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(Aviso: Os textos em amarelo pertencem à categoria
Eróticos.)




terça-feira, 30 de junho de 2009

Tema do Mês de Junho: “A Vida Continua...”

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Caríssimos amigos:
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Estamos publicando, pela primeira vez, os posts referentes ao “Tema do Mês”.
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Hoje só foram postados os textos relativos ao tema.
Os textos recebidos que versam sobre outros assuntos serão publicados amanhã.
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Participantes
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Adir Vieira
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Ana
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Ninguém Envolvente
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Penélope Charmosa
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Agradeço a todos que participaram!
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Um grande abraço!
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Post Inesquecível do Duelos - Indicado por Ana

Kbçapoeta é único, profundo, intimista, por vezes hermético. Este post foi um dos primeiros que ele publicou no Duelos. Li e reli várias vezes e, em todas elas, o choque diante do desfecho foi o mesmo. Muito bom autor o Kbça, muito bom o poema!



A VIDA CONTINUA
(KBÇAPOETA)

Quando nasci perguntei:
Por quê?
Quando esse porquê foi resolvido
Já era resposta obsoleta
Sendo resposta obsoleta
A vida continuava vazia
Sendo vazia
Obsoleto tornara-se meu viver
decidi passar a propiciar como cupido
Um delicioso e sensual encontro
A navalha deslizando em minha garganta
Nua
A seiva vermelha jorra aos borbotões
E a vida continua
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Visitem Kbçapoeta
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A Vida Continua... - por Adir Vieira

São sete horas da noite. O dia todo choveu e as folhas caídas das árvores me falavam, entre um balançar e outro, da melancolia.
Tudo ao redor reverenciava a tristeza daquela mulher. Parecia que todos deveriam sentir, como ela, que os dias seriam cinzentos para sempre.
Acabo de chegar à Igreja, onde será rezada a missa de sétimo dia do seu marido.
Eu e outras tantas amigas prostradas na escadaria da Igreja, meia hora antes da cerimônia, a esperávamos ansiosas, buscando tentar saber o que dizer ou fazer no momento do encontro. Todas nós nos entreolhávamos, como a pedir socorro umas às outras.
A viúva, coitada, nesse momento, precisaria de braços mais que acolhedores... Compreensivos e silentes, como sua grande dor...
Todas nós conhecíamos sua vida até ali, vivia em constante lua de mel. Por mais de quatro décadas, nunca, em tempo algum, a tínhamos visto separada fisicamente do marido. No mercado, onde duas vezes por semana, religiosamente, os dois iam às compras, caixas e atendentes os tinham como exemplo de companheirismo e harmonia. Nos almoços de negócios do marido, quando adentravam o salão do restaurante, de braços dados, demonstravam naturalmente o amor que os unia e chamavam a atenção dos presentes pela sua felicidade contagiante. Em convívio com os netos, nos finais de semana, mais pareciam pais e educadores do que, propriamente, avós, apesar de sua idade avançada, pois seus atos eram totalmente contrários às rebeldias dos idosos, à falta de calma que tempera os ânimos do mais vividos. Faziam questão de ter e com facilidade mantinham o frescor da juventude, dos tempos áureos.
Não fosse por tudo isso, a surpresa quando foi anunciada a morte pegou-nos a todas nós desprevenidas. Durante todos aqueles anos de convívio direto, fora gripes e achaques naturais da idade, não conhecíamos nem participamos de doenças em um ou em outro.
Ali, na escadaria da Igreja, esperávamos encontrá-la miserável, em frangalhos mesmo, pelo acontecido.
Eis que uma porta de carro se abre e ela, auxiliada pelo motorista, surge com o mesmo sorriso de sempre a nos cumprimentar.
Ela sim, surpreendida com o nosso semblante sofrido, parece querer nos consolar, quando, sem deixar espaço para as nossas lamúrias, resume com firmeza tudo o que cercou o falecimento e finaliza confiante e cheia de esperança, dizendo que, apesar de tudo, a vida continua...
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Visitem Adir Vieira
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Contradição - por Alba Vieira

Quando você se foi, de tão grande a dor, pensei que fosse arrebentar. Meu peito doeu quando seu espírito deixou o corpo e me senti completamente esvaziada e perdida. Estava em choque. Não conseguia acreditar.
Desde a semana anterior à sua morte, eu sabia que ia acontecer e imaginava como seria. Mas, na hora, foi algo totalmente novo e inesperado. Precisei então tomar as providências cabíveis e ao mesmo tempo queria estar ao seu lado, ao lado daquele corpo de quem eu já cuidava há tanto tempo e com tanto zelo. Seguiu-se uma espera de incalculável tempo, arrumei sua roupa, seu corpo foi guardado e enfeitado de flores coloridas que eu dispus misturando com outras de pétalas brancas, como que pintando um quadro, como tantas vezes eu fiz com as tintas pra depois mostrá-lo e você me dizer que gostava que fosse bem colorido, usando muito vermelho, amarelo, azul, verde, rosa etc. etc. No dia seguinte, lhe fiz todas as homenagens que consegui fazer, algumas secretamente, que só eu poderia entender e me amparei como pude, para suportar a dura realidade, a sua falta.
Seguiram-se outros acontecimentos dolorosos na família que tentavam ocupar minha mente e minhas horas, talvez na tentativa da Vida de me desviar da minha própria dor. Cuidados necessários a outras pessoas me impediram de assistir à sua missa de sétimo dia, algo totalmente inusitado e extremamente doloroso para mim, mas que me ensinou na prática a me desdobrar, estando ao mesmo tempo em dois lugares: naquele onde eu era necessária em corpo e no outro, mentalmente, onde meu coração desejava. Assim, fiz tudo que devia fazer, embora emocionalmente estivesse paralisada pela dor da sua morte.
Chorei o quanto pude, sozinha. A pior dor foi a da primeira noite sem você, uma dor visceral que me causou frio extremo e me corroeu por dentro.
Então percebi que devia sobreviver, que tinha que desarrumar a casa e tratei para que não houvesse uma desestruturação maior da família. Agi como você agiria, fiz da melhor forma que consegui. Tudo se harmonizou na medida do possível considerando-se que era a perda da matriarca, em torno da qual tudo e todos giravam.
Aí, aos poucos, eu fui podendo entrar em contato com a minha própria dor: eu precisava tê-la de volta, não me acostumava à sua ausência nos meus dias e noites. Sofri e chorei e me senti perdida e sozinha, mesmo no meio dos outros que eu amava. Ninguém seria capaz de preencher o seu lugar na minha vida que, entretanto, devia continuar.
Encontrei como saída para enfrentar o sofrimento, escrever para você o quanto fosse necessário. Eu lhe contaria toda falta que você me faz, tudo que fosse acontecendo em minha vida, pediria seus conselhos e orientações como sempre fiz.
O tempo passou, eu melhorei, ainda sofro, choro, meu peito ainda dói, minha garganta aperta quando sinto a vida agora tão diferente e vazia.
Nesse momento, eu me pergunto quem sou se sempre só fui aquela que a seguia e amava com veneração.
E a cada dia tomo contato com uma parte de mim que ainda não conhecia, como se, aos poucos, fosse nascendo, podendo sem você, ser inteiramente. Ser infeliz por tanto amor, por não tê-la junto e porque a vida continua.
Até que fique apenas a saudade que faz companhia na ausência e acalma a dor da perda, trazendo quem se ama para perto outra vez com as lembranças felizes quando for necessário.



Visitem Alba Vieira
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A Vida Continua... - por Ana

Tramo meus ardis sozinha, longe de você. E isso te interessa? Nem um pouco, eu mesma respondo. E vou vivendo, sonhando, querendo, deslizando, orientando minhas vontades para tão distante de seus caprichos e de sua cama. Desejo a sua morte, lenta ou fulminante... não importa. Eu quero é liberdade. Eu tive um sonho, nele você não estava e justamente por isto foi tão bom. Desapareça de uma vez antes que eu perca a cabeça. Não quero me prejudicar ainda mais por sua causa, não quero esta prisão, este caos, esta loucura. Não há entendimento, não há relação, nem ao menos um olhar. Solidões paralelas em mundos que se chocam, isto sim é o que há. Impossível prosseguir. Anos de maus tratos e eu ainda aqui, numa obrigação legal e imoral. Estou enlouquecendo, eu sinto. Há pensamentos nebulosos se formando dentro de mim, ânsias antigas que se agigantam e me dominam. Cada vez mais me delicio com este prazer futuro e me assusto por não encontrar remorso, mesmo procurando com os potentes holofotes de minha consciência. Sim, estou consciente, cada vez mais. É só isso. Devo agir. Foi o que aprendi desde cedo: não se deve reprimir os desejos. Sou uma boa aluna. Percebo nitidamente, agora, que completei meu aprendizado. Você sempre fez tudo que teve vontade, manifestou seus desejos de forma crua, direta, absoluta e cruel. Todas as vezes em que tentei me matar, agiu como se nada tivesse acontecido. Agora é minha vez de ignorar e a sua de ir embora. Esta limitação que te prende ao leito e te impede as reações me deu força e coragem para decidir. O travesseiro que te amacia os sonhos te trará sono eterno.
Está feito. E eu, liberta, sem memórias, apenas um caminho à frente. Antes de partir repito a seu corpo o que tantas vezes ouvi dos lábios de seu egoísmo: “Me importar? Eu? A vida continua.”.
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Ad Infinitum - por Anin

Todos os dias elas se encontravam ali. No centro da sala, na mesma mesa. A vida escrita nos rostos. Mãos incertas. Olhos passivos. Iguais na sua diversidade.
Todos os dias as lembranças comiam no mesmo prato. E lágrimas furtivas enraleciam o feijão com farinha. O barulho das colheres coloria as pausas da memória. E as histórias ganhavam nova aquarela.
Um dia uma delas se foi. A cadeira ficou vazia. As outras três fingiram não perceber. Continuaram falando com a ausente. E até viam as lágrimas que ela escondia. E ouviam barulho de sua colher cobrindo o choro delas.
Foi assim durante dias. Até que a cadeira foi novamente ocupada. Os olhos das três acordaram. E neles a tácita certeza. Haveria sempre outras histórias ocupando cadeiras vazias. A vida sempre continuaria.



Visitem Anin
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Quarto 22 B - por Duanny

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O teto era de madeira, somente madeira; aparentemente dispensaram, mesmo que temporariamente, o uso do verniz. E nesse teto só há uma lâmpada, simples e sozinha, empoeirada e ignorável.

No quarto também havia um único guarda-roupa, mogno, de casal, trancado misteriosamente à chave, deixando minha curiosidade elétrica, capaz de ultrapassar o mogno e vasculhar seu interior em busca de um amante perdido. Aqui há também duas camas, de solteiro, obviamente ignorando a presença de um guarda-roupa para casal e se desfazendo em dois, um de cada lado, em mogno, propriamente dizendo.

