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(Aviso: Os textos em amarelo pertencem à categoria
Eróticos.)




sexta-feira, 25 de novembro de 2016

PURIFICAÇÃO

Parei na praça a esperar.
Pra esperar a dor
e, por pirraça, espirrar.

É uma dor que não tem a menor graça,
uma desgraça a suspirar;
eu, que nem consigo respirar,
e a dor não passa.

Parei na praça, parei de andar.
Passo parado, esperando pra sentar.
A dor faz questão absoluta
de vir se apresentar.

Parei na praça, para ao jardim apreciar.
A preço módico,
que é o que eu alcanço pagar.
Então me canso,
a dor não deixa descansar.
Uma ameaça:
ela quer se eternizar.

Paro na praça, já não quero levantar.
O pranto passa, a dor não presta,
é uma tensão a dispersar.
Ouço canto, amigo pássaro,
que passa a assobiar.

Passam os bichos.
Passam os carros.
Passam as gentes.
Só esta dor, maldita e insistente,

é que não quer passar.

[Adhemar - São Paulo, 31/10/2016]

sábado, 29 de outubro de 2016

About

Esta poesia abstrata é de concreto,
cheira a asfalto e tem cor de mentira.
Se o preço da gasolina forra o piso
                                 [da felicidade,
meus rascunhos perdem sentido.
              [E isso tudo é maravilhoso.


poesiaincidente.blogspot.com

sexta-feira, 28 de outubro de 2016

EMPOETAR - por Kbçapoeta

                                  




                                    Sendo um poeta acanhado
                                    Desmuniciado de reconhecedura
                                    Nunca vislumbrei os meninos do prado
                                    Minha pena despida de candura

                                    Com os anos que tenho encaretado
                                    Comunicado de envelhadura
                                    Recebo inspiração a longo prazo
                                    Uma pena para poética criatura

                                    Os grilhões que arrasto do passado
                                    Vestem-se de estranhas escrituras
                                    Escrivinhando me comprazo

                                    Sendo apenas poesia que matura




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segunda-feira, 10 de outubro de 2016

ZONA FRIA

Palavras espalhadas
espelho bagunçado
bagunças espelhadas
reflexo das palavras
desencontros refletidos
indevidos encontros...

Históricas mancadas
gafes heróicas
heroísmo necessário
necessidades melancólicas
tristezas parabólicas
hipérboles sem glória...

Machadadas bucólicas
bocas esperançosas
esperanças preguiçosas
presença solicitada
pedidos intercalados
escadas espiraladas...

Espíritos termais
termos espirais
esperas intermináveis
terminais intermodais
incômodos carnavais
carne viva torrada...

Chuvas torrenciais
tempestades atemporais
tempo de furacões
ciclones e vendavais
vendo lindos panoramas
vidas paranormais...

Quietudes infinitas
atitudes amorais
amores singulares
de estranhos plurais
inacabáveis sonhos
sombras, enfim, imortais...


[Adhemar - São Paulo, 04/08/2015]

quinta-feira, 29 de setembro de 2016

DIÁLOGO

O que motiva o suspiro, o suspeito e o susto
é o sobressalto que assalta
a voz que vem no vento.
Um sussurro, um assopro,
um pressentimento.

Nunca foi preciso pensar tanto,
tontamente atento,
tolo sempre totalmente.

O que motiva o suspense, o sustento e o santo
é o saltimbanco solto
que assenta o tento.
E nem tenta tanto.

Tudo o que é preciso pra contar um conto
é dar um bom respiro
e cantar o canto.
Cântaro no arroio a flutuar de encanto
enquanto sem apoio apela para o pranto;
a derramar seu rio,
lágrima de pronto.

O tempo rabugento a resmungar de frio,
o fato, o pão e o alento
a alertar o tato.
Contato com consentimento
no prato do distrato
a confrontar o momento.
Instante de conforto farto,
do retrato e do livro
que livres servem aos seus patrões.

Dançar na rua a importar a espera
de buscar o sonho que nunca se altera.
O que motiva o devaneio, o sonho,
a vida e as atitudes
não são os defeitos
e nem as virtudes:
é o acidente que fez o espermatozóide
fecundar um óvulo.



[Adhemar - São Paulo, 13/06/2005]

segunda-feira, 5 de setembro de 2016

IMPÉRIO

O Rei supõe nossa renda.
Os tributos escorchantes
revelam da corte disposição.
Os súditos exauridos
encontram na morte solução.

Para festas querem nossa prenda.
Os pedidos são hilariantes,
revelam falhas da organização.
Os contribuintes, falidos,
esbanjam satifasção...

