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(Aviso: Os textos em amarelo pertencem à categoria
Eróticos.)




domingo, 31 de janeiro de 2010

Tema do Mês de Janeiro: Fronteiras

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Caríssimos amigos:
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Hoje foram publicados os textos referentes ao tema do mês de janeiro: “Fronteiras”
(segundo colocado na enquete de novembro).
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Participaram:
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Aaron Caronte Badiz
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Ana (2)
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Dália Negra
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DEP
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Lélia
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Nan
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Soraya Rocha
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Muito obrigado a todos que colaboraram com esta “blogagem coletiva”!
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Um grande abraço!
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Amor sem Fronteiras - por Aaron Caronte Badiz

Meu amor:
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Hoje venho lhe dizer que por todo o tempo que convivemos eu me senti um com você. Somos um casal com nossas diferenças pessoais, com nossas formas individuais, tão distintos um do outro... Mas ao mesmo tempo somos um mundo à parte de todos, um mundo harmônico, das mesmas palavras, das mesmas ideias, do mesmo pensar.
Somos um, meu amor, somos um só. E nós, dentro destas fronteiras que nos separam do que há lá fora, não temos nenhuma fronteira entre nós. E por isso eu te agradeço hoje e sempre.
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.....Com carinho,
..................Aaron
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Fronteiras da Alma - por Adriana Nunes e Nan

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Foto: R. Conther
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Fronteiras... É difícil cruzar fronteiras?
Demorada, árdua e temível travessia?
Fronteiras íntimas... Fronteiras do autodescobrimento...
Prisões sem paredes... Escalas da alma... Ilha do Individualismo...
Essas, se não são as mais difíceis, são da mais gratificantes de serem alcançadas...
Buscar valores soterrados no seu íntimo. Encontrar-se com a vida. Agigantar-se e humanizar-se... Olhar o mundo não mais com lâminas baças de vidro que distorcem a realidade...
Todo ser humano precisa cessar a correria alucinada para lugar nenhum, minimizar a saudade, preencher a solidão, acalmar a ansiedade, evitar a dor...
Identificar as necessidades da sua realidade emocional, das aspirações legítimas, as reações diante das ocorrências do meio...
A busca de si mesmo, para a liberação de conflitos, amadurecimento psicológico, afirmação da personalidade, resulta de uma consciente disposição para meditar...
Livre, que se domina e se conquista, esse sim é o ser que se ultrapassa...
O homem é pássaro cativo fadado a grandes vôos e só terá paz interior quando transpuser suas fronteiras íntimas, quando deslocar para o passado seu estado atual de vazio...
Ter ouvidos para ouvir os discursos da alma. Registrar a melodia dos próprios ritmos interiores...
Fronteiras... O amanhã será muito melhor... Usar a simplicidade do coração... Tudo o que acontece com nossos corações tem fundamentos, por isso olhe pra dentro de você e acredite que você pode e vai conseguir... Somos apenas um espaço que a vida ocupa... Responsabilidade com o meio...
Entre o certo e o errado existe o necessário...
Somos únicos e especiais, nunca tente entrar numa forma... Vai faltar ou sobrar espaço...
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Visitem Adriana Nunes
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Somos Todos Um - por Alba Vieira

Que fronteiras pode haver
Olhando do ponto de vista da emoção?
Quando o homem vai entender
Que fazemos parte da mesma amplidão?

O que separa é sem valor
Por que insistir na posse?
Criamos um mundo sem cor:
Viver só na matéria não traz sorte.


Se há caminhos, há espaços distintos
E, portanto, fronteiras existem
Mas se seguimos nossos instintos
Semeando amor, dissolvemos todos os limites.
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............................Visitem Alba Vieira
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Trilhas - por Ana

passeio a língua na tua boca
a boca na tua língua
eu te pinto de carmim
meu sangue nas tuas veias
exalo tua paixão
recolho tuas vontades
atendo os teus desejos
num mar de serenidade
eu abandono meu mundo
nas trilhas de tua pele
somos um só universo
sem fronteiras que o revelem
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Fronteiras - por Cacá

“Eu já subi demais
Eu já desci demais
Eu já fiz coisas que um jipe não faz”
(Cantiga entoada em minha cidade na época de menino.
Autor desconhecido)
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Quando menino eu precisava sempre subir um morro, seja para matar a curiosidade, seja para simplesmente atingir o outro lado das montanhas da minha cidade indo para a escola. Era a minha fronteira. As montanhas de Minas sempre foram as minhas fronteiras geográficas. Lá de cima é que a gente tomava conhecimento que o horizonte era um infinito de possibilidades.

Quando conheci o mar eu não gostava de voltar para casa. Ficava olhando lá naquele lugar onde criança achava que ele faz a curva e entorna. Acho que não é só do espaço que dá para perceber a forma arredondada da terra; no mar também, pois era nítida a minha sensação de que lá naquele local onde a vista alcançava o fim do horizonte, o mar entornava. Imaginava que ali ninguém podia chegar, sob o risco de cair num buraco que representava o fim do mundo físico. Eram estas tão somente as minhas fronteiras.

Depois a gente cresce e o significado de fronteiras passa a ser mais ameaçador do que montanhas e águas derramadas no redondo fim do mundo. Até porque, limites a gente passa a conhecer pouco a pouco. Durante a fase de crescimento, são os pais dizendo que isso pode e aquilo não pode; é a escola com seus ensinamentos de sociabilidade, por si mesmos repletos de limites. Para os que possuem alguma religião, é ela, talvez, a que impõe mais fronteiras, através da intimidação psicológica, o que limita mais a gente, se não conseguimos separar a fé no divino da subserviência cega a preceitos e cânones. Tem depois o patrão que, puxa vida, vai colocar limites assim, lá não sei onde... Mesmo para quem cria a possibilidade de não depender dele, enfrenta limites na concorrência como empreendedor ou autônomo.

Aprendemos a respeitar um tanto de coisas importantes outras nem tanto. Mas os limites aprendidos têm também a função de fornecer discernimento e ajudar nas escolhas futuras.

Certo é que não vejo possibilidade de vivermos a não ser cercados; numa liberdade que tem no seu próprio conceito social amarras com nós indestrutíveis e outros que são apenas laços que podemos afrouxar às vezes em busca de mais liberdade, sempre tentando minimizar o que nos é fronteiriço. E nisso entra o pensamento, a única liberdade da qual podemos gozar sem nenhuma fronteira.
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Visitem Cacá
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Véus - por Dália Negra

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Invisível véu dos meus sonhos
.Que transforma o mundo em algo bom.
..Estranho véu, a minha vida,
...Que me foi dada como dom.
...Parco véu, a esperança,
..Que não me cobre o necessário.
..Véus que uso como fronteiras
.Neste mundo temerário.
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Elástico Frouxo - (Anônimo)

Ter de volta minhas fronteiras
Com adjacentes que eu escolha
Tudo limpo, sem sujeiras
Um jardim, flores que eu colha...

Onde estão os meus limites?
Onde foi que se perderam?
Eu tenho alguns palpites
Foi crueldade, me prenderam...

É demais, é de alargar
essas invasões de espaço
Não vou mais me esforçar
desfaço de vez este laço.

Mas mando embora o encosto
Ainda me resta seu rebento
Que até aqui me deu desgosto
Desse encontro me arrependo.

Não quero mais hoje ser forte,
com desprezo vejo a esperança
quero algo que de uma vez corte
e não reste nem lembrança.

Com cheiro, gosto na boca
Que me lembra naftalina.
Coisa velha, seca e oca
Espanta qualquer menina.

É triste demais pra mim
pois não o deixa com opção
Será mesmo este meu fim?
Ter gastrite por seu bafão?

Talvez se pervertido não fosse,
e incesto socialmente admitido...
A solução o passado já trouxe:
Jocasta e Édipo, eles, casal travestido.

