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Eróticos.)




quinta-feira, 30 de maio de 2019

PROFECIAS

Horas tantas,
uma voz misteriosa se levanta.
Cava, profunda, concentrada.
Altissonante, impressionante, enfeitiçada.
Escura, turva, convincente.
Falando coisas do futuro,
do que acontecerá no "mais pra frente".
Pisando duro.
Nauseando a tontura.
Sussurrando... assustadoramente...

Horas tantas,
a voz misteriosa e acachapante
não diz nada otimista, interessante.
Ecoando na escuridão absoluta
apenas intimida e condena.
Grita solitária sua certeza absoluta,
maltratando a inteligência
sem nenhuma pena.

Horas tantas...
Que não passam, não acabam.
Uma danação eterna, essa voz,
improdutiva, autoritária e algoz.
Uma voz impositiva,
de tonalidade arbitrária
que comanda a todos e é veloz...

Horas tantas,
sacrificadas prisioneiras dessa voz,
cruel e carcereira,
que adensa, imprensa e incendeia
o ânimo e o espírito,
dor atroz.

Essa voz,
que anuncia e pressagia o destino,
o final e a fantasia
do que somos...
e seremos...
todos nós.


[Adhemar - São Paulo, 07/10/2018]

terça-feira, 30 de abril de 2019

ATRASAR

Queria mesmo, muito,
ter algo pra dizer agora.
Uma desculpa esfarrapada,
uma demora...

Queria mesmo, muito,
ter um abraço, um afago...
Um carinho qualquer guardado...
Queria, mesmo...

Também queria - mesmo, muito - 
agradecer, enaltecer, aplaudir...
Ter um presente improvisado,
merecido, escolhido...

São tantos quereres acumulados...
Engasgados, atrapalhados,
amontoados e dispersos...
Alguns em prosa, alguns em versos...

Queria mesmo, muito,
outro destino, outro desenlace;
mas fico aqui, parado,
sem uma senha, sem um  passe.

Queria muito, e tanto,
que me perco neste desencanto.
Conspiração do Universo:
meio fracassada, meio que sucesso.

Também queria, mesmo, muito,
saber mais palavras pra cantar meu canto,
pra escrever meu verso.
Saber mais coisas pra viver um tanto,
um pouco mais desse amor tão curto.

Queria... muito pouco,
dizer adeus, já vai, já vou...
Me atrasar para o aeroporto
e, exatamente, perder o vôo...


[Adhemar - São Paulo, 25/09/2018]

sexta-feira, 8 de março de 2019

MAIS... MAR...

Foto de Arquivo (Archillect)


Tentei conter a lembrança,
reter na memória o teu olhar...
Mas, sucumbi à tristeza
dessas coisas mais difíceis de lembrar.

A voz silenciada,
contida na mais profunda dor,
afogada numa onda rasa
que levou o teu amor...

Tentei conter a saudade
que faz esse barco se afastar...
Mas, sucumbi à tristeza
dessas coisas mais difíceis de aguentar.

Tentei ressuscitar
os momentos mais felizes que vivi só.
Mas, todos eles afundaram
nessa maré de paixão que foi você...

Agora, içando as velas,
não vejo a hora de zarpar.
Ir para bem longe
outras terras desbravar...

Tentei chorar de novo,
pra subir essa maré que foi você;
e afogar tanto sentimento que 'inda resta,
mas, que eu nem sei aonde colocar...

Vai comigo,
qual bagagem indispensável;
vai me seguir pra sempre,
para onde quer que eu vá...


[Adhemar - São Caetano do Sul, 08/03/2019]

sábado, 16 de fevereiro de 2019

SABEDORIA


Nascer.
Vir do conforto absoluto para o ambiente hostil do mundo.
Hostil, no sentido de contraste.
Ao ar livre, já não depender
do oxigênio em via líquida
que nos chegava pronto.

Chorar.
Chorar para aprender
que a vida não é fácil
e para aprender a respirar,
tirar do ar o mesmo oxigênio
que nos chegava pronto...

Chorar,
porque de repente a fome se manifesta,
um vazio ardente que antes não existia nos invade.
E sugar o leite porque,
se não movimentarmos os lábios
por nossa própria conta,
ele não vem.

