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(Aviso: Os textos em amarelo pertencem à categoria
Eróticos.)




quarta-feira, 8 de julho de 2009

Gênio - por Leo Santos

Quando as águas da inspiração não fluem,
há um dique qualquer formando represa;
Manancial que pode ser luz, energia,
ou apenas água presa.

Mas o que é a inspiração?
Metabolismo anímico processando a vida,
tradução da mesma pra nosso idioma,
argúcia decifrando uma página jamais lida…?

Até sua ausência dá azo para escrever,
interpretar o tédio, encontros, afetos;
Como sonegar então a leitura,
se terra e céu, de poemas estão repletos?

Às vezes num impulso se grafa
impressões de um nada vivido;
E não é que sai um gênio da garrafa,
e nada, acaba fazendo sentido?

Então um mote que interesse,
um verso que predique tal sujeito;
Um leitor que seja cúmplice,
e pronto. Três pedidos satisfeitos.



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Hoje Senti Vergonha de Mim... - por Adir Vieira

Hoje o cenário de minha estória é a sala de recepção de um laboratório de análises clínicas.
São seis e meia da manhã e eu, meio sonolenta e jogada na cadeira de madeira não muito confortável, à espera do atendimento que só iniciaria às sete horas, sou praticamente “acordada” por uma vozinha macia e quase inaudível, indagando se era lá que faziam exame de sangue.
Olho na direção daquele som e percebendo que a pergunta era a mim dirigida, respondo afirmativamente, ao mesmo tempo em que não posso evitar reparar naquela senhora de baixa estatura, com a aparência de uns setenta anos, pobremente trajada, embora com cabelos e unhas dos pés e mãos denotando trato.
Agarrava ela uma bolsa de modelo antigo - um pouco grande demais para seu tamanho - firmemente de encontro ao peito, como a impedir que qualquer gatuno de plantão a arrancasse de suas mãos.
O que me impressionou naquela senhora foi o seu sorriso aberto e franco. Imediatamente aboletou-se ao meu lado e enveredou um monólogo de quinze minutos, onde me fez saber - e ao grupo que aguardava o início dos trabalhos - toda a sua vida. Ali, naqueles poucos minutos, soubemos onde morava, que completaria no próximo mês oitenta e um anos, que ganhava um salário mínimo de aposentadoria e que tinha uma renda complementar, pois fazia doces para vender.
Seu relato em nada condizia com sua presença ali - um laboratório particular que atendia planos de saúde de custo médio. Sua aparência também destoava dos outros presentes, que se entreolhavam admirados de sua vitalidade, principalmente quando frisou que para ali estar àquela hora utilizou três ônibus.
De repente, me vi diante daquela senhora completamente viva e senti vontade de arrastá-la para um canto qualquer e dela absorver todo o frescor que os seus oitenta e um anos nos passava.
De repente me vi bem mais nova e ali tentando descansar da noite interrompida... Eu, que ali cheguei sem qualquer esforço, entrando num carro na garagem do prédio... Eu, que, em melhores condições financeiras, não precisava trabalhar para complementar a renda... Eu, que tinha tantos preocupados comigo...
De repente, senti vergonha de mim...
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A Magia do Encontro Terapêutico - por Alba Vieira

Então você chega: um rosto que talvez eu nunca tenha visto antes, mas que sem dúvida me toca por possuir traços presentes em outros rostos já conhecidos. Você vem com expectativas, em busca de alívio, talvez confuso por não saber ao certo o que vai falar, como expressar a sua dor ou até sua insensibilidade. E esse nosso encontro é mágico. Sempre. Porque neste momento se cumpre um ritual. Do meu lado, eu consigo observar quase tudo. Tudo tem importância, tudo fica mais claro. A expressão corporal fala por si só. Percebo a sua constituição. A sua voz consegue me passar tanto, talvez mais do que propriamente você fala. Seu rosto é revelador da sua angústia, do seu medo, da sua raiva e até da sua indiferença. Nos olhos (para onde se dirigem), no seu cumprimento, no toque de sua mão é possível captar a sua energia, como ela está fluindo no seu corpo.
E o ritual se cumpre. E você fala. E o que falamos muitas vezes surpreende, mais a você do que a mim. Porque você fala o que é necessário para que possa ser percebido na sua totalidade. E mesmo que você venha decidido a não revelar certos detalhes da sua intimidade, você se expõe... porque é preciso. E isso o alivia, é curativo por si só. E você sai mais leve. E, às vezes, se você quer, se transforma. E nossa relação se estabelece e se firma. E nossa troca é certa. E, assim, ambos crescemos e evoluímos.



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Pegou Geral... - por Ana

Bem, Fatinha, vamos sentar aqui nas mesinhas do Litercafé, pra você não cair dura pra trás, tá?