Da janela, mediana, de madeira, pintada a verniz, eu vejo a rua, vejo a vida. É assim que ela entra, com o vento, mas o meu ventilador a captura antes que eu possa saboreá-la e a transforma em tédio. A cortina, azul, balança... ora com a vida ora com o tédio, o que faz o sono despencar sobre minhas pupilas e me querer fazer lutar contra tudo isso.

Posso ouvir o portão se abrindo, se fechando, e mesmo que você não esteja aqui, como o sol para iluminar minha vida, consigo sentir o mormaço da sua voz, a temperatura da sua pele, e então começo a soar saudade misturada com rancor e deixo tudo pingando no assoalho de madeira.

A vida lá fora, a que eu consigo ver, continua sem mim, ela se faz sem mim, como se pudessem me trocar por um programa ridículo da TV de domingo, como se a minha presença solitária nesse quarto pudesse ser apagada em segundos, e ninguém se lembrará de mim.

E eu continuo aqui, esparramada e confortavelmente extasiada em uma das camas, observando a vida, sentindo o tédio e o seu mormaço, pingando a saudade, e mesmo que tudo nunca volte ao normal, e mesmo que eu seja apagada de sua vida, continuarei aqui, no quarto, lutando bravamente contra minha própria coragem.



Visitem Duanny
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A Vida Continua... - por Maelo

Trague o passado sombrio e solte à fumaça na atmosfera que balança as ondas. Respire fundo o ar de um novo dia e encare-o como uma oportunidade de construir um futuro brilhante. Justo. Ético. Sustentável.



Visitem Maelo
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A Vida Continua... - por Manhosa

Recomeçar... é a vida...

Na conquista...
Todos os sentimentos atiçados...
Embarcar nos sonhos...
Viver os mistérios...
Delirar com as surpresas...
Buscar o todo... mesmo por caminhos incertos...
Voar muito alto... libertar a alma....
O coração batendo aceleradamente...

Amar.. fazendo o próprio caminho...
Sem medo... acreditando...
Se sentindo especial...
Sendo envolvida... acarinhada...
Sentindo que as estrelas brilham em razão de...

Nesta loucura de se fazer querer...
O querer... o ser... o ter... se confundem...
Misturam-se os sentimentos...
As vibrações são banhos de energias...
Os sonhos alcançam... os limites do finito...

Se...
A meta é atingida...
A felicidade é indescritível...
Mas...
Se...
Valeu pelo carinho do envolvimento...
Pelo sabor da paixão...

Recomeçarei... enquanto tiver vida...



Visitem Manhosa
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Fúnebre - por Ninguém Envolvente

O suave cântico dos espíritos amedrontados
o levam daqui, para um moinho abandonado
(sua consciência)
Você os olha, porém não os vê
eu os sinto sempre ao meu lado
eles me assustam e sempre querem ficar aqui
onde as almas se apegam e não aceitam a própria morte.
Eu não sei como ajudá-los
a não mais respirar,
eu tento duramente parar esta sensação tão morta
mas é em vão.
O cântico prossegue e o culto às almas
perdidas, continua rumo a eternidade.
E o mundo real está cada vez mais fúnebre
existem mais espíritos aqui, do que
onde realmente deveriam estar.
Espíritos decadentes que fazem você e
sua consciência correrem para
um campo mental (sanatório)
mas não adianta correr...
Eles te encontram e seguram sua vida
para todo o sempre.
Se renda ao cântico fúnebre
e encontre a luz.



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Vergílio Ferreira e a Nossa Morte - Citado por Penélope Charmosa

O que mais me intriga e dói na nossa morte, como vemos na dos outros, é que nada se perturba com ela na vida normal do mundo. Mesmo que sejas uma personagem histórica, tudo entra de novo na rotina como se nem tivesses existido. O que mais podem fazer-te é tomar nota do acontecimento e recomeçar. Quando morre um teu amigo ou conhecido, a vida continua natural como se quem existisse para morrer fosses só tu. Porque tudo converge para ti, em quem tudo existe, e assim te inquieta a certeza de que o universo morrerá contigo. Mas não morre. Repara no que acontece com a morte dos outros e ficas a saber que o universo se está nas tintas para que morras ou não. E isso é que é incompreensível - morrer tudo com a tua morte e tudo ficar perfeitamente na mesma. Tudo isto tem significado para o teu presente. Mas recua duzentos anos e verás que nada disto tem já significado.



In “Escrever”.
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A Vida Continua... - por S. Ribeiro

Ontem minha epifania foi o cansaço. A epifania é se perceber mastigado pela burocracia, pelos governos, pelo desinteresse e o barulho que todos ao meu redor depositam no silêncio que cultivei até pegar aquele ônibus que no infinito surge e da demora se destaca; ele é uma carcaça e eu, seu miolo.
Meus dias de poeta se acabam, pois o que deve ser ouvido? O que de mim merece ser dito? Eu minto? Retorno ao silêncio, que é absoluto, e certo estou que no escuro sempre entendo a tudo e todos. Por quê?
A coragem em me matar foi afogada por Deus, Ele bem sabe. E sei que dum profundo céu preciso, para esquecer a juventude que pulsa e os amores não tidos e os sonhos não construídos e as memórias puídas...
Sei que sou pouco enquanto a vida me desloca sem pedir permissão ao meu senso de direção. Enfim de um equilíbrio tolo estou vivendo, talvez só precise de uma boca em meu pescoço. Enfim de um equilíbrio tolo estou fazendo o que acho melhor e meu corpo entende: continuar a passar.



Visitem S. Ribeiro
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A Vida Continua... - por Tércio Sthal

Acenda a chama viva da esperança,
acenda a lanterna entre as sombras,
não poupe esforços, vá em frente,
vivendo a vida com plenitude;
como se fosse o único e último momento
ressuscite a criança em seu adulto vivo.
Semeie sonhos, esperanças, amor e fé,
tão intensamente quanto o pulsar do seu coração.

Se o sol não brilhar no céu,
e se as esperanças se forem,
saiba que isto não é o fim;
surgirão flertes e amores
a lembrar perfumes e cores
e, quando chover, a chuva trará,
o mais belo dos arco-íris
com o seu ajuste de cores.



Visitem Tércio Sthal
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segunda-feira, 29 de junho de 2009

Alexis Carrel (Biografia) - Enviada por Ana

Alexis Carrel (Lyon, 28 de junho de 1873 - Paris, 5 de novembro de 1944) foi um biologista francês. Estudou medicina na faculdade de Lyon e graduou-se em 1900. Depois emigrou para os Estados Unidos em 1904, onde permaneceu até 1938, data em que regressou à Europa.
Como não existiam anti-coagulantes nas transfusões sanguíneas na época, só eram possíveis mediante a ligação dos vasos do receptor aos do doador. Por essa técnica apresentada, que desenvolveu, e que permitiu as transfusões sanguíneas, Alexis Carrel recebeu o Nobel de Fisiologia ou Medicina em 1912.
Inicialmente ateu, converteu-se ao catolicismo após uma viagem a Lourdes em que testemunhou uma cura milagrosa. Foi membro da Pontifícia Academia das Ciências.
Em 1935, publicou “O Homem, Esse Desconhecido”, que foi traduzido e reeditado, transformando-se num grande sucesso mundial até a década de 50. Na obra, o leitor moderno encontra traços de eugenismo, incluindo a defesa da eutanásia de criminosos incuráveis e perigosos. Alguns trechos misóginos ou místicos podem igualmente chocar o leitor moderno desprevenido do contexto da época.
Sob o regime da França de Vichy criou a Fondation Française pour l’Etude des Problèmes Humains.
A cratera Carrel, no Mar da Tranquilidade da Lua, homenageia-o.

Obras
1935 - O Homem, Esse Desconhecido
1944 - La Prière
1950 - Réflexions sur la conduite de la vie (póstumo)
1959 - Voyage à Lourdes (póstumo)



Fonte: Wikipédia
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Trem da Infância - por Alba Vieira

Trem da minha infância tão feliz
Imaginando sua passagem nos trilhos a sorrir.
Piuí... piuí... piuí... piuí... piuí... piuí...
Na cadência do seu ritmo vinham vagões
Coloridos, levados pela Maria-fumaça imponente
E naquela nuvem que soltava se escondiam
Os personagens da minha fantasia
Bailando no ar, na dança da sequência do trem...

Hoje eu me pergunto:
É o homem que tem o olhar
Ou é o olhar que faz o homem?



Inspirado em “Trem da Alegria”, de Kalim Autuori.
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Visitem Alba Vieira
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Comentando... - por Ana

A Cela - Gostei das cores e de alguns cenários!
A Cor Púrpura - Pesado esse...
Ameríndia - Nunca nem ouvi falar...
Beethoven - Já vi dois sobre a vida de Beethoven: Minha Amada Imortal (lindo o título e bom o filme) e O Segredo de Beethoven (adoro Ed Harris, mas achei que ele não combinou muito com o músico neste filme... Talvez tenha sido mal dirigido...), mas Beethoven nem conheço.
Deus e o Diabo na Terra do Sol - Glauber é o bicho!
Gandhi - Adorei!
Hair - DEMAIS!!! DEMAIS!!!
Malcolm X - Muitíssimo bom!
O Grande Ditador - Legal.
O Homem que Virou Suco - Ouvi falar demais neste filme na época em que foi lançado, mas até hoje não vi.
O Nome da Rosa - Muito bom!!! Adorei!!!
O Piano - Belíssima história!
O Último Rei da Escócia - Chocante demais!
Outono em Nova York - Aguinha com açuquinha... Fraquinho, fraquinho...
Um Estranho no Ninho - Demais!
Tarsem Singh, Kevin Macdonald, Jane Campion, Milos Forman, Richard Attenborough, Conrado Berning, Charles Chaplin, Glauber Rocha, Spike Lee, Joan Chen, Richard Rich, Steven Spielberg, João Batista de Andrade, Milos Forman, Jean Jacques Annaud, Bernard Rose, Mahatma Gandhi
Resposta a Dúvida, de Raquel Aiuendi.
Agnieszka Holland.

Amooor! - por Duanny

Não, não me confunda com uma de suas meninas, você sabia muito bem o que eu queria. Porque me parece que fica tão feliz em me ver magoada? Sabe, odeio quando tenta me controlar.
Odeio quando reclama.
Odeio quando você fala.
Odeio quando você respira.
Odeio te amar.
Sei que sou estupidamente capaz se ser muito mais do que você imaginou, dizer que não sou seu modelinho não tem mais tanta graça, não existe um modelinho.
Se exige tanto assim de mim é porque quer uma garota perfeita, então porque não compra uma Barbie? Não fala, é articulada, linda e não pensa.
Sei que você nunca se importou com o que eu sinto, sei que para você sou e sempre fui um número. Mas o que me dói é você saber e ignorar esse meu amor, odeio ter que te odiar dessa maneira, mas é minha única escapatória, meu único refúgio, a última rota de fuga e vergonha que me sobrou.
Se não posso ter seu amor comigo, que alguém seja feliz com ele, já que o meu ficará para sempre com você.



