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(Aviso: Os textos em amarelo pertencem à categoria
Eróticos.)




segunda-feira, 30 de novembro de 2009

Tema do Mês de Novembro: Aquele Livro...

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Caríssimos amigos:
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Hoje foram publicados apenas os textos referentes ao Tema do Mês: “Aquele Livro...”.
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Participantes
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Ana
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Clarice A.
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Dália Negra
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Penélope Charmosa
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Soraya Rocha
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Muito obrigado a todos que colaboraram com esta “blogagem coletiva”!
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Um grande abraço!
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Aquele Livro - por Alba Vieira

Tantos livros foram importantes para mim que se tento destacar alguns me perco totalmente. É exatamente como ocorre com músicas. Passei a minha vida inteira cantando enquanto fazia outras coisas. Sempre tive ótima memória e aprendia as letras das canções com muita facilidade. Como as tarefas que eu fazia, tanto em casa quanto no trabalho me permitiam ficar sozinha por horas, eu aproveitava para cantar enquanto trabalhava. Cantava LP’s e depois CD’s inteiros sem me confundir com as letras. Mas hoje, se quero escolher músicas pra cantar, elas somem da minha mente. E acontece o mesmo com os livros que li, desde os seis anos, quando aprendi essa maravilhosa habilidade. Foram tantos que eu encontrei durante a minha vida! Tantos livros me marcaram, me modificaram, me esclareceram, me fizeram companhia, me desafiaram, me revoltaram com suas tramas verídicas, me encantaram, me seduziram, me permitiram descobertas e viagens incomparáveis.
Entretanto, quando desejo falar especialmente sobre algum deles, não consigo. Ou porque destacar algum é impossível ou porque são tantos igualmente significativos que ficaria escrevendo por muito tempo sobre eles e, nesse período, minha companheira inseparável tem sido a preguiça.
Descubro então que aquele livro para mim agora, é exatamente o que estou para ler, aquele que acaba de entrar no meu universo, que vai trazer o novo, que me acompanhará por um tempo, que representa a expectativa, mas ao mesmo tempo o momento presente.
Cada livro carrega em si um mundo de possibilidades. E o seu valor singular é ditado por uma série de características perceptíveis ou misteriosamente guardadas para serem desvendadas por cada leitor em especial no momento certo. E é exatamente isso que vai permitir que ele sobreviva para sempre (ou não) no escaninho da memória de cada de nós.



Visitem Alba Vieira
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Aquele Livro - por Ana

Aquele livro, peguei
Em meio à sujeira e ao pó.
Aquele livro, só meu,
Depois que te foste de nós.

Aquele livro tão lido
Por ti, a sós, isolado.
Aquele livro que encontrei
Totalmente abandonado.

Aquele livro fedia,
Jogado entre seus sapatos.
Aquele livro era velho,
Tão amarelo, tão gasto.

Aquele livro lambido,
Folhas dobradas, suado.
Aquele livro, tristeza...
Estava até chamuscado.

Livro que, sempre contigo,
Ninguém podia tocar.
Companheiro inseparável
Em toda hora e lugar.

Aquele livro, sem capa,
Para todos um enigma.
Aquele livro, tão teu,
Seria de história ou de rimas?

Sentei à mesa, tão quieta,
Sabendo o momento sagrado.
Enfim iria desvendar
Segredo tão bem guardado.

Folheei... tão grande espanto!
Aquele livro... teu guia?!!!
Meu avô, se eras ateu,
Por que lias tanto a Bíblia?
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Aquele Livro... - por Cacá

Era época de república estudantil, anos setenta e as leituras eram quase proibidas: livros, jornais e revistas, tudo muito vigiado. Chico Buarque usava o pseudônimo de Julinho da Adelaide quando queria passar alguma letra mais provocativa (ofensiva ou defensiva?). Usava-se e abusava-se das metáforas para dar um drible na censura que não possuía jogo de cintura algum e muito pouca inteligência, feito aqueles zagueiros que apelam para a botinada diante da falta de outros argumentos hábeis com a bola vindo em sua direção.

Não era raro sair às ruas pela manhã e encontrar uma banca de revistas totalmente incendiada ou destruída com pichações do CCC (auto intitulado Comando de Caça aos Comunistas). Pensar era permitido, mas se a fala decorrente desse pensamento fosse algo que estimulasse um tico qualquer de reflexão entre os interlocutores, já se configurava atentado à segurança nacional. Prisão, tortura e morte em muitos casos.

O meu problema era que gostava de ler e fui morar logo no meio de um bando de subversivos (assim chamados os que ousavam pensar com a boca aberta). Eu com 14, 15 anos e a turma toda já “de maior”, muitos estudantes universitários. Era normal circularem em casa jornais clandestinos, panfletos apócrifos e livros, muitos livros onde não se podia sequer colocar o nome do dono na contracapa para não se correr riscos caso fosse parar em mãos erradas. Às vezes, arrancam-se capas de livros tipo “O Pequeno Príncipe” e colavam-nas em cima da outra capa como disfarce para poder ler sossegado em lugares públicos.

Repúblicas têm um rodízio de pessoas ano após ano. Então o cara me aparece com um livro intitulado “Como Fazer Amigos e Influenciar Pessoas”. Puído, de tanto circular debaixo do braço. De vez em quando mudava de lado para suar por igual. Eu não sei se a intenção dele era usá-lo como manual de sobrevivência na cidade grande ou se tinha algum outro propósito mais nobre. Sei é que não saía debaixo do braço a não ser para tomar banho. Acho que até dormia com ele. “Cultura axilar”, segundo foi rotulado pelos colegas. Sei também que esse não era proibido. Um dia, enquanto ele tomava banho, olhamos para ver se a capa não era um daqueles “despistes” da censura. Não era. E me desanimei com qualquer curiosidade de ler o tal livro. O rapaz não conseguiu sequer fazer uma amizade durante sua curta estada entre os demais, quem dirá influenciar alguém com seu manual. Carrancudo e mal educado, sua lição, para mim só foi aprender um pouquinho mais a selecionar leituras. Boas maneiras eu já havia aprendido em casa de meus pais.


Visitem Cacá
Dale Carnegie, Antoine de Saint-Exupéry

Tátil - por Clarice A.

Considera aquele livro o seu primeiro livro. Seu. Para ela os livros didáticos não contam. Aquele foi o seu primeiro livro.Presenteado por sua madrinha para a primeira comunhão, o pequeno livro de capa de madrepérola e letras douradas fascinou a menina que cursava o primário. Tê-lo nas mãos, folheá-lo, sua beleza e delicadeza, um prazer inesquecível.
Muitos outros livros vieram depois, emprestados por amigos ou pelas bibliotecas, presenteados por amigos ou comprados por ela. Através deles viveu muitas histórias, viajou no tempo e no espaço, conheceu personagens, participou de tramas, conquistas pessoais ou de territórios, emocionou-se, instruiu-se, riu, conheceu a fantasia, exercitou sua imaginação, viveu um mundo paralelo ao seu, fecundo, mágico, enriquecedor. Tornaram-se parte dela.
Ontem menina fascinada pela forma, ainda muito pequena para dar o real valor aos conteúdos. Hoje mulher mantém aquele prazer tátil despertado na infância pelo seu livro de catecismo. Pegar o livro, folheá-lo, ler páginas aleatoriamente. Acrescentou conteúdo, continua a ser conquistada sensorialmente, e é muito bom quando convidada à reflexão.
Livros: capa contracapa, prefácios orelhas, ideias, vivências, observações, pensamentos, memórias, imagens, histórias, lugares, mensagens, orações, receitas, humor, guias, fantasia, preciosa e fiel companhia, fonte inesgotável de conhecimento e prazer.
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Aquele Livro - por Dália Negra

Aquele livro... viagem
Profunda pra dentro de mim.
A cada linha uma dor,
Desde o início até o fim.
Tristezas insuportáveis...
O mal do mundo, enfim...
Não poderia ser pior
História assim tão ruim.
É um relato doído,
Tragédia de folhetim.
Escrito com sangue inocente,
Vívido, jovem, carmim.
Aquele livro... minha vida
Que apenas foi lida por mim.
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Aquele Livro - por Esther Rogessi

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O peso da vida pesou-me... Não encontrei forças para prosseguir.

Vivi à procura de flores: margaridas, acácias, dálias... “Rosas-de-sangue” vi!...

Vi um bem-te-vi voando livre... Entoando repetidas vezes: Bem-te-vi... bem-te-vi!...

Clamor do horror na China, na Índia... A máxima da crueldade vi!

Bem te vi... voando à procura das rosas... O que nelas buscas, não se encontra nos jasmins!

És... tal qual pombas, dependentes do “Ser Supremo” que naquele livro li...

Se não falta para as pombas o alimento... Livramento,

Ó Deus! Dependem de Ti!... Acolhe as pombas e não esqueças os bem-te-vis...

Rega de vida as rosas da China,

Lava o sangue que na Índia vi!

Faz desabrochar os botões da Índia,

Por elas clamam... gemem os bem-te-vis...

A vida que é bela... Feia se faz!

Ó Gaia... Mãe terra! Geratriz... cessa a guerra!

O matador da China, o horror!

“Botões de rosas”, ramalhetes, deixados ao léu, às lágrimas vertentes dos olhos inocentes,

Gritos de dor para dentro de si... Causa morte, obscura sorte: nasceu rosa... dália... E não jasmim!

Um dia, Raquel clamou por seus filhos indefesos... Às suas vidas por um fio perderam, pelas espadas, pelo fio frio calaram!

“Aquele livro” nos mostra um tempo de horror...

Matança hoje tão presente... Feras pensantes, genocídio de inocentes!
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Aquele Livro... (Mentiras no Divã) - por Gio

Nunca tinha sentido isso antes. Já havia admirado, desejado. Já havia gostado, adorado e amado. Já me prendi horas, dias, e até meses; mas nunca tive um sentimento tão forte, uma reação como essa. Foi um mês intenso, horas por dia, a semana inteira. Amor de verão. Quando chegou ao fim, me abracei nele e não queria soltar.