E eu reencontrava a fronteira
que esse trauma me tirou.
E enfim se esgota a bobeira
Que de surtar me livrou.
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Fronteiras - por Esther Rogessi

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Esse é um tema bastante abrangente. Podemos dar asas à imaginação... O sentido etimológico da palavra define-a por ponto determinante de um ‘limite’. É a pedra, o ponto, onde sabemos começar e/ou terminar uma área, quer seja em terra, mar ou ar. Objetiva os nossos direitos, trazendo para cada um de nós a conscientização de que não somos únicos e não estamos sós no planeta. Ele não gira exclusivamente e nem isoladamente para um ou alguns, porém para todos.
Ela é precisa, determinante! No entanto, é também... ponto de unificação. Temos que acatar a verdade concreta – demarcada por uma pedra, cerca, muralha etc., visível e silente, até o momento de sua ultrapassagem sem aviso prévio e a sua devida licença –, de que o nosso direito termina onde começa o do próximo...
Em se tratando, de forma pertinente, sobre ‘Literatura Virtual’..., façamos uma analogia sobre a temática em questão: ‘Fronteiras...!’ Verdade é que se fala muito sobre liberdade de expressão escrita e questionamentos outros, pertinentes ao já exposto. Poetas, escritores e aspirantes desejam a liberdade de se expressar sem que venham ser constrangidos pela imaturidade e até distúrbios psíquicos de tantos quantos se dizem escritores e poetas, mas não se dispõem a aceitarem idéias, ideologias e/ou posicionamentos, sobre temáticas múltiplas, contrárias às suas... crendo estar sendo ofendidos, ao identificarem-se com as tais. Em se tratando de escritos religiosos... É com pesar que observo e concluo o fato de que o Senhor Jesus continua sendo crucificado a cada dia. Mesmo após dois mil anos. Pois todas as religiões, todos os credos, ou falta deles, quando expressos literalmente, são respeitados e/ou pouco discutidos, questionados, enquanto que, quando se expõem verdades bíblicas – quer cristãs católicas ou evangélicas, o Deus é o mesmo –, surgem inquietações, discordâncias e até mesmo falta de respeito pelos escritos expostos – ultrapassagem de fronteiras, limites! –, o dever universal do reconhecimento da individualidade do ser humano, sobre suas ideologias e/ou fé. O macumbeiro se expressa e ninguém vai de encontro às suas crenças, o espírita, o budista, o satanista... idem! Porém, ao escrevermos sobre passagens bíblicas... Logo, alguém se pronuncia dizendo: “cada um tem o direito de exercer a sua fé!O mais espantoso é que estes não se apercebem de que esta frase denota perseguição, opressão e discriminação por parte de quem se acha discriminado! Como se pode entender...?
Cristo continua e será sempre O CRISTO!
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Fronteiras - por Kbçapoeta

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Alguém verá acontecer.
Será o belo dia
Que não haverá propriedades,
Não existirão cercas ou arames farpados.
Todos poderão andar do sertão brasileiro
Até as geleiras internacionais,
Não encontrarão dentes cerrados nas fronteiras.
Não haverá fronteiras, cancelas ou portão.
Compreenderão que a terra é a mesma,
Somos todos irmãos.
Será abolido o interesse escuso
Que fabricou carimbos
E a estupidez,
Que nos separou em fronteiras.
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.Visitem Kbçapoeta............
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Fronteiras - por Leila Dohoczki

Frias e tênues linhas por sobre o mapa
Dividem o mundo em tantas partes diferentes
Marcando o espaço de todo ser vivente
Separam chãos, separam gente.
Que na busca incessante de liberdade
Prendem-se entre quatro paredes
Vivem até que seu tempo ultrapasse
Os limites da vida, a morte.

Ai, gente sem sorte!

Choram guerras e fome
A doença sem cura,
A vida tão dura
Que o próprio homem criou
Nas diferenças impostas
Por seu desejo de posse
Nada dividem que possa
Ser de todos, consorte
O saber guardado
A verdade fracionada
Que não cura, não responde, não salva,
A existência num barco à deriva,
Gente que teme o naufrágio e espera salvação.

Temem a morte, mas separam vidas
Querem a sorte, praticam o azar
Têm em todos os limites a origem
No triste limite em amar...

Pobres detentos!

Prisioneiros de si, nos limites do próprio pensamento
Que em ilusório sentimento de glória e de poder
Vivem assim, na mais limitada experiência do ser
Entre dores, falsos sorrisos e amores
Nas duras penas da luta em ter sem possuir...
Olham por entre as grades de momentos lúcidos
A vida sem fronteiras, um novo amanhecer, mas temem!
E continuam presos em si.

Incapazes de atravessar a fronteira entre o ser e o existir...
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.................................................................Visitem Leila Dohoczki
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As Fronteiras - por Lélia

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Entre todas as pessoas há fronteiras. Às vezes elas são nítidas, às vezes não. Algumas pessoas deixam bem claro que não há como chegar até elas e que você deve manter distância, outras agem como se suas fronteiras não existissem. Mas não há forma melhor de ultrapassar as fronteiras humanas possíveis do que através de um caloroso e amigo abraço.
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Menos que Fronteira, Parte Distância - por S. Ribeiro

erramos erramos e esquecemos este exato momento

sonhamos tramamos consideremos os travesseiros que assim sem ousadia não nos tenho

corpo sim porque não inventas algo para que paremos e reivindiquemos aos sábios, momentos

em silêncio denuncio formas de amuleto formas de silêncio verdades no limite

da minha mão solta e suja
manufatura de fronteiras
eis que invoco aos deuses dum plano ou de um morro
que te esqueça no rio fronteiriço de
meus pés

me puxe que temos entre nós somente pelos não cercas eletrificadas
me mostre além de meu país tuas tundras tuas vergonhas teus espelhos
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Visitem S. Ribeiro
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Fronteiras - por Soraya Rocha

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Há fronteiras por toda parte
Há fronteiras de toda sorte
Há fronteiras sem alarde
Há fronteiras de todo porte
Há fronteira que em mim arde
Há fronteiras que são cortes
Há fronteira no fim da tarde
Há fronteiras que são fortes
Há fronteira que me parte
Mas... há fronteiras que são sorte
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Desafios - por Tércio Sthal

No front que ao ser afronta,
marcos que desafiam a fronte,
fronteiras a se levar em conta,
por obstruir novos horizontes,
testar limites, recursos, fontes,
em fases que amedrontam.

As fronteiras sempre demarcam
o lado de lá e o lado de cá,
e tentam prender quem está
de um ou de outro lado da marca.
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Visitem Tércio Sthal
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A Invasora de Sonhos - por vestivermelho e ZzipperR

Cansado desse mundo real, deitei em minha cama macia abraçando o meu travesseiro, apertando-o em meu rosto descansando em seu cheirinho aconchegante e perfumado na suavidade do lençol, como se estivesse deitando sobre as nuvens.
Meu corpo cansado se tornou um estranho para mim e o deixei abandonado partindo para o sonho, deixando um peso para trás e navegando leve, rolando sobre o lençol e me entregando aos poucos, abrindo a minha mente e saboreando um universo sem fronteiras.
Entrei em um paraíso onde o irreal é real para mim e a alma corre livre e gritei com eco no vento:
Traga o amor pra mim!
E ouvi o eco das minhas palavras distantes:
Traga... traga... traga... O amor... o amor... o amor... Pra mim... pra mim... pra mim...
Escutando os meus apelos, o sonho me levou em seus braços para longe, um mundo distante e leve, solto como uma pipa flutuando solta no ar e sem saber onde cairá.
Sonhando eu vejo o mar e sinto uma vontade louca de te amar, me perco nos pensamentos e saio correndo querendo abraçar as suas ondas.
No sonho encontro uma flor inspirando o calor do amor, corro e a pego, vendo uma abelha invasora de sonhos pousar em minha flor, sugando o néctar do amor.
Porque invade as fronteiras do meu sonho abelha dourada?
Tento expulsá-la do meu sonho e sinto seu ferrão cravar em minha mão trazendo uma dor aguda e profunda, que sobe pelo meu braço invadindo o meu peito e dominado pela abelha invasora eu deito.
Indefeso e alucinando com os olhos fixos no céu azul, a vejo como uma grande águia voando rápido em minha direção, pousando no meu peito, cravando as suas garras no meu coração e levando embora.
Sem limites ela invadiu as fronteiras dos meus sonhos. Se eu sonho com o sol ela é a lua, se sonho com a flor ela é a abelha, se sonho com o galho ela é a folha e se sonho com o amor ela é a flor.
Não consigo mais sonhar sem ela, pois sem a invasora de sonhos sou um homem sem coração e abandonado pelo amor.
Sem ela eu não existo
Sem ele eu não existo
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Zzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzz e Vvvvvvvvvvvvvvvvvvvvv
VruummmmmmmmmmmZummmmmmmmmmmmm
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Um Lutador - por ZzipperR

