, me pediu com seus grunhidos a pipoca apontada.

Não tardou para um ser desses que raramente se vê por ai, pois mais parecia personagem de desenho animado, olhar pra mim e repetir incansávelmente: paçoca, paçoca, paçoca....
Não pude negar-lhe a paçoca desejada e seguimos felizes. Eu por ele caminhar até certo ponto sem pedir colo e me aliviar o peso da coluna que quase sempre me tomba. Mas o percurso anterior foi longo, tive que deixá-lo caminhar aos prantos e berros até que a obstinada alma de minha alma compreendesse. Por algum momento ele compreendeu... o que foi parcialmente para mim uma vitória, mas não se pode contar vitória antes do tempo...

Pois bem, antes de chegarmos na parada procurei por todos os lados e nada daquela senhora injustiçada, aquela que sempre se encontra por lá, com seu cachimbo e as vezes saco de lixo. Ela não estava e lembrei que tinha uma dívida para com ela. Pois bem, as frutas foram proteladas, mas não estragarei meu compromisso devo a ela algumas frutas esverdeadas pelas palavras amareladas de um sorriso da mesma cor. No lugar da tal senhora estava um cidadão que não suporto muito, simplesmente não fui com a cara e o resto do jeito dele que mais parece uma piada e de tudo parece fazer maldosamente. Repudio as piadas maldosas, mas o que pude fazer senão escutá-las e dividir pipocas com o filho dele, recém saido de um interrogatório. Deus me perdoe, mas a criança é muito inquisidora. Tomara que o meu filho, cheagada a fase dos questionários acerca da vida, seja compreensivo e não busque meras palavras verbalizadas. Livros não me faltam, e mais terei se for necessário para auxiliar na criança o senso crítico.

Absorta em minha própria inquisição, eis que um cidadão desses saído de filmes como Clube da Luta, aparece e me fita (o que há de errado comigo, sou imã de tais personagens fugitivos do mundo onírico?). Pois bem, em cada mão um objeto. Na mão direita, uma garrafa de cola (não se trata de coca, e sim cola), substância que já inalei no passado funesto, e na esquerda o alimento que com as próprias mãos devorava. Trajava uma roupa suja tal qual os cabelos cujo aspecto confundia com a vaidade química do gel utilizado para fins pavoneantes na moioria dos casos. Não recordo como fez para guardar o dinheiro, sei que educadamente me pediu e já conformado com a recusa recuou, talvez por mencionar tirar algo do bolso e não da bolsa. Enfim, estendi-lhe um real de moeda do banco central e muito grato seguiu com as mãos e narinas ocupadas.

Quando digo que dinheiro é maldição para alguns não estou equivocada. Creio que não lançarei moedas nas mãos de criaturas como aquela. Melhor ter sempre uma frutinha guardada. Pensando bem pode ser que se tornem indigestas. Já não sei mais o que fazer. E diante do brusco movimento me vi perdida. Acompanhava aquela criatura com o olhar só pra ver se sumiria como um fantasma ou não. Me arrependi... pois a tragédia estava por vir. O coitado, não satisfeito com aquela moeda foi interpelar um senhor de boa aparência, sem saber que o tal, à paisana, era de mal/mau temperamento. Nem tive tempo de enxergar o sopapo que escutei e arremessou o infeliz da calçada para a pista. Áspera ambição que quase custou-lhe a vida.

Revoltado e sem compreender arremessou a comida, a cola e a moeda foi junto, maldita. Indignado o tal senhor aparentemente "educado" se viu possuído pelo ódio das profundezas daquele tecido que abrigava uma arma. Um revólver de pequeno porte para um policial que se portava de tal modo? E com punhos e arma imrpovisada o drogado reagiu correndo. Pessoas interpelaram até que perdi de vista os dois. Não tardou para o policial à paisana, caminhar rumo a parada do ônibus que se recusou a esperar e seguiu deixando apenas destroços do que foi um dia utensilho de para brisa. E eu nem havia percebido que o sujeito além da substância, da comida e maldita moeda, levava consigo o tal utensilho... em nada amortizou a brisa tempestuosa que soprou naquela tarde de 31 de janeiro de 2011 em plena avenida que se chama Estrada de Belém.

Jesus... para que lado caminha a humanidade? Me lembrarei do homem que pede por paçoca para ver se não enlouqueço, tamanha é a tr"isteza do meu ser.

. Visitem meu blog http://100dversos.blogspot.com
Por Juliane Arruda

terça-feira, 16 de outubro de 2012

Vídeo-poema e despedidas - por InEx TrEe FaLLs




Agradeço, aos responsáveis do blog,  pela oportunidade de divulgar um pouco do que me acalma... a escrita (que exerce tal poder na minha vida). 

No momento estou impossibilitada de acessar a internet. Assim que as coisas se normalizarem retorno para  ler novas postagens dos queridos autores do blog Duelos Literários e prosseguir em busca de novas palavras pacíficas... (d)escrevendo guerras e buscando estratégias de combate e trégua, tudo em nome da paz.

Para finalizar, um vídeo poema de minha autoria. Produzido por Taciana Oliveira que me presenteou com tal surpresa. O poema tem muito haver com o momento, compartilho o mesmo com vocês em nome do tempo (de esquecer o tempo... e o dia 18 do meu aniversário também rsrs).

Felicidades!