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(Aviso: Os textos em amarelo pertencem à categoria
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sábado, 18 de julho de 2009

Post Inesquecível do Duelos - Indicado por Ana

Esta é mais uma poesia em que Raquel esbanja sensibilidade da forma bela que lhe é tão própria. O olhar com que ela observa o mundo é absolutamente poético e lindo. Parabéns, Raquel! (Tô sentindo sua falta aqui, arqui-inimiga! Um beijo.)



RECRIANÇA
(RAQUEL AIUENDI)

Seguindo pela estrada
pés descalços,
criança enlameada
vai desfazendo seus laços
e já não busca ser amada
pois já não há esperança
de ser novamente criança.
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As Nossas Palavras XVII - por Alba Vieira

Depressão é estirar-se no sofá, virar para o canto e dormir para esquecer o problema que temos que resolver, quando o que deveríamos fazer seria usar as experiências do passado como um trampolim para ultrapassar as dificuldades, montando a estratégia de ação.



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A Gripe Suína - por Adir Vieira

Acordei hoje com a TV ligada e, mesmo com o som baixo (meu marido que tinha levantado antes e é ávido por telejornais, já se deliciava com as notícias e com seu prato de banana com granola), não pude deixar de ouvir as novas informações sobre a gripe suína.
Meio adormecida, eram tantas as novas chamadas para o fato, de fato aterrorizadoras, que de pronto levantei, já preocupada.
Concordo que é dever dos órgãos de informação deixar a população ciente de tudo que cerca a “doença”, mas percebe-se, por parte desses mesmos órgãos, um gostinho especial em favorecer seus comentários com citações mais e mais desalentadoras.
Eu, em especial, creio firmemente que uma “boa cabeça” afasta qualquer mal, e notícias assim enchem nossa cabeça de desânimo, descrença e de tudo o mais de ruim.
Percebo, só de ouvir, que já começo a respirar mal e a espirrar sem motivo.
Serei eu muito influenciável ou, de fato, notícias ruins nos levam a males físicos?
Pensarei a respeito...



Visitem Adir Vieira
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Cidade Maravilhosa - por Alba Vieira

A umidade relativa do ar está alta. Isto se reflete no humor das pessoas, há uma leve turvação da consciência. Geralmente, nestas ocasiões, o trânsito fica caótico. Quem observa, reconhece uma certa loucura pairando no ar e os motoristas têm uma direção mais perigosa. Durante a madrugada, a chuva caiu pesada. O dia amanhece trazendo os problemas comuns da cidade: falta de energia elétrica, ruas alagadas, escuridão completa aumentando o perigo de assaltos para quem sai pra trabalhar muito cedo. Nos pontos de ônibus, as pessoas esperam agoniadas sabendo que vão se atrasar para o trabalho e serem descontadas nos seus já magros salários. Os ônibus passam lotados e raramente param nos pontos, pois a pressa é maior, já que sabem que vão ter que enfrentar mais problemas no trânsito causados pela chuva. O estresse neste início de dia é maior para todos.

E acontece o já esperado. Em Benfica, logo cedo, há um grave acidente envolvendo três coletivos. Um deles atravessou o sinal vermelho. A confusão é geral. Há mais de trinta feridos, alguns com gravidade.
Quando passo pelo local posso ver o estrago nos ônibus com as partes dianteiras muito danificadas e intuo que, como provavelmente vinham muito cheios, isto justifica o grande número de pessoas feridas. Quatro ambulâncias estão paradas e, no gramado de uma praça, alguns feridos estão deitados, tendo o atendimento de primeiros socorros. O trânsito fica ainda mais caótico. Os carros estão retornando e isso embola ainda mais o que já é normalmente congestionado.
Penso que aquelas pessoas saíram de suas casas para o trabalho e hoje a sorte não esteve do lado delas, não as salvou da direção perigosa dos motoristas, das más condições de manutenção dos veículos e das pistas, da pressão das empresas aumentando o estresse dos seus condutores. Os anjos da guarda não deram conta. Pudera! Nem eles estão aguentando o aumento de trabalho e exigências.
Chego ao trabalho e começa o barulho de dois helicópteros sobrevoando o morro da Mangueira onde a polícia está fazendo mais uma das suas ações perigosas para os moradores, na busca de bandidos que, há poucos dias, mataram um policial que tentou impedir um assalto. Também há helicópteros de reportagem que tentam documentar e transmitir em primeira mão o acidente, mais um fato triste que faz parte da rotina desta cidade que funciona, na maioria dos setores, no limite da irresponsabilidade.
O que será dessas pessoas? Alguém as ajudará ou as compensará por terem sido sacrificadas nas suas vidas, para que os verdadeiros responsáveis por tudo isso ganhassem um pouco mais à custa do desespero dos seus funcionários? Pensando bem, talvez a sorte não as tenha abandonado de todo. Nesse turbilhão de tantas dificuldades cotidianas, muitos estão estagnados, entristecidos, deprimidos e um acidente assim é, ao menos, um acontecimento, tira as pessoas da situação de “morte” em que estão. De repente, tudo pode mudar, mesmo que seja para pior.
Logo, as notícias estão em todos os telejornais e nas rádios. Todos já estão habituados a esse burburinho e comentar sobre a desgraça alheia acaba dando um “colorido” aos dias iguais.

