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(Aviso: Os textos em amarelo pertencem à categoria
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sábado, 13 de junho de 2009

Memórias de um Seminarista (Parte IX) - por Paulo Chinelate

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DIFICULDADES À VISTA


O curso de admissão em período de um ano é o passaporte para o ginásio. Senti de imediato a pressão dos estudos. A maioria dos meus colegas, raras exceções, tem origem nos colégios maristas provenientes dos estados de Minas, Espírito Santo e Rio de Janeiro. Este Juvenato só atende à Província Centro-Leste.
Em razão do elevado grau de estudo dos colégios de origem dos meus colegas e eu ter vindo de grupo escolar, as dificuldades são grandes.
O tempo para os estudos é o que ocupa a maior parte do dia. Dividimos as horas em sala de aula, salão de estudos, refeições, recreação e orações, incluídas a missa diária e as reuniões no oratório, logo após descer do dormitório e antes de deitar.
O gostoso, aprendi logo a valorizar, é o recreio. Jogos de todos os tipos. Dos exercícios físicos aos de mesa, intelectuais.
Ao ar livre temos o vôlei, daí as múltiplas redes entre os jambeiros que me chamaram a atenção quando aqui cheguei, rúgbi, piculas, malha, bola ao mastro, bochas. Dos jogos de salão temos o xadrez, damas, ping pong, carteados, quebra-cabeça.
Conheci hoje um colega de admissão, Jorge Cheib. O cara é bom em xadrez. Ninguém consegue ganhar dele. Corre à boca pequena que ele foi campeão mineiro na modalidade infantil. Vou colar nele. Quero aprender, ser enxadrista, soa bonito.
Fiz logo amizade com um cara legal, o Otonni. Tem habilidade com as mãos e um canivete bem afiado. Executa trabalhos em miniaturas de madeira que não tinha visto ainda alguém poder fazer. Além de ser um sujeito simples e simpático, mostra-se ser um colega interessado em me ajudar nas dificuldades matemáticas.
O engraçado é que a adaptação, natural ou planejada pelos superiores, vai se dando rapidamente. Descobriram, em entrevista, que sei responder a missa em latim. Afinal de contas sou filho de um sacristão e daí guindado ao grupo de coroinhas foi fácil. Atuo nas missas solenes das dez da manhã aos domingos. Vestido com sobrepeliz, uma capa vermelha com babados esvoaçantes, mais pareço um querubim. Papai iria gostar se me visse.
Outro atributo logo descobriram também em mim: filho de alfaiate. Filho de peixinho… Lá fui eu tomar conta da rouparia. Uma sala comprida, é a primeira porta do comprido corredor das salas de aula. Prateleiras repletas de calças, camisas, blusas, sapatos e suéteres, novos e usados. Tudo doação dos alunos ricos dos colégios cariocas maristas. Minha responsabilidade é catalogar as peças por tamanho. Pregar aqui um botão faltoso, ali um cerzido. Acolá um remendo. Uma sala inteirinha minha, com direito a chave no bolso.
De “meu” posto de trabalho, sinto um cheiro adocicado vindo da sala do guaraná. Companheiros mais velhos manipulam uma velha máquina de engarrafar refrigerantes. Vão ser servidos no domingo de Páscoa.
Aqui todos temos funções, umas trocadas mensalmente, outras fixas como a minha de “aprendiz de alfaiate”.
Os serviços de limpeza todos feitos pelos alunos em pátios, dormitórios, banheiros e salas de aula. Tudo muito limpo e organizado por nós mesmos.
Apesar das dificuldades nos estudos, estou me saindo bem. À disciplina de horários foi fácil me adaptar. As saudades do passado vão se esvaindo como acobertadas por um vaporoso véu.



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As Nossas Palavras XIV - por Clarice A.

