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Eróticos.)




domingo, 5 de agosto de 2018

segunda-feira, 9 de julho de 2018

TARDE, TARDE, REBELDE...


Me mandaram, eu fui.
Não me pergunte aonde.
Me mandaram, obedeci.
Não me pergunte o quê.
Me mandaram, recebi.
Não me pergunte por quê.

Me mandaram...
Se tinham autoridade, não sei.
Me mandaram...
Mas eu banquei a passagem!
Me mandaram de graça.
Tá aí!

Mandaram,
mandaram,
mandaram.

Saí,
obedeci,
recebi.

Até que olhei firme, abri os braços.
Aí, me disseram:
Até que enfim!Nunca é tarde...


[Adhemar - São Paulo, 14/05/2008]

segunda-feira, 18 de junho de 2018

SAÍDA POR CIMA

Deixe cair o que for preciso.
Só não abaixe o olhar,
permaneça altivo.
Finja uma pesada indiferença
de forma a não transparecer a dor.
Engula aquela lágrima teimosa.
Queime a tristeza
junto com as fotos do seu ex-amor.
Agarre-se na corda desse fundo poço
com elegância e destemor.
Mas saiba que a vida é uma joça,
não há remédio pra essa dor.
Por fim, seja orgulhoso
e vá em frente sem vacilo.
Não deixe que o vejam mancar.
Mantenha-se ereto e positivo.
E, quando ninguém mais te olhar,
sente-se e chore, é preciso...


[Adhemar - São Paulo, 30/06/2017]

quinta-feira, 7 de junho de 2018

Tudo está no seu Lugar








Lula na senzala
  Temer na varanda
    Casa grande clama
 Louros da vitória

Na senzala Lula
    Na varanda Temer
       Casa grande: Louros
  Clamam a vitória



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quinta-feira, 31 de maio de 2018

CÃO SEM DONO

Entre tantas dores me levanto,
recordo outros amores,
em prantos me derramo.

Entre tantas amadas te escolho,
me recolho da timidez de tonto,
no coração me escondo.

Entre tantos estrondos, um eco,
tenho um treco, te escondes.
Como é que escondestes o que amo...?
Para onde tu fugiste...?

Entre tantos remorsos, tantas lágrimas,
páginas derramadas do teu sofrimento,
um momento, me arrependo...

Entre tantas declarações, tu as fizeste,
não que não preste o meu não.
Covarde coração repleto de ilusões.

Entre teus olhos tristes, tuas mãos;
desespero, lassidão e abandono.
Eu, na fome, cão sem dono...

Entre teus desejos eu deserto.
Nada perto, nada beijos.
Teu abraço, nem de perto.

Entre tantas dores me levanto,
em prantos me derramo;
mas o destino quis assim;
eu só lamento, não reclamo...


[Adhemar - São Paulo, 27/02/2017]

domingo, 8 de abril de 2018

PALIDEZ

"Harmony does not exist, my love, harmony does not exist"
[MAC-100, Swarovski, Milão, 2010 (foto: Adh2bs)]

Uma lembrança cruel tomou corpo,
invadiu minha impaciência.
Me cercou, circundou e zombou
desenterrando um velho cadáver.
Expulsou um sentimento,
emoldurou o teu rosto.
Emoldurou teu sorriso,
imortalizou o teu gesto.
Gravou tua voz,
imprimiu - ou impôs - teu olhar.

Uma lembrança cruel escarneceu
o curto tempo de então.
Não comoveu nem lamentou
os diferentes rumos que tomamos.
Você sumiu para sempre,
só essa lembrança restou.
Cruel ela se levanta, 
pra me assombrar, meu amor.


Para um dos fantasmas d'antanho...
[Adhemar - São Paulo, 14/01/2010]

sábado, 10 de março de 2018

DOMÍNIOS

Números primos.
Inúmeros amigos.
Pedras nas metáforas.
Sonhos antigos.

Uma grande guerra.
Sinistra. Interna.
Estratégias diáfanas,
perdidas na fumaça.

Plateia de estádios,
entusiasmo de torcida.
Aplauso em estágios.
Adeus em expectativa.

Sorte lançada,
numerosos inimigos.
Vaia ensaiada, 
jogada de improviso.

Quem avisa é amigo.
Decida-se: fique ou saia.
Não importa; acerte ou encerre,
www ponto com ponto br...

[Adhemar - São Paulo, 13/01/2017]

segunda-feira, 26 de fevereiro de 2018

PLANO DE JOGO

Neste cárcere de papel
tento aprisionar um momento,
um pensamento, um fato.
Tecendo um breve relato,
relatório, poema.