Visitem Duanny
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Duelando Manchetes II: Eutanásia - por Ninguém Envolvente

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MÉDICOS QUE MATAM


Infelizmente, algumas pessoas de má sorte ficam em coma vegetativo por muitos anos e a família sofre junto com o paciente que mesmo estando meio fora de órbita também está em uma situação nada confortável. Até onde nos cabe o direito de decidir pela vida de outro, quando o outro não tem defesa e não pode dizer suas vontades?
Até onde vai o nosso poder de escolher se quer ou não morrer? Temos o direito de ter eutanásia? Eutanásia seria um suicídio e um assassinato.
O fardo de estar em uma cama de hospital eternamente parece denso demais e é, mas a quem cabe o direito de decidir o quanto suportamos?
O que se pode esperar de um médico, sujeito que deveria acima de tudo preservar a vida e fazê-la melhor, o que esperar de uma pessoa dessas que fez um juramento e deveria ter a honra de prolongar uma sobrevida mais confortável?
Como fica a cabeça de um médico após compartilhar de um assassinato (eutanásia)? Temo pela segurança pública de todos e a cada dia sinto menos prazer em dizer que quero ser médica. Sinto vergonha em dizer que pretendo ser médica, sinto nojo da classe que aceita tamanha monstruosidade. A diferença entre um médico destes que compactua com a ideia de eutanásia e a de um bandido do Bangu é que o primeiro tem um diploma. Posso ser a criatura mais sombria de que vocês já tiveram notícia, mas jamais mataria uma pessoa mesmo que com o consentimento dela. Não é religião ou Deus. Sou muito otimista com a ciência, muito mesmo. Hoje a pessoa está em coma irreversível e nada pode ser feito e somente um milagre a tiraria de lá, mas hoje é hoje e a ciência avança muito e progride com sucesso, acredito muito nas células-tronco este é o milagre pelo qual esperamos, basta ter fé e crer mais no que está por vir.



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Perdido - por Passa-Tempo

Me perco nas letras que escrevo,
Palavras de amor ditas em vão? Talvez.
Talvez sim, talvez não,
A dúvida do talvez é a certeza que tenho agora,
Esse agora presente que um dia se tornará passado, que com a mesma dúvida estará abraçado.

Por que se palavras ditas ao luar,
Em homenagem ao nada idealizador que está ao meu redor, não te despertar os sentimentos,
De que valerão meus lamentos,
Ideias e pensamentos?

O vácuo desse universo abafado,
Com certeza não está ao meu agrado nem para lamentar das coisas perdidas que não tive, nem daquelas que desejo ter.

A vida é passageira e passando todos nós estamos,
Vagando sem direção, sem rumo, sem ação, apenas andando e se perdendo,
E assim me perco nas coisas que escrevo.
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Chinelos, um Pulo para o Amor (Parte II) - por vestivermelho

Depois do primeiro encontro, nosso romance se tornou algo tão forte que nunca imaginei existir.
Pensei em ligar para ele, pois estava com saudades, quando peguei o celular na mão, ele tocou.
- Oi!
Era ele.
- Oi amor! Pensei em te ligar e você ligou.
- Eu estava com vontade de dizer que te amo.
- Eu também
- EU TE AMOOOOOOO!
- TE AMOOOOOOO!
- Vamos jantar juntos?
- Sim! Que horas?
- Oito horas.
- Te encontro às oito.
Comemos comida japonesa. Eu adorei vê-lo comer com palitinhos. O jantar estava divino, depois caminhamos até o meu apartamento e ele falou:
- Não vou entrar, minha linda, tenho que terminar de escrever.
- Certo! Posso te ver amanhã à noite? Estou ansiosa para ler o que você está escrevendo.
- Assim que eu chegar em casa, te ligo.
Nos beijamos com carinho e ele saiu andando. Eu fiquei olhando e pensando, até ele desaparecer na rua: “Amo tudo nele. O seu modo de andar, parar, sorrir, falar, amo até seu mau humor.” Ele sempre está de bem com a vida, mas fica furioso quando vê algo errado.
Ele acenou ao virar a esquina e eu entrei.
Nossas vidas estavam traçadas, nem tinha mais como sair.
Chegou o dia dos namorados e eu fiquei superagitada, pois queria dar um presente para ele guardar para sempre.
Procurei em todas as lojas, mas não encontrava o presente ideal, então tive uma ideia: procurei um antigo ouvires, que era muito conhecido por executar lindos brincos, pulseiras, anéis. Um profissional caprichoso, que fazia tudo com gosto apurado. Mostrei o desenho de um chinelo de tiras, pois estava certa que ele iria amar esse presente.
Então falei:
- Eu quero um pingente e uma corrente.
- Sim! Mas o pingente é pequeno ou grande?
- Pequeno.
- Em três dias estará pronto.
- Está certo. Quando me custará?
Acertado o preço, saí satisfeita com o presente escolhido. Depois procurei uma linda caixa de presentes para o pingente; eu tinha visto umas lindas e escolhi uma com um lindo coração vermelho.
Eu embrulhei o presente e o pacote ficou lindíssimo, depois guardei na bolsa, pois queria fazer surpresa para ele no dia dos namorados.
Logo cedo, ele me ligou marcando um encontro.
- Oi, minha gata linda! Te encontro à noite na lanchonete do clube.
- Estarei te esperando, mas não se atrasa.
- Beijos, minha linda. Fica tranquila que chegarei cedo.
- Beijos, lindo. Te amo!
- Também te amo.
Ele chegou, eu olhei e fiquei frustrada, pois não trazia nada nas mãos, nem uma rosinha, mesmo assim pensei: “Eu comprei o presente para ele e vou dar para ele.”
Coloquei a mão na bolsa e tirei o coração. No mesmo momento ele tirou algo do bolso.
Caímos numa gargalhada, eram dois corações idênticos.
Abri o meu presente e tive uma surpresa.
- Que lindo!
Ele ficou olhando minha felicidade e me admirando com a caixinha na mão e eu falei:
- Abre o seu presente! Estou curiosa para saber se vai gostar.
- Muito lindo! Agora tenho duas jóias e a que mais brilha é você.
Dei um longo abraço nele apertando e um longo beijo, segurando o chinelinho de ouro com uma linda corrente. O chinelinho dele um pouco maior e o meu menor, mas eram idênticos.
- Minha linda, por isso que quando mandei o ourives fazer o chinelinho, ele sorriu.
- Sabe que ele nem pediu detalhes, apenas olhou o desenho e nem perguntou nada, somente o fez.
Nós ficamos noivos com os chinelinhos nos pescoços.



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domingo, 28 de junho de 2009

Viagem da Viagem de Quase Lua de Mel - por Bruno D’Almeida

Olhando para o teto da cama, Daniel Limeira relembrou o momento em que encontrou uma pessoa do passado na rua. Foram cinco intermináveis segundos até o sinal abrir. E ele lembrou mais ainda, mais do que gostaria. Aquela mulher recebeu a maior declaração de amor que ele fora capaz de fazer. Mas é o seguinte: essa história não tem final feliz. Tem certeza de que precisa relembrar? Daniel mandou seu anjo-diabo da guarda calar a boca.

Primeira viagem dos noivos. Ela dá a ideia de colocarem as alianças na mão esquerda e fazerem de conta de que já são casados assim que entrassem no avião. Ele obedece prontamente, mas tem uma ideia melhor. Vai ao banheiro, escreve um bilhete para o comandante do voo:
Esta é a lua de mel de Daniel e Maria Rita. Por favor anuncie boas-vindas para nós.

Pronto, só bastava isso. Entraram com as alianças na mão esquerda. Atrás de Rita, Daniel entregou o bilhete à aeromoça, que recebe o papel desconfiada, provavelmente achando que se tratava de algum terrorista. Devidamente acomodados no Boing 737 da Varig, começam a tirar as fotos de recordação ali mesmo. Chega a comissária de bordo com cara de poucos amigos. Meus senhores, disse ela, devido a um overbooking, houve duplicidade na venda de assentos. Os senhores precisam se levantar imediatamente.

Barraco. Não sabia que uma moça tão fina e requintada, moradora da Ladeira da Barra, pudesse falar aquela quantidade de palavrões. Aprendi alguns, inclusive. Criatura ignóbil. Sacripanta. Levantamos, ela furiosa batendo os tamancos atrás da aeromoça, que ia dizendo minha senhora, tenha calma, isso acontece, mas não se preocupe, vamos fazer o possível para resolver este problema. O que estou tentando dizer aos senhores é que seus lugares foram devidamente transferidos… para a primeira classe.

Ritinha não sabia se morria de vergonha pelo barraco ou pela alegria da surpresa. Suplicou duzentos e noventa e quatro pedidos de desculpas para uma comissária que, pelo visto, não aceitou nenhuma delas e saiu com cara de quem ajuda todo mundo e só recebe coice. Ao sentarem naquela poltrona azul grande, confortável e imponente, o comandante falou pelo microfone: senhoras e senhores, este é o voo 7257 de Salvador com destino a Fortaleza. Dia lindo de sol. Eu sou comandante Rodrigo Lopes, desejo a todos uma boa viagem. Gostaria de parabenizar o casal Daniel e Maria Rita pela lua de mel. Faremos o possível para tornar este momento inesquecível.

Nem sabia que um avião podia servir champanha em taças de cristal. Mas era verdade. Era verdade também o prato de costeletas de cordeiro com creme de maracujá. De dez em dez minutos, o comandante felicitava o casal. Maria Rita já havia acabado com todos os lenços de papel de tanto chorar. Até mesmo na hora de avisar que o avião daria voltas em loop por quinze minutos antes de começar a aterrissagem, por conta de uma chuva forte de verão, ele felicitou o casal. Desceram. Chegaram. Foi tudo lindo, cinco dias de felicidade. Comemoraram intensamente um matrimônio que nunca existiu de verdade. Acabou sem nunca ter sido.

Daniel acendeu a luz, pegou a agenda de telefones, leu um número que lembrou ter decorado uma vez e ligou. Enquanto chamava, pensava em todas as besteiras que fizeram depois, tanta imaturidade que desfizeram uma história sem fim ter fim. Ela atendeu. Ele não teve coragem de falar. Ela também não disse nada. Sabiam exatamente quem estava do outro lado da linha. Desligaram. O simples fato de jurarmos esquecimento perpétuo de uma lembrança demonstra nossa incapacidade de esquecê-la. Ele apagou a luz, mas manteve seus pensamentos acesos por toda a madrugada.



