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(Aviso: Os textos em amarelo pertencem à categoria
Eróticos.)




terça-feira, 30 de novembro de 2010

Tema do Mês de Novembro: Ciúme

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Caríssimos amigos:
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Hoje foram postados os textos referentes ao tema do mês de novembro: “Ciúme”,
sugerido por Alba Vieira e vencedor da enquete de outubro.
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Participantes:
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Aaron Caronte Badiz
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Ana
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Dália Negra
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Lélia
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Penélope Charmosa
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Soraya Rocha
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ZzipperR
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Muito obrigado a todos que colaboraram com esta “blogagem coletiva”!
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Um grande abraço!
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Caetano Veloso e “O Ciúme” - por Alba Vieira

 
Dorme o sol à flor do Chico, meio-dia
Tudo esbarra embriagado de seu lume
Dorme ponte, Pernambuco, Rio, Bahia
Só vigia um ponto negro: o meu ciúme

O ciúme lançou sua flecha preta
E acertou no meio exato da garganta
Quem nem alegre nem triste nem poeta
Entre Petrolina e Juazeiro canta

Velho Chico vens de Minas
De onde o oculto do mistério se escondeu
Sei que o levas todo em ti, não me ensinas
E eu sou só, eu só, eu só, eu

Juazeiro, nem te lembras dessa tarde
Petrolina, nem chegaste a perceber
Mas, na voz que canta tudo ainda arde
Tudo é perda, tudo quer buscar, cadê

Tanta gente canta, tanta gente cala
Tantas almas esticadas no curtume
Sobre toda estrada, sobre toda sala
Paira, monstruosa, a sombra do ciúme
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Que Já Não Sinto - por Kamala Aymara

Ciúme que arde em chamas
nos ares do pensamento
se sei que é mais um drama
o guardo por um momento.

Se dizes que não o sente
desculpe, não acredito
se engana a si mesmo mente
se enganas a mim duvido

Ciúme não é vergonha
nem deve ser escondido
aprenda a viver com ele
que se torna seu amigo

O que se sente não é crime
ciúme não é bandido
só não deixe que o domine
ou já estará perdido

Ciúme que já não sinto
daquele que já não vejo
Me mata, mas ressuscito
me morde, mas o desejo.
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Visitem Kamala Aymara.....
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Ciúme - por Aaron Caronte Badiz

Ciúme? Eu desconheço este sentimento.
Eu abomino a existência deste tormento.
Prezo na vida cada momento
Para não ter arrependimento.

Ciúme é filho da insegurança,
Pai da extrema desesperança,
Destruidor de toda e qualquer aliança,
Um sentimento próprio de criança.

Ciúme não vale esta tinta no papel,
Ciúme está muito longe do céu,
Ele cobra da dor o aluguel,
Encharca os dias de fel.
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Ciúme - por Lélia

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Ciúme é o amor pisado, dilacerado, esmagado pelo lado negro dos sentimentos.
Ciúme é a perda daquilo que de mais importante pode acontecer na vida de uma pessoa.
Ciúme é escuridão, solidão, tristeza, ausência de bondade.
Ciúme é possessivo, corrosivo, lesivo, assassino.
Ciúme é prova de amor por si mesmo.
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Coisa Indigesta - por Ana

Que coisa mais que esquisita,
Este troço de ciúme!
Se o amor é nosso pasto,
O outro é nosso estrume.

Daí pode-se imaginar
- Dada a metaforização -,
Que o que agrada ao paladar
Se esculhamba na digestão.

Perguntem-me, meus amigos:
Então, não temos saída?
Eu respondo com um conselho,
Já que o caminho é só ida:

Diante de lauto banquete
(Sentimento tão saboroso),
Mantém-se a educação,
O respeito e o decoro.

E o que dele surgir,
Porventura impudico,
Ignora-se. Ponto final.
Joga-se fora o penico!
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Ciúme - por Adir Vieira

Mauro negava sentir ciúme.
Discursava pela vida afora, tal qual filósofo, abominando esse sentimento que, segundo ele, fazia horrores na vida das pessoas que o tinham. Muito mais do que na vida das pessoas por ele atingidas.
Gostava de falar sobre ciúme, catedrático que parecia ser no assunto.
Suas palavras eram de total negação.
Orgulhava-se de, desde menino, dividir seus inúmeros brinquedos de filho único com os amiguinhos da vila onde morava, com todo desprendimento de quem não guardava, em si, nem as mínimas impressões desse sentimento.
Caminhou pela vida dividindo amigos, chefes, empregos, objetos pessoais e até mesmo bens materiais de valor. Tudo lhe servia de teoria para esse gosto de se mostrar isento de ciúme.
Parecia que sua vida foi de total treinamento para que angariasse troféus e mais troféus merecidos.
No entanto, surgiu Marina. Marina, a escolhida. Sem muitos atrativos, Marina tinha uma beleza camuflada que só Mauro percebia a fundo.
Parecia que Mauro escolhera Marina para que fosse poupado dos olhos desejosos de outros homens sobre ela. Mauro passou a temer suas saídas, rápidas que fossem, controladas nos segundos até a sua volta. Tudo de Marina era importante para Mauro. Captava seus sonhos, seus desejos, suas vontades. Vivia totalmente para ela.
Agora, cumprindo já dez anos de pena, olhava o teto da cela e não entendia como disparara aquele tiro em seu coração, à queima-roupa.
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Visitem Adir Vieira
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O Susto - por Cacá

Bom Conselho é uma cidade do estado de Pernambuco, a mais de 2.000 km de distância da cidade onde o Osório fora trabalhar, Mariana. A obra ficava afastada da cidade. Uma fazenda onde se descobriu minério, fora desapropriada e estava se instalando ali uma empresa mineradora. Mais de três mil peões vindos de todos os cantos de Minas e do Brasil. Osório era um carpinteiro. Um artista com armações, formas e ferramentas nas mãos. Requisitado nessas firmas que correm o país construindo obras. A rotatividade de mão de obra nelas é imensa, mas há os casos dos peões seletos, que acompanham a firma onde quer que haja um serviço de importância. Há casos em que elas costumam pagar o trabalhador para ficar em casa, aguardando obra nova. Fazem isso para não perderem os mais qualificados e dedicados operários. Como o Brasil nunca viveu grandes períodos sem crises, deu-se do Osório ficar desempregado. Saíra de casa lá de Bom Conselho, dando a benção aos três filhos e um beijo na mulher dizendo que avisava onde estaria, que mandaria dinheiro para as necessidades tão logo arranjasse colocação. Havia três meses que Osório trabalhava duro de sete da manhã às sete da noite, de segunda a sábado. Tinham pressa os engenheiros comandantes do projeto. Prometeram entregar a infra-estrutura em um ano para que fosse instalada a usina que iria beneficiar o minério retirado da mina.
Numa segunda feira, no horário de almoço, o chefe do escritório mandou lhe chamar. Os comentários no meio dos colegas são imediatos: ou é demissão ou é aumento. Não fica se chamando peão no escritório da chefia por qualquer coisa. A tranquilidade era geral no seu caso, funcionário exemplar, possivelmente ia ser promovido a mestre de carpintaria. Saiu com um papel nas mãos e um semblante preocupado. Entrou de imediato numa sala ao lado que era a do engenheiro responsável pela obra toda. O homem que fazia chover e trazia o sol, segundo jargão corrente. Em menos de cinco minutos deu-se um ruído de vozes alteradas no escritório e, no minuto seguinte, barulho de coisas sendo arremessadas por todos os lados, desenhos, pranchetas, material de escritório, cadeiras. A segurança fora acionada e foram contidos os ânimos. O engenheiro saiu lá de dentro correndo assustado, e o Osório foi levado para fora do canteiro de obras no carro da segurança e nunca mais foi visto. Todos se enganaram quanto a promoção ou o aumento de salário O papel que ele levava era uma carta. A sua mulher descobrira, depois de muito pesquisar nas empresas onde ele costumava pegar essas empreitadas o seu paradeiro lá nessa localidade. A carta dava-lhe 48 horas para voltar para casa sob pena de colocar outro homem no seu lugar, segundo disseram os homens do escritório que conversaram com ele. A bagunça toda foi por causa do seu pedido imediato de demissão recusado pelo engenheiro. Alegava ser bom empregado, não haver motivos para tal ato. Ao que o Osório resolveu fornecer, quebrando todo o escritório. Não ia deixar que ocupassem sua cama lá no Bom Conselho. Não se chegasse a tempo.
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Visitem Cacá
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Ciúme - por Soraya Rocha