Mas há ainda outro sinal da “loucura” urbana bem perto dali. No viaduto Ana Néri, os bombeiros trabalham tentando convencer um suicida a desistir da solução que buscava naquele momento, para sua vida de desventuras. Mas consta que está difícil.

Assim está esta cidade. Dizem que acontece em todo lugar. Vejam como, ultimamente, andam caindo aviões por toda parte, sem explicações convincentes e aceitáveis. É tudo muito estranho! Entretanto, como em muitos fatos tristes e lamentáveis que vêm acontecendo aqui no Rio de Janeiro, os fatores incompetência, irresponsabilidade, negligência e impunidade ficam gritantes, como no ocorrido com o avião em que foi detectado um FURO de 30cm na fuselagem quando já tinha decolado e teve que fazer um pouso de emergência, felizmente bem sucedido.
Aqui, quando saímos de casa, estamos expostos a tantas coisas absurdas, que voltar para casa ileso no fim do dia passou a ser motivo de comemoração e de dar graças aos céus.
Assim, esbarrar em moradores de rua dormindo enrolados em plásticos escuros e quase cair, sofrer assalto desses mesmos esquecidos pela sociedade, cruzar com viciados em crack e ser vítima de suas atitudes imprevisíveis, sofrer um atropelamento na calçada, estar envolvido num acidente de trânsito no transporte que utilizar, ser agredido na estação por seguranças da ferrovia às vistas de policial pago pelo Estado para sua defesa ao tentar entrar num trem, ficar pendurado na porta de um ônibus ao subir ou cair no asfalto ao descer quando o motorista dá partida no veículo ou ser arrastado e morrer sob a roda do ônibus sem ser visto pelo motorista, ser atingido por bala perdida (ou não) em algum assalto da hora ou dentro de comunidade invadida pela polícia à procura de algum bandido, ter um traumatismo craniano ao ser atingido por algo que despenca de algum prédio como um vasinho de flores, uma ferramenta usada por algum trabalhador numa construção onde não se usa tela protetora, algum suicida que resolveu abreviar esse desespero em que se transformou viver ou mesmo pedaços de alguma marquise em mau estado de conservação são alguns dos exemplos de ocorrências frequentes. Há outras possibilidades como ser atingido em fogo cruzado nas ruas entre bandidos e policiais ou perto de comunidades, entre facções criminosas, ter um filho arrastado por bandidos que roubaram seu carro ou ter seu carro metralhado por policiais ao ser confundido com o de bandidos (depois de perceberem o engano poderão desaparecer com o seu corpo).
E se conseguir escapar de tudo isso no fim do dia, ainda terá que conviver com as contas a pagar, o mau humor e estresse dos que ficam em casa, as condições de sobrevivência piores a cada dia e os serviços mais deficientes onde mora e, caso seja idoso ou criança, ainda por cima sofrer os possíveis maus tratos evidentes ou velados da família ou cuidadores.

Refletindo sobre todas essas coisas eu me pergunto: o suicida não seria o mais coerente?
E duvido ainda mais uma vez que eu esteja vivendo na CIDADE MARAVILHOSA!



