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domingo, 25 de janeiro de 2009

O Falecimento da Morte - por Geise Meireles

Não sou Augusto dos Anjos, por isso não serei pessimista. Porque falar de morte se, na realidade, ela não existe? Na ciência estou cansada de ouvir que nada se cria, apenas se transforma, por isso pra quê se martirizar em uma pergunta sem resposta?
Sábios são os poetas que escreveram CARPE DIEM, afinal só temos uma vida, uma chance de aproveitar o mundo, as pessoas, a rotina que acidentalmente seguimos, aqueles erros responsáveis pela euforia do acerto, aquela “balada” que já foi, mas que permanece nas fotos. Sei que é o clichê do século XXI, mas se você reparar não parece tão utópico assim. A intenção não é adquirir uma doença maligna para perceber que a vida tem sentido, isso é muito dramático e triste. A intenção é fazer as pessoas observarem o que acontece ao seu redor, a expressão das pessoas nas ruas, o movimento da onda, o ar leve que bagunça os cabelos, o jardim que você nunca observou indo ao trabalho. A intenção é essa! O CARPE DIEM não é só fazer o que nunca fez, é também aproveitar o que sempre faz. Uma atriz que infelizmente não me lembro o nome agora, disse que aqueles que lutam tanto para sair da monotonia querendo mudar e mudar, acabam entrando em outra rotina, talvez a pior de todas, a rotina de mudar, mudar e mudar.
Faço minhas as palavras dela!


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Brasil - por Rosa Cancian

Brasil
Sensacional!?
Carnaval!?
Tropical!?

Brasil sem senzala
e com Lei Áurea
Brasil invadido
índio fudi…

Brasil na moda
afro-descendente
sem preconceito!?
certamente!?

Brasil violação
mulher, ancião
saúde
educação.

Brasil sem infância
por desnutrição
pela facção
e violação.

Brasil maravilhoso!?
Para o poder detentor
para o sonhador
para o expectador.

Brasil de verdade
essa é minha identidade
ora sou coadjuvante
ora sou protagonista
dessa guerra fria que
aqui predomina.
.

Sonhador - por Vicenzo Raphaello

Parado ficava
na porta da casa
esperando por ela
que sempre passava

De tanto esperar
Ela o olhou
com sorriso nos olhos

Uma promessa

Na porta da casa
esperando por ela
o sonho acabou

Passando num carro
de véu e grinalda
olhando pra ele
com sorriso nos olhos
a promessa se foi
.

Alma em Pé! - por Adhemar

Se todos os dias fossem como hoje…
É que saí de mim.
Fui me contemplar,
mais que à distância
e ver se me enxergo na ótica real.
Vejo-me pelado,
completamente nu!
E bem assentado
no vaso sanitário,
tendo entre as mãos
um livro imaginário.
Cara de otário,
lerdo, espinhento,
sim, minha matéria
chega a fazer dó;
viro-me ao espelho,
alma,
me contemplo em pé.
Cabelos alinhados,
esbelto, elegante,
ar safado e belo,
magro e bom de bola,
poeta de mão cheia,
amado e bom de tudo!
Isso não bastasse,
um sorriso lindo…

Mas olho para mim,
tranqüilo, ainda sentado,
ar apalermado
e eu me pergunto:
entre esses “eus” dois,
qual é o mais humano?
E volto pra matéria,
o gordo está dormindo…




Visitem Adhemar
.

Luís Vaz de Camões cantando o Amor - Citado por Vicenzo Raphaello

(...) Dias há que n’alma me tem posto
Um não sei quê, que nasce não sei de onde
Vem não sei como, e dói não sei porquê.
.

Mulher do Parque (Siqueira Campos) - por Vicenzo Raphaello

Lá estava ela
encolhida
rígida
no meio do parque
sob um abrigo
que não abrigava

Gente em volta
do rígido corpo

Morreu bebendo
pra matar o frio
que matou a ela

Morreu sozinha
num lugar bacana
de carros bacanas
de gente bacana
em prédios bacanas

Num mundo sacana
.

