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quinta-feira, 4 de março de 2021

A origem jurídica de Bolsonaro

 




Desde a teoria do “domínio do fato” o Brasil começou a perder sua soberania e democracia gradativamente. Essa teoria possibilitou que a classe dominante, ou seja, os mais ricos, pudessem espraiar o ódio aos pobres e em um partido (PT) em especial, e, ao mesmo tempo, prender as pessoas que retiraram sua exclusividade nos aeroportos e acesso a artigos luxuosos.

Anos atrás, um jovem que participa de um grupo de proprietários de motocicletas da marca Harley-Davidson, manifestou sua indignação em uma plataforma de rede social pelo fato do filho de sua empregada possuir uma Harley-Davidson igual a sua, pois, em sua visão, empregados não deveriam possuir os mesmos bens de consumo e frequentar os mesmos lugares dos patrões e sentenciava seu preconceito com o seguinte bordão: “quem pensa que estou errado é por que é burro ou gosta da turma do José Dirceu!” Abaixo de seu comentário havia muitas palavras de apoio sobre o” lugar de cada um”. Nesse momento a classe dominante, a “elite do atraso” , a serpente fascista do Brasil, chocou seu primeiro ovo.


quarta-feira, 13 de agosto de 2014

120 Fucking Estrelas - por Juliana


Depois de muitos anos, eu finalmente consegui as 120 estrelas do Super Mario 64. Não por incompetência minha na infância, já que eu era razoavelmente boa nos jogos do saudoso 64, mas eu não tinha a fita e sempre que estava perto da façanha, o dono requisitava o cartucho de volta. Mas não desisti: depois de muito tempo consegui comprar o jogo e finalmente pude zerar.

Após essa pequena saga, me ocorre que Mario é um personagem muito curioso. Além de ter começado como um carpinteiro, chamado Jumpman, que tinha bigode apenas para ser reconhecido como humano, em um jogo do Donkey Kong, pode-se dizer que não tem história. Trata-se de um encanador baixinho e gordinho que vai salvar a princesa, que foi sequestrada por um quelônio gigante com espinhos nas costas, chamado Bowser, que possui os piores capangas do mundo. Quando você pensa que não pode ficar mais estranho, você percebe que Mario é o encanador mais inteligente e habilidoso da história. Já foi médico, pintor, piloto de Kart, lutador, exímio jogador de tênis, jogador de golfe e exerceu muitas outras atividades. Como se isso não fosse suficiente, vive indo para umas “party”. Mas, apesar disso, é o carro-chefe da Nintendo, o personagem fez da empresa essa gigante dos games.
Acho impressionante que, atualmente, com jogos tão elaborados, trazendo cada vez mais realidade e histórias cada vez mais envolventes, o Mario consiga sobreviver. Mas acredito que seja pela incrível jogabilidade e diversão que seus jogos proporcionam. Não é por acaso que depois do lançamento do Mario Kart 8 a venda do Wii U tenha aumentado.
Fico por aqui. Mas, assim como o Mario
(Que Mario?), eu volto em várias continuações, com várias temáticas diferentes.
 
 
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quarta-feira, 21 de agosto de 2013

Apocalipse em Israel - por Kbçapoeta

Tenho visto ao longe
O temor de meus fraternos.
A mídia com sua língua,
Espada afiada,

Tal qual o homem
De cabelos brancos como alva lã.
Encontro-me em carne osso
Testemunhando os fatos
Que sempre estais a recontar.
Muros, homens bombas e destruição.
Até que ponto vale a religião?
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quarta-feira, 11 de julho de 2012

