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(Aviso: Os textos em amarelo pertencem à categoria
Eróticos.)




quarta-feira, 9 de setembro de 2009

Ocaso - por Leo Santos

Cronos e Sophia, parceiros afins,
incidem sobre distintos aposentos;
enquanto o primeiro estraga o jardim,
a segunda adorna por dentro.

Adormecem os encantos de Afrodite
no leito daquele que dana o terreno;
hibernam pois, os ursos do apetite,
e a neve cobre o monte supremo.

Fraquejam as colunas do templo,
e os guardiões também a oscilar;
o pontífice instinto segue o exemplo,
e nada imola sobre o altar.

As musas arrumam o leito final,
onde há quem diga que a vida começa;
a chave gira o eterno portal,
e o trigo maduro ao celeiro ingressa.

Aí a sede se torna uma fonte,
manancial de exemplo que outros bebem;
Travessia serena no barco de Caronte,
aos Elísios, onde venturas recebem…



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Ah!... Vaza! - por Ana

(Paródia da música “A Casa”, de Vinicius de Moraes)


Era um Monge muito engraçado...
Vivia implicando, o desgraçado.
Mas ninguém podia brigar com ele não,
Porque o Monge era um covardão!

Ninguém podia duelar na rede
Porque o Monge corria. Lede!
Ninguém podia dele divergir
Porque o Monge tinha piriri.

E era feito um quero-quero
A mendigar o um a zero.
Ouço-lhe os berros e nem me altero:
Já tá vencido. Eu digo. E é vero.



Resposta a Era uma Moça..., de Gio.
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Um Papo entre Adolescentes Velhos - por Adir Vieira

Ontem estava eu aguardando minha vez para ser atendida no banco e calmamente, como se fosse possível, estava de olhos e ouvidos atentos a tudo o que se passava a minha volta.
O banco em que tenho conta oferece aos correntistas aposentados cadeiras confortáveis, ar-condicionado e cafezinho até as 11 horas da manhã.
Todo esse conforto faz com que aqueles que esperam, enquanto o fazem, relaxem e não reclamem da morosidade com que os caixas e clientes idosos interagem.
Não demorou muito para que sentados atrás de mim, uma mulher de uns sessenta e poucos anos, com os cabelos mal pintados de um louro chamativo e trajando roupas joviais demais para sua idade, iniciasse uma conversa com um outro senhor, mais recatado à primeira vista.
A princípio, a conversa dos dois - ela falando num tom mais alto do que ele - discorria sobre banalidades, como temperatura do dia, má condição dos meios de transporte etc.
Não tardou para que a tal mulher começasse a contar a própria vida para o senhor desconhecido, mesclando cada frase com um tom sofrido de mulher abandonada pelo marido há vinte e sete anos e com um filho que, já adulto, não trabalha e lhe dá todas as dores de cabeça financeiras, as quais não pode arcar com sua parca aposentadoria de um salário mínimo.
O senhor rebatia suas queixas com frases aprendidas com sua mãe, que lhe ensinara que na vida as preocupações não valem de nada e que devíamos aproveitar a vida para tratar do corpo e da mente com exercícios ao ar livre. Gabava-se de a cada manhã percorrer mais de cinco quilômetros aos setenta e um anos.
Seu otimismo não colocava por terra o pessimismo de sua interlocutora.
Achando hilário tal papo, firmei meus sentidos naquela conversa.
O que mais me chamou a atenção foi o fato de que a mulher, como a se oferecer para o tal senhor, já não mais ouvia o que ele dizia, só fazia repetir frases com uma constância doida.
Dizia ela, sem esperar resposta:
- Todo dia digo para o meu filho: qualquer hora vou arranjar um coroa sacudido para me bancar!
- Mas o senhor não parece ter setenta e um anos, estou bege com sua afirmação!
- Sua pele é tão lisinha...
- Onde o senhor mora? Mora em casa ou apartamento? É grande? Sua aposentadoria dá para o senhor viver?
- O senhor é viúvo ou solteiro?
- Sabe que eu gostei do senhor?
Vi ali comportamentos adolescentes, tanto de um como de outro e, confesso, fiquei com medo.
Será que quanto mais nos aproximamos do fim, mais estamos retornando a nossa infância?
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Calúnia - por Alba Vieira

Jorrar palavras
Só de maledicência...
Melhor calar-se!



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Resposta - por Ana

Minha querida Anônima,
Adorei o seu recado:
Foi uma surpresa total!
Absolutamente inesperado!

Você rimou perfeitamente,
Poesia de primeira linha,
Fiquei muito orgulhosa
De lê-la assim, tão lindinha!

De dentro da minha casca,
Eu, caracol, mando beijo,
Enquanto morro de saudade
Em cada letra que versejo.

Esta distância é por conta
Do que a vida determina,
Nem sempre dá pra escapar
Do que ela define, em surdina.

Mas cê está em meu pensamento,
Todos os dias, com certeza,
Eu te acompanho daqui,
Te desejando leveza,

A mesma força de sempre,
A mesma coragem, altivez,
Facilidades, bons dias,
Felicidades, sensatez.

E pra mim você será sempre
Aquela menina linda,
Diferente, decidida,
Aprendendo demais com a vida.

Mas não sou inalcançável:
Estenda a mão, eu te atendo,
Estou aqui pra isso mesmo,
Desde que por gente me entendo.

E esteja sempre iluminada
Por este sol que há em ti,
Para irradiar em seu mundo
O que em sua alma sorri.

Lembranças também vivem aqui
Impressas num porta-retratos,
Expostas em descanso de tela,
Enquanto o destino é ingrato.

Logo, logo as coisas mudam,
Nos veremos sempre, então.
Enquanto isso, eu reafirmo
Que te adoro de paixão

E que te quero todo o bem
Que alguém pode conseguir,
Que teu anjo da guarda te guie
Por onde você puder ir.

Que o seu chão seja firme,
Os seus passos, acertados,
Suas vontades, atendidas,
Seus desejos, realizados,

Seus esforços, nunca em vão,
Seus atos, iluminados,
Suas dúvidas, dissipadas,
Seus caminhos, abençoados.



Resposta a anA (ao contrário, pra ninguém saber), de Anônima.
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Alucinação de Você - por Duanny

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Sabe, eu sempre estive aqui, talvez você tenha até notado, mas seja sincero, prestou atenção?! Talvez eu não tenha te visto, mas vou dizer a verdade: não prestei atenção.
Você me parece tão inconveniente e tão perfeito ao mesmo tempo, será que isso é possível? Será que você não passa de mais uma alucinação minha? Criada por um desejo louco de me apaixonar mais uma vez?
Hoje tirei o dia pra pensar na vida e nas coisas que me rodeiam; sabe o que foi o mais engraçado? Só agora lembrei de você. Não que você seja desprezível, ou mais um, mas talvez não seja tudo o que eu sempre quis.
Acho que eu sou uma alucinação, um surto psicótico, aquela fantasia que fez a sua realidade ou talvez eu queira só me enganar. Hoje percebi que você é meu jogo de descobrir e explorar, então vem aqui, fica comigo e me deixa aproveitar essas alucinações, me deixa prestar atenção.
Quer mesmo saber? Devo ter realmente me apaixonado. Mas já faz um tempo e eu me esqueci de como fazer pra te contar.



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Embarque - por Kbçapoeta

Ando léguas
Em círculos
A procura de uma linha reta
A reta final



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