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(Aviso: Os textos em amarelo pertencem à categoria
Eróticos.)




domingo, 31 de outubro de 2010

Tema do Mês de Outubro: Outono

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Caríssimos amigos:
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Hoje foram postados os textos referentes ao tema do mês de outubro: “Outono”,
sugerido por Vera Celms e vencedor da enquete de março.
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Participantes:
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Aaron Caronte Badiz
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Ana (2)
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Dália Negra
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Lélia
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Penélope Charmosa
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Soraya Rocha
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Muito obrigado a todos que colaboraram com esta “blogagem coletiva”!
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Um grande abraço!
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Outono - por Vera Celms

A primavera mal começou,
Nem todas as borboletas acharam o caminho,
Nem todas as cores amadureceram ainda,
E aquela que foi sogra de novo aniversariou,
Um padrinho antes,
E os políticos já indignaram o povo,
E o povo já se anunciou ludibriado,
ou iludido,
esperançoso quem sabe,
Então vêm as crianças,
De mão com a Madre Santíssima,
Comemoro então um filho,
Peso ideal de um lado da balança,
Nem todos os pássaros foram avisados,
A primavera corre solta...
Dança livre,
A dama perfumada e colorida,
Vestida de branco,
Com nuvens espalhadas pelos cabelos,
Sob o holofote solar,
Música no ar,
De tanta felicidade da natureza,
O dia fica mais longo,
A brisa mais fresca
Afinal, entre indignações e comemorações,
Outubro será encerrado pelas Bruxas,
Como há muito tempo,
Como sempre...
Correndo leves em torno do fogo,
Lindas, femininas, iluminadas,
Com flores nos cabelos,
Com a cabeça nas nuvens,
Como a primavera,
Tão lindas... tão encantadoras...
Saudando, venerando a Deusa...
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Visitem Vera Celms
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Outono - por Alba Vieira

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Ondulam ao vento as folhas que caem.
Úmidas e acastanhadas forram o chão nos quintais.
Tremulam os lençóis nos varais e a água se esvai.
Ouvem-se os lamentos da solidão no cais.
Nada é mais doloroso que um navio indo embora.
Outono é impermanência e a natureza não chora.
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Visitem Alba Vieira
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Ana Carolina em “Ruas de Outono” - por Ana

 
Nas ruas de outono os meus passos vão ficar
E todo abandono que eu sentia vai passar
As folhas pelo chão que um dia o vento vai levar
Meus olhos só verão que tudo poderá mudar

Eu voltei por entre as flores da estrada
Pra dizer que sem você não há mais nada
Quero ter você bem mais que perto
Com você eu sinto o céu aberto

Daria pra escrever um livro, se eu fosse contar
Tudo que passei antes de te encontrar
Pego sua mão e peço pra me escutar
Seu olhar me diz que você quer me acompanhar
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Ave Cigana - por Marília Abduani

Ave cigana
na beira do rio,
não dança, não canta,
não sabe voar.
Luz que rebrilha
no campo vazio,
no vago arrepio
do vento a tocar.
Ave cigana,
tantos desvios,
canto vazio,
navio a vagar.
Estrela cadente
perdida na noite,
fugindo da morte,
querendo brilhar.
Ave perdida
sou eu, no caminho.
Em mim, passarinho,
só quer descansar.
No campo, nas flores
buscando seu ninho
no bico, um carinho,
no peito, um luar.
Que vento de outono,
que pranto, que engano
soprou tantos planos
pra longe, no mar?
Ave esquecida
na mão do abandono
perdida, sem dono
e não pode voar.
Ave cigana
na beira do rio,
levando no canto
canções de ninar.
Mensagens ao vento
deixando na aurora.
Sou fauna e sou flora
querendo pulsar.
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Folhas - por Leo Santos

Folhas secas pelo chão,
hábitos higiênicos das plantas
nas pegadas do outono…
As árvores e suas cãs,
tardes em oposição às manhãs,
noites, p’ro ofício do sono…
A sombra, seu legado secundário,
bem primário, sob o domínio do sol;
Faz sua vida desejável,
sua morte lamentável,
até em contrário, prova.
Mas, sempre há folhas vivas,
até mesmo sob a neve,
a ousada que se atreve a cruzar o inverno;
Porém, a tempo sucumbe à sorte,
a morte lhe veste o terno,
e a vida se renova…
A insensatez evita as sombras,
vive em busca de calor,
por prazer é seu labor,
sua caça ensandecida;
Folhas que nascem e morrem n’um dia,
cujas impressões são voláteis,
pois é mui além das coisas táteis,
que se pode tocar a vida…
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Visitem Leo Santos
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Meu Outono - por Dália Negra

Entrego a mim minha dor,
Minha alma dilacerada.
Das flores, não restou uma...
Primavera despedaçada.