O Exibicionismo, Hoje tão Presente em Todas as Atividades - por Adir Vieira

Meu novo point, duas vezes por semana, é uma grande academia de ginástica.
Ali, às terças e quintas, durante uma hora, observo o comportamento humano.
Não estou ali para me exercitar (embora, confesso, até precisasse fazê-lo), mas, sim, para levar minha sobrinha à aula de ginástica artística.
Naquele imenso salão, grandes áreas acolchoadas delimitam espaços reservados para ginástica artística e ginástica olímpica.
Camas elásticas, cavalos, barras e cordas suspensas decoram o ambiente e se prestam para várias atividades, com o fim de treinar as crianças de três a quatorze anos para competições ou iniciá-las num esporte saudável para suas vidas, onde aprenderão disciplina, educação, autocontrole e, sobretudo, a exercitar o corpo.
Meu point é a academia mais cara do shopping e, de cara, percebe-se que os frequentadores têm hábitos dignos daqueles que não precisam se preocupar com dinheiro. Vê-se que as mamães que ali aguardam por seus filhos portam celulares de última geração e trazem em mãos chaves de veículos sofisticados. Desde seus trajes até sua forma de falar, primam pela exibição.
Nas minhas divagações, fico buscando explicações para essas posturas, mesmo hoje, quando as várias formas de financiamento aproximam ricos de pobres nos seus gostos de consumo.
Prosseguindo nas minhas costumeiras observações - mal de psicólogo -, atenho-me às crianças.
O comportamento é o mesmo em todas ou em quase todas. Na aula de ginástica olímpica, as crianças têm de três ou quatro anos, mas parecem mini-moças, com seus corpinhos de barbie, completamente delineados, talvez um desejo das próprias mães para si mesmas. Em todas, sem exceção, o exibicionismo é a palavra de lei. No falar ou nos trejeitos deixam claro sua prepotência, tão grande em seres tão pequeninos. Outra palavra de lei é competição.
Detenho-me agora a uma das professoras de ginástica olímpica (uma menina de uns vinte anos que, com certeza, ainda não sabe nem o que é vida) que, ali, graças à força que lhe dão, reina absoluta naquilo que julga ser primordial para aquele tipo de ensino.
Um dos princípios do esporte é propiciar o autocontrole, o equilíbrio, a educação etc., mas a professora, com seus gritos histéricos, amedronta as crianças e irrita-as ainda mais, desenvolvendo desejos de vingança contra os equipamentos e contra ela mesma, a quem em alguns momentos até desafiam sob o olhar inerte das mães na platéia.
Dali da assistência e percebendo as mães imóveis ou com máquinas digitais em punho a registrar momentos que, com certeza, serão exibidos em casa para pais ou avós, revolto-me internamente com a sua impotência diante de tanta aberração.
Atenho-me ao espaço onde minha sobrinha está recebendo aula e fico, ali de fora, pronta para o ataque. Graças a Deus, o pai a colocou num esporte mais suave, embora exija força, e sua professora já tem alguns anos de estrada, o que, com certeza, já a fez corrigir esse grande mal da humanidade, o exibicionismo.
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sexta-feira, 29 de junho de 2012

A Propósito do Superdiagnóstico - por Alba Vieira

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Especialmente os médicos devem se acautelar ao procurar alguma coisa.
Afinal, sempre acabamos encontrando aquilo que buscamos com avidez.
Ainda que possa somente existir em nossa mente habitualmente perscrutadora e obsessiva.
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.Visitem Alba Vieira
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domingo, 17 de junho de 2012

Adaptações - por Gio

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Acabei de ver “Anjos e Demônios” no cinema, e a constatação que eu fiz foi: é outra história. Não, aquilo não é o Anjos e Demônios que eu li há uns dois anos. Digo, tem o mesmo storyline principal, o Langdon tá lá e tal, mas... Mudaram muita coisa. Não houve só adaptações para diminuir o tempo; houve alterações totalmente sem necessidade, por puro capricho ou vontade de inovar do diretor.
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.[Os parágrafos a seguir são um desabafo, e portanto contém spoilers. Quem não viu o filme ou leu o livro, pode pulá-los.]

O filme já começou mal: Leonardo Vetra ganhou um nome novo, e deixou de ser pai da Vittoria. O fax que mandaram ao Vaticano não tinha o corpo dele com a estampa a ferro escrita “Iluminatti”, somente o símbolo impresso. Ridículo.

O diretor do CERN... Cara, o diretor do CERN! O velhinho da cadeira de rodas! Ele nem aparece no filme! É ele que tem a conversa com o carmelengo, e obtém a confissão (e não o chefe da guarda suíça, que a essas alturas já tinha ido pro espaço!). E o que o Langdon consegue com ele é uma câmera, e não uma chave para um monitor high tec.

Falando da cena da confissão... O que fizeram com o Diamante Iluminatti? Transformaram o negócio em duas chaves cruzadas, que nem formam um ambigrama. O segundo ambigrama mais legal do livro (“Water” ainda ganha, pra mim) foi desprezado. Triste, triste, triste...

E esqueceram de mencionar que o Robert sobe no helicóptero também, e salta usando seu casaco para amenizar a queda. Pelo amor de deus, a cena em que o Langdon se estabaca no rio é prenunciada desde o início do livro. E me cortam ela do filme.

A Vittoria não foi sequestrada, isso até dá menos agonia. Mas o último dos preferiti não sobrevive - quem é eleito é o Eleitor do conclave, como quase aconteceu no filme. E o carmelengo não era pra pegar fogo no interior da igreja: deveria pegar fogo em cima do telhado, pra todo o povaréu ver.

E, que moleza, hein Tom Hanks? Receber a localização do covil pelo cardeal quase inconsciente. O Langdon do livro pena sozinho, desvendando mais e mais pistas, e quebrando a cabeça, para descobrir onde os preferiti estavam presos.

Só houve uma alteração que eu acredito ter algum motivo maior: a de omitirem o fato de o Papa antigo ser pai biológico do carmelengo, concebido por proveta com uma freira. Digamos que isso poderia (arranjar confusão com) ferir a Igreja.

[Fim do spoiler.]
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Toda vez que se adapta um livro para o cinema, é sempre a mesma coisa: felicidade de quem nunca viu, choradeira e decepção de quem leu o livro. Foi assim com Harry Potter, O Código da Vinci (do próprio Dan Brown) e, mais recentemente, O Caçador de Pipas. Diria até que o Código da Vinci desapontou os dois, pois eu vi antes de ler o livro e achei muito meia-boca.

