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quinta-feira, 11 de junho de 2009

Nem Tudo é o que Parece - por Gio

Eu, que desaprendi a te esperar
Só de saudade não penso viver
Queria com meus versos pelo ar
Dizer o que não posso mais conter

Que agora é tarde para um recomeço
Ainda que passes por essa porta
Te quis... Sofrer eu sei que não mereço
Amo! Mas sei que já não mais importa...

Não é fácil ver algo tão bonito
Se transformar em pó, eu admito
Esqueça: o abandono convenceu

Nunca pensei que fosse ser assim
Te digo: agora é mesmo o nosso fim
Esquecerei de cada passo teu



(Um doce pra quem achar a mensagem escondida no poema hauhauuahaau)
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Fatinha e o “Colírio Para Meus Ouvidos” - Citada por Clarice A.

Querido Brógui:

Cenário: supermercado. Personagens: açougueiro, promotora de vendas, eu.
Situado? Então vamos lá:

Estava eu há aproximadamente meia hora em pé na fila da carne, disposta a economizar alguns trocados já que era dia de promoção. Apesar disso, ainda estava com relativo bom humor porque estava com meus fones de ouvido devidamente posicionados, o que me ajudava a não escutar aquele cara insuportável que fica, ad nauseam, gritando as ofertas do minuto.
Musiquinha vai, musiquinha vem, eu meio que dançando apoiada no carrinho, comendo uma batata frita (que paguei na saída, viu?) ignorando os olhares desconfiados de gente que não sabe como é bom dançar enquanto se escolhe a melhor marca de sabão em pó ou o iogurte mais em conta. Repentinamente, Murphy comparece. Acabou a pilha do mp3. Putz, putz, putz. Mil vezes putz. Vou ter que ouvir o cara do microfone, dar papo pras velhinhas da fila e de quebra ouvir o pagode que tocava como som ambiente. Calma, relaxa, tudo vai dar certo.
Quando chega a minha vez, o açougueiro pergunta o que eu quero e, antes de eu responder, a promotora de vendas se aproxima do balcão para cumprimentar o colega. O cara dispara: “Sua voz é um colírio para meus ouvidos!”
Hein? Colírio nos ouvidos? Será que eu ouvi direito? Será que estou precisando de umas gotinhas de colírio para melhorar minha audição?
O fato é que, aparentemente, apenas eu percebi a gafe. A colega promotora de vendas se derreteu toda, lisonjeada. É aquela coisa: há sempre um pé velho para um chinelo descalço. Ou será ao contrário?



Visitem Fatinha
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Um (Breve) Manifesto à Preguiça - por Flavio Braga

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“Jaiminho é Meu Pastor e a fadiga me faltará.”
Dercy, Capítulo 4, Versículo 3.
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Dedicado apenas para Marx, Engels e Jaiminho, o de Tangamandápio,
para evitar a fadiga.




Esta é a primeira declaração do partido que se intitula Partido da Preguiça, representado pela figura deste que vos fala, que conta com vários membros e colaboradores em todas as partes do mundo. Até declararíamos guerra ao sistema, mas já beira às 19 horas de uma sexta-feira. Deixa para segunda.

Amigos, uma sombra de coqueiro paira sobre o neoliberalismo – a sombra da preguiça.
Durante toda a história da Humanidade estivemos relegados ao papel de vilões.
Desde o engenheiro que calculou mal o nariz da esfinge no Egito (deu no que deu) até o burocrático funcionário público brasileiro. Não é de nosso feitio lutar por um papel de protagonista na História, até porque ser protagonista dá muito trabalho. Estamos apenas exigindo o respeito que merecemos. Respeito, sombra, água fresca e um Playstation 3.
A história de toda Humanidade até nossos dias não foi mais do que a luta do trabalho contra o ócio criativo.
Espartanos e a filosofia ateniense, a formiga e a cigarra, paulista e o baiano, o Caxias e o malandro – numa palavra, o workaholic contra o preguiçoso, em oposição constante, que só não travaram uma luta sangrenta porque o preguiçoso estava dormindo depois do almoço.
A sociedade moderna, construída sobre o alicerce de uma suposta liberdade, não aboliu a tentativa de lição moral onde só o workaholic é tido como exemplo a ser seguido. Muito pelo contrário, apenas estabeleceu o politicamente correto para que nós, preguiçosos, não pudéssemos tirar uma soneca com todo esse estardalhaço que fazem em prol de trabalhar e produzir cada vez mais.
O neoliberalismo julgou-se o último biscoito do pacote de Trakinas, mas só faz explorar (desde bandas de reggae até crianças vietnamitas), em prol do lucro predatório. O neoliberalismo não é um santo remédio como julgavam os economistas de palavras incompreensíveis em meados do distante século XX. É uma afronta à nossa santa preguiça de cada dia. Amém!
Não há mais preguiça num mundo onde cada pessoa parece um Simeone pronto para dar um carrinho violento no primeiro brasileiro que cruzar seu caminho, baseado no mantra “ficar rico ou morrer tentando”.