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Por ruas te procurei, zonza
Por horas te busquei, louca
Por dias te esperei, mansa
Nenhuma palavra em minha boca

Até que chegaste, plácido
Sem uma desculpa rota
Só uma indiferença pálida
Nenhuma palavra de tua boca

O ciúme dominou, sádico
Criando em mim ideias toscas
Saí da relação, rápido
Nenhuma palavra de nossas bocas
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Ciúme - por Davi Rodrigues

Tal dependente amnésia de mim mesmo
O sectar-se da vida em pleno ato de devoção
Torna-se ampla a captura dominante do desejar
Tal zelo impele a alma mais branda ao lasquear de auto-estima
Já não posso mais deixar de impelir comentários aos que rodeiam meu objecto direto de fascínio
Não toquem, não olhem!
Ordem direta! Insano obstinar...
Ameaça constante que a insegurança reserva aos apaixonados...
Pobre descrença, que assola meu existir dislexo, após tal chegada em minha vida
Demanda constante de olhares desconfiados
Mente ocupada com único objectivo:
‘Ninguém pode tirar isso de mim...’
Se ao menos pudesse respirar com a mesma boca, olhar através de seus olhos
Obter a certeza, de que sou o único vislumbre
Se ao menos pudesse ser sua sombra, pouparia-me tal desfalecer...
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Visitem Davi Rodrigues........
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Ciúme - por Alba Vieira

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Camisa de força, cretinice, covardia, crispação, crise, cólera, crime, cobra.
Idiotice, infantilidade, inverossímil, imaturo, irreal, irracional.
Único, utilidade, universal, usurpador, usufruir, urso.
Mancada, malformação, menos-valia, mentalidade, mal, merda.
Engodo, engasgo, estupidez, estardalhaço, escândalo, espetáculo, embriaguez.
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Visitem Alba Vieira
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Ciúme - por Leila Dohoczki

A faca cravada
Fincada na carne
Do corpo inerte
Que verte o sangue
Que de vermelho tinge
A mão que antes
Acariciava a pele
Com ternura e leve
Num instante breve
Pôs fim a vida
O ciúme finda
A loucura, a vida
E a lágrima caída
No último instante de dor
Na face do medo
Nos olhos fechados
Futuro que a faca ceifou.

Na honra do homem
A marca negra da morte.

Dor e arrependimento
E o mesmo instrumento
Corta-lhe os pulsos
E a vida se esvai...

Aconchegado no frio corpo
Vai morrendo aos poucos
Despedindo-se da amada
Em sangue banhada
Última visão registrada
Quando seus olhos cerraram.

Não há mais honra,
Nem glória em possuir
Não há mais juras, nem loucuras
Não há mais dois
Não há nenhum.
Onde antes eram um.

O que há é a faca
Jogada entre corpos que já se amou...
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Ciúme - por Leo Santos

O ciumento contumaz
da sua insegurança faz,
um azorrague e vira as mesas
no átrio do templo da paz.

Ciúme infundado, erva amarga,
mórbida libação presa à ilharga,
ombro relapso,
lançando sobre outrem sua carga.

Ciúme, zêlo febril mirando o céu,
Caim encenando, sem cumprir o papel,
a coisa certa anelando, tentando subir, na fumaça de Abel

Ciúme, contrasenso do querer,
esforçando as mãos para perder,
aquilo que afirma que é
sua razão de viver.

Ciúme, que estupidez imensa!
Tolhe o bom siso ao que pensa,
e o faz denunciar a saúde,
pra justificar a doença...
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............................Visitem Leo Santos
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Ciúme - por Maurício Limeira

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teu coração
me pertence
mas você
não me convence
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.....................................Visitem Maurício Limeira
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Ciúme - por Dália Negra

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Anjos caídos do céu
Ninfas jogadas ao mar
Tantas bruxas em fogueiras
E guilhotinas a cortar
Madalenas apedrejadas
Os rebeldes fuzilados
Tantas vítimas da AIDS
E pedestres atropelados.
Ela ceifa, aleatória,
Tão certeiro é o seu corte.
E eu, por ela, esquecida,
Sentindo ciúme... da Morte...
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Ciúme - por Marília Abduani

“Onde estiveste de noite”
que não chegaste mais cedo,
que te deixaste na rua?
Amor, tão frágil brinquedo.
O amor, que é tênue, que é um fio,
deixa os cabelos molhados,
corre, escorre feito um rio,
carente, desgovernado.

Onde deixaste teus pés
e penduraste o teu grito?
Lembra: O amor é infinito
e o ciúme, desgovernado.

“Onde estiveste de noite”
que não deixaste um aviso?
Sonhando, talvez, com a lua?
Inventando um paraíso?
Viva a santa liberdade,
ser livre, também machuca.
Onde estiveste de noite,
que despertaste o ciúme?
“A liberdade termina
quando a saudade cutuca.”
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Visitem Marília Abduani..........
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Sobre o Ciúme - por Alba Vieira

Ciúme é arremedo de atuação daqueles que não têm o menor talento na arte de amar.

Demonstrar ciúme é, às vezes, a única coisa que alguém sabe fazer pra assegurar o sentimento de posse.

Ciúme cresce na relação inversa da competência quando se trata do amor.

Ciúme só é tolerável em doses homeopáticas, entre quatro paredes e, mesmo assim, dose única é melhor.

No terreno do amor, posse é fruto da conquista e só tem a duração de um momento que vale a eternidade. Assim, resta a quem não se garante, enveredar pelos ridículos subterfúgios do ciúme.
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Visitem Alba Vieira
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Divisão - por S. Ribeiro

do que é pergunto
pra onde fores que
não aquilo que conheci
quando de fato foste
o que não sei o que era

és daquilo que vai andando
andas aqui por favor
não te afastes mas ao menos
quando fores não me leve
o que pensar

me faça sentir aqui
o pensamento em teu cheiro
que floreia as mentes delas

parte nelas me servi
algo delas ofereço
pra que não vás
e se fores
escorregue
no que fores meu
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Visitem S. Ribeiro.........................
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Ciúme: Sentimento e Razão - por Thiago de Sá

Ciúme é sentimento,
Que explode... Descontrola.
Um medo de perder,
Perder o que não é propriedade!
Amor perfurado pela desconfiança
Pra onde vai toda a insegurança?
Se faz refúgio no ciúme.
Uma linha perigosa
Palavras lançadas no calor,
Do momento,
Do espaço e tempo.
Tempo de incerteza.
Momento penoso de emoção.
Ciúme é Descontrole
Razão é Influência,
De que tudo volte ao normal.
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Visitem Thiago de Sá..............
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Umberto Eco: O Amor Não Existe Sem Ciúme - Citado por Penélope Charmosa

Se o ciúme nasce do intenso amor, quem não sente ciúme pela amada não é amante, ou ama de coração ligeiro, de modo que se sabe de amantes os quais, temendo que o seu amor se atenue, o alimentam procurando a todo o custo razões de ciúme.
Portanto o ciumento (que porém quer ou queria a amada casta e fiel) não quer nem pode pensá-la senão como digna de ciúme, e portanto culpada de traição, atiçando assim no sofrimento presente o prazer do amor ausente. Até porque pensar em nós que possuímos a amada longe - bem sabendo que não é verdade - não nos pode tornar tão vivo o pensamento dela, do seu calor, dos seus rubores, do seu perfume, como o pensar que desses mesmos dons esteja afinal a gozar um outro: enquanto da nossa ausência estamos seguros, da presença daquele inimigo estamos, se não certos, pelo menos não necessariamente inseguros. O contato amoroso, que o ciumento imagina, é o único modo em que pode representar-se com verossimilhança um conúbio de outrem que, se não indubitável, é pelo menos possível, enquanto o seu próprio é impossível.
Assim o ciumento não é capaz, nem tem vontade, de imaginar o oposto do que teme, aliás só pode obter o prazer ampliando a sua própria dor, e sofrer pelo ampliado prazer de que se sabe excluído. Os prazeres do amor são males que se fazem desejar, onde coincidem a doçura e o martírio, e o amor é involuntária insânia, paraíso infernal e inferno celeste - em resumo, concórdia de ambicionados contrários, riso doloroso e friável diamante.
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Umberto Eco, in “A Ilha do Dia Antes”.
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Ciúme - por Vera Celms