Para tudo querem que entenda
que será tudo melhor que antes;
revelam cínica ingenuidade
aos súditos enfurecidos
em cíclica "revolução"!

Uma revolução à venda
por inigualáveis montantes,
que corrompem os idealistas:
populares enfraquecidos
entregues a festejos populistas...

Boas e más intenções:
Tudo morre com TV, futebol e pães.

[Adhemar - São Paulo, 27/04/2014]

domingo, 7 de agosto de 2016

RAIOS

Nem parece que foi a mesma mão que fez. Um traço leve, outro calcado. Logo se vê a negligência de um, o outro é descuidado. É o que pode diferir de uma organização contra o desarrumado!!!

Palavras são palavras e mesmo assim não são! Talvez um filme mudo num sonho acordado. O cinema cheio, mãos dadas e abraços. A cerimônia acaba, o gato sobe o muro. A lua se enfastia, o céu está nublado.

A desilusão sobe num palco iluminado. Solto no ar vai um perfume... desanimado. Sobe o som da música; música colorida, advinda de um lápis apontado. Desce o sol, sai do tablado, dorme o dia no seu berço enluarado.



[Adhemar - São Paulo, 26/07/2011]

segunda-feira, 18 de julho de 2016

PASSAGENS

Atrás de uma linha difusa
um passo que passa
na sombra da massa confusa
e cheia de graça...
A graça da linha curva
a curva da estrada que passa
arcada que não segura
se mostra a curva da porta
importa que não se acha
mas foge achando graça...
Graça que não se procura
nas letras emaranhadas
formadas por linhas confusas
em portas baixas
em ponta sujas
em limpas vidraças
do vidro que não embaça
embora a nuvem que passa
turve a vista
nuble a praça...
E faça uma sombra precisa
contornando a paixão indecisa...

[Adhemar - São Paulo, 04/03/2014]

segunda-feira, 20 de junho de 2016

"PISCO"-DRAMA

Pálpebra inquieta
Abre e fecha
Fende o olhar entreaberta
Arregala-se desperta

Move-se
no ritmo do peito arfante
Também suspira
Rouba uma lágrima
Uma lágrima furtada
Necessária e procurada

Pálpebra "desciliada"
Vai ficando rala
Profundamente aborrecida
Trágica, brava e pelada
Com aflição mal resolvida

Essa
que veio do peito embolorada
Cinicamente embevecida
Fisicamente avermelhada
Numa cena conhecida

Pálpebra semi-fechada
Por encanto ou magoada
Transformando visão em fenda
Numa gota adocicada

Não que se ofenda
Mas subentende-se ausente
Quanto mais presente esteja
Por um charme eficiente
Com água benfazeja

Pálpebra abatida
Com entorno arroxeado
Olheira antiga

De saudade se entrega
Aos olhos não protege
Num protesto descarado
Bate muitas vezes em seguida
Num piscar anunciado
Revoltado e herege

Pálpebra fechada
Escuridão

Mais nada

[Adhemar - Santo André, 13/08/2014]

domingo, 15 de maio de 2016

"PISC'ANÁLISE"...

Bobagem pouca é besteira.
Afundar pra errar, pra esconder.
Entre pele e areia uma esteira:
pra deitar, queimar, derreter...

Ser um algo abaixo do azul,
um cruzeiro, um luzeiro do sul.
Entre a pele e a carne, um nervo;
pra sentir, eriçar e descrer.

Naufragar é um risco a correr;

de nadar, navegar, e viver.

[Adhemar - Santo André, 13/08/2014]

sábado, 23 de abril de 2016

FUNIS

Não há promessas mais inúteis ou infundadas
que num único momento possam justificar
ações desatinadas de alma desorientada
que se voltem contra num repique

Não há promessa fácil descumprida
que solenemente se apresente
essencial, tal a própria vida
ainda que do nada
se invente

Não há promessa impaciente
que nos emocione ou atinja
improvisada num repente
ou que só a gente finja

Não há promessa crua
nem pouco pensada
mesmo estando nua
necessária e ousada

Não há promessa
ou cumprimento
que, com pressa
peça movimento

Não há nada
existência
resistente
ciência
ciente

Nunca
nada
não
fim

[Adhemar - São Paulo, 01/03/2014]

quarta-feira, 30 de dezembro de 2015

ESTAÇÃO INSULAR - por - Kbçapoeta





Onde tem calor,
Palavras que arrepiam,
Que deixa meu sentimento à flor da pele?

Onde está o ardor,
Gesto sutil de carinho
Capaz de me fazer suspirar?