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As Nossas Histórias XIII

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AFLIÇÃO


Hoje o dia é de aflição... acordei assim.
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Separação - por Alba Vieira

Eu não quero nossa separação. Não quero, porque ainda o amo da mesma forma. Eu não observo nenhum desgaste na nossa relação, os meus objetivos em relação à nossa vida em comum são os mesmos, eu me sinto realizada, apaixonada, plena do seu amor. O nosso sexo é tão gostoso ou mais do que antes, há o mesmo interesse, a mesma sedução, as mesmas sensações de completude e transcendência. Quero criar nossa filha junto com você. Você continua sendo tão bom pai como sempre foi. Sua companhia para nós é especial como sempre e seu papel em nossas vidas é tão imprescindível ainda... Nesses mais de sete anos de convivência, evoluímos juntos, construímos algo para nós, tivemos uma filha, queremos, de maneira geral, um futuro semelhante. O que mudou? Você diz que me ama da mesma forma, com o mesmo ardor, que a separação não diz respeito ao sentimento que temos um pelo outro. Não entendo. Não aceito. Estou sofrendo porque não fiz esta escolha que você me trouxe de forma tão repentina. O que você quer? Que eu aceite o que me justifica: que o destino o está levando para um outro lugar que é longe de mim? Que é um novo momento em sua vida do qual eu não devo participar como sua companheira? Que é imposição da vida? Que não é pessoal? A minha mente pode entender, mas meu coração se despedaça e detona meu corpo em agonia por esta separação imposta a quem ainda ama tão profundamente.



Texto cujos título e início foram utilizados para Separação - As Nossas Histórias XII.
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As Nossas Palavras XIV - por Lélia

O elogio pode parecer algo muito positivo à primeira vista, mas nem sempre é. Ele é adequado e bom quando fizemos por merecê-lo, então temos a certeza de que a pessoa está sendo sincera e justa. Mas, algumas vezes, ele surge da falsidade, da inveja e da dissimulação. Por isso temos que ter sempre a clareza de nossas atitudes, do valor de cada uma delas, a consciência de nossos atos e consequências deles. Se você tiver contato com alguém que te elogia sem motivo ou excessivamente, tente evitar esta pessoa, pois sua motivação, definitivamente, não é positiva; fuja dessas palavras amáveis e não deixe que sua vaidade impeça a percepção de que você está lidando com alguém mal-intencionado.
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Voltando aos Tempos de Escola... - por Adir Vieira

Vivo hoje a expectativa de um reencontro com minha melhor amiga de escola. Exatamente 44 anos nos separam. E foi sem querer, como se fora uma obra do destino, que a achei na internet. Desde então, há mais ou menos um ano, vimos nos falando e vendo pela web cam e, logicamente, recordando mutuamente os momentos e situações presas em nossa mente, em época tão pueril de nossas vidas.
Amanhã, depois de tanto tempo, estaremos juntas e ao vivo e a cores, nos encontraremos.
Uma coisa, no entanto, chama minha atenção nesse momento tão especial - vejo-me repetindo um tique nervoso (um pigarro na garganta) que era presente nos dias de prova, quando a ansiedade tomava conta de mim.
Já lá se vão muitos anos e muitos e muitos fatos ocorridos, cheios de momentos de tensão, expectativa ou alegria esfuziante e nunca mais esse “pigarro” apareceu sorrateiro, para me fazer pensar.
Engraçado... agora, quando o retorno do passado se faz presente, ele, o “pigarro” emoldurar a ocasião...



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De Amor em AMOR - por Alba Vieira

Aurora de sóis escaldantes
Espargindo vermelho-alaranjado no horizonte,
Aquecendo a manhã da minha existência
Você chegou eternizando aquele instante...

Inesperada explosão naquela esfera
Prateada e sombria dos meus dias,
Entrou dançando e trazendo alegria
A quem dormitava em interminável espera.

E hoje, passados tantos anos,
Duvido que exista sobre a Terra
Alma que seja só luz e primavera
Como esta que cedeu aos seus encantos.

Sigamos fortalecendo os elos radiantes;
Pelo caminho espalhando flores perfumadas;
Harmonizando, esclarecendo, sendo amparo na jornada
Dos que amamos e de qualquer outro semelhante.



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Taquilafila - por Ana

Pô, Duanny, não brinca! Fila é horrível! Detesto fila!

Vamos sentar aqui nas mesinhas do Litercafé para conversar sobre isso e veja se não tenho razão...

Paciência para esperar eu tenho de sobra, mas não para ficar sendo intimada a comentar sobre o tempo de espera, o clima, as tragédias do mundo, a política do país, ou a ouvir relatos de acontecimentos familiares, conflitos, dúvidas existenciais, tudo isso daquele jeito exclusivo de fila: tô falando já indo embora.
As pessoas falam por falar, provavelmente porque não aguentam o próprio silêncio. E falam olhando para todos os lados, não se fixam no coitado que escolheram pra pinico, parece que estes faladores de fila compulsivos (FFC’s) são todos médiuns: vivem acompanhados de espíritos e ficam falando com os encostos que estão por todos os lados enquanto fingem que falam com você.
E quando estão na fila do banco para pagar contas atrasadas e resolvem justificar pra VOCÊ o não pagamento (e eu com isso...)? Os FFC’s são malucos! Você tá no seu canto, tranquilo, na boa, tentando ler um livro ou pensando na sua vida, e os doidos te chamam pra dizer que as contas deles estão atrasadas, te mostram os boletos (!!!!) e começam a desfiar um monte de histórias familiares mirabolantes ou contar sobre a falta de pagamento dos seus salários para justificar o atraso das contas. (Como assim?!!!) Daí para começarem a falar sobre o emprego, o patrão, os filhos, todas as grandes e pequenas desgraças vividas desde a primeira encarnação, é um passo (se a fila andar).
Desconfio que existam FFC’s profissionais. Sabe aquelas pessoas que ficam no início da fila deixando todo mundo passar enquanto, na maior animação e sem pressa nenhuma, falam alto conversando com o banco inteiro, como se estivessem num palco? Pois é, são estes.
Há, também, os FFC’s emocionais. São aquelas donas de casa que sorriem, felizes, quando dão aquela paradinha para entrar numa das filas do supermercado. Ato contínuo, começam a falar sobre preços, descontos, supermercados concorrentes, filhos, netos, cunhados, sogras, noras, cachorros, papagaios e tartarugas até serem atendidas. Quando isto acontece, pode notar que elas desabam, murcham, perdem o brilho e saem da fila cabisbaixas, deprimidas mesmo...
E esta última categoria se divide em dois tipos distintos: os conformados e os totalmente inconvenientes. Os primeiros são estes que falam com você apenas enquanto estão na fila e ficam tristes quando saem dela. Os segundos são os inconformados: puxam assunto com a pessoa de trás porque depois de atendidos continuam conversando com o infeliz, esperam ele sair da fila e o acompanham pelo supermercado, falando pelos cotovelos, como se fossem amigos de longa data. Fazem perguntas pessoais, tipo: onde você mora, é casado, quantos filhos tem, onde trabalha, pedem seu telefone, ficam na fila do caixa com você, te ajudam a embalar as suas compras e, se você não conseguir se livrar deles num momento em que parem para respirar, corre o risco de irem com você até sua casa “porque moram pertinho”...
Ou seja, a fila é multifuncional: pode ser divã, pinico, palco, local para fazer amizades, além de muitas outras coisas... Porque não falei dos que entram na fila para azarar, dos que ficam quietos durante horas e vão embora de repente sem serem atendidos e dos possíveis ouvintes de fila compulsivos (OFC’s). Mas estes ficam para outra vez...
E agora vou indo, pois tenho que ir ao banco enfrentar uma fila.
Beijo!



Resposta a “A Fila”, de Duanny.
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Há um Amor - por Passa-Tempo

Há um amor maior que tudo nessa vida,
É aquele amor que nos faz acreditar que tudo é possível,
Que nos dá forças para enfrentar qualquer dificuldade, qualquer distância,
Um tipo de amor que nos dá a mais pura alegria, que nos faz reviver a infância.

Há um amor que só quem sente sabe o que é,
Um amor diferente de qualquer outro,
Os sonhos de menina com os desejos de mulher,
Amor que nos alimenta e nos satisfaz, que nos mostra que a vida não é apenas uma passagem, e sim uma viagem para encontrá-lo.

Há um amor lindo e puro,
Um tipo de amor idoso, sem preocupações, escondido no interior de algum lugar tumultuado;

Há esse amor, o amor que eu quero,
O amor desejado e querido,
O amor que acende a vontade de sorrir pelas manhãs nos sonhos de sua silhueta distante.

A esse amor deixo minha promessa para nosso futuro:
Eu te amo.
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sábado, 27 de junho de 2009

Memórias de um Seminarista (Parte XI) - por Paulo Chinelate

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AS FÉRIAS SE APROXIMAM


O ano, ainda para mim cheio de novidades, passou rápido. Papai e mamãe se revezam nas cartas. Estranhei no começo que a correspondência era-nos entregue aberta. Soube que o reitor faz isso para evitar que remetentes mal intencionados busquem minar as vocações religiosas ainda florescentes. A cada missiva a dor da saudade é revivida. Ainda que imerso em ambiente onde todas as necessidades são supridas, eram fortes as lembranças da meninice lá em casa sem compromissos muito sérios senão das brincadeiras de bolinhas de gude, soltar pipas com a carretilha que vovô João construíra para mim, as piculas e brincadeiras de roda. Embora recordasse que eventualmente tinha obrigações proporcionais à meninice: levar o almoço do papai e vender o jornal na porta da igreja, com certeza era muito mais branda do que levantar às seis da manhã e enfrentar as obrigações pertinentes a um internato.
As notícias de lá também não estão muito alvissareiras. Mamãe está acometida de mal nos rins. Minha irmã Conceição, mais nova que eu, está incumbida de cuidar dos manos mais novos. Papai conseguiu um emprego de carteiro nos Correios e Telégrafos por conta de ter sido pracinha na Segunda Guerra lá na Itália, ex-combatente que fora. Nas horas de folga continua costurando para suprir as necessidades da casa.
É com este quadro que tenho que decidir rapidamente o que fazer. As férias de dezembro estão próximas. Serão trinta dias em casa. Tenho que escrever para papai a fim de que venha me buscar e trazer de volta. O prazo para isso é curto. Os correios levam dias para as trocas de correspondência. No entanto não levei muito tempo para deliberar a dolorosa a decisão: não iria de férias. Com isso, papai, em novo emprego, não precisaria se ausentar nem tampouco arcar com as despesas de viagem. E pronto.
Ao invés de escrever que não ia de férias, omiti-lhes que elas existiam. E fiquei junto com uns vinte colegas, dos cento e tantos existentes, sem viajar às nossas terras natais.
Se por um lado eu e os colegas ficantes não pudemos gozar as delícias do ninho familiar, nossos superiores compensaram-nos com uma grande surpresa: iríamos passar as férias na cidade do Rio de Janeiro, capital da Guanabara.
Os preparativos para tal empreendimento se fizeram necessários.
Arrumei pequeno enxoval conforme indicação dos superiores e partimos de ônibus pertencente ao Colégio Marista São José do Rio onde ficamos alojados.
Tudo novidade para mim: o cheiro do mangue, logo que entramos na grande planície da baixada de Duque de Caxias bem como o burburinho de uma grande capital.
Estamos hospedados no grande Internato São José, na Rua Conde de Bonfim, na Tijuca.
Não sei o que me acometeu. Estou espirrando muito desde que cheguei.
A noite está péssima. Os espirros foram intermitentes.
O dia de amanhã promete. Vamos escalar o Pico da Tijuca, o maior da cidade.
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As Nossas Palavras XIII - por Lélia