Tento vestir a sua pele,
Na mesma temperatura,
Pra ver pelo teu olhar,
Para sentir no mesmo pulsar,
Quero sentir quando eriçar,
Porque, por quem,
Quero saber por que caminhos,
Trilham os seus pensamentos,
Os teus sonhos todos,
Por quem te magoas,
Por quem te apaixonas,
O que te move,
Onde e a que horas,
acorda a tua saudade,
O que te machuca,
O que te faz vibrar,
Quem te leva, e até aonde
Quem te traz de volta e porquê
Quando levitas,
Quando aportas,
Porque chora,
E o porque dos teus melhores sorrisos,
Afinal, onde me encontro em você?
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....................Visitem Vera Celms
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O Amor da Abelhinha e da Joaninha - por ZzipperR e vestivermelho

Quem será o grande inspirador desse amor?
Será o grande jardim de flores, que insistentemente desabrocha flores lindas e perfumadas mantendo o voar apaixonado delas na inspiração da beleza de suas belas flores?
A neblina cai sobre o jardim dando espaço para os raios solares lançarem focos de luzes iluminando o amor daquelas cores diferentes e atraentes, que se atraem cada vez mais. Quase invisível naquela neblina, ora deixando-os na obscuridade e em outros momentos aparentes num voar apreciador da arte visual. Um é apaixonado pelas cores amarelo e preto entre as flores e a outra pelo vermelho e preto do amigo voador de sonhos doces.
Eles voam, brincam e namoram naquele mundo perfumado pelo amor, que certamente é invisível para os olhos cegos dos que não sabem sonhar e continuam prisioneiros acorrentados pelo mundo real.
Absolutamente ninguém é capaz de voar como eles, pois fazem do voar momentos românticos e únicos, mas há perigos no ar, olhares alheios lançados como teia de aranha tecidas em desejos para capturar seus corações.
Ela voa entre as rosas e ele voa atrás. Ele voa entre os girassóis e ela voa atrás. Na neblina, no vento, no sol, entre as folhas que abandonaram seus galhos perdidos no ar estão eles voando, porém um dia o inevitável aconteceu:
Voando despretensiosamente eles pousaram em uma flor, sem perceber que ela estava na mão de uma camponesa que falou:
- Minha linda joaninha! Suas cores contrastaram lindamente com a minha flor. Chego a imaginar que você faz parte da beleza dessa flor e eu tenho um jardim muito mais bonito que esse, onde as flores são muito mais belas e com certeza você será muito mais feliz.
Aquelas investidas da garota sobre a joaninha deixaram a abelhinha enfurecida com uma reação e sensação de raiva incontrolável, mas não era bem isso que estava acontecendo e sim uma explosão do amor no coração que traz à tona o efeito do ciúme, encurralando-a como um animal feroz em um labirinto e sem encontrar saída ela falou para ele:
- Você sabia que eu tenho ciúme de você!
Aquelas palavras poderosas vindas direto do coração atingiram os sentimentos da joaninha em cheio, despertando-o para o amor da abelhinha. Eles se olharam profundamente entendendo cada palavra vinda das profundezas da alma que expressa o sentimento de ciúme em amor.
O som das asas da magia bateu abrindo as portas da imaginação e eles voaram juntos novamente, agora namorando e voando com amor naquele jardim romântico em que eles já fazem parte do cenário com suas cores, às vezes escondidos na neblina, outras vezes aparentes, mas sempre namorando, pois eles descobriram que se amam.
O ciúme é, com certeza, uma das expressões do amor.
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ZzipperR e vestivermelho
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O Ciúme é a Banda Podre do Amor - por Alba Vieira

O ciúme amesquinha o amor.
Ninguém tem o direito de reduzir assim este sentimento que é pura expansão. O amor é livre e quem manifesta o ciúme deseja cercear aquele que ama e reclama posse de quem nunca terá dono. O amor é doação e dá aquele que quer para quem deseja, para todos que inspiram nele este nobre sentimento. Não há limites para o amor. E idiota é aquele que tenta dar medida a algo que é abstrato e supõe que, se dividido, menor parte lhe caberá. Pobre infeliz desavisado, ignora que quanto mais se ama, cresce cada vez mais a capacidade de oferta e de expressão do amor.
Muitos dizem, em relação ao amor romântico, que ciúme é o seu tempero. Entretanto, as manifestações do ciúme, longe de serem interessantes e enaltecedoras de seu objeto, na maioria das vezes, se transformam em algo nefasto que envenena e destempera.
Mas, esta prova contumaz de insegurança e menos valia não se restringe aos parceiros amorosos, fazendo muitas vítimas, também, nas relações familiares, profissionais e de amizade, onde se desenrolam histórias mirabolantes e quase sempre ridículas.
É lamentável que o ciúme não seja tratado logo ao ser detectado, antes que tome proporções maiores com comportamentos descabidos e consequências desastrosas. É uma importante armadilha que apanha os incautos que, assim como os que o manifestam, se sentem lisonjeados com tal deferência, denunciando, também, igual menos valia e, mais tarde, poderão sofrer intensamente as agruras de verem o amor que sentem sendo colocado em camisas de força, ou sendo forçado a usar cinto de castidade.
Sinto pena de quem é incapaz de ver aqueles que são objeto de seu amor livres para expressar o mesmo sentimento por quem inspirá-los, sem amarras, sem certificados de posse e sem limitações.
É preciso estar atento para não ser personagem de histórias fatídicas, onde o ciúme é doentio e pode se manifestar com requintes de crueldade, num desequilíbrio que cria uma rede de intrigas que pode terminar de muitas formas dolorosas e imprevisíveis ou se arrastar indefinidamente numa teia invisível de sofrimentos e compensações que mantêm juntas pessoas que pensam que sabem amar realmente.
Tratar o ciúme requer tempo, vontade e empenho de trilhar o caminho do autoconhecimento com fortalecimento do ego e desenvolvimento da capacidade de se voltar para o outro com amor.
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Visitem Alba Vieira
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terça-feira, 23 de novembro de 2010

Medo - por Alba Vieira

Medo é barreira auto-imposta
Que nos isola em impedimentos
Fazendo com que a personalidade
Murche em vida, sem movimento.

Medo pode ser desculpa
Para não se conhecer.
Pode gerar repulsa
À oportunidade de se desenvolver.

É tanta coisa que fenece
Por causa do medo atroz
Que às vezes até parece:
Que não se vive, é a morte vindo veloz.

Medo é areia movediça
Que aos poucos toma conta de nós.
É também defesa com ponte levadiça.
É ficar encolhido debaixo dos lençóis.

Não há que se ignorar o medo.
Fugir é nada salutar.
Melhor entender bem o desassossego,
Criando condições de poder enfrentar.

O que torna o medo pleno de poder
É aquilo que cerca o tanto que existe de real.
Somos nós que incrementamos o que poderá acontecer
Com nossa fantasia, nossa imaginação surreal.

Então melhor usar a tal imaginação
Sempre e muito bem, ao nosso favor.
Diminuir o que nos ameaça é uma solução.
E fortalecer o ego ajuda a eliminar o pavor.
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Visitem Alba Vieira
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“Antes que Seja Tarde” - Letra de Marília Abduani / Música e Interpretação de Marcus Viana

 
Antes que seja tarde
ponha o seu trem nos trilhos
plante árvore, faça um filho
rompa o hímen do perdão
destrave as portas da aurora
engula o que lhe devora
Antes que seja tarde
desate o seu coração

Antes que seja tarde
desperte a sua coragem
pinte as novas cores desta paisagem
abra o teu peito em flor
ame, cante, beba um vinho
polinize o seu caminho
Antes que seja tarde
seja sonho e seja amor.

Antes que seja tarde
afine o seu instrumento
aprenda a lição do vento
que toca sem machucar

Antes que seja tarde
renasça da sua história
o passado é só memória
a vida é pra se cantar.

Antes que seja tarde
escreve a sua poesia
o sol nasce a cada dia
sempre chega outro verão.

