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domingo, 9 de agosto de 2009

Post Inesquecível do Duelos - Indicado por Ana

Neste Dia dos Pais indico para esta categoria uma das crônicas inesquecíveis do Bruno: verdadeira, emocionante, bastante sensível e linda. Parabéns, Bruno, pela crônica. Feliz Dia dos Pais para todos e parabéns a todos os pais do Duelos.



AS ESPORAS DA CAMINHADA DE MEU PAI
(BRUNO D’ALMEIDA)

Era a primeira vez que podia ver meu pai consciente na UTI do hospital. Depois de dezessete dias de agonia, um enfarte agudo no miocárdio na mesa de cirurgia, duas safenas, uma mamária, erro médico que causou ruptura de pontos, nova incisão, nova cirurgia, coma induzido, infecção hospitalar com salmonela, rezas, choros, noites sem dormir, brigas com a direção do hospital, desunião, união, esperança, eis que Deus (ainda bem que ele perdoou meus xingamentos) cria um novo “para sempre enquanto dure” ao humor de José Fernando.
Ao entrar, a enfermeira me diz que o velho se levantou do leito, de madrugada, e disse quase inaudível que iria em casa rapidinho, apontando pra janela, que ninguém se preocupasse, falou ele arrancando todos os drenos e artefatos no seu corpo. Causou o maior rebuliço e teve que dormir depois de um remedinho básico que deixa a boca mole e o juízo relaxado. Olhando de soslaio, meu pai logo virou o rosto. Olhou para a enfermeira, fez sinal alisando os cabelos com as mãos. Ele queria um pente.
Só naquele momento me dei conta que meu pai não era um paciente internado, um homem que quase morreu nas mãos de uma médica autista. Ele não era um número de prontuário nem um apito na maquininha que media todos os dados do seu corpo. Ele era um homem. E queria ser visto como homem e não como um pobre coitado. Deslizando suavemente o pente entre os poucos cabelos grisalhos, pela primeira vez vovô Zé me ofereceu um sorriso aberto e cheio de vontade, aquele mesmo que todo mundo diz que eu tenho e todo mundo sabe de quem puxei.
Um sorriso. Diante de todo torpor, apenas um sorriso. A beleza da vida se resumiu a um sorriso. Ele não podia falar direito, tinha uma voz raquítica ainda por conta de uma sonda de respiração mecânica recém-tirada devido à infecção pulmonar. E ele ajeitava a roupa e aos poucos apontava pras inúmeras cicatrizes no seu corpo para incisões de procedimentos cirúrgicos e entrada e saída de medicamentos. Ele contava suas marcas como quem exibia troféus. Troféus da existência. Afinal, o que somos nós além de esporas de caminhadas árduas e coisas marcantes na vida para celebrar?
Meu pai melhorava a passos firmes. Ninguém tinha visto uma luta tão bem travada pela vida, um homem que suportou a tudo e estava ali devidamente recauchutado. E ele, já falando baixinho, ria das vezes em que achava haver uma conspiração internacional para assassiná-lo, que duvidava de tudo e de todos, que queria fugir do hospital. Teve que ser induzido ao coma para não atrapalhar a própria recuperação. Ele formalmente não sabia ainda do erro médico, mas acredito que não era bobo nem nada para perceber que algo deu errado. Não o suficiente para o dia do seu juízo particular final.
Meu pai tem hoje uma saúde invejável, parece mais novo do que eu. Ele me deu uma estranha oportunidade de sorrir diante de qualquer desgraça. Cada vez que passo por um problema, como falta de fundos, sinusite ou o diabo, eu sorrio, eu acredito que da próxima vez vai dar tudo certo. Meu sorriso é minha fé. Naquele dia, ao me despedir de meu pai na visita, passei as mãos nos seus cabelos e lhe dei um beijo na testa. Sabe o que ele fez? Passou novamente o pente entre os cabelos. E, é claro, sorriu para mim.
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Saudade, Meu Pai - por Adir Vieira

