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quarta-feira, 27 de maio de 2009

Esboço - por Leo Santos

Não há forças em meu argumento,
aliás, nem argumento, em minha fraqueza;
o espelho lança em rosto o tempo,
e este arremessa, no regaço da tristeza…

Tardio sangrar estético, perdido,
surpreende, não ter escoado tudo;
entre destroços, um último vagido,
depois sem gestos, inerte, mudo.

O Fado verdugo e o último pescoço,
saciando a sede de seu machado;
tolhendo um pulso que foi só esboço,
de um triunfar não consumado.

Animal que vegeta, portanto, radicado
à taça da sina, e sua overdose;
mercê de um deus grego mal-humorado
que urdiu a clausura, da metamorfose…

Mas Deus não é grego, aliás, sou ateu,
daqueles que abonam obras injustas;
portanto Ele pode, Ele, que é Deus,
restituir os anos, que comeu a locusta...



Visitem Leo Santos
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As Nossas Palavras XII - por Alba Vieira

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Nunca diga sim para perguntas indiscretas, pois, às vezes, as respostas podem ser constrangedoras.



Visitem Alba Vieira
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As Nossas Palavras XII - por Gio

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PERGUNTAS E RESPOSTAS


Perguntas que não calam
É verdade? Quer dizer...?
Respostas que não falam
Mais ou menos! Vai saber...

Perguntas indiscretas
Como? Quando? Vai contar?
Respostas bem diretas
Nunca! Às vezes! Vai pastar!

Perguntas incisivas
Quem foi? Quando aconteceu?
Respostas evasivas
É segredo... Não fui eu!

Perguntas floreadas
Pra sempre? Até o fim?
Respostas decoradas
Pra sempre! Aceito! Sim!

Perguntas engraçadinhas
Já te disseram...? E vai rolar?
Respostas nas entrelinhas
Ai, que enxaqueca! Me encontre lá...

Perguntas inevitáveis
Qual o sentido? Em que se crer?
Respostas intermináveis
O Céu! A morte! Sonhar! Viver!
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Visitem Gio
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Post Inesquecível do Duelos - Indicado por Lélia

Quando li esta poesia aqui no Duelos achei tão emocionante! É linda, sensível, muito bonita e carinhosa. Vale a pena ler de novo!



DANÇA DOS CHINELINHOS
(ZAIRA)

Os chinelinhos andavam
da sala até a cozinha;
na cozinha volteavam,
formando estranhos desenhos
de estrelas e sóis distantes;
depois, à sala voltavam,
iam, vinham, sem cessar
para o seu baile dançar
e decorar de mansinho
os passos desse caminho
que andavam sem tontear;
os chinelinhos travessos
quase viravam no avesso,
marcando os passos do mundo
imenso e tão limitado...
os chinelinhos à esquerda,
à direita os chinelinhos,
bem firmes, depois, no centro,
a esperar e a buscar;
os chinelinhos dançavam,
deslizavam, escorregavam,
os chinelinhos viviam,
os chinelinhos cansavam,
os chinelinhos gastavam,
e nas idas e nas vindas
de sua andança no chão,
os chinelinhos morreram
e, sem querer, imprimiram
na última volta que deram,
a marca de um coração...
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Convite - por Rodrigo de Souza Leão

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SIMPOESIA 2009

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Experiência literária de quatro dias que reunirá poetas e críticos literários do Brasil e exterior, além de uma feira de editoras independentes de poesia do Brasil e Argentina promovida pela revista Grumo.
Um encontro que envolve a troca de idéias, a exposição da diversidade intelectual e o intercâmbio artístico e cultural entre diversas expressões da poesia contemporânea.

Curadoria Virna Teixeira
Realização Secretaria de Cultura do Estado de São Paulo
Produção Casa das Rosas e Organização Social POESIS de Cultura
Patrocínio Instituto Cervantes, Consulado do México e Centro Cultural da Espanha em São Paulo


PROGRAMAÇÃO
4/6
19:30h
Apresentação. Abertura do evento.
20h Recital com Horácio Costa, Maria Esther Maciel, Micheliny Verunsck, Alfredo Fressia, Virna Teixeira
21h Show “Polivox” com Rodrigo Garcia Lopes. Lançamento da revista de poesia mexicana La Outra
Local Casa das Rosas

5/6
19:30h Debate com Gustavo López, Virna Teixeira e Vanderley Mendonça (Editoras Independentes de Poesia). Mediação: Paloma Vidal.
21h Recital com Rodolfo Hasler, Rodrigo de Haro, Efrain Rodrigues Santana, Luís Serguilha, Victor Sosa. Após o recital haverá o lançamento da revista Grumo.
Local Instituto Cervantes