Antes que seja tarde
do ventre da madrugada
desponta, radiante, a estrada
que leva ao seu coração.
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Protesto por Privilégios Raciais - por Paulo Chinelate

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Deixar de dar opinião a um assunto tão atual seria uma grande omissão: “PRIVILÉGIOS RACIAIS” (…e outros.)
Discriminação camuflada ou explícita?
Alguns atos governamentais dos últimos tempos têm-me ocupado deveras a ‘piolhenta’. Sabe aquele assunto que nos engasga, não consegue descer nem com uma ‘redondo’ empurrando? É o tal do separatismo sócio-racial que nos fizeram engolir com farinha seca pelos ‘omis’ lá de cima.
Não engolia mas ficava no ‘deixa ver no que qui dá’. Até que li uma opinião de um grande jurista brasileiro, Ives Gandra. Não fosse a sua conhecida reputação de homem probo, bastaria ler o artigo que indico abaixo para sabê-lo racional e íntegro.
Como eu disse, algo arranhava nesta história. Bolas! Cota racial para ingresso à universidade não será um ‘cala boca’ político de uma verdadeira incompetência administrativa? Não seria mais correto empregar e cobrar aplicações de fabulosas verbas às escolas públicas para oferecerem ensino de qualidade?
Outro absurdo desta incompetência em resolver equivocadamente por medidas e decretos: obrigando o oferecimento de vagas pela simples cor da pele ou pela etnia, vai garantir que este ou aquele estejam preparados para se formarem com qualidade em uma faculdade. Essas minorias, que agora cantam vitória, não chorarão mais tarde ao se candidatarem a um emprego por serem considerados formandos sem merecimento?
Se concordamos que devemos educar hoje para não punir amanhã, não seria mais cabível um bom ensino básico hoje para colhermos frutos amanhã nos vestibulares?
Pediria ao caro leitor apusesse sua opinião. Lembrando que grandes movimentos iniciam-se com leve sair da inércia.
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Leia mais sobre o assunto em: Agência Serra
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Postado, originalmente, em 23/12/2008.
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Bate o Sino na Cabeça do Menino! - por Ninguém Envolvente

Não há neve como nos filmes americanos, mas o ar está mudado com um cheiro que pouco distingue-se; a mistura aromática, além de ser gentil com nosso olfato, sempre traz uma nota nostálgica denominada “cheiro de infância”.
Reina uma compulsão de boas maneiras e lindas palavras que são ditas com o mais afinado timbre vocal aveludado, idosos contam suas histórias e os mais jovens fingem se importarem para que somente um dia o dia seja perfeito. A troca de gentilezas dura enquanto tiver comida.
Com o passar do tempo, fica-se triste de tanto comer e o principal não foi feito: o agradecimento pela fartura obtida e o pedido de prosperidade aos que não foram tão abençoados. O momento crítico é a troca de presentes, fica clara a cara de desapontamento ao abrir o lindo embrulho e saber que era uma coisa tão insignificante.
A festa continua e, nesta altura dos acontecimentos, alguém já notificou que o prato principal estava sem gosto e reclama dos quilos que a sobremesa tão suculenta vai lhe trazer. As crianças divertem-se com os primos que só encontram em ocasião festiva ou funerais, os casais contam uns aos outros os bens adquiridos durante o ano e até apontam aquele carro espetacular encostado ao lado do fusquinha que parece saber que está sendo cruelmente comparado e motivo de piada.
Passa das duas horas da madrugada e chega a melhor hora: A despedida. O processo recomeça: todos são amáveis e se abraçam com tal fingimento que por cinco segundos você crê na amabilidade humana.

No dia seguinte fala-se sobre a roupa de Fulano, o carro de Cicrano, a conduta de Mariquinha, a forma física de Pedrinho, Joaninha que está dando golpe do baú e Joaquina é a comilona. Come-se o que sobrou da noite anterior. Todos vão embora e 364 dias depois se reúnem novamente e comemoram mais um Natal.


*Natal de minha família. Caso tenha encontrado semelhança com a sua, talvez sejamos parentes.
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Borboleta - por Leila Dohoczki

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Quem dera poder dizer
As cores que tenho em minhas asas.

Não posso!
Neste instante, no pequeno espaço que existo,
Posso apenas dizer sobre o que penso e sinto.
Não posso dizer que sou alegre ou que sou triste.
Sou apenas a metamorfose.

E quando um dia
Este casulo eu abandonar
Poderei dizer das cores da minha asa.
Que não sejam escuras demais,
Para que não destoem das cores da vida,
Mas que tenham toda a beleza, as nuances,
E as dimensões das grandes transformações,
Para que eu possa voar bem alto
Muito além das impressões
que meu semblante possa causar.

Nesse momento, serei borboleta,
pousada numa flor violeta,
Esperando minha hora chegar.

E quando minhas asas caírem e enfim terminar minha história,
Que aqueles, cujos jardins visitei, não me prestem honra, nem glória...

Deixem-me apenas borboleta.
Para sempre em suas lembranças.
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..................Visitem Leila Dohoczki.
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Estatísticas - por Gio

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10% das vezes em que o telefone toca em casa, meu pai atende. O engraçado é que, nas vezes em que ele não atende, em 70% dos casos ele está mais perto do telefone que qualquer pessoa na casa. 115% das vezes que alguém bate na porta da minha casa, minha cachorra começa a latir (só é preciso passar na frente, para que ela lata). 50% das vezes em que eu coloco o pé para fora de casa, eu acabo voltando para pegar alguma coisa que esqueci. Os outros 50% consistem na segunda vez que estou saindo.

100% das pessoas que comem pão e tomam água acabam morrendo, e nem por isso os médicos proíbem a ingestão de tais substâncias. Dos ditados que defendem uma minoria, “É dos carecas que elas mais gostam” é o mais dito – em 100% dos casos, a pessoa que diz é calva ou é propícia a ser. 80% dos carecas discordam, e os outros 20% estão rindo no momento, ao ler isso.

69% das vezes onde uma mulher diz “talvez”, ela quer dizer “sim”. É uma pena que só 35% dos homens percebam isso. Da mesma forma, 69% dos “não” femininos significam “talvez”. Porém, a taxa dos homens que não sabem disso é maior dessa vez: beira os 95%. Esses mesmos 95% melhorariam se lessem alguns livros sobre a diferença entre os sexos, mas eles fazem parte da porcentagem da população que acha livros de auto-ajuda um saco.

Quanto maior a importância do país, menor é a probabilidade de sua população conhecer algo sobre seus países vizinhos, ou mesmo sobre seus estados vizinhos. 42% do resto do mundo pensa que a capital do Brasil é o Rio de Janeiro; os outros 58% acham que a capital é Buenos Aires, e que hablamos español. Esses mesmos 58% pensam que a capital da Austrália é Sidney. Aparentemente, 83% do mundo desconhece a existência de Camberra.

A maioria das pessoas acha que eu, por fazer Engenharia de Computação, deveria saber mexer em micros e consertar bugs do Windows. Na verdade, 20% dos estudantes que entram nesse tipo de curso também pensam assim, e acabam desistindo quando descobrem que a computação é bem mais do que manutenção em hardware. 90% dos universitários é tomado como formado em alguma ocasião, e perguntado sobre coisas que não aprendeu ainda (ou que talvez nem vá aprender).

60% dos parágrafos deste texto começaram com um número. Ok, com esse são 66,6%. 75% dos religiosos ortodoxos teria medo dessa porcentagem, e 85% dos numerólogos charlatões tentaria tirar algum proveito disso. 80% dos numerólogos e religiosos, ao lerem isso, devem se sentir ofendidos. Como eu nem sempre acredito em estatísticas, não ligo muito...


*Antes que me perguntem, 90% das estatísticas deste texto são aproximações baseadas em minhas observações. Incluindo essa.
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Visitem Gio
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Nas Trevas da Ignorância (E Sem Lanterna) - por Fatinha

Querido Brógui:

