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(Aviso: Os textos em amarelo pertencem à categoria
Eróticos.)




domingo, 28 de fevereiro de 2010

Tema do Mês de Fevereiro: Carnaval

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Caríssimos amigos:
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Hoje foram postados os textos referentes ao tema do mês de fevereiro: “Carnaval”,
vencedor da enquete de janeiro.
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Participantes:
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Aaron Caronte Badiz
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Ana
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Dália Negra
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Lélia
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Penélope Charmosa
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Soraya Rocha
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Vera Celms
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Muito obrigado a todos que colaboraram com esta “blogagem coletiva”!
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Um grande abraço!
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Carnaval - por Aaron Caronte Badiz

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Foi um carnaval quando te encontrei.
Ao te ver pela primeira vez, dentro de mim tocaram cornetas, apitos, marchinhas alegres, foram lançadas serpentinas, confetes, pétalas de rosa... Uma felicidade sem fim que cercava a sua aproximação e sua entrada triunfal em minha vida. Sem que você soubesse, sequer desconfiasse, eu a recebi em êxtase, numa satisfação profunda, cantando “Ô abre-alas” a plenos pulmões e num salão repleto de tudo o mais colorido, festeiro, iluminado, sonoro e simpático que há dentro de mim. Meus olhos te seguiram imantados todos os passos que te traziam para perto e nada mais existia além de você naquele lugar. Até que conheci sua voz: “Oi”. E eu: “Oi”.
Mas havia um carnaval dentro de mim.
Que dura até hoje. Com a mesma alegria, os mesmos festejos de felicidade.
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Carnaval - por Alba Vieira

Carnaval é um tempo em que a realidade cotidiana dá lugar ao sonho.
E cada um de nós tem o seu.
As crianças têm a liberdade de escolher quem desejam tornar-se. E cabem, na medida, na fantasia que vestem: fadas, carrascos, pierrôs, super-heróis, colombinas, vampiros, bate-bolas. Não importa. Elas se transmutam naqueles personagens que elegeram.
Para os adultos, fica mais complicado deixar de ser o que pensam que são para manifestar outra personalidade. Geralmente, precisam de algo mais para nublar a consciência e permitir a mudança. É uma pena!
No carnaval tudo fica mais vivo. Os sentidos se aguçam e os talentos se manifestam. A profusão de cores e formas explode em criações inimagináveis que enfeitam os corpos e os lugares com luzes radiantes por toda parte.
O som é inebriante. Os acordes são arranjados magnificamente e a música só não é celestial porque o ritmo cadenciado é humano demais. As baterias descompassam o coração levando a emoção aos píncaros da glória.
Tudo é cor, tudo é luz, tudo é festa e alegria. Ou quase tudo. É inevitável lembrar do arquétipo do palhaço, daquela alegria forjada para suplantar a dor.
E aí vem a dúvida... será que esse povo que faz o carnaval na cidade é, por dentro, o que mostra na avenida nos dias de festa: só nobreza, beleza e força ou acaso tudo isso é o último vestígio de brilho que ainda sobrevive ao massacre de um cotidiano de pobreza, humilhação e medo?
Que importa? Cada pessoa é que sabe de si e nada pode tirar o que vibra dentro de cada um de nós.
E é isso que certamente explica toda a grandeza dessa festa, capaz de unir nessa arte, numa imagem harmônica, num ritmo cadenciado, num só canto, toda a diversidade de um povo que nesta hora sabe comungar num só credo. Está feita a Vossa vontade. Amamos uns aos outros como a nós mesmos. Somos feitos à Vossa imagem e perfeição. O sagrado expresso no profano.
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Visitem Alba Vieira
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Nosso Carnaval - por Ana

Fantasias, todos temos: as para o corpo, as para a alma; as que são mentiras para nós mesmos, as que são necessárias diariamente. E com elas, inventamos as máscaras: as chorosas, as felizes, as zangadas, as poderosas, as sedutoras. Então somos carrascos, colombinas, bailarinas, políticos, coelhinhas, piratas, bebês, zorros, dinossauros... uma multidão de inumeráveis personagens que se encontram todos os dias, em todas as ruas, em todos os locais. Personagens que se mesclam, metamorfoseiam, tornam-se híbridos, indefinidos até.
Se nos pudéssemos ver em nossas fantasias, assistiríamos, diariamente, a um baile de máscaras indescritível e caleidoscópico: mulheres vestidas de empregadas de manhã em casa, saindo à rua de freiras e indo dormir de dominatrix’s; homens acordando de terno, indo trabalhar de palhaços e vendo telejornais como intelectuais; crianças indo pra escola de lobos, em casa presidiários e dormindo como anjos. Isso sem citar as personagens mutantes pelo estímulo dos acontecimentos.
Então se pode concluir que o Carnaval deixa muito a desejar à nossa eterna festa a fantasia cotidiana.
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Um Bloco Brasileiro - por Cacá

De manhã, as manchetes
No rádio, jornal, televisão
“O Brasil agora começa
a funcionar”, eis a previsão
Vamos ver se não tropeça,
O carnaval passou
O ano novo lá atrás ficou.

