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(Aviso: Os textos em amarelo pertencem à categoria
Eróticos.)




quinta-feira, 6 de agosto de 2009

Chuva - por Gio

O produto de um pensativo início de madrugada...



Já que a chuva cai, me cai tão bem
Como a água vaza, mente vazia
Como a chuva rasa, que rasga o ar
Sempre procurando algum lugar

Já que o tempo cai, cai na rotina
Já que o tempo vai, sem vaidade
O tempo que arrasa, e tira as asas
De um sonho que voou alto demais

Quando a noite cai, o desespero
Cai como uma luva, leve brisa
E quando a noite vem, o vendaval
Leva tudo sem olhar pra trás

E sempre nessas horas, é que eu me lembro
Da chuva onde a gente se encontrou
Garoa à beira-mar, tão inocente, tão sincera
E essa tempestade se tornou
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Visitem Gio
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Roda-gigante - por Anita Bastos

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A intenção de postar imagens neste blog
é propiciar inspiração para textos referentes a elas.
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As Nossas Palavras XX - por Alba Vieira

O que será mais precioso nessa existência? Muitos dirão que é a saúde. Os mais afoitos gritarão que é o dinheiro. De que valerá o dinheiro se a saúde for perdida? Mas, se o dinheiro for perdido subitamente, também a saúde não será abalada? Dirão os mais sensatos: o que existe de mais importante é o caráter. Este sim nos valerá para lidarmos com a mudança que é a única certeza dessa vida, quando somos realmente testados, trazendo a sensação de tudo ou nada.



Visitem Alba Vieira
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De Novo a Gripe Suína - por Adir Vieira

Amanheci assistindo ao telejornal matinal na TV.
Meu marido, ainda na cama, sabe que não me incomoda e ao despertar liga a TV para, como de hábito, saber das novas notícias.
Já há mais de mês, as notícias são as mesmas e concluo que a Gripe Suína bateu o recorde.
Nem as notícias sobre a crise financeira povoou tantos informes.
O pior é que informações concretas não temos. O que nos deixam conhecer são os passos de “ensaio e erro” da área de saúde, na obtenção de conclusões sobre o que é a tal gripe e como se manifesta.
Não estou sendo radical e pude agora mesmo confirmar essa minha conclusão, pois com um toque no controle remoto vejo em outro canal de TV afirmações diversas da que estava ouvindo.
Pergunto-me onde ficam as pessoas que não têm acesso a meios mais elaborados de consulta para se protegerem.
Imagino que os mais sensíveis, com tanto alarde sobre o fato - e é claro que o povo tem que ficar alerta -, carreiam para si mesmos todos os sintomas. Alguns evidenciam que estão em perigo e assumem esse perigo dentro do seio familiar. O que fazer para não se impressionar? O que fazer para identificar corretamente os sintomas de uma gripe normal, tantas vezes já vivida?
No meio dessas minhas indagações, me percebo toda dolorida, com dificuldade para respirar e iniciando uma tosse seca...
Será impressão ou ela, a suína, já se instalou em mim?
Espero que não!



Visitem Adir Vieira
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J. R. R. Tolkien in “O Senhor dos Anéis” - por Ana

Destaco esta passagem de Tolkien aqui porque achei extremamente original e interessante a analogia que ele utilizou. Achei demais mesmo!



“Mas no momento em que falava, olhou para o leste e percebeu que daquele lado as colinas eram mais altas, e olhavam-nos de cima; e todas aquelas colinas estavam cobertas por montículos verdes, alguns deles com pedras fincadas, que apontavam para o céu como dentes afiados em gengivas verdes.”
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E você? Que passagem de que livro gostaria de deixar aqui?
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O Indelegável Poder de Escolher - por Jair Antônio Pauletto