Ontem fiz um programa super-ultra-mega cabeça: fui ao lançamento do livro de uma grande amiga, conquistada nos idos tempos da faculdade de História, isso há aproximadamente dois milênios atrás. Diferentemente de mim, ela dedicou-se à sua carreira de pesquisadora, enquanto eu enveredei pelos caminhos da sala de aula, depois faculdade de Direito, depois concursanda eterna, depois blogueira… Um dia eu descubro o que eu quero ser quando crescer.
Voltando à vaca fria, há muito tempo não fica tão clara a minha ignorância na matéria. É, eu sei que sou professora de História e isso deveria significar um certo domínio da matéria. No entanto, o fato é que, apesar de isso ser mais ou menos implícito, está a léguas de distância da realidade. O que eu sei é o basiquinho, pílulas de conhecimento, o suficiente pra encarar meu alunado, que, cá pra nós, é bem pouco exigente e bem pouco capaz (infelizmente).
Uma vez, um amigo disse que dar aulas em escola pública era um processo de emburrecimento. Não concordei na época, porque ainda dava aulas “cuspe só”, não passava matéria no quadro, me recusava a dar exercícios de decoreba, só aplicava prova discursiva, deixava metade dos alunos de recuperação e a outra metade eu reprovava. Eu acreditava que eles tinham que se virar pra estudar e aprender, como eu sempre fiz. Com o passar do tempo, caí na real. Não é assim que funciona. Comecei a selecionar criteriosamente o mínimo necessário a ser ensinado, mínimo esse que diminui a cada ano e ainda assim é muita coisa. Com isso, parei de estudar, parei de me aprofundar e parei de saber História. É isso.
Voltando à vaca quase congelada, em determinado momento, a conversa estava acontecendo e eu ali, entendendo nada, fazendo cara de inteligente, evitando falar besteira ou perguntar quem diabos era fulano de tal. Fui dar uma voltinha na livraria, li umas revistas em quadrinho, folheei um livro com fotografias de todos os cartazes de filmes da década de trinta, um pedaço do livro do Ariano Suassuna, outro de Fernando Pessoa, voltei para a rodinha e, corajosamente, encarei minha ignorância. Foi duro.
A propósito: o nome do livro dela é “Tempo negro, temperatura sufocante. Estado e sociedade no Brasil do AI-5”. Não li ainda, nem comprei, porque fui desprevenida (só eu mesmo pra ir ao lançamento de um livro sem dinheiro pra comprar o tal…), mas pretendo me livrar das trevas da ignorância assim que possível.
E pra deixar claro: eu sei o que foi o AI-5, tá legal? Ignorância tem limites.
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Postado, originalmente, em 05/11/2008.
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A Falta da Internet em Nossas Vidas - por Adir Vieira

Ontem parei para pensar sobre a falta da Internet em nossas vidas. Vou cair no lugar comum, mas vou repetir o que a maioria das pessoas diz. Não sei como vivíamos antes da existência dessa mola que nos conecta, em segundos, com o mundo todo.
Ontem, ao ligar o computador, me vi desconectada e mesmo após realizar todos os testes necessários, por instrução da empresa telefônica, não consegui entrar no meu mundo diário através do PC.
Fui instruída de que teria que aguardar vinte e quatro horas pelo técnico da operadora. Nunca as horas foram tão longas num dia.
De repente, uma imensa lista de afazeres ligados à Internet povoou minha mente e confesso que me preocupei. Não temos ideia de como o computador faz parte da nossa rotina e com isso vai nos afastando do mundo físico, do contato com as pessoas, olho no olho, das descobertas que, sem ele, sem suas facilidades, poderíamos tentar descobrir por nós mesmos e com isso aprender cada vez mais.
A facilidade e a certeza de que o computador é nosso instrutor, nos coloca assim... totalmente dependente. Fiquei superpreocupada, mas ansiei para que a minha linha fosse logo restabelecida e eu pudesse voltar aos meus trabalhos junto ao computador.
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Visitem Adir Vieira
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País Nosso - por Maelo

País nosso que caiu do céu.
Bem votado seja só o meu nome,
vem a nós o seu dinheiro.
E que se foda a nossa sociedade,
Aqui na terra eu quero o céu

O roubo nosso de cada dia nos dai hoje,
perdoai as nossas despesas,
assim como nós ignoramos
a quem nos tem elegido,
E não penseis que amamos a nação,
Mas livrai-nos desse mal
Amém
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ArtenoMovimento oferece uma banana para todos os políticos corruptos.
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Visitem Maelo
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A Face da Miséria - por Izabel Sadalla Grispino

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Talvez você nunca tenha se deparado com o “seu” Dito:
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“O Dito mal conhecia dinheiro,
No fogão só angu na panela;
Bebia água que vinha do poço,
Rosto de velho apesar de moço.”
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segunda-feira, 22 de novembro de 2010

Hermógenes - Citado por Alba Vieira

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Em minhas meditações, chego a não mais sentir o corpo, e então dou liberdade à mente. Deixo-a dizer o que quiser, até aquietar-se. Ela me agradece por lhe ter aliviado o peso-carga do corpo. Este, por sua vez, goza de paz, livre que fica das intromissões da mente, no comum agitada de conflitos e tensões...
E eu, não sendo mente nem corpo, aproveito para ser o que realmente eu sou - Paz.
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Buscar a Verdade! Ou Não?? - por Débora Paula

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A verdade está em mim ou no outro?
Onde está a verdade?
O que é a verdade?
E se nada for verdadeiro?
E se a verdade for um conceito metafísico?
“A verdade está em Deus!”, me diz o cristianismo;
“A verdade está no universal!”, afirma a Filosofia;
“A verdade não existe!”, constata o ateu;
Onde está a verdade?
O que aconteceria se nada fosse verdadeiro?
A verdade é una ou múltipla?
A verdade é referente a um tempo cronológico ou está fora do espaço e do tempo?
Que consequências traria a nós o alcance da verdade?
Onde está a verdade?
A verdade é relativa e, portanto, subjetiva?
“A verdade está na ciência!”, ataca o cientista;
“A verdade está na meditação!”, contrataca o budismo;
O que buscamos quando iniciamos nossa busca pela verdade?
Buscamos a verdade em si mesma?
Ou buscamos a verdade que nos convêm?
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Visitem Débora Paula................
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Vou Esperar Mais um Dia - por Jeff Oliveira

Quando o frio se fizer presente
E a manhã já não for mais tão quente
Quando o céu não for tão mais azul
Você no norte e eu estiver no sul...
Vou esperar mais um dia

Se as andorinhas não cantarem
E se os amantes não se amarem
Se o céu não quiser as estrelas
Se a criança não quiser brincadeira...
Vou esperar mais um dia

Mais um dia, um dia a mais não faz falta
Se perdidos na mata, acharemos caminho
Neste solo que tão poucos conhecem
Venho e faço minha prece: Não vamos ser sozinhos

Mais um dia e o frio cessará
E o céu voltará, voltarei pro meu norte
Os amantes, enfim, vão se amar
A andorinha a cantar, é destino, não sorte

A criança mais uma vez vai brincar
De ciranda-cirandar
Quem com fé esperar
Verá o Sol nascer mais forte
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“A poesia prevalece!”...........
(O Teatro Mágico)...........
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Visitem Jeff...........
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A Juventude Travestida faz seu Trottoir - por Thiago de Sá

Ultimamente ando com passos um pouco lúdicos. Ando meio perdido entre o que é fantasia e o que é real. Imprimo em minhas atitudes o comportamento de uma criança em seu mundo ilusão, em seu “momento recreio”. Receio que isso não seja bom! Falta-me o olhar aguçado do amanhã. Ando meio louco, ando meio distraído. Porém, firmo os meus passos na ideia de que não podemos ficar parados.
Assumo a consequência de momentaneamente estar seguindo qualquer caminho! É óbvio que faço a opção pelos “bons caminhos”. Caminhar na noite nunca foi um atrativo para minha personalidade. Seguir viagem assim, eu deixo para os vampiros que nos sugam, deixo para os seus passos perdidos e desorientados.

Não dite regras para que eu viva, mas não permita que eu me perca nas minhas. Olho no espelho e vejo muitas vezes um rosto vulgar, um rosto entorpecido... Imagens distorcidas das minhas ideias se projetam ali. Vejo-me perdida. Contudo sou aguerrida, e não saiu fácil do campo de batalha, banho-me em sangue e vivo na luta.
Sou eu com minhas fases e distâncias, com minhas ideias em formação e buscando plenitude. Pena que em muitos daqueles que vivo, sou sem planos e me derramo em lágrimas, em frio que me consome e que me faz mal. Bom é quando encontro o motivo correto para as minhas rebeldias, algo que não mude apenas em mim, mas sim em todos. Não gosto do jargão que me colocaram: “Rebelde sem causa”. Eu tenho causas e consequências, não saio pelas ruas distribuindo gritos e protestos gratuitamente.
Nesses passos não posso perder a razão, ela agora é de direito privado de pessoas que não têm razão alguma. Esses meus dias de travessias de pontes sem motivos aparente, passo somente porque todos cruzam o caminho. Quero foco em mim, quero ser protagonista da minha história, quero ser eu com meus defeitos e acertos. Sou fruto novo da minha época, sou antecedência da maturidade. O que não indica a falta da mesma. Sei que hoje sou diferente do que nasci para ser, posso ser melhor do que o que sou. Enfim, em mim cabe a loucura da perdição programada dia a dia por aqueles que não nos querem com voz, ouvidos, palavras e palavrões! Eles têm mais medo de nós do que imaginamos... “Quem são eles? Quem eles pensam que são?” São eles que nos fazem assim ou somos nós que baixamos a cabeça para passos perdidos?
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Parabéns, ZzipperR!

