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quinta-feira, 20 de agosto de 2009

Soneto Pós-nupcial - por Gio

Beijo os teus olhos, tão distantes quanto o céu
Que, majestoso, te contempla enquanto dormes
Tal como eu, que vigio-te conforme
Sonhas teu sonho, puro e doce como o mel

Tão belo sonho me traz preocupação:
Que dessa doçura não queiras acordar
Se for o caso, que nele eu tenha lugar
E nossos passos lado a lado estarão

Um raio de luz atravessa a janela
Mostra teu rosto em traços de aquarela
Para este tolo, que ainda te vigia

Quando abrires os teus olhos, de repente
E acordares de teu sono tão contente
Serei o primeiro a te dizer “Bom dia!”



Visitem Gio
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Soneto da Fatalidade - por Ana

(Paródia de “Soneto de Fidelidade”, de Vinicius de Moraes)


De nada a esse animal serei atenta
Nunca, e com tal frieza, e sempre, e tanta
Que mesmo diante dessa jamanta,
Dela não se ocupará minha garganta.

Vou desmascará-lo em cada argumento
E pra seu terror cada vez mais me abrilhanto
Ao rir meu riso e derramar seu pranto,
Pro seu pesar, até seu passamento.

E assim, quando em breve te triture
Esta Samurai, e te ponha no esquife,
Acabará de vez este seu melodrama.

Eu apenas direi sobre tu, patife:
É tão ruim que o corpo ninguém reclama,
Não se ouve uma prece que alguém murmure.



Resposta a Soneto da Terceira Idade, de Gio.
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Sobre Penas, Escamas e Dores de Cabeça - por Gio

Aponto o lápis e pego a caneta
Apoio a folha sobre a prancheta
Apresentando uma nova faceta
À predadora de outro planeta

Sibilo o que precisas escutar
Se, bem, não consegues acompanhar
Sugiro muita atenção prestar
Suspiro - eu vou ter que desenhar!

Primeiramente, falo da galinha
- Presta atenção, senta na cadeirinha -
Prenda lhe dada pela ladainha
Precoce de chamar a Escrevinha

Incoerências eu já apontei
Invenções ogras sobre “sapo-rei”
Inversões tortas do que eu falei
Impulsos antagônicos sem lei

Argumentar? Disso já tô cansado
A raiva é ser sempre ignorado:
Arredas o que digo, afiado,
Aí respondes: “Nada foi falado...”

Chamei de ladra alguém que falou
Chamando plágio o que não inventou
Chorando lágrimas (Cê magoou?)
Cheias do veneno que fabricou

Falsa, és delirante e escabronha
Fala como pões cabeça na fronha,
Fazendo vigarice tão medonha?
Fato: tu deverias ter vergonha!

Quanto ao Duelo, pra quê me esforçar,
Querendo novamente argumentar?
Quem lá ficou, pode presenciar
Quantas mentiras foste já falar

Se fome me fosse impedimento
Seria triste, mesmo, um sofrimento
Sentar-me-ia a todo momento
Sereno, em prantos, “Eu não mais aguento!”

Porém provei aqui não ser o caso
Portei-me bem, e nunca fiz descaso
(Pose tão digna de um nobre vaso)
Podes isso desmentir, por acaso?

E pra tu veres só que ironia:
Enquanto lutava, rango eu pedia
E, sem parar a coreografia,
Eu me alimentava e batia

Sumiu o povo, pedido à vista
“Shintoni, paro? Tem ninguém na pista”
Se vê que é coisa de exibicionista
Sem fibra, nem um pouco realista

Três quadras? Fiz bem mais que isso, filha!
Te enquadras, ó rimeira maltrapilha
Tremendo em sua naufragada quilha
Temendo perecer ao Farroupilha

Foi quando o estádio se esvaiu
Fiquei a ouvir reclame que latiu -
Foi tu, insatisfeita, que pediu
Findar o duelo que existiu

Mal satisfeita com o nosso empate
Mudou o final da luta em disparate
Maldisse-me “que da cuca não bate”
Meu Deus, e ainda quer que eu acate...

Desesperada, até não poder mais
Deixando boquiabertos nossos pais
Desonesta, folha 1 dos jornais
Desonras o nome dos samurais

Agora sou eu cá que te ordeno
A recolher-te em canto sereno
Acomodando-se em cama ou feno
Até sentir o teu mal mais ameno

Último toque, samurai pequena:
Um homem cede a uma bela melena
Uma vez só, outra jamais engrena
Urrou de novo? Só digo “Que pena...”



Resposta a Fechou o Tempo, de Ana.
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Visitem Gio
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Recado ao Monge - por Escrevinhadora

O duelo recomeçou
e pelo jeito vai longe
eu sou madrinha da Samurai
não posso torcer pro Monge
eu queria ser imparcial
mas aqui não sou juiz
e a consciência me diz
que posso ser passional
então lá vai (aos berros)
ESCUTA AQUI SEU MOLEQUE
COMO É QUE VOCÊ SE ATREVE
A CHAMAR A ANA DE MEQUETREFE?
baixando o tom:
(tua resposta tá bem engraçada
cheguei mesmo a dar risada).
Mas ela é minha afilhada
o dever de madrinha me obriga
a tomar parte nessa briga.
Por isso te digo rapaz
foi você quem vacilou
pediu pausa, pediu trégua
alegando estar com fome
isso é lá papel de homem?
De um Monge o que a gente pensa
é que domina sua mente
que respira, se concentra
um monge não sente medo
nem fome, nem sede, nem frio
na minha opinião, Gio
foi você que amarelou.
Do jeito que o duelo acabou
proclamo a Ana vencedora
e assino embaixo, com louvor
madrinha dela, Escrevinhadora.