Aviso aos bajuladores
Elogios gratuitos, enganadores
E ainda por cima com propósitos escusos
Recomendamos ignorar

Puxa-sacos e baba-ovos
Podem tomar seu caminho
Vão manipular em outras bandas
Aqui não farão seus ninhos

Fuja dessas figuras
Como o diabo foge da cruz
Palavras de aduladores
A nenhum lugar conduz

Mas se o elogio é sincero
E ainda que sem intenção
Fez por onde merecê-lo
Aceite, aqueça seu coração

Mas antes comunique ao seu ego
Vamos parar de inflar
Você tem fama de vilão
Já mandaram até lhe matar

Dizem que é por sua causa
Que não olhamos o próximo
Melindres, orgulho, vaidades
O ego ferido de morte

Impedindo de amar seu irmão
Cheio de suscetibilidades
Quando se acha atingido
Ataca sem piedade

Então digamos a ele
Coloque-se no seu lugar
Tenha o devido tamanho
Que em nós deve ocupar

Serei benevolente com o ego
Elogios sinceros, pode aceitar
Mas não viva a procurá-los
Ou muito vai se equivocar

Tente ver um pouco mais longe
Separe o joio do trigo
Mas se quiser insistir
E de um tudo aceitar
Sentindo-se o maioral
Ouça bem o que lhe digo
Ego, cai na real.
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As Nossas Palavras XII - por Aaron Caronte Badiz

Respostas são tolas, por vezes;
Perguntas, algumas indiscretas...
Nunca, jamais diga sim
Se não for a resposta certa.
Analise as perguntas,
Nunca fale sem pensar,
Às vezes um pequeno descuido
Te faz dizer sim no altar
Das santas invasões indiscretas.
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As Nossas Palavras XI - por Aaron Caronte Badiz

Sublime sentimento, o amor!
Ridículo para muitos viventes.
Eu, longe dele, nunca passo,
Impossível ser indiferente.
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Feliz Aniversário, Angela - por Alba Vieira

Você nasceu em dia de grande festa que, tradicionalmente, começa no dia anterior, quando o amor é comemorado e a madrugada é tempo de fazer promessas, brincadeiras e de colocar a imaginação para funcionar...
Assim é que traz a alegria e a jovialidade em sua essência. Quando é possível expressá-la é dessa forma que você se apresenta: leve, alegre e jovem. Tem uma leveza que contagia. Está sempre pronta para comemorar alguma coisa e fica feliz se alguém está vivendo, com projetos ou falando sobre bons momentos que experimentou. Os seus olhos brilham quando lhe mostram fotos de viagens, de festas e comemora junto as realizações dos amigos. Adora estar com as pessoas, dançar, viajar.
Talvez por isso se chame Angela, tem uma alma boa, é pura e cheia de alegria, sempre que se permite ser sua essência.
No trabalho, é séria e incansável. Em tantos anos de convivência, vejo que continua a mesma, não para de procurar o que fazer, sempre correndo e um pouco estressada. Tem o estresse das pessoas responsáveis. Acho que cuida dos colegas de trabalho como faz com seus filhos, sempre presente e tomando conta para que deem o melhor de si, senão ela briga. É perfeita na sua função, seus diagnósticos são acurados e continua estudando sempre e preocupada em não deixar passar nenhum detalhe nos seus laudos. É precavida ao extremo quando se trata de diagnóstico, sempre utilizando todos os recursos disponíveis (por desencargo de consciência). Para mim, é referência e exemplo no trabalho e grande amiga que compartilha comigo o gosto pelas artes, em especial música e literatura.
Que o seu aniversário seja um dia de muita festa, onde todos comemorem com grande alegria, a oportunidade especial de ter em suas vidas uma pessoa tão sensível, valorosa, amiga e companheira, em todos os momentos.
Parabéns! Felicidades! Muitos abraços e beijos.



