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quarta-feira, 24 de junho de 2009

Sobrenatural - por Leo Santos

As nuvens cobriram a cidade de pranto,
esse encheu as ruas de espelhos;
A lua informou às estrelas,
que desfeita a cortina,
vieram se mirar…

A incerteza turbou sentimentos,
lágrimas marcaram a passarela;
A própria amada disse “ Estou fora”,
a concorrência abriu as janelas.

Aparentes semelhanças podem confundir,
diferentes moléstias, tratamento desigual;
A natureza segue lá seus ciclos,
mas o amor, é sobrenatural.

Esse não se inclina ao sopro do vento,
nem enche com o subir da maré;
Tampouco vira co’as fases da lua,
ou se a isso sucumbe, amor não é.



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As Nossas Palavras VI - por Ana

Ai, lá vou eu de novo...
Esse troço me põe medo...
Ter que encaixar as palavras...
Qualquer dia me escafedo...

Hoje eu tenho estas:
Impossíveis pacífica ser
Conseguidas teimosia
Podem coisas
. O que vai ser?

Quadrinhas quase impossíveis
Saem do cérebro à força,
Não fluem de jeito nenhum,
Por mais que a mente contorça.

Eu me sinto estrangulada...
Presa entre sete paredes...
E a teimosia me mantém
Entre as malhas destas redes...

Que convivência pacífica!
Com As Nossas Palavras? É nunca!
Espremo os meus neurônios
E tudo, por pouco, não trunca!

Vocês podem achar fácil...
Tem gente que faz coisas lindas!
Kbça, Clarice, Ribeiro, Gio...
Mas não cheguei lá ainda!

Isso de criar é estranho,
Às vezes é meio complicado...
Assim é andar sobre trilhos,
Caminho meio traçado...

Vou perseguindo as palavras,
Teclando sentido até elas,
Maquinista meio-ofício
Em locomotiva a manivela.

Eu vou ser é despejada
Do Duelos, vejam bem!
Qualquer dia eu vou ler:
“Joguem a Ana deste trem!”

Mas, please, eu peço clemência
E digo, desenxabida,
Que estas quadrinhas me foram
Duramente conseguidas...

Mas eu não devia abusar...
Depois vou danar a ganir
Quando ler nos comentários:
“É melhor cê desistir!”

E vou ter que dar razão
A estes autênticos dedos.
Deixarei a vós as palavras,
Partirei pro meu degredo

Até meio aliviada,
Seguirei pra outras paragens...
Continuarei escrevendo
De outras formas, tantas bobagens...
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Corporificando as Transformações - por Alba Vieira