EU VI Tropa de Elite mais de uma vez e vou comprar.
Porque: o Wagner Moura dá um bigultrasupermegashow de interpretação. O cara é O CARA!!!
E é um filme brasileiro de primeiríssima categoria (por exemplo, só uma figurante foi horrível e geralmente a relação é inversa).
Adorei o roteiro, achei o tema muito bem desenvolvido.
Quando eu assisti a Central do Brasil, esperei alguma coisa muito boa e vi uma direção ruim, que transformou a Fernanda Montenegro naquilo que se viu, e um roteiro fraquíssimo quando poderia ser estupendamente bem abordado. Então, assisti a Tropa de Elite pela primeira vez sem nenhuma expectativa positiva (muito pelo contrário) e fiquei pasma.
Dou os parabéns convictos a todos que tornaram real a antiga utopia de que brasileiro pode fazer filme de ótima qualidade.
Só uma pequena ressalva: a abertura poderia ser melhor...

E agora vou conversar com os outros que estão aqui hoje, tá?
Beijo, amiga!



Resposta a Eu Não Vi Tropa de Elite, de Fatinha.
José Padilha

Mote do Gio I - por Gio

Eu ando muito descontente
Com essa vida estagnada
Onde é que anda toda a gente?
Atualizo o chat, e nada!

Para tudo, gente culta!
Ou melhor: não para nada...
Essa parada é um insulto
Para quem gosta da “parada”

Pode ser só coincidência
Mas vou tomando providência
Pra não declararmos falência

Então, proponho um desafio
“Letra a letra, fio a fio”?
Não, esse é o mote do Gio!

Hora de escolher um tema
Temo, escolho com cautela
Estará em todo poema
Todo moteiro que duela

Resumo, vou ser sucinto -
Dito as regras desse jogo.
Cidadão, aperte o cinto -
Agora o circo pega fogo:

“Ando sempre, ando em círculos
Déjà vu em cada instante
É apenas mais um ciclo
Nesse mundo roda-gigante”



Visitem Gio
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O Sal da Vida - por Leandro M. de Oliveira

Escuta que quero te falar em segredo
Escuta bem, quero falar baixo,
Porque o sussurro é tão mais belo que o grito
E a palavra dita com cuidado mais esmerada.
Ouve e guarda como um selo o que te digo.
Guarda em teu lembrar somente,
Porque o que direi não mudará nada,
Sequer a mim.
Escuta meu silêncio de planície,
Minhas mãos desertas, meu sonho perdido...
Nunca se muda aquilo que não se permitiu mudar.
Escravo caí de joelhos ante a rocha silenciosa
O oráculo hediondo se me afigurou,
E eu me vi moço e eu me vi desesperado.
Tempo tem seu próprio tempo,
E o tempo do tempo foi veloz demais
Para nosso passo vacilante.

Escuta as rugas de minha alma
Elas são vales e rios, montanhas e planícies.
Quero teu amor suicida!
Amor que se mata e torna a viver
E torna a sofrer e a morrer d’enganos.
Porque sob minhas asas
Não houve acomodação à tua dor,
E agora em meus olhos não há espaço
Senão para o teu vulto sorrateiro.

*********

Ignora minhas palavras, o verbo confunde.
Eu falo do que não foi vivido ou do que tenha sido há tanto,
Que não foi possível nenhuma sinapse de lembrança.
Aguarda no silêncio das colinas sombrias,
No oco das cavernas que somos nós.
Quero escavar a terra com os dentes,
Tragar o mar com minha boca e estômago,
Quero estuprar o útero da terra
Pra que eu a veja renascer dele.
Minha memória é uma nau perdida
A navegar oceanos de tempo e espaço.

Minhas velas desfraldadas
Buscam a esmo teu norte,
Minha boca de pasmo e exaustão
Já não sabe dizer o teu nome.

*********

Agora que tudo se perdeu em nós
O mundo soa remoto,
O ar soa espesso.
Se eu fosse um cão
Talvez teria mais afeições com a vida.
Mas sou homem
E dessa deficiência estou fadado.
Minha eterna amiga,
Meu corpo sem vida,
Minha vida sem termo.
Embora o mundo seja desfigurado
Ante o espelho, comigo sempre estás...

Escuta minhas palavras que não querem eco
Além do silêncio de tua ausência.
Escuta como a canção mais elevada
Como a dor de homem que homem não quer ser,
Como um beijo de fúria em teu peito
Resoluto.
Que essas palavras não valem nada,
Que essas palavras valem tudo.
Elas são o sal da língua
A semente da vida nova.



Dedicado à minha grande amiga, dizem que partiu no dia 27 do último mês. Mas como pode estar ausente,
se está dentro de mim? Não sei se posso crer na morte quando ainda existe tanta vida. Penélope,
foi rápido demais... A você os meus carinhos e as minhas alegrias perdidas. Te encontro breve,
te encontro sempre...
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