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Imagem by BSC
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Parabéns! - por vestivermelho

Dia 17 de novembro foi aniversário de zip

uma pessoa doce e maravilhosa
meus parabéns
que essa data se repita por muitos e muitos anos
tu és um cara mais querido que conheci

te amo

abraços e beijos com todo meu carinho

vestivermelho
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Trololó - por Tércio Sthal

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E assumem o poder,................................................
Robin Hood às avessas:................................................
Roubam o que é nosso................................................
Para ricos manter.................................................
(Tércio Sthal)................................................
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Essa gente pinta o mundo de cor de rosa,
e aponta sonhos entre estrelas do céu azul,
essa gente fala poesias em tom de prosa,
diz que é inocente, que nada sabe e nada viu.

‘Trololó’ pra lá, ‘trololó’ pra cá, estão a tergiversar.
‘Trololó’ pra lá, ‘trololó’ pra cá, estão a desconversar.

Entrementes, eis um grito na multidão:
o que pensam sobre a vida e a pobreza?
O que dizem sobre ética, moral e religião?
E o que vão fazer para promovê-las?

‘Trololó’ pra lá, ‘trololó’ pra cá, estão a desconversar.
‘Trololó’ pra lá, ‘trololó pra cá, estão a tergiversar.
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............................................................Visitem Tércio Sthal
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O Quarto - por Ana

O quarto é algo engraçado,
Traz à mente tanta idéia…
Eu penso logo em Lucíola
E também na Macabéa.

Pode ser soturno, feio,
Amplo, bonito, arejado,
Com florzinhas cor-de-rosa,
Ou com tranca e cadeado.

Porém o mais importante
É que ele seja, pra ti,
O espaço de liberdade
Onde sonha, chora e ri.

Não importa o que está fora,
Não importa se está preso,
É nele que deve traçar
As rotas de fuga ou desejo.

A mente não tem paredes,
Não deve desistir, julgar,
E é dentro do seu quarto
Que ela deve te guiar

Pelos meandros da vida
Que você acha interessantes,
Que vão te trazer prazer
E te fazer importante.

Importante pra você,
Para os outros, para o mundo…
E o quarto é o jardim secreto
De solo farto e fecundo

Em que planta o que será
Se não gosta de onde está,
Quando quer mais da vida
Ou tem que reconsiderar…

Deixado, então, meu recado,
É com tristeza que parto,
Dizendo tchau, foi um prazer…
E agora vou pro meu quarto

Que não faz parte da casa,
Que não tem parede, porta,
Que é recanto dentro de mim,
Onde só entra o que me importa.
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domingo, 14 de novembro de 2010

Vi e Gostei - Enviado por Davi Rodrigues

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.Não deixem de conferir!!! Vale muito a pena!!!!.
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Pimenta - por Alba Vieira

Pimenta malagueta ensolarando o meu prato.
Pimenta que traz fantasias na ponta do meu garfo.
Vermelhinha e pontuda, esperta e como brilha!
Aguça o sabor da comida, realça o amor à vida!

Pimenta atrevida que esquenta e empolga.
Diz-se de criança peralta que quase nos endoida
De tanta travessura, que não para quieta!
- Alusão ao condimento que incrementa a dieta.

Faz suar, dá energia, é puro calor!
Se usada com critério, tem grande valor.
Indianos que o digam: não dispensam a iguaria.
Sempre a pimenta nos seus pratos mantendo o fogo da vida.

É o remédio mais barato que existe pra depressão.
Acende, tira do tédio e dá o maior tesão!
Quem não sabe que é afrodisíaca, na certa já dançou.
Vermelho é a cor do pecado, a pimenta do amor.

Os baianos entendem o que eu digo, pra eles é natural:
Pimenta de todo tipo pro cardápio ficar legal.
Depois é aquela leseira que acaba sempre em sesta,
Pra logo mais tá novinho aprontando a maior festa.

Bendito condimento fálico
Que ajuda a não falhar!
É a inspiração da divina natureza
Que espanta olho gordo e deixa a energia. BELEZA!
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................................Visitem Alba Vieira
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Isca - por Marília Abduani

Jogo meu sonho no rio
pra pescar seu coração.
Mas seu coração vazio
se perdeu de minha mão.

O vento sopra: é inverno.
meu corpo treme de frio.
Nas águas meu sono eterno
se contorcendo no estio.

Anzóis de fios de pranto
no azul do mar sem fim.
Tontos, meus olhos marejam,
o mar desaguando em mim.

A isca é meu canto, o meu grito,
Pressinto teu beijo: é o vento
Pesco (a) dor: mar infinito
na rede do pensamento.

Jogo meu sonho no rio
até onde a vista alcançar.
E as ondas sussurram mar-ilha
meu sonho de ilha e mar.
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Boneca de Crochê (Autor Desconhecido) - Enviado por Adir Vieira


Um homem e uma mulher estavam casados há mais de 60 anos.
Eles tinham compartilhado tudo um com o outro e conversado sobre tudo.
Não havia segredos entre eles, com exceção de uma caixa de sapato que a mulher guardava em cima de um armário e tinha avisado ao marido que nunca abrisse aquela caixa e nem perguntasse o que havia nela.
Por todos aqueles anos ele nunca nem pensou sobre o que estaria naquela caixa de sapato.
Um dia a velhinha ficou muito doente e o médico falou que ela não sobreviveria.
Sendo assim, o velhinho tirou a caixa de cima do armário e a levou pra perto da cama da mulher.
Ela concordou que era a hora dele saber o que havia naquela caixa.
Quando ele abriu a tal caixa, viu duas bonecas de crochê e um pacote de dinheiro que totalizava 95 mil dólares.
Ele perguntou a ela o que aquilo significava, ela explicou:
- Quando nós nos casamos, minha avó me disse que o segredo de um casamento feliz é nunca argumentar ou brigar por nada. E se alguma vez eu ficasse com raiva de você, que eu ficasse quieta e fizesse uma boneca de crochê.
O velhinho ficou tão emocionado que teve que conter as lágrimas enquanto pensava ‘Somente duas bonecas preciosas estavam na caixa. Ela ficou com raiva de mim somente duas vezes por todos esses anos de vida e amor...’
- Querida!!! Você me explicou sobre as bonecas, mas... e esse dinheiro todo, de onde veio?
- Ah!!! Esse é o dinheiro que eu fiz com a venda das bonecas, só sobraram duas.

ORAÇÃO
Senhor, dai-me sabedoria para entender meu marido, amor para perdoá-lo e paciência para aturá-lo, porque se eu pedir força, eu bato nele até matar, pois EU NÃO SEI FAZER CROCHÊ... Amém!
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Visitem Adir Vieira
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“Nem Gente, Nem Parafuso” - por Ana

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Antes de mim não havia nada.
Nem mundo, nem vida. Nada.
Antes de mim, nem carros, nem beleza, nem choro ou amor.
Antes de mim, nem os anjos.
Ou demônios, séquitos, vales, tormentas, casas...
Antes de mim, nem o vazio, solidão, esperança, consolo, exuberância.
Antes de mim, apenas o antes.
Porque
Antes de mim, eu não era nada.
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O Nada - por Leila Dohoczki

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Parece que sempre estive assim
Em meio ao nada e ao vazio.

Não me ocorrem dúvidas ou medos
Há até um certo desprezo pelo fato
Pelo ato de existir e mais nada.
Como a escuridão,
Sou toda ausência.

Há muito já não me encontro.
E tão tranquila estou,
Tão conformada com minha penitência,
Que fecho os olhos e mergulho
No mais profundo escuro que há em mim e adormeço...
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..............................................Visitem Leila Dohoczki
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A Regra dos Homens - por Gio

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(Clique na figura para ampliá-la.)

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Inspirado em um desses e-mails sobre a eterna “guerra dos sexos”, que fazem da realidade o melhor tema para provocar boas risadas.

Desde que as relações entre os sexos evoluíram, e aparentemente dar uma pancada na cabeça e arrastar pelo cabelo deixaram de ser provas de amor, muitas regras foram estabelecidas para regerem essas relações. Tudo bem, afinal somos seres civilizados e racionais, não fosse pelo fato de todas as regras terem sido criadas pelas mulheres, para serem obedecidas pelos homens. Saiba o nosso tempo, entenda o nosso comportamento, aprenda o que nos agrada e chama a atenção.