Visitem Alba Vieira
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Disse Alguém: O Homem no Lixo é Lixo! - por Esther Rogessi

Epígrafe forte em meio a uma narrativa complexa!...
A princípio, digo que: o lixo é lixo e o homem é homem...
Em sequência: o homem no lixo é homem; o lixo no homem é lixo! O homem pode estar no lixo, sem ser; no lixo há recicláveis: matéria-prima para obras belas; no lixo, se pode encontrar pérolas!
“A Garça, a ave de plumagem mais branca, se alimenta do mangue e não se suja” – desta frase desconheço o autor. Enfim, complexidade!...
Filha de puta, nasce dela... Porém, pode não ser!
Filho de pastor... nem sempre é santo o pastor, menos ainda o filho!...
Discordo com a tese de que o homem é produto do meio...
O meio está no homem! Chegará a hora, o momento, em que ele sairá da aparente neutralidade e se posicionará naquilo que lhe aprouver. Amizades, influências... É só a agulha a romper o tecido para o costurar reto, quebrado, bordado com linhas diversas... Até mesmo com fios d’ouro!
O bom nasce feito e o mal urge!
Urgindo o mal, não prevalecerá contra a luz!



Inspirado em O Homem no Lixo é Lixo, de Alba Vieira.
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A César o Que é de César - por Ana

Oba! Você me atendeu,
Minha querida Escrevinha!
Sabe? Eu não tinha dúvida:
Eu sabia que tu vinha

Me socorrer no momento
De tão terrível ameaça.
Com advogada do lado,
Eu duvido que ele faça

Aquilo que prometeu:
Me dar tapa nas orêia.
Eu tava com medo mesmo,
A coisa aqui tava feia!...

Sim, confio nim tu
E concordo com a solução
Que você me apresentou,
Repleta de decisão:

Nada de pratos gostosos
Pro tal Gio degustar,
E não se preocupa, Escrevinha,
Deixa que eu vou cozinhar.

Eu garanto que a vingança
Não poderia ser pior,
Em termos de culinária,
Sou um traste de dar dó.


Mas agora me ocorreu:
Ele me deu um quindim
Tão gostoso e enfeitado...
Como posso ser ruim

Com menino tão bonzinho,
Tão cuidadoso e legal?
Me fez passar maus bocados
Com a ameaça fatal,

É certo, eu reconheço,
Mas eu devo admitir
Que não esqueci o presente
(Isto não posso omitir).

Assim sendo, eu reflito,
Guardo este ás na manga,
Sabendo que tenho amiga
Pra auxiliar na vingança,

Caso seja necessário
Um dia, neste Duelos,
Dar lição no tal gaúcho.
Aí, então, me rebelo.

Por enquanto penso assim:
Toda moeda, dois lados
(Como já mostrei os meus
Em outros textos postados,

Inclusive pra você,
Minha grande protetora:
Uma face agradecida
E outra devastadora.).

Então não seria certo
Ter, por aqui, de repente,
Dois pesos e duas medidas...
Eu ia ficar doente

Por cometer injustiça,
Apesar do tapa nas orelhas.
E eu te agradeço, Escrevinha,
Com um buquê de rosas vermelhas.



Resposta a Desagravo, de Escrevinhadora.
Referências: Comentário de Gio em Escrevinhadoce, de Ana;
Duo-acróstico pra Ana, de Gio;
Doce para Todos, de Escrevinhadora;
Livre, Intrigada e Vingada, de Ana.
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Não Empresto, Alugo - por Flavio Braga

Emprestar as coisas é uma coisa complicada. Tem coisas que eu evito emprestar, como livros, CDs e dinheiro. Mas tem horas que as pessoas que querem algo emprestado me deixam me sentindo tão culpado que acabo cedendo:

- Flavio, você pode me emprestar esse CD?
- Não.
- Por quê não?
- Porque esse CD, como disse um ex-presidente do Corinthians, é inegociável, insubstituível e imprestável. Nem se minha mãe me pedisse eu emprestaria.
- Mas, Flavio, eu sou sua mãe.
- Mãe, lamento, regras são regras.
- Como eu pude criar uma criatura que não confia nem na própria mãe? Que vergonha!
- Tá bom, mãe, eu empresto. Mas faz um favor?
- Tá.
- Preencha esse formulário aqui, é coisa boba, só para me dar uma segurança, se você danificar o CD, e mais esse contrato aqui no caso de acontecer alguma coisa mais grave comigo, tipo eu precisar de um rim ou um coração. Qual seu tipo sanguíneo mesmo, mãe?
- Mas que moleque cético que criei! Eu te amamentei, dediquei os melhores anos da minha vida em prol da sua criação e você cria toda essa novela para me emprestar um CD?
- Mãe, não é “um” CD, é “O” CD. Assina aí embaixo e tá tudo certo.