Olhar - por Vicenzo Raphaello

Bastou um olhar
Rompeu o frágil tecido
de uma barreira indefesa
Então
revela-se ruidosamente
num surdo desejo
indesejado
.

Alpendre das Almas - por Raquel Aiuendi

Ao pendurar as almas
Tenham cuidado
Para que não caiam
Pois o chão está
Molhado.
.

Chico Buarque, Leonel Brizola e a Rede Globo - Citados por Rosa Cancian

Para Chico Buarque, o plim plim “(…) é mais poderoso que o cidadão Kane… é a força política mais importante do país… é assustador.”
Para Leonel Brizola, ele “é uma espécie de Stálin das comunicações do nosso país, quem não concorda com ele, ele manda pra Sibéria do gelo, a Sibéria do esquecimento.”



Resposta a “Novela das Oito”, de Dalberto Gomes.
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Consciência - por Rosa Cancian

Assim como em 1969 (ano em que o Brasil foi ligado internacionalmente por um canal de TV), ainda hoje a televisão não tem como objetivo informar para formar. O alvo das estações de TV é de alienar, por isso o tédio e a angústia dos domingos.


Resposta a “Crime Dominical”, de Dalberto Gomes.
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Medo de Criança - por Alba Vieira

Saci-pererê
Pula numa perna só
Vai pegar você
.

Crime Dominical - por Dalberto Gomes

Tarde de domingo
A morte se avizinha
Gosto de sal do almoço.
Sol resvala no crepúsculo
Ansiedade…
Arrotos tépidos
Estocada no peito
Cervejas vazias
Corpo na cama
Esqueleto na poltrona
Silêncio quebrado
Gargalhada do Silvio Santos
Besteirada do Faustão.
Valha-me Deus!
Ao longe o assovio da rádio Globo
Anuncia que é tarde de futebol.
Domingo
Saco…
Respingando angústia
e tédio.
.

Escapismo - por Dalberto Gomes

Quando a realidade
Com seus tentáculos
Tenta me alcançar,
Pulo para fantasia
Ponho-me a poetar.

Covardia?
Não,
É um mero jogo
cintura.
.

Deixa Disso... - por Alba Vieira

Casé, meu caro Casé!...
Não estimula este jogo,
Não põe lenha na fogueira
Ou a briga começa de novo.

É bom deixar de firula,
Isto é uma grande besteira,
Estas duas se engalfinham
Nas letras e de outras maneiras,

Posto que uma é xavante,
A outra é cheia de si,
Não gosto destes embates...
Vou ficando por aqui.



Resposta a “Pedido”, de Casé Uchôa.
.

Não Diga Não - por Dalberto Gomes

Aonde o não impera
O sim prevalece.

Todas as vezes
Que com amor dizemos
Não.
O sim desponta no
Coração.

O não é a verdade invertida
O sim pode ser a mentira
Escondida.
.

Volte - por Dalberto Gomes

No guarda roupas
Uma camisola
Aguarda seu corpo.

No armário do banheiro
Uma escova dental
Aguarda sua boca.

Em mim
Um corpo viciado
Impregnado pelo seu cheiro
Guarda
Saudade.
.

Amor - por Alba Vieira

Esplendor de luz
Manifesta seus azuis
No amor que dá
.