Condenam o país
Que dizem, não quis
Abrir o ano em janeiro
Foi-se também fevereiro
Mas se engana quem assim pensa.
Quem crê na imprensa
Não vê o Brasil funcionar inteiro.

Para banco, shopping, para loja,
Para escritório, ar-condicionado, oficina,
Para, da pirâmide social,
Somente o andar de cima
Não atrapalha nem desanima
No fim, fica tudo normal.


Quem acha que o leiteiro, o padeiro,
Motorista, metroviário, enfermeiro
Médico, mercadista, açougueiro,
Consegue parar prá pular carnaval
Ou é de Paris, onde se é mais feliz
Com muito glamour e dinheiro
Ou então não sabe o que diz
Não come, não bebe, não cura
Ressaca, joelho, ranhura.

Essa gente que não para, entra noite sai dia
Repõe toda a nossa energia
Perdida em meio ao turbilhão
Depois de tanta folga, tanta folia!


UMA SINGELA HOMENAGEM AOS MILHÕES DE BRASILEIROS QUE SÓ TÊM NOTÍCIAS DO CARNAVAL PELAS CARAS QUE ATENDEM NOS DIAS SEGUINTES DA FOLIA.
*Será editado tantas vezes quantas forem as insistências dos que dizem que ninguém trabalha no carnaval.
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Visitem Cacá
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Carnaval? - por Daisy

Que carnaval é esse?

Antes era folia
Agora é orgia

Antes era malemolência
Agora é violência

Antes era fantasia elaborada
Agora são trapos ou quase nada

Antes era desfile e cortejo
Agora é só remelexo sem pejo

Antes era lança-perfume, serpentina e confete
Agora é bebida, cocaína e pivete

Que carnaval é esse?
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Visitem Daisy
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Carnaval? - por Dália Negra

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Afastem de mim esta alegria,
Afastem de mim o Carnaval.
Máscaras disfarçam agonias,
Os olhares, as intenções, o ilegal.
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Escondem vontades reprimidas
No dia a dia de regras sociais
Que impedem agressões, estupros, mortes...
Ações inconsequentes, irracionais.
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Prefiro despir todas as faces,
Torná-las sóbrias, cotidianas,
A conviver com seus simulacros -
Ou suas verdades assustadoras e insanas.
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É Carnaval! - por Esther Rogessi

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‘Carnavale’... festa da carne, real ou surreal, festa da utopia...
Explosão de alegria, dentro d’alma doces sonhos, desejos e anseios,
em fantasias multicores, em meio aos muitos amores, com eles a alegria...
Vivem sonhos mil, aquarela céu anil, sons frenéticos, meu Brasil!
Brasil de praias belas, mulatas cor-de-canela, ora cravos, dálias, rosas,
cantadas em versos... prosas...
Alegria e encantamento nas passarelas do samba - para muitos tormento -.
Verde-e-rosa as cores dela... Mangueira, que não dá manga,
vencedora tão amada, adentra a madrugada... no pé, no sapatinho...
Vencer e vencer ‘Nobris Causa’.
‘Pierrôs e colombinas’, homem-menino... mulher-menina, desfilam os imortais
personagens e nada mais... Atores agora são, atuando na vida vão,
lança-perfume e serpentinas, palhaços da vida e bailarinas...
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.Visitem Esther Rogessi..............
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Carnaval... - por Lélia

Foi vestida de princesa que te encontrei. Num carnaval há tanto tempo... Você, um robô cintilante.
Meus olhos cintilaram e o encontro virou encontros e namoro.
Mas, em pouco tempo, nada mais deu certo. E eu devia ter desconfiado, logo de início...
Se você se faz de princesa, em algum momento vai ter que engolir sapo...
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Carlos Drummond de Andrade e “O Outro Carnaval” - Citado por Penélope Charmosa

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Fantasia,
que é fantasia, por favor?
Roupa-estardalhaço, maquilagem-loucura?
Ou antes, e principalmente,
brinquedo sigiloso, tão íntimo,
tão do meu sangue e nervos e eu oculto em mim,
que ninguém percebe, e todos os dias
exibo na passarela sem espectadores?
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Um Sentido Nisso Tudo - por S. Ribeiro

longe de governismos e das ânsias
criamos deuses e reis afins de suor e vinho
perdemos anéis e razões
largamos as bocas a quem as queiram
e nada de choro
que corpo grita e solta mitologias de orgias
lonjuras ancientíssimas e profundas
partes de corpo que só o é
invenções de paredes que hoje não as são
e sem nenhuma tristeza colhemos
corpos e revistas e êxtases
como se fôssemos ainda parte dum sacrifício

vem que nem importa mais
de quantos pés precisamos
canta-se como deveriam nossos anos
não espere nem converse
que aqui se ama aqui se paga
cheios de nós mesmos sem esquemas
banhamos num silêncio de olhos
trompetes e guitarras feridas
num mesmo carnaval
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Visitem S. Ribeiro
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No Carnaval - por Soraya Rocha

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No carnaval me pintei de deusa da natureza
Recriei sobre meu corpo um pouco desta beleza
Que nos alimenta, conforta, sacia e, com certeza,
Nos ensina a harmonia e o contrário da avareza.
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Minha alma foi inundada por esta nobreza
Que povoa nosso planeta e reflete a realeza
De uma força criadora (senti isso com clareza).
E brinquei como uma ninfa: eu era só alegria e leveza.
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Apoteose - por Tércio Sthal

Para festejar
esquenta os tamborins,
e bate forte no pandeiro.