A solidão reside em mim,
Outono, bronze desbotado.
Árvore nua, sem cor.
O ar pesado, parado,
Que condiz com minha alma,
Definitivo, eternizado.
Sem sementes, obscuro,
Por nada fertilizado.

Outono sem folhas, seco,
Isolado, vazio, cruel,
Ilhado de outras estações
Por espesso e negro véu.

Outono em minha alma,
Outono é minha dor,
Outono, meu fardo pesado.
Outono, vazio de amor.
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Felicidade - por Aaron Caronte Badiz

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O teu olhar no meu olhar,
Uma rosa, a vela acesa,
Tua mão na minha mão,
O teu livro sobre a mesa.
Nossos corpos no sofá:
Outonos. E nossas singelezas.
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Outono - por Cacá

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Outono me dá uma sensação de neutralidade, de prenúncio. As outras estações têm um apelo coletivo muito forte. Muita coisa a favor da primavera. Inverno e verão numa disputa acirrada de preferências, mas outono... Nada sobra, nada falta, mas também nada se equilibra. Parece uma neutralidade da natureza, desprovida de consciência. Se continua o que passou ou se prepara o que vem adiante. Alguma coisa como deixar estar para ver como vai ficar. Não conheço os Deuses do outono, não sei dos reis e rainhas dessa estação. Qual o seu símbolo de encanto? É..., acho que folhas caindo são para a dúvida!
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Visitem Cacá
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Outonífero - por Davi Rodrigues

Do amadurecer propenso à remodelação infinita do ser
Remonta-se o saber, tal tectônico sentimento a mover
Folhas de passado deslocando-se suavemente do presente
Suculentos frutos de novidades embebedecem tal observador
Suave e breve brisa refrescando o corpo molhado pelas marcas do tempo
Chuva repentina, ora fria, ora morna tal qual as não decisões não tomadas
Posso avistar um certo frio pela frente, o toque invernal do desconhecido...
Algumas flores secas nos bolsos do acaso...
Trilhando entre arbustos dos andarilhos atemporais, sem estações para abrigo de trens...
Descarrilando de tais trilhos submersos empoçados e encharcados pelos rios cheios, com suas velozes vociferações de águas dos desenganos...
Eu e a montanha e o singelo farfalhar de folhas desconectas de seus galhos
Nesse momento.. sou folha, vagando ante a evolutiva alteração climática dos anos de minha vida
Sou nuvem se espalhando a nublar parcialmente...
Fruto maduro pronto a ser degustado nessa manhã outonal de meu existir...
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Folhas Secas - Outono - por Leila Dohoczki

Tantas foram as folhas
Que o vento levou
Amareladas, velhas
Consumidas pelo tempo
Que da árvore só resta tronco
E galhos secos erguidos ao céu.

Não há tristeza na paisagem
Ainda que pareça desolador
A árvore antes frondosa
Que mal abriga agora
As próprias raízes.

Até o passarinho se mudou.

Mas, há uma beleza tão grande
Nas folhas que se agitam ao vento no chão,
Arrumando-as e desarrumando-as
Mas todas elas alimentam a terra
De onde a árvore tem fincadas suas raízes,
Que não encontro outro nome que não seja
Beleza da perfeição.

Aqueles galhos erguidos ao céu
Não sei se em súplica ou em agradecimento
Brotarão novas folhas, flores e frutos
Se tornaram símbolo augusto de renovação.

Como eu, ela espera, pacientemente o final de cada estação...
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Visitem Leila Dohoczki........................
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Nosso Outono - por Soraya Rocha

Eu sou sua amada
Sou sua namorada
Sou a mulher dos seus sonhos
Sou sua musa tão esperada

Sou o seu porto seguro
Sou seu refúgio tão puro
Seu consolo, se está tristonho
Seu passado, presente e futuro

Sou a rainha de suas flores
Sou eu que curo suas dores
Eu te mantenho risonho
Por que caminho tu fores

Sou sua primeira-dama
A dona de tua cama
A poetisa que pra ti componho
Tanto amor no outono de nossa chama
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Devaneios - por Paulo Chinelate


Ah! Que bom estar aqui neste momento, enquanto a aragem um pouco fria do outono tomba levemente as folhagens das árvores.
Vejo, através da janela, o adormecer da tarde com seus raios luminosos a tingir de dourado o verde das montanhas, antecipando os primeiros sinais da noite que se aproxima.
Ah! Doces momentos! Encantamento de quem espreita cada segundo da vida e não quer perder nenhuma parte deste maravilhoso espetáculo da natureza.
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Lindas Cores do Outono - por vestivermelho