“Mentiras no Divã” é o nome do livro que me provocou a reação acima. Já gostei de vários livros, mas acho que nunca tive uma reação tão forte ao ler algum antes. Uma estória bem construida e personagens extremamente interessantes, humanos de carne e osso, que nos causam identificação. Mais que isso: a mente humana desvendada em suas mais variadas formas, e seus mais diferentes raciocínios.

Mais do que um ótimo livro, “Mentiras no Divã” serviu para aguçar o meu interesse sobre a psicologia e a psicanálise. Como o último é quase inviável, o primeiro subiu na lista de prioridades sobre o próximo curso que pretendo fazer. Claro, primeiro preciso terminar essa loucura chamada Engenharia de Computação...
 

Visitem Gio
Irvin D. Yalom

Aquele Livro (Brasil: Nunca Mais) - por Lélia

Eu comecei a ler aquele livro num dia de chuva, triste mesmo. E o livro era mais triste ainda. Tantas desgraças, tantas injustiças, tantas verdades duras. Fui lendo cada vez mais devagar, às vezes parando para refletir; fechava o livro, deixava sobre o colo, pensava em outras coisas, recomeçava a leitura ainda mais devagar. Até que levantei, coloquei-o sobre a mesa e ali ele ficou por meses, esquecido, eu querendo esquecer dele e de suas histórias difíceis de encarar. Um dia ele foi guardado e um outro dia ele sumiu da estante, alguém deve tê-lo levado. Acho que fiquei aliviada. Jamais esqueci daquele livro: foi o único que não li até o final. E não lerei. “Brasil: Nunca Mais”? Nunca mais...
Dom Paulo Evaristo Arns

A Morte de Carlos Drummond de Andrade - por Lisa Alves

Acordar e ver o quarto tão cinza que mesmo ao abrir a janela nenhum efeito dos raios solares contribuem para diminuir o efeito do último incêndio.
Pela terceira vez ela ameaçara incendiar os livros. “Pobre tem que trabalhar!” “Essas escrituras envenenam seus pensamentos.” “Só os ricos podem se dar ao luxo de ler.” “A louça está suja.” “Nenhum homem vai querer casar com você.” Eu tinha pena dela, também tinha ódio, às vezes receio, às vezes respeito. Por fim não relutava, pedia licença a Drummond e saía às seis da manhã para procurar emprego. Trabalhei em linhas de produção, contaminei meu organismo com baterias de celulares e foi ali que constatei a poesia de Maiakovsky: “Grita-se ao poeta: ‘Queria te ver numa fábrica! O que? Versos? Pura bobagem’.”
Sentia o quanto eram falsas as palavras de minha mãe, pois nos livros existiam descrições perfeitas da vida lá fora, embora a vida lá fora não tivesse tempo suficiente para compreender os livros. A vida lá fora vendera seu tempo, minha mãe vendera sua vida e eu estava prestes a vender minha alma. Meu emprego era um lugar onde pessoas entravam e saíam a cada segundo, ninguém permanecia ali por muito tempo, o pagamento era bom, mas como não havia plano de saúde noventa por cento do salário entrava nos bolsos dos médicos. Um mês era o suficiente para um cidadão de bem suportar aquilo, eu fiquei ali por quatro anos. Nos intervalos (quando aconteciam) escrevia para os meus autores testemunhando a veracidade de seus escritos.

Querido Drummond, minha mão também está suja, não a escondo dentro dos meus bolsos, pois não posso contaminá-los de radiação.

Caríssima, Clarice! Escrevo-lhe com borrões vermelhos de sangue, minhas unhas não suportam os movimentos repetitivos, as baratas possuem uma vida melhor.

Sr. Gabriel García, a solidão que acompanha essa gente durará centenas de milhares de anos. Leve-me para Macondo!

Quatro anos e nenhuma resposta. Na caixinha do correio apenas propagandas dos mercados e contas a pagar. A vida ficou mais difícil, eu estava completamente contaminada com as suas doutrinas. Não havia mais tempo para os livros, chegava cansada, ligava a TV e mastigava algum alimento fácil. Minha mãe já não era a mesma, até beijava meu rosto, arrumava meu quarto e limpava a pequena biblioteca. Os livros já não eram mais perigosos, tornaram-se enfeites na estante da sala. O vazio dentro de mim era descarado, gritava no meu espelho, tremia as paredes, perturbava os meus sonhos. Cheguei ao ponto de ter um verdadeiro nojo das palavras escritas, depois das palavras ditas e por fim fiquei muda. O trabalho tornou-se desinteressante, antes existiam intervalos, antes eu era a espiã de Clarice, Drummond e García Márquez, mas agora minha missão tinha terminado. Assim que fui promovida pedi demissão, não queria mais fazer parte da história daqueles autores, esse mundo era feio demais, inútil demais, não havia sentido viver na descrição de uma vida tão penosa.
Voltei para casa e contei a boa nova para a família, chamaram-me de louca, minha mãe trancou os livros caso eu tivesse a intenção de voltar a lê-los. Ameaçou queimá-los (novamente tornaram-se perigosos). Disse a ela que não se preocupasse, eu não os queria mais, não tinha mais curiosidade de conhecer o mundo inventado por eles. Peguei um fósforo e queimei Drummond. “Morra com sua mesa, morra no meio do caminho, morra com as mãos sujas!” Drummond incendiou todo o resto. Clarice gritava em meus ouvidos: “Apagai, pois, minha flama, Deus, porque ela não me serve para viver os dias.” Eu não tive pena, o mundo precisava de novos autores, o mundo necessitava de uma nova visão.
E foi assim que deixei a espionagem para criar um mundo diferente. Hoje trancada no quarto cinza, decorado pela minha ira, escrevo a nova gênese. Lá fora o mundo adormeceu no fogo, eu sabia que tudo era uma grande ficção. Ainda não sei como tudo isso vai começar, só sei que a espécie humana foi extinta da história e uma nova espécie surgirá das cinzas.



Visitem Lisa Alves
Clarice Lispector, Gabriel García Márquez, Vladimir Maiakovski

Fiódor Dostoiévski e Aquele Livro - Citado por Penélope Charmosa

Deixa-me dizer-te, meu caro, pode bem acontecer que vás através da vida sem saber que debaixo do teu nariz existe um livro no qual a tua vida é descrita em todo o detalhe. Aquilo do qual nunca te deste conta antes, vais relembrando aos poucos, assim que comeces a ler esse livro, e encontras e descobres... alguns livros tu lês e lês e não lhe consegues encontrar qualquer sentido ou lógica, por mais que tentes. São tão “espertos” que não consegues perceber uma palavra daquilo que dizem... Mas esse livro que talvez esteja logo debaixo do teu nariz, tu lês e sentes-te como se tivesses sido tu próprio a escrevê-lo, tal como - como é que hei-de dizer? - tal como tivesses tomado posse do teu próprio coração - qualquer que este possa ser - e o tivesse virado do avesso de forma que as pessoas o consigam ver, e descrito com todos os detalhes - tal e qual como ele é!
E como isto é simples, meu Deus! Porquê, eu próprio poderia ter escrito este livro! Porque, de fato, porque é que eu próprio não escrevi este livro!



In “Pobre Gente”.
Fiódor M. Dostoiévski

Papillon - por S. Ribeiro

achei-o como se acha um brinquedo velho
estava num lixo de adultos
num quintal que cheirava a limoeiros e maconha.
achei-o e estava de qualquer jeito
diverso, separado, rasgado, frito
embora tenha vindo comigo.
de todo estava sujo e descobri lá pela página duzentos/quatrocentos e poucas, que lhe falta
(até hoje)
uma página
e impossível encontrar esta página assim
como o encontrei
(contava a história antes da morte de Clousiot).
um novo? talvez. ele é único apesar
de antigo e quebrado.
ainda permanece guardado, só o li duas vezes;
ele é que tem o gosto da tarde de um poeta que já foi livre.
foi o que sobrou de mim aqui.



Visitem S. Ribeiro
Henri Charrière
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Aquele Livro - por Soraya Rocha

Somos amigos há tanto tempo... Nem sei dizer...
Conversas nas madrugadas, até o amanhecer...
Dores passamos juntos, não tínhamos a quem recorrer...
Cúmplices nesta vida, coisa de não se esquecer...
A nossa profundidade ninguém vai compreender...
Tantas coisas dividimos sobre a vida, o morrer...
Mas aquele livro, meu caro, você vai me devolver!
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O Livro - por vestivermelho

Um livro tem em suas páginas tantos mistérios.
Não importa sua capa, seu tamanho nem mesmo sua cor.
Descobri a beleza de um livro quando tinha cinco anos, apenas os via em estantes ou mesmo em lugares que jamais alguém os colocaria.
Estava vendo no jardim uma linda joaninha, sou fascinada, tão pequena mais tão perfeita, com suas asas e sua bolinhas.
Quando vi um livro, sujo, mas que ainda tinha capa e folhas,
Limpei e comecei a ver o que ele tinha, ainda não sabia ler perfeitamente, mas imaginei serem coisas boas, pelas imagens.
Uma linda imagem de uma abelha, aparecia a letra A enorme. Na outra página uma enorme barriga, com a letra B...
Fiquei ali vendo e esqueci da joaninha; quando percebi, ela estava entre uma página e outra do livro, abri e ela saiu voando, tão alegre que fiquei feliz, percebi que ela voava
E voltava para perto do livro.
Entrei feliz na sala e na enorme estante de livros coloquei meu primeiro livro, entre tantos que depois li e reli.
Quando vejo o livro depois de tantos anos ainda sinto a presença da joaninha...
Ele está entre os meus preferidos na enorme estante de livros famosos...
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Que Livro é Esse? - por ZzipperR

