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Eróticos.)




sábado, 6 de dezembro de 2008

Desencanto - por Jorge Queiroz da Silva

Não busco o desencanto, ele não teve importância em nenhum momento de minha vida. O mais prático é buscar o encanto, este sim existe, e é muito mais fácil de ser achado. O desencanto já é resultado do encanto, embora desgastado e embrulhado. Somente o encanto quebrado será motivo para a busca do próximo encanto e essa busca tão verdadeira vai lhe mostrar o que, com certeza, irá encantá-lo outra vez.

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Dança dos Chinelinhos - por Zaira Leite

Os chinelinhos andavam
da sala até a cozinha;
na cozinha volteavam,
formando estranhos desenhos
de estrelas e sóis distantes;
depois, à sala voltavam,
iam, vinham, sem cessar
para o seu baile dançar
e decorar de mansinho
os passos desse caminho
que andavam sem tontear;
os chinelinhos travessos
quase viravam no avesso,
marcando os passos do mundo
imenso e tão limitado...
os chinelinhos à esquerda,
à direita os chinelinhos,
bem firmes, depois, no centro,
a esperar e a buscar;
os chinelinhos dançavam,
deslizavam, escorregavam,
os chinelinhos viviam,
os chinelinhos cansavam,
os chinelinhos gastavam,
e nas idas e nas vindas
de sua andança no chão,
os chinelinhos morreram
e, sem querer, imprimiram
na última volta que deram,
a marca de um coração...

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Urgência - por Alba Vieira

Não consigo definir exatamente como me sinto, mas é uma angústia, uma carência, uma vontade de parar tudo talvez para refletir, talvez, não sei, para parar tão-somente. Eu me sinto exausta e carente. Necessitada de alguém que compreenda este meu estado, esta minha angústia. Carente de sentar e conversar por horas a fio com uma pessoa que queira trocar comigo. Alguém para quem eu possa me queixar, falar das minhas fraquezas, dúvidas, indecisões e indefinições. Mas, ultimamente, todos que me procuram estabelecem comigo um contato que “precisa” ter mão única. Querem de mim respostas que muitas vezes não posso dar, buscam em mim um apoio que nem sempre estou preparada para lhes dar, esperam soluções mirabolantes, poções mágicas, pozinhos encantados que facilitem os seus relacionamentos, que os tornem fortes e preparados para uma vida de dificuldades que eles próprios geraram; e eu, que não possuo este dom, esta mágica nem para minha própria existência, tenho que pacientemente tratá-los, minimizando sua dor até que possam compreender que a doença, os sintomas, são apenas alertas, sinalizações para que encontrem o seu melhor caminho. Nem sempre eu tenho esta compreensão, nem todos os dias possuo a vontade de exercer este meu trabalho. Há tantos momentos em que necessito de alguém que me tome pelas mãos e me leve por um caminho florido, me sente no colo, enxágüe meus olhos úmidos e consiga apaziguar meu coração aflito.
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O Canto da Sereia - por Jorge Queiroz da Silva

O canto da sereia existiu para mim! Ainda menino, em situação de coragem numa praia perigosa, pude constatar que eu nadava em direção a pedras, no mesmo momento em que a maré subia. O cansaço já tentava me parar e as braçadas não tinham mais a força necessária para me levar à margem. Eis que, de repente, um ruído à minha esquerda me assustou e me mostrou um grande peixe. Eu notava que existia uma corrente d’água e o peixe, para me orientar, fazia movimentos ritmados em direção a essa corrente, tão próxima de mim, a cinco braçadas apenas. Aí então, ganhando força, consegui chegar à corrente e de imediato ser levado até as pedras que me dariam a salvação. Cheguei à conclusão de que o canto da sereia, incorporada naquele grande peixe, exibiu-me o caminho para não morrer afogado.

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Traição - por Jorge Queiroz da Silva

As traições foram tantas e em quase todas as fases de minha vida. Será bom que eu as esqueça. Acredito que as traições são fundamentadas pela nossa boa fé individual. Penso que a boa fé coletiva é a protetora, pois a humanidade conjunta se envergonha de trair. A traição mal feita e aplicada será derrotada por qualquer ser humano verdadeiro e inteligente. Já estive em momentos de traição e para derrotar os traidores usei de coragem e sabedoria. Elas, juntas, darão o caminho. Encare, sempre, o traidor, pois todo ele é covarde!

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Perfeição - por Jorge Queiroz da Silva

A perfeição é algo inexistente, pois ela, pelos próprios caminhos, demonstra sua indefinição. Acredito que seja composta de fatos e atos, de um passo contido do medo de errar. Diziam os antigos: perfeito só Deus! Na verdade, pregavam num mundo imaturo, buscando as idéias de um homem inseguro, que tentava, a qualquer instante, chegar à sonhada perfeição. As provas demonstram que, em todas as áreas da vida, mudanças constantes se fazem em busca da perfeição. Lembremo-nos do avião 14-Bis. Foi perfeito e voava, mas por um tempo. Hoje, os Mirages, os caças de guerra, foram ultrapassados por outros tipos de aviões, como o Concorde, de vôos rápidos e internacionais. Esse também foi proibido de atuar, pelo seu ronco acima dos limites normais. Posso citar outro exemplo de caminhos em busca da perfeição, quando me lembro da época em que estagiava na IBM e ficava impressionado com o computador do Centro de Estudos ser classificado como o mais veloz na execução de cerca de dezesseis tarefas diferentes ao mesmo tempo. A busca da perfeição fez com que chegássemos hoje ao “notebook” de tamanho reduzido e com muito mais propriedades do que o monstro de 1968, sem falar que só existiam dezesseis unidades do mesmo nas grandes e principais Empresas do país. Posso citar outro exemplo. No ano de 1957, em meio ao meu trabalho, um colega inventivo e criador pediu-me que dirigisse uma carta a uma empresa fabricante de automóveis oferecendo seu mais novo invento: uma roda de encaixe para utilização nos carrões fabricados. Para minha surpresa, provando-me que a busca da perfeição é constante, tal Empresa respondeu sua carta dizendo que o invento era muito avançado e que talvez pudesse ser utilizado nos carros que seriam fabricados dali a mais ou menos trinta anos. Por isso, creio que a perfeição ainda está a cargo de nosso pai Criador!

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Simplesmente Ser - por Alba Vieira

Todo ser tem algo que sussurra no fundo si.
Quase nunca se dá conta e segue dividido...
Entrementes, um anjo azul vela, protege e acompanha
aquele que não vê nem pressente,
mas anseia por saber
que motivos se escondem
no mistério do viver.
Até que, enfim,
possa simplesmente ser.

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