Adaptações são feitas, na maioria das vezes, porque transcrever integralmente o conteúdo de um livro deixaria o filme com 8 horas de duração. Então, em vez de fazerem uma série de 8 capítulos fiel e com qualidade, os diretores preferem picotar o roteiro, e modificar cenas fundamentais, para poder caber em 3 horas.

Em outros casos, diretores adaptam o filme para dar a sua visão à estória, e para torná-la algo diferente, desprendido da estória original. Mudam os personagens, mudam partes do enredo, mudam o final. Muitas vezes, o resultado é muito bom - como esse -, só que...

Os fãs do livro não esperam isso. Eles não querem uma nova visão. Eles querem a encarnação do enredo e dos personagens que eles conhecem. A cada elemento mudado no filme, tem-se mais um protesto indignado, mais um comentário desapontado de um fã que não recebeu o que queria. E é assim que eu me senti, desapontado em certos aspectos, embora em outros eu tenha sido satisfeito.


Meu veredicto? O filme é bom, muito bom mesmo. Bem feito, o storyline manteve-se coerente mesmo com as adaptações, e não houve cortes ou “podas”. É um ótimo filme de ação e suspense pra quem não leu; agora, quem leu vai sofrer...
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.Postado, originalmente, em 09/06/2009.
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.Visitem Gio
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sábado, 7 de abril de 2012

(Sem título) - por eros.ramirez


Cuidado com seus pensamentos, pois eles tornam-se palavras.
Cuidado com as palavras, pois elas tornam-se ações.
Cuidado com as ações, pois elas tornam-se hábitos.
Cuidado com os hábitos, pois eles tornam-se a sua personalidade.
Cuidado com a sua personalidade, pois ela torna-se o seu destino
                                                          Margaret Thatcher

 
Imagine-se em uma instituição pública qualquer, senado, banco, escola, hospital... no final do expediente aparece alguém pedindo para "ajudar" através de uma pequena manobra fora dos procedimentos da casa. Você faria?

E se fosse o motorista do ônibus que passa próximo a sua casa?

E se fosse um funcionário de outro setor da mesma instituição?

E se fosse para ajudar um parente?

E se fosse para você?

É preciso tomar cuidado com as pequenas contravenções, ou para amenizar a linguagem, com o nosso internacionalmnte famoso "jeitinho". Além da corrupção de nossos próprios valores ele leva ao uso indevido do recurso público. Que além de seu é obviamente de todos no país. Se quiser favores ou ter privilégios pague com seu próprio dinheiro e não com sua própria ética.
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segunda-feira, 12 de março de 2012

O Adeus de um Soberano - por eros ramirez

O mundo perdeu no último dia 7 um dos últimos grandes soberanos que existia. Após um procedimento médico faleceu Idi Amin. Desde jovem sua liderança e humor temperamental se destacaram, cativando alguns, afastando outros. Com mão forte foi impiedoso com as tentativas de invasão de sua terra matando os tumultuadores. Manteve-se no poder devido a sua inegável truculência, mas também por atos cativavam quem o cercava. Entretanto com o passar do tempo foi ficando solitário e, com a idade pesando, aceitou receber algumas novas figuras em seu palácio. Para uns sinal já de uma saúde debilitada e da deterioração de uma mente antes implacável. Até que, após receber sedação para testes, sofreu uma parada cardiorrespiratória e não sobreviveu. Deixa uma grande lacuna que só o tempo poderá preencher.

***Para quem possa estar confuso, o gorila Idi Amin chegou ao zoológico de Belo Horizonte em 1975, vindo de uma instituição francesa, ainda criança, com 2 anos. Era o animal símbolo da instituição e faleceu na semana passada.

domingo, 26 de fevereiro de 2012

Eugênio Bucci nos conta que “Lampião é macho, macho por despacho” - Enviado por Ana

