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segunda-feira, 24 de agosto de 2009

Um Dia... - por Marília Abduani

Um dia, tudo será saudade:
a dor silente e que não sangra,
não dói visível,
a ansiedade roendo as unhas da nossa serenidade,
a solidão, que emurchece o sol
e apaga as estrelas,
o sopro do vento, as infindáveis marés,
os rios de suores nossos de cada dia,
os espinhos de nossa inocência
e a desmedida frustração de não ter sonhado o bastante.
Um dia será lembrança o derradeiro inverno em nós.
Nascerá um tempo sem névoa,
apenas banhado de arco-íris.
Alma nova, sonhos aflorados,
plasmado em rimas e pleno de canções.



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Jaula pro Mongim... - por Ana

Eu li a sua resposta...
Tu achou as minhas fraquinhas?
Vejam só que coisa estranha...
Só porque fui boazinha...

É... a vida é assim mesmo,
As pessoas são ingratas...
A gente ajuda, se preocupa,
E recebe de volta... chibata!

Nunca mais vou te alertar,
Nunca mais me condoer,
Nunca mais te dar um toque...
Só arrebentar e maldizer.

De que vale ser legal,
Considerá-lo amigo?
Se o que recebo em troca
É descaso de inimigo?

Pois agora eu prometo,
De forma pública e indubitável:
Pra você só minha espada.
É decisão inabalável.

Te prendo no arame farpado
De minhas palavras sem par,
Vou te esquartejar sem dó,
Te torturar sem piscar.

Vou fazer tua alegria,
Cê num vai mais reclamar.
(Ora, vejam! Quem diria?
O Gio gosta de apanhar!)
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Resposta a Aula de Latim, de Gio.
Referência a Prognóstico, de Ana.
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A Primeira Rixa - por Gio

(Paródia de “À Primeira Vista”, de Chico César)


Quando não tinha espada, ela quis
Quando perdi a paciência, esperei
Quando vi a fria, não tremi
Quando faltou coragem? Não sei

Quando chegou desacato, eu li
Quando houve rixa, estranhei
Quando o povo vibrou, entendi
Quando criei persona, lutei

Quando me chamou, eu vim
Quando dei por mim, tava aqui
Quando ruim achei, pedi
Quando repensei, “eu ficarei”
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Visitem Gio
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Clarice Lispector - Citada por Alba Vieira

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Minha alma tem o peso da luz. Tem o peso da música. Tem o peso da palavra nunca dita, prestes quem sabe a ser dita. Tem o peso de uma lembrança. Tem o peso de uma saudade. Tem o peso de um olhar. Pesa como pesa uma ausência. E a lágrima que não se chorou. Tem o imaterial peso da solidão no meio de outros.
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Resposta - por Escrevinhadora

Já me senti assim, uma parte de mim deslizando pelo quarto, tentando abrir a porta, enquanto a alma sonolenta observava sem compreender o que o corpo queria fazer. Houve um conflito entre as duas partes que durou alguns minutos (éramos eu e o fantasma de mim mesma em luta). Quando as duas se juntaram, restou ao longo do dia uma sensação ruim, de que tudo estava desconectado, um sentimento de vazio inexplicável.



Resposta a Espera, de Ana.
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Chico César “À Primeira Vista” - por Gio

Quando não tinha nada, eu quis
Quando tudo era ausência, esperei
Quando tive frio, tremi
Quando tive coragem, liguei

Quando chegou carta, abri
Quando ouvi Prince, dancei
Quando o olho brilhou, entendi
Quando criei asas, voei

Quando me chamou, eu vim
Quando dei por mim, tava aqui
Quando lhe achei, me perdi
Quando vi você, me apaixonei
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Recado - por Jose Ramon

...viaje
del
alma
duelo
vuelto
leyendo
cielos
en el
encuentro
duelos
literários
felizmente
dentro...

desde mis ---horas rotas---
sigo duelos literários, comparto
el blog, llenos de emociones
poeticas, con un fuerte abrazo.



Visitem Jose Ramon
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À Caça da Origem: Fragmento Primeiro - por Leandro M. de Oliveira

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E se tudo que te disseram até agora fosse só uma forma mais refinada de te manter escravo? O mundo é um lugar escuro e sozinho, vence nele o menos dependente e o mais agressivo, pensar o contrário é trair a natureza humana. O ideal cristão de caridade e temperança, não é mais que uma derrota autoconsentida do homem e um conjunto de sandices de padres. O vencedor, o ser além, deve estar alheio, deve se deixar indiferente ao mercado de indulgências que se vende a si mesmo. Até hoje tentamos (sociedade) o amor, ou pelo menos a ideia que nos introjetaram dele, e assim fracassamos em tudo. As pessoas são infelizes porque foram pudorizadas pelo inconsciente coletivo e se prostram envergonhadas ante a esfinge social, não conseguem expressar o cinismo e a revolta que têm para com seu próximo, e a chuva caiu e ninguém se molhou... Todos querem justificar a sua vida miserável com o amor, por que não tentar o ódio? Em vez de amor, desprezo ao próximo, talvez seja essa a última instância de elevação da alma humana. A estrada mais caudalosa e a opção mais resignada. É conturbado, é duro, mas a única forma possível. Lembrai aquele homem livre que primeiro emergiu da caverna¹ ele era o único a conseguir enxergar o mundo em suas cores verdadeiras, ainda assim os ressentidos, os humilhados de si mesmos o abominaram por querer libertar-lhes de sua fustigante autopiedade.


1. Ver Platão in A República, Livro VII (Alegoria da Caverna).
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Bruna Lombardi, “Bonitinho” - Citada por Penélope Charmosa

Teu corpo
despida
cascata
que canta
escondida
no meio
da mata.

Teu corpo
líquido
escuro
que escorre
entre as pedras
e os musgos
do muro.

Teu corpo
mancha
que fica
depois
que se lava
com água
da bica.



In “No Ritmo Dessa Festa”.
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