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(Aviso: Os textos em amarelo pertencem à categoria
Eróticos.)




sexta-feira, 26 de dezembro de 2008

A Vida Continua - por Kbçapoeta

Quando nasci perguntei:
Porquê?
Quando esse porquê foi resolvido
Já era resposta obsoleta
Sendo resposta obsoleta
A vida continuava vazia
Sendo vazia
Obsoleto tornara-se meu viver
decidi passar propiciar como cupido
Um delicioso e sensual encontro
A navalha deslizando em minha garganta
Nua
A seiva vermelha jorra aos borbotões
E a vida continua




.........................Visitem Kbçapoeta
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Pedido ao Papai do Céu - por João Luis Amaral

Querido Papai do Céu,

Hoje eu quero fazer um pedido especial: quando eu crescer, eu gostaria muito, muito mesmo, de continuar sendo criança. É o meu sonho. Por que ser grande é muito chato.
A gente aprende um montão de coisas legais quando é pequeno – ensinado pelos grandes, veja só – mas tem que esquecer tudo quando cresce.
Dá para entender? Eu não consigo.
Perguntei para a minha mãe, entre uma dobradura e outra no meu super barco de papel, se tem alguma razão para isso acontecer.
Ela tentou explicar, mas confesso que não entendi nada.
Falou que era por causa do trabalho, das obrigações do trânsito infernal, das intermináveis contas para pagar, da obrigação em acompanhar o noticiário diariamente (além de ter lido o jornal), saber como fechou a Bolsa daqui, como abriu a Bolsa de lá; onde está o dólar, quem está em guerra com quem, em quem votar na próxima eleição, o time do coração que não está nada bem, a sogra que virá no fim de semana, o presente do cunhado… essas coisas.
Ouvi tudo com atenção, mas voltei para o meu barco de papel sem responder coisa alguma.
Eu, hein? Prefiro ficar aqui, enquanto posso, fazendo tudo o que gosto:

Andando descalço pela gramaJogando água na terra até virar lamaFazendo castelo com pedrinhasTentando bater meu recorde de sete embaixadinhasJogando uma partida de vídeo-gameAcampando na sala com lençol, travesseiro e as cadeiras da sala de jantarPlantando feijão no algodão e esperando brotarMisturando banana com mel e aveiaPintando papel com tinta a dedoRecortando figuras das revistas e colando num outro papel, só para ver no que vai darMontando outro castelo, agora de cartas de baralhoEscrevendo escondido na parede atrás do sofáJogando a bolinha para meu cachorro trezentas vezesTomando picolé de frutasMisturando sucrilhos com leite e nescau, à tarde, em frente à TVImaginando figuras engraçadas nas nuvensAcompanhando o caminho das formigas pela paredeJogando bola, queimada, vôlei ou qualquer outra coisaBrincando de péga-pégaMontando uma casa de madeira na árvoreTocando a campainha da casa do vizinho e fugirPaquerando a filha do vizinhoIndo ao cinema no meio da tardeChupando manga tirada direto do péAndando de bicicleta sem capaceteAprendendo a subir em árvoreTomando água da torneiraRindo à beça das trapalhadas que eu mesmo façoLendo um livro deitado no sofáAprendendo a fazer pão-de-queijo (e ficar olhando dentro do forno até crescer)Tomando banho de esguicho num dia de sol quenteDescascando laranja tudo erradoMisturando coca-cola com sorveteQueimando papel com uma lupaFugindo de abelhaComendo doce de leite sem culpaTomando refrigeranteJogando sonrisal na beira do mar e escorregando nelePegando jacaréPassando requeijão no panetoneJogando rouba-monteCompletando o álbum de figurinhasJogando bafo com as repetidasAssistindo desenhosDormindo no meio dos filmesCorrendo atrás de borboletasSujando a calça no muro brancoDançando alucinadamente no meio da salaCavocando a areia até achar águaJogando pedrinhas no fundo da piscina e mergulhar para buscá-lasTomando leite bem cedinho, tirado na hora da vaca, num copo com açúcarAssistindo filme de terror no cinema e ficar com medoRalar o joelho e passar mertiolate

Está vendo? É tudo muito mais divertido. A gente cansa no final do dia, fica quebrado mesmo. Tão cansado que dorme antes da novela das oito, que hoje em dia começa às nove. Mas vale muito a pena.

Agora, Papai do Céu, vou tomar banho para jantar. Preciso tirar o terno e a gravata, colocar meu pijama e fazer lição de casa, senão meu chefe vai brigar comigo amanhã.

Amém.

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Bolo Inglês - por Raquel Aiuendi

A minha origem é
Tupi
bantu
e do afro outras mais
Influência do latim
também se expressa na língua
que se desenrola em minha memória.
Depois vieram o apartheid, a ditadura,
de acordo com nossa história
as multinacionais, diferenças sociais,
capitalismo, globalização, tantas e tais...
O que me admira, no entanto,
É por que, e porque tanto,
Temos que viver do inglês
Esse bolo tonto.