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Difícil saber o feminino do cangaceiro Lampião. Será Lampiã? Lampioa? Ou será Lamparina? Existe o feminino de Lampião? Difícil saber, mortalmente difícil. E muito perigoso. Se especularmos por essa vereda escorregadia, alguém poderá se abespinhar e dizer que está em curso uma heresia contra o legado másculo do legendário bandido. Portanto, não lhe duvidamos da masculinidade. Fica decidido que Lampião não tem feminino, é macheza pura.
Mesmo assim, mesmo afirmando a macheza, temos aqui um problema de gênero. Não um problema do homem chamado Lampião, por favor, que este se encontra acima das suspeitas. Nosso problema de gênero diz respeito ao vernáculo: nem todos os substantivos, infelizmente, são do gênero masculino, de sorte que fica inviável defender a macheza do Rei do Cangaço sem o auxílio de palavras femininas. Macheza é substantivo feminino. Virilidade também é palavra fêmea. Hombridade, valentia, todos vocábulos femininos. Vai soar como provocação, mas a língua embaralha o feminino e o masculino, a maldita. Fazer o quê? Talvez ela não esteja à altura de descrever o destemido cangaceiro, encarnado pelo pernambucano Virgulino Ferreira da Silva (1897-1938). Ele, sim, não tinha nada que fosse emasculado; não há de ter tido, nunca, jamais, uma “porção mulher”, para adotar aqui a expressão consagrada pelo cancioneiro.
E que ninguém discuta. Cumpra-se. Foi assim que a Justiça decidiu. Foi assim que despachou o juiz Aldo Albuquerque, da 7ª Vara Cível de Aracaju, Sergipe, há pouco mais de uma semana, ao proibir a publicação e a comercialização do livro “Lampião - o Mata Sete”, de autoria de Pedro de Morais, em atendimento ao pedido da família do temível Virgulino. A família se declarou ofendida porque, na obra, Virgulino aparece como homossexual. Não é só. Ele teria sido um marido traído, uma vez que sua companheira, Maria Bonita, teria sucumbido ao adultério nos braços de um sujeito do mesmo bando, de nome Luiz Pedro. E mais: com suas perneiras de couro enfeitado, seu paletó azul e sua testeira salpicada de medalhinhas, o próprio Virgulino caiu de amores pelo mesmo Luiz Pedro.
Aí também não dá, raclamaram em juízo os descendentes. Os historiadores podem dizer à vontade que Lampião estuprava garotas indefesas, que lhes marcava o rosto com ferro quente, que sangrava lentamente os desafetos, cravando-lhes o punhal entre a clavícula e o pescoço. Podem dizer que ele castrava seus reféns, que arrancava olhos, línguas e orelhas. Até aí, não se vê ofensa nenhuma. Mas essa conversa de triângulo amoroso com pitadas homoeróticas, essa sim, ultraja a honra familiar. Por isso, os familiares pleitearam a censura, que chegou veloz e escura, feito uma peixeira noturna.
No livro proibido, Virgulino é gay. Nada disso! Ele só pode estuprar as indefesas e castrar os desafetos...
O episódio parece uma crônica dos costumes, mas é sério. Embora o processo ainda admita recursos – a proibição do livro já começou a ser contestada na semana que passou –, o que temos aí não é uma peça meramente cômica, mas um caso de veto à expressão do pensamento. Sem trocadilho, esse veto ao pensamento deveria nos fazer pensar um pouco mais. De que honra, afinal, nós estamos falando aqui? Há tempos, na canção “Pecado original”, Caetano Veloso cravou uma de suas boas verdades: “A gente não sabe o lugar certo de colocar o desejo”. Pois será que sabemos o lugar certo de colocar a honra?
Eis aí outra indagação difícil, moralmente difícil, além de muito perigosa. Esse conceito, o do macho viril, guarda um quê de animalesco, de irracional, de selvagem. Se macho, se incontestavelmente macho, o Rei do Cangaço teria uma licença para aterrorizar os humildes com suas brutalidades de facínora. Ele teria sido apenas mais macho que os demais, só isso. Daí que, ele que viveu como fora da lei, tem agora, depois da morte, a sua macheza – vai no feminino mesmo – tutelada pela própria Justiça. Ele pode ser chamado de homicida e de ladrão, tudo bem. Não de marido traído. Nem de homossexual.
Essa moral polar, “monopolar”, esquarteja tudo o que seja ambíguo. E, no vasto mundo dos amores, o humano não é acima de tudo um forte, mas acima de tudo ambíguo, como a própria língua. Por isso, essa moral monopolar é desumana. Ela não sabe que, como o Diadorim de Guimarães Rosa, o jagunço valente guarda dentro de si uma mulher. E que outro jagunço valente, como Riobaldo, pode amá-lo sem entender porque ama, e suspirar, perdido: “Diadorim é minha neblina”. O mito sem neblina de Lampião é um tributo à intolerância.


*Eugênio Bucci é jornalista e professor da ESPM e da ECA-USP.



Fonte: Revista Época, Nº 707, 5 Dezembro 2011, p. 21.

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terça-feira, 21 de fevereiro de 2012

¿(Des)Equilíbrio?

Prótons e elétrons. Ação e reação. Bem e mal. Deus e Diabo. Para cada pólo ou entidade existe um contraponto, sua antípoda. O universo busca estabilidade, equilíbrio. Difusão. Lei das massas. Leis de Newton. O ar frio fica pesado e desce para esquentar e subir. Tudo obedece a esse simples conceito. Tudo menos a vida. A formação da célula foi nosso primeiro ato de insubordinação. Para manter-se funcionando foi preciso acumular certos íons e moléculas de um lado e expulsar outros. Este foi nosso primeiro castigo. Trabalho e busca constante. Esse processo resultou no aumento da complexidade dos seres. A perversa vingança. Fomos longe demais. Tiramos a terra de debaixo dos nossos pés para cobrir os buracos que fizemos em volta. E quando, por sorte ou acaso, tropeçamos e caímos fora do buraco que meticulosamente esculpíamos, corremos para a segurança da cavidade mais próxima. E voltamos a cavar. Até que chega o dia em que não conseguimos manter as instáveis desigualdades que sustentam a vida. Jogarão terra nos buracos que criamos. O universo equilibrou a coisas de novo. Cara e coroa...
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domingo, 6 de fevereiro de 2011

