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(Aviso: Os textos em amarelo pertencem à categoria
Eróticos.)




quarta-feira, 26 de junho de 2013

Ideal Engano - por Alípio Martins

Prefiro a verdade ao capitalismo,
Onde o preconceito é declarado,
Onde o alvo dele se esquiva,
Onde não será enganado,
Pela solidariedade mascarada.

Onde as palavras não mentem, não se trocam
E que o desejo de um seja o único, não o da maioria
E onde a igualdade seja o ideal, e a verdade seja justiça
E seja o sonho que se sobrepuja

Que o sexo não seja algo que vicia,
Que o amor seja glória, vitória
Que nos cobre a noite, e nos mata de saudade de dia
E que só valha a ditadura se nos permitir a plena felicidade

Que seja a alma ausente, amante, inconsciente
Seja forte latente
Nesse mundo irracional
Irreal, desigual

E que, por fim, sejamos humanos
Sem vestes, sem panos
E que, para não cometermos mesmos erros,
Não nos esqueçamos do passado frio
Melhorando o passado, educando-o a não ser vadio*.
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*Errante
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.....................................Visitem Alípio Martins
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Réquiem - por Aline

Um corpo escuro dentro do tanque branco. Os olhares vertidos sobre ele. Os membros rígidos, unidos, dorsalmente alaranjados e esticados para fora do casco mundo. A cabeça reclusa, as patas dianteiras como guardiãs, permitindo que apenas as narinas fossem entrevistas. Uma proteção no seio daquela posição. Um sinal, no diagnóstico.
E os olhos, como estariam? Cerrados e mudos ou abertos na escuridão? A fuga visual de sua própria morte.
O alvoroço dos parentes anunciando o incomunicável.
O aviso, o sol incidindo, a água ilimitada ao seu redor e a sua insustentável e lenta existência de quelônio.
Nos dias floridos dos outros, a tartaruga e sua bacia azul; os passeios matutinos e vespertinos; a invasão da noite e seu recolhimento; o seu ventre esverdeado em contato diário com as lascas vermelhas do quintal; seu íntimo de goiaba e a preferência pelos pés dos vasos, com suas plantas igualmente prisioneiras.
A vítima, o algoz e o silêncio.
A sua cama de jornais e de letras pretas, insignificantes para o seu universo iletrado, sub-racional e de desejos de subsolo.
Inúmeras arremetidas quanto ao passado do invólucro desabitado: seus motivos, sua função, sua passagem, a transubstanciação e a viagem derradeira para o nada.
O que ela teria feito com as décadas de cárcere que lhe restavam?
Qual destinação terá a cela acolchoada, moldada para aquela especial forma de vida (e de morte)?
A tartaruga e sua mãe: virgens, brandas, acorrentáveis e monocromaticamente verdes; criaturas embalsamadas, limpas e impecáveis em seus trajetos, trejeitos e expressões faciais.
Mas, no instante da transição, ela percebe um espelho à sua frente. Um juiz que lhe expõe sua movimentação passiva, a agilidade de seu medo e a aquiescência perante as vozes. O reflexo do seu espírito, de sua compleição física, do fim iminente e da rota que desemboca no cais e no Adeus.
E quando ela parece aceitar a História de morte que criaram para ela, eis que a sua visão escapa da nudez do vidro e vai morrer dentro de seu tamanho reduzido, do pequeno espaço, da dimensão de si.

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Saudade - por Alba Vieira

Saudade é como um grito, é um gemido no meio da noite.
Saudade é um lastro, é pingo de sangue deixado no chão.
Saudade é ir morrendo devagar como o sentimento de amor que vai apagando na distância.
Ou não.

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