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Eróticos.)




segunda-feira, 28 de setembro de 2009

Exaustão - por Marília Abduani

O sol estático nos ilumina,
nossa careta viva, nossa sina,
nossa indefesa, lírica visão.
Rumor de mar nas ruas e nas casas,
casas sem portas, superfície rasa,
esqueletos de infância em combustão.

O sol, lunático, nos atenua,
nossa ferida, nossa rosa nua,
nosso inimigo, nossa mesma guerra.
A nossa ausência, nosso grão de milho.
A nossa crença, o nosso estribilho,
o que se pensa que acerta e o que se erra.

O sol extático nos contamina,
a nossa dor sem som, nossa ruína
nos atropela em cheio o coração.
A nossa chave para abrir respostas,
a nossa calma, essa candura morta,
no oceanomundo de nossa exaustão.
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...........Visitem Marília Abduani
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As Nossas Palavras XXIII - por Lélia

Ao abrir as portas de casa hoje, dei de cara com a magnífica virtude da natureza de nos presentear com esta esfuziante beleza que somente ela tem a oferecer. A natureza é perfeição que se impõe de tal forma que entra por todos os sentidos humanos e pode modificar nosso dia e até mesmo nossa vida para sempre.
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Olhares - por Ana

É noite de domingo. Da janela vejo vários televisores ligados em outros apartamentos. Algo me chama a atenção, observo melhor, entendo: as imagens são idênticas. Hora do Fantástico. Todos assistindo à Globo. Então viajo no tempo.
Certa vez, fui visitar uns tios que moravam no quinto andar de um prédio que não possuía elevador. Era noite também. Fui subindo as escadas e fiquei perplexa ao perceber que o barulho que ouvia, das salas, a cada andar, era sempre o mesmo. Ao entrar no apartamento de meus parentes, ouvi as mesmas vozes televisivas. Era o Jornal Nacional. Nisso lá se vão uns 30 anos.
Hoje não fico perplexa como antes, mas lamento. Pelo ser humano. Que é - potencialmente - tão rico, tão complexo, tão único e, no entanto, fica se espremendo na curva normal, num aglomerado hiperdemográfico descerebrado. Onde o poder de escolha, onde a capacidade de discernimento, onde as diferenças pessoais? Apenas no rabicho elitizado que quase se confunde com o eixo dos x?
Grupo, massa, gado... as mesmas (des)informações dolorosas senso comum, os mesmos valores, a mesma aculturação nivelada por baixo, as mesmas emoções maniqueístas, as mesmas noções improdutivas, os mesmos estímulos emburrecentes... Fazer o quê... aquilo que para esparsos é vomitável, para a multidão é aplaudível.
Assim se desencaminha a humanidade, enquanto seres esquisitos seguem na contramão, apesar dos infindáveis esbarrões da ignorância.
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Me Deixa - por Duanny

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Me deixa experimentar o gosto da vida, saborear os momentos doces e simples dela, e levar comigo lembranças que ainda irão se perder na eternidade.
Me deixa te abraçar e sentir seu corpo junto com o meu, pra sentir mais uma vez o cheiro daquele perfume, pra não me esquecer de como é forte seu abraço.
Vem comigo, não é preciso sentir medo. Vamos nos jogar no abismo da felicidade, sem levar culpa alguma, nos sentir leves mais uma vez, sem remorso, nos suicidar constrangedoramente felizes, por sermos tudo aquilo que dissemos.
Me deixa olhar mais uma vez aquela foto de um passado inexistente, de uma ocasião imaginária que explode em meu peito em forma de palavras.
Me deixa ouvir mais uma vez o som daquela voz que me enlouquece, que me obriga a descobrir caminhos onde minha inocência se torna cada vez mais estreita.
Me deixa vomitar todas aquelas palavras tolas que ficaram presas com as lágrimas. Palavras fatais com sons medíocres que te fazem sorrir assustadoramente.
Me deixa ser o que eu sempre quis, me fantasiar com a ilusão da perfeição, ser o inevitável, ser o inexplorável, ser seu sonho de consumo.
Não ligue para os outros, não te prometo nada e nem espero que você queira algo em troca de tudo isso.
Mas... me deixa.
Me deixa viver a minha vida, de forma única. Da minha forma.


Visitem Duanny
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Amargas Rosas - por Vicenzo Raphaello

Mulher agradável
O tempo havia passado por ela
Mas ainda um frescor de juventude
Corava seu rosto

Desce mais cedo numa manhã
Para o café

Amargo café

Seu marido bonachão
Médico afável
Abraçava a empregada
Dando às mãos todo uso
Que delas podia fazer

Em prantos ela se desmancha

Próximo
Um vaso com rosas
Levanta-o
Ele se abaixa
De um projétil que não vem

Trêmula
O vaso escorrega-lhe
Nas mãos ficam-lhe as rosas

Mastiga-as
Mastiga-as
Mastiga-as

As rosas
Que dele ganhara
No aniversário de casamento.
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