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(Aviso: Os textos em amarelo pertencem à categoria
Eróticos.)




sábado, 11 de julho de 2009

Fantasia - As Nossas Poesias XVII

Criei uma fantasia
Com retalhos coloridos
Triângulos recortados
Costurados com paetês
Em cores alternadas unidos

Usei minha fantasia
Noite, tarde e dia
E era só alegria
Até que me tornei personagem
Confundi-me com a imagem

Rasguei minha fantasia
Só queria voltar a ser eu
Mas o que eu não sabia
É que o personagem traria
Coisas que se somariam
Eu antes mais ele
Sendo agora um novo eu



Poesia criada por Ana, Clarice A. e Anônimo.
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Refletindo - por Alba Vieira

Lagoa tranquila refletindo meu rosto
Que crispado pela dor se desfigura
Em máscara encobrindo a candura
Daquela que sofre do mundo o desgosto.

Quisera olhar agora o mar revolto
Levando para longe o desespero
De quem na vida experimenta o desterro
Por sentir-se ainda parte desse mundo louco.



Poesia cujos título e primeiro verso foram utilizados para a versão coletiva Refletindo - As Nossas Poesias XVI.
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Visitem Alba Vieira
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Memórias de um Seminarista (Parte XIII) - por Paulo Chinelate

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MUDANÇAS EM VISTA


O ano escolar começou bem cedo. Tenho uma mesa de estudos com tampa de levantar onde guardo meus livros. Um ratinho branco disputa um lugarzinho entre os meus objetos escolares. Meu mascote recebe todos os dias sua ração de pão, bolacha e água. Levo-o para tomar sol às horas de recreio. Muitos são os animais de estimação adotados por colegas. Um tem uma pequena cobra cipó, verdinha que faz gosto. Outro, uma aranha tarântula, peluda, enorme. Meu vizinho de estudos tem um jeco, pequeno camaleão que troca de cores quase instantaneamente. Atrás do galpão dos banheiros temos vários viveiros de cobras que ficam aguardando o momento para serem mandadas para o Instituto Butantan. Recebemos soro antiofídico em troca dos espécimes que para lá enviamos. A floresta que nos circunda é rica de ofídios: jararacas, urutus, principalmente a urutu cruzeiro e cascavéis. A mais linda de todas é a caninana. Não é venenosa. Tem lindas escamas amarelas, pretas, verdes e vermelhas.
Outro dia fomos visitados por caravana de alunos e familiares Maristas do Rio de Janeiro. Um dos senhores da comitiva estava a filmar-nos em nosso dia a dia. Eu portava a caninana enrolada no meu braço quando ele se aproximou. Para minha infelicidade, naquele exato momento caiu um cisco em meu olho. Uma semana depois mandaram-nos a fita que foi exibida antes do filme do mês. Eu estava piscando e tentando explicar a origem, nome e dados do animal. Ficou hilário. A plateia riu a valer.
A sala de exibições dos filmes fica no porão abaixo da capela. Cabem umas trezentas pessoas. Tem palco e é lá que são apresentadas peças teatrais. Quem cuida tanto das projeções dos filmes como do teatro é o Irmão Constantino. É também nosso fotógrafo. Graças a ele tenho fotos do final do ano passado. Fotos oficiais com todos os colegas. Nunca vi o Irmão Constantino com cara fechada. Sempre solícito, nos recebe sempre com muito carinho. É nosso professor de matemática.
Uma coisa interessante: foi instituída uma tabela de valores para todas as atividades aqui no juvenato. Como se fosse dinheiro que vamos juntando durante o ano. Para as notas das provas mensais temos valores que vão sendo acumulados em nossa caderneta. Se participamos de uma gincana, acumulamos pontos se formos vencedores. Os campeonatos de jogos, tanto de campo quanto de salão têm sua pontuação específica. Disseram-nos que ao final do ano o acumulado servirá para adquirirmos objetos que serão leiloados. Isso nos causou um grande frisson. Todos participamos de tudo. Quero ver o resultado. Até pegar cobras para o Butantan vale pontuação. Conforme a raridade delas varia o valor.
O mais legal é participar da turma de entomólogos do Irmão Zeno Camata. Estamos formando um museu de insetos. Aprendi a tratar os insetos para a mumificação. Muitos deles são compartilhados com outros colégios Maristas espalhados pelo mundo. Exportamos os insetos em caixinhas de madeira de Mate Leão®, entre camadas de algodão. O cheiro do formol é muito saliente. Tem um inseto que dá uma alta pontuação. Só o vimos no catálogo. É o “moleque da bananeira”. O bichinho tem uma aparência humana se colocamo-lo em pé. É uma verdadeira fixação querer conseguir um espécime.
No salão de estudos, pelas oito horas da manhã, ouvimos o repórter Esso. O Irmão Claudino nos permite acompanhar o noticiário diariamente. Ficamos sabendo que Kruschev mandou erigir um muro dividindo Berlim ao meio. Pobre Alemanha. Fidel Castro se fixa no poder cada vez mais. Yuri Gagarin, astronauta russo, representa o primeiro homem a subir ao espaço sideral. Não gostamos da falta de respeito quando ele declara que “não vira Deus” no espaço celeste, numa reafirmação do ateísmo russo.
O ano está passando rapidamente. As notícias de casa são tranquilizadoras. Papai, agora empregado dos Correios e Telégrafos, transmite mais estabilidade à manutenção do seu lar.
Notícias ruins estão pairando pelo ar. O Juvenato vai fechar-se às turmas menores do ginásio. Os primeiro e segundo anos do ginásio não ficarão mais em Mendes/RJ. Isto quer dizer que vamos ser transferidos para Uberaba/MG por conta da inauguração de novo Juvenato no Triângulo Mineiro.
As mudanças carecem ainda de confirmação. Se ocorrerem, maior perda terei, já a tive em me separando dos companheiros no ano anterior, e agora me afastando do cantinho que adotei como minha segunda casa.