Os preguiçosos não têm nada a perder senão seus despertadores. Tem uma rede de dormir novinha esperando na varanda mais próxima para ganhar.

PREGUIÇOSOS DE TODO O MUNDO, UNI-VOS!
Uni-vos para um luau, ao pôr do sol, claro.

P – Partido da Preguiça (o “P” de Preguiça do nome do partido saiu para almoçar. Volta depois das 16 horas só para bater o ponto).



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Karl Marx, Friedrich Engels.

Santo Agostinho: “A Memória é como o Ventre da Alma” - Citado por Penélope Charmosa

Encerro também na memória os afetos da minha alma, não da maneira como os sente a própria alma, quando os experimenta, mas de outra muito diferente, segundo o exige a força da memória.
Não é isto para admirar, tratando-se do corpo: porque o espírito é uma coisa e o corpo é outra. Por isso, se recordo, cheio de gozo, as dores passadas do corpo, não é de admirar. Aqui, porém, o espírito é a memória. Efetivamente, quando confiamos a alguém qualquer negócio, para que se lhe grave na memória, dizemos-lhe: “vê lá, grava-o bem no teu espírito”. E quando nos esquecemos, exclamamos: “não o conservei no espírito”, ou então: “escapou-se-me do espírito”; portanto, chamamos espírito à própria memória.
Sendo assim, porque será que, ao evocar com alegria as minhas tristezas passadas, a alma contém a alegria e a memória a tristeza, de modo que a minha alma se regozija com a alegria que em si tem e a memória se não entristece com a tristeza que em si possui? Será porque não faz parte da alma? Quem se atreverá a afirmá-lo?
Não há dúvida que a memória é como o ventre da alma. A alegria, porém, e a tristeza são o seu alimento, doce ou amargo. Quando tais emoções se confiam à memória, podem ali encerrar-se depois de terem passado, por assim dizer, para esse estômago; mas não podem ter sabor. É ridículo considerar estas coisas como semelhantes. Contudo, também não são inteiramente dessemelhantes.
Reparai que me apoio na memória, quando afirmo que são quatro as perturbações da alma: o desejo, a alegria, o medo e a tristeza. Qualquer que seja o raciocínio que possa fazer, dividindo cada uma delas pelas espécies dos seus gêneros e definindo-as, aí encontro que dizer e declaro-o depois. Mas não me altero com nenhuma daquelas perturbações, quando as relembro com a memória. Ainda antes de eu as recordar e revolver, já lá estavam. Por isso consegui, mediante a lembrança, arrancá-las dali.
Assim como a comida, graças à digestão, sai do estômago, assim também elas saem do fundo da memória, devido à lembrança. Então, porque é que o que discute, ou aquele que delas se vai recordando, não sente, na boca do pensamento, a doçura da alegria, nem a amargura da tristeza? Porventura nisto é dessemelhante o que não é semelhante em todos os seus aspectos?
Quem em nós falaria voluntariamente da tristeza e do temor, se fôssemos obrigados a entristecer-nos e a temer, sempre que falamos de tristeza ou temor? Contudo, não os traríamos à conversa se não encontrássemos na nossa memória, não só os sons destas palavras, conforme as imagens gravadas em nós pelos sentimentos corporais, mas também a noção desses mesmos sentimentos. As noções não as alcançamos por nenhuma porta da carne, mas foi o espírito que, pela experiência das próprias emoções, as sentiu e confiou à memória; ou então foi a própria memória que as reteve sem que ninguém lhas entregasse.



In “Confissões”.
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Amei - por Raquel Aiuendi

Amei como quem fosse voltar
o tempo não existisse
como andar de trem
de uma estação a outra
e voltando também.

Amei certa de que despedida
significaria mais tempo
isso mesmo: tempo de vida,
por isso certa de que voltaria
tal e qual naquela partida.

Amei porque amando
se somam duas em uma
pessoa...
com chance maior de ser...

Amei porque amei
porque amei: voltei
porque voltei: amei
(de novo)
voltei a amar.
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Clarice Lispector e o “Escrever ao Sabor da Pena” - Citada por Alba Vieira

Esta frase me ficou na memória e nem sequer sei de onde ela veio. Para começar, não se usa mais pena. E depois, sobretudo, escrever à máquina, ou com o que seja, não é um sabor. Não, não, estou me referindo a procurar escrever bem: isso vem por si mesmo. Estou falando de procurar em si próprio a nebulosa que aos poucos se condensa, aos poucos se concretiza, ao poucos sobe à tona - até vir como num parto a primeira palavra que a exprima.
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