Isso é... Como eu posso dizer? Ah sim, isso é muito chato (além de ser absurdamente injusto). A fim de consertar o problema, resolvemos aqui estipular algumas regras para que vocês as sigam, o que deve melhorar consideravelmente o nível das nossas relações – e acabar com alguns problemas excessivamente comuns, mas fáceis de evitar.


Em primeiro lugar, corpos foram feitos para serem olhados. Biologicamente falando, homens são atraídos pela forma, e mulheres, pelo diálogo – e, até onde eu sei, nenhuma mulher é proibida de ouvir Daniel, ou assistir filmes românticos. Claro, não vamos babar feito cachorros a cada gostosa que passa na rua, e nem perguntar se vocês a pegariam se fossem lésbicas. Temos o mínimo de bom-senso. E, por favor, não pensem que somos idiotas, e achamos que vocês não olham para outros homens, e comentam com as amigas.

Em segundo lugar, quem foi que disse que “abaixado” é a posição correta do assento do vaso sanitário? Nós o usamos levantado, e vocês o usam abaixado – se nós podemos levantá-lo, vocês podem abaixá-lo também. Vocês já são bem grandinhas para isso. De fato, isso acaba eliminando outro problema frequentemente reclamado por vocês: o assento molhado.


Entendam o modo como a nossa mente funciona. Nós entendemos e nos comunicamos apenas por falas diretas. O conceito de “indireta” certamente foi introduzido por uma mulher na sociedade. Se dizemos que seu vestido azul é bonito, queremos dizer “seu vestido azul é bonito”, e não “você não fica bem em nenhum outro vestido, especialmente aquele amarelo colado que te faz parecer mais gorda”. Se faz parecer mais gorda, provavelmente nem notamos.

Falando em cores, é importante entender que vemos o mundo de maneiras diferentes: nós, em 256 cores; vocês, em True Color. Enxergamos a diferença entre azul-claro, azul-marinho e azul-escuro – mas nunca entre azul-ciano, azul-céu, azul-bebê e azul-calcinha. Ah, nós não temos a menor ideia do que seja “fúcsia”.

Voltando à linguagem, uma dica: se querem alguma coisa, peçam! Se quiserem tomar um café no meio da estrada, não nos perguntem se queremos tomar um café. Não nos contem sobre todas as propriedades benéficas do café, e de como ele deixa a sua pele mais macia. Não nos falem sobre o quanto amam café, e não podem viver sem ele. Apenas peçam a porcaria do café!

A mente masculina é organizada para resolver problemas. Portanto, se vão nos contar sobre algum problema, e não querem conselhos, avisem com antecedência. Se notarmos algo de errado, e, ao perguntarmos se há algum problema, formos contemplados com um “Nada.” seco, nosso interesse termina por aqui. Sabemos que não é “nada”, mas vocês recusam-se a dizer, de qualquer forma. Nós não devemos supor, nós não deveríamos saber de algo obviamente, nós não lemos mentes.


Odiamos chantagens. Mais que isso, abominamos de corpo e alma e com toda a força esse tipo cretino de negociação. Choro é a pior delas e, pelo desgaste, já se tornou a menos efetiva de todas: se não cedemos aos filhos, não vamos ceder a vocês também. Utilizar informação muito antiga não vai funcionar, pois não lembramos nem do que dissemos na semana passada. Transformar “duas vezes” em “sempre” só serve para transformar a discussão em uma rinha. E greve de sexo é como dizem: a mulher consegue qualquer coisa com ela. Inclusive um par de chifres.

Fazer compras não é esporte, o dinheiro não é ilimitado, e o armário não existe só para as suas roupas. Os filhos não deixam de ser seus quando fazem algo ruim, e nem voltam à sua posse só porque passaram de ano. Discutir a relação pode ser muito chato se não há uma pauta, e dor de cabeça crônica é caso para um bom neurologista.

Se pensarem em reclamar do futebol semanal, lembrem-se que a novela é diária. Se pensarem em reclamar da sua sogra, lembrem-se da nossa. Se pensarem que provar que são melhores que as nossas mães é uma boa coisa, estão completamente enganadas. Se pensarem em perguntar se estão gordas, desistam: nenhuma resposta, sincera ou não, algum dia agradou uma mulher. Se pensarem que realmente precisam perguntar, pensem de novo.


Depois de tudo o que foi dito, provavelmente vocês nos mandarão dormir no sofá. O que também é injusto, visto que isso acontece não importando de quem seja a culpa na discussão. Se são os incomodados (ou, no caso, as incomodadas) que devem se retirar, porque vocês não experimentam? Isso sim é um verdadeiro esporte.

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Visitem Gio
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Pomares - por Leo Santos

Parecia desgraçado, pois a graça se desfez,
quando o ocaso da espera, acenou distante;
aí, viu a desgraça multiplicada por três,
e refez a leitura de onde estivera antes.

Qual a mão da chuva apalpando a terra,
pra ver túmidos os seios da floração;
ornado pousou, o sonho na espera,
do broto e do viço, noutro coração.

Quiçá a primavera dorme inda um pouco,
e haverá uma canção que a desperte!
E a dita desgraça, o sonho quase louco,
transmude e alente a plantinha inerte…

Agora, a tríplice desdita que a noite trouxe,
da sorte oposta, um abismo separa;
não tem como o amargo se fazer doce,
ou a estação das flores tocar, as dunas do Saara.

Quantas sortes piores se alinham,
desfilando à noite, em seu reduto!
que é isso, senão mera erva-daninha,
ante tantos pomares sem frutos?

Ansiedade trai a própria pessoa,
que ao lhe dar guarida, o passo erra;
violenta-se o quelônio ao deixar a lagoa,
ou preserva-se, lançando a semente na terra??
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Visitem Leo Santos
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Blogagem Coletiva: Coisas do Meu Brasil - por Ninguém Envolvente

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Estou participando com mais de 60 blogs, de uma blogagem coletiva com o intuito de mostrar nossa cultura, regionalismos e amenizar um pouco o estigma de sermos um país de Carnaval 365 dias e só sabemos falar de futebol. Não é verdade.
Temos muitos belos escritores, a comida é ótima, temos um povo que ri quando deve chorar e nossa fauna não se compara com as de outros lugares de nosso planeta. Temos sim nossas falhas no sistema, mas isso toda nação deve ter as suas.
Vamos lá.

Escrevi um texto usando nomes de livros e de escritores de nossa boa Literatura, fazendo alguns trocadilhos. Espero de coração que gostem e que eu represente bem o como temos cultura para dar e vender por pelo menos mais umas 900 mil gerações. Também quero mostrar que só é ignorante quem quer, temos um mundo de livros em nosso país e os melhores escritores.
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Título: Brasil Letrado.
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A virgem Iracema de José de Alencar, se soubesse ler, teria se apaixonado em Cinco Minutos pelo romance de Bentinho e Capitu no livro Dom Casmurro escrito com maestria por Machado de Assis.
Oswald de Andrade queria mostrar ao mundo que o Brasil também podia exportar cultura e não somente Pau Brasil, e Dona Flor deixaria seus dois maridos para ficar com Jorge Amado e ajudar na exportação de nosso melhor produto: Cultura.
Chegou A Hora da Estrela, de Clarice Lispector, que encantou até mesmo um grande homem de nossa música brasileira, Cazuza, com A Descoberta do Mundo. Minas Gerais também esteve em um livro, Vila Rica, de Cláudio Manuel da Costa, provando mais uma vez que não somente em cidades mais famosas feito o Rio de Janeiro se faz uma boa poesia.
“Nossos bosques têm mais vida e nossa vida mais amores” Ah! Se o sábia de Gonçalves Dias soubesse cantar em português... Que felicidade nos daria com seu canto tão supremo de um poema que narra perfeitamente nosso Brasil.
Castro Alves comoveu com seu Navio Negreiro, contando como os negros era tratados pior do que animais. Olavo Bilac foi um jornalista e poeta membro que fundou a Academia Brasileira de Letras e autor do Hino à Bandeira. Mário de Andrade foi o mais importante intelectual do século XX, seu primeiro livro foi Há uma Gota de Sangue em Cada Poema.
Leia nossa rica literatura, sinta a liberdade de escolher o autor que mais se encaixa com seu estilo e tenha prazer em ler na Libertinagem de Manuel Bandeira.
Uma flor nasceu na rua! Passem de longe, bondes, ônibus, rio de aço do tráfego. Uma flor ainda desbotada ilude a polícia, rompe o asfalto. Façam completo silêncio, paralisem os negócios, garanto que uma flor nasceu. Sua cor não se percebe. (...) É feia. Mas é realmente uma flor é a Rosa do Povo que Drummond de Andrade escreveu com tanto gosto.