Nem sei se é prisão ao certo,
o correto, a expressão.
Só sei que é uma corrente,
torrente, escorrente...

Neste cárcere de papel
tento aprisionar uma ideia,
megera, Medéia,
tratado ou documento.
É tudo tão revirado,
carece de esforço e sentido.

Neste cárcere de papel,
destrancado,
um breve registro,
ou breve passagem,
para não perder a viagem;
lugar comum, logaritmo.
Liberdade concentrada,
ir e vir circunscrito.

Neste cárcere de papel
não conta o que já foi dito;
é só o testemunho silencioso
de pensamentos barulhentos...

[Adhemar - São Paulo, 14/01/2010]

quarta-feira, 7 de fevereiro de 2018

Última carta


Quando me disseram conhece a ti mesmo, não esparava encontrar tanto de outra pessoa naquele lugar, nem que esta estrada desse num poço sem mim.

No lusco-fusco do horizonte, sem a negra íris ou o arco-e-flecha, fui me despossuindo até deixar de ser meu, até que o conteúdo permanecesse apenas na entrega.

Teu nome de intensidade absorveu-me a inconstância. Passei a viver, eu também, fora daqui - na tua carne, tua fala e teus cabelos.

https://poesiaincidente.blogspot.com.br/

quinta-feira, 11 de janeiro de 2018

TRANSFIGURAÇÃO RETICENTE

Por que existe melancolia?
Céus!
Que palavra que diz o que quer dizer,
com tanto de si mesma!
No fundo da mais funda fantasia
há uma verdade encoberta
que nos excita e nos perturba.

Tentei fugir de mim mesmo quando estive sozinho.
Agora choro,
pensando num truque velho
para velar meus olhos.
Perdi a noção do tempo
enquanto estava perto de ti.

Num canto do coração
um menino sentado observa
as lágrimas rolando dos olhos.
Vai acolhendo uma a uma,
a cada uma denominando emoção.

E... descobre mais emoção.

Emoção é um frio na espinha.
Emoção é uma lágrima da memória.
Emoção é um sorriso amigo,
um piscar de olhos,
um afago de mão.

Emoção é o sol poente,
um bicho voando,
um aperto no coração.

Emoção é a saudade rápida
de um relâmpago bom.
Emoção é a luz de uma alma
e o carinho do som;
do som da voz amiga,
do brilho nos olhos
e do beijo, então...
Do suspiro roubado,
de eu ter perdido a noção...


P/ BSF
[Adhemar - Pedro Juan Caballero, 27/07/1987; São Paulo, 31/07/1987]

terça-feira, 26 de dezembro de 2017

Slow but live







O tempo fora preciso.

Os Versos, on line, escassos,

Arredios, mas sempre livres.

Os signos?

Imagens

Rodam

Rodam

Rodam…

E…Retornan

Ao retorno

Do retorno.

Eis-me aqui!




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segunda-feira, 4 de dezembro de 2017

"RE-CICLO"

"Dentro da névoa"
https://pixabay.com (intographics)

Vem lá de dentro
uma coisa indefinida
Sai de qualquer jeito
diz adeus

Não acena
nem olha nos olhos
diz adeus
e sai de cena

Mergulha sobre si mesma
rumo ao desconhecido
Nada de despedida
nem um papel

Vem lá de dentro
um vazio indefinido
que a coisa deixou lá
sem oi

Não há substituição
Não há matéria mais
nem alma nem condição
nem dica do que virá

Vem lá de dentro
um vazio invisível
que gesta outra coisa
pra se despedir

É preciso vir de fora a semente
silenciar
recomeçar
até tudo se repetir...


[Adhemar - São Paulo, 24/05/2014]

segunda-feira, 6 de novembro de 2017

METÁFORAS

Metáforas.
Fortes ou fracas.
Sutis, felizes ou opacas.
Explícitas, compactas.
Moeda de troca dos poetas.
Firmes.
Terríveis.
Incompletas.

Metáforas.
Bases de sonhos.
Operações delicadas.
Claras, inteligíveis, simpáticas.
Matemáticas.
Resumidas, práticas.
Metafóricas.
Sinceras.
Erráticas.

Metáforas.
Absurdas, enigmáticas...
Frutos ou sementes?
Promissoras.
Misteriosas.
Emblemáticas.

Metáforas.
Licenças poéticas,
sentidos adormecidos.
Simplificadas ou dialéticas.
Preferenciais ou sorumbáticas.
Paralelas.
Incorrigíveis.
Performáticas...