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Hoje é o “Dia dos Pais”.
Lembro do meu, já há nove anos ausente fisicamente.
Penso em lhe prestar uma homenagem, penso em falar do meu amor de filha e, automaticamente, várias são as lembranças que me vem à mente, como um filme que desobedece à ordem de começo, meio e fim.
A primeira lembrança é a da foto em que eu, um bebê, sorrio protegida pelos seus braços fortes e pelo calor do seu colo. Vejo-me como um troféu que ele exibe para a plateia de vizinhos, naquele domingo, naquela hora da manhã, tão cedo ainda...
Lembro de quando chegava do trabalho com as mãos repletas de balas e corríamos ao seu encontro, disputando o seu abraço e suas palavras afetuosas. Lembro que ele sempre foi explicitamente mais carinhoso do que minha mãe. Tinha aquela postura calma de apreciar os filhos e sentir-se realizado com sua prole de nove. Educar, chamar a atenção, proibir ou castigar, deixava para a mãe.
Revivo, nesse momento, o dia em que juntou quatro de nós, os menores, e fez paçoca. Aos nossos olhos atentos, moeu o amendoim com todo o critério do mundo e adicionou os outros ingredientes, enquanto esperávamos com ansiedade que o doce atingisse o ponto de ser colocado nos saquinhos de papel, primorosamente feitos por ele ali, naquela hora, em forma de funil. Sorrio ao reviver esse dia tão feliz de minha infância.
Lembro de sua atitude de confiança em Deus, sempre que ia nascer um filho – deitava na espreguiçadeira e simplesmente aguardava, confiante, o retorno da parteira. Não cogitava nunca de que algo ruim pudesse acontecer. Hoje percebo que não consegui aprender com ele essa forma segura de viver.
Lembro também das tardes de domingo, ele sentado na mesma espreguiçadeira, com um rádio de pilha junto ao ouvido para, em meio à nossa algazarra costumeira, não perder um pequeno comentário que fosse do seu time de coração, o Botafogo.
Lembro como reagia quando chegávamos em casa e alegremente dávamos a notícia de uma nota de prova escolar boa e ele, com aquele seu sorriso peculiar, dizia “Puxou ao pai.” - o que sempre deixava minha mãe irada.
Lembro de tantas coisas nesse momento em que penso em fazer-lhe uma homenagem e me arrependo de não ter podido demonstrar-lhe todo o meu amor.
Ao longo da vida, com suas atitudes, ele foi exemplificando, para nós, sensibilidade, autoconfiança, bom humor, prazer e, principalmente, alegria.
Hoje identifico isso com muita clareza.
Lembro de quando ficávamos só nós dois nas viagens de férias da família naquela casa grande. Ele já velho e cego se recusava a acompanhar os demais; eu trabalhava e nunca estava em férias nessas ocasiões. Mesmo cego, me acompanhava após o jantar enxugando a nossa louça e, sabendo do meu medo de fantasmas, sempre prometia só ir dormir quando eu já estivesse no décimo sono. A casa grande e vazia, não sei porque, sempre me atemorizava.
Ah, meu pai!... Tantas lembranças, muitas boas, muitas tristes.
Saudade, meu pai, e fique com Deus, onde você estiver.
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Pelo Dia dos Pais - por Alba Vieira

Hoje é dia de recordar, de reavaliar, de agradecer pelo que antes não tinha compreensão para alcançar ainda e me foi dado com carinho sem que eu me desse conta.
E o que me vem à mente nesse momento é sua expressão serena, seus longos silêncios, seus olhos que tudo observavam sem que se percebesse, quando pareciam somente mirar o que estava longe.
Recordo-me das histórias que gostava de contar aos filhos, sempre à noite. Eram fatos acontecidos na fazenda em que nasceu e passou a infância e a juventude até vir de Passa-Quatro para o Rio de Janeiro e que, por terem as assombrações como tema principal, nos enchiam de medo. E ele adorava rir de nós que, assim desprotegidos, pedíamos a ele que nos fizesse companhia até que conseguíssemos, depois de tanto terror, pegar no sono.
Sua natureza contemplativa fazia com que preferisse a solidão e muitas vezes isso foi confundido com desatenção e distanciamento. Mas, na realidade, ele sempre esteve bem perto de todos nós, ainda que só tenhamos tido essa certeza quando nos deixou.