Quando a emoção toma conta, a praticidade se perde. Essa é uma percepção comum para muitas pessoas, especialmente quando estão vivendo algum conflito emocional. Parece impossível conseguir manter a racionalidade diante de conflitos de ordem emocional. É como se essas duas realidades não pudessem conviver simultaneamente. Fazer escolhas sensatas e práticas não é fácil, nem mesmo quando não há envolvimento sentimental, mas é extremante mais difícil decidir corretamente sob efeito emocional. O ideal é que haja um equilíbrio entre razão e emoção para escolhermos, com maior praticidade, diante de situações complicadas que exigem muito do emocional, mesmo que pareça impossível.
Essa pode ser uma tarefa difícil, porém necessária, para que se possa chegar a uma solução adequada, uma vez que a carga química despejada em nosso organismo afeta diretamente nossas atitudes; no entanto, quando todos os distúrbios emocionais serenarem, devido ao término de tantos processos químicos, a razão retoma o seu espaço. No entanto, a razão, que costuma cobrar-nos por atitudes precipitadas ou indevidas, geralmente tomadas no momento de domínio do estresse emocional, se transforma num carrasco acusador, já que decisões tomadas na total ausência da razão e da racionalidade, geralmente, resultam em prejuízos ou arrependimentos que ficam nos pressionando negativamente e comprometendo a nossa tranquilidade.

A difícil tarefa de manter a racionalidade diante das questões emocionais é uma habilidade que precisa ser adquirida. Não se trata de ser “frio” ou alheio aos sentimentos, mas sim, de um fator importante para adquirir equilíbrio e maturidade. Frente a atitudes bem tomadas, conscientes, não existe a autocobrança, a punição interna ou a culpa que muitas vezes estão por trás da própria infelicidade. Atitudes precipitadas ou mal resolvidas geram um trauma difícil de superar que normalmente se arrastam por toda a vida, visto que também se mascaram com outras situações do cotidiano e acabam por reforçar deficiências, ou até mesmo agregam outras. Porém, a protelação de uma decisão pode ter um efeito muito mais devastador que o de decidir erradamente, mesmo não estando sob efeito emocional. Prolongar uma decisão gera muito desgaste, consome energia e rouba o sossego, enfim, tranca o fluxo da vida.

Toda escolha deve ser feita com base no próprio interior de forma que represente o todo e seja fruto do equilíbrio emocional, racional e orgânico. Decidir é um processo pessoal que precisa ser aprendido, pois o caminho resultará dessas escolhas. Não é fácil escolher quando se trata de nossas intimidades, nossos afetos, diferentemente que escolher uma roupa nova ou uma comida. As decisões que dizem respeito a causas importantes na vida são uma tarefa indelegável e imprescindível para o aprendizado. Ter consciência disso é o primeiro passo parar evitar a postergação. Saber que temos o direito, o poder e o dever de decidir o que queremos, bem como perceber que é impossível não assumir a responsabilidade pela própria vida, uma vez que não decidir também é uma decisão, são argumentos fundamentais e devem ser levados em conta para fazer escolhas serenas.

Abdicar de optar por aquilo que queremos é escolher que outros escolham por nós, mas sempre será uma escolha, já que a vida é feita de escolhas e é através delas que crescemos, nos experimentamos e aprendemos, portanto não devemos deixar de fazê-las. Abandonar algo que desejamos, mesmo sabendo ser infrutífero ou sem valor, por exemplo, é um tipo de escolha frequente e que causa grande sofrimento, porém trata-se de algo simplesmente necessário e muito frequente na vida, não por ser algo além do nosso merecimento, mas por tratar-se de uma provação que precisamos passar para amadurecermos e nos tornarmos mais fortes e confiantes.
Poucas vezes a vida nos coloca diante de decisões fáceis, até mesmo as que a princípio julgamos fáceis, como ao escolher o time do coração pela influência dos pais, mais tarde trará situações difíceis e até algum sofrimento ao nos defrontarmos com sucessivas derrotas. Digo isso para evidenciar que até mesmo escolhas que parecem inconsequentes podem gerar desdobramentos futuros imprevisíveis.

