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(Aviso: Os textos em amarelo pertencem à categoria
Eróticos.)




domingo, 8 de fevereiro de 2009

Recado - por Adir Vieira

Pediram que eu desse o recado.
Se ao menos fosse um recado agradável, que felicidade trouxesse a quem o recebesse…
Mas não, era um recado que se sabia de antemão traria de volta amargas vivências.
Fiquei entre a cruz e a espada – não podia me negar a fazê-lo - e não queria presenciar, de novo, na minha frente, uma alma triste, arrependida de atos não cometidos nesta encarnação.
Pensei, repensei e, embora num primeiro momento houvesse decidido por não passar o recado, preferi arranjar um modo que, mesmo em desacordo com minha forma de ser, deixasse ambas as partes em paz.
Usei de minha criatividade e fiz um enredo plausível, aproveitando um bendito gancho na conversa que, felizmente, foi absorvido como absolutamente real pela pessoa que deveria receber o recado.
Agora, depois do problema solucionado, fico eu em conflito com os meus deveres para com a verdade e, mais uma vez, me prometo não entrar em outra armadilha.
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A Coroa - por Adir Vieira

É verão. Ela mora num edifício com ampla área de lazer e duas piscinas.
Vive só, num apartamento decorado com gosto que faz questão de exibir para aqueles que batem à sua porta, à procura de fósforo ou açúcar, na intenção, talvez, de saber algo mais sobre sua vida.Não trabalha desde que ali reside, mas vive confortavelmente como demonstra: seja pelas compras feitas pela Internet – várias, de baixo e alto custo – habitualmente recebidas pelos porteiros e propagandeadas pelos mesmos, e também pela diversidade de trajes que faz questão de trocar algumas vezes ao dia e exibir em suas descidas ao play.
Todos os dias pratica o mesmo ritual.
Acorda às 6 horas da manhã e vai à padaria da esquina comprar o pão doce encomendado na véspera e feito quase que com exclusividade para ela.
Às 10 horas desce para a área de lazer. Faz uso das escadas alegando necessitar de exercícios para melhorar a saúde. Cumpre cautelosamente essa descida pelos oito andares, solitariamente.
Já na área de lazer procura sentar-se em meio ao maior número de moradores e participar das conversas do grupo, mostrando-se sempre atualizada com os fatos corriqueiros e com as novas tecnologias.
Ninguém ainda conseguiu descobrir sua idade. Aparenta, no máximo, ter uns 56 anos.
É verão. Usa trajes adequados para a praia e traz consigo todos os apetrechos necessários - da sacola com protetor solar, água, toalha... à barraca e cadeira para o repouso – mas nunca usa a piscina. Lá permanece por cerca de três horas e partilha de todos os acontecimentos.
Hoje, uma vizinha, mais indelicada, a questionou sobre o fato.
Conversou e desconversou, até levantar a saia e exibir uma feia cicatriz na perna direita que subia até o início da coxa, oriunda de uma queimadura numa explosão de gás.
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Fernando Pessoa, “Eros e Psique” - Citado por Alba Vieira

Conta a lenda que dormia
Uma Princesa encantada
A quem só despertaria
Um Infante, que viria
De além do muro da estrada.

Ele tinha que, tentado,
Vencer o mal e o bem,
Antes que, já libertado,
Deixasse o caminho errado
Por o que à Princesa vem.

A Princesa Adormecida,
Se espera, dormindo espera,
Sonha em morte a sua vida,
E orna-lhe a fronte esquecida,
Verde, uma grinalda de hera.

Longe o Infante, esforçado,
Sem saber que intuito tem,
Rompe o caminho fadado,
Ele dela é ignorado,
Ela para ele é ninguém.

Mas cada um cumpre o Destino
Ela dormindo encantada,
Ele buscando-a sem tino
Pelo processo divino
Que faz existir a estrada.

E, se bem que seja obscuro
Tudo pela estrada fora,
E falso, ele vem seguro,
E vencendo estrada e muro,
Chega onde em sono ela mora,

E, inda tonto do que houvera,
À cabeça, em maresia,
Ergue a mão, e encontra hera,
E vê que ele mesmo era
A Princesa que dormia.
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O Caso dos Dez Negrinhos - por Alba Vieira

Assassinato no Expresso Oriente - Agatha Christie
Cai o Pano - Agatha Christie
O Assassinato de Roger Ackroyd - Agatha Christie
O Caso dos Dez Negrinhos - Agatha Christie
Os Cinco Porquinhos - Agatha Christie
Os Elefantes Não Esquecem - Agatha Christie


“Livro imperdível: O Caso dos Dez Negrinhos, de Agatha Christie. Suspense do início ao fim. Li numa noite. Gostei também de Os Elefantes Não Esquecem, O Assassinato de Roger Ackroyd, Assassinato no Expresso Oriente, Cai o Pano e Os Cinco Porquinhos.”