Existe um certo alvoroço hoje, dia em que se comemora o dia dos pais, e fico pensando que a mais justa e singela homenagem seria parar tudo e, com calma, olhar para eles podendo percebê-los em sua totalidade. Assim, poderiam ser descobertos em muitos aspectos ainda insuspeitados, antes que fosse tarde demais para amá-los plenamente.
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Visitem Alba Vieira
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Prá Gio - por Ana

(Paródia de “O Bicho”, de Manuel Bandeira.)


Vi ontem um bicho
Nas prateleiras da dueloteca
Catando ideias entre os escritos.

Quando achava alguma coisa,
Não examinava nem raciocinava:
Repetia com voracidade.

O bicho não era um papagaio,
Não era uma cacatua,
Não era um rato.

O bicho, meu Deus, era o Gio!



Referência à postagem do Poeminha do Contra-a-Samurai, de Gio
após a postagem de Mantra do Monge Derrotado, de Ana.
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Carlos Drummond de Andrade e “A Incapacidade de Ser Verdadeiro” - Citado por Duanny

Paulo tinha fama de ser mentiroso. Um dia chegou em casa dizendo que viu no campo dois dragões-da-independência cuspindo fogo e lendo fotonovelas. A mãe botou-o de castigo, mas na semana seguinte ele veio contando que caíra no pátio da escola um pedaço de lua, todo cheio de buraquinhos, feito de queijo, ele provou e tinha gosto de queijo. Desta vez Paulo não só ficou sem sobremesa como foi proibido de jogar futebol por quinze dias.
Quando o menino voltou falando que todas as Borboletas da Terra passaram pela chacára de Siá Elpídia e queriam formar um tapete voador para transportá-lo ao sétimo céu, a mãe decidiu levá-lo ao médico.Após o exame, Dr. Epaminondas abanou a cabeça:
- Não há nada a fazer, Dona Coló. Este menino é mesmo um caso de poesia.



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Ainda em Tempo II - por Gio

Isso parece amnésia para mim
Ou uma esquiva calculada, eu receio
Diz que começa respondendo pelo fim
E assim ficou, ignorando o início e o meio?



Resposta a Monge que Ataca, Acata Samurai, de Ana.
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Bruna Lombardi: “A Um Grande Homem” - Citada por Penélope Charmosa

Eu sei que você sente
a chegada dessa hora crítica
cheia de impotências.
Eu sei que você acha
que tudo o que fez foi pouco
e que pouco restou a fazer. Eu sei.
Eu sei que você se admira
de como as coisas mudaram
de sua autoridade falida
de sua tentativa falida
desse insucesso tolo
que hoje o olha no espelho
e destas paredes eternas
que o prenderam num só ponto.
Eu sei que você se lembra
do entusiasmo que havia
da crença besta nas coisas
que resultou inútil.
Inútil até o tédio
até as grandes discussões
e toda a filosofia.
Eu sei que você pensa
que até pensar é inútil
já que diante do mistério
você se sentiu pequeno.
Eu sei que você não acredita
ou nem sabe se acredita
nos valores que lhe deram
para você transmitir
para o bem do conformismo
pra continuar o processo.

Mas dizer o que a seus filhos?
Ah, se você pudesse
poupar-lhes ao menos
esta hora da verdade
em que a vida presta contas
e a gente sempre fica
com um saldo negativo
e a experiência é eufemismo
e um amontoado de erros
e o resumo é um grito
se gritar você pudesse.
Mas eu sei que você grita
um grito mudo sem eco
lá de dentro da garganta
um grito que corta o peito
que dilacera e não sangra.
Eu sei que você carrega
há muito essa dor sem remédio
sem consolo nessa vida
que a vida não vale a pena
que aqui não valeu a pena
que qualquer caminho é o mesmo
e a escolha não adianta nada.
E já que é isso que existe
se é isso que acontece
o jeito é não dar nenhum jeito.
Melhor é a gente achar graça.



In “No Ritmo Dessa Festa”.
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Vai Pai... - por Poty

Vai pai...
Abraça-me
Feito homem
Tua presença
Satisfaz-me
Não faz mal
Sentir
Teu carinho
Tua sensibilidade escondida,
Nunca dita,
Nem externada
Mas sei que tens.

Sei que preciso
De tua firmeza –
Com certeza –
Ela
Será
Minha
Afirmação.



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