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(Aviso: Os textos em amarelo pertencem à categoria
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domingo, 20 de dezembro de 2009

O Grande Barato da Esperança é Esperar - por Bruno D’Almeida

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Eu nem gosto muito das festas de fim de ano. Duvido de mensagem sincera que tenha nos créditos finais as logomarcas dos patrocinadores. Mas ao mesmo tempo, quando essa época chega, não há como deixar de refletir sobre algo que nasce, essa famigerada esperança. Alguns comemoram o nascimento de Jesus, outros mais antigos o solstício de verão. Muita gente comemora porque não aguentava mais um ano tão sem sal, feito comida de hipertenso. Não importa: todos esperam, de uma forma ou de outra, que algo de extraordinário aconteça em suas vidas.

É por isso que eu não gosto dos últimos dias de dezembro. Na verdade, eles têm cheiro, sabor e consistência dos primeiros dias de janeiro. Não gosto de alimentar esperanças com endereço extraviado. Não espero que uma nuvem abra do céu, nem uma redenção da raça humana no dia do Juízo Final. Como posso acreditar que algum mágico vá bater a sua varinha e todos nós seremos felizes? Tolice. Não há transformações mirabolantes ou desfechos cinematográficos, nada vai mudar de uma hora para outra em nosso jardim. Se quisermos algo de verdade, devemos acreditar no poder de nossas próprias ações.

Há sim, as transformações pessoais e das pessoas que estão ao nosso redor. Isso eu comemoro todos os dias, nem precisa fechar a porteira do ano. Mas quem sabe o Natal e o Ano Novo possam trazer algo de bom, mesmo que Papai Noel e Santa Clauss sejam incapazes de tomarem um café dormido na minha casa. Eu não convido mesmo, e se vierem eu boto para fora debaixo de vassouradas. Essas festas de final de ano só me fazem gastar mais dinheiro. Porém, eu começo a não acreditar que as coisas podem melhorar: tomo a convicção de que posso fazê-las melhorar. A cada ano, uma reflexão, novos caminhos, novas trilhas, novos rumos, novas estações.

É o lado bom de pensar no ano que vem. Olho pra esse ano que passou e meu espírito me diz que ano que vem pode ser diferente. Que seja mesmo. O homem ama a felicidade porque ela nunca diz quando vai aparecer, basta vivermos com ela todo dia para não darmos valor. A esperança se encarrega de aguardá-la. Afinal, esperança é o único sentimento que nunca se realiza, pois o grande barato dela mesmo é esperar. É isso. Esses dias reacendem a faísca sublime da esperança. Esperança numa vida melhor. E esse sentimento é maior do que todo torpor, toda angústia, toda aflição dessa estada sem data de partida definida, contudo tão certa quanto inevitável.

Só que antes de ir, quero ter para mim a certeza de que algo valeu a pena. E por isso posso comemorar. Pronto. É o suficiente para que todos os meus projetos de vida saiam correndo do baú velho de trancas enferrujadas. Que ano que vem eu possa ter mais dinheiro e menos dores na coluna. Que eu possa comer mais brigadeiro. Que eu possa me reunir mais vezes com os amigos que não vejo há tempos. Não tem jeito, essa festinha comercial, para todos consumirem, comprarem presentes e roupas brancas me faz, depois de uma certa tristeza momentânea, mimetizá-la num rio de fé em busca de um punhado de felicidade.

Eu já disse que não gosto muito dessa época de fim de ano. Mas nestes dias eu costumo sorrir sozinho, feito criança boba, e dizer que vou deixar meu nome escrito nas mesmas estrelas por onde passaram os Reis Magos. Ah, sim, eu vou! Eu não estou nessa vida por brincadeira e vou ser muito feliz. Minhas asas são tortas, mas sabem planar e sentir o faro do infinito. Boas festas e felicidades para todos nós! Pelas sementes de esperança que todo ano brotam novamente, feito ervas daninhas, em nossos corações.
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História Conta História

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Queridos amigos:

Inauguramos a categoria “História Conta História”,
que é consequência de uma ideia que surgiu durante o bate-papo no chat do Duelos
entre Fatinha, Escrevinhadora e Ana.


A proposta foi a seguinte:
cada uma delas escreveria uma história que tivesse vivido;
a seguir, cada uma criaria uma história contendo os principais detalhes das três histórias iniciais.


Dia 17 demos início à categoria com a história pessoal de Escrevinhadora.
Dias 18 e 19 foram postadas as Partes 1 e 2 da história pessoal de Ana.
Hoje foi postada a história pessoal de Fatinha.

Na sequência, serão postadas as histórias derivadas das três autoras.


Portanto, a categoria funciona da seguinte forma:
com base em qualquer (ou quaisquer) das histórias apresentadas podem ser criadas histórias derivadas.
Leiam as histórias publicadas, criem suas histórias e enviem para postagem!
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“Era uma Casa Muito Engraçada...” - por Fatinha

Tinha eu acabado de entrar para a faculdade. Estudante de História, meus colegas de curso ou eram bichos-grilo ou comunistas. Eu, nem uma coisa nem outra, sempre fui careta e pequeno-burguesa, mas isso nunca foi um problema. O problema era que meus pais nunca me deixavam fazer as viagens que a galera planejava. Depois de muitas recusas, parei de ser convidada. Aí decidi que na próxima eu iria. Tomei coragem e anunciei em casa que viajaria com o pessoal para São Pedro da Serra. Fui.