Entre tantas pessoas ele vivia sozinho, isolado da vida, das pessoas e do amor, se escondendo em um quarto escuro e abandonado, fugindo de uma luta interna onde teria que se enfrentar com medo de ser derrotado.
Girando em sua cabeça havia um anjo, não sei se era criação da sua própria mente ou Deus mandou alguém em seu socorro. O anjo brilhava com uma luz pacificadora prateada iluminando seu cantinho.
O quarto úmido gelava seu corpo, que tremia desejando vitaminas malditas, alucinantes da escuridão, que o levavam mais e mais para o fundo, onde a luz partiu desprezando seus sentidos, confundindo seus sentimentos, vontades e raciocínio, com golpes que o faziam rolar no chão.
O anjo prateado não o abandonava mesmo nos momentos em que ele fugia se esquivando da luz e permanecendo rolando no chão conflitando consigo mesmo, abandonando seus amigos e se entregando aos pesadelos, pois já não conseguia mais sonhar, ele foi abandonado pelo sonho.
Numa luta entre o bem e o mal uma visão anestesia seus pesadelos, um flash prateado invade seus olhos fechados lutando contra o lado escuro da vida, deixando-o encurralado em um beco escuro, incapaz de reagir, envolvido e nocauteado pelo mal.
Sem luz a vida é derrotada pela morte, seu corpo não reage e ele implora para morrer, seguro apenas pela luz prateada de um anjo lutador aliviando a sua dor e seus conflitos.
Uma visão prateada de um anjo que invadiu o seu inconsciente, no subconsciente da alma pedindo silêncio e equilíbrio na escuridão dos olhos e da vontade valente de vencer uma luta entre o ser e o não ser, virando as costas para a vida.
A morte e o anjo lutando pelo grande troféu. A morte usando seus golpes alucinantes e depressivos, apagando a luz da vida e jogando-o em um labirinto, insistindo em sua desistência e entrega da alma. O anjo segurando sua vida com um raio prateado de luz injetando uma poção de amor, que o mantém vivo e lutando.
Depois de muita luta o anjo penetra em sua mente doente, levando uma visão doce de paz. Uma brisa suave em sua mente quase derrotada que começa a reagir lentamente, chamando-o de volta à vida, às belezas do mundo iluminado pelo amor a si mesmo.
Oferecendo-lhe a mão, o anjo prateado entrega-lhe o grande troféu. Sua vida que ele conquistara de volta, sendo um grande lutador com a ajuda do anjo prateado do amor, que é uma ponte aliciadora do amor, da vida e uma luz divina.
Luta lutador! Luta a favor do amor e da vida levando luz e amor como consolo e paz para outros que também se perderam na escuridão e precisam de alguém para segurar as suas vidas com sua paz iluminada, levando flashes de amor às suas almas perdidas e desnorteadas em alucinantes mortais.
A luta continua incessante pela vida mesmo perdendo algumas batalhas vencidas pela escuridão, levando a vida embora e enquanto tiver uma gota de esperança, terá um anjo prateado procurando uma maneira de levar luz à alma e injetar amor no coração para trazê-lo de volta à vida, mas para isso você precisa ser um lutador e nunca se entregar atravessando a fronteira da vida para a morte.
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Zip...Zip...Zip...ZzipperR
Um anjo prateado...........
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Visitem ZzipperR
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O Roçar da Vida - por Ana

Divisas, limites, muros,
Tapumes, painéis, divisórias...
Do outro lado de cada cerca,
Muitas distintas histórias.

Histórias que são rumores
De vidas iguais às nossas.
Mas cada um com seu arado,
Tão diferentes as roças...

Uns que plantam pimenteiras,
Outros, pomares em fim,
Há os que constroem cercas,
Os que adoram capim.

Aqueles que roçam cedo,
Os que deixam ao Deus dará,
Os que preferem roseiras,
Outros, um pé de cajá...

Há plantios bagunçados,
Os de comigo-ninguém-pode,
Há cafezais bichados,
Os que alimentam bodes.

Bananais apodrecendo,
Roçados comunitários,
Hortas sem um cercado,
Há os latifundiários...

Mas o que quer que a gente plante
Nas fronteiras de nossas vidas,
Sabemos: vamos colher
Conforme a semente escolhida.
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Fronteiras Invisíveis - por Cacá

Quando penso em fronteiras me vem à mente um outro pensamento não geográfico. A normalidade e a loucura. Essa é a minha fronteira imediata para pensar. Até onde vou com meu pensamento? Até onde a loucura não é o que me conduz? E que referências uso para diferenciar loucura de normalidade, senão um conceito que eu mesmo estabeleço de fronteira, de normalidade e de loucura?
Ai, meu Deus, acho que entrei por um caminho que não sei onde vai dar! Então, estou no limite. Agora, aqui escrevendo, acho que sim. Nas ações, um discernimento fala mais alto, pois provavelmente terei reações, como na lei da física. E tem muitos atos com que posso desagradar a mim mesmo ou ao próximo. Então sou um pouco mais definitivo quando ajo do que quando penso. Lógico, não? Pronto, outro limite!
Entre tantas escolhas à disposição, a única certeza que fica é que não posso parar no meio do caminho. Afinal, a vida tem uma fronteira bem absoluta que é o seu fim a qualquer momento.
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Visitem Cacá
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sexta-feira, 29 de janeiro de 2010

Considerações de Hefaistos - por Kbçapoeta

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Adoro o fogo do senso comum
Como terra e ar.
Ando sempre em frente
Contra o vento.
Sou água em um barril de éter
A espiral existe e insiste em girar.
Falsas histórias!
Muitos monumentos!
Eles comprovam toda a verdade
Que surgiram de mentiras contadas
Inúmeras vezes.
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Visitem Kbçapoeta
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Hermógenes e a Busca do Homem - Citado por Alba Vieira

O homem está fugindo.
Foge dos outros.
Foge do tédio, do perigo, da ansiedade, do vazio, da fome, da guerra, da privação, da morte...
Mas a fuga principal é aquela com que procura escapar do encontro consigo mesmo.
Cada um se sente, para si mesmo, a maior ameaça, a decepção maior.
O homem tem medo de saber o que ele é.
Todas as portas de escape são buscadas, contanto que se aliene do que é ou supõe ser.
LSD, aquisições, aplausos, divertimentos, prazeres, euforizantes, vícios, pervertidos ócios, negócios sufocantes... As portas são muitas...
Que pavor da solidão!
Todas as portas parecem válidas, mas são frustradoras.
Que pavor do silêncio!
Silêncio e solidão lhe parecem ameaças. Por isto são temidos e evitados.
Lastimável e trágico erro!
Poucos podem aceitar que a salvação está na direção oposta à da fuga.
A libertação, o remédio e a paz estão no fim da estrada do silêncio e da solidão.
Foi-nos insistentemente ensinado “conhece-te a ti mesmo”. Têm-nos insistentemente repetido que a “verdade que liberta” nos salvará.
Mas, até agora não aceitamos.
E o escapismo universal segue devastando o homem e tudo.
A procura de si mesmo - em silêncio e só - é a esperança.
E a minha esperança é que se voltem para ela todos os homens.
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Libertando-me - por Duanny

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O que é que estava acontecendo, de verdade? Por que nunca ninguém me disse os terríveis erros que eu estava cometendo? Por que nunca ninguém me proibiu nada?!

Naquela tarde acordei, tonta, devagar, e extremamente desnorteada. Fazia um tempo já que eu não tinha noção de meu próprio corpo, de meus atos ou de meus pensamentos, todos eles já estavam domados por você, cruelmente por você e, é claro, você nem se importava; na verdade você nem imagina como me destruiu.

Acho que foi naquela tarde a primeira vez que chorei, por ver o monstro que eu havia me tornado, tudo isso por amar você, e você me dizia “tudo bem amor, esses comprimidos vão deixar você dormir melhor”. E eu sempre acreditei em você, cínico.

Enquanto você ficava aí me olhando com cara de gozação, eu me perdia em meio a constrangimentos e humilhações. Enquanto você me olhava como se eu fossa a única e diz “tá tudo bem amor, isso passa”, eu me sentia uma prostituta drogada, recém-expulsada de sua própria alma. A troco de que me fala?!.

Tomei coragem. Eu precisava de coragem, senão até quando tudo aquilo iria se repetir? Levantei, te olhei no fundo nos olhos e disse:

- Vai se ferrar!!!

Talvez essa tenha sido a melhor coisa que eu já fiz na vida. Depois me lembro de ter saído daquele bordel com cheiro de perfume barato e deixado para trás um amor, lágrimas e uma prostituta dopada.

E tenho orgulho de dizer que também deixei pra atrás aquilo me mais me assombrava, aquilo que mais me corroía, me constrangia e me fazia sofrer, deixei para trás o pior vício da minha vida: você.
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Visitem Duanny
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Mulheres de Fogo Poético - por Esther Rogessi

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Agora enterraste tudo...!
Das cinzas a Fênix grata se erguerá!...
... Em fome de lume reavivará suas chamas...
Desejo assim... pois, muito sucesso para ti...
(Ana Bárbara de Santo Antônio)
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Ressurge ó Fênix!