Os homens que têm ideias realmente inovadoras podem ser responsáveis por mudanças importantes em nossa civilização tão decadente. Eles fazem diferença, é verdade, mas, muitas vezes, suas inovações (mesmo voltadas para o bem) são utilizadas de forma negativa por aqueles que só têm em mente aumentar seus lucros explorando as vontades que vêm do lado negro do ser humano. Antigamente, muita gente dizia: “Pare o mundo que eu quero descer!”, agora não se ouve mais isso com tanta frequência porque todos já sabem que a humanidade está com os dias contados, o mundo vai parar em breve mesmo e cumprir a ordem de despejo dada pela Terra, expulsando da face do planeta, de uma vez por todas, este predador voraz que, com suas inovações de burro progresso desenfreado, determina a própria expulsão.
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As Nossas Palavras XII - por Lélia

Você sempre vinha com perguntas indiscretas. Todas as vezes eu te dava respostas curtas, tipo: sim, não, nunca, talvez. Mas você insistia e não parava de me atentar. Por isso, peste, risquei você do meu caderninho de uma vez por todas. Por quê? Ninguém aguentaria, como eu, tamanha encheção de saco! Vai conversar com teu cachorro! Ele vai te aturar mais tempo que qualquer humano, pois a diferença de linguagens vai proteger o coitado e dar a você a falsa impressão de estar sendo ouvido. Mas, por favor... não aprenda a latir!
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Luarormônio - por Alba Vieira

Quando ela reina no céu absoluta,
Enviando seus raios prateados ao mundo,
Traz um quê de assanhamento aos corações.
Deixa no ar , nas pessoas, sentimento profundo.
É ter o sentido aguçado para o outro,
Uma vontade enorme de agarrar,
É o beijo que anda à solta, faminto,
A busca incessante do relacionar.

A cabeça zonzeia , está nas nuvens,
Hipersensibilidade no olhar,
Tudo parece tão imenso e passageiro,
É coisa de arrepiar e endoidar.
Nada faz sentido e, ao mesmo tempo,
É só gravidade no que pintar.
Faz-se tempestade de chuvisco,
Melhor mesmo é deixar passar...

Apesar de toda essa barafunda na mente,
O que se sente, não se pode deletar.
Porque o sentimento, esse é transparente,
Sob os auspícios do astro argênteo no ar.
É lindo olhar no céu quando ela é plena,
Pois explodindo de carinho vou estar,
Só resta encontrar alguém que queira,
Uivar junto, a noite inteira, à beira-mar.



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Reflexão - por Roger Amado

A verdade é que nenhum homem morre,
os homens são todos assassinados,
por outros homens ou por eles mesmos…
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sexta-feira, 26 de junho de 2009

Desconfiança - Imagem Enviada por Marcelo Ferla

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A intenção de postar imagens neste blog
é propiciar inspiração para textos referentes a elas.
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Fonte: Eclisse
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Drogas: a Opção Equivocada para Lidar com a Dor de Encarar a Si Mesmo - por Alba Vieira

As drogas são tão antigas quanto a humanidade, sendo usadas com fins religiosos na Antiguidade e nos ritos de passagem, em tribos primitivas, eram utilizadas certas substâncias que alteravam a consciência. Ópio, haxixe, cogumelos, LSD etc. se sucederam, ao longo do tempo, em várias sociedades.
Os problemas com drogas abarcam uma enorme variável, com relação à diversidade não só das substâncias utilizadas que causam efeitos deletérios no corpo e mente, mas ainda com respeito às suas consequências nos âmbitos pessoal, familiar, social, econômico, político e espiritual.
É um assunto extremamente complexo e polêmico.
As drogas mais usadas variam em cada sociedade e vêm mudando através do tempo. Há as drogas lícitas e as proibidas em cada contexto analisado.
O que existe em comum com relação a todas elas é a necessidade que o usuário tem de buscar alívio através da alteração da percepção da realidade, ou seja, fugir de algo que causa dor. Tanto as drogas usadas com efeito medicamentoso quanto as utilizadas para outros fins aí se encaixam (hipnóticos, psicoanalépticos, analgésicos, alucinógenos).
Em nosso meio destacam-se o álcool, tabaco e a cola de sapateiro como as mais usadas. Entre as mais devastadoras cresce o uso do crack, acompanhando cocaína, heroína, maconha, ecstasy e muitas outras.
A drogadição é uma doença e como tal deve ser encarada, sendo difíceis e bastante complexos a abordagem e o tratamento do dependente químico. É preciso tratar a família e o contexto social conjuntamente, para que haja a recuperação. A repressão, além de não resolver o problema com as drogas, ainda estimula o comércio que enriquece tantos com a destruição da vida de tantos mais.
Há um perfil de vulnerabilidade às drogas e ao álcool. A personalidade do dependente tem características específicas que incluem tendência à fantasia, baixa autoestima, isolamento, sensibilidade exagerada e insegurança. Geralmente se consideram estranhos a este mundo, não sabendo lidar com ele, com a dura realidade, tendo grande dificuldade nos relacionamentos de vários tipos.
Com esta predisposição, que já vem expressa na personalidade e pode ser detectada de várias maneiras, em momentos cruciais da vida, a pessoa pode se tornar adicta e trilhar um caminho desastroso com difícil reabilitação e tendência a recaídas. O tratamento deveria focar a reabilitação do ser, isto é, tratar o que está por trás do vício, o sofrimento profundo.
No que tange à Astrologia, uma abordagem dos dependentes químicos no sentido de detectar os pontos vulneráveis e promover o autoconhecimento permite que haja maior autoaceitação e elevação da autoestima com facilitação dos relacionamentos em vários âmbitos. Na análise do mapa natal de drogadictos são frequentemente encontrados aspectos difíceis dos planetas pessoais (Sol, Lua, Mercúrio, Marte, Vênus) com os transpessoais Urano, Netuno e Plutão, além de outras características importantes. O estudo de cada mapa com terapia focada no mesmo pode ser de grande ajuda no tratamento e reintegração social. É importante detectar as energias presentes naquele indivíduo e orientá-lo a direcioná-las de outras formas. A Astrologia pode ser, ainda, utilizada na prevenção, sendo feita uma análise prévia para evitar que determinado indivíduo torne-se vítima das drogas. Assim, por exemplo, uma pessoa com Netuno forte e mal aspectado no mapa natal, deve ser estimulada a direcionar esta energia talvez através da arte (música, pintura, cinema, teatro), evitando que utilize a tendência ao sonho e fantasia ou a vitimizar-se, buscando alívio no álcool ou nas drogas para seus problemas. Outra consideração que pode ser feita, principalmente em relação ao alcoolismo, uma vez que Netuno mostra tendência à dissolução do ego, é a possibilidade de possessão da pessoa predisposta por energias ávidas de saciar o desejo por álcool, que se concentram nas proximidades de bares, explicando a dificuldade desta pessoa para manter-se abstêmia fora de casa.
Através do incentivo ao autoconhecimento, os dependentes químicos serão encorajados a reconhecer seus pontos frágeis, aprendendo a lidar com eles e superá-los, desenvolvendo aos poucos maior capacidade de encarar a realidade ao invés de fugirem dela, tornando-se capazes de constituir relacionamentos mais satisfatórios.
O tratamento da drogadição não pode se limitar a combater o vício e tratar o corpo. A reabilitação, com reintegração à família e à sociedade passa pela cura da dor primordial, a fragilidade do ser.



Texto participante da blogagem coletiva “A Polêmica das Drogas, Hoje!”.
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Trem Duelos Literários - por Clarice A.

Shintoni tem a concessão da linha
A Kalim mandou o trem
Colorido e florido
Bonito como convém
Ana, é coisa impossível
Despejá-la desse trem
Você é a maquinista mais antiga
E guia como ninguém
Nele somos passageiros
E já somos mais de cem
Contos, crônicas, biografias
Poesias, provérbios, haikais
Acrósticos, epitáfios, embates
E tudo na maior paz
Nosso trem não é um Orient Express
Mas feio também não faz
Tem música e Litercafé
Duélogos e charadas
Indicações de filmes e livros
Links, imagens postadas
Despertando ideias inspiradas
Nosso trem tem passageiros cativos
Alguns fazem baldeação
Vão para outros lugares
E retornam na próxima estação
E, traço comum a todos
Seu apreço às palavras
Através das quais expressam
Das mais variadas formas
O que querem partilhar
Observações, percepções, sentimentos
Alguns a alma a desnudar
E se quiser embarcar
Não faça cerimônia não
Trem Duelos Literários
Êta trem bão!



Referências: As Nossas Palavras VI, de Ana; Trem da Alegria, de Kalim Autuori.
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Corte Eterno - por Manassés Diego

Chato ou hino da tua glória

Um disco girando na natureza
.............Corpo
Alcançar o sangrento
Logo ser perfurado pela colina da visão
Ser lançado em pedaços e dizer “Estar chegando”

Dizia um monte de voz
No inferno livre ou crime

Sem nenhum interesse;

Ensina-nos teus corpos,
Transforma em feltro teu esperma

Viga, vigia tua cabeça
E nos livra dos cabelos

Come
Me come
Destila tuas fantasias e nos faz parir

Semblante e tragédia

Suspeita de nós que rimos aos poucos

Desiste de nós e nos encaixa numa fábrica.

Sobrevive aos créditos dos celulares

Queima,
E desfalece nossos órgãos

Tritura tua camada

substitui-nos por amantes

Joga uma iluminação na minha cara

Estabilizadores de alma, para não queimarmos
Com a eletricidade
Com a falta de voltagem do viver

Chove na sabotagem, mas na minha.