Agora, tem o outro lado, quando você torce para que te peçam alguma coisa emprestada que você se arrepende, até a medula, de ter. Eu, particularmente, faço o esforço que for preciso para a pessoa levar o objeto de tanto arrependimento:

- Flavio, estava dando uma olhada nos seus CDs e vi um aqui que eu estou procurando há tempos e não consigo achar.
- Olha, se for o mesmo que a minha mãe estava querendo emprestado há uns dias atrás, você vai precisar preencher esse formulário e...
- Não, rapaz, não é esse não, eu sei que você não empresta esse CD nem se Bob Marley ressuscitasse e te pedisse o tal CD em pessoa, cantando sua música predileta e te oferecendo um teco no baseado. Eu quero esse aqui, ó...
- “O Melhor do Tecno-Funk – Verão de 1999”?
- É.
- Cara, pode levar esse troço daqui, e toma mais R$50 para não trazer de volta.
- Quero R$ 100.
- Toma R$ 300.

E ainda tem quando o vilão é você, que, sempre bonzinho, solícito, empresta as coisas e acaba sempre sem as coisas que emprestou. Então, para se vingar desse mundo tão injusto e cruel, você devolve na mesma moeda. Mas como tem coisas que só acontecem com os bonzinhos, com o Botafogo e a Portela, você tem que se virar quando está prestes a ser desmascarado:

- Flavio, há quanto tempo!
- Ô, rapaz, quanto tempo! Como você está?
- Estou bem... O de sempre: trabalhando, estudando. Criando os filhos... E você?
- Mesma coisa... Mesma preguiça, mesmo emprego, mesmo apartamento...
- Me lembrei de uma coisa agora...
- É? O quê?
- Eu te emprestei um livro, tem uns quatro anos, lembra? Nós éramos vizinhos...
- Sim, lembro sim, mas eu me mudei, e devo ter perdido o livro na mudança, sabe como que é, mudança é complicada, blábláblá...
- Mas você acabou de dizer que mora no mesmo lugar...
- Não, é que eu me mudei. Mas aí depois eu voltei para o apartamento, entendeu?
- Sei...
- Sério, rapaz, não é desculpa para não te devolver o livro não, sou um cara responsável, pai de família, servidor público, vascaíno...
- E mentiroso!
- Olha a hora! É melhor eu correr...

Siga meu conselho. Em caso de dúvida, não empreste. Venda. Ou alugue, como o rapaz da piada.



Visitem Flavio Braga
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Friedrich Nietzsche e a Renúncia - Citado por Penélope Charmosa

Eu odeio, no fundo, toda a moral que diz: “Não faças isto, não faças aquilo. Renuncia. Domina-te...”. Gosto, pelo contrário, da moral que me leva a fazer uma coisa, a refazê-la, a pensar nela de manhã à noite, a sonhar com ela durante a noite, e a não ter jamais outra preocupação que não seja fazê-la bem, tão bem quanto for capaz entre todos os homens. A viver assim despojamo-nos, uma a uma, de todas as preocupações que não têm nada a ver com esta vida: vê-se sem ódio nem repugnância desaparecer hoje isto, amanhã aquilo, folhas amarelas que o menor sopro um pouco vivo solta da árvore; ou mesmo nem sequer se dá por isso, de tal modo o objetivo absorve o olhar, de tal modo o olhar se obstina em ver para diante, não se desviando nunca, nem para a direita nem para a esquerda, nem para cima nem para baixo. “É a nossa atividade que deve determinar o que temos de abandonar; é atuando que deixaremos”, eis o que amo, eis o meu próprio placitum! Mas eu não quero trabalhar para me empobrecer mantendo os olhos abertos, não quero essas virtudes negativas que têm por essência a negação e a renúncia.



In “A Gaia Ciência”.
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