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Nossas Escolhas - por Alba Vieira

Em relação às escolhas que fazemos todos os dias, várias perguntas poderiam ser feitas para nossa melhor avaliação de como estamos em determinado momento:
- você vive com quem gostaria de viver?
- o trabalho que você realiza é o que tem prazer de realizar, que atende aos seus anseios ou é o que se encaixa nas expectativas dos outros para você?
- nas suas relações íntimas você consegue se expressar como realmente é ou engole uma série de coisas para manter um falso equilíbrio da relação?
- você faz as coisas porque tem que fazer ou escolhe fazê-las por gostar delas?
- você tem sonhos, tem expectativas para o futuro, tem objetivos a alcançar em curto prazo, tem escolhas ou sua vida tem sido só contar os dias?
- você é livre para tomar suas decisões ou se sente preso a uma teia que você mesmo foi tecendo ao longo de sua vida e que agora o paralisa?
- você sacrificou a expressão de alguma habilidade, de algum talento, para favorecer alguém?
- você é capaz de expressar a sua verdadeira personalidade e temperamento ou se comporta de uma forma que agrade aos outros só para ser aceito?
- você se ama de verdade ou, por já ter sido rejeitado, passou a se rejeitar também, não se aceitando como é?
- você expressa seu poder pessoal? Sabe o que é isto?
Tantas perguntas, tantas respostas possíveis, mas a escolha é sempre sua: se vai continuar dando as mesmas respostas ou se vai deixar a mudança acontecer na sua vida para que seja mais feliz.
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O Quarto - por Ana

Meu quarto é esconderijo
Onde me afasto do mundo;
Tomando tantos remédios,
Buscando um dormir profundo

Que me isole dos meus sonhos,
Também dos meus pesadelos,
Pois uns não se concretizam,
Com os outros arranco os cabelos.

Então vou ficando careca
De tanto esquentar a cabeça.
Vou te contar o motivo:
Vejo fantasmas à beça.

Isso é culpa do meu pai,
Tão burro, tão esquisito,
Foi abrir uma funerária
Na própria casa, o maldito!

Já criança convivia
Com ele a cuidar das pessoas:
Lavava, vestia, arrumava,
E eu ajudava… na boa.

Então eu cresci assim,
Achando isso tudo normal,
Mas um dia eu descobri
O horror sobrenatural.

Como efeito funesto
Desta minha intimidade,
Os fantasmas dos clientes
Criaram dificuldades:

Começaram os petelecos,
Os gritos, os empurrões,
Os sustos a toda hora,
Pedidos e palavrões.

Almas pra todos os gostos,
Todas as raças e classes,
Pombas-giras, hare-krishnas,
Rabinos e kamikazes.

Desde meus quatorze anos
Na vida não tenho paz…
A morte me traz de tudo,
Me atentam até animais.

Pedi então, aos meus pais,
Um quarto só para mim,
Pra poder me proteger
Do assédio dos zumbis.

Dividir quarto não dava
Com meus outros seis irmãos,
Eles não gostam de mortos
E eu tinha uma solução:

Um exorcista famoso
Foi cliente lá da loja,
Usei seus restos mortais
Para afastar essa corja

Dos limites deste quarto,
Colocando, diariamente,
Um pouco do pó do santo
Nos umbrais e no batente.

E por causa disso, então,
Neste quarto são barrados;
Mas ficam do lado de fora
Berrando, os alucinados!

E todos os dias acordo
Em meio à maior zoeira:
Um vai convidando o outro
E assim cerrando as fileiras.

Eles são tão criativos
E também organizados,
Pra cada dia da semana
Têm um programa montado:

Às quintas, há possessão,
Às sextas, não posso comer,
Aos sábados, ladainha,
Domingos, karaokê,

Às segundas, vejam só,
Me jogam pelas janelas,
Às terças, total desespero!,
Dia de bater panelas.

Dolorosas são as quartas:
Resolvem arrastar correntes…
Nos dias de feriados
Danam a ranger os dentes.

Não agüento mais sofrer…
Eles são tão insistentes!
Pelas cinzas de minha avó
Já jurei, solenemente,

Nunca mais quebrar vasinho,
Nunca mais chutar jazigo,
Nunca mais roubar defunto,
Nunca mais puxar umbigo.

Não fazia de maldade
Ir zoar no cemitério,
Trazer sempre souvenir
Quando ia ao necrotério.

Peço a Deus pra me livrar,
Acho que eu meio mereço…
No quarto, com dedos nervosos
Giro as contas do meu terço

Pedindo pra eles sumirem…
Parece um tormento eterno!
Não agüento este sexto sentido!
Vão pros quintos dos infernos!

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