Quando acabou todos os desenhos que fiz no chão

Desesperadamente pendurado,
Furou

Rodelas piscando
E jantas

Câmeras da noite,
Da cidade dor

Alto, até que se pode ver através dos muros

Como empilhamento de dor
.................No estoque da Afrodite.
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17° colocado no Concurso Nacional Poesiarte 2009 - RJ
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Friedrich Nietzsche: o Livre-arbítrio não Existe - Citado por Penélope Charmosa

Contemplando uma cascata, acreditamos ver nas inúmeras ondulações, serpenteares, quebras de ondas, liberdade da vontade e capricho; mas tudo é necessidade, cada movimento pode ser calculado matematicamente. O mesmo acontece com as ações humanas; poder-se-ia calcular antecipadamente cada ação, caso se fosse onisciente, e, da mesma maneira, cada progresso do conhecimento, cada erro, cada maldade. O homem, agindo ele próprio, tem a ilusão, é verdade, do livre-arbítrio; se por um instante a roda do mundo parasse e houvesse uma inteligência calculadora onisciente para aproveitar essa pausa, ela poderia continuar a calcular o futuro de cada ser até aos tempos mais distantes e marcar cada rasto por onde essa roda a partir de então passaria. A ilusão sobre si mesmo do homem atuante, a convicção do seu livre-arbítrio, pertence igualmente a esse mecanismo, que é objeto de cálculo.



In “Humano, Demasiado Humano”.
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Reflexão - por Roger Amado

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Os homens são iguais, seus direitos é que não são respeitados.
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quinta-feira, 25 de junho de 2009

Te Agradeço - por Gio

Sabe, eu me flagrei pensando em nós dois. Sim... nós dois. Não esperava que fosse ouvir isso logo agora, né? Pois é, nem eu esperava estar pensando na gente. Não agora.. não nesse momento da minha vida. É, quando o presente corre bem, e o futuro parece estruturado, vem o passado e passa uma rasteira nos dois.

Engraçado como o tempo é um abismo para a dor, e é apenas um instante para um sentimento guardado. A paixão do nosso tempo veio à tona, como se fosse ontem - só que esse ontem já dura 2 anos. Dois anos que se passaram, e não se passaram em branco. Algumas bocas já passaram por essa boca que foi tua. Algumas paixões cavaram seu lugarzinho, em um espaço que foi só teu. Mas algo está lá, presente, e eu não sei como, vez em quando volta a incomodar.

O amor deixa marcas. Marcas profundas, mais profundas que as de suas unhas vermelhas. E por isso eu tenho essa recaídas ocasionais. Por isso, por vezes, me lembro do seu rosto colado com o meu, como algum tipo estranho de siameses, que nem nasceram no mesmo dia. É.. continuo delirando demais.

Mas estou aqui só pra te dizer que tive sim, uma recaída, mas que não passou disso. Mais que isso, estou aqui pra te agradecer - isso mesmo, te agradecer - por ter me tirado desse lapso, mesmo que sem saber! Como você fez isso? Simplesmente sendo você mesma!

Te agradeço por continuar com esse jeito mudado, que ficou em você depois que terminamos. Porque continua vivendo na vida, quebrando seus próprios valores. Te agradeço por me mostrar sua verdadeira face, para que eu não me engane mais, não me iluda mais. Te agradeço por não ser mais a pessoa por quem me apaixonei, e depois amei, e ter virado esse ser confuso, do qual eu quero distância. Talvez assim - e só assim - eu consiga enxergar que é melhor manter distância.

Não quero o seu mal. Não me leve a mal. Mal ou bem, bem ou mal, estamos no mesmo barco. Mas, mesmo assim, tomamos rumos diferentes. Nossa ligação não vai sumir, só quero garantir que ela não se estreite demais. E você continua cumprindo seu papel, para que eu não caia na asneira de fazer tudo de novo. Talvez um dia isso mude, talvez você volte a ser a pessoa que, ao menos, dizia ser. Mas até lá, espero estar bem preso em outro porto (ou, ao menos, tenha olhar bastante pra saber se isso não é outra miragem).

Enquanto isso, te agradeço por me fazer orgulhar cada vez mais da escolha que eu não fiz...



Visitem Gio
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Violeta Parra dá “Gracias a la Vida” - por Escrevinhadora

Gracias a la vida, que me ha dado tanto
Me dió dos luceros que cuando los abro
Perfecto distingo lo negro del blanco
Y en alto cielo su fondo estrellado
Y en las multitudes el hombre que yo amo

Gracias a la vida, que me ha dado tanto
Me ha dado el oído, que en todo su ancho
Traba noche y dia grillos y canarios
Martirios, turbinas, ladridos, chubascos
Y la voz tan tierna de mi bien amado

Gracias a la vida, que me ha dado tanto
Me ha dado el sonido y el abecedario
Con él las palabras que pienso y declaro
Madre, amigo, hermano y luz alumbrando
La ruta del alma del que estoy amando

Gracias a la vida,que me ha dado tanto
Me ha dado la marcha de mis pies cansados
Con ellos anduve ciudades y charcos
Playas y desiertos, montañas y llanos
Y la casa tuya, tu calle y tu patio

Gracias a la vida, que me ha dado tanto
Me dió el corazón que agita su marco
Cuando miro el fruto del cerebro humano
Cuando miro el bueno tan lejos del malo
Cuando miro el fondo de tus ojos claros

Gracias a la vida, que me ha dado tanto
Me ha dado la risa y me ha dado el llanto
Así yo distingo dicha de quebranto
Los dos materiales que forman mi canto
Y el canto de ustedes que es el mismo canto
Y el canto de todos que es mi proprio canto
Gracias a la vida
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Que interessante! Se alguém me perguntasse qual a música da minha vida, acho que também não saberia responder. Foram tantas canções importantes, marcando os mais diversos acontecimentos: uma paixão aqui, uma tristeza ali.
Se tivesse mesmo que escolher, seja pela variedade das músicas, seja pelos momentos tão maravilhosos que a vida me proporcionou, acho que elegeria “Gracias a la vida”, de Violeta Parra.
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Resposta a “A Música de Minha Vida”, de Adir Vieira.
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Haikai - por Alba Vieira

Ser mesquinho é
Abocanhar da Vida
Só as migalhas.

Abundância é
Abrir-se e mergulhar
Na imensidão.

O insólito,
Se frequente, vira
Ordem natural.



Visitem Alba Vieira
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Doce para Todos - por Escrevinhadora

A Ana e o Gio trocaram doces
como se este blog fosse vitrine de confeitaria
fiquei de lado, babando
confesso, eu também queria.

Mas quindim não é bom pra mim
porque é feito com muito ovo
e opereta também não me tenta
por causa do chocolate.
Dizem alguns especialistas que são
alimentos nocivos
que aumentam pra dedéu
o colesterol do povo.

Imagino que a Raquel, que o Bruno e o Chinelate
bem como o Leo e a Fatinha
também ficaram querendo.

O que fazer, eu pensei?
Já sei, vou entrar na cozinha
me saio melhor com os salgados
mas com um pouco de esforço
posso fazer bom-bocado,
seguindo direitinho a receita
a coisa pode ser feita.

Bato os ovos com açúcar
junto leite, fermento, farinha
mais coco e queijo ralados
misturo bem misturado
e em forma untada com manteiga
despejo com todo cuidado
no forno pré-aquecido asso até ficar dourado
e pra finalizar um enfeite:
canela e açúcar polvilhados.

A iguaria estando pronta
convido a todos no chat
pra entrar e vir tomar chá
e ninguém precisa pagar
é tudo por minha conta.



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Reflexão - por Roger Amado

A arte, o talento, não dependem muito
mais do cérebro quanto do coração;
é algo que brota dentro do indivíduo,
que nasce nele, que está além de seus desejos,
é algo que aflora enormemente.
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Estou Lendo... - por Alba Vieira

A Terapia da Reencarnação, de Harald Wiesendanger.



E você? Que livro está lendo?
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quarta-feira, 24 de junho de 2009

Sobrenatural - por Leo Santos

As nuvens cobriram a cidade de pranto,
esse encheu as ruas de espelhos;
A lua informou às estrelas,
que desfeita a cortina,
vieram se mirar…

A incerteza turbou sentimentos,
lágrimas marcaram a passarela;
A própria amada disse “ Estou fora”,
a concorrência abriu as janelas.

Aparentes semelhanças podem confundir,
diferentes moléstias, tratamento desigual;
A natureza segue lá seus ciclos,
mas o amor, é sobrenatural.

Esse não se inclina ao sopro do vento,
nem enche com o subir da maré;
Tampouco vira co’as fases da lua,
ou se a isso sucumbe, amor não é.



Visitem Leo Santos
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As Nossas Palavras VI - por Ana

Ai, lá vou eu de novo...
Esse troço me põe medo...
Ter que encaixar as palavras...
Qualquer dia me escafedo...

Hoje eu tenho estas:
Impossíveis pacífica ser
Conseguidas teimosia
Podem coisas
. O que vai ser?

Quadrinhas quase impossíveis
Saem do cérebro à força,
Não fluem de jeito nenhum,
Por mais que a mente contorça.

Eu me sinto estrangulada...
Presa entre sete paredes...
E a teimosia me mantém
Entre as malhas destas redes...

Que convivência pacífica!
Com As Nossas Palavras? É nunca!
Espremo os meus neurônios
E tudo, por pouco, não trunca!

Vocês podem achar fácil...
Tem gente que faz coisas lindas!
Kbça, Clarice, Ribeiro, Gio...
Mas não cheguei lá ainda!

Isso de criar é estranho,
Às vezes é meio complicado...
Assim é andar sobre trilhos,
Caminho meio traçado...

Vou perseguindo as palavras,
Teclando sentido até elas,
Maquinista meio-ofício
Em locomotiva a manivela.

Eu vou ser é despejada
Do Duelos, vejam bem!
Qualquer dia eu vou ler:
“Joguem a Ana deste trem!”

Mas, please, eu peço clemência
E digo, desenxabida,
Que estas quadrinhas me foram
Duramente conseguidas...

Mas eu não devia abusar...
Depois vou danar a ganir
Quando ler nos comentários:
“É melhor cê desistir!”