Resposta a Uns Voltam, Outros Não, de Gio.
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A Terrível Dor de Dentes - por Adir Vieira

Hoje é o quinto dia em que convivemos juntas – eu e minha dor de dentes.
Anteontem, não deu pra esperar. Rumei para o dentista que me prometeu um atendimento de “encaixe”.
Depois de duas horas na sala de espera, convivendo com algumas pessoas com máscaras na boca, temerosas da gripe do “porco”, entrei no consultório, zonza de dor.
Confirmada pelos raios-X a necessidade de se fazer canal, apesar de externamente absolutamente nada provar tal suspeita, sofri com a anestesia uma tremenda falta de ar, não sei se provocada pelo meu medo costumeiro daquela cadeira, onde nos sentimos totalmente impotentes e dominados.
O canal foi aberto e sentindo meu bloco colocado há três anos atrás, que me custou os olhos da cara, indo pelos ares, já não conseguia distinguir a dor mais forte – a dor real ou a dor do meu bolso quando fossem fazer novo bloco.
Não é necessário dizer que saí de lá com uma lista de medicamentos que deveriam conter a dor que eu ainda sentia. A recomendação do dentista é que eu deveria ligar para o seu celular, a qualquer desconforto.
Vim pelo caminho tentando identificar seus presságios. Seria um ato de delicadeza de sua parte por ser eu uma nova cliente ou meu caso era por demais grave e requeria uma atenção especial?
Não preciso dizer que daí para frente meu martírio ficou ainda maior e nada mais foi objeto de minha atenção naquela noite. Pensei em ficar de tocaia, sem dormir, mas a primeira dose da medicação cavalar me abateu nos primeiros trinta minutos, após minha ida para a cama.
Devo ter apagado totalmente, como disse meu marido, mas ao ser despertada pelo celular para tomar a segunda dose, em plena madrugada, constatei que ela apenas havia diminuído e lá continuava sorrateira, a me lembrar que não podia esquecê-la. Felizmente, não custei muito a conciliar o sono e acordei feliz, ontem, por estar sem nenhuma dor.
Mas hoje, apesar de ter tomado a quinta dose dos remédios, ela recomeçou a me perturbar. Começo a entender porque foi recomendado o analgésico se eu ainda sentisse dor.
Nesse momento, com o estômago doendo pelo efeito dos anti-inflamatórios, estou duelando com ela – a terrível dor de dentes – para não usar o analgésico.
Vamos ver se eu aguento.



Visitem Adir Vieira
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Florbela Espanca em “Conto de Fadas” - por Alba Vieira

Eu trago-te nas mãos o esquecimento
Das horas más que tens vivido, Amor!
E para as tuas chagas o unguento
Com que sarei a minha própria dor.

Os meus gestos são ondas de Sorrento…
Trago no nome as letras de uma flor…
Foi dos meus olhos garços que um pintor
Tirou a luz para pintar o vento…

Dou-te o que tenho: o astro que dormita,
O manto dos crepúsculos da tarde,
O sol que é d’oiro, a onda que palpita.

Dou-te comigo o mundo que Deus fez!
- Eu sou Aquela de quem tens saudade,
A Princesa do conto: “Era uma vez…”
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Vinicius de Moraes e o “Soneto de Fidelidade” - Citado por Lélia

De tudo ao meu amor serei atento
Antes, e com tal zelo, e sempre, e tanto
Que mesmo em face do maior encanto
Dele se encante mais meu pensamento.

Quero vivê-lo em cada vão momento
E em seu louvor hei de espalhar meu canto
E rir meu riso e derramar meu pranto
Ao seu pesar ou seu contentamento

E assim, quando mais tarde me procure
Quem sabe a morte, angústia de quem vive
Quem sabe a solidão, fim de quem ama

Eu possa me dizer do amor (que tive):
Que não seja imortal, posto que é chama
Mas que seja infinito enquanto dure.



In “Antologia Poética”.
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Bruna Lombardi em “Tocaia” - Citada por Penélope Charmosa

Que o amor nos possuísse
no meio de um descampado
num jogo que não tem regra
nem pecado.

Numa tortura lenta
com ritual absoluto
que o amor nos possuísse
doce e bruto.

Que houvesse fuga e corrida
e grito agudo na boca.
Que a dança fosse selvagem
e louca.

Com maldade instintiva
guerra de unha e dente
todo impulso desmedido
corpo quente.

Depois na hora do cerco
firmes os cinco sentidos
vem o animal e se envolve
atraído.

Pra que dure mais o jogo
ora foge ora se entrega
se joga se abre provoca
depois nega.

Cúmplice do adversário
de manso se defendendo
vai pouco a pouco à cilada
cedendo.

Corpo todo se espalhando
no meio do descampado
na luta quem não domina
é dominado.

E aí segura a corrente
manseia cavalo bravo
na luta quem não é senhor
é escravo.

Chegada a hora da posse
o momento mais violento
novilha presa arqueia
sem movimento.

No meio do seu combate
foi afinal possuída
e geme pra essa morte
melhor que a vida.

Se enrosca sentido o gosto
de ter sido capturada
sabendo que foi vencedora
e derrotada.

E depois de tudo resta
um cansaço ainda melhor
sorriso dentro do corpo
fora o suor.

Que o amor nos possuísse
com sensação de perigo
no meio do descampado
com dois inimigos.



In “No Ritmo Dessa Festa”.
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