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(Aviso: Os textos em amarelo pertencem à categoria
Eróticos.)




domingo, 30 de agosto de 2009

As Nossas Palavras XXIII - por Alba Vieira

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Ter virtude pode honrar alguém, mas abrir portas para o sucesso, somente se entrar junto a beleza.
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O “Invocado” - por Adir Vieira

Não sei demonstrar carinho,
Só sei manifestar minha dor.
Quando o racional me bate,
Fujam, pois é um horror!

Às vezes tento ouvir
Pessoas experientes,
Mas no meio da conversa,
Afio logo meus dentes...

A outra pessoa, surpresa,
Finge não perceber, prá agradar,
Mas eu, com o pé atrás,
Dou outra só prá acirrar...

Será que ao longo da vida,
Por sorte ainda não surtei
Ou será que ainda melhoro
Esse belicoso poder?

Com certeza acho que não,
Pois já sou muito velhinho,
Penso que se eu mudar,
Só se for para os “anjinhos”!



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A Mulher Invisível - por Ana Maria Guimarães Ferreira

Era uma mulher de estatura média, porém passava despercebida por onde quer que fosse. Ninguém a enxergava, ninguém a via.
Entrava nos gabinetes, nos palácios, nas mansões e nenhuma câmara a fotografava.
Dizem que era de outro planeta, de outra dimensão...
Há quem jurasse que ela era descendente do Drácula: nos espelhos e nas máquinas fotográficas, nos filmes que gravavam as pessoas, ela não aparecia...
Outros menos crédulos achavam que ela não era nada disso, mas sim que os equipamentos de segurança não funcionavam, como tudo falhava na República das Bananas e como tinham defeitos sérios, só registravam por um segundo e depois apagavam.
Tudo isso não seria motivo de escândalo, se não fosse a visita secreta que ela fez a Tia Mariquinhas. Foi escondido comer bolo durante a noite ou foi ouvir o pedido da tia para abandonar o vício de ficar verificando a vida dos outros.
Ninguém sabe, mas o que se sabe é que ela, atendendo ao pedido da tia, acelerou o processo. A tia disse que ela estava surda e que não ouviu direito. A prima jura que ela não esteve lá, que foi um sonho e que tia Mariquinha não pediu nada.
O tio, que era o dono da casa, considerou que ela estava mentindo ou que devia estar com Alzheimer e assim se lembrava de coisas muito antigas e confundia com o presente...
Como ninguém sabe quem estava com a razão, o caso foi levado ao Conselho de Astracam e contratado o maior de todos os detetives para tentar descobrir onde estava a verdade, com quem estava a verdade... E um moço de boné de xadrez e um cachimbo na boca, diante de tanta confusão, disse, do alto de sua sabedoria inglesa:
- O que acontece é que ela realmente é a mulher invisível, por isso não foi vista pelos sensores da casa. E no dia da visita ela se esqueceu de colocar a máscara nas mãos e na face e assim, diante de sua invisibilidade, ninguém conseguiu ter a chance de ver que ela estava realmente ali. Assim, ninguém a viu, mas as conversas foram ouvidas por ela que, acostumada a ajudar a tia, levou o pedido adiante.
E ele terminou dizendo:
- ELEMENTAR, MEU CARO WATSON... Elementar...



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Um Dia de Chuva... - por Duanny

Você, por acaso, já reparou como os dias de chuva são deprimentes?! Não, não é porque esses dias te inspiram um automático tédio, ou porque o céu nublado e aquele vento frio te fazem lembrar de coisas tristes ou no que você poderia estar fazendo se estivesse um sol daqueles.
Talvez seja porque a chuva seja como uma descarga de emoções, um furinho no barco da alma, o ralo dos sentimentos reprimidos... Sim, porque não? Quem nunca ouviu a expressão “Por mais que a chuva venha, sempre vem o céu azul” (ou algo parecido)? Ué... talvez porque depois de descarregar certas emoções, deixar vazar inconveniências da alma ou mandar ralo abaixo os sentimentos atormentados, vem o céu azul, como se você se sentisse leve, aliviado, por ter “descarregado”.
É como se a chuva de fato nos lavasse por inteiro, levando para os bueiros, para as ruas, de forma escancarada, tudo o que não desejamos de forma alguma, que nos negamos sentir ou acreditar.
Pessoas como eu acham a chuva deprimente. Pra mim, deixar certas emoções ou sentimentos vazarem estupidamente é como tirar uma parte de minha personalidade; sei que são inconvenientemente indesejavéis, mas fazem parte do meu ser, da minha opinião, do meu caráter. Mas há pessoas que simplesmente adoram a chuva, o vento frio perfeito pra filme e pipoca, o barulhinho da chuva pra dormir... Talvez a vida para essas pessoas seja de fato mais fácil, estão acostumadas a mudanças (ou não?), podem se livrar do que as incomoda e seguir seu caminho, como se nada houvesse sido jogado bueiro abaixo(?!). Acho que a resposta seria óbvia demais, não?!
Apesar de se livrar de tudo deliberadamente - ou deprimidamente (porque de qualquer forma você se livra) -, a bainha da sua calça vai continuar molhada, como se dissesse “certos sofrimentos, dores ou amarguras são essenciais para você entender o verdadeiro valor da vida”.
Por mais que você tente pular as poças, correr para se abrigar, aquela bainha vai continuar ali, molhada, te lembrando do esquecido, fazendo você sentir o que já se foi, mas não há com o que se preocupar, é só mais um dia de chuva.
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Fora, Racismo Camuflado! - por Esther Rogessi