Esse é Pra Quem Foge - por Raquel Aiuendi

O duelo não cessa
Pra quem ri à beça
Pra nós é papo sério
Portanto, sem mistério
Se Ana é Samurai
Posso ser Ninja, mai
Valendo da rima do Casé
Ana que não se restrinja
Minha rima sempre dá pé
Quebrado ou engessado
Quem tá interessado?
Desafio também ao duelo
O amigo poeta Casé
Que pode entrar nessa
Se quiser ou se verve tiver
Duelo sempre em bom tom
Sempre é tão, tão bom.
Mas não me esqueci da Ana:
Se eu estou diplomada
Não é daquilo nada
Você tem pinta de bacana
E eu é que passo por ralé?
Pois te falo na maió fé
Quem tá na moral
Do ringue não corre
Valentia não morre
Nem posa de 'a Tal'
Medra e foge no final.
Tô aí pra outro round
Daqui não saio,
Também não caio
Não tiro as luvas
Mas sou muito forte
Sem medo de chuvas
Entro pra me molhar
E não deixo de rimar.
Por enquanto é só, inté
Pra Ana, todos e Casé.



Resposta a “Pedido”, de Casé Uchôa;
Entendi e Não Gostei” e “Isso é Pra Quem Pode”, de Ana.
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Incrível Hulk - por Dalberto Gomes

O que penso…
Penso nas lutas inglórias
Lutas pela sobrevivência
Que nos transformam em monstros
Tornando-nos seres ambíguos
Verdes pela fome
Amarelos pela inanição
Lívidos pela morte.
Seres descomunais
Seres sem identidade
Seres…
Sem alma.
.

Je Vous Salue Marie - por Dalberto Gomes

Anônimos possessos
Se seduzem
Ferrenha luta
A conquista…
Macho versus fêmea
O anjo se retira
Uma estocada
Jaz sangue sobre organdi
Das dores deu lugar
A prazeres
Das trevas à luz
Fiat luz
Se constituindo
Simplesmente
Maria.
.

Isso é Pra Quem Pode! - por Ana

Oba! Ganhei fã-clube!
Muito obrigada, ó Casé!
Cê viu só, dona Raquel?
Se tu não qué, tem quem qué

Ler as palavras que escrevo
Na maior inspiração,
Mesmo que pra responder
À sua má-criação.

E atendendo ao pedido
Que foi feito por Casé,
Retiro o que decidi:
Eu volto, dou marcha à ré.

Agora... eu só não sei
Se eu sou ninja ou samurai...
Acho que escolho o segundo,
Pois te corto sem um ai.

Então, sua ninja potiguara,
Traz arco, flecha, tacape,
Vem, cai dentro, se puder,
Duvido que tu me escape.

E pode complementar
Com estrelas assassinas,
Correntinhas e ventosas...
Só meu olhar te elimina!

Eu posso lutar com espada,
Usar lança ou bastão,
Mas, pra quebrar teu galho,
Eu vou duelar na mão.

Sou samurai de respeito,
Pela honra eu me guio,
Ao contrário de uns e outros...
Seu ninja escorregadio

Que posta bobagem à beça,
Sempre com o sai-não-sai...
Que vai ficar, todos sabem,
A me atentar com seus ais.

Me falta criatividade?!
Então tu não sabe ler!
E se sabe, tá provado:
Não consegue compreender!

Ainda parte pra agressão:
Vem me chamando de insana!
Vai tomar banho de rio,
Vai brincar com a tua iguana!

Feliz eu sou, e é muito!
Tanto!... Que nem você,
Com sua conduta imprópria,
Consegue me aborrecer.

E todo mundo já viu
Que tu sabe algum inglês,
Não precisa ficar mesclando
Esta língua ao português.

Eu acho que tu faz isso
Só pra me provocar,
Pra lembrar lá do início,
Pra coisa não esfriar.

E quem foi que falou em zen?
Tu tá pirada, guria?
Tenho é muita paciência...
Coisa que ninguém teria...

E eu não preciso apelar,
Perder tempo com quimera,
Por isso te dou as costas
E vou, triunfal, pra galera!

Agradeço os elogios,
Os aplausos da platéia!
Sinto muito, Passa-Tempo,
Vou continuar com a idéia

De duelar com essa índia:
Equilíbrio da flecha é a pena.
A dela tá torta, doida;
A minha, certeira, envenena,

Faz cair, de vez, ao chão,
A nipônica xavante!
Vai jazer de morte súbita!
Não há pajé que te levante!


