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domingo, 15 de fevereiro de 2009

A Mulher Invisível - por Maribel

O título pode remeter à ideia de ficção científica, histórias sobrenaturais, poderes paranormais. Mas não é nada disso que se trata. É pura realidade. Matéria bruta do cotidiano de milhares de mulheres... Talvez de todas as mulheres... Será pessimismo em demasia ou observação objetiva?
O fato é que a história aconteceu não faz muito tempo.
D. Palmira é uma simpática senhora na casa dos seus setenta e alguns anos. Esposa, mãe e avó. Dedica-se a essas três funções com profundidade, não deixando de consagrar a si mesma tempo para se cuidar. Mulher vaidosa, foi no salão de beleza que contou o fato para quem quisesse ouvir, rindo-se de si mesma e da situação. As mulheres da audiência riram com ela, não deixando de pensar que com elas se passava o mesmo, embora com faces diferentes.
Extremamente vaidosa, D. Palmira não saía à rua sem passar um “batonzinho” nos lábios. Fazendo as vezes de um blush rápido passava duas pequenas bolinhas nas bochechas e espalhava com os dedos. Naquele dia estava mais apressada que o costume, pois tinha compromisso num cartório acompanhada do marido. Saíram os dois às pressas e passaram a tarde juntos, fazendo uma peregrinação entre cartório e repartições públicas.
Chegaram a casa já quase anoitecendo. D. Palmira foi direto tomar uma ducha e ao olhar-se no espelho o choque: não tinha espalhado as duas bolinhas. Sentia-se como um palhaço de circo. Ou pior, como uma mulher invisível. Mais uma vez uma prova de que o marido tão amado, não a enxergava. Ou talvez enxergue outras coisas... Não sabia o que pensar. Foi dormir envergonhada.
Foi necessário passarem-se alguns anos, outros vexames, até ela pudesse contar rindo a sua história enquanto arrumava o cabelo no salão.
Aliás, quem lhe esperava naquele dia, de carro, na porta, era o marido. Mas ela já não esperava por elogios. Que a esperasse era o suficiente.
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Pra Você que Faz Aniversário Hoje - por Bruno D’Almeida

Hoje você não pode queimar confidências ou poesias, incendiar colchões ou dicionários. Não acorde com aquela preguiça, com o pensamento viajando pelas correrias e brincadeiras da infância, com sabor de doces coloridos artificialmente, nem deixe de lavar bem o rosto ao levantar. Não esqueça de dar descarga depois de usar o vaso sanitário, escovar os dentes e tomar o café. Ou vice-versa.

Não saia de casa com esperança de que ele, o tal dia, seja bom. Faça o dia bom. Não lembre que o ônibus, o metrô ou o caminho a ser percorrido vai estar cheio, até porque não é uma sensação de medo, desejo ou palpite: é uma prévia constatação, ele estará realmente cheio. Terá que ser assim. Hoje você não poderia acreditar que seria diferente. Não queira mais, é pedir demais, você não merece tamanha incoerência e não precisa mais do que isso.

Hoje não chegue ao trabalho achando que todos vão lhe tratar bem. Ninguém faz isso. Ou você prefere que todos hoje tratem você com um sorriso amarelo entre os dentes, só para dizer que hoje é um dia especial? Tolice. O dia não é especial. Hoje é apenas uma data pregada na parede, no visor do relógio e nos anúncios promocionais. Mesmo que seja sexta-feira ou qualquer outro dia da semana, o que todos querem mesmo é sair mais cedo do trabalho, desabotoar a roupa do corpo, tentar tirar a máscara da cara e as correntes da alma.

Não espere telefonemas, cartas postais ou eletrônicas do mundo inteiro. O máximo que vai acontecer é você receber todo protocolo básico de congratulações, blá, felicidades, blá-blá, muitos anos de vida, blá-blá-blá. Quem sabe você receba presentes interessantes, como uma régua para metrificar ilusões, um termômetro para medir solidão, um sapato para flutuar pelas paredes da casa, ou uma passagem de avião, de carruagem de abóbora ou de um trem pras estrelas, passeando com algum poeta romântico ou decadente, não importa, depois dos navios negreiros e outras correntezas.