Onde está?
Quem possui?
Acredito estar perdido em uma estação.
Estação insular.



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quarta-feira, 16 de dezembro de 2015

Absurdamente - por - Kbçapoeta




Absurdo

Pensar que tudo possa se acabar

Em um dia

Ou que em um dia

Tudo se principia

Segundo um antigo texto

Covardia

Fazer sua tristeza


A minha




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domingo, 13 de dezembro de 2015

ZU

Já não se faz “mais” como antigamente.
Amor com amor se agride.
Depois do tropeço, bala pra frente??
Pra trás é que se progride.

Sacuda a poeira, de tempos em tempo.
Quem sai na chuva não se resfria.
Devagar se vai muito lento.
Quem tem boca, assobia...

Quem canta aos ouvidos espanca.
O mundo é dos vaidosos.
O trabalho enobrece a conta;
pobres, honestos e corajosos.

Ontem vai ser outro dia,
pra lembrar ou esquecer.
Comer, na marmita fria,
mais um dia que vai nascer.

Vingança é um prato que se evita.
A noite, então, já cresceu.
O mundo dá volta bonita.
Quem mais se lembra, esqueceu.

Quem corre sempre se cansa,
com fome, suor, honradez.
Quem confia sempre se espanta;
nunca chega a sua vez.

O céu será sempre da nuvem
que aparece só quando quer.
O que vai na cabeça de homem
é carro, futebol e mulher.

A vida é mesmo divino dom,
organizada ou ao léu.
Ela é pernas, charme e batom;
e a gente tira o chapéu...



[Adhemar - São Paulo, 16/06/2014]

sábado, 21 de novembro de 2015

Moto-contínuo de poeta

Levo os meus dias de poeta me repetindo,
me procurando,
me perdendo nesse desencontro de nós mesmos.
Até que me assusto ante um espelho
e esse velho com ar de menino
me espiando,
meio sorrindo,
vagamente conhecido
desembestando.

Levo os meus dias de poeta me achando,
pedaço por pedaço,
me torturando nessa lida,
no cansaço,
me produzindo e blasfemando.
Até que me encontro por inteiro,
ex-despedaçado,
catado e recolado
num enorme devaneio.

Levo os meus dias de poeta jogando,
apostando,
uma mão imprecisa, imperfeita,
perdendo e blefando;
me construindo e maldizendo
esse destino feito de rimas,
ou nem tanto,
de papel e muita tinta,
muito tema
sem parada e sem descanso!



[Adhemar - 01/02/2009]

sexta-feira, 6 de novembro de 2015

VOCÊ NÃO SABE?- por-Kbçapoeta








Os poetas têm poder

De encontrar na confusão uma razão.

Não é novidade

Quando sentem-se só na multidão

E estando insulado

Ficar povoado o coração.

Como colcha de retalhos

Cerzidos, remendados

Os seus versos falarão.

Amores do passado

No futuro aguardado

No presente: solidão.

Os minutos incontáveis

Dias variáveis

Na poesia estarão.



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sexta-feira, 23 de outubro de 2015

LIBELO-por-Kbçapoeta

     




A tristeza se torna suportável

O erro feito ficara irreparável

Arrependimento, gesto provável

A solidão torna-se inevitável




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sexta-feira, 16 de outubro de 2015

O VENTO SOPRA-por-Kbçapoeta










Os livros ao lado,

Dentro de mim,

Ninguém pode me roubar.

Fico a mercê

Do acaso

Onde o vento sopra.

O destino que indica o que não sei,

A não ser

Aquele lugar

No meu peito

O músculo rudimentar

Como rocha.

A pedra angular

Que se faz tropeço

Quando acaba o amor.




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domingo, 4 de outubro de 2015

MOCHILA

Quebrei da canção um retrato
guardei um caco de saudade
quebrei um vaso de eternidade
um desastrado

Cortei a mão em vários rasgos
grudei um esparadrapo
quebrei mentiras em vários papos
molho tabasco

Dividi o amor, vários pedaços
mas não dei tudo, só fiapos
costurei mal cobras e sapos
apaguei rastros

Quebrei a cara, o peito, os braços
não emendei nem tratei
corri com pernas pra que não sei
fracos traços

Tracei rotas que não percorri
escolhi caminhos percalços
me expus à chuva, ao sol, aos mormaços
o que sequei, escorri

Guardei na sacola lembranças
da mochila que perdi
cheia das bobagens que sofri
fantasiosas e falsas
como esperança sem alças...



[Adhemar - Santo André, 13/08/2014]