Diante disso, pode-se concluir que é inevitável não escolher e, mesmo sob estresse emocional ou em pleno equilíbrio, ao decidirmos, qualquer coisa que seja, estamos plantando fruto iremos colher e provar posteriormente, portanto, nada melhor que utilizar conscientemente este maravilhoso poder de poder escolher e crescer com este aprendizado. Boa semana.



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Bernard Schlitzingel Von Altrophten - por Luiz de Almeida Neto

Bernard Schlitzingel Von Altrophten nunca aceitou que fosse popularizado um apelido sequer sobre o seu nome. Nem sobre sua pessoa, diga-se de passagem. Sujeito de manias e costumes estritamente aprovados pelo Estado Austríaco, no qual ele aliás cria e admirava.
Por força de uma ou outra ocasião de vida se exaltava, mas em geral permanecia quase que sempre com uma cara fechada, carrancuda, com olhar de mau e pose de quem está sempre prestes a pular no seu pescoço. O temperamento era facilmente descrito como irritadiço e impaciente. Em suma, senhores, Bernard Schlitzingel Von Altrophten nunca nos faria uma visita aqui no Duelos.
Nem fazia visita a ninguém. Contentava-se com sua garrafa de uísque mais que reprimida na poltrona solitária de sua sala. E é lá que está ele agora.
Com uma roupa de gala, sua seriedade intacta, vivendo seu grande momento.
Ele já consegue visualizar, entre um gole e outro, seu filho admitindo o quanto sua educação e disciplina foram importantes, sua mulher a lhe implorar perdão pelo desquite, enquanto ele gentilmente a conforta, demonstrando toda sua honra.
Sua filha então se debulha em lágrimas, confessando que efetivamente pecara antes do casamento, e admitindo que ele realmente era um sujeito astuto, e que descobrira toda a farsa encenada entre ela e o então namorado, que agora encontram-se obrigatoriamente casados.
Tudo isso enquanto ele concede uma entrevista a um jornalista famoso, que sempre faz as perguntas certas, às quais ele responde sempre muito bem, e com muita eloquência, acerca de sua vida honrada e magnífica.
Enfim, 10 da noite. Bernard Schlitzingel Von Altrophten observa o relógio e constata que está enfim na hora da ceia de Natal, e percebe o quanto estivera distante, em um sonho. Em um sonho muito melhor que a realidade. Então, liga avisando ao filho que não irá, que está cansado e na hora de dormir. Como eu disse, ele não visita ninguém. Mas todos vão lá todas as noites prestar seu tributo a ele.



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Michel de Montaigne, Oscilação e Inconstância - Citado por Penélope Charmosa

Os que se exercitam a perscrutar as ações humanas, em coisa alguma se acham tão embaraçados como em conjugar umas com as outras e mostrá-las à mesma luz, pois comumente elas se contradizem entre si de modo tão estranho que parece impossível terem todas saído da mesma loja.
(...) Alguma razão parece haver no julgar um homem pelas mais comuns ações da sua vida, mas, atendendo à natural instabilidade dos nossos costumes e opiniões, amiúde se me tem afigurado que mesmo os bons autores erram ao obstinarem-se a conceberem-nos como um todo coerente e constante. Escolhem uma imagem global, segundo a qual classificam e interpretam todas as ações da personagem, e quando não as conseguem conformar a ela, atribuem-nas à dissimulação.
(...) O nosso procedimento habitual é seguir as inclinações do nosso desejo, para a esquerda, para a direita, para cima e para baixo, para onde quer que nos empurrem os ventos das circunstâncias. Não pensamos no que queremos senão no instante em que o queremos, e mudamos como o animal que adquire a cor do local onde o pousam. O que agora mesmo acabamos de projetar, em breve o viremos a alterar, e, pouco mais tarde, voltaremos sobre os nossos passos: tudo não é senão oscilação e inconstância.
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In “Ensaios - Da Inconstância das Nossas Ações”.
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