Por que hoje seria um dia diferente? Nunca, nem que o tempo maquine suas frestas e faíscas de esquecimento, nunca deixe de lembrar que hoje, ontem, amanhã, nenhum dia é especial. Você, essa partícula humana, esse grão de areia nos desertos e oásis da existência é que é muito especial. Especial para todas as pessoas que lhe querem bem. Comemore muito, cada instante da vida com pedaços de realizações e momentos sublimados. Hoje é um dia como outro qualquer. Porém, hoje é o dia que o acaso ou a divina providência escolheu para que você fizesse esse dia ser muito mais do que uma mera folhinha amarelada no calendário. Você, especial para mim, para nós, para o mundo, para a vida. Parabéns.

Missão Cumprida - por Ana

Minha vida escorre, fácil,
pelos dedos de minha mão
quando fumo meus cigarros,
quando bebo sem noção.

Você pensa que me importo
com a brevidade da vida?
O tempo quer dizer nada,
importa se é bem vivida.

Viver bem significa
fazer tudo o que eu gostar:
seja ter muitas mulheres
ou viver para o meu lar.

Só quero que, ao sair,
morra de satisfação
relembrando cada dia
que guiei com o coração.

E que, no meu funeral,
todos se alegrem, ao ver,
no meu rosto conservado
meu sorriso angelical.
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São Paulo - por Vicenzo Raphaello

São Paulo
Triste cidade
mudaste
ou melhor te mudaram
Lembro-me da Avenida Paulista com o Trianon
do Parque Siqueira Campos
cujas matas explorava sem receio
Da casa antiga na Plínio Figueiredo
das andanças diárias para o Dante
que ficava não muito distante
São Paulo te mudaram
Sumiram os bondes que me levavam à Praça Ramos
E os prédios elegantemente franceses ao lado do Viaduto do Chá
debruçados sobre os jardins do Anhangabaú?
Sumiram também
trocados por torres modernas
marcando um vale estéril
onde sob o asfalto esconderam
o rio que por ali passava
Lembro-me da Avenida Rebouças
com dupla aleias de figueiras
no largo canteiro central
onde meu pai a cavalo me levava a passear
Lembro-me do sereno branco
que envolvia os postes ao anoitecer
Até teu clima mudaram
São Paulo dos camelôs achacados
dos fiscais achacadores
dos trombadinhas e trombadões
da polícia violenta
dos políticos trapaceiros
São Paulo dos pichadores porcalhões
até tua gente mudou
São Paulo maltratada
violentada
da tua memória saqueada
pouca coisa sobra
e se cuidado não houver
o pouco não vai sobrar.


PS. Não terei sido eu quem não mudou?
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Treze - por Raquel Aiuendi

Treze é dia
Do meu avô, sorte é
E nunca azar.
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Capitu Traiu ou Não Traiu? - por Escrevinhadora

Dom Casmurro - Machado de Assis


“O fascinante em Dom Casmurro é exatamente isso: o fato de Machado ter conseguido eternizar a charada.
Podemos passar horas discutindo e nunca chegaremos a um consenso: Capitu traiu ou não traiu?
Eu acho que não traiu e que Bentinho, obcecado, imaginava a infidelidade porque não era capaz de compreender o jeito livre e leve de ser de sua amada.”
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Resposta a “Dom Casmurro”, de Ana.
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A Ilha - por Ana

A Ilha - Aldous Huxley


“Gostei muito.”
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Resposta a “Nem Todos Estão Aqui...”, de Raquel Aiuendi.
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E você? De que livro você gostou muito?
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Dúvida - por Alba Vieira

Loura e burra
Será redundância?
Ah... deixa pra lá...
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Luís Vaz de Camões em “Tanto de meu estado me acho incerto” - Citado por Escrevinhadora

Tanto de meu estado me acho incerto,
que em vivo ardor tremendo estou de frio;
Sem causa, juntamente choro e rio;
O mundo todo abarco e nada aperto.

É tudo quanto sinto um desconcerto;
Da alma um fogo me sai, da vista um rio;
Agora espero, agora desconfio,
agora desvario, agora acerto.

Estando em terra, chego ao céu voando;
Numa hora acho mil anos, e é de jeito
que em mil anos não posso achar uma hora.