Hora sorrindo, hora chorando e toda essa emoção provém da ponta do dedo que percorre as linhas das páginas de um livro velho, que mesmo sem saber o final continuo lendo e me emocionando.
Fascinante transmissão de emoções numa relação de prazer com uma sensação maravilhosa de palavras bondosas, mesmo quando me fazem chorar.
A cada dia que leio este livro me surpreendo com seus detalhes inesperados e, por mais que tente, não consigo desvendar os seus segredos e sou pego de surpresa.
Pensando reflexivamente na história que relata detalhes de uma vida, descrevendo perfeitamente os espaços nas cores, cheiros, pessoas, tempo e personagens que chegam fazendo parte do contexto e outras que partem e nunca mais voltam fazendo sua própria história.
Há horas que estou lendo o livro e paro, transportado para um flashback que me leva a uma viagem ao passado, folheando páginas do começo da leitura, como se estivesse lendo agora, num momento presente, e fico imaginando: se fosse hoje, a leitura poderia ser diferente e aqueles personagens ainda poderiam estar presentes e não definitivamente ausentes do texto.
O tempo é o escultor e à medida que passa a sua mão na arte, modifica o personagem, dando uma figura aparente de sabedoria e serenidade, porém o grande artesão nem sempre consegue transmitir felicidade em sua obra.
Que livro é esse que leio há tanto tempo, dia após dia, e não consigo chegar ao final? Quem escreveu esse livro tão longo, com tantas páginas, tantas emoções, tantos segredos e eu não consigo parar de ler?
O livro é uma viagem no mundo real de um pensador sonhador, que sabe o começo da história, num passado feliz e gostoso. O presente ainda estou lendo e tentando entender o que se passa na cabeça do personagem principal. Mesmo sabendo tudo sobre ele não consigo desvendar como será o final dessa história escrita por um grande escritor, penso que seja o melhor de todos, pois escreveu a minha vida, assim vivo cada detalhe das páginas.
Um dia ele escreverá o final e todos ficarão sabendo, mas isso é um segredo que está nas mãos dele.
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Zip...Zip...Zip...ZzipperR


Aquele Livro (O Cortiço) - por Alba Vieira


Eu era adolescente e, nessa época, pegava para ler todo livro que aparecesse por perto. Na minha casa, não eram muitos. Mas havia uma oferta razoável. Foi quando surgiu “O Cortiço”, que eu devorei em poucas horas.
Até então, tudo que eu lera tinha uma atmosfera de sonho e encantamento. Figuras românticas passeavam por cenários deslumbrantes com personalidades idealizadas e, por isso mesmo, inverossímeis.
Então, ao começar a ler “O Cortiço”, tive um choque! Tudo era tão real, eu parecia conhecer aquelas personagens de carne e osso, com as suas vivências possíveis, seus dias tão perfeitamente dimensionados numa realidade tão próxima. E, a despeito da crueza da narrativa, havia a beleza da profundidade do olhar do autor. A identificação dos leitores com os sentimentos das personagens e suas experiências era certa.
Este livro me marcou profundamente e destaco como a passagem mais interessante, aquela que descreve a primeira menstruação da personagem Pombinha. Não é possível deixar de sentir o que ela vive, quase experimentando a nível corporal cada uma das imagens sugeridas. É pura sensação!
Eu me apaixonei por esse livro que para mim é o melhor representante do Realismo.
Quem ainda não leu, está perdendo uma experiência indescritível.



Visitem Alba Vieira
Aluísio Azevedo

Aquele Livro - por Esther Rogessi

Há coisas que marcam a nossa vida. Trago recordações da minha infância que me servem de bálsamo por muitas vezes... recordações de uma infância em que eu contava os meus primeiros anos de vida, incrivelmente, estão bem dentro de mim. E, muitas das vezes, me pergunto: como posso lembrar-me de algo tão remoto? Dos meus primeiros anos de vida... chega docemente à minha memória a minha primeira cartilha, na qual aprendi a soletrar... Logo após veio “aquele livro”... Muito colorido, com um cheiro bom, de papel novo, que eu pressionava e ia soltando aos poucos, com o nariz bem pertinho, para sentir o cheiro de livro novo.
Veio a minha adolescência... Quantas boas e más lembranças... Ainda bem que prevaleceram as boas!
E, dentre elas, alguns livros... que me acompanharam por muito tempo! Até que o meu irmão mais velho chegou com “aquele livro”, o livro que me deixou encantada... que ilustração linda e convidativa à leitura... Quantas folhas! Oitocentas e... Ah! Não lembro quantas mais! Sei que era muito grosso! Porém isto não me desanimava... Quanto mais eu o lia, mais queria lê-lo! Com espanto, todos me viram concluir a leitura que, para eles, seria impossível...
Eu vivia a história, me preocupava em guardar o nome dos personagens, torcia e sofria junto com eles... Por muito tempo fizeram parte de mim... Eu lhes chamava pelos nomes: Ellen O’Hara, Melaine Hamilton, Ashley Wilkes, Rhett Butlley... Ah! Rhett... Eu amava Scarllet O’Hara, mas fui má para com ela... eu sonhava com você! E, muitas vezes, quando eu fechava aquele livro, deitada em minha cama, eu viajava em teus braços, Rhett... Ao despertar dizia para mim mesma, saindo daquele êxtase platônico: “Amanhã pensarei no assunto!”
Cresci, amadureci... Tudo ficou para trás, as doces lembranças ficaram...
Porém o tempo passou... E O VENTO LEVOU!
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Margaret Mitchell

domingo, 29 de novembro de 2009

Restos Mortais - por Ana

Três mulheres tocam o enterro
Três mulheres choram o morto
Três mulheres vêm da capela
Três mulheres levam o corpo

Cada uma um casebre vazio
Por viuvez ou abandono
Muitas outras partiram antes
Sem lágrimas, sem consolo

Na rede descansa o padre
Em seu derradeiro conforto
Está calada a voz de Deus
Mais um implacável desgosto

Carpem sem dor, outra vez
O mesmo ritual longo
Um a um à terra tornam
Cumprindo o destino roto

Carcará aguarda, cruel
Da morte sentindo o gosto
Não se passa uma semana
Estará o banquete posto
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Sozinho... - por Poty

Sozinho...
Na escuridão
Do meu silêncio
Continuo a varar a noite

Fico a testar-me
Perante o silêncio
Que me faz calar

Sou o silêncio
Que não quer falar

Deixa-me quieto
Quero estar sozinho

Serei a calma
Que lavará a alma

A retidão
Com exatidão

O afastamento
Do dia
Que permeia em mim

O alongamento
Da noite
Que me toma conta

Na escuridão
Permaneço
E não quero mais nada



Visitem Poty
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sábado, 28 de novembro de 2009

Um Novo Amor - por Yuri

É... eu não posso negar sua boa face.
E o dificil é admitir que eu estou... que eu estou... estou apaixonado por ti, meu amor.
Tudo é tão inédito. Não está sendo fácil suportar isto.
Você disse que está sentindo o mesmo porque tem o coração frágil.
E eu devia continuar só porque sou forte? Eu já tentei me esforçar pra voltar atrás e não sentir nada, mas você já me vincou em ti.
Olho pro telefone a cada segundo e quando tento tentar te esquecer você sempre me surpreende com a surpresa de sua voz e é tudo como um sonho fervendo aqui.
Seu conjunto de cores aumenta minha auto-estima. E só você faz meu céu na terra.
Nada mais estáa tão morto aqui, você faz eu me sentir vido e amado.
E eu quero que isso dure pra sempre.
Quero em seus peitos descansar, deitar e sentir seu ar, seu folego me acalmando.
E meu melhor presente é sentir que você respira.
E eu acredito! Eu acredito em você e em tudo como um grande sonho. porém... real!
Tão real que eu posso tocar, seguro, e nunca mais me dar ao luxo de soltá-lo.
Vamos tratar isto agora como uma dança, eu te tiro pra dançar...
Seu fôlego aumenta automaticamente. E agora eu prometo escrever cada momento nosso, cada momento de meus sentimentos por você.
Até que no final eu tenha um livro perfeito. Mas essa não é minha intenção...
Se eu perder todas as folhas eu tenho seus batimentos que nos mantêm vivos.
E quero que isso tudo dure pra sempre.
Ah! Você de novo me fazendo suspirar nosso amor mais forte desta vez!
Mas tenho medo de que renuncie a tudo e não queira mais respirar para mim. E eu não conseguiria suportar, nãoconseguiria ver você ir e não impedir que eu vá junto contigo.
Não sei se você acredita/imagina essas coisas, talvez seja uma ilusão falsa.
Às vezes você pensa que sou apenas um menininho, mas já te disse que são apenas números. E eles não dizem nada.
Você sempre procura me mostrar seu melhor e eu sempre em busca de seu pior e tentar te mostrar que está tudo bem.
Quando estou com você fico realmente feliz: tudo é vivo, você me faz respirar o ar do verdadeiro amor.
Olhe isto! É real! Venha sem medo! Desejo sentir seu toque pela primeira vez.
Nosso tempero é presente a cada momento e minha montanha estou cruzando.
O sol guia minha fé. E nada nem ninguém a deixa morrer, porque eu tenho você a quem recorrer e sei que sempre terei.
E sempre estarás aí seguindo comigo... Agora você não sabe se vai ou se fica.
E isso tudo está me matando e eu não posso esconder nada de você agora. Nem que eu queira. Mas tenho que ter cuidado pra não te assustar com meus sentimentos. Eu não quero deixar um sonho ir embora sem eu ter feito nada. Eu sei que isso não é um conto de fadas, mas a vida pode ser mais bonita se você lutar por seus sonhos.
Pode ser rica! Com o nosso amor!