Resposta a “Pedido”, de Casé Uchôa;
Esclarecimento” e “...E Tenho Dito”, de Raquel Aiuendi;
Julgamento e Desafio”, de Passa-Tempo.
.

Âmago do Ser - por Kbçapoeta

Quando retornei do vale das sombras
Olhei-me no espelho
Meu rosto descrevia todas as dores
Todos os amores em vão
Todo tempo que havia perdido
Não contente com essa visão Dantesca
Olhei no fundo dos meus olhos
Senti um alívio
Olhei novamente para ter certeza
Não tinha dúvida
Minha alma não estava lá
Menos mal
Pelo menos é só o corpo
Que sofre nesse mundo infame

.

Distância - por Moita

Quando estou duvidoso, não discuto,
mas quando tenho certeza, aí me calo.
Se o amor me põe em dúvidas, sinto abalo,
fico surdo e a mim mesmo não escuto.

Por vezes, surge um sentimento astuto
que me leva a pensar com mais clareza.
A distância é que me prega a incerteza
e estúpido volto à dúvida e aí reluto.

Aparece-me uma idéia quase clara
e a burrice, na verdade, me declara,
que, por vezes, chegar perto descaminha,

que o amor mesmo longe se ampara
e que a distância, de fato, só separa,
o que a proximidade não avizinha.
.

Novela das Oito - por Dalberto Gomes

Vinte horas
Um clarão de néon no céu
Das salas do Brasil
Rostos lívidos, ávidos atenciosos
Níveos olhos se arregalam ao suspense
Bocas inúmeras sugam beijos sedutores
Em noite dos trópicos
Pessoas se transportam na hora do jantar
Assumem personalidades impostas
No período de uma hora
O pasto é posto defronte a mesa
Introduzem em mundos distintos
Paixões, intrigas, desejos, amores, cobiças,
Fantasia, consumo e violência.
Até que o plim-plim da Globo
Interrompa o colóquio cotidiano
Levando cenas da vida
Para a real dos próximos
capítulos.
.

Felicidade - por Alba Vieira

Néctar da vida
Fazer o que se gosta
Só energia
.

Encontro (Velhas Amizades) - por Dalberto Gomes

A grata satisfação
Encontrar amigos
Amigos queridos
Amigos perdidos
Perdidos no tempo, na memória.
Ver no encontro
A dúvida, o olhar, a luz.
Sentir-se entre abraços e sorrisos
Deixar a emoção emancipar-se do peito
Restos de saudade
Pingos de lembranças
Com os olhos rasos d’água
O prazer de ouvir comovido
Uma voz rememorando seu nome
E perguntar: como é que vai?

Amansá-lo com olhar
Sentir em sua aparência
Se a safada da vida
Na inexorabilidade do tempo
Passou-lhe uma rasteira
Mantendo seu jugo (pesado fardo) sobre seus ombros
No arrastar da idade
Repercutindo em espaçados fios de cabelos.

Amigo…
Não tenho palavras,
Ponha o braço sobre meu ombro
E vamos ali…
No bar da esquina
Tomar uma cerveja
E viver as reminiscências de nossas sinas.
.

Álbum de Figurinhas - por Dalberto Gomes

Somos meras figurinhas
Figurinhas deste álbum do viver.
Amigos, figurinhas carimbadas
Que nos dão enorme prazer.

Figurinhas
Troca-troca
Amassadas, envelhecidas
Rasgadas, repetidas.
Figurinhas.
Álbum cheio
Hobby de um colecionador
Em litúrgica cerimônia
Joga bafo-bafo
Com o criador.
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Dúvida - por Raquel Aiuendi

Dúvida, não sei se alguém vai saber me responder:
esse lance de anti-spam é teste de sanidade mental ou é pra torrar a paciência?
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