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Eróticos.)




quinta-feira, 29 de setembro de 2016

DIÁLOGO

O que motiva o suspiro, o suspeito e o susto
é o sobressalto que assalta
a voz que vem no vento.
Um sussurro, um assopro,
um pressentimento.

Nunca foi preciso pensar tanto,
tontamente atento,
tolo sempre totalmente.

O que motiva o suspense, o sustento e o santo
é o saltimbanco solto
que assenta o tento.
E nem tenta tanto.

Tudo o que é preciso pra contar um conto
é dar um bom respiro
e cantar o canto.
Cântaro no arroio a flutuar de encanto
enquanto sem apoio apela para o pranto;
a derramar seu rio,
lágrima de pronto.

O tempo rabugento a resmungar de frio,
o fato, o pão e o alento
a alertar o tato.
Contato com consentimento
no prato do distrato
a confrontar o momento.
Instante de conforto farto,
do retrato e do livro
que livres servem aos seus patrões.

Dançar na rua a importar a espera
de buscar o sonho que nunca se altera.
O que motiva o devaneio, o sonho,
a vida e as atitudes
não são os defeitos
e nem as virtudes:
é o acidente que fez o espermatozóide
fecundar um óvulo.



[Adhemar - São Paulo, 13/06/2005]

segunda-feira, 5 de setembro de 2016

IMPÉRIO

O Rei supõe nossa renda.
Os tributos escorchantes
revelam da corte disposição.
Os súditos exauridos
encontram na morte solução.

Para festas querem nossa prenda.
Os pedidos são hilariantes,
revelam falhas da organização.
Os contribuintes, falidos,
esbanjam satifasção...

Para tudo querem que entenda
que será tudo melhor que antes;
revelam cínica ingenuidade
aos súditos enfurecidos
em cíclica "revolução"!

Uma revolução à venda
por inigualáveis montantes,
que corrompem os idealistas:
populares enfraquecidos
entregues a festejos populistas...

Boas e más intenções:
Tudo morre com TV, futebol e pães.

[Adhemar - São Paulo, 27/04/2014]