Visitem Yuri
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sexta-feira, 27 de novembro de 2009

Diana - por Kbçapoeta

Talvez a lua abranja a vez de qualquer testemunha.
Ando domesticando certo vazio
Que vez ou outra percorre as linhas de meu pensamento.
O vazio chega em forma cursiva que só os calígrafos,
Copistas medievais poderiam ter.
Dias cinzas que tanto amo
Não carregam o vazio que as tardes ensolaradas
Engendram em meu universo individual.
Sim, só a lua, expectadora dos incautos,
Poetas, amantes, bandidos e ladrões, poderia
Mensurar tamanho estado pusilânime dos solitários,
O vazio.
O plenilúnio dos lobisomens,
Fera interior que faz perceber o
Simbólico, Imaginário e Real.
Questiono-me:
De onde vêm os solitários?
Como se formou essa legião?
Os solitários desejosos de serem desejados,
Tentação que não se resume só em pão,
Mas de toda palavra que procede de sua boca.
Filha de Júpiter e Latona, única que percebe o vazio
Domesticado que percorre as linhas de meu pensamento
Que vez ou outra transcrevo no papel.



..............................................Visitem Kbçapoeta
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Amor e Futebol (II) ou ainda Síndrome de Botafogo - por Flavio Braga

Do que adianta jogar bonito,
jogar limpo,
se a gente joga como nunca
e perde como sempre?



Visitem Flavio Braga
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quinta-feira, 26 de novembro de 2009

Jeitinho - por Gio

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Lá na minha longínqua 7ª série, nas velhas aulas de Português (como eu sinto falta delas!), na idade onde ainda se usava livro fornecido pelo governo, caiu um texto bem interessante durante uma das aulas. Falava sobre um tal de “jeitinho brasileiro”. Crianças bobas, ainda não entendiam a profundidade do texto, acharam a emoção da professora ao falar daquilo exacerbada, e passaram a apelidá-la de “Jeitinho”. Bom, acho que não demorou muito tempo para essas mesmas crianças se tornarem adultos e começarem a entender do que se trata esse tal jeitinho.

“Jeitinho” deveria estar no dicionário, com a definição de “capacidade e/ou necessidade de constantemente tirar vantagem de pessoas/situações”. Acho que essa é a melhor definição dessa – vamos ser irônicos – qualidade que é inata nos brasileiros. Parece uma febre, uma doença contagiosa, daquelas coisas que se espalham rapidamente (como o RBD e a estória de que o Acre não existe). É só você olhar para o lado, e tem alguém se usando do jeitinho.

O fato é que o brasileiro parece estar sempre querendo tirar vantagem, não importa de que ou de quem. Se recebe o troco errado para mais, não diz; se vir um jeito de burlar a segurança, entra de furão. Mente a renda para ganhar benefícios, usa a ajuda de influências para conseguir coisas mais facilmente e/ou ter vantagem sobre os outros em disputas. Devo, não pago, nego enquanto puder. Dívida pra mim é sagrada: Deus lhe pague!

Eu sou do tipo honesto até demais. Posso até esquecer às vezes, mas geralmente costumo lembrar (e pagar) dívidas que meus “credores” nem lembravam mais. Sabe quando falta troco, e o dono da venda diz “Tu fica me devendo 20 centavos”? Pois é, no outro dia eu vou lá e pago os 20 centavos. A minha honestidade, na maioria das vezes, não é nem questão de escolha, é irracional: eu não penso antes de responder que o troco está errado, eu só reajo.

Claro, tenho umas recaídas ocasionais. Uma vez, fui comprar cerveja em um bar, durante o carnaval. Pedi uma Bohemia 600ml, e dei 10 reais. A Bohemia veio prontamente... com R$16,50 de troco. Admito, eu fui fraco. Final das férias, dinheiro acabando, e 10 reais vindo assim de graça? Peguei e saí bem quietinho. O bar fechou em março.

Vamos voar para a Europa. Você está na Inglaterra, e decide comprar um jornal matinal – vamos dizer que é o The Sun. Chega no mercado, e vê um armário com porta de vidro cheio de exemplares, com um orifício para colocar uma moeda. Você pega uma libra, insere no orifício, e tchan: não cai jornal por nenhuma boca mágica, a porta de vidro simplesmente abre. Sim, dando acesso a todos os jornais! Você poderia levar 3, 4, 5 jornais... Mas, como bom cidadão de Primeiro Mundo, civilizado e honesto, vai pegar um só e fechar a portinha. Uma coisa dessas nunca daria certo no Brasil: é aí que vemos que “primeiro mundo” não se trata só de dinheiro, mas de mentalidade.

Pegando o exemplo anterior, nós vemos bem o problema: o brasileiro só pensa a curto prazo. Pegaria um jornal para si, para a mãe, para o irmão, uns 2 para as necessidades do cachorro, uns 5 para ajudar a fazer o fogo do churrasco da noite, e mais uns 3 só porque pode pegar mesmo. Na hora é vantagem. A longo prazo, os jornais e as bancas sentiriam o desfalque, e o preço do jornal subiria. O consumidor, revoltado (sim, o pior de tudo é que o brasileiro pensa que ainda é vítima), pegaria mais jornais que o de costume, formando um ciclo vicioso.

É pelo pensamento a curto prazo que é dado o vale-gás, bolsa-esmola e ticket-xis em vez de oportunidades de emprego; que não se investe em educação para não deixar o senso crítico ser desenvolvido; que empresas milionárias sonegam impostos que não iam fazer a mínina falta no seu orçamento, e após serem pegas entram em falência. Desse jeito, para o Brasil melhorar, só se a gente der um jeitinho...
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Visitem Gio
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Amor e Futebol (I) - por Flavio Braga

Do que adianta ter uma torcida maior do que a do Fla-Flu
se o zagueiro só faz cagada?
Meu time é tão forte quanto a seleção do Peru,
e pior do que ficar no Zero a Zero
é ficar no 5 a 1




...........................Visitem Flavio Braga
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Nossa - por Manassés Diego

..............Quando eu me apaixonei pela decadência
Eu estava cheio da grana
............Num avião indo pra Paris
.................Meus fantasmas bem
...............Embora os coros clandestinos
...............Nos enrabem. Nosso canto objetivo.
................Eu assumir
................Eu cuspir
...............O corpo que treme é bem-vindo,
...............Montparnase
...............Essa experiência tem duas videntes
...............Uma, eu conheci
...............Na estação de
...............St. Michel
...............Outra, apenas olhei pela janela avermelhada
...............Desde que ela foi feita, ela nunca foi esculpida

...............Parecia
...............Numa aventura
...............Religiosa secreta

...............Assumia a Boneca
....................Que era no universo

...............Que
...............Não brincava no universo

...............“Então minha benção será lenta?”

...............Uma
...............Na sua doidera muito cedo

...............Aumentando a doçura?

...............Aberta

...............Descansando e esperando um único vagão

...............E
...............Soava

...............A outra
...............Velha e deusa

...............Fechada

...............A conservação do meu espírito vai importar
...............Esse mágico que condena
...............Os humanos

...............Como se
...............Fazendo alcoólatra

...............A partir dos dedos
...............Pendurados
...............Dos quartos de hotéis

...............Esqueci a vida
...............Chamando os Malditos franceses
...............Eles me invocaram primeiro

...............Viajaram

...............Nossas imagens não são mentes

...............E elas
...............As duas
...............Renascimento


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Convite - por Mari Amorim

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Amigos:

Estou inaugurando
um novo blog com contos e causos.

Assim como o sucesso de
MARI AMORIM BRINCANDO COM A RIMA,
convido para que conheçam mais um espaço agradável de leitura:
Sem Pretensões Amor... Contos e Causos.

Ofereço estas flores para sentires a essência de uma flor!

Boas energias
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quarta-feira, 25 de novembro de 2009

Anti-horário - por Leo Santos

Porque queres nadar comigo,
se já me afastei do riacho
das minhas quimeras?
Não respondes, apenas vais,
dizendo que me esperas…

Mas, se eu mantiver a distância,
preservando as águas da tua inocência,
e tua espera for vã?
Resoluta vais, pra onde dizes que me esperas,
inda que até amanhã…

Talvez aches alguma veste,
que nas margens esqueci,
ou, nenhum vestígio, afinal…
Pois o tempo furta os sonhos e nos joga no oceano,
onde a vida cheira a sal.

Já que insistes, pequena, esqueço Cronos,
ignoro cachoeiras e pedras,
te vejo, no fim da piracema;
mas se queres que o enlevo te pareça real,
esqueça então, as marcas do sal…



Visitem Leo Santos
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Sobre a Ilusão do Poder - por Alba Vieira

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Por que deveria sentir-me responsável pelo sopro de alguns quando ninguém ouve meus estertores?



Visitem Alba Vieira
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Aedo Cibernético: Duelo Musical - por Cacá

......Há tempos, quando as brigas ainda eram líricas, contavam que Paulinho da Viola havia criticado o Benito di Paula por estar matando o “samba” (ele, o Benito, só compunha ao piano). Então o Benito fez essa música em resposta à afronta.



OSSO DURO DE ROER
...........(Benito di Paula)

Estão querendo tirar meu nome do samba
Tirar meu tempo de bamba
Dizendo até que eu já me despedi
Mas ainda não chegou minha vez de ir embora
Deixa essa gente falar
É inveja que eles sentem
Estão querendo acabar comigo de vez
Eu não ligo, eu não sou freguês
Vou ficar com meu samba osso duro de roer
É que ainda não chegou minha vez de ir embora
Deixa essa gente falar
É inveja que eles sentem
Canto mais um samba
Que é pra todo mundo ver
A minha bandeira do samba
Deus ajuda a defender

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Bem, aí, como bom desafiante, o Paulinho deu a resposta e cravou no peito do Benito um



ARGUMENTO
.........(Paulinho da Viola)

Tá legal
Tá legal, eu aceito o argumento
Mas não me altere o samba tanto assim
Olha que a rapaziada está sentindo a falta
De um cavaco, de um pandeiro ou de um tamborim

Sem preconceito ou mania de passado
Sem querer ficar do lado de quem não quer navegar

Faça como um velho marinheiro
Que durante o nevoeiro
Leva o barco devagar

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*Na Antiguidade, como a escrita era pouco desenvolvida, o AEDO cantava as histórias que iam passando de geração para geração através da música. Depois, veio o seu assemelhado na Idade Média, que era o trovador. Hoje, juntado tudo isso com a tecnologia, criei o AEDO CIBERNÉTICO.
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Visitem Cacá
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Voo Azul - por Esther Rogessi

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Céu anil
Imagem de encantamento
Real ou irreal?
Linda imagem de um...
Voo contra o vento!
Inversão de visão,
Perplexidade... maldade.
Ferida em mim se abriu
O caçador
Predador
Dor... Atrocidade.
Ao bem não serviu!