Enquanto me ocupava das tarefas diárias, deixando a mente aberta para quaisquer pensamentos, me ocorreu uma ideia bem interessante. Gostaria de escrever uma carta para mim mesma, como se fosse, agora, inevitável, um confronto definitivo com minha verdade. Não a verdade absoluta, a essência, o que gera todas as coisas. Mas, pelo menos, a verdade atual, como uma tomada de consciência, uma avaliação, como aquelas que se fazem no meio dos cursos para averiguar o aproveitamento.
Imagens então surgiram dentro da minha cabeça e foram acompanhadas do sentimento, quase com uma participação corporal, com os movimentos se insinuando em mim.
Imaginava minha situação atual como um predador espreitando a caça, rondando a presa, hipnotizando-a com o olhar, cercando-a com movimentos sincronizados, envolvendo-a aos poucos numa dança compassada, formando a teia à espera do bote certeiro ou compondo com fios invisíveis a armadilha que pegará, indefesa, a presa. Sou hoje, o caçador, predador e sou também a caça.
Também como imagem metafórica, vejo a dança da sedução. O encontro instintivo de animais, com o impulso da união; a aproximação, os ruídos, a exalação de odores agradáveis, o cerco, a atração dos olhares e, finalmente, a entrega, a submissão, a posse.
Tomo posse de mim nesse momento sabendo que tenho as rédeas da minha vida nas mãos, dando o destino que quiser às coisas, aos fatos, às pessoas.
Avalio agora cada acontecimento como uma possibilidade de escolha, uma opção, não deixando de ter a consciência do todo, de mim e dos que me cercam, me submetendo ao destino, mas ao mesmo tempo, podendo escolher como vivenciar cada coisa que me for destinada. A submissão e o poder juntos, inseparáveis.
Vivo o contato com a morte próxima, não a minha, que possivelmente ainda tardará. Entretanto, sempre remete a ela. Não a morte como o fim, a interrupção, mas como expansão, continuidade. Fico bem perto de minha mãe, talvez para absorver todos os conhecimentos que ela adquire a cada dia, agora que está no umbral, no portal para o outro lado. Não descuido de atentar para a restrição que vem junto, para as suas limitações cada vez maiores, que impõem maior vigilância, aceitação e trabalhos. Observo de perto o declinar do corpo, a deterioração das funções, o desgaste dos tecidos. Sofro pelo demasiado apego e apreço pelo corpo físico, mas consigo vislumbrar a libertação crescente da alma que vai ganhando mais leveza até, finalmente, conseguir alçar o voo.
Todo esse processo é carregado de detalhes, de aprendizados, de possibilidades de experimentar outras realidades.
Vivo uma saudade que é a presença sem corporificação, como uma possessão, em que somos tomados pelo que não podemos ver ou tocar, mas sentimos a presença, quando estamos abertos para poder canalizar, ao invés de concordar em sermos simplesmente afastados para que outro se manifeste em nós. A saudade é, contudo, uma canalização consciente. É algo que nos toma, que sentimos, mas que, se mais conscientes, conseguimos perceber como representação de outro alguém. Vivo a saudade de um amor que ainda sinto. Não do amor em toda a sua expressão como era antes, mas o amor pela pessoa, pela alma da pessoa, a vontade de compartilhar minha vida com ela, a vontade de ver, de conversar, de abraçar, dizer que sinto um enorme carinho por ela, que me preocupo, que a admiro, que sinto falta de sua companhia. Penso que ela deveria saber disso e imagino como. Sei que apesar de não nos falarmos há mais de um ano, nossas almas se encontram e conversam. Sei que ainda mantemos um vínculo que só o amor permite. Entretanto, avalio a cada momento, se isso deveria acontecer de fato. Opto por esperar que ela tenha condições de se aproximar, que busque o contato comigo outra vez. Mas não deixo de temer que por rigidez, medo, orgulho, sei lá o quê, ela nos prive dessa possibilidade tão frutífera e maravilhosa.
Vivo, nesse momento, um amor concretizado, o grande amor dessa minha existência (e de tantas, quem sabe, de todas), uma espera que se acabou. Eu me emociono só de pensar nele, de viver esse amor todos os dias, de perceber tudo que nos liga. A cada passo, eu avalio se vivo essa relação com o respeito, o cuidado, a dedicação, a consciência que merece. Às vezes, me sinto negligenciando, me acomodando ao curso dos acontecimentos, deixando, de novo, tudo nas mãos do destino. Mas, vejo que não, que estou ali todo o tempo, que se não posso me dedicar como gostaria, eu percebo isso e quero mudar a situação. Se não posso naquele momento, eu compreendo a limitação que temos para viver as coisas mais importantes de nossa vida, por incapacidade de nos dedicarmos mais a nós mesmos que aos outros. Compreendo e, ao mesmo tempo, tento me estruturar para tornar aquilo que desejo, que sinto como essencial, possível. E então percebo que caminhei, que não estou parada, tenho aprendido, evoluí.
Eu me relaciono com muitas pessoas, eu me dedico à família, eu busco a oportunidade de me direcionar, junto com o meu amor, para o trabalho mais importante de nossas vidas, mas sinto que o estágio atual é como uma preparação necessária para entrarmos num novo tempo, quando nossas energias se manifestarão de forma diversa da que têm hoje. É um tempo necessário e, se não nos fixarmos na frustração que acarreta essa aparente lentidão do momento, poderemos aproveitar melhor cada relação, cada fato da vida daqueles que nos cercam e teimam em fazer interseção com as nossas vidas por nossa permissão. É que, no fundo, percebemos como essas experiências de hoje na família, no trabalho, nas amizades, nos relacionamentos serão importantes amanhã, quando, com certeza, já teremos dado um salto quântico e estaremos prontos.
Dessa forma, meu momento atual é dúbio: é a luta pela sobrevivência num nível mais elevado, a sobrevivência do destino da alma, que expressei pela dança do sexo como símbolo de vida e a relação entre o predador e a caça trazendo o simbolismo da morte.
Ao final de tudo, vida e morte se confundem como sempre, se o olhar é mais amplo, se a consciência se alarga, se nos abrimos para o novo, se nos entregamos à vida para que ela nos possua e para que tenhamos o poder de ter a posse de nós mesmos. Isso é confiar na vida, na perfeição que existe em todas as coisas.