Chegou o outono e com ele as cores diferentes. Sou apaixonada pelas cores.
A primavera é sempre muito colorida, mas no outono as cores se transformam... O verde se torna sombrio, parece triste; o amarelo das folhas antes verdes torna-se um tom de ouro velho... e as flores sabem que vão enfrentar o inverno, se preparam com suas cores não tão vibrantes, penso que se tornam adultas.
O sol não fica mais até tarde, se recolhe cedo. Ele fica forte e suas cores parecem um misto de pinceladas de cores diferentes deixando a tarde tão linda que a noite chega mais bela, com sua brisa suave que dança entre as folhas. Fico na janela e imagino o que seria a vida sem essa beleza... É como se preparar para a morte, ouvindo e vendo as cores do outono.
Sentimos como o outono se prepara para a vida e morte.
Temos que parar e ver e ouvir as vozes do outono e seremos mais felizes...
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Outono - por Luiza Jardim

Outono sem eira nem beira
Borboletas amarelas
Folhas e o telefone toca.

Atender ou continuar na brisa da varanda?
Todas as portas estão abertas
Quase sinto o cheiro do vento
Nego telefone e afirmo ausência.

Aposto nas borboletas e permito,
consolada,
que as folhas se joguem no chão.
Quem sabe calar, suportar o vazio
Aguardar renovação.
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Visitem Luiza Jardim
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Outono de 92 - por Lélia

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Era outono quando te conheci. Folhas secas, descanso da natureza.
Mas foi nossa primavera, repleta de flores e exuberâncias.
E foi nosso verão, no calor de nossos abraços e na claridade da paixão.
Depois veio nosso inverno, gélido, de isolamento.
E ainda era outono quando te deixei.
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Uma Adaptação da Lenda “O Corpo Seco” - por ZzipperR

Depois de tanto tempo passado, parece até que fiz parte dessa lenda, a qual se fez presente na comparação de muitas histórias pelo meu pai e pelo meu tio, causando certa curiosidade e sensação de pavor ao ouvi-la.
O clima da história parece rolar num outono sem fim, pois os caminhos ficavam cobertos de folhas secas e nas passadas das pessoas o som dos estalos de gravetos quebrando penetravam no coração da alma causando calafrios e fazendo arrepiar.
Vamos esquecer o presente e mergulhar na lenda que se passou num passado distante:

Tudo aconteceu numa cidadezinha do interior, onde a simplicidade das pessoas fazia parte de uma boa receptividade, porém entre tantas pessoas boas o mal se fazia presente.
Não dá para dizer que faltou amor àquele homem, pois o amor da mãe dele estava presente a todo o momento, o que torna incompreensível tanto ódio e desprezo às pessoas. Fazer maldades para aquele homem era um prazer, não ter piedade dos outros um princípio e para isso não poupava nem a própria mãe, que parecia ser odiada por ele. Quem passava naquele caminho silencioso em que se ouvia o canto maravilhoso dos pássaros, também ouvia o choro quase calado daquela mãe judiada, que apanhava constantemente daquele ser monstruoso e malvado.
Os moradores da cidade tinham dúvidas se no corpo daquele homem desumano havia um coração e se estaria sob os poderes do demônio, porém o futuro prova que não estava, pois o demônio de tanto ser desafiado por ele, também não o queria no inferno.
O único capaz de enfrentá-lo foi o tempo, que passava lentamente e com toda tranquilidade tirava tudo o que ele possuía. O tempo cauteloso levou o seu pai, também levou a mãe que ele tanto judiava e por fim tirou dele a vida.
Deus se negou a recebê-lo no céu. O demônio não o aceitou no inferno e a terra se negou a recebê-lo, expulsando-o da cova. Tentaram enterrá-lo várias vezes, mas não adiantou, pois ele sempre voltava para infernizar a vida das pessoas.
Abandonado pelo mundo, ele passou a viver agarrado às árvores, que não resistiam ao seu abraço mortal e também secavam. Desta maneira ele se mantinha camuflado em caminhos desertos esperando alguma pessoa passar desprevenida para atacá-la e sugar o sangue. Se não aparecesse ninguém para socorrer a vítima, ele a sugava até a morte.
Abandonado pelo mundo, seu destino foi vagar assombrando a vida das pessoas, tornando um pesadelo caminhar em trilhas no meio da mata, pois a sensação de medo proporciona um calafrio de temor, dando a impressão de que está sendo seguido e será atacado a qualquer momento. Nem o tempo conseguiu vencê-lo, pois ele se tornou uma lenda. Até hoje ele é temido nas trilhas e entre as árvores no meio da mata.
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Márcio Silveira em “Outono Implacável” - Citado por Penélope Charmosa