[Adhemar - São Paulo, 04/08/2017]

segunda-feira, 30 de outubro de 2017

PATIFARIA MALANDRA

          A segunda parte do fato repetido. A traição da lembrança, o abandono. O raio que rompe o silêncio, o grito que causa o brilho. Estranho sentimento. A rima implícita no pensar. Escorre um líquido no peito, um pronto desaparece. A oração fora do modelo, a forma dentro dos ideais. O meio comporta o morto, aqui jaz um alienado. O fim nunca se justifica, nada há para explicar. O mau tempo alimenta, o medo é que faz diferença.

          Uma grande fechadura encerra mistério e arte. Curiosidade inerte, aflita e angustiada. Não dá pra rir dessa interferência. Mão levantada na plateia, anel brilhante. O reflexo que se mostra na pupila às vezes some. Roubar o mosquito da teia. A fome da aranha. Aprofundar o conhecimento. Encalhar. Braços abertos em cruz, nada de nadar. O fato elegante. A roupa da missa. A lista. O acréscimo da frase. O que significa. A relatividade do tempo. O vaso vazio. A carga caída, a mula empacada. Receita de bolo. Um ovo.

          A terceira parte do fato repetido. Trovões e tempestade. Um ritual pagão e a festa religiosa. Crença exposta. Tantas afirmativas sem perguntas, filosofias utópicas. Onde o mundo faz a curva, o horizonte entorta. A cabeça vai cheia de respostas. 

          As infinitas partes do fato que não se acaba; que vira notícia, novela ou conto. Pode ser mentira, romance, calçada. Pode ser uma fama fria ou só um grande tanto de palavras sem nenhum significado. Querendo dizer nada. Ou querendo dizer: nada!


[Adhemar - São Paulo, 09 a 30/10/2017]

quinta-feira, 7 de setembro de 2017

APOSTAS FEITAS...

Olhares diretos,
pensares enviesados.
Cartas distribuídas, 
blefe na mesa.

Risos forçados.
Ar de fumaça e álcool.

De repente, um tiro!
Música parada,
uma cadeira caída;
silêncio e escuridão.


[Adhemar - São Paulo, 31/07/2008]

quarta-feira, 23 de agosto de 2017

Ruas de Exu




Estou na rua perdida.

Rua que encontro ao adentrar

O beco escuro depois da encruzilhada.

O povo da rua confabula.

Encostado em um poste

Diante do despacho,

Recebo de bom grado

Champagne et poulet.

Piquenique suburbano.


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sábado, 19 de agosto de 2017

o negro dos olhos

Tão olhos eram teus negros
Que me arrastavam de mim
E perpassavam os fios dos
Ruivos nos vãos do jardim.
Quão pele a alva e macia;
Tenso, mordia teu cetim.
Voraz língua da saliva.
Toda terra não havia
Juro, nada doce assim.

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sexta-feira, 4 de agosto de 2017

SUCEDÂNEO

Vento brando
espalhando palavras
refrescando

Sol amigo
trigo dourando
pão garantido

Céu azulando
emoldurando tudo
desmaiando

A noite vem
A noite deita
Anoitecendo...


[Adhemar - São Paulo, 04/08/2015]

terça-feira, 1 de agosto de 2017

QUERIDOS

Tudo o que eu não sei me pesa,
me afronta, não basta.
Queria eu não saber mais coisas.

Quisera eu vasculhar baús,
revolver mistérios.
Atrair tons sérios de cores neutras.

Quisera noutras vasculhar os cérebros.
Os mais célebres, por certo,
ou os mais por perto.

Quisera eu perturbar espíritos,
vislumbrar auras,
declamar versículos...

Queria eu escrever artigos
ou apreender amigos
e queimar uns livros...

Tudo o que eu não sei me enche
de uma clara ignorância calma;
e para tudo o mais que eu não sei
eu bato palmas...


[Adhemar - São Paulo, 06/07/2014]

quinta-feira, 22 de junho de 2017

DESINTEGRAÇÃO

Depois de se perder, fragmentar
Não se achar
Desiludir da unidade esquecida
substituída

Remendos impossíveis
Transformar em outra coisa;
ainda que indesejada
sucumbir...

Morrer dentro de si mesmo,
insepulto
Engolir o insulto
Procurar-se nos resíduos
sem saber mais o que são
(ou o que foram)

Contemplar dilacerado as cinzas
os coringas
Braços abertos, mangas expostas,
respostas

A transparência invadindo
o que éramos sumindo
Ainda vivos
sem voz audível
Dados como mortos
num enterro impossível.


[Adhemar - Santo André, 13/08/2014]