Visitem Alba Vieira
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A Missa Católica - por Gio

A missa católica é assim: decorada, repetitiva e pré-montada - nem os mortos a modificam, literalmente. Pagamos para anunciarem o nome - seja de falecidos, casados, ou nascidos - no início da Santa Missa, e é só. Nada de cronograma novo. Nada de Evangelho dedicado a isso. Nenhuma música tratando do tema. É uma citação, e acabou.
Quanto às canções, eu, pelo contrário, gosto (digo, gostava quando ia). Acho-as fundamentais, pois isso é o que traz um pouco mais de dinâmica para a celebração que, de outra forma, seria um empilhado de leituras, ritos decorados, Credo e Pai Nosso.



Resposta a “A Missa”, de Adir Vieira.
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Carlos Drummond de Andrade, “O Lutador” - Citado por Penélope Charmosa

Lutar com palavras
é a luta mais vã.
Entanto lutamos
mal rompe a manhã.
São muitas, eu pouco.
Algumas, tão fortes
como o javali.
Não me julgo louco.
Se o fosse, teria
poder de encantá-las.
Mas lúcido e frio,
apareço e tento
apanhar algumas
para meu sustento
num dia de vida.
Deixam-se enlaçar,
tontas à carícia
e súbito fogem
e não há ameaça
e nem há sevícia
que as traga de novo
ao centro da praça.

Insisto, solerte.
Busco persuadi-las.
Ser-lhes-ei escravo
de rara humildade.
Guardarei sigilo
de nosso comércio.
Na voz, nenhum travo
de zanga ou desgosto.
Sem me ouvir deslizam,
perpassam levíssimas
e viram-me o rosto.
Lutar com palavras
parece sem fruto.
Não têm carne e sangue…
Entretanto, luto.

Palavra, palavra
(digo exasperado),
se me desafias,
aceito o combate.
Quisera possuir-te
neste descampado,
sem roteiro de unha
ou marca de dente
nessa pele clara.
Preferes o amor
de uma posse impura
e que venha o gozo
da maior tortura.

Luto corpo a corpo,
luto todo o tempo,
sem maior proveito
que o da caça ao vento.
Não encontro vestes,
não seguro formas,
é fluido inimigo
que me dobra os músculos
e ri-se das normas
da boa peleja.

Iludo-me às vezes,
pressinto que a entrega
se consumará.
Já vejo palavras
em coro submisso,
esta me ofertando
seu velho calor,
aquela sua glória
feita de mistério,
outra seu desdém,
outra seu ciúme,
e um sapiente amor
me ensina a fruir
de cada palavra
a essência captada,
o sutil queixume.
Mas ai! é o instante
de entreabrir os olhos:
entre beijo e boca,
tudo se evapora.

O ciclo do dia
ora se conclui
e o inútil duelo
jamais se resolve.
O teu rosto belo,
ó palavra, esplende
na curva da noite
que toda me envolve.
Tamanha paixão
e nenhum pecúlio.
Cerradas as portas,
a luta prossegue
nas ruas do sono.



In “Poesia Completa”.
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Ter Você ao Sol - por Yuri

Um dia de sol, um dia de chuva, um dia tanto faz para quem está triste, um dia no qual reclamo de sua ausência. Um dia no qual o lindo calor dos raios do sol toca a minha pele e que sinceramente não conseguem chegar aos pés do calor do seu corpo colado ao meu.
Uma noite em que respirei bem, você. E que de verdade me senti bem. Desde a infância talvez... me senti acompanhado, protegido, desejado e guardado por seus braços.
E hoje suas recordações choram sua ausência, meu fôlego se desfaz em meus prantos. E minha almofada é a inundação de Noé...
E eu ainda lembro da linda noite de maio, ouvindo sua respiração e seus últimos suspiros antes de dormir falando que me ama.
Seu sorriso, apenas ele alegra meu dia, a fonte de felicidade para mim.
E sua doce voz, aquele perfeito perfume... apenas você.
E eu aqui, esperando no porto a bagagem e um lindo navio “para sempre” chegar. Ao te acariciar dormir, ao te beijar amanhecer.
Apenas ter você.



Visitem Yuri
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