Vinicius de Moraes não vai fazer seu riso virar pranto e espero que você propague nossos belos livros e encantos sendo infinito enquanto dure.
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Encerro com: Soneto de Fidelidade

De tudo, ao meu amor serei atento
Antes, e com tal zelo, e sempre, e tanto
Que mesmo em face do maior encanto
Dele se encante mais meu pensamento.

Quero vivê-lo em cada vão momento
E em seu louvor hei de espalhar meu canto
E rir meu riso e derramar meu pranto
Ao seu pesar ou seu contentamento.

E assim, quando mais tarde me procure
Quem sabe a morte, angústia de quem vive
Quem sabe a solidão, fim de quem ama

Eu possa me dizer do amor (que tive):
Que não seja imortal, posto que é chama
Mas que seja infinito enquanto dure.
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Postado, originalmente, em 13/12/2008.
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Ô, Preguiça! - por Fatinha

Querido Brógui:

Tenho andado com preguiça de escrever. Estava meio que me sentindo culpada por isso, afinal de contas, assim como a maioria das pessoas, fui educada para pensar que preguiça é uma coisa feia. Isso ficou tão arraigado em mim que até nos domingos, o dia universal da preguiça, eu levanto cedo para não fazer nada porque tenho a sensação de que não fazer nada de pé é menos ruim do que não fazer nada deitadinha embaixo dos lençóis.
Então, hoje estou assumindo publicamente meu lado preguiçoso, aquele que quer que o mundo acabe em barranco para poder morrer encostado. Não sem culpa, é claro. Anos de terapia ainda não conseguiram me livrar desse sentimento cada vez que sucumbo ao doce far niente.
Muito a contragosto, liguei o computador pra dar uma olhadinha na minha caixa de entrada. Vixe! Coisa que não acaba mais, deu até vontade de chorar. Deixei isso pra amanhã, no melhor estilo Scarlet O’Hara e fui cair na página do Mário Quintana, de quem eu sou fã. Sabe o que eu achei? A seguinte frase: “A preguiça é a mãe do progresso. Se o homem não tivesse preguiça de caminhar, não teria inventado a roda.”
Fiquei aliviada. Se Mário Quintana que é Mário Quintana vê algum valor na preguiça, não sou tão má pessoa assim.
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Postado, originalmente, em 03/11/2008.
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Visitem Fatinha
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História do Amor de Nós - por Jeff Oliveira

Sim, eu a esperei. Esperei e ela veio.
Com toda a sua inteligência e humor
Com seus contrastes, certezas e incertezas
Ela veio com esperança, com vontade de amar
Veio cheia da vontade de encher-se, de se esvaziar de si.

Chegou escondendo seus sonhos, seus sonhos de amor eterno, de eternidade
Escondidos sob o pano do medo e das experiências
Ah, as experiências!
Por mais que tenhamos experimentado tantas coisas, vivido tanto...
Que são as experiências senão apenas uma face da moeda?
Que seria de nós se vivêssemos pautados apenas pelas experiências?
Felizes os loucos, os ousados.
Aqueles que arriscam VIVER, simplesmente VIVER.

Ela veio...
Não foram alianças... Ainda não. Quem sabe...
Mas uma pulseira e um anel de Tucumã,
como símbolos de um compromisso silencioso
que confirma aquilo que os olhos não podem ver.

É o visível mostrando o invisível,
numa vontade que não prende, mas liberta
Que assim seja!
Sim, eu a esperei. Esperei e ela veio
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Visitem Jeff..............................
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Eduardo Galeano e os “Pontos de Vista / 1” - Citado por Lélia

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Do ponto de vista da coruja, do morcego, do boêmio e do ladrão, o crepúsculo é a hora do café-da-manhã.

A chuva é uma maldição para o turista e uma boa notícia para o camponês.

Do ponto de vista do nativo, pitoresco é o turista.

Do ponto de vista dos índios das ilhas do Mar do Caribe, Cristovão Colombo, com seu chapéu de penas e sua capa de veludo encarnado, era um papagaio de dimensões nunca vistas.
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Quadrilha - por Tércio Sthal

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Tanta corrupção e falta de brio,................................................
tanto desvio, tanta bandalheira.................................................
Brasil! Brava gente brasileira...................................................
(Tércio Sthal)................................................
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O mês de junho sempre era bem-vindo,
quadrilheiros punham-se a dançar,
compadres e comadres se reunindo,
colocando as batatas pra assar,
e o ‘sanfoneiro’ tocando sem parar.

Idosos, crianças, jovens e adultos
a comer pipoca e muito amendoim,
a cada passo caminhando juntos,
numa festa que parecia não ter fim,
e o ‘sanfoneiro’ sempre estava a fim.

Bela festa a dança da quadrilha,
música, entretenimento e diversão,
no rosto de cada um, a alegria
por festejar São Pedro ou São João,
e experimentar um gole de quentão.

Mas ninguém sabia até então
que quadrilha viraria moda,
e ganharia nova conotação,
que grandes palácios acomoda:
quadrilheiros da corrupção.
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Visitem Tércio Sthal
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Carta. - por Thiago de Sá

Hoje senti o teu cheiro como há muito não sentia.
Os sentimentos de antes me voltaram à cabeça,
E fiquei aqui sozinho lembrando-me do quanto era gostoso acariciar o teu cabelo,
Sentir a tua pele...
E vê que me faz falta o teu beijo.
Mas, pela graça de Deus não posso viver o passado.
Contudo posso remontar o ontem nas perspectivas do futuro!
(Triste visão! Algemas que não me soltam.)
Já não são poucas as coisas que acumulei desde o último encontro.
E sem dúvida,
Não é mais novo
O sentimento de saudade que sufoca meu peito.
Como estará a tua vida depois de tudo que vivemos juntos?
Não sei. Gostaria de saber.
Porém, sei que a minha não é uma das melhores.
Entretanto sei o que existe dentro de mim,
E por este motivo acredito que tenho forças para erguer-me de qualquer queda.
Ser vitorioso não é apenas vencer,
Mas ser aquele que se supera depois da derrota.
A vida é um livro de longas páginas
E você deixou sua letra em uma delas.
Por isso será impossível esquecê-la.
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.......................................Visitem Thiago de Sá
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O Patinho Feio (Uma Estória Comovente) - por Izabel Sadalla Grispino

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Assista ao vídeo clicando aqui...
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“O Adversário” - por Maurício Limeira

Miniconto “Chato até o fim”
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Conto “O professor de literatura”
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Publicação do autor na TerrorZine e na Veredas
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O 3º lugar no Concurso Literário do Servidor Público - RJ


Confira em
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O Adversário
Livro. Blog.
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domingo, 7 de novembro de 2010

Revendo a Morte - por Alba Vieira

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Revolvendo a terra, me retorcem as entranhas.
Não quero ver o que não é mais o que era.
Sumiram no passado as lembranças boas.
Já não existem os motivos de alegria.
Só a dor impera!
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Visitem Alba Vieira
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Possessão - por Ana

O que há dentro de mim, neste vazio que me preenche?
Que loucura, que perversão?
Que pessoa?

O que mora em mim e é inominado, esquecido, escuro, inviolável?
Que sombra, que escuridão?
Que proeza?

O que me habita sem amarras e me faz tonta, solitária, amoral e convicta?
Que traça, que ermitão?
Que pecado?

O que me domina, em silêncio, e me encerra a alma, venda os olhos, range os dentes, queima a língua?
Que monstro, que assombração?
Que pedaço?
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Primavera - por Marília Abduani

O teu discurso de música e ciúme
atravessa os meus ouvidos
e me fala de flores, ventos,
pássaros e pedras,
estrelas e rios.
Em meus ouvidos, os teus segredos.
Por tudo isso, perco-me sempre,
humanizo-me nas árvores,
no orgasmo, no silêncio,
no engasgo de saber-me com asas
e sem poder voar.
Em meus ouvidos o teu silêncio,
a hora mais clara e precisa,
em que o sol espanta a lua.
Eu faço amor com a brisa,
com os bichos,
com os frutos,
com as pétalas da primavera
e engravido.
Eu, grávida de flores,
ávida de lua,
plena de mar.
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