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(Aviso: Os textos em amarelo pertencem à categoria
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segunda-feira, 13 de julho de 2009

Seria Tão Bom... - por Adir Vieira

Seria bom se hoje ele não viesse.

Sinto que hoje quero dissociar-me de tudo e de todos e colocar o olhar atento apenas sobre mim, cuidando das minhas vontades e desejos pueris.
Seria tão bom se hoje ele não viesse...

Poderia esquecer horário, a preparação do ambiente, a escolha das roupas, o cuidado com os cabelos, o amansamento da fala e deixar correr o mundo, em volta de mim, como sou, sem a preocupação do agradar e do servir...
Seria tão bom se hoje ele não viesse...

Poderia sair por aí, a pé, esbarrando em qualquer tipo de pessoa, descobrindo seus anseios, o que fazem, como passam o dia...
Seria tão bom se hoje, apenas hoje, ele não viesse, para que eu pudesse sentir, genuinamente, como seria a vida sem ele...



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No Limite - por Alba Vieira

Há algumas semanas atrás, vimos níveis de violência crescentes com várias mortes no trânsito na cidade do Rio de Janeiro. Transporte escolar irregular com motorista demonstrando dificuldades para realizar seu trabalho e acontece um acidente com vários mortos e feridos em estado grave, por provável imprudência. Uma estudante de doze anos que tenta embarcar num ônibus comum e fica presa depois que o condutor do veículo arranca, acaba morrendo debaixo da roda traseira e quando o motorista percebe entra em crise e é hospitalizado.
Esses acontecimentos mexem com a emoção de todos nós que pensamos que poderíamos estar passando pelo que estão sofrendo esses pais que perderam seus filhos. E parece tão absurdo que essas coisas aconteçam! Muitos se revoltam, outros se deprimem, outros ainda se afastam das notícias na tentativa de fugir dessa dura realidade, talvez para se protegerem, já que a vida continua e as pessoas vão prosseguir trabalhando e precisando deixar seus filhos com outras pessoas em escolas, creches e transportes.
Seria fácil encontrar culpados e descarregar a raiva nessas pessoas; exigindo que respondam pela imprudência e sejam condenadas.
Mas isso é apenas uma parte do problema que se chama a hegemonia da impunidade. Acontece em vários segmentos da sociedade e já há grande mobilização para reverter este quadro.
Entretanto, essa visão maniqueísta é simples demais para algo que é muito mais complexo. Na verdade, a maioria das pessoas, hoje, trabalha no limite da irresponsabilidade, aguentando cada vez mais pressão por parte dos empregadores que alegam estarem pressionados também por dificuldades de várias ordens, vinculadas à crise econômica atual. Isso é real, mas não justifica e é usado como desculpa cada vez mais em nosso meio.
O fato é que tudo está correndo rápido demais, o nível de estresse é cada vez maior, com maiores exigências para todos.
Dessa forma, é fundamental que cada um de nós fique atento para determinar até que ponto poderá ceder às pressões. É necessário saber quando dizer que já chega e que a partir daí não dá pra continuar. Não se pode simplesmente contar com a sorte, imaginando que não vai acontecer nada. Todos os dias assistimos nas ruas, no trabalho, nas nossas próprias casas a situações de risco que se tornaram rotineiras e, ao invés de exigirmos que as falhas sejam corrigidas para que possamos viver com um mínimo de normalidade, estamos nos acostumando a estar cada vez mais no limite, vivendo perigosamente, na corda bamba.
A resposta para lidar com as crises que se apresentam a cada dia é aumentar a nossa atenção, é ter nossa consciência cada vez mais aguçada e desenvolver a responsabilidade por nossas escolhas de cada momento. Trazer a responsabilidade para si mesmo é a única saída, até porque, quando o pior acontece ficamos mesmo sozinhos, somos nós com a nossa consciência. E aí, não há consolo que conforte.



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De Orelha em Pé... - por Ana

O Duelos né mole, não!
Às vezes entendo é nada!
É como já disse antes:
Num dia flor, no outro pedrada!

Eu ando desconfiada
De que há algo errado comigo...
Recebo o que não espero
De quem considero amigo.

Agora sofri ameaça
De baita lesão corporal.
Fiquei pasma, boquiaberta,
Desacreditei total

Daquilo que estava lendo
Na caixinha da amizade
Em que se põe comentários
Embrulhados em bondade.

Mas tal de Gio, o gaúcho,
Gente!, pegou de surpresa!
Deixou um recado assim:
“Vou te dar tapa nas orelhas!”

Isso porque achou
Que eu me inferiorizei
Quando disse à Escrevinha
Que cozinhar eu não sei.

Talvez por ter dito também
Que meu dom pra versejar
É menor do que o dele
(Do Gio, poeta exemplar).

Pra que fui elogiar?
Pra que falar a verdade?
Levei tapa nas orêia
Sem a menor piedade!

Escrevinha, minha amiga!
Tu já me salvou uma vez!
Que recurso legal cabe
Contra o que o moço fez?

Sou uma donzela tão frágil
E pobre rabiscadora...
Eu não sei me defender...
Me socorre, Escrevinhadora!