Vi um ser vil!
Contemplando o céu anil
Voo azul no azul do céu
Alçou voo quem livre estava
Alcançou-a no livre voo
Da palma da mão
Fez prisão!
Interditou o seu voo
Vi o vil ser não servir
Por prender o livre ser...


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Germina - por Manassés Diego

Inútil explicar via mente.
Minha fraca, não olho as coisas para recordá-las: todos fenômenos
naturais se colocaram em vício, – Troca de falésias, enfim a técnica
acabou com o desespero. Em progressos espirituais mais audíveis,
até a alvenaria de margens sem pressa nem realidade. – Anseio n-
ão terminar como aqueles que amo.
....Não respondem a “Como vivem?” “Como se destroem?” Aco-
mpanham o brilho quando ele cega.
....Ó, fraca, perdendo vultos, esse canto será dos troncos enraiza-
dos; longe do que vê perdido.
....– Vocês acabaram com a minha saúde, agora restabeleçam minha
pureza... Será outra tonalidade. Outros peitos. Para trazermos novas
obrigações. E tiroteios de coreografia...
....Dividir nuvens em pleno manicômio e trair – deixe que role isso até as vidas...


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terça-feira, 24 de novembro de 2009

Transgressão Total - por Fatinha

Querido Brógui:

Transgressão total é ir à praia no meio da semana. E mais: ir à praia, tomar sol sem passar filtro solar, ler um livro que não tenha nada a ver com Direito, tomar Coca-Cola normal, biscoito Globo e entrar na água fria apenas para fazer xixi.



Visitem Fatinha
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Diagnóstico e Visão do Terapeuta - por Alba Vieira

Fazer diagnósticos pode não ser tão simples quanto parece à primeira vista.
Quanto maior o conhecimento do profissional, maior a sua insatisfação no que se refere ao entendimento do que ocorre realmente com aquele que sofre e procura os seus serviços.
O dever do médico é aliviar o sofrimento, não resta a menor dúvida. Mas, a máxima de Hipócrates: “Primum non nocere”, pode ser interpretada sob diferentes ângulos, inclusive mostrar-se falha ao deixar de compreender o quadro na sua totalidade de expressão e significado.
Considerando que toda doença, quer se manifeste no plano físico ou psicológico, é resultante de um conflito, uma desarmonia no ser, é preciso atentar para as principais causas da doença, que se sobrepõem geralmente num mesmo quadro.
Além disso, deve-se observar que a doença não pode ser vista como inimiga, devendo, portanto, ser simplesmente reprimida e sim compreendida e superada pela expansão da consciência, através do entendimento das suas mensagens e sinalização do caminho a ser seguido na meta da evolução.
De maneira geral existem três principais causas de doença, do ponto de vista esotérico:

Causas cármicas (individual e coletivo): advindas de resquícios de vidas passadas, trazidas como sequelas ou fragilidades no corpo físico ou padrões psicológicos.
Causas psicológicas: advindas de acontecimentos da vida atual, presentes ou passados.
Causas evolutivas: pela necessidade de purificação, quando ocorre transferência de energia de um centro inferior para outro superior.

O objetivo do homem é expressar a sua verdadeira natureza que é espiritual, passando de um plano de expressão animal para o espiritual, ou seja, sutilizar-se. E nessa meta é auxiliado pela ocorrência de doenças e a forma como se relaciona com elas.
Como somos seres espirituais, estamos ligados a uma Mônada, existindo a Supra-consciência (o Si) que sabe exatamente o caminho que determinado homem deve seguir no seu plano de evolução naquela encarnação. Entretanto, nascemos sem total consciência de quem somos e, ao longo de nossa existência, vamos tendo oportunidades de ampliar a nossa consciência e sair do estado de satisfação dos desejos, movidos pelo sentido do prazer, para o estado do despertar da consciência, quando nos direcionamos para a meta que nos propomos antes de encarnar, cumprindo a nossa missão. Entretanto, se manifestamos e temos consciência somente do nosso limitado ego, vivendo apenas a auto-afirmação, não evoluiremos. É necessário primeiro se auto-afirmar para depois ir além, através da outra fase que é a expressão da individualidade, ouvindo o que nos diz a nossa Alma, entrando em contato com o Eu Superior que faz com que ampliemos os nossos objetivos, buscando a auto-realização, entendendo que agora, a simples afirmação do eu inferior (a personalidade) passou a ser um obstáculo à evolução. Essa fase é a do despertar do Si, a Supra-consciência, quando deve dominar a nossa natureza espiritual, com a auto-realização. Mas, para que isso ocorra, o homem deverá superar a desarmonia e os conflitos que aparecem decorrentes da transmutação de energias, à medida que cada chakra vai sendo energizado até a iluminação (salto quântico).

Diante de um paciente, é necessário fazermos o diagnóstico tradicional com a anamnese convencional, o exame clínico e a propedêutica necessária, incluindo todas as medidas diagnósticas mais sofisticadas e modernas para cada caso.
Entretanto, é preciso sempre ir além, buscando o significado profundo da doença, a mensagem que ela encerra para integrá-la na vida daquele paciente, permitindo que ele possa evoluir e, assim, não precisar mais daquela doença, caminhando rumo à verdadeira cura e não fazendo simplesmente a supressão de sintomas que é o que se faz mais comumente.
Para isso, há que se ter conhecimentos esotéricos que possibilitem o entendimento daquele quadro de um ponto de vista espiritual.
A abordagem será então de forma heterodoxa, com homeopatia, acupuntura, astrologia, numerologia, radiestesia, terapia de regressão às vidas passadas e outras ciências esotéricas. Ou então o próprio paciente buscará, através do auto-conhecimento, completar o trabalho do médico.
Somente com esse entendimento mais abrangente do adoecer, poderemos ajudar o paciente a buscar a cura verdadeira, identificando inclusive se aquela doença representa na verdade, um momento de sua vida em que ele está sendo chamado a evoluir, com ou sem consciência e em que está havendo transferência de energias de um chakra inferior para um superior, o que está provocando aquela desarmonia (doença).
Ainda, nos casos em que a origem é psicológica, a compreensão da natureza da pessoa utilizando mapas astrológicos, numerológicos ou quaisquer outras formas de avaliação mais profunda serão de grande utilidade no atendimento.
Por outro lado, a identificação de padrões comportamentais que se originaram em vidas passadas e que são responsáveis por patologias presentes na vida atual, assim como marcas presentes no corpo astral, decorrentes de sequelas de doenças ou acidentes de outras vidas e que foram trazidas para esta encarnação são indispensáveis para a solução de casos de difícil diagnóstico e tratamento.
Ou seja, quanto mais sabemos, mais devemos buscar, aprofundando não só o diagnóstico, mas também ampliando a nossa forma de atuação na cura. E, acima de tudo, admitindo que ninguém tem todas as respostas, que sempre há o que aprender para compreender mais e que julgar e emitir opiniões sobre o que não se estudou, por simples preconceito e intolerância é o maior empecilho ao desenvolvimento científico.


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Discrepâncias - por Ana

Temos nossas igualdades,
Temos nossas diferenças.
Somos iguais na compaixão,
Diferentes sistemas de crenças.

Somos apenas dois espécimes
Da luta cotidiana,
Mais duas variações
Desta natureza humana.



Eu não aceito o que vivo,
Você esbanja tolerância.
Eu quero ir embora daqui,
Você defende a discrepância.

Eu me sinto estrangeira,
A Terra é sua casa;
A humanidade me revolta,
Você é um anjo sem asas.

Eu vejo unidades-carbono,
Você, almas com bondade.
Eu digo: o inferno é aqui,
Você se sente à vontade.

Mas vou semeando a esmo
Tudo o que falta aqui.
Você também faz o mesmo
E eu sonho com harakiri.

Defendo: o que salva a Terra
É o extermínio da humanidade,
Você nem quer ouvir isso
E me acusa de crueldade.

Você vê gente sofrendo,
Extravasa empatia
E eu digo: ser humano é isto,
De forma tranquila e fria.

Cê ama a vida por princípio,
Eu odeio (pós-conceito).
Você crê na raça humana
E eu digo: não tem mais jeito.

Mas distribuo sorrisos,
Mantenho a raiva distante;
Você quase sempre reage,
Imprevisível, inconstante.



Você prefere não ver,
Eu não uso nem um véu;
Eu sou racionalidade,
Você acredita em céu.

A sua crença é teórica,
O meu mundo é empirista;
Você se atraca com a fé,
Eu tenho alma de cientista.

Você reza para os santos,
Eu não acredito em Deus.
Você diz que a vida é bela,
Eu só quero dar adeus.

Você crê em reencarnação,
Eu acho isso duvidoso.
Você não entende de bichos,
Eu acho o Homem asqueroso.

Eu adoro Etologia,
Você não quer nem saber;
Eu observo os animais,
Você odeia quando os vê.

No meu teto, mariposas;
As suas janelas fechadas.
Eu respeito outras espécies,
Você mata a chineladas.

Eu abomino o Homem,
Amo outros animais;
E você esmaga insetos.
Antropocentrismo demais...



Nós temos as duas faces:
Uma ruim, uma boa.
Quase sempre eu mostro a cara,
Você exibe a coroa.

Apesar disto nos amamos,
Vivemos felizes, em paz.
Se ao seu lado, meu amor,
Não quero morrer jamais.
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Amizade Além da Conta - por Duanny

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Todo mundo nasce para fazer amigos, isso é fato. Amigos são tudo na nossa vida: são eles que brigam com a gente, choram com a gente, contam segredos, ficamos felizes, tristes, até magoados, mas amizade que é amizade sempre acaba perdoando. É assim e pronto.

