Bem-vindo ao Duelos!
Valeu a visita!
Deixe seu comentário!
Um grande abraço a todos!
(Aviso: Os textos em amarelo pertencem à categoria
Eróticos.)




sexta-feira, 13 de novembro de 2009

Escuro - por Kbçapoeta

Apesar do escuro
De toda a solidão,
Aplacável peça
Do teatro psicodélico
Da vida que vez ou outra
Entra em cartaz.
Saio às ruas
Ruminando meu pensar.
Deliciando-me com o gosto
Já conhecido, querendo mais do mesmo.
Sim!
Sempre o mesmo, nunca distinto.
Preciso pensar com a massa,
Imiscuir-me de qualquer responsabilidade
Pela provável catástrofe que se tornou
A convenção dos homens.
Convenções em nome de Deus.
Convenções em nome da terra.
Nada me interessa mais.
Quero apenas os instintos
Comer, beber, divertir e alienar-me.
Gritarei heroicamente em nome
Da suprema vontade de não existir.
Desaparecerei no meio dos comuns,
Apenas mais um rosto.
Serei todos e não serei nenhum
O tudo e o nada.
No limiar do escuro
De toda solidão.



Visitem Kbçapoeta
.

Certeza - por Alba Vieira

Atenta, aguardo os sinais.
Em minha direção surgem indícios
De novos tempos, outras descobertas.
Sigo tranquila em direção ao meu destino.



Visitem Alba Vieira
.

Aedo Cibernético: Maria Maria - por Cacá

.......Maria, minha mãe, possuía todas essas marcas. Quando aprendi a arranhar uns acordes no violão, era a música que ela mais gostava de me ouvir tocando. E cantava com uma profundeza, que parecia engolir os suspiros que lhe provocavam a letra, a melodia enredada em sua sina de Maria forte. Maria filha, mãe, mulher com toda a graça, manha, gana, beleza, pureza, orgulho de Maria, orgulho de mulher. Tinha a sensação que Milton Nascimento havia conversado com muitas Marias como ela, antes de compor essa canção. Vai ver teve uma Maria assim em sua vida, como eu tive na minha.



MARIA, MARIA........(Milton Nascimento)

Maria, Maria, é um dom, uma certa magia
Uma força que nos alerta
Uma mulher que merece viver e amar
Como outra qualquer do planeta
Maria, Maria, é o som, é a cor, é o suor
É a dose mais forte e lenta
De uma gente que ri quando deve chorar
E não vive, apenas aguenta

Mas é preciso ter força, é preciso ter raça
É preciso ter gana sempre
Quem traz no corpo a marca
Maria, Maria, mistura a dor e a alegria
Mas é preciso ter manha, é preciso ter graça
É preciso ter sonho sempre
Quem traz na pele essa marca
Possui a estranha mania de ter fé na vida.



______________________________________________________________________
*Na Antiguidade, como a escrita era pouco desenvolvida, o AEDO cantava as histórias que iam passando de geração para geração através da música. Depois, veio o seu assemelhado na Idade Média, que era o trovador. Hoje, juntado tudo isso com a tecnologia, criei o AEDO CIBERNÉTICO.
.
.
.
Visitem Cacá
.
.

Esmo - por Leandro M. de Oliveira

.
.

.
.
A história vai, a história leva consigo o que quer, deforma, finge, fica. E eu, homem comum, estou para ela como está uma folha, inadvertidamente a boiar na corrente de um rio, que está a boiar numa placa de terra, que boia no magnetismo dum polo, que boia feito esfera na amplidão dum infinito. Quantos auges e decadências, quantas partidas e chegadas, quanta existência tenho ainda de suportar? Já vivi muitas vidas, habitei muitos corpos. A cada dia passado distancio mais dos sentidos de outrora. Permaneço solto pela campa onde muitas vezes não queria estar. O ser aqui vai fluindo em estado de sobrevida, acima dos modos locais e, ao mesmo tempo, emaranhado em seus meandros como raízes de um jardim suspenso. Pode ser que eternamente permaneça aqui atado, nesse estreito horizonte tendo das asas tão somente o delírio. Irremediavelmente na condição de uma pérola que cresceu por reação alérgica ou na de um objeto estranho que numa cúpula se entranha sem que ninguém o pressinta. Pra quebrar a rotina procurei trabalhar na encenação do próximo espetáculo, preparei um discurso de redentor, mas a mim só coube o papel do gentio. Não, não fui educado na casa grande. Não tive tempo apto a decorar o catecismo romano, pensei ser uma abstenção salutar o exercício de não aprender dos homens as formas tradicionais de autorrepulsa. Quis dar aos que se diziam meus um mundo novo, a mensagem não era exatamente didática, na impossibilidade do passo além recebi na fronte o selo agudo do anátema. Cresci como cedro por entre eucaliptos, ou seria o contrário? Caminhei descalço só pra ver como é sentir os pés em carne viva. Contestação como profissão de fé. Sempre o estreito ao invés do largo, porque há mais luz fora que dentro da caverna. Fartei-me das sombras dos seres, quero agora conhecer o ser, contato imediato. Não tenho etiqueta, obediência, dieta saudável. O que trago no alforje é espólio das resultantes de um carisma selvagem. Minha fúria, minha tragédia, meu cabelo mal cortado. Tenho a irrelevância do anônimo e a turba da multidão. E isso se me afigura grave e isso me confunde o jugo. No ermo das noites não dormidas, na amplidão das estradas desabitadas, ao passo que me encontro me perco. E sendo eu, não sou ninguém. E não sendo nada, sinto as humanidades mais improváveis. Meu coração é essa fenda delgada donde o sol não visita. Meu coração é o lar donde habitam os homens que não querem mais mentir a si mesmos. Eles estão aqui, eles vêm de toda parte, depositando por sobre o altar imaginário suas flores e suas cicatrizes.

Acordei com grandes planos. Como a vida é pequena, esqueci tudo e me dei a seduções gratuitas.
.
.
.
.
.
.

O Motoboy - por Ninguém Envolvente



Mais uma quinta-feira normal e nublada, até que um estrondo entra pela sua janela, parecendo ser um atropelamento. Olhando para fora, você avista um motoboy e um destroço do que seria seu veículo de trabalho.
Um tumulto é então formado, todos querem saber e ver se está vivo ou morto entre outros pormenores. Mas a ambulância só é chamada quando uma pessoa NÃO SE ENVOLVE com a cena e tem a visão crítica de que o motoboy precisa de cuidados e não de curiosos.
Não se sabe porque e nem como ele caiu, mas já se escutam rumores de que o motoboy estava correndo, o motoboy estava errado, o motoboy isso e aquilo. Enquanto, decentemente, uma pessoa grita no burburinho “o motoboy escorregou no asfalto molhado pela chuva”, calam-se todos e aos poucos vão embora.
Trinta minutos depois, a ambulância aparece e o socorro é prestado. E a vida volta ao normal. Com o mesmo individualismo, egocentrismo e todos os ISMOS humanos. Até que outro motoboy caia e tudo recomece.


.