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(Aviso: Os textos em amarelo pertencem à categoria
Eróticos.)




quinta-feira, 18 de dezembro de 2008

Amante - por Ana

Mergulhar no mar de sua boca;
minha vida,
enfim,
abandonada entre as ondas
que me afastam do mundo terreno de dor
e me embalam para dentro de seu universo
cujo portal se fecha após minha entrega,
última vontade do corpo,
primeiro desejo da alma,
que se concretizam
após vidas que passei em branco
antes de,
finalmente,
me afogar em você
para sempre.

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Consciência - por Alba Vieira

Vejo o céu claro de um azul apaziguador, com chumaços de nuvem algodão branco ao longe e corre um vento forte que balança os toldos nos prédios vizinhos ao mesmo tempo em que acaricia a pele do meu rosto espectador. Não há ruídos com personalidade lá fora. São apenas sons de pássaros que sobrevoam as árvores ou latidos de cães preguiçosos na hora do almoço, gritos de crianças nos apartamentos ou correndo nas ruas próximas. São barulhos de vida fora de mim que me acalmam, não me trazem nenhuma história conhecida, nem expressam os conflitos que me dizem respeito. É como se minh’alma planasse sobre a densidade das emanações das vidas de todas as pessoas que moram ou passam por perto de onde vivo. Da janela observo o mundo. Não com um olhar curioso como fiz tantas vezes, mas com todos os sentidos e além deles, tentando apreender as vibrações de vida em torno.
O céu distante me traz a consciência da vida além da materialidade. Tenho saudade de pessoas que já se foram e me eram caras e saudade antecipada das que ainda irão e, no mesmo momento em que aperta o peito a dor da perda, me sinto expandir para uma nova realidade, em que nada nos pode limitar, em que podemos chegar aonde o que somos permitir. Esta liberdade que a consciência da morte me traz perpassa todo meu ser, me revigora, me dá esperança, aquece meu coração humano. É vida, é plenitude, é equilíbrio e serenidade.
Hoje, meu olhar antes curioso pelo externo, mesmo que representasse aspectos do meu ser, se volta agora para dentro, onde encontra o silêncio e busca equilíbrio e paz. É nesta fonte que procuro as respostas para entender o que o olhar para fora encontra de perplexo.
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Simbiose - por Alba Vieira

Eu hoje estou tão frágil que o choro vem a qualquer descuido meu...
Acabei de reparar no sorriso de minha mãe. Por que será que o sorriso dela é capaz de encher de alegria o ambiente? Pode iluminar, incendeia o meu olhar e dispara a flecha do entusiasmo. Acho que meu interior é o espelho do que vejo no olhar de minha mãe. Sim, porque qualquer oscilação que eu perceba nela me atinge em cheio, modificando para melhor ou pior.
Que coisa estranha ser vinculada assim a outra pessoa! E é tão profundo, tão vital, tão louco... diferente até da mais profunda ligação amorosa, já que não depende do meu desejo. É como reação em cascata dos processos orgânicos: não se tem controle.
Como é bom, como me enche de vida o sorriso de minha mãe! Que alívio me dá olhar o brilho nos olhos dela, sentir o seu entusiasmo que me conecta com a melhor parte de mim!
Que coisa tão estranha... por ser tão forte, tão arrasadora e, por isso mesmo, tão frágil. Como é difícil ser tão vulnerável, ter meu ser dependente do ser de outra pessoa.
Mas que lindo! Que refrescante! Que alegria o sorriso de minha mãe!
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Consciência - por Raquel Aiuendi

A consciência traz ao humano, neste infinito mundinho, o poder de transformações e o privilégio sofrido de se sentir responsável por tudo quanto sucede a um ato seu. Lutar contra a consciência é um esforço vão, pois ela está para o humano como a morte está para todos os seres vivos no plano mater.
“Quando o enfoque altera a relação” é necessário que tentemos outros enfoques sobre um mesmo assunto se a proposta é de harmonia e não de ‘caos’.
O desenvolvimento da inteligência dificilmente se dá de forma isolada, talvez nunca. Todo ser pensante desenvolve, no mínimo, através de observações e o desdobramento dessas observações é a resposta interativa. Logo, a inteligência só poderá ser desenvolvida conjuntamente e não de forma individual.

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O Presente de Natal - por Adir Vieira

Recebi, hoje, meu primeiro presente de Natal desse ano.
Veio sem que eu esperasse, pois ainda faltam alguns dias para a troca de presentes.
Veio das mãos de pessoa que me preza, pois não temos relações de amizade que justifique tal ato.Mas não foi isso que me chamou a atenção no gesto. O que me impressionou foi o presente em si.
Para que vocês possam entender do que estou falando, é primordial que eu fale de mim. Sou uma senhorinha simpática com seis décadas bem vividas e bastante conservadora no meu agir.
O presente foi-me dado com todas as recomendações e com a absoluta certeza de que iria me agradar mais do que qualquer outro. Tratava-se de uma apresentação de um grupo de forró do Nordeste, em DVD, com músicas num ritmo alucinante, numa batida única e descompassada, fazendo rodopios com as poucas peças de roupas que lhes cobriam os corpos e exibindo gestos acentuados para provocar a sensualidade dos demais.
Sei que nunca compraria tal produto para ter em casa. Não pelo que assisti, mas por não me agradar tal apelo musical com versos mal construídos e rimas forçadas.
Pensei a respeito sobre o que levou meu admirador a ter tanta certeza de que o presente me agradaria.
Repassei na mente o que vi – vibração positiva, alegria, felicidade, despojamento e beleza nos corpos jovens e sarados.
Tive de repente um insight e fiquei superfeliz.
Não com o presente, repito, mas com o que viram em mim para crer que eu ia gostar.
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Natal... - por Adir Vieira

Faltam apenas poucos dias para o Natal e, desde o início do mês, como no passado, essa ansiedade, essa interrogação de não sei o que no ar, me causa um tremendo dissabor.
Afinal, no dia de Natal, toda a família deverá estar bem saudável, em paz, pronta para encerrar um ciclo e iniciar outro.
As esperanças deverão estar vívidas e plenas, presentes em todos, sem exceção, para que nenhuma energia em desacordo quebre a paz para se viver o Natal com todo o esplendor.
É uma sensação inconsciente e má, que me deixa em constante expectativa, como que cuidando, a cada minuto, para que nada de ruim aconteça até lá.
O calendário do mês, pendurado num canto da cozinha, mostra um aspecto amassado de tanto manuseio nervoso na eliminação de cada dia transcorrido em paz.
Com tanta coisa a fazer, com tanta programação para os preparativos, com tanta energia a despender na compra de presentes mínimos e de mínimos presentes, com e-mails, mensagens e cartões a enviar para os mais distantes, e minha cabeça parece estar sempre alerta ao que possa acontecer que não seja bom.
Há um desacordo constante e gigante entre preparar o bom e temer o ruim.
Esse “medo” me faz pensar que, quando criança, vivi essa mesma sensação, mas tinha motivos reais para tal.
A ansiedade era centrada no medo de não ganhar o presente pedido ao Papai Noel…
A ansiedade era centrada no medo de não ser aprovada na escola e, assim, não receber os aplausos da família…
A ansiedade era, enfim, gerada pelo medo de não concretizar desejos reais, palpáveis.
Hoje, os desejos são outros, desejos não palpáveis que não dependem de nós, desejos baseados em fatos que o destino traça e determina, sem nos consultar…
Lamentavelmente, chego à conclusão de que meu medo, nessa época do ano, vai persistir, para todo o sempre.
Que pena!
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