Resposta a “Livro Imperdível…”, de Ana.
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E você? Que livro considera imperdível?
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É Dia de Sol - por Alba Vieira

Acordem! Remexam suas ideias! Saiam! Vejam gente! Está sol. Há energia para ser distribuída a todos. Olhem-se nos olhos! Cumprimentem-se. Sejam gentis uns com os outros. Tenham calma. Ajam com cortesia. Descubram seus corpos, a pele deve respirar. Soltem as crianças! Elas precisam correr. Livres! Aqueçam seus corações. Abracem-se. E cantem, cantem muito. Os pássaros já enfeitam a manhã com sua música desde cedo. Caminhem pela praia ou brinquem nas praças. Levem os cachorros a passear. Saiam para fazer pequenas compras para o café da manhã. Observem as pessoas que passarem por vocês. Sorriam para elas se cruzarem os olhares. Procurem sentir na pele a brisa e o calor do sol. Conversem com quem está perto. E não se esqueçam de brincar com seus filhos. Conversem com a família. Deem férias aos problemas cotidianos. É domingo. Descansem. Soltem-se. Amem-se. Vivam!
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Livro Imperdível… - por Ana

Manuel Bandeira - Estrela da Vida Inteira


“Bandeira é Bandeira! Estrela da Vida Inteira, poesias completas, imperdível!”



Resposta a “Manuel Bandeira vê ‘O Bicho’”, de Penélope Charmosa.
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E você? Que livro você considera imperdível?
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Filho que Não Nasceu - por Raquel Aiuendi

Um filho que não
Nasceu, é um filho só
Do seu Pai: de Deus.
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Autor do Qual Sou Fã… - por Ana

A Colônia Penal - Franz Kafka
A Metamorfose - Franz Kafka
O Processo - Franz Kafka


“Também sou fã de Kafka. Li ‘A Metamorfose’, ‘O Processo’ e ‘A Colônia Penal’. Gostei mais do primeiro.”
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Resposta a “Carta ao Pai, de Franz Kafka”, de Junior Lima.
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E você? É fã de que autor?
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Perdão - por Vicenzo Raphaello

Su

Tanto desejei
Su
Tanto sonhei

Desperdício

Impotente
meu destino não conduzo

Ficam as dívidas
das palavras não ditas
do carinho não dado
da presença impresente
do futuro ausente.
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Os Muros e as Janelas de Açúcar - por Bruno D’Almeida

Num destes dias em que a gente passa por um lugar da infância em que viveu e fica pensando, meditando, passando um filme pela cabeça, de quedas, lugares, pessoas, quedas, choros, descobertas e mais quedas (pois é, tenho ambliopia, doença de nascença que limita em dez por cento a visão do olho direito – até descobrirem eu vivia caindo e colecionando cicatrizes na cabeça). Eu vi o muro! Famoso muro de pedras em que eu pulava, juntamente com os meus amiguinhos do nada-tudo-por-fazer, em atos heróicos de exibicionismo e de alegria de criança mesmo.

Fui de imediato ao encontro do muro, esqueci até do que ia fazer naquele dia. Aliás, este momento se tornou o ponto máximo do meu dia. Eu ia ao encontro do muro como quem encontrava a infância, como quem tinha um encontro marcado consigo mesmo, onde poderia olhar pra mim e dizer “nossa, como você cresceu”. Olhei para o muro, aquele colosso dos meus primeiros anos não passava de um parapeito de escada. Agora ele era minúsculo, um pouco acima dos meus joelhos de adulto. Eu apenas sorria e não acreditava.

O muro foi um obstáculo na minha vida que parecia intransponível. Difícil de passar adiante como muitas outras coisas, como o medo de andar de ônibus sozinho, a descoberta de que um dia ia morrer, a primeira vez que me perdi de meus pais na praia e guardei durante todo tempo um pedaço de cachorro-quente, o dia que comecei e terminei a escola, todas as provas, todos os professores, todos os amores perdidos e encontrados, todos os medos. Parecia uma barreira insuperável o vestibular. Na faculdade, era uma batalha me formar. Formado, a briga era pra me firmar. E assim fui superando cada obstáculo.

A melhor maneira de medir o tamanho da dificuldade é medir o tamanho do muro. Pude me tornar maior do que ele, mas para superá-lo, tive que respeitar o fato de que, um dia, ele merecia um sacrifício imenso para realizar. Foi a minha Grande Muralha da China. Senti uma coisa estranha ao constatar, sentado no muro, de que as coisas na minha vida podem até ser difíceis agora. Aguardo ansiosamente o dia em que se tornarão janelas de açúcar, em que poderei abri-las e saboreá-las como doces finos de maracujá e de limão.

Fiz uma coisa fantástica naquele dia. Essas coisas que só a gente sente prazer e ninguém entende nada. Todos olhavam para aquele adulto sem noção de juízo que pulava feito bobo de um parapeito de escada ridículo. E eu era o sorriso mais singelo, mais sublime, que não se encontrava no rosto de ninguém que passava na rua naquele momento. Que venham mais muros, mais desafios e coisas importantes a conquistar nessa vida.


