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(Aviso: Os textos em amarelo pertencem à categoria
Eróticos.)




quinta-feira, 16 de julho de 2009

Nunca Discuta com um Idiota - por Gio

Nunca discuta com um idiota
Já nos dizia o nosso amigo Homer
Que não é culto, e nem poliglota
Mas de burrice, isso entende o homem

Ignorar é sempre o mais plausível
Pois, se da prosa deres procedência,
Ele vai rebaixá-lo ao seu nível
E o derrotar com sua vasta experiência

Se, mesmo assim, achar que vale a pena
Do mesmo jeito que eu já tentei
A coisa, nem de longe, é amena
Então, não diga que eu não te avisei

Não se impressione se ele te acusar
De crimes que ele mesmo comete:
É coisa rara essa raça pensar
Sempre são, de tiranos, marionete

Deixe de lado a argumentação
Ele não ouvirá, de qualquer forma...
Infelizmente, assim as coisas são -
Ok, eu sei, você não se conforma!

Mas fique calmo, que aí vem mais,
Já vá treinando a sua paciência
Ele vai tirar logo a sua paz
Dizendo “Tive sempre coerência!”

Se nunca lidou com esses fulanos
É bem normal ficar, assim, perdido
Porque, pra nós, meros seres humanos
A discussão tem que fazer sentido.
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A Poesia Pula o Muro - por Raquel Aiuendi

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A intenção de postar imagens neste blog
é propiciar inspiração para textos referentes a elas.
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Santa Inocência - por Adir Vieira

Chegou esfuziante, bochechas rosadas, arfando de ansiedade, louca para me contar a novidade:
- Tia, vou te contar uma coisa, mas não é para falar pro meu pai!
Sem esperar pela minha concordância, continuou, atropelando as palavras:
- Hoje eu dei um beijo num garoto lá da minha sala!
Nessa altura, eu fiquei sem ar, com um olhar apatetado, misto de surpresa e temor. Para não quebrar o encanto, perguntei:
- Ah, é? Parabéns! Foi o seu primeiro beijo, então vamos comemorar!
Agarrei-a pelos braços e desatamos a dançar, como duas doidas, eu querendo que o diálogo logo acabasse e ela propondo-se a dar todos os detalhes.
Continuou ela:
- Tia, foi assim. Aconteceu na festa junina de hoje. O João Pedro me deu um “crokito” e eu disse a ele que ele merecia um beijinho, aí cheguei perto dele e dei um beijo no rosto dele.
Aliviada, perguntei:
- E então, ele gostou?
Ela respondeu:
- Acho que sim, porque ele fez uma cara assim (e representou para mim a cara de felicidade do menino).
Só depois de detalhar tudo se lembrou que devia me fazer prometer não contar para ninguém a façanha.
Santa Inocência! Rara, raríssima hoje em dia, mesmo nas crianças de dez anos.
Saí de perto para deixar minha emoção correr solta...



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Hoje - por Alba Vieira

O momento atual é como cair em areia movediça. Quanto mais tento sair, mais afundo e sou coberta pela lama. São tempos cinza, sem perfume, nem mesmo ar. Não há melodia nas horas que escorrem num compasso que se mantem o mesmo, nada se cria, apenas é possível repetir, repetir, repetir. Meus olhos miram, mas não veem. A paisagem interna é de seca. Não há emoção. E sem ela, só resta ceder e afundar para sempre.



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Desagravo - por Escrevinhadora

Ana, que rapaz atrevido
ameaçando uma senhora!
Será que ele é mesmo capaz
de cumprir o prometido?

Sendo consumada a lesão
a pena prevista é prisão
mas a justiça demora...

Se você confia em mim
proponho resolvermos assim:
vamos todas nos vingar
nada de bom-bocado
nem brigadeiro ou quindim
vamos atacar sem dó.

Pra ele vamos preparar
só as receitas de amargar
todas as comidas feitas
por quem não sabe cozinhar
guisado de quiabo e jiló
torta de inhame com banana
sopa de nabo com bardana.

Eu garanto, posso apostar
que ele vai se arrepender
em vez de tapa na orelha
vai te enviar rosas vermelhas
pedindo pra você perdoar.