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As Nossas Palavras XVII - por Alba Vieira

Caso nos fosse proposto usar um sofá como instrumento terapêutico, para onde seriamos orientados a nos dirigir e agir, ressignificando uma situação problemática, ora deveríamos fazer dele um trampolim para representar o salto que a capacidade de lidar com o problema criando novas habilidades geraria. Outras vezes, quando os condicionamentos adquiridos nas vivências do passado nos impedissem de avançar, o jeito seria fazer dele um local para repousar, deixar a situação evoluir livremente dentro de nós até que uma atitude de nada fazer, apenas esperar, nos trouxesse a luz e a energia necessárias para a transformação e o crescimento.



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Saudade de Ir à Praia - por Adir Vieira

Hoje, apesar do inverno com bastante sol, me deu uma vontade louca de ir à praia.
Acordei um pouco mais tarde porque ontem à noite decidi assistir a uma daquelas séries quilométricas que nos prendem a atenção e fui dormir mais que duas da manhã.
Como sempre faço diante de um desejo desse porte, quis investigar dentro de mim o porquê dele surgir tão acirrado, haja vista que praia mesmo já não frequento há, pelo menos, uns dois anos.
Comecei por fazer uma comparação entre minhas idas de outrora e as mais recentes, quando ia para agradar ao marido mais do que por um desejo próprio.
Visualizei-me como adolescente, como “rata de praia” que era e não pude deixar de rir quando lembrei que, para não enfrentar os ônibus apinhados de banhistas e outros transeuntes, gastava todo o meu salário pagando táxi para ir e voltar, nos finais de semana.
Na minha divagação, vi-me presa dentro de um quarto, pois por ficar estirada ao sol por mais de seis horas, minhas costas vermelhas em sangue não aceitavam qualquer tecido sobre a pele.
Recordei-me de como era bom comprar as roupas de banhos, variá-las bastante, como um manequim em sua passarela.
Prossegui nas minhas lembranças, vendo-me, então, em outras praias mais distantes, em outros tempos, quando as praias ainda eram virgens até de pessoas. Naquela época, desvendávamos campos desconhecidos e podíamos fazê-lo com bastante frequência, pois o transporte próprio assim favorecia as aventuras.
Quantas vezes banhei meus pés, descarreguei tensões em areias finas lavadas no vaivém das ondas. Quantos lugares únicos, que nos davam a certeza da existência de Deus pela natureza forte ali presente.
Quantos perigos, quanto medo quando caía, jogada pela força da onda, mesmo na beirada, porque, cautelosa, nunca quis aprender a nadar.
Ao longo da vida, com muitas e muitas águas dessas me banhei, muito sol queimou meu rosto e meu corpo, muita espontaneidade brotou em mim pelo simples prazer de me sentir livre e viva.
Aí, nas minhas lembranças, descobri a razão do desejo repentino – exatamente a vontade de voltar a me sentir livre de novo – como uma criança descomprometida com regras, horários etc.



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Estou Lendo... - por Alba Vieira

Aprendendo a Viver, de Clarice Lispector.
A Dieta do Yin e do Yang, de João Curvo.
O Livro Orange, de Osho.
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