6/6
COLÓQUIO - POETAS DE LÍNGUA INGLESA
14:30h
Debate “Brazilian poetry in translation” com Steven Buttermann, Stefan Tobler, Flávia Rocha e Rodrigo Garcia Lopes.
16h Palestra “Language poetry”. Professor William Alegrezza.
17h Palestra “Editing Contemporary Poetry, Litmus Press Experience” com E.Tracy Grinnell e Julian Brolaski.
18h Recital “Poetry reading” com William Allegrezza, Tracy Grinnell, Julian Brodanski e Stefan Tobler. Recital bilíngue com traduções para o português de Virna Teixeira. Stefan Tobler apresentará traduções do poeta brasileiro Antônio Moura para o inglês.
19h “Poesia: palavra impacto”. Palestra com Frederico Barbosa.
20h Recital com Sérgio Medeiros, Carlos Augusto Lima, Marco Vasques, Silvia Iglesias, Tatiana Fraga, Marcelo Tápia.
21h Show com o grupo de jazz Patavinas.
Local Casa das Rosas

7/6
16h Debate “Poesia, Sadomasoquismo e Diversidade Sexual” com Steven Buttermann, Antônio Vicente Pietroforte e Glauco Mattoso. Mediação: Contador Borges.
17:30h Debate “Poesia e Fronteiras Geográficas” com Silvia Iglesias, Carlos Augusto Lima e Marco Vasques. Mediação: Edson Cruz.
19h Recital com Edson Cruz, Contador Borges, Andréa Catrópa, Luiz Roberto Guedes, Donny Correia, Antônio Vicente Pietroforte, Greta Benitez.
Local Casa das Rosas


ENDEREÇOS
Casa das Rosas (Espaço Haroldo de Campos de Poesia e Cultura) Av. Paulista, 37 - Bela Vista / Tel. 3285-3986.
Instituto Cervantes Av. Paulista, 2439 (Metrô Consolação).






Contato simpoesia2009@yahoo.com.br
Mais informações: Simpoesia
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Na Terra dos Sonhos - por Alba Vieira

Um dia estava eu andando por uma estrada deserta quando me dei conta de que estava cansada de prosseguir minha vida como vinha fazendo até então.
É que já estava farta de trilhar caminhos conhecidos, sempre o mesmo previsível desenrolar dos fatos, as mesmas pessoas a passarem por mim, as tarefas iguais a desempenhar, a criatividade como meta a ser alcançada depois.
Depois de quê? Será que haverá depois para quem se perde no agora? É possível esperar indefinidamente para ser o que se pensa que é sem correr o risco de ir amofinando, amarelando, desaparecendo do mesmo jeito que essa esperança vã que é o destino dos tontos que se aferram à realidade esquálida e sem sumo do cotidiano?
Estar ali, só, como há muito tempo não me acontecia, me deu ensejo a marcar um encontro com essa eu que tinha o costume de postergar o que era importante. Queria há tempos dizer a ela umas verdades. Quem sabe poderia compreender que tanta responsabilidade, tanta necessidade de segurança não combinava definitivamente com alegria de viver, espontaneidade e deslumbramento. E mais, teria que saber, sua rigidez quadradinha só atrapalhava às outras: ousadas, confiantes, autênticas, que habitavam o mesmo corpo.
Ela me ouviu, eu acho. É que, inexplicavelmente, senti um sopro diferente dentro de mim. A coluna endireitou, o peito se abriu, as juntas se soltaram, estava mais leve e, ao mesmo tempo, tinha ficado mais dona de mim. E brilhava, sentia uma corrente passar por mim e meu coração expandido numa alegria sem motivo. Sorria um sorriso puro, pra ninguém, continuava só, andando na mesma estrada.
Caminhava um passo após outro, em frente sempre, no mesmo ritmo, num estado de tal alheamento que aos poucos percebi que subia na diagonal, tornando-me cada vez mais leve, fora de mim.
Fechei os olhos e me deixei ir por um momento, que me pareceu infinito em seu significado, mergulhando numa realidade que não havia antes experimentado.
Eu era todas e nenhuma. Era unicamente luz. Vibrava o que sabia ser amor, estava preenchida, ligada a tudo, eu era tudo, nada pensava, estava no vácuo. E pela primeira vez eu era.



Visitem Alba Vieira
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Grito Inaudível - por Duanny

“Porque entre meu desejo descabido de paixão ardente e minha alma muda de juízo, há um coração patife, que não sabe o que faz.

Porque entre aquele meu sorriso encabulado e sua voz sufocante há o doce perigo do inevitável. É, querido, você anda fazendo estragos por aqui, e só eu sei como.

Sinto-te com o gosto do pecado, fruto proibido do inexistente, e isso é salgado - salgado feito a lágrima que há algum tempo rolou em minha face e secou por causa do desprezo, salgado como o mar que me engoliu e me puxou para a escuridão e a frieza do rancor, porém ele também é amargo, amargo feito choque de ser sugada para a realidade do clichê.

Porque entre o desejo desse coração patife de ser preenchido e sua vontade de amar e me virar do avesso, está meu orgulho, cruel e rasgado, permanentemente despido, que costura os lábios da minha paixão e deixa meu coração mudo, incapaz de gritar seu nome.”



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Ferreira Gullar e “Os Mortos” - Citado por Penélope Charmosa

os mortos vêem o mundo
pelos olhos dos vivos

eventualmente ouvem,
com nossos ouvidos,
........certas sinfonias
.....................algum bater de portas,
........ventanias

.............Ausentes
.............de corpo e alma
misturam o seu ao nosso riso
.............se de fato
.............quando vivos
.............acharam a mesma graça
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