Fronteiras e Guerras - por Ninguém Envolvente

Durante todo o período de existência a humanidade foi guerreira, lutou por tudo o que pensou ter direito sobre.
Mesmo quando não tinha direito ou a razão de lutar por algo se lutava então por ego. E muitas gerações foram afetadas pela cultura primitiva em lutar por seus direitos em vez de usar uma das características que nos difere dos animais, a ferramenta de saber argumentar e o objetivo ser alcançado com inteligência.
O final de confrontos sangrentos depende do respeito que cada um tem por si mesmo. Do que espera que aconteça a ele e então por tabela vai desejar o mesmo para seu vizinho.
Existe uma fronteira entre a incerteza e o medo. A primeira é de como dar o primeiro passo e aprender a lutar com palavras, a segunda é sobre o que pode acontecer àquele que der este passo e se somente ele o der terá sido em vão.
Mahatma Gandhi foi exemplo do primeiro passo que pode não ter consertado a forma de conquistar algo, mas abriu espaço para que outros poucos homens de coragem pudessem ensinar um modo justo e limpo de ter aquilo a que se aspira. E quebrar um pouco o muro da fronteira do medo de agir da forma correta.
Mais do que fazer guerra e tomar posse ao que de fato o pertence, guerra é também um sinônimo de ganância e sadismo (exemplo de ganância é a que ocorre no Brasil entre índios e fazendeiros).
O sadismo fica por conta de quem projeta qual forma de ataque será efetuada, que vai de simples mísseis a armas biológicas (vírus) ou agentes químicos da mais impiedosa forma esperada, como o fósforo branco que, quando em contato com o ar, faz a pessoa entrar em autocombustão.
O principal problema ao começar uma guerra não é a de quantos soldados ou civis serão mortos, mas quantos de seus amigos e familiares vão voltar e vingar sua morte. E o que era um combate talvez até irrisório torna-se de proporção mundial.
As coisas irão se normalizar quando tirarem do poder aqueles loucos que pensam ser normais. Talvez eles ainda não saibam, mas destroem nosso mundo.
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Fumacinha Ridícula - por Paulo Chinelate


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Prometi a uns amigos que escreveria sobre o cigarro. Melhor dizendo: sobre o vício do fumo.
Antes, porém, um convite: se tiver um fumante por perto dê uma olhada, mire, fixe no quadro do levar o cigarro à boca, soprar, bater cinzas, sugar a brasa, reter, expirar… expirar… sugestiva esta palavra, a cada inspirada, o sujeito ou sujeita, em seguida expira, falece, morre, desencarna, estrebucha um pouquinho mais cedo. E paga para isso. Paga pelo maço, paga pelo ridículo e pagamos nós por tomar o mesmo veneno que eles.
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Agora vou dar uma receita de como evitar toda esta tragédia:
Fui fumante por 20 anos. Aprendi a fumar quando era bonito, charmoso e socialmente correto. Aprendi no quartel, na Escola Militar. Nos acampamentos de instrução em campo, na hora do “boião”, recebíamos no bandejão e junto com a sobremesa uma carteira de cigarro. Lembro-me muito bem. Continental sem filtro. Maço branco com o desenho do mapa do continente americano. Engraçado que alguns crentes recebiam, não fumavam e vendiam para nós: “Não peco, mas vocês podem”. Ouvi dizer que o cigarro era doação da companhia de cigarros. Grande negócio: é que durante um ano aplicaram em nós e no resto de nossas vidas colhiam os frutos. Imaginem se existe um negócio mais lucrativo. Um ano de investimento, uma ou duas vezes por semana contra 30, 40 anos contínuos de retorno, se é que o cristão não sucumbe com câncer antes.
Daí em diante foi fácil o vício. Não satisfeito, passei a usar cachimbo (mais charmoso ainda). Cheiroso, aromático. Condizia com minha posição social de então.
Fui morar na Amazônia. Mineiro misturado com rios é igual a pescaria. Muito mosquito. Passei a usar charutos. Não os cubanos. Mata-ratos mesmo. Serviam (sic) para espantar as “muriçocas”, “maruins” e “piuns”. E lá vai bronca para o pulmão.
Ah, sim, desculpas mil. Estou devendo a receita para acabar com este drama vicioso.
Vamos lá então:
Sabemos das diversas “fórmulas”: leituras de auto-ajuda, remédios diversos, injetáveis ou orais, beberagens, simpatias, chicletes, balas de nicotina, receitas de comadres e compadres. Não adianta nada disto. Repito, não adianta nada disto sem “MOTIVAÇÃO” e “VONTADE”. O resto é alimentar a indústria existente.
Vou contar como parei:
Certa tarde, como sempre fazia, fui buscar as crianças na escola. Eram quatro pimpolhos. A mais velha com 8 anos, outra de 6, um de 4 e o último de dois. Eu, no estacionamento, dentro do velho fusquinha; entram as crianças no carro; naturalmetne eu dando uma de caipora, soltando mais fumaça dos que os velhos trens de minha Minas Gerais. A mais velha, sentada no banco da frente (bons tempos, não tinha cinto de segurança e criança ficava em qualquer lugar), vira para mim e diz: “Papai, por que o senhor não para de fumar?”. Olhei para ela espantado. A que viera esta conversa de cerca-lourenço? “É que a polícia federal esteve na escola e deu uma lição sobre ‘drogas’”. “Droga, era só o que faltava, é a única distração do papai”, dei a desculpa mais estapafúrgia que me ocorreu. “É, papai, como o senhor vai agir se me pegar um dia com um cigarro de maconha?” Quem ficou estapafúrdio agora foi eu. Olhei com cara de pastana para ela e para os outros três filhos sentados no banco de trás, certamente todos aguardando a “resposta”. Não contei uma nem duas, peguei o cigarro da boca e joguei fora. A carteira, inteirinha, também (detalhe: neste bom tempo também não tínhamos a educação ecológica de hoje).
E pronto, acabou, se quedó, c’est finit, the end. O que vocês querem mais? Parei de fumar desde aquele instante. E no more cigaretts, pipers and cigars. Tive a motivação e, principalmente, a VONTADE.
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domingo, 30 de janeiro de 2011

