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(Aviso: Os textos em amarelo pertencem à categoria
Eróticos.)




quinta-feira, 7 de setembro de 2017

APOSTAS FEITAS...

Olhares diretos,
pensares enviesados.
Cartas distribuídas, 
blefe na mesa.

Risos forçados.
Ar de fumaça e álcool.

De repente, um tiro!
Música parada,
uma cadeira caída;
silêncio e escuridão.


[Adhemar - São Paulo, 31/07/2008]

quarta-feira, 23 de agosto de 2017

Ruas de Exu




Estou na rua perdida.

Rua que encontro ao adentrar

O beco escuro depois da encruzilhada.

O povo da rua confabula.

Encostado em um poste

Diante do despacho,

Recebo de bom grado

Champagne et poulet.

Piquenique suburbano.


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sábado, 19 de agosto de 2017

o negro dos olhos

Tão olhos eram teus negros
Que me arrastavam de mim
E perpassavam os fios dos
Ruivos nos vãos do jardim.
Quão pele a alva e macia;
Tenso, mordia teu cetim.
Voraz língua da saliva.
Toda terra não havia
Juro, nada doce assim.

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sexta-feira, 4 de agosto de 2017

SUCEDÂNEO

Vento brando
espalhando palavras
refrescando

Sol amigo
trigo dourando
pão garantido

Céu azulando
emoldurando tudo
desmaiando

A noite vem
A noite deita
Anoitecendo...


[Adhemar - São Paulo, 04/08/2015]

terça-feira, 1 de agosto de 2017

QUERIDOS

Tudo o que eu não sei me pesa,
me afronta, não basta.
Queria eu não saber mais coisas.

Quisera eu vasculhar baús,
revolver mistérios.
Atrair tons sérios de cores neutras.

Quisera noutras vasculhar os cérebros.
Os mais célebres, por certo,
ou os mais por perto.

Quisera eu perturbar espíritos,
vislumbrar auras,
declamar versículos...

Queria eu escrever artigos
ou apreender amigos
e queimar uns livros...

Tudo o que eu não sei me enche
de uma clara ignorância calma;
e para tudo o mais que eu não sei
eu bato palmas...


[Adhemar - São Paulo, 06/07/2014]

quinta-feira, 22 de junho de 2017

DESINTEGRAÇÃO

Depois de se perder, fragmentar
Não se achar
Desiludir da unidade esquecida
substituída

Remendos impossíveis
Transformar em outra coisa;
ainda que indesejada
sucumbir...

Morrer dentro de si mesmo,
insepulto
Engolir o insulto
Procurar-se nos resíduos
sem saber mais o que são
(ou o que foram)

Contemplar dilacerado as cinzas
os coringas
Braços abertos, mangas expostas,
respostas

A transparência invadindo
o que éramos sumindo
Ainda vivos
sem voz audível
Dados como mortos
num enterro impossível.


[Adhemar - Santo André, 13/08/2014]

quarta-feira, 21 de junho de 2017

Surrealismo


Aquele diz que molhou a mão do presidente
Este, em defesa, diz que o outro é ladrão
Portanto, eu acho que nenhum deles mente
Por isso, fica claro que ambos têm razão.

Pois a canalhice na política impera
E, ao longo da República assim tem sido
Aquele que roubou pouco, morreu, já era!
O Brasil hoje: valhacouto de bandido.

E temos, Temer versus Joesley Batista
Os quais a pouco tempo tinham confraria
Que roubavam nosso erário sem dar na vista.

Agora na mira da justa, quem diria!
Parece até coisa de comuna fascista!
Fora da vida real, uma fantasia!

sábado, 17 de junho de 2017

It's the quiet before the madness

Não seria a loucura um chamado?
Sobre a cama, mergulhado no sol da manhã.
Particulas de poeira, incontroláveis,
flutuando sobre a minha cabeça.

Talvez o desencontro entre as palvras e as coisas,
quando não sabemos quem chamar de quê.

Antes do movimento, o raciocínio em si,
A lembrança de um toque no seu nariz,
De uma lingua no meu lábio inferior.
E toda o desorganização resultante.

Mais do que a ação impetuosa,
O chamado...
De me precipitar no abismo
Dos seus negros olhos.

O silêncio anterior à loucura não seria
Já o próprio desatino?

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segunda-feira, 12 de junho de 2017

Lembrança furta-cor - por - Kbçapoeta




Conheço diversas cores

Brilhantes e opacas.

Cores amarelas com calor de vermelhas.

Cinzas com gosto de laranjas,

Brancas com cheiro de rosas.

Nesse dia diorama

Sorvi do cálice,

Calado,

O gosto imagético pigmentado.

Desde então

Desconheço

O roxo escuro do olhar.

O breu do esquecimento

Tirou-me a íris da memória.