Nunca fui uma menina tímida, pelo menos não para fazer amigos. É uma coisa que eu simplesmente adoorooo, até hoje. É na maior cara de pau, juro: “Oooi, meu nome é Duanny, e o seeu?” É assim mesmo, na lata. Muitas meninas olham pra mim como se eu fosse a maior palerma sobre a face da Terra (intriga da oposição), já outras acham graça e falam comigo na maior naturalidade.

Mas digamos que esse meu jeito espevitado de fazer amizades não me rendeu as amigas mais comuns ou as mais normais do mundo. Pode até parecer que eu tô inventando, mas às vezes me pergunto: “Que que eu tô fazendo com essa marmota?”.

Quando eu era pequena, era uma menina chata, mas não uma chata comum, era chata mesmo. Daquelas meninas que não param de falar e você quer matar, sabe? Pois é... eu era assim. E quando eu me juntava com minhas amigas, então, só por Deus! Era a trupe das trombadinhas, aquelas chatinhas, que só de ver você começa rezar. Eu adorava perguntar tudo, saber de tudo, adorava falar, mas, na maioria das vezes (não: em todas, todas as vezes), a pessoa perdia a paciência comigo. Pode?! Aí é que eu não parava de fazer perguntas sem resposta messsmo e, no final, eu tinha a cara de pau de falar: “Mas cê não sabe nada mesmo, viu?”, virava a cara e ia embora toda metida. Vê se pode! Um porre, neeh?!

Quando eu tinha 5 anos minha mãe me levou à creche. Ela me deu um 550 beijos e uns abraços esmagaçados que só por Deus, e quando chegou a hora de ir embora e fazer as novas “amizades”, eu comecei a chorar (parecia final de Titanic), eu abri literalmente o berreiro. Engana-se cegamente quem pensou que minha mãe madura e bem instruída me deu o maior apoio moral e disse: “Tá tudo bem filha, a mamãe volta”. Que nada! A cabeçuda começou a chorar na minha frente, nem pra esperar eu ir embora. Depois disso eu me lembro de uma menina baixinha, usando uniforme, magrinha magrinha, cabelo preto, com maria-chiquinha, olhando pra minha cara com cara de pavor e dizendo “Por que você fez sua mãe chorar?”. Arrgh! Que ódio! Será que ela, com seus 5 anos de idade, fazia a mãe dela chorar de medo de ter uma filha anoréxica com 60 centímetros de altura?? Era uma anta mesmo, viuuu? Ô menina burra! “Cê acha que eu quero fazer minha mãe chorar?”, perguntei toda mandona, com as mãos na cintura e acabando com o choro. Pronto, ela era a minha melhor amiga. Vê se pode!...

Visitem Duanny
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segunda-feira, 23 de novembro de 2009

Esperança - por Marília Abduani

Um fiapo de luz
atravessa a cortina
e entra,
sorrateiramente,até onde eu estou.
Toca, toca, levemente,
ilumina todo o espaço.
E eu fico assim, cintilante,
até que rompa o instante
e eu a carregue em meus braços.


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Ave Maria no Útero - por Manassés Diego

................Nosso sonho custou.
Me fará conhecer teu asilo

Onde uma grande floresta de peitos foi derrubada
Onde
Encontrei nossos frêmitos

Deixe minha criança te pegar
Aquela criança fechada

A roda do tempo
E um delírio

não tenha pressa com a luz –

Utilize esses nomes
Esses desvarios

Onde uma grande criança...

Tenho o verdadeiro mundo de uma paisagem
tomado.
Inocentemente

Sais foram
Milagrados

Selvagens, eu também não posso aguentar
Isso por muito tempo

Que reza!

Que tortura seria

Mas eu prometo escapar
Não, não desastradamente

Mas: francamente

Como alguém que merece

Foi mesmo coincidência
Ter te amado

Teus pensamentos
Tragam momentos
preciosos
os meus,
os meus

Calidezes aparecerão

E não podes me oferecer escapada


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domingo, 22 de novembro de 2009

Consciência - por Alba Vieira

Estou só nesta masmorra.
Tudo é cinza, frio e sem vida.
Não encontro nada que me toque.
Minha emoção está congelada.
Espero o fluir das horas até a libertação.
Meu corpo cheio de vida reage e sofre.
Impossível negar a vida, unicamente porque assim deve ser.
Tento, desesperadamente, escapar dessa opressão.
Meus ouvidos tapam e zunem para não ouvir.
Meu corpo se arma e não permite a circulação de energia.
Preciso me proteger de mim mesma.
É necessário paralisar as reações.
Nesse momento, elas me são prejudiciais.
Devo boiar no lago como folha seca caída.
Levada pela brisa, eu vou certamente para um lugar melhor.
Prevejo as mudanças.
Nessa manhã, enquanto vinha para a prisão,
Soprava um vento de transformação.
Estou amparada pelos seres de luz.

Não posso me identificar com a escória.
Macieiras só podem oferecer maçãs...



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Amor Tímido - por Flavio Braga

Eu te amo baixinho como um sussurro
Mas um tanto assim que o mundo
Não seria suficiente para abrigar tanto amor.

Eu te amo guardado a chaves e cadeados
Quebrados; todos sabem que ando mais desligado
E distraído como de costume.

De cabeça baixa e pensativo te escrevo um poema
Imaginando um amor digno de cinema
Mas preso à triste realidade
- cinema americano faz mal à saúde!
(mas a vida é um azedume)

Quando procuro sua mão é uma batalha vencida
contra a timidez, maldita proteção que me fez
não fazer tanta coisa que devia
e fazer outras tantas que não podia

Eu te amo humilde e ruborizado
Mas nada que um coração tímido e apaixonado
Possa aguentar, e até esperar
Pelas reviravoltas nas voltas que o amor nos dá

Mas tudo bem na minha, sem confusão.



Visitem Flavio Braga
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sábado, 21 de novembro de 2009

Distância - por Poty

Que o sussurrar do vento te leve um beijo carinhoso e eterno e me deixe em seus pensamentos para que a distância não apague de ti minha existência.
Não deixarei apagar. Os ventos sopram no quadrante - entre o sul e o norte, de leste a oeste - e carregam-me até ti. A distância é física de corpo presente, mas a gente sente com a mente esvoaçante voando sem fim.



Visitem Poty
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Ele Manda e Você Obedece! (Parte 2) - por Yuri

Ele (destino) manda e você obedece!

Mas mesmo aquelas promessas todas sendo bem quentes, foi difícil. Está sendo difícil! E muito!
Mas eu tentei e fui eu mesmo e dei o melhor de mim... Está sendo longo...
Nesse mundo não há ninguém melhor em que eu possa acreditar e voar junto?
Eu via só você, mas sei que hoje é tudo muito diferente, eu estou decolando sem você.
Apenas eu. Apenas eu. Decolando sem você.
Hoje mesmo se você vier me querendo eu não o quero mais.
Não depende do seu toque e sim de que futuro irei ter.
Os grandes caminhões não aguentam por tanto tempo.
Eu não gosto do gosto amargo de rum e não quero ser reflexo do seu amor.
Sou como um vidro que pode se quebrar fácil e depois, mesmo o tempo unindo-o de novo, restarão as cicatrizes...
As rachaduras de cada amor ficaram, para sua lembrança que finjirá não se lembrar para não fixar a ideia novamente das rachaduras passadas. É... É bem complicado, eu sei.
Mas a ordem do destino é seguir. Mesmo que você termine só, você o obedeceu, você tentou, teve esperanças, porque a esperança pode ser aquela que te mostre a saída outra vez... E é melhor pensar assim. E não deixá-la morrer.
Não quero ganhar o troféu do que já foi mais importante pra você, pois eu não consegui cruzar a montanha e alcançar ao seu amor.
Nada mais me importa!
Eu tentei com muita fé e luz, mas o meu melhor não te tocou. E agora é tarde, já anoiteceu pra nós dois e eu já tenho que ir.
Eu sei que foi grande e bastante intenso, mas não me lembre do que você não quis continuar.
Quer que eu chore por você novamente? Pode apostar que eu tentarei não seguir sua vontade, porque o que vale é que você tanha tentado subir a montanha mesmo que não tenha alcançado o outro lado.
Pelo menos eu tomei bastante tempo de sua atenção, mas eu não posso sair do tênis alto, não posso me desvalorizar voltando a você.
Mas o que há? Não é disso que se trata. Eu não vou voltar, baby! É melhor se acostumar que nem tudo é mais como você quer…
Não sou mais magnésio e você meu imã. Não somos mais prometidos como amigos ou amantes.
Espero que esse encanto acabe rápido! Porque eu não aguento mais sofrer como fã do seu amor forçado a isso.
É você sabe que está tudo tentando se juntar, e você quer vir com suas flechas novamente?
Eu não queria ser obrigado a começar meu show novamente. Eu não quero te explicar tudo de novo, me fazendo de sexy pra você tentar me ouvir melhor ou ler apenas meus lábios; vou fazer o melhor da minha vida: não te seguir!
Mesmo que seja em coração, o freio já gastou o bastante e não quero comprar outro, está na hora de não frear, de não acelerar de não entrar mais em nada disso.
Não existem amigos de infância, amigos de banda de rock, não existe dia feliz.
Mas tentarei, com ajudas alheias, sorrir, me livrar desse luxo sereno que você levou de mim quando se foi, sem piedade, tornando minha vida não a das melhores.
Não tentarei ir à orquestra para tentar tornar meus ouvidos mais aliviados, não irei esquecer fácil, fácil. Mas eu não sou mais um idiota. Não cairei mais na tua.
Mas pode ter certeza que tentarei não ouvir a grande parte de meu coração que reclama de sua grande ausência (de sua grande falta).
Mas agora é hora de voar. E obedecer ao destino. Não! Não! Eu nunca disse que iria ser fácil, ok?!