Sou menos que um micróbio,
Menos que vírus, poeira,
Sou um nada, uma miséria,
Íon de pingo na cachoeira,

Sou um verme amarronzado,
Nojento, embaixo da terra;
Menos que pulga, carrapato,
Aquela que tenta e só erra.

Sou sombra na escuridão,
Lazarenta sem bandagem,
Valho menos que um cão,
Tão feia e sem maquiagem.

Sou apenas resto humano,
Burra, idiota e afins,
Com joanetes, verrugas,
Sou mesmo um troço ruim!

E eu não me inferiorizo,
Eu lido é com a verdade!
Tenho culpa de ser tudo isso?
Ter tanta dificuldade?

Aí vem um comentário
E eu fico a ver navio
De guerra, lá no horizonte,
Só porque fiz eloGio...



Resposta a comentário de Gio em Escrevinhadoce, de Ana.
Referências: Vaia para Ana, de Escrevinhadora;
Das Flores às Pedradas, de Ana;
Livre, Intrigada e Vingada, de Ana;
Escrevinhadoce, de Ana;
Resposta, de Escrevinhadora;
A Verdade a Ver Navios, de Gio.
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Nós Dois - por Daisy

O tempo leva tudo.
O tempo também trás tudo de volta
Na memória, na saudade.
Vamos fazer de conta
Que estamos em nossa ilha.
Aqueça-me ao luar,
Prove-me com seus beijos,
Toque-me até que eu trema.
Mostre-me como amá-lo,
Ensine-me como agradá-lo,
Perca-se dentro de mim.
E que nunca se acabe,
Que dure para sempre,
Como se não houvesse amanhã.
Aprendendo um com o outro,
Explorando um ao outro,
Envolva-me com seus braços.
Deixe-me saber que você me ama,
Você foi feito para amar-me,
Eu fui feita para amá-lo.




Visitem Daisy
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E Só Me Basta Querer? - por Duanny

Sabe quando estamos pensando na vida, no rumo em que queremos que ela tome? Muito bem... normalmente, quando me pego em um desses pensamentos, ele termina em uma única pergunta: ”O que eu quero?”
Muitos achariam fácil responder a esse pergunta, mas eu não. Quero tantas coisas, mas, ao mesmo tempo, não quero nenhuma.
Eu quero... uma amiga sem noção, sorvete de chocolate no inverno ou, quem sabe, um amor de verdade?
Quero ir sem saber como vou voltar, quero vomitar palavras sem me preocupar com quem vai ouvir ou ler.
Quero poder sentir o gosto da sua boca sem nenhum tipo de remorso.
Quero gritar e chorar por um beijo seu ou, quem sabe, um único olhar.
Quero me vestir do jeito que eu acordar, sem me preocupar com que os outros vão achar, afinal não há nada mais confortável do que meu pijama.
Quero sentir o cheiro do seu perfume em minhas roupas.
Quero um barraco no meio da rua.
Quero um amor de contos de fadas e, quem sabe, correr uma maratona de salto alto.
Quero gritar, para todos ouvirem, que nunca fui eu mesma, sim estou pronta para mudar, mas me esconder foi meu maior erro.
Quero poder finalmente olhar em seus olhos e perceber que tudo não passou de uma ilusão.



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Michel de Montaigne e a Motivação de Nossas Ações - Citado por Penélope Charmosa

Quem só é homem de bem porque os outros o ficarão a saber e porque o estimarão mais depois de o ficarem a saber, quem só quer agir bem na condição da sua virtude chegar ao conhecimento dos homens não é homem de quem possamos obter grandes serviços.
(...) Não é para alarde que a nossa alma deve desempenhar o seu papel; é dentro de nós, no íntimo, aonde outros olhos não chegam exceto os nossos: ali ela nos protege do temor da morte, das dores e mesmo da desonra; tranquiliza-nos contra a perda dos nossos filhos, dos nossos amigos e das nossas fortunas, e, quando a ocasião se apresenta, também nos conduz para os acasos da guerra. Não por algum proveito, mas pela honra da própria virtude (Cícero). Esse proveito é muito maior e muito mais digno de ser desejado e esperado do que as honras e a glória, que são apenas um julgamento favorável que fazem de nós.
É preciso selecionar de uma nação inteira uma dúzia de homens para julgar sobre uma jeira de terra; e entregamos o julgamento das nossas inclinações e das nossas ações - a matéria mais difícil e mais importante que existe - à voz do povo e da turba, mãe da ignorância, da injustiça e da inconstância. Será razoável fazer a vida de um sábio depender do julgamento dos insensatos?
O que é mais insensato, quando não te importas com os homens tomados individualmente, do que lhes dares importância quando estão juntos? (Cícero). Quem visa a agradar-lhes nunca o consegue; esse é um alvo que não tem forma nem solidez. Nada mais sem valor que as opiniões da multidão (Tito Lívio). Demétrio dizia, zombeteiramente, sobre a voz do povo, que não levava mais em consideração a que lhe saía por cima do que a que lhe saía por baixo. Aquele outro diz ainda mais: Quanto a mim, considero que uma coisa, mesmo quando não é torpe, passa a sê-lo quando é louvada pela multidão (Cícero).



In “Ensaios”.
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