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Belo é sonhar, acordado ou dormindo...
Terrível é ter pesadelo e fazer da vida um... Vivê-lo!
Como somos pequenos... Esquecemos o que ontem sonhamos,
E do que sonhamos há anos lembramos...
Sonhamos de forma clara, com pessoas e lugares desconhecidos,
Situações enigmáticas, mistérios jamais resolvidos.
Os nossos sonhos podem ser... A consequência dos nossos atos,
Desejos contidos, revelados no enigmático...
Ou o que há de vir, realidade futurista...
Ou ainda a deformação do caráter,
Através de um pensamento sombrio, enegrecido pelo mal...
Mesmo que sejamos brancos, caráter não tem cor!...
O pensamento do homem nem sempre é bom.
Porém o chocolate, branco ou negro, bom sempre será!

(O racismo camuflado só vindo de um perfil deformado, continua sendo crime!)


Nota: Este artigo é resposta a um infeliz pensamento racista, grosseiro e vil quanto à mulher negra, publicado de forma camuflada em um site. E ainda vem o tal sujeito se dizer filho de mãe negra e que vibrou com a vitória de Barack Obama, e que ainda admira o Rev. Martin Luther King, porém tem tesão pelas branquinhas, mas não descarta umas negrinhas vizinhas dele, para tocar “algo que não é música!”
Estudiosos dizem que Adolf Hitler, por parte de sua avó (Karla), tinha em suas veias sangue judeu. Foi isto que o levou a dizimar quase doze milhões deles, causando o maior genocídio da história?



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Temerário - por Kbçapoeta

Tanto medo do verso
Do resto
Do teto que ameaça cair.
O tijolo
O bloco
O concreto
O acabamento que ainda está por vir.
Tanto verso do medo
Do teto
Do resto que acaba de cair.
O acabamento concreto
O bloco
O tijolo que ainda está por vir.
Tanto verso concreto
O resto
O concreto que ainda está por vir.
O tijolo
O teto
O verso que acaba de cair.
Tanto medo do bloco
Do Baco
O resto que ainda está por vir.



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Bruna Lombardi em “Sanha” - Citada por Penélope Charmosa

Eu vou te infernizar com minhas perguntas
e vou te seviciar com minhas malícias
vou te pulverizar com meus poderes
e vou te influenciar com meus abraços

e vou te transformar com meus pecados
e vou te conseguir com minha sede
e vais agonizar com meu verde
e vais me suplicar o meu veneno.

Eu vou te misturar à minha terra
e vou te possuir com meus desejos
vais aprender a rir com os meus dedos
e aprender a brincar com meu fogo.

E eu vou te salvar com minha loucura
e vou te remontar com meus pedaços
e vou te sacudir de imprevistos
e tu vais te soltar com meu galope
e aprender a voar com meus gestos.

Tu vais me aguentar com minhas pedras
e vais me esmagar com a tua força.
Tu vais me despertar o meu caminho
e vais me apontar sempre o teu norte.

E eu vou te enfeitiçar com as minhas manhas
e vou te sufocar com meus delírios
e vais me suportar com minhas lágrimas.
E vou te carregar dentro do sangue
e me embrenhar adentro da tua mata.

Eu vou silenciar sobre teu crime
e te esconder nas pregas do meu leito
e te afundar nas dobras do meu ventre
e te alimentar com a minha seiva.

E vou te atiçar com minhas propostas
vou te prender dentro das minhas coxas
te sussurrar no ouvido o meu segredo
tu vais te acostumar com o meu cheiro
e aprender a usar a minha faca.

Tu vais me atormentar com o teu peso
e me fazer cair no teu abismo
e eu vou me arrastar no teu tapete
com todo esse lirismo na barriga.



In “No Ritmo Dessa Festa”.
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Fernando Pessoa em “Autopsicografia” - Citado por vestivermelho

O poeta é um fingidor.
Finge tão completamente
Que chega a fingir que é dor
A dor que deveras sente.

E os que leem o que escreve,
Na dor lida sentem bem,
Não as duas que ele teve,
Mas só a que eles não têm.

E assim nas calhas da roda
Gira, a entreter a razão,
Esse comboio de corda
Que se chama o coração.



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