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sábado, 3 de junho de 2017

Vou rodear
no rodeio
sem voltar
galopo em teu lugar

Segue a galope
vou te segurar

Vai roixinol
admiro teu cantar
não vou mais te rodear

Te olho
e pegando teus seios
pensando em minha
mães
meu mimar
Poty - 03/06/2017

segunda-feira, 15 de maio de 2017

BANDAGENS

A operação que devia salvar  o BRASIL
é a operação lava CHATO
Devia lavar os levianos,
os insanos,
os despóticos,
os psicóticos anti-tudo social
os anti povo...
A operação lava CHATO não transformaria em herói
o perseguidor implacável do ídolo verdadeiro
que, mesmo com pés de barro,
olhou pra baixo,
para os mais simples brasileiros.
A operação lava CHATO trataria todos como iguais
e poria a ferros todos os bunda-suja bucaneiros
e devolveria o poder de direito
a quem o mereceu mais
pelo voto popular.
Se as pessoas batessem panelas por isso,
a operação lava CHATO seria boa demais.


Adhemar - São Paulo, 15/05/2017

VISADAS

Espaço organizado
arte pichada em muro
desenho claro
fundo escuro

Urbano caos
lógica deslocada
fundo do poço fundo
balde mergulhado

Transtornado entorno conturbado
desordem arrumada
mapa do mundo
festa programada

Entendimento pressuposto
traço torto
torto risco traçado
morto posto tracejado

Ansiedade acima do limite
abraçado pensamento abstrato
espaço prato
arroz jantado...


[Adhemar - São Paulo, 12/05/2014]

Consonant sounds - por - Kbçapoeta








Melhor

Uma bela palavra,

Molha a boca.

Hibrida.

Água para o sedento.

Mata a sede pela saliva deliciosa de seus dígrafos.

Sopa de fonemas,

Canções consonantais.

Consoantes letras em meu caminho…



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quinta-feira, 27 de abril de 2017

A casa grande persegue Lula e o povo sofre o golpe (BRASIL QUEIMA) - por - Kbçapoeta






        

 Assisto um golpe em curso que não cessará sua sanha por poder e destruição do povo.
       

 CLT, SUS, INSS e o que mais houver com vontade social será devorado pelo monstro 

               Insaciável.               
       
 Atônitos, lenientes, ignorantes e impotentes assistimos o monstro vencer, destruir, devorar e 

Gargalhar.
        
 Globotizados cospem xingamentos e o ódio irradiado por fricção atômica atinge tudo e a 

       Todos.           

         Não há mais pessoas, vejo apenas andrajos entrecortados por gritos de horror e de 


Torpor.



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segunda-feira, 24 de abril de 2017

Eu existo.
O nome fora da Placa.
Rosto que não tará nas fotos.
Desgarrei do rebanho.
Morri. Nasci. Remorri. Renasci.
Retornei.
E digo: Eu existo!
Só que já vou indo...
- Até logo, ou até quando
eu não existo.

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segunda-feira, 3 de abril de 2017

Um copo d'água - Por Kbçapoeta






O que vem a ser um poeta?
Será aquele que cala a fala,
Que a pena diz
Apenas
Ser normal?
Muitos pratos quebrados.
Poemas gravados,
Todos correndo riscos.
Riscos poéticos.
Frases inteiras riscando
O mar da língua,
Rios polissêmicos
Sob chuva de signos vazios.
Gota a gota
O poeta escreve com caneta d'água.


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quarta-feira, 22 de março de 2017

VENERAÇÃO

(Imagem licenciada da internet)

Eu te queria por querer,
por fantasia,
mesmo sem te conhecer.
Eu te queria por te ver,
por desafio e desejo,
nos perder...
Eu te queria por capricho,
por inteiro.
Eu te queria feito um bicho,
faminto e traiçoeiro,
te aprisionando no meu nicho,
alcoviteiro...
Eu te queria por paixão,
idolatria;
e grande admiração.
Sempre te quis, e te queria,
por transferência e emoção,
por euforia...
Eu te queria por te amar
e por saudade,
mesmo na distância te exaltar.
Eu te queria de verdade,
em terra firme ou alto mar,
fatalidade...
Eu te queria e te quero,
catatônico;
eu te queria mas não quero,
conformado e ultrassônico
nesse meu querer sincero
mas, platônico...


[Adhemar - São Paulo, 26/10/2016]

quinta-feira, 2 de março de 2017

LIVRE A GIRAR - por- Kbçapoeta








Esqueço chaves,

Relógio,

Tempo ,

Ofensas,

Tristezas

E carteiras.

Certo dia,

Eu, de tão distraído

Perdi um amor.

Um tempo esquecido,

Interno de uma gaveta qualquer.

Depósito lotado,

Guarda-chuvas solitários.

Um desses atrevidos

Desvencilhou-se dessa opressão.

Guiado pelo vento

Girava em diagonal

Sob uma azulada manhã.

Céu leve de outono.




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quinta-feira, 23 de fevereiro de 2017

MANOBRA

Do tratamento ao doente
porta aberta e chão
fica livre
amarração...

Dos papéis bem organizados
escrita permanente
bem pensada
perfeitamente...

Do tudo claro iluminado
lâmpada conservada
apaga a luz
estagnada...

Do ovo quebrado a clara
na receita bem pequena
separa a casca
estratagema...


[Adhemar - São Paulo, 24/05/2014]

segunda-feira, 6 de fevereiro de 2017

PARRAS POÉTICAS - por - Kbçapoeta










Como folhas do outono,

Um visgo de poesia

Desapega-se da pena.

Frases florescem em mim,

Ecos secretos segredando

Pétala por pétala

Mémorias passadas, vindouras.

Parras sobre um corpo estranho,

Eclodindo em miásmas sem fim.

Palavras que profiro.




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