Nos encontramos na rodoviária, pegamos um ônibus pra Friburgo e de lá um cata-corno até a outra cidade. O cata-corno é aquele ônibus comum, que mal presta para andar na cidade, mas que é usado para fazer o trajeto de uma cidade pequena até a outra menor ainda. Ele vai parando para qualquer um que faça sinal, em qualquer lugar da estrada. A estrada, a propósito, era inexistente. Cada cratera homérica, parecia que havia ocorrido um bombardeio. Nós íamos sacolejando agarrados na mochila e no colchonete – sim, viagem de estudante sempre tem que ter um colchonete.

No meio da estrada, no meio do nada, no meio do mato, a menina que tinha alugado a casa pediu para o motorista parar. Descemos. Depois descemos mais um pouco porque a casa era à beira de um despenhadeiro. Quando olhei para o pardieiro, comecei a cantarolar: “Era uma casa, muito engraçada, não tinha teto, não tinha nada...”

A casa tinha três cômodos: uma sala, um quarto e uma cozinha. O banheiro era do lado de fora. Guarnecendo o imóvel, uma roda de carroça em cima de um toco de árvore. Era a mesa. Na cozinha, um fogareiro a carvão. Sem carvão. No quarto, um lampião. Só. Cama? Cadeira? Televisão? Geladeira? Eletricidade? Confortos burgueses dispensáveis para um bando de garotos a fim de curtir a natureza.

Fomos à cidade comprar comida e carvão. Ao menos ninguém se perdia. A cidade tinha apenas uma rua e nela uma mercearia que vendia desde pilhas até absorvente higiênico, passando por pão, cenouras e banheirinhas de plástico para dar banho em bebês. Não entendi muito bem o critério do comerciante para abastecer o seu estabelecimento, mas, pra quem ia ter que dormir no chão em cima de uma folha de jornal, tudo era festa.

Voltamos pra casa. Almoçamos laranjas, que comemos sentados no batente da porta, jogando as cascas despenhadeiro abaixo.

Quando foi anoitecendo, começou a esfriar e fui comunicada que, ou tomava banho frio, ou tomava banho de cuia. Optei por esquentar um balde com água no fogareiro, o que não dava muito certo. Demorava e éramos muitos para tomar banho. Alguns escolheram o banho frio e ficávamos escutando os urros de dor que vinham de dentro do banheiro. Quando a minha cota de água estava mais ou menos morna, entrei no que chamavam de banheiro. Pia, vaso sanitário com descarga de cordinha, box sem cortina. Luz de velas. Entre o chuveiro e o sanitário, um sapo. Não dava pra sair correndo, já tinha me despido. Olhei para a parede do box. Jesus Cristo, de braços abertos, olhava para mim. Disseram que o dono da casa fez aquela pintura depois de tomar um chá de cogumelo e encontrar Jesus face a face. Mas precisava ser no banheiro? Virei de costas para Jesus, de frente para o sapo, lavei as partes essenciais do corpo e pronto.

Hora de dormir. Primeira tarefa: forrar o chão com jornal. São Pedro da Serra fica na... serra. Frio. Depois do chão forrado, colchonetes. Depois, matar todas as baratas que pudéssemos. Depois, deitar um por um, como um joguinho de dominó. Um ficou encarregado de apagar o lampião e todos ficamos proibidos de levantar de madrugada para fazer xixi. Primeiro porque naquele breu havia o risco de esmagar dedos e cabeças, depois porque ia ter que abrir a porta e o vento frio ia entrar, não bastasse o fato de a casa não ter forro e já ventar pela fresta das telhas.
Eu me diverti de monte. Se faria de novo? Só se voltasse a ter dezoito anos.
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Domingo, Pé de Cachimbo! - por Adir Vieira

Domingo, pé de cachimbo!
Que bom acordar e ter nada para fazer!
Poder decidir se continuar no clima de inverno proporcionado pelo ar-condicionado ligado a mil ou se pular da cama e ir de encontro ao sol que teima em me chamar à vida, batendo forte na janela, às seis da manhã...
Que bom se sentir rica, por dentro e por fora!
Que bom ter a tranquilidade de saber que a vida é o que é, queiramos ou não!
Que bom poder olhar cada ser com suas diferenças e ainda assim apreciá-los no seu lado bom ou ruim!
Que bom ser, ao menos uma vez na vida, humilde e receber sem culpas!
Hoje é domingo, pé de cachimbo! Vamos aproveitá-lo então!
Bom domingo a todos!
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Palavras - por Ana

Palavras não são gentis, não são amigas, não trazem consolo.
Palavras são verdades implacáveis que armazenamos num lugar importante para utilizá-las nos momentos certos.
Palavras são veículos e nós seus passageiros. Elas nos levam em seus significados e ressignificados. Elas nos acidentam, elas nos suicidam.
Palavras são peças de encaixe, nem sempre perfeito, que formam desenhos mutáveis ao longo da vida.
Palavras são santos imóveis, paralisados numa bênção prometida.
Palavras são fantasmas inconformados que insistem em ignorar a própria morte.
Palavras são obscuras, tendenciosas, comprometedoras, tangenciais e credoras.
Palavras são baús de sinônimos duvidosos e impossíveis que nos confundem no mar revolto das interpretações.
Palavras são furacões indomáveis que tragam os sentimentos, levando-os ao sabor de seus movimentos caprichosos.
Palavras são ecos dos primórdios da evolução humana.
Palavras são a sombra. São.
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Natal que Passa... - por Poty

A cada Natal que vem,
Outros passarão.

Vem outro e passará.

Fica a preparação do próximo.
Agonia sem fim.

Todos a festejar!

Comida farta
Outros sem pão.

Uns choram
Alguns até soltam gargalhadas.

Celebram a vida
Outros lembram a morte.

O Natal será o mesmo.
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