Falas de algo deixado de lado...
Do despertar de um sonho por ti cultivado...
Cortado, enterrado... nas cinzas deixado...!
Tal qual Fênix... Ergue-te das cinzas!
Em fome de lume reavivas tuas chamas.
O amor é assim... Luta insana!...
Culpa não tenho... sou poeta menina,
Que ama um menino... Não culpes esta dama!...
Bate em meu peito um coração doído...
Doido varrido por quem ele ama!
Semente antiga do meu passado...
Deixada de lado... Jamais esquecida!
(Esther Rogessi)......................................
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Falam-te as cinzas de um fogo apagado...

De labaredas por despertar...
As mesmas pó, fogo sagrado... nas cinzas deixado!
A Fênix erguida... por resgatar...
Em fome chama... reavivas tuas asas.
O amor é assim... luta estranha!
Que do fogo tem sua chama acesa de brasas.
Arde e dói sem querer...
Pode o passado fazer viver
Doido varrido se ergue no peito
Semente em cinzas chamas
Por dentro arrefecer
Deixado ao acaso descontente
Aqui de palavras declamas
Insano indiferente
Amor do passado
Por esquecer...
...Musa
(Ana Bárbara de Santo Antônio).......................................
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Esquecer...

Bem que eu queria, ó pássaro de fogo...
Fogo ardente queima em mim...!
És fogo sou fênix do bico dourado...
Choro o amor do passado,
Que em mim não passou...
Doces lembranças d’alma insana,
Surgem das cinzas de um fogo apagado
O pássaro de fogo ressurge enfim!
Falar compassado... Medido, provado...
Vôo alçado para aquém do presente...
Enlevo... doçura, estás a minha frente
Procuro tocar-te, em vão alcançar-te...
Falho no tato... Como sentir-te?
Tuas asas bateste reflexo dourado...
Banhei-me em teu brilho...
Dourada fiquei...
Na quente areia d’uma praia distante
Fui feliz por um instante...
Logo... Acordei!
(Esther Rogessi)............................................
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Ó doce sonho...
Desejei-te por longo tempo!
Busquei migalhas... Alimento raro...
Preço caro paguei por ti...
Bambeei, cambaleei... emoção senti...
Ofeguei correndo só para ver-te...
Não pude deter teu passar por mim!...
Alegria insana... Enlouquecida de amor,
Jamais os teus braços meu corpo abraçou!
Quanto quis tocar-te... Dedilhar-te o corpo,
Cheirar teu pescoço... acordar algo em ti...
Também me querias... a mim desejavas,
Com outra na cama... pensavas em mim!
Traías-me... com ela estando...
Traías a ela pensando em mim!
Durante as noites em que estavas com ela
Naquele momento... Chamavas por mim!
E, eu... com outro ao meu lado...
Sofrer solitário... Jamais te esqueci...
Algumas das vezes ao estender-me tuas mãos...
O meu coração podia-se ouvir...
Subia-me a garganta... não podia falar!
A dor era tanta... Comia-te com o olhar!
Ó doce sonho...
Ah!... Se eu soubesse que iria contigo sonhar... Sonhei...!
Por breve momento estiveste em meus braços,
Senti tua boca a minha tocar...
Ânsia, desejo... Teu gosto senti...
Bailou minha língua no céu de tua boca
Bailarina louca sedenta por ti.
Acordei enlouquecida a chorar...
Eu queria saber que esse sonho viria
Preferia morrer a ter de acordar!
Foi um breve momento...
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.Muitas vezes, sem o sabermos, um instante completa o que viemos realizar nesta caminhada humana.
(Ana da Cruz)
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.Visitem Esther Rogessi
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Bem-te-vi - por Leila Dohoczki

Os passarinhos reunidos
No alto do ipê amarelo
Brincavam de cantar bem alto
Para ver quem cantava mais bonito.

A disputa não tinha juiz
E cada um dizia
Que o melhor canto era o seu
Quanto o tico-tico esperto
Ao pé da árvore desceu.

Escutem aqui a minha ideia
Essa disputa não vai ter fim
Melhor brincar de outra coisa
Todos cantam bonito
Melhor assim...

Proponho então
Que vejamos quem é o mais sabido
De todos os passarinhos

Todos fecham bem os olhos
Enquanto vou me esconder
Quem me encontrar primeiro
Será quem vai vencer.

Fecharam então os olhinhos
Cobrindo com as asas para garantir
O tico-tico ligeirinho
Voou para bem longe dali.

Foi lá para o alto da serra
Num imenso Buriti
Pensou: Aqui não me acham!
E antes de rir da sua graça
Uma voz de longe ecoou:

Bem-te-vi! Bem-te-vi!

O tico-tico desapontado
Para o ipê retornou
Reconheceu diante de todos
Quem era o vencedor
Bem-te-vi que me viu
Bem-te-vi que me achou

Os pássaros estão sempre brincando
De se esconder e pegador
De vez em quando a gente escuta
Quando grita o bem-te-vi!
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.Visitem Leila Dohoczki
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4.000 POSTS!

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Queridos amigos:

Chegamos à marca de 4.000 posts!

Quero agradecer a todos vocês
que contribuíram para este sucesso do Duelos!

Foi a partir da colaboração de todos,
participantes e leitores,
que consegui tornar realidade este projeto
que agora é nosso.

Um enorme abraço extremamente agradecido!

E vamos continuar nos divertindo!
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Fúnebre - por Ninguém Envolvente

Hoje farei algo diferente, não farei piada, nem serei malvada com a pequenez humana.
Vou por algo novo, um poema de minha autoria. Todos os textos [do meu blog] são também feitos por mim. Mas poema é novidade.
Prometo não cansá-los.

Recomendo a música de Loreena Mckennitt: Prospero’s Speech.
Clique no play.
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Fúnebre
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O suave cântico dos espíritos amedrontados
o levam daqui para um moinho abandonado
(sua consciência)
Você os olha, porém não os vê
eu os sinto sempre ao meu lado
eles me assustam e sempre querem ficar aqui
onde as almas se apegam e não aceitam a própria morte.
Eu não sei como ajudá-los
a não mais respirar,
eu tento duramente parar esta sensação tão morta
mas é em vão.
O cântico prossegue e o culto às almas
perdidas continua rumo à eternidade.
E o mundo real está cada vez mais fúnebre
existem mais espíritos aqui do que
onde realmente deveriam estar.
Espíritos decadentes que fazem você e
sua consciência correrem para
um campo mental (sanatório)
mas não adianta correr...
Eles te encontram e seguram sua vida
para todo o sempre.
Se renda ao cântico fúnebre
e encontre a luz.
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(Gisele Malvezzi)...............................
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Notas sobre o poema: Fúnebre é um relato sobre como encaro minha mediunidade e um aviso de que não adianta mesmo ignorar este dom ou ENCOSTO... porque é para o resto da vida, então se renda a este universo estranho.
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Augusto dos Anjos e “A Ideia” - Citado por Penélope Charmosa

De onde ela vem?! De que matéria bruta
Vem essa luz que sobre as nebulosas
Cai de incógnitas criptas misteriosas
Como as estalactites duma gruta?!

Vem da psicogenética e alta luta
Do feixe de moléculas nervosas,
Que, em desintegrações maravilhosas,
Delibera, e depois, quer e executa!

Vem do encéfalo absconso que a constringe,
Chega em seguida às cordas da laringe,
Tísica, tênue, mínima, raquítica...

Quebra a força centrípeta que a amarra,
Mas, de repente, e quase morta, esbarra
No molambo da língua paralítica!
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quinta-feira, 28 de janeiro de 2010

O Rei da Terra do Nunca - por Gio

Alguém disse em algum programa hoje que ninguém vai esquecer o que estava fazendo quando recebeu a notícia da morte do Rei do Pop. Eu certamente vou lembrar: estava entrado no MSN, para falar com meu colega sobre um trabalho (cuja epopeia vocês vão saber semana que vem), e quando abriu o MSN Hoje, apareceu a notícia “Astro do Pop: Michael Jackson morre aos 50 anos”. Pensei que era pegadinha, e cliquei para ver se era algum tipo de piada. Tive que ler a notícia, entrar em alguns dos links, e perceber a inundação no meu Twitter para finalmente acreditar.

Ignorem então a minha teoria sobre acordar cedo: pelo jeito, ultimamente as notícias ruins vêm sem precisar de desculpa. Notícia ruim, sim! Perdemos mais que um ídolo: perdemos um gênio da música e da dança, um inovador, alguém tão bom que conseguia fazer com que mesmo pessoas que não gostassem de seu estilo voltassem os olhos para ele e sua música. Johnny Cash nos deixou em 2003, e ainda há pessoas que não sabem que ele morreu; mal faz um dia que Michael Jackson faleceu, e não há quem não saiba – o mundo parou.