Vou me Mudar pra Roça... - por Paulo Chinelate

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Janeiro é para todos ou quase todos o mês da “depressão” financeira. E fico me lembrando do amigo Pedro Paulo. Ah! como hoje dou razão a ele. Vendeu a casa em Fortaleza, arrumou as trouxas e se mandou para o sertão do Ceará. Interiorzão dos brabos. Justificativa: “Não aguento mais a pressão da cidade grande”… e tecia o rosário de razões que a minha razão àquela época desconhecia: pagamentos de IPTU, IPVA, Seguros de Vida, Seguro do Carro, ITBI, II, ISS, ICMS, Cide Combustíveis, Cofins, CSLL, IOF, IPI, IOF, IPI, IOF, PIS/PASEP, Cartão de Estacionamento, Cartão de Crédito, Passe de Ônibus, Internet, TV a Cabo, Taxas de Condomínio, Gás, Luz, Água e Incêndio, Emplacamento do Carro. Ufa!
E lá se foi o Pedro Paulo. Mas, pensando bem, fugindo pra onde? E consegue se esconder? Ele jurou não comprar nem gás. Ia cozinhar a lenha. Coitado, nem ali, no seu fogão a lenha, feito do barro do riacho das águas de março (depois nem barro tem), como é que ele ia acender o fogo? À moda indígena? Garanto que não. Ia consumir uma caixinha de fósforos “Fiat Lux”. E nela tendo: IPI, ICMS. Para chegar na taberna mais próxima para buscar o sal, papel higiênico, charque e quinquilharias necessárias, irá de alpercatas que gastam e terão que ser trocadas. Lá vai o nosso Pedro Paulo a contribuir ao fisco, na marra, com o quinhão que lhe pertence. Sem se livrar nem um “tiquim” do famigerado IR.
Sei não. Depois destas linhas, já não estou dando tanta razão ao amigo fujão.
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Estão de Olho no Bolo - por ZzipperR

Fico imaginando a cabeça do eleitor em época de eleição. São tantas informações e mentiras. Frases como: “Você é o patrão”, “Pense bem antes de votar”, Vote certo”, que chegam a ser cômicas, pois só têm um propósito: o de iludi-lo e persuadi-lo para desorientar o seu poder de decisão e tomar o seu voto, isso mesmo, tomar o seu voto.
Se vocês me perguntarem se algum eleitor votou certo, eu respondo com toda certeza que não, pois a partir do momento em que o eleitor confirma o seu voto, ele já está arrependido, porque já tem a certeza de que será traído e que aquele candidato não fará nada por ele, nem por sua família, nem por seus amigos e nem por ninguém. Quer saber por quê? Vou lhes dizer: Eles estão apenas de olho no bolo.
Tente imaginar a última vez que um candidato fez alguma coisa de bom para a sociedade sem procurar favorecer interesses próprios. Tente! Consulte sua memória. Vai perder tempo e não vai encontrar nada, porque não existe, é sempre uma armadilha preparada para interesses próprios, não adianta correr que o aumento vai te pegar.
Para nós só resta a certeza de que fomos enganados de novo e que nada será feito para melhorar a vida do povo que elegeu até candidato cassado porque quis comer uma fatia muito grande do bolo e acabou se engasgando, esse é o caráter dos comandantes deste país. Não importa o partido. Aquilo virou uma festa e todos estão apenas de olho no bolo e para nós só resta pagar taxas e impostos que eles não param de inventar para aumentar o bolo que nunca conseguirá satisfazê-los.
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Zip...Zip...Zip...ZzipperR
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Visitem ZzipperR
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domingo, 16 de janeiro de 2011

Duelando Manchetes XI: Homossexualidade - por S. Ribeiro

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Shintoni e a todos:
Não cria que aquele texto suscitasse tanto debate... Talvez tenha sido ingênuo eu acreditar que era somente um argumento contra a violência que não se justifica a muitos homossexuais mundo afora... Todos têm o direito, senão dever de se manifestar, e é ótima de certo modo esta discussão, pois põe à tona a verdadeira posição das pessoas, e só desejo boa sorte no caminho de todos para que não haja intolerância nem tristeza, ah, e creio que isso não agrada nem os olhos do cristão nem os do ateu.
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Visitem S. Ribeiro
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Duelando Manchetes XI: Homossexualidade - por Ana

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Querido Leo, por favor, não se chateie comigo... Não se esqueça que sou sua fã de carteirinha...
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A ROUPA SE TIRA EM CASA

Inter, trans, pan,
Hetero, bi, homo,
Supra, hiper, a,
Poli, metro, pomo...