Visitem Yuri
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sexta-feira, 20 de novembro de 2009

Perecível - por Kbçapoeta

Nem tudo é para se dizer nesse mundo,
Existem coisas que devem permanecer ocultas.
Caminho adentrando vertigens de nostalgias
Como se percorresse
O caminho de minha morte anunciada.
Como se fosse entrar em um estado de
Absoluto esquecimento.
Não existe morte!
Existe esquecimento.
Que são os versos,
Se não passagens do esquecimento?
O vento passa e arrasta as lembranças
Como os rastros das estradas.
Procuro o não-lugar,
Longe do segredo que oculta
A graça da recordação.
Quando se morre,
Começa o esquecimento.
Esqueço de quem fui.
Esquecem o que fiz.
Esqueço de quem fez.
Comungo com os sais minerais
Em um nivarna microscópico,
Entornando o húmus
Que ira alimentar a vida
Dos que ficam.
Aqueles que não lembro mais.



Visitem Kbçapoeta
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Sensatez - por Alba Vieira

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Sou sozinha, sou sensata.
Todos sabem: sou feliz.
É que estou apaixonada por mim mesma.
Do engodo do amor escapei por um triz.



Visitem Alba Vieira
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A Ostra e a Pérola - por Leandro M. de Oliveira

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Não se farte comendo outras pessoas, não as mutile pela necessidade de mutilar, esse é para o ser um crime sem perdão. Tal prática degrada a individualidade, nega tudo quanto há de augusto e belo na vida. Derrota o homem livre em sua expressão maiúscula. É preciso caminhar até ferir os pés, moldar a argila até que as mãos sangrem. O homem superior tem como seu Graal a senda do não querer, ele concede trégua à futilidade da vida média, da escravidão da vontade. Quer se desvenciliar dos fetiches primários, anseia ser livre para o que vem depois. Com efeito, a humanidade do futuro vai além, requer mais coragem e menos daquilo que nos deixou a todos ultrapassados. Porque assim caminhamos, perdidos no próprio tempo. A assim dita necessidade do outro, não é mais que um labirinto de clamores onde se perde o EU. Andei sobre a terra, vivi entre homens. Deles nada me foi mostrado além fraqueza e pensamento degenerado. No mundo exterior não a há espaço para mendicância emotiva, só uma lei prevalece, aquela que é a todos os animais irrevogável, a soberania do mais forte. Esses são tempos primitivos, selvagens nada sabem de cordialidade. É preciso treinar o corpo, aprender a resistir. Deixar a alma congelar ao sabor dos ventos, vê-la uivar com o fim dos ciclos. Rosnar é necessário, alto e forte até que todos os abutres e chacais tomem distância. Com o tempo as intempéries da natureza soarão como uma carícia ao longo da pele. E você será imune, outra vez gigante, outra vez Titã.

Compreender a beleza não é simples como dormir à noite ou copular em horas impróprias, se assim fosse os asnos seriam dramaturgos de renome e as gralhas, divas da ópera. Tem-se que se dar por inteiro, exaurir-se, afastar-se, submergir ao fundo do mar no ponto extremo onde só existe aquela ostra embrutecida e com ela obcecar-se. Perder as carnes dos dedos, dilacerar com os dentes, romper às cabeçadas, deve-se provocar a abertura custe o que custar. E quando estiver gasto, entregue e derrotado, do interior desse receptáculo hostil vai ver surgir a perfeição na redondilha sem verso de uma pérola virgem. Você é a ostra, agarre a pérola, ela esteve aí dentro o tempo todo. Mas antes de abrir a porta é preciso se livrar dos cadáveres, daqueles já frios vindos de um passado que pra sempre jaz imutável e dos outros, produtos da crença no impossível futuro, as crianças sem ovário, os bebês de alma anincéfala. Escravos dão a luz a outros escravos, liberte-se antes de acontecer. Você conseguiria por um minuto deixar de ser um animal de carga? Nada te impede de tentar. A esquizofrenia deve ser suplantada em nome de algo mais são, Chronos não se apieda de quem hesita, sua marcha é veloz.

O homem novo, o gigante gerado pelo anão, que se rebela e encontra na rebeldia um algo maior. Ele nada possui, vai serpenteando à casa celeste e lá chegando ultrapassa-a, mais alto que o céu, mais baixo que o inferno. E assim sendo é o todo e ao mesmo tempo o nada, eternamente vazio, pra se preencher do que vier, onipresente. O que for de urgência, as circunstâncias proverão, a vida cuidará pra que se realize. Por hora basta estar atento ao fluxo interior, não ao passo cambaleante das ovelhas ou de qualquer outra das miseráveis manadas. Vocês mataram Deus e agora querem que eu pague para que o mantenham vivo. Vocês transformaram o que havia de nobre, converteram em favores de pecúnia, vocês e suas malditas tabelas de preço. Sempre a pisotear o campo quando esta prestes a florir, sempre a urinar nas fontes quando a água ainda é límpida. Solte fogos no velório, chore nos bacanais da “moralidade”. Constatar que essa vida é uma causa perdida pode não ser o melhor juízo pra começar o dia mas, com alguma boa vontade pode ser a raiz pedagógica de aprender um algo inédito. A transformação não permite escudeiros, é uma busca singular. Dessa vez tente com as próprias pernas. Sem cadáveres nas costas, sem rédeas na boca, só o caminho importa. Se te parece belo, torpe, colorido, cinza ou vil. Tudo o que acrescer de ti é incidental, frívolo e dispensável. O caminho tem desígnios próprios, ele é a opção dos que já não buscam mais mentir a si mesmos.
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Ele Manda e Você Obedece! - por Yuri

Ele (destino) manda e você obedece!Quando você pensa que já está tudo bem, que tudo se resolveu, que não precisa mais de nenhuma palavra, nada a falar, que você só tem de atender o destino: seguindo...
É aí que tudo se complica. E é ai que você se engana.
Nada está salvo.
Ela chega e resgata o pisado passado amor.
É tudo tão incerto. Você já é hoje mais maduro, e todos sabem disso!
Ela chega com aquele jeitinho de sempre, encantador.
Olhar de fora tudo parece ser tão fácil!: Ah... se quebrar conserta! Se começar o incêndio joga água depois...
Mas acontece que é tão fácil falar do coração alheio se você nunca chegou perto de sentir aquilo.
Se você nunca chegou perto de tocar aquilo... de sentir o fôlego acabando em seus ouvidos... da pessoa que você mais ama.
De fora tudo parece ser tão fácil, mas eu sei, você sabe que não está tudo ok, que está tudo bem quebrado por aqui. E eu não acho isso legal! Pode apostar?!
Eu acreditei como nunca havia acreditado e você me tratou como seu garotinho, “sua cria”, como disse uma vez.
Mas os menores também chegam a ter sentimentos, e eles chegam a sonhar como um dia houve algo, e eles também se cortam por dentro.
Tentam ir com suas próprias asas, mas acontece que sempre há as mãos sujas para cortá-las no meio da decolagem...
E não há nenhuma massagem pra amenizar a dor e deixar tudo bem mais tranquilo por aqui, não há nenhuma maquiagem fixa que possa disfarçar o quanto tudo está quebrado por aqui.
Eu pensei que era tão fácil tentar ouvir, agarrar e conseguir seu coração.
Mas eu não me dei bem no verdadeiro jogo do amor.
Antes de você achar que tudo poderia acontecer, que você sentia falta do que nunca houve em sua vida... então é bem pior quando você já passou por aquilo, daí você sente a real falta, e pode apostar que essa dói bem mais.
E eu não quero passar por essa história 2.0, eu quero ficar longe, cair fora desta vez!
E eu antes pensando que era tudo tão fácil, como fui tolo! mas eu tentei.
Foi tão confuso! Complicado! Mas eu tentei. Eu amei. E os pedaços não se juntaram ainda...
A poeira do tempo ajuda bastante a uni-los de volta.
Quando sua cabeça tenta se ver livre, onde você não pode controlá-la ela sonha livre.
E eu pensando que era você que eu iria apresentar para toda aquela gente. Que iria ser como um filme, de melhores amigos que se tornaram grandes amantes...
Foi tudo tão feliz, vivendo-o, esperando, aquela expectativa, o friozinho na barriga, aquela arrepiada quando ela se aproxima. rs
Mas você sabe que não resta nenhuma amizade, nem um filme, nem melhores amigos, eu não consigo mentir quando estou ao seu lado.
E você sabe que não estamos felizes separados, estamos tentando, empurrando nossas vidas e deitando e pensando um no outro no mesmo instante como deveria ser, o filme, os melhores amigos que se transformam em grandes amantes e querem gritar que se amam, ficamos apenas imaginando como seriam nossos planos, um dia feitos e largados ao vendo que hoje parece ser tão pendente.
Você lembra bem como eu sou, meu jeito, meu nome, minha imagem, meu sorriso, meu olhar, o contorno de meus lábios e meus gostos...
E sei que você sente falta disso tudo! E eu também sinto dos seus e tento me enganar, mas eu não consigo mais mentir.
Quando ouço aquelas músicas fico tão conectado a você, na verdade sempre estás em meus pensamentos.
Mas eu sei que você sente minha falta e é tão ruim eu não poder cantar a vitória, porque ela simplesmente não existe, como vocês podem ver.
Olhe pra mim e me diga: o que vê de errado? O que ele tem que não tenho? - já me pergunto.
Olhe pra mim agora e se decida, e se você o preferir, quero que sejam felizes, mas que esqueça de mim.
E olhe pra mim novamente e veja o que estás perdendo.
Eu não quero voltar a sua casa para tentar consertar as coisas, deixarei que você me procure quando organizar suas ideias.Eu morro de vontade e sei que você também, mas a mistura do passado que você não deixa morrer dentro de você... isso nos desune.
Eu gravei sua face e você a minha, como as mais finas vistas um pelo outro. Eu sou seu anjo! Deixa-me te guardar em meus braços, em minha proteção, deixa-me ir contigo, te levar comigo, sem sua mistura passada! Ela já venceu. Pode apostar?! Mas isso só você tem de sentir. Eu não posso te fazer enxergar com meus olhos, até porque você seria o rei da selva!
Não quero me esquecer do luxo de seus braços, aquele cheiro tão doce. Você foi o primeiro no mundo a conseguir retirar minha alma de mim com um só olhar. E hoje você me obriga a voar. As pessoas sabem que tudo é confuso e que eu não o farei...
Mas você se obriga a ficar quando as portas estão trancadas com grandes cadeados fortes e você se obriga a sair quando te enxotam com a vassoura e a porta está arreganhada dizendo: venha!
E sou eu que tenho de voar agora.