Uma bomba que pegou de surpresa para muitos, uma simples consequência de seu histórico para outros (ou mesmo uma jogada estratégica para escapar das dívidas, para os conspiracionistas de plantão), a morte de Michael Joseph Jackson causou efeitos curiosos. A imprensa que, há pouco mais de um ano atrás, decretava o fim de sua integridade moral e carreira, agora o exalta como um deus (isso me lembra o Brizola). Seus CDs duplicaram de preço no Amazon... e esgotam. Sua esposa, que tinha cedido a guarda dos filhos magicamente aparece, querendo novamente a guarda. Comparado com os últimos falecimentos, esse é disparado o que rendeu menos piadas.


O artista Michael Jackson é algo indiscutível, as opiniões a respeito são como um dogma, quase unânimes. O ponto que gera polêmica e divergência é a pessoa Michael Jackson, esse ser enigmático que era negro, se tornou branco, e hoje é cinza (Desculpem, não pude evitar!).

Aliás, esse ponto de mudança de cor da pele é um dos mais criticados: é considerado renegar a própria raça. Excluindo as vertentes que dizem que o clareamento veio de um vitiligo extremamente uniforme, eu pergunto: ele não tinha motivos para renegar a raça? O pai, a maior referência de um homem, era um ser rígido e enérgico. Muitos falam que os ensaios do Jackson 5 eram vigiados pelo pai e seu chicote. É verdade? Não sei, mas isso explicaria muito de seu comportamento.


Outro foco são as acusações de pedofilia. Muitas feitas, nenhuma provada, e um acerto milionário com uma família para alimentar a discussão. Sinceramente, eu tenho as minhas dúvidas quanto a ele realmente ter feito alguma coisa. Sim, podem me chamar de louco. Hoje em dia o mundo está deturpado a tal ponto, que é tão difícil acreditar que um adulto goste de crianças sem nenhuma intenção sexual? Se ele dizia que dormia, e só dormia com as crianças, é tão absurdo acreditar nisso?

Michael era uma criança grande, isso era notado frequentemente em seus atos muitas vezes imprudentes (como a clássica cena do filho na sacada). Quando as acusações chegaram, ele era um artista em seu auge, com uma reputação a zelar. As crianças supostamente abusadas mudaram seus depoimentos algumas vezes, não tinham nada a perder, e calaram-se quando um acerto financeiro foi feito. Quem tem mais chances de estar mentindo?

Eu vejo Michael como um Peter Pan da vida real: uma criança que não cresceu, e por isso sofreu duras críticas no “mundo dos adultos”. E esse mundo duro e implacável foi o que trouxe uma infância triste, e também invejosos e aproveitadores na mesma proporção de seus fãs. Com sua imagem na lama, a criança que não sabe controlar as finanças gastou mais do que devia. No final, teve até que abrir mão de sua Terra do Nunca.


Mesmo com tudo contra, o Rei saiu por cima. Foi o maior artista pop, teve o álbum mais vendido de todos os tempos. Inseriu o conceito de videoclipe, e mudou a nossa maneira de ver a música. Tem mais admiradores, fãs e covers que qualquer um já sonhou. Não adianta: rei que é rei, nunca perde a majestade.
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.Postado, originalmente, em 26/06/2009.
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.Visitem Gio
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Hermógenes e o Sofrimento Humano - Citado por Alba Vieira

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O homem é o herdeiro do Reino.
Mas a bruxa da ignorância o encantou. E ele sofre porque pensa que é mendigo.
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Clímax - por Esther Rogessi

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Você sabe a intensidade do meu amor por ti?
Podes calcular o quanto eu te quero?
O quanto tua existência faz-me feliz?
Ah! Quanto alegra-me o teu som...
Amo-te... Com todas as minhas forças...
Fico a desejar-te, a querer-te... A sonhar!
Como me completas, me sacias, tenho sede de ti!
Elevas-me ao clímax... Desejo estar contigo a sós,
para entregar-me a ti, fechar meus olhos e sentir-te.
Ah! Como és belo! Tens curvas másculas perfeitas...
Com as minhas mãos, percorro-te...
Coloco-te em meu colo, sinto-te a dureza...
És de matéria nobre!
Anseio pegar-te... Toco-te o corpo,
dedilho-te!... Desejo fazer-te vibrar,
e sentir-te em vibração...
Entre mínimas e semínimas... Em minhas coxas,
musicista... Fico a coxear meu violão!...
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Visitem Esther Rogessi................
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Arara Azul - por Leila Dohoczki

Arara Azul do Edu
Inteligente como ela só
Deixava feliz o menino
E também a vovó.

Acontece que um dia
A arara fugiu de casa.
Ela via Edu com seus pais
E com seus irmãos
E se perguntava todo tempo
Será que tenho filiação?

Não sabia como era
Um carinho de mãe, coitada
Até o ararês já estava esquecendo
Queria ter família,
Queria ser amado.

Não que Edu não gostasse dela.
Mas era diferente.
Pra ela, ter uma família era importante.
E depois, Edu ia crescer
E ela? Como ficaria?
Edu também vai ter
Sua própria família...
A arara voou
Para bem longe dali
Foi para a mata,
Foi ser feliz.

Edu ficou triste
Não compreendia
O motivo do abandono
Pensava que ela era sua
Que ele era seu dono.
Foi uma dificuldade
Entender que nessa vida
A coisa mais valiosa
É a liberdade.

Passaram-se alguns meses
E a tristeza também foi embora
Mas a arara na mata
Tem saudade do Edu agora.
Dos risos, danças e palavras
De todos os nomes que chamava
E do carinho que Edu lhe dava.

Mas ela já tinha feito família
Tinha até uma ararinha
Que acabara de nascer.

E assim continuaram amigos
Dentro do coração
Um queria bem ao outro
E tinham grandes recordações

Estavam distantes
Não separados
Estavam ambos
Debaixo do mesmo céu.
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.Visitem Leila Dohoczki
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quarta-feira, 27 de janeiro de 2010

Tribos - por Leo Santos

Olha só, a obesa denúncia do conforto que
desenvolvemos! E a famélica digital da injustiça
social; uns exercitando-se pra “queimar” as sobras,
Faz-de-conta,
outros mendigando, comendo as pontas…

E esse papo de esquerda e direita, cada qual com
sua receita; futebol e carnaval,
a finta e a fantasia, perfeitas.
O canhoto que protestava, já não é desta feita…

Questão de perspectiva,
do lado que aponta a placa;
a lateral direita de quem defende,
é a ponta esquerda de quem ataca…

Agora, são urnas eletrônicas, não há fraude assim;
aperfeiçoamos os meios, apodreceram os fins…

Que fácil prometer, o que outros devem fazer!
Ai Deus os coloca no alto, pra que todos possam ver.

Fragmentada nação, no fundo, veraz nação não é;
tribos içando estandartes, com a força de seus caciques,
e o feitiço de seus pajés.

Compramos inativas armas, pra deter a violência
disseminada. Canetas assassinas impunes, assinam,
os desvios da corrupção; a violência profissional
segue armada. Almas que não se desarmam, fazem a
ocasional, matando a pedradas…
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............................................Visitem Leo Santos
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Hermógenes, Diamante e Carvão - Citado por Alba Vieira

Quando o diamante e o carvão, salvos da ilusão em que vivem, descobrirem que, em realidade, um não é mais do que o outro, nem mesmo diferente do outro, pois são a mesma coisa - o carbono - então deixará de existir a injustiça do primeiro contra o segundo e a revolta deste contra aquele.
Quando libertos da ignorância, da estupidez, do erro, da violência, da espoliação, do ódio, da greve, da guerra, da fome, as ruínas, a miséria, o medo... tudo deixará de existir.
Acabará a luta de classe.
Acabará porque acabará a razão de lutar - a ignorância.
É ela que impede que o carvão e o diamante descubram que, em realidade, são ambos o carbono.
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Máscaras - por Daisy

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Máscaras, caras más? Sim,
quase sempre.
Máscaras, carcaças protetoras? Sim,
nem sempre.
Máscaras, disfarces frágeis? Sim,
sempre.
Máscaras são fantasia, imaginação.
Não são parte do real.
Arlequim, Colombina,
Pierrô, Odalisca,
fantasias que encobrem indivíduos.
Não são pessoas de fato.
Para que máscaras? Fantasias? Imaginação?
Coragem para enfrentar, encarar, viver
a realidade.
Vamos deixar as máscaras caírem!
Vamos nos revelar!
Caras más, carcaças protetoras,
disfarces frágeis? Não
Nunca mais!
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Visitem Daisy
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Nei Lisboa, “Doody II” - por Kbçapoeta

 
Tenho um carinho despido
Por esse menino travesso
Que vejo quando olho no espelho
Em dias de muito calor
Que esconde, que fica vermelho
E finge que odeia o cupido
E vira uma ideia do avesso
Só pra complicar a dor
Tenho um medo transparente
Um desejo inconsequente
De matar esse vampiro
Que vejo quando olho de frente
Pra trás do fundo do espelho
Em cada noite de chuva
Fico dando conselhos
A uma cabeça viúva
De um coração apagado
Na ponta do dedo da luva
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A Rosa Amarela - por Leila Dohoczki

Era uma vez
Uma rosa amarela
Que vivia num pequeno jardim
E por ter a cor diferente
As outras diziam assim:
“Rosa amarela não existe
Rosa, pra ser perfeita
Tem que ser carmim
Se tiver outra cor me perdoe
Mas é por que é muito chinfrim!”