Alegria,
alegria,
alegrias, o tempo inteiro.

Relembra os mortos e afins,
nos sambas,
nas alegorias,
indicando à vida, o tempero.

Alinhava os cortes
e alinha os recortes.
A linha pronta,
agulha tonta.

A lépida tesoura
para si entesoura
o prazer de recortar
a dor do amor,
a dor de amar,
seja o que for,
na passarela
a passar ela
e a passar, passar.

Festa carne
em carne e osso.

Carne vale,
o vale tudo.
Vale até sangrar e fazer o mal.

Eis o final cinza do carnaval
tudo insosso
e choro mudo.
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Visitem Tércio Sthal..........
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Carnaval - por Vera Celms

O ano todo entre retalhos e festins
Aprendendo o enredo,
Ensaiando o passo,
Vestindo o personagem,
Treinando a coreografia,
Ingredientes de um sonho
Preparado por todo um ano
E realizado em 60 minutos
Passando na avenida,
Bateria, comissão e passistas,
Mestre-sala, porta-bandeira, sambistas...
De um amor são as pistas,
De uma paixão,
Nas cores da escola,
Nas cores do coração,
Que se fantasia de dourado,
De paetês e lantejoulas...
O samba no pé,
O enredo na voz,
E a escola no coração,
Pulsando, batendo, levando...
Levantando a arquibancada,
Saudando a comissão,
Levantando aos pulos o coração,
Conquistando ponto a ponto,
A vitória de um sonho todo,
O trabalho do ano todo,
Artistas são todos, são tantos,
E tudo vai tomando corpo,
Perfeição,
Uma realidade simulada,
Uma festa toda dourada,
Luzes, bateria, vitória cantada...
E o sonho vira verdade,
Que vira festa...
E por mais um ano começa,
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Visitem Vera Celms...............
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Sem Máscara - por Alba Vieira

Já é chegada a hora tão ansiada
De retirar a máscara de todo dia,
Liberar a repressão malfadada
E esbaldar-se colocando a fantasia.

Certamente não há mais como conter
Aquela eterna luta de polaridades.
O inevitável irá acontecer:
Homem sisudo vai sair de beldade.

Ele acaba revirando o armário do quarto
Da mulher recolhe saia e até o sapato,
Arranja a cabeleira do jeitinho exato
E aí só volta quarta-feira e sem espalhafato.

O carnaval é uma festa de beleza rara.
Mas para quem se reprime o ano inteiro,
A permissão para exibir a verdadeira cara
Pode ser pior que botar a mão em vespeiro.

É festa, é arte, é explosão de criatividade!
Pode ser orgia e bagunça por conta de bebedeira.
Mas nada tira o seu brilho em nossa cidade.
As almas expressam a luz de qualquer maneira!

Quem dera todos nós possamos um dia
Sem nenhum disfarce por menos-valia
Estampar no rosto nosso ser de energia,
Sem as máscaras exibindo a genuína alegria.
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.............................Visitem Alba Vieira
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Máscara Negra - por Esther Rogessi

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Marcha vida afora em sons altissonantes,
alegorias, fantasias...
O certo fica incerto, o prumo faz-se torto,
frevo levanta morto.
Nas passarelas e nas gerais, esfuziante alegria,
asas à fantasia...
Pierrôs e colombinas, meninos ou meninas?
Despem-se de suas máscaras, mascarada é a vida,
tudo fora agora lança...
Lança-perfume e serpentina, mostra o rosto
lava a cara...
Máscaras, que tens por trás?
Tons diversos... dourado e outros tais.
O menino se faz homem, expele o animal:
Veado ou lobisomem!
‘Velhos viagrados’ se animam disfarçados,
som menos agitado...
Zé Kéti, Pereira Matos comandam a marcha de frente
Abram alas... Atrás vem gente: alta, baixa, gorda, magra...
A Máscara Negra assim esconde a potência do VIAGRA!
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Visitem Esther Rogessi...........................
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Carnaval - por Alba Vieira

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Criatividade, cantiga, compasso
Alegoria, avenida, abraço
Reinado, ritmo, remelexo
Negritude, novidade, nau
Alma, abre-alas, amor
Viagem, valor, vaidade
Animação, alegria, aquecimento
Lança-perfume, loucura, liberdade
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Visitem Alba Vieira
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Ser ou Fingir - por Alba Vieira

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Carnaval é a apoteose
..................do delírio
Pra quem só toca de leve
....................a realidade.
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Visitem Alba Vieira.....................
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