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Dúvida - por Vicenzo Raphaello

Nasci
de um pai e uma mãe
de quatro avós
mãe e pai de minha mãe
pai e mãe de meu pai
de oito bisavós
pai e mãe do pai de meu pai
mãe e pai da mãe do meu pai
pai e mãe do pai da minha mãe
mãe e pai da mãe de minha mãe
e assim indo de tal forma a coisa se deu
que na trigésima geração que me antecedeu
quinhentos e tantos milhões de antecedentes eu tive
um bilhão e tantos
na trigésima primeira
Aí imagino
que na trigésima segunda
ou numa posterior geração qualquer
o mundo todo copulava
para que em 1938
pudesse ser gerado
arquiteto Vicenzo Raphaello
honrado
por tal esforço realizado
Uma dúvida porém persiste
havia assim tanta gente no mundo?
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Su - por Vicenzo Raphaello

Su
como passou o tempo

Ainda é fresca a imagem da mulher
ainda menina
do tempo de escola

Ainda são presentes
nossos melhores dias no Rio

Presença consciente são minhas lembranças
dos bons momentos que junto vivemos
assim como aqueles difíceis

As imagens dos caminhos que percorremos
o tempo não apaga

Esse tempo mostrou
que
um pequeno tempo da tua ausência
machuca
e como machuca.
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A Fila Anda - por Alba Vieira

Lamento doido…
Melhor você ter ido,
Vem outro melhor.
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Onde? - por Vicenzo Raphaello

Onde está você?
Só encontro tuas lembranças
no vazio que me envolve

Onde está você?
Doe
a ausência
do teu calor
das tuas mãos
do teu cheiro

Quanto tempo mais neste vazio?

Onde está você?
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Do Rei - por Raquel Aiuendi

Adorei A-DO-REI
Sempre penso que estamos
Em pleno império, sei
Que pode ser o romano
O brasileiro, qualquer um
A-DO-REI, sempre será
Do rei, com ou sem zunzum.


Inspirado em alguns comentários de Ana.
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Tantos Anos - por Vicenzo Raphaello

Mais de quarenta anos
dividimos
nossas vidas
Nesta divisão
união

Companheira de jornada
conheço sua intimidade
conheces a minha

Nos revelamos
quase por inteiros

Entre nós ficam
pequenos segredos
não revelados.
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Armadilha - por Alba Vieira

Até quando caminharás pela vida distraído?
Rogas ao Criador que de tudo te proteja.
Manténs, acaso, os olhos abertos a observar
A estrada por onde andas e tudo nos arredores?
Duvidas que em todos os momentos o único farol
Iluminando cada escolha é tua própria mente?
Libertaste tua alma para te acompanhar na trajetória
Hoje, já podendo ir à frente de ti quando enfrentas os dissabores?
A consciência de que és ser de luz te protegerá em qualquer circunstância.
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Curvas - por Vicenzo Raphaello

São bonitas as curvas
que nascem de um bonito pé
sobem curvaleantes
pernas acima
Não tão grossas
nem tão finas
na exata medida
para curvas bonitas
Recobertas por uma pele amorenada
passam por um joelho acetinado
daí
se alargam
e se escondem sob um tecido velador

Bom seria se pudesse
a cabeça cansada
sobre essas curvas deitar
e brincar
em revelar as outras curvas
ainda não reveladas.
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TOC - por Raquel Aiuendi

Toc, toc, to...
Toque pra quem tem TOC
Todos têm TOC.
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Folhetim - por Vicenzo Raphaello

Tempo fazia que ela partira

Retraído
calado
triste
solitário

Mudou-se dos jardins
para o centro
Praça das Palmeiras
Num ap foi morar

Passava o tempo sentado
numa varanda
olhando sombras de gente
que sumiam sob as sombras das árvores

Levanta-se
coração palpita
quando de uma sombra
se faz a imagem
da mulher ausente

Ansioso
observa por dias seguidos
o ressurgir daquela imagem querida
Saudade sofrida

Volta a coragem
desce
sentado no banco espera

Ela aparece
com cuidado ele se achega
Você?
Com um gesto ela assente
O rosto amado
sua mão acaricia
com forte receio do encanto quebrar

Leva-a ao seu canto
inerte
com olhar marejado
de tanta ternura
ela beija-lhe os olhos
já na cama

Na sombra do quarto
ela vai
retorna
em quase plena nudez
como do último encontro

Ao seu lado deitada
com ansiedade
carícias acontecem
As mãos entre as coxas
no lugar do vazio
volume encontra

Enganado
com fúria reage
Aquele rosto cobre
tentando esconder
a vergonha
daquele engano
e assim permanece
quanto tempo não se sabe

Sabe-se porém
que tempos depois
jornais noticiam
a morte obscura
de homo casal.
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