Se me pergunta alguém porque assim ando,
respondo que não sei, porém suspeito
que é porque vos vi, minha senhora.


Publicado em “Lírica Completa II”.
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Gina e Jóia - por Adir Vieira

Gina - Maria José Dupré
Jóia - Emi Bulhões Carvalho da Fonseca


“Cito dois livros que marcaram minha adolescência: Gina - de Maria José Dupré e Jóia - de Emi Bulhões Carvalho da Fonseca. Ambos me fizeram ver a vida como ela é, sem preconceitos de qualquer espécie. Recomendo.”
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E você? Que livros marcaram sua adolescência?
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Diálogo - por Passa-Tempo

- Farmácia 24h, bom dia.
- Bom dia. Vocês fazem entrega?
- A domicílio senhor?
- Sim senhora!
- Fazemos sim.
- Vocês têm Naldecon?
- Dia ou noite, senhor?
- Tanto faz.


um minuto depois…

- Alô?
- Oi, senhor. Você quer Naldecon, né?
- Quero sim. Vocês têm?
- Dia ou noite, senhor?
- Aiii… Dia!
- Temos sim, senhor.
- E noite?
- Também temos, senhor.
- Quanto está?
- Dia ou noite, meu senhor?
- Putss… Dia…
- R$ 3,70, senhor.
- E o noite?
- R$ 3,70 também.
- Eu gostaria de encomendar para ser entregue em minha residência.
- Qual o endereço, meu senhor?
- Rua Queda D’água, esquina com a Ralabundanua.
- Ok, senhor. Vai querer o Naldecon mesmo, né?
- Sim senhora. Eu quero dois.
- Dia ou noite, meu senhor?
- OS DOIS! Os DO-IS! Eu quero os DOIS!
- Ok, senhor. Qual o melhor horário pra entrega: Dia ou Noite?

…Tu…Tu…Tu…

-Senhor? Senhor?… Hum! Cara arrogante!
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Morte: Única Certeza - por Alba Vieira

Barco vai e vem...
Hoje chego, amanhã morro
E Caronte vem.
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Sexta-feira 13 - por Adir Vieira

Hoje, ao virar o calendário, deparei-me com a data – sexta-feira, 13.
De pronto, veio à minha mente posicionamentos remotos em relação ao dia que, segundo sempre se soube, anunciava momentos ruins.
Lembro de uma das minhas irmãs, a cada início de ano, checar o calendário anual e verificar se trazia alguma sexta-feira 13. Lembro também que, sempre próximo a essa data, chamava nossa atenção com prognósticos aterrorizantes sobre esse dia fatídico.
Hoje, creio que bem mais madura, isso não mais me afeta, mas, de súbito, como se eu não pudesse contestar, noto que minha postura em relação ao dia vai assumindo, sem que eu perceba, conotações de alerta.
Temo iniciar qualquer tarefa prazerosa intuindo que não dará certo.
Vejo-me andando de um lado para o outro, sem nada fazer, com medo mesmo de enveredar-me por armadilhas silenciosas enviadas pelo ar.
Vejo-me calada, com aquele temor específico de que qualquer som por mim emitido possa traduzir-se em discussão ou mal-entendido.
Vejo-me em constante alerta e precavendo-me de qualquer ato desabonador à paz.
Meus temores, imaginados esquecidos, tomam força maior ao constatar que além de sexta-feira 13, ainda é dia de lua cheia, o que assinala maiores expectativas negativas.
Penso de repente que tudo caminha de acordo com minhas lembranças e tento estabelecer metas reais para o meu dia.
Constato, no entanto, que apesar de todos os esforços não consigo dar termo a essa apreensão velada, a essa negatividade firmada em recordações infundadas de muito tempo atrás.
Enfim, que a sexta-feira 13 se vá e eu possa voltar a viver sem esses medos.
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Quem Mandou? - por Antonio Filó

Coração
É terra de ninguém
A gente nem manda
E ele já está a mando de alguém.


Heterônimo de Bruno D’Almeida.
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Espiritualidade

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Espera

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Esperança

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Espadas

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Eram Tempos de Flor...

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Conflito

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Deus

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