A rosa amarela sabia
Que ela era rosa com certeza
E não tinha nada de inferior
Se algo a fazia diferente
Era somente a cor.

Todas da mesma espécie
Todas, somente flor.

Certo dia veio a prova
De que todas eram iguais
Pensar daquele jeito ruim
Não iriam nunca mais...

O dono daquela casa
Onde estava instalado o jardim
Chamou o jardineiro e disse:
“Pode todas as rosas
A estação já está no fim”.

O Jardineiro obedeceu
E com sua tesoura da justiça
A verdade revelou...

Todas foram ao chão
Nenhuma rosa sobrou.

A amarela foi a primeira
Bem aos olhos da vermelha
Entre flores e folhagens
Foi pra um vaso sobre a mesa
Harmonia de cores e perfumes
Era mesmo uma beleza.

Tranquila e justiçada
A rosa amarela aguardava
Que a vermelha chegasse.

Quando enfim ela chegou
Não disse uma só palavra
Olhou a sua volta
E simplesmente chorou.

Ela finalmente entendeu
A beleza das diferenças
Vendo o colorido alegre
Daquele vaso sobre a mesa.

A rosa amarela
Com carinho
E num gesto de amor
Sorriu e disse:
“Bem-vinda
à mesa de nosso Senhor”.
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.Visitem Leila Dohoczki
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Augusto dos Anjos, “A Fome e o Amor” - Citado por Penélope Charmosa

Fome! E, na ânsia voraz que, ávida, aumenta,
Receando outras mandíbulas que esbanjem,
Os dentes antropófagos que rangem,
Antes da refeição sanguinolenta!

Amor! E a satiríase sedenta,
Rugindo, enquanto as almas se confrangem,
Todas as danações sexuais que abrangem
A apolínica besta famulenta!

Ambos assim, tragando a ambiência vasta,
No desembestamento que os arrasta,
Superexcitadíssimos, os dois

Representam, no ardor dos seus assomos
A alegoria do que outrora fomos
E a imagem bronca do que inda hoje sois!
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Resposta - por S. Ribeiro

entender a estatura de minha vontade te parece algo difícil? bem sente e pare tente perceber que me vou e nada fazes para impedir. que fazer tenho a aprovar isto? mastigar-me induzir-te a tocar-me sorrir para teus olhos sem nome? vou-me e não posso te obrigar a suster-me. agarras-me, sim? é por ser branco feito uma ovelha tonta que não terei teus ensejos negros.
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Inspirado em A Ovelha Desgarrada, de pgricardo.
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.Visitem S. Ribeiro
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terça-feira, 26 de janeiro de 2010

Confissões - Fatinha

Querido Brógui:

Hoje é dia de confissão. Preparado para a intensa emoção de compartilhar os recônditos mais obscuros da minha vida?
Tudo começou quando percebi minha ojeriza a tirar fotos. Fotos minhas, claro. A dos outros, não me incomodo não. Não ficam lá muito boas, é verdade, mas a criatura já fica previamente advertida da inaptidão da fotógrafa quando ela pergunta: “Tem que sair a cabeça e o pé, ou eu posso escolher um dos dois?”
Por que eu não gosto de fotos? Primeiro porque não sou fotogênica. Minha cara nunca sai legal e fico arrasada quando dizem que ficou boa. É um raciocínio muito simples: se acho a foto feia e eu tenho aquela cara, fico logo pensando que sou feia também. Coisas de Fatinha.
Segundo, meu irmão sempre diz que quando eu rio para tirar retrato, aparecem trezentos dentes na minha boca. É um elogio (acho) ao meu sorrisão, mas…
Terceiro, em todas as fotos 3x4 eu saio com cara de marginal. Ah, tá. Você também sai. Mas, numa escala de zero a dez, eu seria presa num presídio de segurança máxima e você pegaria um regime aberto.
Quarta razão: minhas olheiras. Elas são potencializadas na fotografia. Se, em condições normais de temperatura e pressão, eu tenho que passar três camadas de corretivo para poder ir no portão de casa sem neguinho pensar que eu levei um soco em cada olho, na foto, fico parecendo um panda.
Não basta?
O quinto motivo é que, nas últimas e infelizes fotos que tirei, reparei que minha cara tá ficando caída. Tipo bochecha de bulldog. Exagero? É, mas já disse: meus retratos potencializam o que há de pior em mim.
Então, essa foi a primeira confissão do dia. Sigamos adiante.
Comprei uns produtos da linha Renew, da Avon. As mulherzinhas sabem do que eu estou falando. São aqueles produtos pra combater rugas, flacidez, manchas na pele, aspecto de cansaço, em suma: a decrepitude normal do rosto. Normal, mas nem por isso bem-vinda.
O que tem isso a ver com as fotos? Tudo. A minha confissão número dois é relacionada com a número um. Nas fotos, além de ver minhas olheiras e a bochecha de bulldog, ainda consegui perceber que pequenas ruguinhas estão se manifestando nas pálpebras inferiores. O que fazer? O que já deveria ter feito, porque também li na revista que os sinais da idade começam a aparecer aos trinta anos. Já estou no atraso.
Com isso, parto para minha terceira confissão do dia: eu peco todos os dias e meu pecado é um dos capitais, a vaidade. E digo mais: se depender de não cometer esse pecado para conquistar o Reino dos Céus, tô lascada. Já era. Faço ginástica, faço dieta, pinto as unhas, o cabelo, compro roupinha da moda, faço maquiagem, limpeza de pele, depilação, uso Renew, creme redutor de celulites, hidratante corporal. Pacote completo. Passagem direta só de ida para o Inferno. Por essas e outras, para compensar, para poder negociar com São Pedro na hora do acerto de contas, faço de tudo para ser uma boa pessoa. Na hora H, acho que Deus vai me perdoar por ser “humana, demasiadamente humana”.
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PS - A citação é de Nietzsche. Fatinha também é cultura.
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.Postado, originalmente, em 24/09/2008.
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. Visitem Fatinha
Friedrich Nietzsche
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O Símbolo Perdido, de Dan Brown - por Ana

Acabei de ler o “O Símbolo Perdido”.
Assim, assim...
Através da pena de Dan Brown, lemos que os Estados Unidos possuem os mais belos sei-lá-o-quê, os maiores tudo quanto é coisa, os mais avançados, os mais imponentes, os melhores etc. Interessante perceber que “O Código Da Vinci” e “Anjos e Demônios” se passam em Paris e no Vaticano, respectivamente, e que nada, em nenhum dos dois lugares, merece tantos elogios. E olhem que o protagonista esteve no museu do Louvre e na Basílica de São Pedro!
O livro tem seu valor por abordar a ciência noética e seus fundamentos e descobertas, que considero algo que vale a pena ser difundido nos dias de hoje.
Termina com uma chatérrima rearfimação da importância de um determinado ícone ocidental, como se fosse um adendo à história já finalizada.
Ao contrário de “O Senhor dos Anéis”, não há nenhuma passagem digna de ser citada aqui para o deleite dos amigos do Duelos. É apenas a aplicação da fórmula que deu certo nos best-sellers anteriores, no melhor estilo “em time que tá ganhando não se mexe”, e mais pra rascunho de roteiro cinematográfico.

