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(Aviso: Os textos em amarelo pertencem à categoria
Eróticos.)




quarta-feira, 24 de fevereiro de 2010

Poema Molhado - por Leo Santos

Quis escrever um poema na chuva,
óbvio, rasgou-se o papel;
Enquanto memorizava escorreguei,
e então, o palavrão, o fel;
Lá estavam inúteis versos no chão,
manchados pela poluição.

Além da intenção tolhida,
por momentos deteve-me a ida;
Poças ilhavam-me, mas uma silhueta esguia
precedeu-me, mostrando a saída…

Uma vez que de veio genuíno,
há quem veja poesia num palavrão;
Prefiro, contudo, o ramo na brisa,
que a fragmentar-se no furacão.

Foi tolice querer escrever na chuva,
é claro que não poderia;
Aliás, nem era necessário,
bastava ler o soneto que ela escrevia…

Disseram que ela traz coisas do ar,
pode ser: É amplo o que encerra.
Molhava sensual, as vestes naturais,
insinuando os seios da terra…
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Outra Que Não Eu - por Alba Vieira

Cai a tarde de calor opressivo.
Não há vento, a realidade para.
Observo tudo que não muda.
Nenhuma folha se mexe,
Não há pássaros, não há canto.
Há silêncio e tristeza.
Minha paisagem interna é cinzenta.
Vejo o mundo, mas não faço parte dele?

Sinto uma dor profunda
E nem sei qual a razão.
Parece que tudo desabou sobre mim
E que as coisas pesam demais.

Minha cabeça se atordoa
E o que me oprime é a vida
Com toda a sua forte presença.
São as alegrias e as dores.

O que me salvaria eu não consigo ter:
Um distanciamento protetor.
E nada a desejar, nada a esperar.
E não ter medo de nada,
Não sofrer pelas dores alheias,
Não sentir minha própria dor.

Mas, será que isso é viver?
Eu que sou passional,
De natureza viva, quente e mutante?
Como ter serenidade, certeza e calma?


Eu não sou calma nem placidez.
Eu sou barulho, gritos, choros, sorrisos.

Eu sou idiotamente humana demais!
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A Maior Obra Poética - por Esther Rogessi

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O mundo... Perfeita obra poética.
Ínfima partícula dela sou...!
Sendo ele - o mundo – poesia, poeta fez-me o Criador.
Criação do Ser perfeito... Poeta-mor, o Eterno...
Infinita sapiência, justiça e clemência...
O lírico, o realismo... O surreal pra mim real!
A nenhum de nós esquece, estamos Nele e Ele em nós...
Prepara-nos, nos capacita, na faculdade da vida,
Talhador... Escultor d’almas...
Nessa vida tão veloz.
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............................Visitem Esther Rogessi
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Χρόνος (Chronos) - por Leandro M. de Oliveira

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Em vezes é como se o tempo rastejasse mais lento, o ar é denso, quase viscoso. Em vezes essa sensação me acomete, como estar dopado numa camisa de força. Aparte isso, o mundo pulsa a virulência das horas irresgatáveis, por entre animais e homens, cospe a fúria do tempo a recolher seus tributos. Olho a medo as sacadas distantes, onde em tempos remotos havia castelãs virtuosas à minha espera. Constato. A vida corrompe até os mais distantes. Sensação; as mulheres são espectros, a virtude também, todas as coisas são invenções de um recém-chegado a tentar redefinir a dor que se sente na queda.

Tenho medo que meu corpo seja composto da argila dessa terra, que ele tenha se fundido ao chão enquanto os anos passavam sem alarde. A noite passa qual quimera, como passa o desfile de sombras, como passam e se aninham em mim tudo o que há de grave e profundo. Queria buscar na cidade um propósito novo, lá caminhando só encontrei postes e praças. Pelas ruas um silêncio inconsútil reina soberano, às vezes um cão cruza o caminho; silencioso.

O ar é de gelatina, definitivamente baço, mesmo ao sopé das luzes de sódio. Os sinos do campanário anunciam indiferentes, todos têm de prestar contas um dia. Antes, os que devem a si mesmos. Viver pra morrer, morrer pra viver. O pasmo de existir é oscilante em olhos e mãos, postura imobilizada. A única coisa digna de nota parece ser o dilema. Bem-aventurados os que não nasceram...
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Haikai - por Marília Abduani

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Temperatura amena.
Choveu saudades
na tarde serena.
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...............................Visitem Marília Abduani
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Seu Santuário - por Vera Celms (Erótico)

Meu corpo,
Na sua proximidade,
É um santuário,
Que cultua o seu prazer,
Que nutre a sua lascívia,
Que lambe,
A sua libido inflamada,
A sua fantasia avolumada,
A sua imaginação indecente,
rasgada,
Nada, nesse culto é vulgar,
Ou prolixo,
Nada é acaso,
Nem sem querer,
Nada é embuste,
Tudo é milimetricamente sonhado,
Imaginado,
Incrementado,
Mas, acontece naturalmente,
Como a fé,
Como o desejo,
Como o arrepio na pele suada,
Como a promÍscua safadeza,
A que nos permitimos,
Só a nós, entre quatro paredes,
Vigiamos nós, o nosso isolamento,
Cuidamos nós, do nosso deleite,
Vivemos nós, o nosso delírio,
Na sua proximidade,
Meu corpo é um santuário,
Em que te permito qualquer culto,
Onde nada é demais,
Nem além,
Onde o aquém não existe,
Não há fronteiras,
Nem limites,
Sua fantasia é o meu prazer,
E a minha... o seu êxtase,
Deliramos em viagens transcendentais,
Que acabariam além da porta,
Não fosse a eternização da imagem,
A cada baixar de nossas pálpebras,
Em sonhos,
Em outras dimensões,
Onde levitamos de tesão,
Querendo mais,
Sonhando de novo,
Acordados,
Desejando mais um momento,
Um toque,
Um sensor que nunca fora desligado
Ou esquecido em stand by,
Na sua proximidade,
Meu corpo é um santuário,
Onde eu cultuo você...
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Visitem Vera Celms
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