Ela pára! Levanta a cabeça. Olha ao redor e vê ninguém andando pelas ruas do centro. Só o vento, as folhas caindo e a chuva fina melancolicamente a escorrer por seus cabelos longos, negros, pesados. Leva a mão da aliança ao peito, a outra junto à barriga. Contrações e inchaços. Dores constantes nos pés, mãos, olhos, cabeça, costas, coluna. O vento é agradável, mas o ar lhe parece tão rarefeito, mal consegue respirar. Sente um aperto no peito, abraçasse procurando conter o coração disparatado. O outono vai ser implacável. O corpo frágil, lânguido tenta se deslocar rapidamente entre poças d’água, mas sente-se um caracol de casco quebrado ao ver o reflexo de sua carcaça. Vê pela primeira vez seu rosto por inteiro. A solidão é algo tão forte que as lembranças lhe dilaceram as entranhas. Segue o caminhar. Já é tardinha e murmura baixinho:

- Desgraça de vida!

Sente que o mundo já não lhe causará mais alegrias, com voz tremula segue exclamando:

- Vida triste sem sentido num mundo traiçoeiro!

Com aparência de sete meses sente o bebê chutar a barriga, como se quisesse dizer algo. Ela pára. Ele não. Com as mãos na barriga diz em voz alta e chorosa:

- Você quer a luz, mas é muito cedo, pelo amor de Deus agora não!

A chuva se estanca por um instante e seus sentidos estão tão sensíveis que sente sob os pés, através das folhas úmidas, o tremor das águas correndo nas veias do concreto ao mesmo tempo sente o sabor cítrico da chuva. O frio aumenta e a noite logo cobrirá a cidade com seu manto negro azulado de luzes irritantes para seus esbugalhados olhos. Olhos que tanto testemunharam, como há uma semana viram seus pais carbonizados num barraco na Vila Bom Jesus, presenciaram seu marido sangrar até a morte por oito furos nas costas uma noite atrás no beco do mijo. Suas lembranças são interrompidas de súbito quando percebe as pernas encharcadas de um sangue quente, por alguns instantes sente um misto de prazer e terror, em seguida afrouxa-lhe as pernas. A chuva e o vento, agora congelantes, voltam mais intensos. Parece castigo, pensa. Em prantos olha para o céu e as gotas chicoteiam sua face marcada por cicatrizes. E na ânsia de se livrar das lembranças que retornam, em desespero corre, corre como nunca, mas logo cansa, desequilibra-se, mergulha no asfalto, grita, urra como um cachorro atropelado, até a vida esvair-se toda pelos poros e buracos do corpo esgotado. Em meio aos relâmpagos e trovoadas a chuva ameniza e naquele rosto cor de nuvens paira um leve sorriso embalado por um choro de bebê.
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Outono - por Alba Vieira

Pedalo pela ciclovia e tão solta quase chego ao êxtase.
O vento me conduz e desalinha o meu cabelo.
As paisagens são descortinadas pelos olhos bem abertos.
E tudo segue a imutável lei da natureza...
Logo, as folhas irão desprender-se dos galhos
E as árvores desnudas testemunharão a mudança.
Haverá então um certo equilíbrio nos tons de sépia
E os corações repousarão,
Para que possam receber o aconchego prometido do inverno.

A cidade parece descansar agora.
E é capturada pelo instantâneo da máquina fotográfica
Dos meus olhos que percebem a passividade presente em tudo.
É tempo de repouso, só de receptividade.
Os dias de outono são tão férteis!
Em nós, o inconsciente domina a cena.
É como uma preparação para escolher os temas
Que iremos “hibernar” no inverno, se estivermos sós.

Pedalo movimentando as ideias na cabeça.
Elas vêm e vão, não se fixam, são como as folhas...
Mais tarde, novos ventos irão soprar até que a mente adormeça.
Então, em sonhos, meus eus se desprenderão como bolhas...

Não me esqueço que um dia você se foi de mim sem perceber
Que o tempo passou, se fez outono.
- É que o amor só permanece para quem compreender
Que com as folhas atapetamos o caminho para novos sonhos.
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.Visitem Alba Vieira....................
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Inexorabilidade - por Ana

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Miopia
Artrose
Surdez
Perdas
Calma
Frieza
Silêncio
Solidão
Outono.
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