O que me importa saber
Com quem se deita cada sujeito?
O que pra mim vai mudar,
Se faz deste ou daquele jeito?

Não durmo na sua cama,
Não divido as fantasias,
Minha boca não beija a sua,
Minha mão não o acaricia.

O que está entre quatro paredes,
Entre elas deve estar;
E se há vestígio no ser,
Não me afronta o olhar.

Não me interessa pecado
(Dogmas, coisas assim)...
Penso da seguinte forma:
É bom p’ra ti? Tá bom pra mim!

Que todos sejam felizes
E livres no que desejarem,
Sem palavras julgadoras,
Agressões, risos mordazes.

E o maior ensinamento
Que se lê nas Escrituras
É o amor em todos os termos.
O resto é conjectura.

Tá certo que se lê lá
Que não isso e não aquilo,
Mas se há Deus em todos nós,
Amar a todos = pré-requisito.

Achar que a natureza
Deva viver em abstinência,
Pense comigo, Leo, amigo,
Não deixa de ser violência...


E a respeito do tema,
Sem responder a ninguém,
Quero colocar aqui
Umas coisas que me vêm.

Gente é troço complexo,
Não cabe em definição...
Nem de classe, raça, credo,
Sexo, opção, opinião.

Há tendência a rotular,
A partir disto, definir,
Depois, se posicionar,
Aceitar ou restringir.

O ser humano devia
Olhar mais o próprio rabo,
Ver se a cada atitude
Serve a Deus ou ao Diabo.

Há coisas mais importantes
Nesta vida a avaliar,
Como, a seguir, exponho,
Sem nenhum medo de errar:

Eu não ligo p’ra Minerva,
Com Ariel não me abanco...
Conforme minha experiência,
Omo é o que lava mais branco.
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*Minerva - Deusa virgem, da estratégia da guerra (inclusive).
*Ariel - Espírito servil, no romance “A Tempestade”, de Shakespeare, que tinha o dom da imitação e confundia as outras personagens com suas canções.
.William Shakespeare

Duelando Manchetes XI: Homossexualidade - por Leila Dohoczki

Discutir homossexualidade, em uma sociedade cuja maioria é heterossexual e onde predominam o machismo e o falso moralismo, me parece um tanto quanto desleal. Talvez fosse melhor discutir-se sobre relacionamentos humanos, de uma forma mais generalizada.

Os seres humanos são compostos de elementos químicos, que determinam tudo, desde sua aparência, até sua preferência sexual, não sem passar pelas habilidades para artes, Ciências, raciocínio lógico e personalidade. Não confundir personalidade com caráter.

Todos reagem a estímulos olfativos, visuais, do paladar, ao toque, a palavras, a ambientes, a gestos etc. O que mostra que nada mais somos, fisicamente falando, do que intermitentes, incessantes e intensas reações químicas interpretadas pelo cérebro. Partindo deste princípio e considerando que a progesterona e a testosterona reagem melhor entre si, no sentido de gerar novos indivíduos, não significa que reações químicas que não geram outros indivíduos não sejam normais. São tão normais que acontece entre outras espécies também.

É isso que acontece? Por que isso acontece? Não sei. Talvez isso deva ser uma preocupação da ciência e não uma preocupação da sociedade.

A nós cabe a preocupação em sermos produtivos, éticos e a manutenção da união pacífica entre as pessoas. Opções sexuais não incapacitam nenhum indivíduo para o trabalho, nem ao desenvolvimento intelectual e, como qualquer outra pessoa, os homossexuais dispõem de habilidades intelectuais e artísticas, estando sujeitos às mesmas leis que qualquer cidadão. Qualquer relação humana, baseada no respeito, tem valor.

A imoralidade está presente entre heterossexuais, bissexuais, homossexuais e não está, ou pelo menos não deveria estar, associada à opção sexual de ninguém. Duas pessoas do mesmo sexo que se entregam a carícias íntimas sem nenhum pudor em local público são tão imorais quanto um casal hetero fazendo o mesmo. A imoralidade não está na escolha, está no comportamento, na promiscuidade, na associação do sexo mais com o prazer do ato, do que com o prazer do encontro de duas almas.
É preciso considerar que em quatro milhões de anos, não nos cabe mais agir como animais, pelo instinto de perpetuação da espécie, nos entregando à diversificação de parceiros sexuais, nem aos prazeres físicos que duram alguns instantes. Podemos e queremos nos entregar a relações duradouras e prazeres maiores que os identificados pelo córtex cerebral...