No geral, é uma apologia aos valores norte-americanos, mais uma pílula de otimismo necessária após o 11 de setembro. Por todas as páginas percorremos as noções de “lembrem o que somos”, “lembrem o que temos”, “lembrem de onde viemos”, “lembrem-se: somos o máximo!”. É uma mensagem ao país combalido, uma cartilha de ufanismo. O tempo todo você lê a intenção do “resgatem-se”, da injeção de moral à população deprimida. Só faltou colocar, no lugar do famoso “The End”, “We Can”.
“O Símbolo Perdido” foi título perfeito para um país que, pelo visto, ainda está em catatonia. E a cura que o autor encontrou, realmente, faz sentido, porque, para eles agora, além do “ópio” pro povo, só se Barack passasse à distribuição gratuita de megatoneladas de Prozac pros coitadinhos.
.J. R. R. Tolkien

Do Mito à Metáfora - por Esther Rogessi

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Prosa inspirada no comentário da escritora Silvia Mendonça
sobre a temática da ciranda 'Mulheres de Fogo'.
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Mitologia, simbologia, amor, Eros, philos, ágape... Ou só amor!...
Ave mesclada de vermelho e dourado... Desde o Éden enternece tal resplendor! Vermelha... ‘Mulheres de Fogo’ cor do amor representado...
Presente ou passado. Ave mesclada de vermelho e dourado... Sol nascente.
O amor é assim... O fogo que surge, chama que consome!
Correspondido bate asas... Voa, dá cambalhotas, canta à toa...
Traído... Amofina-se, aquieta-se... guarda as asas, se entristece...
Faz um ninho, nele deita... E do amor... o fogo lhe consome as entranhas - metaforicamente! Sendo ele - o amor - imortal, seu ressurgir acontece... Do pó, das cinzas se levanta... Ó! Fênix... Lindo pássaro que encanta!... Canto triste, canto belo... que contagia e que põe em agonia os de perto. Desde o Éden, Líbia, China, Egito... Séculos e nações, poetas e canções melodiosas, rima, verso e prosa... imortalizam-te!... E, assim... Estamos aqui: Anas, Theresas, Silvias, Rogessi... E outras mais... Mulheres-Fênix dessa nação, em uma nova versão, algo ardente e singelo em verde e amarelo!
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“Mito é uma história ‘verdadeira’ ocorrida nos tempos primordiais, porém, diante da interferência de um ente divino, transformada em uma nova realidade.” (Mircea Eliade)
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Visitem Esther Rogessi
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A Pintura - por Leila Dohoczki

Vejo o sol
Iluminando a paisagem.
Parece um quadro na parede,
Mas nele, as coisas todas se movem.

Passam aviões,
Nuvens,
Gaviões,
Meu quadro tem até sons!
Buzinas,
Gente que fala,
Passarinhos,
Tem até a voz da minha mãe.
Vai brincar menina!
A hora da escola, já vem!

É bonito de se ver.
Mesmo com os tons de cinza,
Que teimam em aparecer.
É que as cores mais alegres
Deixam a pintura mais viva.

Em todas as casas
Tem um quadro desses,
Onde qualquer um pode
Ver um tipo de pintura diferente.

Todas elas,
São do mesmo artista
Que parece tê-las feita
Numa grande inspiração.

Se eu fechar um olho
E estender um braço,
Tudo cabe na minha mão.

Em tudo que olho, vejo beleza,
Através da janela do meu coração.
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Augusto dos Anjos e “A Floresta” - Citado por Penélope Charmosa

Em vão com o mundo da floresta privas!...
- Todas as hermenêuticas sondagens,
Ante o hieroglifo e o enigma das folhagens,
São absolutamente negativas!

Araucárias, traçando arcos de ogivas,
Bracejamentos de álamos selvagens,
Como um convite para estranhas viagens,
Tornam todas as almas pensativas!

Há uma força vencida nesse mundo!
Todos o organismo florestal profundo
É dor viva, trancada num disfarce...

Vivem só, nele, os elementos broncos,
- As ambições que se fizeram troncos,
Porque nunca puderam realizar-se!
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segunda-feira, 25 de janeiro de 2010

Palavras - por Marília Abduani

Palavras voam ao vento.
Atravessam fronteiras,
chegam até onde a vista não alcança.
E são cálidas,
complacentes,
cuide para que as suas palavras
levem nas asas ouro,
levem a mais doce esperança
onde pulsa a fé, cumplicemente.
Deixe-as
seguindo o próprio percurso.
Que sejam encantadas,
delineadas,
iluminadas,
ilimitadas.
Que sejam sementes,
que saibam acalentar sonhos,
os mais simples e os mais complexos.
Palavras brancas, verdes, amarelas,
vermelhas de paixão.
As negativas, não.
Deixe-as quietas, adormecidas, talvez. Elas passarão.
Palavras, palavras...
Na recriação dos sentidos, na emoção que contagia,
na flor que desabrocha, linda.
Assim são as palavras.
Use-as, ame-as, solte-as ao sopro da brisa
e ao silencioso toque do vento.
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.....................................Visitem Marília Abduani
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Hermógenes e as Potencialidades Humanas - Citado por Alba Vieira

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As potencialidades infinitas do Ser Supremo, que nós somos, permanecem abortadas pelas posses, afazeres, doutrinas, partidos, preceitos, preconceitos, vaidades estúpidas, verdades que não o são e que, embora nos retenham na penúria verdadeira e em verdadeira servidão, são por nós defendidas e amplificadas como se nos dessem segurança e paz.
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A Justiça é Cega!! - por Esther Rogessi

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Brasília é a capital da arte, tem arte por toda parte... Em toda parte tem arte!
Lu é artista lá... Pouco lá Lu está!...
Nada sabe, nada vê... Nada no lago dos Três... Haja Poder!
Grandes obras desde o passado são vistas... As Obras e seus artistas: plásticos, escultores, engravatados, engenheiros, doutores, mágicos, transformistas, calculistas e projetistas...
Obras nem sempre boas de se ver... Boas obras as de Niemeyer... ‘Revolucionista’ que arredondou massa e tijolo, grande e belo projetista; Alfredo Ceschiatti, junto a ele trabalhou, talhou, embelezou e grandes esculturas perpetuou!
O filho das Gerais... fez obras como não há iguais! Em pedra de ‘Granito Petrópolis’ assentou a ‘Dona Justiça’ - puro cavalheirismo -, para que ela não cansasse; vedou-lhe os olhos, para que não contasse o que lá... pudesse ver!
O sindicato dos artistas... Deve isso a você!
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.Amigos poetas...
Não esqueçamos, primeiramente, que este texto é satírico... Em verdade, a escultura simbolismo da ‘Justiça’ tem ‘significado universal’ - denota igualdade no exercício da mesma. Em se tratando do poema concernente ao monumento exposto na praça dos ‘Três Poderes’ em Brasília, tão bem talhada pelo ‘filho das Gerais’ - Ceschiatt -, é uma sátira poética quanto aos descasos e aplicações - muitas vezes indevida -
do termo ‘JUSTIÇA’ em nosso país.
O poeta tem o poder de metaforizar, satirizar... zar... zar... zoar!...
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.Visitem Esther Rogessi
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O Haiti é Aqui - Leandro M. Oliveira

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Desde o terremoto ocorrido no Haiti há alguns dias, vê-se um desfile de boas ações noticiadas em todas as instâncias da mídia. Governos nacionais, atletas, empresas, milionários, gente comum, todos unidos em prol do socorro a esse país vítima da mais aguda miséria histórica das Américas. Fato pacífico é que esse estado do Caribe vive em condições de uma precariedade às vezes inimaginável no século XXI, desde sua fundação como colônia escravista de exploração econômica francesa, até o século XX com a ocupação militar e depois política da América, esse país foi continuamente dilapidado em seus recursos financeiros, naturais e sociais. A tragédia haitiana vem de longa data, ao contrário do que se imagina, grande parte do quadro de caos apresentado pelas redes de TV como grande população de rua, falta de emprego, inacesso à educação, escassez alimentícia entre outros, são flagelos que acompanham a população desse desafortunado país com maior ou menor intensidade desde sua conturbada independência nos idos do ano 1.804.

Como humanista não há como não se apiedar, entendo o homem do futuro como um ser essencialmente sem bandeiras, que se alista em qualquer trincheira disponível à busca do progresso global, aceitando o mundo como pátria, desconhecendo as fronteiras. Entretanto, esse homem novo a meu ver depende de mais que de boa vontade e romantismo pra surgir, ele há de ser um evento concreto quando a opção for de dentro pra fora, quando em seu próprio país conhecer e trabalhar por uma justiça social efetiva, poderá ir a outros estados e reivindicar isso àqueles que lá vivem, todo o mais de empreita semelhante é conjetura ou aceitar a condição de massa de manobra dos poderosos.

O que se busca dizer com esse discurso, é que faz-se em esforço de pouca valia nos abstermos de questões básicas à evolução social interna em favor de outra ordem externa. Nesse caso vale o antigo dito popular de não adiantar em nada “descobrir um buraco pra tapar outro”. Vejo nos dias atuais o cinismo do governo brasileiro, enquanto milhões morrem de inanição, falta de emprego, educação, esclarecimento e oportunidade em inúmeros pontos desse país, nosso presidente ainda tem surtos de líder sindical e como em sonho ou ataque psicótico parece se sentir discursando na velha internacional comunista, com aquele grito de guerra inflamado e cheio de segundas intenções. Mas a era das revoluções foi (tristemente) sepultada, e os antigos líderes eram muito mais que fantoches nas mãos de uma pequena elite intelectual filha da classe média que os usa como símbolo e contraponto a uma já alardeada decadência burguesa, objetivando em última análise o status de novos messias da sociedade. Não, aqueles homens eram mais que massa de manobra.