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quinta-feira, 19 de novembro de 2009

(Des)reforma - por Gio

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O povo brasileiro é criativo, tenho que admitir. E também adora dar seu jeitinho para certas coisas. Agora, combine os dois e temos a criatividade em nome da preguiça. E a última do brasileiro é inventar cláusulas novas para a Reforma Ortográfica (que, pra começar, não começa com “h”).

Tudo bem (1), eu sou pedante, chato até, quando se trata de Língua Portuguesa. Mas a gente percebe claramente quando a pessoa não sabe, e quando a pessoa não quer saber. E agora as pessoas esperam que esse acordo tenha tornado certo o que antes elas escreviam errado – ou ao menos querem convencer os outros disso.

Tudo bem (2), é o segundo texto a respeito da reforma que eu escrevo, sem contar o conto (“contar o conto”, gostei dessa). Mas esse é interessante, e sua intenção é justamente a oposta do outro: pessoas, estou aqui para informar solenemente o que não mudou na nossa amada Língua Portuguesa.

Em primeiro lugar, a crase não sumiu. Não, ela não é um acento diferencial. Acento diferencial é “pôr”, “pólo”, “pêra”, “péra”... E não, ela não é chata. A crase é que te poupa de escrever coisas bizarras como “Vou aa praia hoje”, já que o feminino de “ao” é a construção mais grotesca que um ser humano poderia fazer. Então, parem de complicar com o pobre do acento grave (sim, ele tem nome próprio, não se chama “crase”), já que ele nos poupa do ridículo.

Depois, a regra dos “r” e “s” dobrados são válidas só para palavras com prefixos, e não pra juntar palavras antigamente separadas. Não existe “derrepente”, e muito menos “dessopetão”. Ah, e certamente não existe “concerteza”. Também não vi nenhum caso de palavra se separar: “com tigo” e “por tanto” não existem, pelo menos até segunda ordem.

Não houve nenhuma alteração quanto ao uso do “x” e do “ch”. “Xingar” é com “x”, “chamar de veado*” é com “ch”. “Mexer” e “chave” ainda não dá tanto problema (exceto quando são usados na construção “mexer na chave do carro do seu pai”), já que a palavra do jeito errado não existe. Já pra “bicho” e “bixo”, a coisa complica... Ok, a intenção é essa mesma, só estou tentando ser politicamente correto!

Infelizmente, para os fãs da pressa, o internetês ainda não é dialeto oficial. Ainda não se pode usar “vc”, “tb” “vdd” e “bjs” na redação do vestibular – e muito menos “vtnc” pra reclamar disso. Emoticons continuam não sendo palavras, e também não deveriam constar nos finais de frase. Finalmente, o tiopês está mais longe ainda de ser válido: “comofas” não é junto, e muito menos com “s”; e construções como “dexcülpah” estão mais longe ainda da realidade, já que o trema – esse sim – foi abolido.

E é melhor eu parar por aqui, antes que eu acabe aprendendo a escrever errado – e pior, achando isso a coisa mais certa do mundo...

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*“Viado” com “i” é neologismo pra diferenciar do animal. Entretanto, ainda não foi dessa vez que entrou pro dicionário. Se bem que, depois que “almário” e “cu” entraram pro Aurélio, eu tô esperando qualquer coisa...
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Perdidamente Apaixonada - por Alba Vieira

Vale das sombras,
Poço sem fundo,
Manto negro protetor.
Serão misérias, recortes de vida
Ou momentos plenos de terror?

Mas se olhados bem de perto,
Refletem simplesmente o tal do amor.



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Aedo Cibernético: De Frente pro Crime - por Cacá

.......O ônibus seguia naquela desembestada fúria que é habitual e os passageiros naquela indiferença habitual também. Ninguém mais liga a não ser em seu olhar perdido na falta de horizonte; a não ser os ouvidos no seu mp3, mp4, esses sonzinhos de espantar tédio que carregamos por aí em vez de um papo com alguém que encurte a viagem; a não ser também se houver uma batida. Aí lembram do motorista.
.......Pois foi passando exatamente em frente ao corpo de bombeiros que alguém avistou um corpo civil estendido no chão. Mais de uma voz ao mesmo tempo gritou: - Olha lá, tem um homem morto ali! O outro coro, nervoso, já vociferava com o habitual mau humor: - Essas brincadeiras de 1º de abril não pegam mais, não! Mas era de verdade. O corpo estava lá, para a habitual observação indiferente de quem passava. Tem uma ação coletiva e disputada, que não é de mentira. A de chamar o resgate. 192, 193 e está cumprida a nossa cidadania de pedra. Todos querem ser o primeiro. Mas o corpo continua lá, frio, no 1º de abril e nos outros dias da verdade dura. Com pressa, foi cada um pro seu lado.



DE FRENTE PRO CRIME
...........(João Bosco e Aldir Blanc)

Tá lá o corpo estendido no chão
Em vez de rosto uma foto de um gol
Em vez de reza uma praga de alguém
E um silêncio servindo de amém...

O bar mais perto depressa lotou
Malandro junto com trabalhador
Um homem subiu na mesa do bar
E fez discurso prá vereador...

Veio o camelô vender
Anel, cordão, perfume barato
Baiana prá fazer pastel
E um bom churrasco de gato

Quatro horas da manhã baixou
O santo na porta bandeira
E a moçada resolveu parar,
E então...

Tá lá o corpo estendido no chão
Em vez de rosto uma foto de um gol
Em vez de reza uma praga de alguém
E um silêncio servindo de amém...

Sem pressa foi cada um pro seu lado
Pensando numa mulher ou no time
Olhei o corpo no chão e fechei
Minha janela de frente pro crime...

Veio o camelô vender
Anel, cordão, perfume barato
Baiana prá fazer pastel
E um bom churrasco de gato

Quatro horas da manhã baixou
O santo na porta bandeira
E a moçada resolveu parar,
E então...

Tá lá o corpo estendido no chão...
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*Na Antiguidade, como a escrita era pouco desenvolvida, o AEDO cantava as histórias que iam passando de geração para geração através da música. Depois, veio o seu assemelhado na Idade Média, que era o trovador. Hoje, juntado tudo isso com a tecnologia, criei o AEDO CIBERNÉTICO.
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quarta-feira, 18 de novembro de 2009

O Rosto na Água - por Leo Santos

Indisfarçável vazio,
sem máscara,
a nudez do coração;
que insiste num pulsar externo,
incapaz de evitar
tal exposição…

Um som nostálgico,
e o striptease;
peça por peça, a dor,
a solidão e a mágoa;
semblante fechado, aberto o coração,
em versos que são o rosto na água…

A ilusão faz enfermar,
e até a lascívia
suprime o amor;
por fim, a desilusão traz a cura,
perenes efeitos,
e amargo sabor…



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Lua - por Alba Vieira

Noite enluarada de amor infindo,
Casais rodopiam em olhares imantados,
Corações aflitos palpitam descompassados,
Pensamentos fugidios se esvaem de mentes sonhadoras.
Tudo se move em câmera lenta nessa atmosfera insana
Onde o sentimento domina e põe tudo a perder.



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Dúvida - por Passa-Tempo

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O que são as palavras ditas de uma boca sem ação?
Letras formando frases sem sentindo caindo num ouvido oco no chão?
Ou promessas de planos traçados em vão?
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E Nada nos Protege de uma Vida sem Sentido... - por Thiago de Sá

A discussão sobre a vida tem se tornado frequente em diversos grupos, com estilos completamente distantes uns dos outros. O fator em comum, fora a discussão sobre a vida, é a maneira de cada grupo olhar a vida. Talvez até os meus textos tenham um pouco disso ou muito, isso quem decide é você, amigo fiel que sempre passeia seu olhar em minhas palavras. Olhamos muito a vida em terceira pessoa e não em primeira. Isso provoca um profundo distanciamento entre prática e teoria, ou seja, dia após dia nos tornamos teóricos, e de teóricos o mundo já está cheio. Em todos os lugares que vamos existem pessoas preocupadas com a vida, o que de certa forma é bom, porém estão preocupadas com as vidas dos terceiros a sua volta, não estou querendo ser egoísta e que fique bem claro que também não me refiro ao desinteresse ao próximo. Quando desejamos mudar, a mudança só se torna possível se mudarmos o nosso mundo, o cotidiano nosso de cada dia. Contudo, essas minhas linhas ainda mostram uma sociedade de esforços surreais.

Caminhamos, muitas vezes, buscando o futuro do amanhã e acabamos por esquecer que o futuro se faz no segundo presente que passou. É interessante e ilusória a ideia de projeção distante e utópica que fazemos dia após dia. Inquieta-se no meu peito a preocupação com a maneira que cuidamos da humanidade. Mas não essa humanidade longínqua que se faz presente no todo do mundo. Falo da humanidade benevolente e compassiva que cabe a nós, e não essa violência aturdida que se aplica em nossas vidas. Parece-me que estamos mais próximos de uma besta interior do que os animais irracionais, que frequentemente a liberam no intuito de sobreviver. O que nos faz humanos é a forte capacidade de compreender as pessoas a nossa volta, e viver uma interação harmoniosa com o ambiente ao redor. Acho incrível como não fazemos bom uso da liberdade que temos. Somos livres e não sabemos viver com liberdade. A vida está posta em uma prateleira de um mercado de baixa categoria e ainda estamos em liquidação. Quanto mais do mundo e de nós será destruído para acordarmos? Olho em volta e me comovo com o quanto uns lutam e sangram pra serem o mais humanos possível. Contudo, sozinho não vou longe. O poeta nos ensina: “Não acomodar com o que incomoda!”.


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