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A Fila - por Duanny

Já reparou como em todos os lugares tem uma fila? Fila para comprar pão, fila para pagar o pão, fila para pagar as contas, fila no hospital, fila para ver um show, fila para comer, fila até para morrer... enfim, o mundo atual é dominado por filas! Sim, ele é. E se não fosse, também, imagina só a zona!
Mas as filas não servem apenas para organizar. Você pode conhecer muito de uma pessoa em uma fila. Por exemplo, na fila de um mercado você praticamente conhece a vida e os hábitos das pessoas que estão na fila. Se no carrinho tem papinha, fraldas, verduras, margarina, bolachas e suco light, é sinal de uma família bem grande, provavelmente com a mãe preocupada com a saúde dos filhos e opta por verduras para um bebê que precisa da papinha e das fraldas, margarina para o irmão caçula que só come pão com margarina, e a filha mais velha, que se acha a maior gorda do mundo, precisa tomar suco light.
Também tem aquelas filas que denunciam, a fila do banco, por exemplo. Sabe quando você atrasa o pagamento de alguma conta? É lá que você tem que ir, e pior, você sabe que todos estão lá porque não pagaram suas contas no devido prazo, o que deixa tudo muito difícil para iniciar uma conversa agradável; o pior de tudo é que a fila demora, é uma das filas mais chatas de se frequentar, tem aqueles velhinhos que não seguram nenhum papel na mão e você acha que vai ser super rápido, mas é só chegar no balcão que o bendito tira uma pasta cheia de papel, aí vai uma meia hora só com o velhinho.
Às vezes fico pensando como seria o mundo sem essas filas, não ia ser uma coisa muito prática, nem organizada, claro que ia ser difícil de pagar suas contas ou comprar alguma coisa... dá para perceber: é impossível viver sem fila. Eu, por exemplo, não resisto a uma fila.



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Arthur Schopenhauer e o Poder do Acaso - Citado por Penélope Charmosa

O acaso é um poder maligno, no qual se deve confiar o menos possível. De todos os doadores, ele é o único que, ao dar, mostra ao mesmo tempo e com clareza que não temos direito nenhum aos seus bens, os quais devemos agradecer não ao nosso mérito, mas tão-só à sua bondade e graça, que nos permitem até nutrir a esperança alegre de receber, no futuro e com humildade, muitos outros bens imerecidos. Eis o acaso: mestre da arte régia de tornar claro o quanto, em oposição ao seu favor e à sua graça, todo o mérito é impotente e sem valor.



In “Aforismos para a Sabedoria de Vida”.
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Dúvida - por Raquel Aiuendi

João Batista de Andrade, Milos Forman, Jean Jacques Annaud
Shintoni, queria saber porque de dentro de A Cela O Último Rei da Escócia tocou O Piano e como Um Estranho no Ninho conversou com Gandhi em plena Ameríndia; como O Grande Ditador agiu como Deus e o Diabo na Terra do Sol, mesmo contestado por Malcolm X em pleno Outono em Nova York, enquanto isso Beethoven compunha A Cor Púrpura; no final de tudo O Homem Que Virou Suco dançou Hair durante O Nome da Rosa?
Tarsem Singh, Kevin MacDonald, Jane Campion¸ Milos Forman, Richard Attenborough, Conrado Berning, Charles Chaplin, Glauber Rocha, Spike Lee, Joan Chen, Richard Rich, Steven Spielberg, Mahatma Gandhi

Convite - por Rodrigo de Souza Leão

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Reflexão - por Roger Amado

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O raciocínio dá ao homem a multiplicação do seu sofrimento.
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