Chorar,
quando algo sai de nós e incomoda,
queima a pele e cheira mal,
nas coxas pelo lado interno e nas nádegas...
Chorar até a aparição reconfortante
daquele risonho semblante,
que aparece preocupado em nosso campo de visão
pra nos limpar e acalmar.
O mesmo que nos tinha alimentado...

Chorar,
quando essa visão reconfortante
do nosso porto seguro está distante;
e ansiamos que ela volte pra nos carregar...
E vai nos carregar cada vez menos...
Falar, andar, interagir...
Entender esse mundo hostil fora do lar,
cada vez mais
e mais urgentemente.

Acordar,
um dia e de repente,
já sabendo tantas coisas,
conhecendo tanta gente.

Estudar,
querendo saber mais
do passado e do pra frete...
Observar o mundo ir diminuindo,
progressivamente,
enquanto ficamos maiores,
mais espertos,
presumivelmente...

Amar,
já não mais só o amor geral,
ou familiar,
mas descobrir um outro ser
com quem você quer ficar
alguns momentos ou pra sempre...

Voar, 
achando que já sabemos tudo,
desprezando o passado
como se houvesse só o presente.
Achar que a maturidade pode ser entusiasmante
e, sem perceber,
ir ficando displicente...
Desperdiçar tanta energia importante
em coisas sensacionalmente superficiais;
ou tão irrelevantes
que chegam a ser sensacionais...

Viver
tantas realidades mescladas de ilusão.
Olhar pra trás confiante,
cheio de sabedoria e sensação.
Mas,
um belo dia vai chegar,
encararemos nossas próprias mãos.
Será o dia de pesar prós e contras,
ruins e bons,
respirar imaginando se valeu a pena,
avaliando ações, sentimentos,
luz e sons.

Aspirar
uma tranquilidade de paisagem a contemplar,
sem responsabilidade.
Na verdade
é outra ilusão...
A necessidade de saber e de agir nunca cessa;
vai durar
até o dia desse nosso ciclo se fechar.


[Adhemar - São Paulo, 16/02/2019]

terça-feira, 15 de janeiro de 2019

RECORTES

Silhueta envolta na toalha
passos macios à distância
uma sombra que se espalha
no contorno
através da luz recortada

É uma estranha circunstância
voz que soa entrecortada
penumbra e luz em alternância
no entorno
base lisa da figura esboçada

Névoa fina percebida
vai na luz e vai na sombra com seu brilho
esvoaçando livremente agradecida
no retorno
oculta o aparente andarilho
do espaço, do ar, da vida

Se caminha ou embala o seu filho
na velocidade indevida
embrulhada com pepel colorido
como adorno
amarrada com fitilho...


[Adhemar - São Paulo, 30/07/2018]

domingo, 9 de dezembro de 2018

ELEFANTA


De repente a vida começa a exigir mais do que podemos dar; ou que queremos. Movimentos inesperados, esforços além do que planejamos; perspectivas antes impensáveis parecendo tão essenciais agora... E os pensamentos tumultuados  querendo organizar algo inimaginável levantando o ânimo para o enfrentamento. A divisão do que fica e o que vai embarcar nessa novidade desdenhada, mas, de certa forma, desejada.

De repente a gente começa a exigir mais da vida.


[Adhemar - São Paulo, 02/04/2011]

sábado, 10 de novembro de 2018

ENTARDECER

"Entardecer" (Imagem da Internet)


Saí assim, contrariado...
Um tanto quanto por fazer,
um tanto quanto avariado...

Saí assim, ao entardecer.
Talvez assim, meio de lado,
um tanto pra enternecer.

Saí assim, meio zangado,
um pouco antes do anoitecer,
com tantos bares fechados...

Saí assim, pra acontecer.
Meio teatro de tablado,
um meio pão pra amanhecer.

Saí assim: olhos vendados,
só pra te ver.


[Adhemar - São Paulo, 08/11/2016]

domingo, 7 de outubro de 2018

FUTURO OU DESTINO?

Algum apelo de impedimento.
Altivez.
Cativeiro.
Perspectivas frágeis.
Processos ineficazes.
Manifestações.
Protestos e cartazes.
Posições insustentáveis.