Infelizmente hoje estamos, enquanto sociedade, acometidos pelo mal do “imbecil coletivo”, essa praga que em parte vem desses tempos de globalização, em parte das intenções escusas de quem nos informa do panorama geral (mídia) e seus afiliados. Tem-se a idéia de que é melhor salvar alguém do outro lado do mundo do que aquele que está perdido à sua porta e tudo só porque o jornal nacional falou que assim soa mais humano. Esse momento de mobilização das boas intenções por um país vizinho é também uma oportunidade de repensar a capacidade e necessidade de resolução das questões domésticas. Acaso é legítimo enviar milhões de dólares entre outros recursos a um país estrangeiro enquanto nós ainda que em menor escala perecemos das mesmas faltas? Os Estados Unidos estão lá, por uma dívida histórica e pela capacidade recursal que possuem, assim como os demais países europeus e os grandes asiáticos. Mas e o Brasil? Será que vale a pena deixar o sistema público de saúde em petição de miséria, igualmente a rede de ensino que nada oferece? Abandonar os miseráveis do Nordeste e do Jequitinhonha à própria sorte, tudo em nome da vaidade, do reclame de uma liderança regional que não governa a si própria... Por fim, a respeito dessas intervenções e abstenções do governo faço minhas as palavras do mestre Darcy Ribeiro, um dos maiores humanistas que esse país já conheceu:

“(...) Quem mais representa como massa humana a Latinidade somos nós, os mestiços Brasileiros. Nesse sentido, nós somos a Nova Roma, uma Roma que o mundo vai ver espantado, no momento em que realizarmos nossa potencialidade — tantas! No momento em que resolvermos problemas elementares: que todo mundo coma todo dia, que toda criança tenha uma escola, que se façam aquelas reformas urbanas e rurais para que a terra seja acessível para quem trabalha, para que as cidades sejam a morada dos homens, cordial. Nesse dia, vai florescer no mundo uma civilização diferente, que nunca ninguém viu. (...) Ao lado dos eslavos, milhões de eslavos! Ao lado dos neo-britânicos, milhões! Ao lado dos chineses, milhões! Dos árabes, milhões! De outros tantos milhões, existirá essa face morena.”
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A Coruja - por Leila Dohoczki

No galho de uma árvore
Em noite clara de luar
O pio da coruja arrepia
Dá medo até de pensar.

Mas isso é uma bobagem!

Só porque ela gosta da noite
E gira a cabeça pra trás
A coitada da coruja
Agora dá azar?

Quem a conhece
Logo percebe
Que é linda de se admirar.

É o símbolo da sabedoria
Por sua visão peculiar
Vê o que ninguém vê
A uma distância espetacular.

Voa, silenciosamente
À procura de alimento
Por entre árvores ou na cidade
Os filhotes a esperam no ninho
Com muita fome e saudade.

Enquanto alguns dormem
A coruja trabalha
Ajudando manter equilibrado
O ambiente onde todos moram.

Ouvir uma coruja piar
Nunca haverá de ser um mau sinal,
A menos que seja de madrugada...

Até aquela hora acordada,
A pessoa não irá descansar
Vai passar o dia com sono
A cabeça avoada,
E depois diz que é azar.
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Augusto dos Anjos e “A Esmola de Dulce” - Citado por Penélope Charmosa

Ao Alfredo A.
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E todo o dia eu vou como um perdido
De dor, por entre a dolorosa estrada,
Pedir a Dulce, a minha bem amada
A esmola dum carinho apetecido.

E ela fita-me, olhar enlanguescido,
E eu balbucio trêmula balada:
- Senhora dai-me u’a esmola - e estertorada
A minha voz soluça num gemido.

Morre-me a voz, e eu gemo o último harpejo,
Estendendo à Dulce a mão, a fé perdida,
E dos lábios de Dulce cai um beijo.

Depois, como este beijo me consola!
Bendita seja a Dulce! A minha vida
Estava unicamente nessa esmola.
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sábado, 23 de janeiro de 2010

Insegurança - por Esther Rogessi

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Quando te foste de mim...
Insegurança se fez...
Será que foste de vez...?

Dor, sofrimento... lamento!
Agarrei-me às lembranças,
Quando te foste de mim...

Brotou um jasmim no jardim

E com ele... A esperança!...
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Resposta - por Kbçapoeta

Gio:
Respeito sua opinião, no entanto, ser jornalista é saber ver o que está acontecendo. Para isso é preciso conhecimento e, acima de tudo, experiência. Conhecimento não se adquire apenas na escola, mas em livros, filmes, discos e, agora, também através de computador. Experiência, só no dia a dia. Ou seja, não é preciso uma faculdade de Jornalismo para se ensinar isso aos jornalistas. É preciso viver, ganhar experiência, porque, por melhores que sejam a faculdade e o aluno, ao começar a trabalhar numa redação, todo jornalista ainda tem muito que aprender.
Dificilmente um cidadão sem diploma de jornalista irá participar de uma redação de jornal, o próprio mercado de trabalho já sepultou essa possibilidade.
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Deixo o texto de Mino Carta, um dos Gênios do jornalismo ainda vivo, editor do semanário mais sério no país que é a revista “Carta Capital”.
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.DIPLOMA EM XEQUE
Mino Carta
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“Jornalismo não é ciência, na melhor das hipóteses pode ser arte. Depende do talento inato de quem o pratica, da qualidade das suas leituras. O acima assinado gostaria de acrescentar: da sinceridade das suas crenças e da coerência dos seus compromissos. Mas há muitos profissionais de retumbante sucesso e salários astronômicos que também se distinguem pelo mau caráter. Acreditam em coisa alguma, a não ser neles mesmos.

Cultura adquirida em algum curso universitário não faz mal a ninguém, pelo contrário, bem como a adquirida por conta própria. Cláudio Abramo, um dos melhores jornalistas brasileiros, se não o melhor, era autodidata em tudo e por tudo. Nem curso primário tinha. Tudo o que sabia, e era bastante, aprendera sozinho.

Jovens com talento para a escrita se tornam jornalistas num piscar de olhos na labuta das redações. Para eles, tempo de foca, como se diz na gíria jornalística, dura pouco. Um dos mais notáveis redatores-chefes do New York Times dizia aos seus focas: ‘Redigir uma reportagem é a coisa mais simples do mundo, pensem que estão escrevendo uma carta para a sua mãe, sua namorada, um amigo’.

A melhor escola é o próprio jornal. Por isso, quando o regime militar que infelicitou o País por largos anos inventou as faculdades de comunicação, velhos e honrados profissionais menearam a cabeça. Lamentavam a criação da ditadura e as razões que a precipitavam: a presença pelas calçadas de milhares de excedentes, reprovados nos vestibulares. Moços frustrados soltos por aí representavam transparente perigo para os donos do poder.

A exigência do diploma para exercer a profissão foi o desfecho inescapável da operação. Condenável de saída pelos espíritos democráticos por seu inegável caráter corporativista. O regime fardado se foi, a lei ficou e, a essa altura, é compreensível que os sindicatos dos jornalistas a defendam. Mesmo porque, em inúmeros pontos do mapa nativo, o diploma se torna anteparo à vontade dos coronéis do pedaço, que em lugar de diplomados prefeririam colocar apaniguados.

E lá vem a decisão da 16ª Vara Cível da Justiça Federal em São Paulo, suspendendo a obrigatoriedade do diploma em todo o País. A juíza substituta Carla Abrantkoski Rister sustenta que o Decreto-Lei nº 972/69 contraria a Constituição de 1988. A motivação da decisão liminar coincide em boa parte com a opinião dos profissionais que há mais de 30 anos meneavam a cabeça e com as linhas iniciais deste texto. E tem validade imediata até apreciação posterior.

Como se sabe, a Justiça é lenta e a sentença vagarosamente acabará por alcançar o STF, a quem cabe a palavra final sobre assuntos constitucionais. Até lá, seria altamente recomendável que a sociedade se preparasse para o debate conclusivo, mesmo porque, caso o Supremo confirme a decisão da juíza paulista, deve orientar os legisladores na elaboração de uma emenda constitucional.

De todo modo, o acima assinado insiste: jornalismo não é ciência.”
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.Resposta a Tá Tudo Liberado!, de Gio.
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