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(Aviso: Os textos em amarelo pertencem à categoria
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terça-feira, 1 de dezembro de 2009

Tempos de Lei Seca - por Fatinha

Querido Brógui:

Em tempos de lei seca, o melhor amigo do homem não é o cachorro, sou eu. Sabe que eu estou pensando seriamente em inaugurar um novo tipo de prestação de serviços que inclui buscar e depois entregar a domicílio, sãos e salvos, aqueles que gostam de uma bebidinha? Não digo que vou começar a transportar bebuns, porque minha tolerância a bêbados é nenhuma, mas posso perfeitamente começar a transportar os apreciadores de álcool que sabem beber e sabem parar antes de ficarem insuportavelmente chatos. Vou ganhar um troco, posso até incluir no pacote que o bebedor pague algumas doses de Coca Light para mim. Grande ideia.



Postado, originalmente, em 04/08/2008.
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Memórias Plúmbeas - por Ana

Recordei de coisas que vivi nesta época também...
Não cheguei a ler os livros proibidos ou a me filiar a nenhum grupo de esquerda, mas conheci, no colégio, pessoas que participavam de grupos que estavam preparando a luta armada. Tive um amigo que me mostrou, na casa dele, um taco solto embaixo de sua cama sob o qual escondia os malditos: “As Veias Abertas da América Latina” (se bem me lembro), “O Capital” e outros disfarçados com outras capas, como você relata.
Foi um tempo difícil, extremamente complicado...

Um rapaz do terceiro ano estava sempre lendo sozinho na hora do intervalo; aquilo me chamou a atenção e um dia eu me aproximei para conversar. Eu disse oi e ele respondeu:
- “Conheço você através de outras pessoas daqui com as quais encontro lá fora. Gostaria de me tornar seu amigo, mas não é hora para isso, infelizmente. Não devo ter amigos ou vínculos, porque a qualquer momento posso desaparecer e não devo envolver ninguém em minhas decisões e atitudes. Eu sei que você me entende.”
Eu me afastei com tristeza, compreendendo e lamentando pelo futuro dele. E, realmente, alguns dias depois, ele “caiu”.

Nas salas de aula, os professores de História e Geografia viviam tensos, revoltados, pois não podiam se expressar como gostariam e tinham sempre que se apresentar ao DOI-CODI.

Um professor de Administração, que tinha sido líder sindical, resolveu ignorar aquilo tudo e começou a falar, nas aulas, sobre sindicalismo e a situação do país. Lembro que um dia, repentinamente, ele parou o que estava explicando no meio de uma frase, abaixou a cabeça pensativo e começou assim:
- “O que acho mais triste nisto tudo é olhar para uma turma de 2o grau e ficar imaginando se há e quem é espião do governo aqui. A maioria dos professores se cala, e com razão, mas isso não está certo. E, a partir de hoje, eu não quero nem saber se serei denunciado, preso ou torturado por delação de algum de vocês. É impossível ficar falando de fluxogramas enquanto o país se encontra nesta situação. Nossas aulas vão tratar de política e ninguém é obrigado a comparecer.”
E assim ele fez. Duas patricinhas nunca mais assistiram às suas aulas, mas o restante da turma continuou comparecendo (e olha que as aulas eram aos sábados e só as dele!) até que fomos informados, pela direção, de que ele não daria mais aulas pois havia abandonado o magistério. Nunca mais soubemos dele.

O toque de recolher, os militares e PM’s fazendo o que bem entendiam em nome do governo... Foi assustador. Ninguém confiava em ninguém, qualquer um poderia te entregar... Até assuntos como hippies, oposição à Guerra do Vietnã eram considerados perigosos. Falar que não queria servir por não gostar de militarismo era dito em voz baixa. Muitos colegas meus serviram (quando poderiam ter conseguido dispensa) apenas por medo de serem considerados traidores.

É... Muitas coisas vi, ouvi e vivi nesta época...
Por isso, apesar de não ter partido político, eu fui ao comício do Lula e me emocionei, junto com aqueles milhares de pessoas. Não pelo candidato, não pelo PT, mas porque, pela primeira vez na vida, eu estava tendo contato com a liberdade. Apesar dos inúmeros agentes militares disfarçados que se misturavam à multidão.




Comentário em Aquele Livro..., de Cacá.
Eduardo Galeano, Karl Marx

Amor e Futebol (III) ou ainda O Reserva ou talvez Ode ao Obina - por Flavio Braga

Pode até ser bom
Mas só quebra galho.
Quem nasceu para carregador de piano,
rala por anos e anos,
mas nunca será o astro.
O técnico sempre diz que ele merece uma chance,
mas a gente sabe
- aqui entre nós, coisas do amor e do futebol -
que nunca terá.
Ele pode até ser bom,
Mas só quebra galho.
Reserva:
Chore no banco que é lugar quente.



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Querido Incesto - por IkaRo MaxX

E os cantos feridos da primavera?

não foi por aí que esquecemos nossas cabeças

entre pigarros dos pesadelos?

Ah... devassidão que me arvora em anjo!

Como nos torneios de tormentas

todos os cacos dos alarmes feitos em pó

para aspirações matinais

E diluído os cordumes
as barcas apontando para a ida inabalável

e a lama seca nos calcanhares como lembranças da selva

de nossos corações entrelaçados pela boca

Sarjeta admirável... ruas escandalosas, danças, tumores
e devires renegados

numa miscelânea grande demais para nós... corpos abandonados ao vento
desestruturados de todo pensamento bondoso...

Claro... a guerra foi declarada...
e aos últimos pingos de estrelas
misturamos saliva & areia

membros eretos irrompendo os céus
como uma alucinação imprevista
palavras defeituosas escrevendo
suas belas blasfêmias nas telas em branco do mundo

em carícias & delitos
dissipados
nos poros do mundo



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Conto de Fadas - por Passa-Tempo

No meu conto de fadas,
As princesas são as bruxas,
O Príncipe é o lobo mau,
O Dragão é de estimação,
O castelo é um barraco,
O amor não existe,
E o final feliz
Tá no começo da história.
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