E vou ter que dar razão
A estes autênticos dedos.
Deixarei a vós as palavras,
Partirei pro meu degredo

Até meio aliviada,
Seguirei pra outras paragens...
Continuarei escrevendo
De outras formas, tantas bobagens...
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Corporificando as Transformações - por Alba Vieira

Enquanto me ocupava das tarefas diárias, deixando a mente aberta para quaisquer pensamentos, me ocorreu uma ideia bem interessante. Gostaria de escrever uma carta para mim mesma, como se fosse, agora, inevitável, um confronto definitivo com minha verdade. Não a verdade absoluta, a essência, o que gera todas as coisas. Mas, pelo menos, a verdade atual, como uma tomada de consciência, uma avaliação, como aquelas que se fazem no meio dos cursos para averiguar o aproveitamento.
Imagens então surgiram dentro da minha cabeça e foram acompanhadas do sentimento, quase com uma participação corporal, com os movimentos se insinuando em mim.
Imaginava minha situação atual como um predador espreitando a caça, rondando a presa, hipnotizando-a com o olhar, cercando-a com movimentos sincronizados, envolvendo-a aos poucos numa dança compassada, formando a teia à espera do bote certeiro ou compondo com fios invisíveis a armadilha que pegará, indefesa, a presa. Sou hoje, o caçador, predador e sou também a caça.
Também como imagem metafórica, vejo a dança da sedução. O encontro instintivo de animais, com o impulso da união; a aproximação, os ruídos, a exalação de odores agradáveis, o cerco, a atração dos olhares e, finalmente, a entrega, a submissão, a posse.
Tomo posse de mim nesse momento sabendo que tenho as rédeas da minha vida nas mãos, dando o destino que quiser às coisas, aos fatos, às pessoas.
Avalio agora cada acontecimento como uma possibilidade de escolha, uma opção, não deixando de ter a consciência do todo, de mim e dos que me cercam, me submetendo ao destino, mas ao mesmo tempo, podendo escolher como vivenciar cada coisa que me for destinada. A submissão e o poder juntos, inseparáveis.
Vivo o contato com a morte próxima, não a minha, que possivelmente ainda tardará. Entretanto, sempre remete a ela. Não a morte como o fim, a interrupção, mas como expansão, continuidade. Fico bem perto de minha mãe, talvez para absorver todos os conhecimentos que ela adquire a cada dia, agora que está no umbral, no portal para o outro lado. Não descuido de atentar para a restrição que vem junto, para as suas limitações cada vez maiores, que impõem maior vigilância, aceitação e trabalhos. Observo de perto o declinar do corpo, a deterioração das funções, o desgaste dos tecidos. Sofro pelo demasiado apego e apreço pelo corpo físico, mas consigo vislumbrar a libertação crescente da alma que vai ganhando mais leveza até, finalmente, conseguir alçar o voo.
Todo esse processo é carregado de detalhes, de aprendizados, de possibilidades de experimentar outras realidades.
Vivo uma saudade que é a presença sem corporificação, como uma possessão, em que somos tomados pelo que não podemos ver ou tocar, mas sentimos a presença, quando estamos abertos para poder canalizar, ao invés de concordar em sermos simplesmente afastados para que outro se manifeste em nós. A saudade é, contudo, uma canalização consciente. É algo que nos toma, que sentimos, mas que, se mais conscientes, conseguimos perceber como representação de outro alguém. Vivo a saudade de um amor que ainda sinto. Não do amor em toda a sua expressão como era antes, mas o amor pela pessoa, pela alma da pessoa, a vontade de compartilhar minha vida com ela, a vontade de ver, de conversar, de abraçar, dizer que sinto um enorme carinho por ela, que me preocupo, que a admiro, que sinto falta de sua companhia. Penso que ela deveria saber disso e imagino como. Sei que apesar de não nos falarmos há mais de um ano, nossas almas se encontram e conversam. Sei que ainda mantemos um vínculo que só o amor permite. Entretanto, avalio a cada momento, se isso deveria acontecer de fato. Opto por esperar que ela tenha condições de se aproximar, que busque o contato comigo outra vez. Mas não deixo de temer que por rigidez, medo, orgulho, sei lá o quê, ela nos prive dessa possibilidade tão frutífera e maravilhosa.
Vivo, nesse momento, um amor concretizado, o grande amor dessa minha existência (e de tantas, quem sabe, de todas), uma espera que se acabou. Eu me emociono só de pensar nele, de viver esse amor todos os dias, de perceber tudo que nos liga. A cada passo, eu avalio se vivo essa relação com o respeito, o cuidado, a dedicação, a consciência que merece. Às vezes, me sinto negligenciando, me acomodando ao curso dos acontecimentos, deixando, de novo, tudo nas mãos do destino. Mas, vejo que não, que estou ali todo o tempo, que se não posso me dedicar como gostaria, eu percebo isso e quero mudar a situação. Se não posso naquele momento, eu compreendo a limitação que temos para viver as coisas mais importantes de nossa vida, por incapacidade de nos dedicarmos mais a nós mesmos que aos outros. Compreendo e, ao mesmo tempo, tento me estruturar para tornar aquilo que desejo, que sinto como essencial, possível. E então percebo que caminhei, que não estou parada, tenho aprendido, evoluí.
Eu me relaciono com muitas pessoas, eu me dedico à família, eu busco a oportunidade de me direcionar, junto com o meu amor, para o trabalho mais importante de nossas vidas, mas sinto que o estágio atual é como uma preparação necessária para entrarmos num novo tempo, quando nossas energias se manifestarão de forma diversa da que têm hoje. É um tempo necessário e, se não nos fixarmos na frustração que acarreta essa aparente lentidão do momento, poderemos aproveitar melhor cada relação, cada fato da vida daqueles que nos cercam e teimam em fazer interseção com as nossas vidas por nossa permissão. É que, no fundo, percebemos como essas experiências de hoje na família, no trabalho, nas amizades, nos relacionamentos serão importantes amanhã, quando, com certeza, já teremos dado um salto quântico e estaremos prontos.
Dessa forma, meu momento atual é dúbio: é a luta pela sobrevivência num nível mais elevado, a sobrevivência do destino da alma, que expressei pela dança do sexo como símbolo de vida e a relação entre o predador e a caça trazendo o simbolismo da morte.
Ao final de tudo, vida e morte se confundem como sempre, se o olhar é mais amplo, se a consciência se alarga, se nos abrimos para o novo, se nos entregamos à vida para que ela nos possua e para que tenhamos o poder de ter a posse de nós mesmos. Isso é confiar na vida, na perfeição que existe em todas as coisas.



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A Fila - por Duanny

Já reparou como em todos os lugares tem uma fila? Fila para comprar pão, fila para pagar o pão, fila para pagar as contas, fila no hospital, fila para ver um show, fila para comer, fila até para morrer... enfim, o mundo atual é dominado por filas! Sim, ele é. E se não fosse, também, imagina só a zona!
Mas as filas não servem apenas para organizar. Você pode conhecer muito de uma pessoa em uma fila. Por exemplo, na fila de um mercado você praticamente conhece a vida e os hábitos das pessoas que estão na fila. Se no carrinho tem papinha, fraldas, verduras, margarina, bolachas e suco light, é sinal de uma família bem grande, provavelmente com a mãe preocupada com a saúde dos filhos e opta por verduras para um bebê que precisa da papinha e das fraldas, margarina para o irmão caçula que só come pão com margarina, e a filha mais velha, que se acha a maior gorda do mundo, precisa tomar suco light.
Também tem aquelas filas que denunciam, a fila do banco, por exemplo. Sabe quando você atrasa o pagamento de alguma conta? É lá que você tem que ir, e pior, você sabe que todos estão lá porque não pagaram suas contas no devido prazo, o que deixa tudo muito difícil para iniciar uma conversa agradável; o pior de tudo é que a fila demora, é uma das filas mais chatas de se frequentar, tem aqueles velhinhos que não seguram nenhum papel na mão e você acha que vai ser super rápido, mas é só chegar no balcão que o bendito tira uma pasta cheia de papel, aí vai uma meia hora só com o velhinho.
Às vezes fico pensando como seria o mundo sem essas filas, não ia ser uma coisa muito prática, nem organizada, claro que ia ser difícil de pagar suas contas ou comprar alguma coisa... dá para perceber: é impossível viver sem fila. Eu, por exemplo, não resisto a uma fila.



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Arthur Schopenhauer e o Poder do Acaso - Citado por Penélope Charmosa

O acaso é um poder maligno, no qual se deve confiar o menos possível. De todos os doadores, ele é o único que, ao dar, mostra ao mesmo tempo e com clareza que não temos direito nenhum aos seus bens, os quais devemos agradecer não ao nosso mérito, mas tão-só à sua bondade e graça, que nos permitem até nutrir a esperança alegre de receber, no futuro e com humildade, muitos outros bens imerecidos. Eis o acaso: mestre da arte régia de tornar claro o quanto, em oposição ao seu favor e à sua graça, todo o mérito é impotente e sem valor.



In “Aforismos para a Sabedoria de Vida”.
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Dúvida - por Raquel Aiuendi

João Batista de Andrade, Milos Forman, Jean Jacques Annaud
Shintoni, queria saber porque de dentro de A Cela O Último Rei da Escócia tocou O Piano e como Um Estranho no Ninho conversou com Gandhi em plena Ameríndia; como O Grande Ditador agiu como Deus e o Diabo na Terra do Sol, mesmo contestado por Malcolm X em pleno Outono em Nova York, enquanto isso Beethoven compunha A Cor Púrpura; no final de tudo O Homem Que Virou Suco dançou Hair durante O Nome da Rosa?
Tarsem Singh, Kevin MacDonald, Jane Campion¸ Milos Forman, Richard Attenborough, Conrado Berning, Charles Chaplin, Glauber Rocha, Spike Lee, Joan Chen, Richard Rich, Steven Spielberg, Mahatma Gandhi

Convite - por Rodrigo de Souza Leão

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Reflexão - por Roger Amado

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O raciocínio dá ao homem a multiplicação do seu sofrimento.
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terça-feira, 23 de junho de 2009

As Nossas Palavras XVI

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Wordle: As Nossas Palavras XVI
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Clique na imagem para ampliar.
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Imagem: Wordle
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James Russell Lowell em As Nossas Palavras XV - Enviado por Adhemar

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Se a juventude é um defeito, é um defeito do qual nos curamos muito rápido.


Visitem Adhemar
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As Nossas Palavras V - por Ana

Vou tentar mais uma vez
As Nossas Palavras rimar.
Não é coisa muito fácil,
Mas lá vou eu me arriscar...

Hoje nove desafios: tão
Ofender ofensa alma
Procurarei elevar alguém
Chegue alto
. Muita calma...

Sem pretensão de ofender
Começo aqui meus versinhos
Tão infantis nas riminhas,
Tão singelos, tão bobinhos...

Quando são tão delicados
Escrevo sem ofender,
Saem palavras da alma,
Repletas de bem-querer.

Procurarei ser assim
Nas letras de hoje em diante,
Elevar os meus escritos,
Não xingar mais a xavante...

Se alguém sentir falta da briga,
Pode falar sem receio,
Eu desisto da bondade:
Meto logo a mãe no meio!

Ai, não nasci pra ser santa...
Já estou ficando animada!
Tô doida que chegue o dia
Do retorno da safada!