Creio em Deus e em sua infinita sabedoria. Tudo criado por Ele é perfeito. A imperfeição está na forma como vemos, utilizamos e interagimos com a criação.
Qual de nós seria nomeado juiz da humanidade, se não somos capazes de julgar nem nossos próprios atos? Lembremo-nos que nem tudo que é ético é moral e nem tudo que é moral é ético; precisamos nos valer do bom senso, do respeito à individualidade. Isso é ser fraterno, é reconhecer que somos todos irmãos em Cristo e que só o Pai julga, absolve ou condena cada um de nós por nossos próprios atos. Não enxergar no semelhante um irmão contraria o segundo mandamento (Marcos 12,28-34) e nos faz desobedientes aos olhos de Deus.

Não defendo a imoralidade, nem a banalização do sexo, nem a promiscuidade, mas sim o direito de “ser” de cada um, com o livre-arbítrio que nos foi dado por Deus, com a consciência do que somos e com a “razão” que nos faz percorrer os caminhos, porque isso nos faz humanos.

Defendo o cumprimento da legislação do meu país por todos os cidadãos, a igualdade de direitos e deveres, mas não a desmoralização da família e a disseminação de conceitos errôneos sobre liberdade e direito, que se dá por estereótipos femininos ou masculinos vulgares que incentivam a promiscuidade e a banalização das relações humanas. Entenda-se por família a entidade responsável pela transmissão de valores, pelos cuidados, pelo amor e pela educação, lembrando-se que a palavra família é muito mais ligada à espiritualidade do que à herança genética - já que muitas crianças vivem em laços familiares distantes dos ventres que as geraram -, portanto, à convivência com pessoas que lhes deem amor e cuidados, em ambientes em que se sintam protegidas e que podem despertar-lhes o sentimento de família.

O “ser” é simplesmente, naturalmente. Não precisa de razões, nem de explicações, nem de estereótipos, porque o “ser” é íntimo, é na alma, independente de aprovação ou reprovação de quem quer que seja, portanto o melhor caminho não é excluir ninguém, mas viabilizar a convivência pacífica e justa de todos com base no respeito e na igualdade.

Independente do que diz a ciência, nem eu, nem você que está lendo este texto agora, nem a sociedade como um todo, nem mesmo as religiões mudam o fato de que todo ser humano busca a felicidade no prazer em realizar, em construir seus sonhos e se imortalizar no amor. Se existem diferenças, é no âmago da essência humana que estão as similaridades. Tudo depende dessa percepção, que uns têm e outros não.
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Duelando Manchetes XI: Homossexualidade (II) - por Alba Vieira

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Muito interessante e utilíssimo para todos nós, debatedores e leitores, este tópico do Duelos. Falo isso porque quando nós temos a oportunidade de ler pontos-de-vista tão diversos e bem delineados de pessoas que, por escreverem mais assiduamente, nós aprendemos a conhecer sua alma e respeitar as manifestações, temos a chance de refletir sobre nossas opiniões e vivências e estarmos abertos à transformação, o que possibilita que possamos ser pessoas cada vez melhores.
Parabéns a todos, os que podem e devem continuar expressando livremente suas ideias. E sejam bem-vindos novos temas!
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Duelando Manchetes XI: Homossexualidade (III) - por Escrevinhadora

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Objetiva, lúcida, clara você colocou a questão nos exatos termos aos quais ela deve se restringir, sem as paixões equivocadas que muitas vezes prejudicam o debate. Sinto-me honrada por ter sido mencionada por você. Obrigada.
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Duelando Manchetes XI: Homossexualidade (III) - por Leo Santos

Desculpe-me, mas dizer que não aceito o debate é um argumento desonesto, uma vez que tenho participado abertamente dizendo o que penso. Entretanto, fui aconselhado a guardar minha opinião para o âmbito das igrejas, logo, evitar o debate. O que não fiz.
Quanto ao “não brinco mais”, trata-se de uma ironia que não precisa ser genial pra entender, e não uma ameaça.
Umas coisas mais: primeiro, nunca defendi nem defendo qualquer sorte de violência contra ninguém, seja homo ou hetero, portanto tais refutações também são vazias no que me diz respeito. Segundo, é fácil chamar alguém de preconceituoso e adjetivos afins, mas, antes, carecemos ver o que é preconceito. Se minha ignorância não me trai, trata-se de um conceito precipitado, um juízo “a priori”, como julgar rejeitando alguém antes de conhecer suas atitudes, seu caráter. Daí, o preconceito contra negros, judeus, muçulmanos etc. Acontece que homossexualismo não é um tipo de pessoa, mas de comportamento, e como tal passível de apreciação.
Mais uma coisa: alguns me mandaram cuidar de minha vida, cada qual da sua. Ao fazerem isso não estão querendo gerir a minha? Porque não vivem como aconselham?
Quanto aos erros do Papa, os católicos que o defendam se quiserem.
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Resposta a:
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