Algum apelo de impedimento.
Pessoal.
Lamentável.
Lamento de perdição,
de perda, desolação.
Cativeiro em condições miseráveis.
Acordes dodecafônicos.
Poluição degradante.
Painel de aviso fechado.
Desesperançado.
Placa fosforescente de aviso:
é o futuro!

Algum apelo de impedimento.
Escolha de um lado da lua:
o escuro.


[Adhemar - São Paulo, 26/05/2017]

domingo, 30 de setembro de 2018

SEMICONSCIÊNCIA

[Imagem: Espaço integrado (pixabay.com)]

Adormeci abraçado às tuas pernas
Apagado de mim
Apagado do mundo

Adormeci sonhando estradas
Fugas, viagens longas

Adormeci abraçado aos sonhos
Sonhos de vê-la mais
de tê-la mais nos braços

Adormeci na penumbra desse sentimento
Adormeci nesse berço, ou ninho dourado
Adormeci na tua ausência, ora eterna...

Adormeci na ilusão
Adormeci entre teus cachos dourados
imerso em pesadelos coloridos

Adormeci só,
no seio do teu adeus.


[Adhemar - São Paulo, 18/02/2018]

domingo, 26 de agosto de 2018

FLASH

Esguia e leve eu te vi,
meio que de repente;
estava séria e... vestida!
Que indecente!

Cabelos curtos,
com uns flashes prateados
e seus olhos - ah meu Deus!
Atrás de uns óculos quadrados...

Era branca, a camiseta,
tinha uma estampa bem fora de moda;
e as calças jeans...
desenhavam, claramente, a coisa toda.

Os pés descalços,
ou num falso mocassim.
Sem maquiagem,
só o rosto ou coisa assim...

Os gestos leves;
mas, eram severos,
indicando uma zanga, por decerto,
ou imitando um dançarino de bolero...

Decidida,
sentou-se firme em seu lugar
entre outras moças,
no certo ângulo de se observar.

Almoçou pouco, comedida e prudente,
como se a vida fosse assim, toda frugal;
mas, distraída, se entregou,
palitou dentes...

Matemática, noves fora, levantou-se.
Olhou em torno procurando a saída.
Fez-se de boba, fez que ia mas voltou,
até que enfim, acercou-se e surgiu.
Circunscrita em minha área de influência,
passou reto, pelo jeito nem me viu...



[Adhemar - São Paulo, 23/05/2018]

domingo, 5 de agosto de 2018

segunda-feira, 9 de julho de 2018

TARDE, TARDE, REBELDE...


Me mandaram, eu fui.
Não me pergunte aonde.
Me mandaram, obedeci.
Não me pergunte o quê.
Me mandaram, recebi.
Não me pergunte por quê.

Me mandaram...
Se tinham autoridade, não sei.
Me mandaram...
Mas eu banquei a passagem!
Me mandaram de graça.
Tá aí!

Mandaram,
mandaram,
mandaram.

Saí,
obedeci,
recebi.

Até que olhei firme, abri os braços.
Aí, me disseram:
Até que enfim!Nunca é tarde...


[Adhemar - São Paulo, 14/05/2008]

segunda-feira, 18 de junho de 2018

SAÍDA POR CIMA

Deixe cair o que for preciso.
Só não abaixe o olhar,
permaneça altivo.
Finja uma pesada indiferença
de forma a não transparecer a dor.
Engula aquela lágrima teimosa.
Queime a tristeza
junto com as fotos do seu ex-amor.
Agarre-se na corda desse fundo poço
com elegância e destemor.
Mas saiba que a vida é uma joça,
não há remédio pra essa dor.
Por fim, seja orgulhoso
e vá em frente sem vacilo.
Não deixe que o vejam mancar.
Mantenha-se ereto e positivo.
E, quando ninguém mais te olhar,
sente-se e chore, é preciso...


[Adhemar - São Paulo, 30/06/2017]

quinta-feira, 7 de junho de 2018

Tudo está no seu Lugar








Lula na senzala
  Temer na varanda
    Casa grande clama
 Louros da vitória

Na senzala Lula
    Na varanda Temer
       Casa grande: Louros
  Clamam a vitória



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