Transformar a natureza
É coisa que não dá certo:
Em mim o que fala mais alto
É o verbo rasgado e aberto!

Os homens são como navios:
Cada um se adequa a um porto.
O meu é o de Tubarão
E vitória é meu conforto.

Desisto da beatitude,
Não gosto de nada imposto:
Este pau aqui nasceu torto
E não desentorta nem morto!



Referência à saga A Ninja x A Samurai.
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Poeminha Irado - por Escrevinhadora

Passo as tardes no vazio
nem a Ana nem o Gio
entram quando estou plugada.
O Shintoni, esse então
deve ser assombração
pelo menos pra mim parece
que por aqui ninguém o conhece
as mensagens dele, eu acho
são todas psicografadas.
Onde essa gente se esconde?
Eu chamo e ninguém me responde...
A Aiuendi chega de repente
respondo e ela já saiu...
Conversa em tempo real
ou monólogo surreal?
Quando consigo acessar
mal começo a digitar e
a conexão caiu.
Dá vontade de xingar
mas a educação não permite
que eu perca a paciência, me irrite
e mande esse chat infernal
ir pra... que é isso, onde já se viu?



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Tirando o Bolor - por Fatinha

Querido Brógui:

Compelida pelo desejo de colocar uma saia sem ficar embaraçada pela exposição da minha cor amarelo-icterícia, depois longo e tenebroso inverno, fui à praia. Bem, o feriadão estimulou minha gazeta, embora não tenha resistido ao impulso de levar comigo o livro de Direito Tributário. Como é óbvio, não li uma linha sequer, mas minha consciência ficou deveras tranquila.
Acordei às seis horas da manhã. Tão cedo assim? É. Primeiro porque minha neurose urbana não consegue se livrar do pânico de ficar rodando em busca de uma vaguinha para o Tigrão. Depois, como não pego sol desde o início do ano, não seria conveniente encarar o Astro Rei no horário que ele está mais carniceiro. Por último, se eu acordo nesse horário para ir trabalhar, porque não acordar para ir me divertir?
Às sete, já estava a caminho, toda feliz. Quer dizer, fiquei meio chateada quando botei o biquíni e este revelou os três quilos a mais que acumulei nos últimos meses, mas ainda assim estava feliz.
Cheguei à praia antes do flanelinha, o que me deu a oportunidade de economizar uns trocados para comprar um biscoito Grobo e um Guaraprus. Enquanto tentava abstrair o frio miserável que estava fazendo, o vento intermitente que me gelava as entranhas, constatei mais uma vez que não há um vendedor ambulante que consiga falar corretamente o nome desses dois produtos. Nem unzinho pra remédio. Zero. Não sei se é apenas vício de linguagem ou se eles acham que se falarem direito ninguém mais vai comprar. Seja como for, praia no Rio sem biscoito Grobo é como praia no Recife sem caldinho. Aliás, é coisa que sempre me causou muita estranheza esse negócio de tomar caldinho quente na praia, mas enfim…
Sentei na minha cadeirinha e pairou uma dúvida: será que ela encolheu ou meus quadris aumentaram? Deve ter encolhido, tanto tempo sem uso… Em volta de mim, apenas bebês, papais e mamães. Graças a Deus que os bebês ficam confinados em suas piscininhas de plástico e não jogam areia em cima de vítimas inocentes. Tenho sempre o cuidado, ao chegar à praia, em fazer o mapeamento do território. Não sento perto nem de crianças, nem de cachorros.
Além de mim e dos bebês, alguns atletas, cheios de disposição, correndo na areia. O movimento dos barraqueiros arrumando suas coisas, os garis com seu trator recolhendo o lixo da areia (eita povinho porco), um policial fazendo manobras arrojadas em seu triciclo, um labrador correndo atrás de uma bolinha de tênis…
Não tinha dado dez horas ainda, levantei meu acampamento. Dei adeus ao paraíso.
Só para registro: fiquei meio rosa e meio ardida só de pegar esse solzinho de neném. Imagina se eu me animo e fico mais um pouco? Ia ter que dormir pendurada num cabide, ou então de cabeça pra baixo no teto, como uma morcegona. Foi-se o tempo em que eu ficava quarando no sol o dia inteiro e nada de mal acontecia, apenas um belíssimo bronzeado. É, a camada de ozônio tá indo pro cacete mesmo.
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Visitem Fatinha
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Marco Aurélio e o Juízo da Perturbação - Citado por Penélope Charmosa

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Se estás aflito por alguma coisa externa, não é ela que te perturba, mas o juízo que dela fazes. E está em teu poder dissipar esse juízo. Mas se a dor provém da tua disposição interior, quem te impede de a corrigir? E se sofres particularmente por não estares a fazer algo que te parece certo, por que não ages, em vez de te lamentares? Um obstáculo insuperável te o impede? Não te aflijas, então, pois a causa de não o estares a fazer não depende de ti. Não vale a pena viver se não o poderes fazer? Parte, então, desta vida satisfeito, como partirias se tivesses logrado êxito no que pretendias fazer, mas sem cólera contra o que se te opôs.
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In “A Fortaleza Interior”.
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Estou Lendo... - por Escrevinhadora

Madonna 50 Anos - Lucy O’Brien



“Estou lendo Madonna 50 anos. É meio chatinho e está difícil de chegar ao final. A autora me passa a impressão de que foi contratada para falar bem da Madonna o tempo todo e quando falar sobre alguma falha, criar no próprio texto a desculpa. Vou me esforçar pra concluir a leitura, mas não recomendo e olha que adoro biografias.”
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E você? Que livro está lendo?
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segunda-feira, 22 de junho de 2009

A Linha do Sol - por Alba Vieira

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Sobressair em meio aos experts
É como lançar areia no deserto
E brilhar sob intensa luz.



Visitem Alba Vieira
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Recado - por Ana

Escrevinha:
Já vi este filme [Um Dia de Cão] umas três vezes. Al Pacino está demais! E aquele cara que faz o irmão dele (o Fredo) no Poderoso Chefão também trabalha muito bem e faz um personagem estranhíssimo... Gostei muito deste filme porque trata de revolução, de revolta, de expor as próprias ideias, de se colocar contra o estabelecido, trata do posicionamento social, dos questionamentos que ele coloca acima da própria vida. É um filme ousado, crítico, magistral e chocante. Legal você ter falado sobre ele aqui!
Beijo!



Resposta a Um Dia de Cão, de Escrevinhadora.
Sidney Lumet, Francis Ford Coppola

Nunca Sempre - por Daisy

Durante quase 50 anos, exatamente 48 anos, nunca faltou uma palavra. Nunca. Sempre houve troca intensa de palavras. Sempre. O que não quer dizer que não tenhamos nos sentido só, às vezes. Mas só às vezes. Nunca sempre.
Durante o namoro, as palavras eram revestidas de mel. Eram tão doces! Mas juramos ser como pombinhos, era o que ele me falava, a vida inteira. Sempre.
Durante o noivado, morando em cidades distantes, as palavras vinham como era possível, então! Cartas diárias, dois telefonemas por semana (a telefonista fazia o contato e esperávamos, às vezes, duas longas horas!) e um fim de semana por mês (depois de uma viagem de 11 horas de ônibus!). A espera pelas palavras revestiam-nas de alguma coisa. Que não consigo expressar... para explicar, sempre falta uma palavra. Sempre. Mas nunca entre nós. Nunca faltou uma palavra. Nunca.
Durante os 46 anos de casamento, sempre juntos. Sempre. É verdade que atravessamos verdejantes planícies, verdadeiros precipícios, caudalosas quedas d’água, cálidos desertos. Sempre juntos. Sempre. Palavra foi o que nunca faltou. Sempre nunca.
Agora, porém, não há mais palavras. Faltam. Tudo falta. Só existe nada. Cartas, telefonemas, fins de semana. Acima de tudo, palavras. Nada!
Palavras que eram a tradução de carinho, cumplicidade, confiança, ciúmes até. Amor, enfim!
E, depois de quase 50 anos, exatamente 48 anos, falta uma palavra. Sempre falta. Sempre faltará. Sempre.



Visitem Daisy
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Eugène Delacroix in Diário - Citado por Penélope Charmosa

É preciso esconjurar, da forma que nos for possível, este diabo de vida que não sei porque é que nos foi dada e que se torna tão facilmente amarga se não opusermos ao tédio e aos aborrecimentos uma vontade de ferro. É preciso, numa palavra, agitar este corpo e este espírito que se delapidam um ao outro na estagnação e numa indolência que se confunde com um torpor. É preciso passar, necessariamente, do descanso ao trabalho - e reciprocamente: só assim estes parecerão, ao mesmo tempo, agradáveis e salutares. Um desgraçado que trabalhe sem cessar, sob o peso de tarefas inadiáveis, deve ser, sem dúvida, extremamente infeliz, mas um indivíduo que não faça mais do que se divertir não encontrará nas suas distrações nem prazer nem tranquilidade; sente que luta contra o tédio e que este o prende pelos cabelos - como se fosse um fantasma que se colocasse sempre por detrás de cada distração e espreitasse por cima do nosso ombro.
Não julgue, cara amiga, que eu só porque trabalho regularmente estou isento das investidas deste terrível inimigo; penso que, quando temos uma certa disposição de espírito, é preciso ter uma imensa energia, de forma a não nos deixarmos absorver e conseguir escapar, graças à nossa força de vontade, à melancolia em que caímos continuamente. O prazer que sinto, neste momento, em dialogar consigo acerca deste sentimento é mais uma prova de como eu me procuro agarrar, avidamente, sempre que tenho forças para isso, a todas as oportunidades para ocupar o espírito (ainda que seja referindo-me a este tédio, que procuro combater).
Sempre pensei que havia tempo a mais. Atribuo em grande parte este sentimento ao prazer que quase sempre encontrei no próprio trabalho: os verdadeiros ou pretensos prazeres que se lhe sucediam não contrastavam talvez muito com a fadiga que me comunicava o trabalho - fadiga que a maior parte dos homens sente duramente. Não tenho dificuldade em imaginar o prazer que deve sentir nas suas horas de repouso essa multidão de homens que vemos vergados sob trabalhos desencorajadores - e não me refiro apenas aos pobres, que têm de ganhar o seu pão cotidiano, mas também aos advogados, aos funcionários, submersos pela papelada e ocupados com encargos fastidiosos ou que não lhe dizem respeito.
No entanto, também é verdade que a maior parte desses indivíduos não têm problemas com a imaginação e veem nas suas ocupações maquinais uma maneira como qualquer outra de ocupar o tempo. E serão tanto menos infelizes quanto mais medíocres forem. Para me consolar, termino com este último axioma: que é por ter espírito que me aborreço.
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