Resposta a De Orelha em Pé..., de Ana.
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Vergílio Ferreira e a Ação Mais Degradada - Citado por Penélope Charmosa

A ação mais degradada é a daquele que não age e passa procuração a outrem para agir - a dos frequentadores dos espetáculos de luta e a dos consumidores da literatura de violência. Ser herói através de outrem, ser corajoso em imaginação, é o limite extremo da ação gratuita, do orgulho ou da vaidade que não ousa. Corre-se o risco sem se correr, experimenta-se como se se experimentasse, colhe-se o prazer do triunfo sem nada arriscar. E é por isso que os fIlmes de guerra, do heroísmo policial, de espionagem, têm de acabar bem. Porque o que aí se procura é justamente o sabor do triunfo e não apenas do risco. O gosto do risco procura-o o herói real, o jogador que pode perder. Mas o espectador da sua luta, degradado na sedução da ação, acentua a sua mediocridade no não poder aceitar a derrota, no fingir que corre o risco mesmo em ficção, mas com a certeza prévia de que o risco é vencido. O que ele procura é a pequena lisonja à sua vaidade pequena, a figuração da coragem para a sua covardia, e só a vitória do herói a quem passou procuração o pode lisonjear.
E se o herói morre em grandeza, há o prazer ainda de o espectador estar vivo para saborear a coragem do que morreu e a não pode já saborear. A vida do herói estende-se assim para além da sua morte onde a espera o espectador para se investir da glória que lhe coube e ele já não pôde gozar. É de dentro da vida e do conforto que o espectador da coragem saboreia o prazer da coragem que não tem. Daí às vezes a ilusão de que também ele poderia enfrentar os mesmos riscos, se os enfrentasse. O que lhe fica à superfície de toda ação é o gosto dessa ação e não a dificuldade de a realizar. Daí que na realidade ele pudesse talvez atirar-se a essa ação, se tudo fosse possível efetivar-se num momento - no momento em que não teve tempo ainda de conhecer o que aí se esconde, no momento em que não teve tempo de saber que não era corajoso. Daí que num comício de heroísmo o heroísmo seja fácil e os heróis voluntários se possam recrutar aos montões: a dureza com que se conquista esse heroísmo não se vê sob os braços erguidos que o festejam...



In “Invocação ao Meu Corpo”.
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Meio Sonho - por Yuri

Eu nunca pensei que por outra vez eu sentiria falta de sua ausência.
Mas acho que todas as suas palavras secarão, e já passou da hora de eu ir embora daqui.
Me deixe ir chorar minha infância perdida sem paternidade.
E te juro e acredito que ainda você possa dormir em paz.
Foi como um adeus sem despedidas, sem abraços. E tudo se secou! E eu jurava que você era importante.
Eu fui pra você a consequência de um ato de diversão deixado para trás. O amor que eu sentia por você se cansou de mim, mas ainda sinto a ligação de que não sairei desse labirinto que sempre me faz recordar seu olhar disfarçado.
Heim? Em nenhum de seus pesadelos você chorou sua ausência por mim? Acalme-se!
Vá e tome um belo copo d’água com açúcar que logo depois verás que tudo era uma bela chuva obscura, e que você me ama e que se arrepende de tudo que não fez, sabendo que já é tarde demais. E que este sim é um meio sonho. E tente não chorar tanto nele, pois lamento dizer: não estarei mais aqui pra secar suas lágrimas com aquele cuidado, afeto e carinho.
Pois tudo secou. E se foi. Igual a você. E se não acreditar olhe em meus olhos e verás.
Não quer mais lágrimas? Tente não se afogar no mesmo mar novamente e cometer o mesmo erro com o próximo.Me lembro daquele antigo dia... minha vontade era de ter te jogado da sacada com todas aquelas suas tonteiras de falsidade. Mas sei que ainda tenho um coração bom e iria chorar pelo ato em seus aposentos. Mesmo hoje, sem amor dentro de mim. E a vida é curta pra eu ficar aqui nesse capítulo perdendo tempo com você. Não pensava que a simples falta do ato poderia me despertar tanta dor. Aquele último abraço amargo e um bando de palavras falsas bastaram para despertar minha atenção. Preferia que tivesse me ofendido com más palavras, não sombrias, a ter cometido este ato tão congelado. Mas quando você vai entender que eu não preferia um carrinho azul? Dei meu amor inocente juvenil e você o preferiu enfeitá-lo com bombons e roupas de seda, tentando me fazer entender que essas coisas irão combater sua ausência. Mas você roubou minha felicidade, rasgou todas as roupas de seda, cuspiu o vinho caro em seu próprio copo de plástico.
Eu?
Me perco nas ruas, vou à beira do mar quando há chuva e desabafo com as frisas, fico lá até o dia seguinte amanhecer, as lembranças vão embora, anoitece e elas criam bolhas de ar e vão embora, durmo e em meus pesadelos elas se estouram, me despertando para a realidade outra vez.
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Visitem Yuri
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